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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Segredo de Escritório

Escrita porNyx
Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 4 • Por Trás da Fachada

Tempo estimado de leitura: 42 minutos

  Depois do evento, tudo que meu corpo queria era descanso, mas minha mente não permitia. O dia havia sido uma verdadeira maratona, repleto de imprevistos, cobranças e a pressão sufocante de garantir que cada detalhe saísse impecável. O som incessante das notificações, o ritmo frenético dos prazos e, claro, a presença sempre vigilante de %Alice% haviam me deixado exausto. O plano era simples: um banho quente, uma cama confortável e algumas horas de sono profundo. Mas, assim que encostei a cabeça no travesseiro, a lembrança da ligação dela invadiu meus pensamentos, substituindo o cansaço pelo incômodo da incerteza.
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  O que exatamente ela queria comigo tão cedo? O tom da sua voz não indicava urgência, nem parecia ser sobre um compromisso rotineiro da empresa. Havia algo ali — um peso, um subtexto que eu não conseguia decifrar. Vindo de %Alice% %Dias%, isso era o suficiente para manter qualquer um acordado.
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  Depois de longos minutos de revirar na cama, aceitei que não conseguiria relaxar. O sono veio fragmentado, inquieto, e, quando o despertador finalmente tocou, eu já estava desperto há algum tempo, encarando o teto escuro do quarto. A madrugada ainda dominava a cidade quando me levantei, sentindo o frio do piso debaixo dos pés. O ar gelado parecia penetrar nos ossos enquanto eu tomava um banho rápido para afastar o torpor da noite mal dormida.
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  Cada movimento naquela manhã foi acompanhado por uma mistura de curiosidade e ansiedade. Não sabia o que esperar, mas algo dentro de mim dizia que essa não seria uma manhã comum. Escolhi o melhor terno que tinha — formal, como ela havia especificado — e me certifiquei de que até mesmo os sapatos estavam impecavelmente polidos. %Alice% não era do tipo que deixava algo passar despercebido, e se ela fazia questão de um código de vestimenta, era melhor seguir à risca.
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  Cheguei à empresa com dez minutos de antecedência, tentando ignorar o desconforto daquela sensação de antecipação. A entrada estava quase deserta, exceto por %Alice%, que aguardava ao lado de um carro preto com vidros escurecidos. Diferente da correria do evento no dia anterior, ela parecia completamente sob controle, como se aquele momento já estivesse milimetricamente planejado.
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  Ela estava impecável, como sempre, mas havia algo quase irritante no quão deslumbrante ela conseguia parecer tão cedo. O vestido cinza, elegante e perfeitamente ajustado, realçava sua postura altiva, e cada detalhe — do tecido bem cortado ao brilho discreto dos brincos — exalava poder. Para completar, ela usava óculos de sol grandes, que escondiam seus olhos, mas não diminuíram sua presença intimidadora. Mesmo sem ver seu olhar diretamente, eu sabia que estava sendo avaliado, como se ela conferisse mentalmente cada item da lista de exigências que esperava de mim.
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  %Alice% estava impecável, como sempre, mas havia algo quase irritante no quão deslumbrante ela conseguia parecer tão cedo. O vestido cinza, perfeitamente ajustado, destacava sua postura altiva, e os óculos de sol adicionavam um ar de mistério e autoridade. Ela me avaliou rapidamente, como se estivesse conferindo mentalmente cada item da lista de exigências que esperava de mim.
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  — Pelo menos você entende o conceito de pontualidade — disse ela, abrindo a porta traseira do carro com um movimento eficiente e sem cerimônia.
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  — Sempre — respondi, tentando soar confiante enquanto entrava no veículo, embora meu coração batesse mais rápido do que eu gostaria de admitir.
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  O interior do carro era luxuoso, com bancos de couro e um leve aroma amadeirado que se misturava com o perfume marcante de %Alice%. O silêncio entre nós era quase palpável, interrompido apenas pelo som suave dos pneus contra o asfalto. Ela digitava algo no celular com rapidez, o rosto iluminado pela tela, completamente imersa no que quer que estivesse fazendo.
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  Eu estava prestes a perguntar para onde estávamos indo quando o telefone dela vibrou na mão. %Alice% suspirou ao ver o nome no visor, a expressão se fechando em uma linha tensa antes mesmo de atender.
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  — Mãe, estou ocupada. O que foi? — Sua voz saiu firme, mas havia um leve resquício de impaciência.
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  A voz do outro lado era abafada, mas carregava um tom de urgência. %Alice% manteve a expressão impassível, mas sua postura ficou mais rígida. Seus dedos, antes ágeis no celular, agora estavam parados, como se ela já antecipasse o incômodo que estava por vir.
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  — Agora? — Ela franziu o cenho, trocando um olhar rápido comigo antes de desviar os olhos. — Eu tinha outro compromisso importante hoje.
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  A resposta do outro lado foi curta, direta. %Alice% fechou os olhos por um breve momento, inspirou fundo e soltou o ar lentamente, como se estivesse tentando conter uma resposta mais dura.
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  — Certo. Estou indo.
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  Ela encerrou a ligação com um toque firme na tela e permaneceu imóvel por um instante, encarando o nada à sua frente, reorganizando os pensamentos. Então, sem nem me olhar, anunciou:
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  — Mudança de planos.
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  Ergui uma sobrancelha, notando o desconforto contido na postura dela.
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  — Algo grave?
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  Ela virou o rosto para a janela, como se quisesse estar em qualquer outro lugar.
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  — Minha mãe quer me ver. Agora. E quando Regina %Dias% exige alguma coisa, a única resposta aceitável é ‘sim, senhora’.
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  O nome soou com um peso diferente. %Alice% nunca falou de sua família. Eu me ajeitei no banco, observando-a.
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  — Então, em vez de irmos aonde íamos, vamos visitar sua família? — perguntei, tentando captar qualquer nuance no tom dela.
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  Ela soltou um suspiro resignado e recostou-se no assento.
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  — Parece que sim.
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  O desconforto era visível, mas, ao invés de falar mais sobre o assunto, %Alice% voltou a mexer no celular com a mesma expressão concentrada de antes, como se quisesse minimizar a inconveniência da mudança de planos.
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  — Cancele a visita à Rafa Kalimann e peça para remarcar para outro horário — ordenou %Alice%, sem sequer levantar os olhos do celular.
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  Pisquei algumas vezes, tentando absorver a informação.
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  — Espera... a gente ia encontrar a Rafa Kalimann hoje? — perguntei, atônito.
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  %Alice% me lançou um olhar impaciente, como se minha surpresa fosse um incômodo desnecessário.
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  — Sim. Mas agora temos outra prioridade. Só remarca. — Sua atenção continuava na tela do celular, os dedos se movendo rapidamente enquanto digitava algo. — Já mandei o contato da assessoria dela para você. Como já não é mais sigilo, pode resolver isso sozinho.
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  Minha mente levou alguns segundos para processar aquilo. Não era qualquer reunião que estava sendo adiada. Conseguir um encontro com uma das maiores influenciadoras digitais do país não tinha sido fácil. Esse era um dos compromissos mais estratégicos da empresa, e %Alice% o descartou sem hesitação. Se ela estava disposta a mudar algo dessa magnitude, o que quer que estivesse acontecendo com Regina %Dias% devia ser sério.
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  Ainda assim, algo em mim insistiu.
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  — Certo… Mas ela não vai ficar irritada? Quero dizer, essas pessoas têm agendas lotadas.
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  %Alice% finalmente desviou os olhos do celular e me encarou por cima dos óculos escuros, inclinando-se levemente para frente. Mesmo sem ver seus olhos diretamente, eu sabia que estavam afiados como lâminas.
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  — Por isso quero que remarque, não que cancele! — rebateu, a voz firme e sem paciência. — Você está questionando minhas decisões agora, %Arthur%?
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  Endireitei a postura no banco, levantando as mãos em um gesto de rendição.
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  — De jeito nenhum. Eu só… não esperava — admiti, tentando me recompor.
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  Ela soltou um pequeno suspiro, voltando ao celular, como se aquela troca de palavras tivesse sido uma perda de tempo.
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  — Ela pode ser Rafa Kalimann, mas eu sou %Alice% %Dias%. E meu tempo vale tanto quanto o dela.
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  Pisquei, surpreso com a confiança implacável dela. %Alice% sempre foi determinada, mas ouvi-la dizer isso com tamanha convicção, sem um traço de dúvida, me fez estremecer. Não sabia dizer se era admiração ou apenas um leve frio na espinha por estar ao lado de alguém que enxergava o mundo dessa forma.
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  Engoli em seco, disfarçando qualquer reação exagerada.
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  — Claro — murmurei, mantendo minha expressão neutra. — Vou remarcar.
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  %Alice% não respondeu, apenas continuou a digitar no celular, como se a conversa já estivesse encerrada e minha concordância fosse apenas uma formalidade.
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  Peguei meu próprio celular e comecei a digitar uma mensagem para a assessoria de Rafa Kalimann, explicando a necessidade da mudança de horário.
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  O carro parou suavemente em frente ao prédio, mas %Alice% já estava abrindo a porta antes mesmo que o motorista tivesse a chance de fazê-lo.
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  — Estamos aqui — anunciou, saindo sem me esperar.
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  O som firme de seus saltos ecoou na calçada, cada passo carregando um propósito. Eu a segui, tentando não parecer deslocado. O interior do edifício era ainda mais imponente que o exterior. O mármore do chão refletia as luzes do lustre pendurado no teto alto, e tudo ali exalava sofisticação. Mas, apesar do luxo, a atmosfera parecia fria, distante — muito parecida com a mulher que me conduzia até uma sala privativa.
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  Lá dentro, uma mulher nos aguardava. Ela se ergueu da poltrona com uma calma meticulosamente controlada, sua presença ocupando todo o espaço antes mesmo que dissesse qualquer palavra. Seu rosto, embora mais maduro, era uma versão indiscutível de %Alice%: os traços refinados, o olhar calculista e a postura impecável. Mas, diferente da filha, havia algo em Regina %Dias% que me fez sentir um calafrio imediato.
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  — Mamãe — disse %Alice%, sua voz precisa, cortante, mas sem um traço de afeto.
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  Regina abriu um sorriso polido, treinado na medida exata entre a civilidade e a superioridade. Não era um sorriso de boas-vindas, mas um aviso.
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  — %Alice%. Sempre tão ocupada. — Sua voz carregava um tom levemente reprovador, como se cada palavra fosse um lembrete sutil de uma falha.
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  %Alice% manteve-se impassível.
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  — Porque eu priorizo compromissos que realmente exigem minha atenção.
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  Ela se sentou de frente para a mãe, cruzando as pernas com precisão calculada. Seus olhos estavam firmes, mas, mesmo de onde eu estava, percebi como seus dedos se entrelaçaram discretamente sobre o colo — um detalhe pequeno, mas revelador. Um resquício de nervosismo que %Alice% provavelmente detestaria que alguém notasse.
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  O silêncio entre as duas era quase sufocante, um campo minado pronto para explodir a qualquer momento. Eu permaneci próximo à porta, sentindo-me um espectador inesperado de algo muito maior do que uma simples reunião familiar. A energia naquele ambiente não era apenas fria, era afiada, carregada de significados subentendidos e ressentimentos velados.
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  Regina quebrou o silêncio primeiro.
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  — Você sabia que hoje discutiríamos questões importantes — começou, sua voz doce em um tom ensaiado, mas que trazia consigo a firmeza cortante de quem já tinha essa conversa muitas vezes antes. — No entanto, parece que continua insistindo em ignorar os valores que a família te ensinou.
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  %Alice% arqueou uma sobrancelha, sua expressão perfeitamente controlada, mas carregada de uma paciência à beira do esgotamento.
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  — Então foi para isso que me chamou aqui? — Sua voz era fria, mas havia um resquício de exasperação ali. — Esse tipo de conversa poderia acontecer a qualquer momento, mas, de alguma forma, sempre escolhe os momentos mais inconvenientes para tentar me demonizar.
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  Regina suspirou, inclinando levemente a cabeça como se ainda houvesse esperança de dobrar a filha à sua vontade.
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  — Família, %Alice%. Construção. Estabilidade. Você realmente acredita que essa sua obsessão pelo trabalho te levará a algum lugar que importe? — Sua voz carregava um misto de censura e impaciência. — Trabalhar dessa forma, ignorando possibilidades mais… tradicionais. A forma como você conduz a empresa, como se fosse apenas sua. Isso é o reflexo de uma mulher que se recusa a aceitar seu verdadeiro papel.
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  %Alice% respirou fundo. O gesto foi mínimo, mas, para alguém que a observava com atenção, era um sinal claro de irritação. Em pouco tempo de convivência, eu já havia aprendido a reconhecer esses pequenos sinais.
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  — Se ser ‘tradicional’ significa abrir mão da minha independência e dos meus objetivos para caber em um molde ultrapassado, então prefiro continuar sendo inadequada — rebateu, sua voz afiada e sem espaço para concessões.
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  Regina bufou suavemente, recostando-se na poltrona, os dedos ajustando seus brincos brilhantes com um ar calculado de frustração.
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  — E quanto à sua vida pessoal? Você realmente acredita que pode continuar assim para sempre? Sem um marido, sem filhos, sem ninguém para compartilhar sua vida? — Seu tom ficou mais gélido, como se cada palavra fosse projetada para atingir onde doía. — Você tem trinta e dois anos, %Alice%. Está correndo contra o tempo. O que pretende fazer quando perceber que está sozinha?
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  O silêncio que se seguiu foi pesado. Como se a sala tivesse ficado menor, comprimida pela tensão entre as duas.
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  %Alice% permaneceu impassível. Sua expressão era uma máscara esculpida na perfeição. Mas eu percebi a mudança. A rigidez sutil nos ombros, a respiração levemente mais profunda. Um controle absoluto, mas não inabalável.
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  — Faço o que precisa ser feito para garantir o meu sucesso — disse, cada palavra cuidadosamente medida. — E não sou ingênua o suficiente para acreditar que um relacionamento ou uma família garantem felicidade. Se minha independência te incomoda, lamento, mas não vou mudar.
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  Regina inclinou-se para frente, seu olhar perfurando %Alice%, como se tentasse encontrar alguma rachadura na muralha que a filha havia construído ao longo dos anos.
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  — E o que você terá quando olhar para trás? — Sua voz baixou, mas ficou ainda mais cortante. — Dinheiro? Reconhecimento? Você pode até comandar um império, %Alice%, mas isso não vai te abraçar à noite. — Um sorriso frio dançou nos lábios dela. — Um dia, você vai entender que o que realmente importa não está nas suas conquistas. Espero que, quando isso acontecer, não seja tarde demais.
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  Aquelas palavras caíram no ambiente como uma sentença.
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  Eu podia ver o peso delas em %Alice%, mesmo que sua expressão permanecesse impecável. Ela não piscou, não reagiu. Mas, por um segundo, eu vi. A hesitação quase invisível, a tensão nos músculos que indicava que aquela conversa estava tocando algo profundo.
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  E foi aí que algo dentro de mim se moveu.
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  Não sei se foi o tom cortante de Regina ou a maneira sutil, mas evidente, como %Alice% parecia travar uma guerra interna para não demonstrar qualquer abalo. Mas antes que percebesse, eu já estava me manifestando.
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  Limpei a garganta e dei um passo à frente.
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  — Com licença, mas acho que essa conversa precisa terminar por hoje. A Srta. %Dias% tem uma agenda cheia e ainda precisa finalizar detalhes de um evento importante.
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  Os olhos de Regina deslizaram até mim, como se finalmente notasse minha presença ali. Seu olhar avaliativo pesou sobre mim por um instante antes de se voltar para %Alice%, esperando alguma reprimenda à minha interferência. Mas, para minha surpresa, %Alice% apenas assentiu.
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  — %Arthur% tem razão — disse, sua voz firme, mas sem a rigidez de antes. — Eu já desmarquei uma reunião para estar aqui, não posso mais adiar nenhum compromisso.
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  Regina ficou imóvel por um instante, como se ponderasse se valia a pena insistir. Mas, por fim, ergueu-se da poltrona com um movimento ensaiado, ajeitando a saia do vestido como se estivesse limpando algo invisível.
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  — Ainda espero que você repense suas prioridades, %Alice%. Estarei esperando quando perceber que estou certa.
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  %Alice% também se levantou. Sua postura impecável, seu rosto inexpressivo como uma máscara meticulosamente esculpida. Mas, quando estendeu a mão para apertar a da mãe, seu aperto foi firme, quase desafiador.
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  — E eu espero que um dia você confie nas minhas decisões, mãe. Porque eu sei exatamente o que estou fazendo. Mas, se tudo o que tem para mim são críticas e tentativas de me moldar ao que você considera certo, talvez seja melhor não me chamar.
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  O olhar de Regina se estreitou por um instante, mas ela não rebateu. Apenas ergueu o queixo com a mesma altivez da filha e saiu da sala sem dizer mais nada.
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  Quando a porta se fechou atrás de Regina %Dias%, o silêncio que ficou na sala era quase ensurdecedor. %Alice% soltou um longo suspiro, passando a mão pelos cabelos — o primeiro gesto verdadeiramente humano desde que entramos ali. Pela primeira vez, o verniz impecável da sua postura cedeu, revelando o desgaste escondido sob camadas de controle e indiferença calculada.
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  Fiquei ali, observando-a, sentindo o peso invisível da tensão que ela se recusava a admitir. Era estranho ver alguém tão inabalável dar sinais, mesmo que sutis, de cansaço emocional. E mais estranho ainda era o fato de eu notar.
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  No caminho de volta para o carro, o silêncio continuou nos acompanhando, agora mais denso, quase palpável. %Alice% caminhava com o mesmo porte altivo, mas seus passos pareciam mais lentos, como se o peso da conversa ainda estivesse grudado em seus ombros. Quando nos acomodamos no carro, ela virou o rosto para a janela, o olhar fixo em algum ponto perdido na paisagem urbana, embora eu duvidasse que enxergasse qualquer coisa ali fora.
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  O reflexo dela no vidro mostrava uma expressão que não combinava com a mulher que conheci nos escritórios da Domus. Não havia a rigidez habitual, nem o olhar calculado e afiado. Em vez disso, vi algo mais humano — um cansaço que ia além do físico, um desconforto que ela não conseguiria enterrar mesmo que tentasse.
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  Respeitei o espaço, deixando o silêncio preencher o carro. Mas, quando já achava que seguiríamos todo o trajeto assim, sua voz quebrou o vazio, baixa, desprovida da rigidez costumeira:
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  — Obrigada, %Arthur%. Por... intervir.
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  Foram apenas algumas palavras, mas o impacto foi maior do que qualquer discurso que ela pudesse fazer. A gratidão na voz dela não era comum. E o tom? Ali havia algo raro, quase uma rachadura na armadura — não fraqueza, mas uma vulnerabilidade crua que parecia difícil para ela admitir até para si mesma.
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  Demorei um segundo para responder, escolhendo as palavras com cuidado, consciente da delicadeza do momento.
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  — Apenas achei que você precisava de uma pausa. — Tentei suavizar com um sorriso de canto, mas sabia que ela enxergava através de qualquer tentativa de aliviar o peso da situação.
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  %Alice% virou o rosto para mim, seus olhos encontrando os meus com uma intensidade que me deixou inquieto. Não era o olhar crítico ou avaliativo de sempre. Havia algo mais ali. Algo que beirava o alívio, talvez até... gratidão genuína. Foi desconcertante.
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  — Talvez eu precisasse mesmo. — Sua voz saiu mais baixa, quase um sussurro, como se admitir isso fosse uma batalha interna.
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  Aquela confissão abriu espaço para uma pergunta que martelava em minha mente desde o início daquela visita.
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  — Posso perguntar algo? — arrisquei, esperando que ela não levantasse mais uma de suas barreiras.
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  Ela assentiu levemente, um gesto simples, mas que parecia carregar mais significado do que o habitual.
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  — Sempre foi assim entre você e sua mãe?
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  %Alice% soltou um riso curto, sem humor. Cruzou os braços, como se o gesto fosse uma tentativa instintiva de se proteger de memórias incômodas.
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  — Sim. — O olhar dela se desviou para a janela novamente, como se buscar respostas lá fora fosse mais fácil do que encará-las diretamente. — Ela tem expectativas... inatingíveis. Para ela, sucesso só importa se vier acompanhado de um roteiro que ela mesma escreveu. Família perfeita, vida pessoal impecável, decisões alinhadas ao que ela considera certo.
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  Houve uma pausa. O tipo de silêncio que não era desconfortável, mas necessário. %Alice% parecia pesar cada palavra, como se escolher o que dizer fosse tão importante quanto o que ela decidia esconder.
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  Decidi ir um pouco além.
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  — E você? — perguntei, minha voz mais suave, respeitando o terreno sensível que estávamos pisando. — O que você considera certo?
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  Ela demorou a responder. Os olhos continuaram fixos na paisagem que passava pela janela, mas era óbvio que estava longe dali, presa em pensamentos que não compartilharia com facilidade.
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  — Eu considero certo fazer o que é necessário. Para mim, sucesso é provar que posso chegar onde quero, independentemente das regras que tentam impor. — A firmeza estava de volta à voz dela, mas dessa vez havia algo mais. Não era apenas convicção — era uma defesa, quase um escudo.
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  Antes que o silêncio voltasse a se instalar, ela inverteu a pergunta, me pegando de surpresa:
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  — E você, %Arthur%? O que considera sucesso?
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  Eu não esperava que ela demonstrasse interesse genuíno na minha opinião. Ainda mais em um momento como aquele.
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  Respirei fundo, processando a pergunta, antes de responder com honestidade:
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  — Acho que sucesso é conseguir viver com as escolhas que fazemos. E, se possível, encontrar um pouco de felicidade no caminho.
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  %Alice% me olhou de lado, e, pela primeira vez, vi um sorriso diferente se formar em seus lábios. Pequeno, quase imperceptível, mas real.
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  — Uma visão... idealista. Mas interessante. — O tom dela não carregava sarcasmo, nem julgamento. Era sincero. E isso me pegou de surpresa.
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  O carro parou em frente à empresa. %Alice% desceu com a mesma postura elegante de sempre, mas antes de seguir, virou-se para mim. Havia algo em seu olhar que parecia mais... leve, embora o cansaço ainda estivesse lá.
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  — Obrigada de novo, %Arthur%. Talvez você esteja certo sobre algumas coisas.
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  Eu estava prestes a responder quando me lembrei de algo importante.
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  — Ah, só para avisar... Remarquei a visita com a Rafa Kalimann para amanhã de manhã. Já organizei sua agenda para encaixá-la sem afetar outros compromissos.
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  Ela arqueou uma sobrancelha, surpresa, mas satisfeita.
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  — Bom trabalho. Espero que ela saiba que, se eu remarquei, foi porque eu quis, e não porque precisei.
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  — Ah, claro, Srta. %Dias%. Vou garantir que a informação chegue até ela da forma correta. — Sorri de canto, deixando escapar um toque sutil de ironia.
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  %Alice% me lançou um último olhar — difícil de decifrar, uma mistura de aprovação e desafio — antes de se virar e desaparecer no prédio.
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  Fiquei no carro por mais alguns segundos, observando o reflexo da cidade no vidro. %Alice% %Dias% não era uma mulher fácil de entender, mas, naquele momento, tive certeza de uma coisa: por trás da armadura que ela carregava, existia muito mais do que o mundo estava autorizado a ver.
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💻👠

  Depois de um dia exaustivo, tudo o que eu queria era algo doce para compensar o cansaço acumulado. A cafeteria do meu bairro parecia o destino perfeito — seus croissants eram os melhores da cidade e, de quebra, eu aproveitaria para levar um de chocolate para Clara, já que ela adorava. Assim que empurrei a porta de vidro, o aroma quente de café fresco e pão recém-assado me envolveu, trazendo um raro instante de conforto em meio à rotina caótica.
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  Mas o verdadeiro impacto veio quando meus olhos encontraram Amanda, sentada em uma mesa mais afastada, próxima à janela.
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  Ela estava imersa na leitura, o olhar fixo nas páginas amareladas de um livro que parecia ter sido lido e relido várias vezes. Seus dedos deslizavam pelas margens, traçando linhas invisíveis enquanto a outra mão repousava ao lado de uma xícara de chá já pela metade.
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  Era estranho como ela parecia perfeitamente encaixada naquele cenário, como se fosse parte da paisagem.
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  Amanda nunca passava despercebida. Seus olhos encontraram os meus em questão de segundos, e um sorriso familiar — carregado de um charme casual e uma pitada de malícia — se formou nos cantos da boca.
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  — Olha só quem resolveu aparecer — disse ela, fechando o livro com um movimento suave.
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  O sorriso dela era aquele tipo que fazia o ambiente parecer menos pesado, como se ela fosse uma pausa em meio ao caos.
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  — Amanda — respondi, me aproximando com um sorriso automático nos lábios.
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  Me inclinei levemente sobre a mesa e depositei um selinho rápido nos seus lábios. Era algo natural entre nós, um gesto sem peso ou significado profundo. Nós nunca fomos um casal. Nossa relação era confortável e descomplicada. Sem rótulos, sem expectativas. Apenas uma amizade com benefícios ocasionais.
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  — Posso me juntar a você? — perguntei, já puxando uma cadeira.
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  — Só se trouxer algo para mim. Exagerei no chá e agora estou precisando desesperadamente de algo doce. — Ela piscou, inclinando a cabeça para o balcão.
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  — Exigente como sempre — brinquei, rindo enquanto me afastava para fazer o pedido.
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  Peguei dois croissants — um para mim e o de Clara para viagem — e um muffin para Amanda, além de um café forte para tentar despertar meu cérebro cansado. Quando voltei para a mesa, ela me observava com aquele olhar curioso, o tipo de olhar que parecia ver mais do que você queria mostrar.
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  — Então, o que você está lendo? — perguntei, apontando para o livro que agora estava repousado ao lado da xícara.
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  — Algo que você provavelmente acharia entediante. — Ela pegou o livro, deslizando os dedos pela capa. — Romance histórico. Eu gosto da forma como as relações eram construídas antes. Cartas demoravam semanas para chegar, olhares carregavam significados profundos… Hoje, tudo é tão rápido.
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  — Rápido é pouco. — Tomei um gole do café, sentindo o amargor familiar se espalhar pela boca. — A gente vive num mundo onde até as pausas precisam ser produtivas.
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  Amanda me observou por um instante mais longo do que o necessário e, antes que qualquer palavra pudesse preencher o espaço entre nós, aconteceu.
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  Me inclinei levemente para frente e, sem hesitar, ela fez o mesmo.
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  O beijo foi natural, como um reflexo. Simples. Sem pressa. Um costume mais do que qualquer outra coisa. Nada nele exigia promessas ou comprometimentos, porque entre nós nunca houve nada além do agora.
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  Quando nos afastamos, Amanda sorriu contra meus lábios, seus olhos brilhando com diversão.
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  — Sempre achei que os muffins combinam melhor com beijos do que com café.
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  — Um argumento válido. — Ri, apertando de leve sua mão sobre a mesa.
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  A conversa continuou fluida, cheia de provocações e pequenos toques que não significavam mais do que deveriam. Amanda sempre teve essa capacidade de me fazer esquecer do caos, de ser um refúgio sem precisar de explicações.
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  — Você tem trabalhado demais — ela comentou, girando distraidamente a colher dentro da xícara. — Dá para ver no seu rosto.
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  — Isso é um jeito sutil de dizer que estou com olheiras? — provoquei, arqueando uma sobrancelha.
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  — Eu não disse isso. Mas… se a carapuça serviu. — Amanda riu, me lançando um olhar provocador.
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  Revirei os olhos, fingindo indignação.
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  — A culpa não é minha. Minha chefe tem um prazer sádico em me fazer correr contra o tempo.
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  — Você me falou dela uma vez, ela é implacável, né? — Ela apoiou o cotovelo na mesa, o queixo descansando na palma da mão enquanto me analisava.
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  — Isso é um eufemismo — suspirei, mordendo um pedaço do croissant. — Ela é o próprio pesadelo de salto alto.
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  Amanda soltou uma risada leve, mas mudando de assunto.
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  — Então me diga, o que você tem feito além de ser torturado no escritório? — Hesitei por um momento antes de soltar algo que não planejava compartilhar.
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  — Pensando em retomar meus desenhos. — Os olhos dela brilharam de interesse.
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  — Seus desenhos? Você nunca me mostrou nada.
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  — Porque nunca achei que fossem bons o suficiente. — Ela balançou a cabeça, descrente.
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  — Quero ver. Um dia desses, sem desculpas.
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  — Vou pensar no seu caso.
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  Amanda riu e, sem dizer nada, pegou minha mão sobre a mesa, seus dedos traçando círculos distraídos na minha pele. Um toque confortável, mas sem qualquer promessa.
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  — Então, o que acha de continuarmos essa conversa em um lugar mais… confortável? — sussurrou, inclinando-se levemente, a provocação evidente no tom.
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  Meu sorriso cresceu.
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  — Definitivamente uma ideia melhor do que falar sobre trabalho.
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  Pagamos a conta rapidamente e saímos juntos, nossos passos sincronizados, como se fôssemos parte de uma rotina que não precisava de explicações. A noite ainda estava começando, e por algumas horas, o caos da minha vida podia esperar.
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💻👠

  Já era tarde quando finalmente cheguei em casa. As luzes da sala estavam acesas, lançando um brilho suave que contrastava com o cansaço impregnado em mim. O aroma familiar de café misturado com lavanda ainda pairava no ar, uma daquelas pequenas marcas de Clara que tornavam aquele espaço mais do que apenas um apartamento — era um lar, um lugar onde o peso do dia parecia, pelo menos por alguns minutos, mais leve.
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  Ela estava afundada no sofá, cercada por um caos organizado de cadernos rabiscados, canetas espalhadas e o notebook equilibrado sobre o colo. Os fones de ouvido abafavam o mundo ao redor, mas não o suficiente para que ela não me notasse assim que fechei a porta atrás de mim. Clara tirou os fones, arqueando uma sobrancelha com uma expressão curiosa que, apesar do tom brincalhão, carregava um traço sutil de preocupação real.
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  — Até que enfim! Achei que tinha sido sequestrado pelo trabalho. Ou foi outra coisa? — provocou, com um sorriso leve.
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  Soltei um suspiro pesado, jogando a mochila no chão e me deixando cair no sofá ao lado dela, afundando no estofado como se aquilo pudesse, de alguma forma, aliviar o cansaço que parecia colado à minha pele.
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  — Sequestrado pela vida, talvez. Ou pelo destino — murmurei, passando as mãos pelo rosto, tentando afastar a sensação sufocante de um dia que parecia ter durado uma eternidade. — Foi um dia longo. E, para ser justo, também dei uma passadinha na cafeteria e acabei encontrando a Amanda.
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  O nome dela pareceu acender uma faísca de curiosidade em Clara. Ela fechou o notebook com um estalo suave, cruzou as pernas e me lançou um olhar que dizia "Agora você vai falar".
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  — A Amanda? Do nada? — perguntou, inclinando a cabeça, claramente interessada.
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  Dei uma risada breve, sem humor, esfregando a nuca como se o gesto pudesse aliviar a tensão.
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  — Pois é. Mas antes disso… minha chefe me arrastou para um encontro com a mãe dela.
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  O efeito foi imediato. Os olhos de Clara se arregalaram, e ela se endireitou no sofá, o rosto estampado com um misto de choque e empolgação.
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  — O quê?! Espera… você conheceu a mãe da %Alice%? — O tom dela subiu uma oitava, como se aquilo fosse o equivalente a uma fofoca de primeira linha.
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  Assenti, soltando um suspiro que parecia carregar o peso do encontro.
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  — Sim. E foi tão desconfortável quanto parece. A mulher passou metade do tempo analisando cada escolha da filha como se fosse uma juíza em um tribunal invisível.
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  Clara franziu o cenho, seu olhar agora misturado entre curiosidade e empatia.
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  — Nossa, que tenso. E a %Alice%? Conseguiu manter a pose de fortaleza impenetrável?
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  — Até conseguiu, mas dava pra ver que estava abalada. No final, acabei… — hesitei, percebendo o quão estranho soava até para mim — acabei interferindo para encerrar a conversa.
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  Ela piscou, incrédula, como se eu tivesse dito que parei um furacão com as próprias mãos.
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  — Você fez o quê?! %Arthur%!
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  Levantei as mãos em um gesto defensivo, rindo do tom escandalizado dela.
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  — Eu sei, eu sei! Parece loucura, mas… parecia que ela precisava de uma saída. E, olha, foi a primeira vez que vi um lado mais humano da %Alice%.
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  Clara estreitou os olhos, inclinando-se para frente, intrigada.
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  — Humano como?
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  Fiquei em silêncio por um instante, revivendo a cena na minha cabeça. O jeito que %Alice% manteve a compostura, mas não conseguiu esconder completamente a tensão nos ombros, o olhar mais carregado do que de costume.
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  — Foi sutil, mas estava lá. Quando ela me agradeceu… parecia genuíno. Não foi só por educação. Foi… real. Como se, por um segundo, ela não fosse a %Alice% %Dias%, CEO implacável, mas só… uma pessoa.
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  Clara me observou em silêncio, aquele olhar dela que sempre parecia enxergar além do óbvio, antes de sorrir de canto.
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  — Interessante… — murmurou, com um tom carregado de segundas intenções. — Mas e Amanda? Como ela entrou nessa história?
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  Soltei uma risada baixa, balançando a cabeça.
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  — Depois de um dia longo, decidi passar na cafeteria para pegar um croissant pra você. Só que acabei encontrando a Amanda. Conversamos, rimos… e, bom, esticamos a noite na casa dela, se é que me entende…
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  Clara revirou os olhos dramaticamente, jogando uma almofada na minha direção. Peguei o croissant da sacola e entreguei para ela, que o abriu imediatamente.
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  — Eu já entendi, ok? Não quero detalhes sórdidos! — Ri, pegando a almofada e jogando de volta.
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  Houve um breve silêncio antes de Clara me lançar um olhar de quem estava formulando uma pergunta séria.
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  — Sabe, %Arthur%… eu não entendo por que você não namora com ela logo? — Ela inclinou a cabeça, mordendo um pedaço do croissant. — Quer dizer, vocês não cansa desse negócio de casualidade? — Suspirei, apoiando a cabeça no encosto do sofá.
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  — Porque eu não a amo. — A resposta saiu com uma facilidade quase desconcertante, mas era a verdade.
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  Clara me analisou por um instante, mastigando devagar, como se digerisse minhas palavras junto com o croissant.
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  — Mas você gosta dela — afirmou, sem realmente perguntar.
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  — Sim, gosto. Amanda é incrível. Inteligente, divertida, e ela me entende. Mas não é… — Pausei, buscando a palavra certa. — Não é o fogo de uma paixão. Não é aquela coisa que consome, que faz você perder o ar.
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  — E ela nunca quis nada mais sério? — Pensei por um momento antes de dar de ombros.
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  — Se quis, nunca demonstrou. E, sinceramente? Acho que estamos na mesma página. O que temos sempre foi descomplicado, leve. Ela nunca cobrou nada, nunca esperou algo além do que era.
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  Clara me observou por mais um tempo antes de soltar um suspiro, balançando a cabeça.
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  — Bom… pelo menos vocês são honestos um com o outro.
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  — Sempre fomos. — Respondi, um sorriso cansado nos lábios.
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  Ela ficou em silêncio por um momento, depois pegou o controle remoto e acenou em direção à TV.
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  — Quer assistir alguma coisa? Já que você finalmente resolveu dar as caras.
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  — Só se for algo leve. Acho que não aguento mais nada sério hoje. — Respondi, pegando uma almofada e jogando contra ela, rindo do olhar indignado que recebi em troca.
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  — Você é insuportável. — Clara bufou, pegando outra almofada para revidar, mas antes que a guerra de travesseiros pudesse começar, meu celular vibrou na mesa de centro.
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  O som cortou o ar como uma faca, um lembrete de que o mundo lá fora não tinha pausa, mesmo quando eu precisava desesperadamente de uma. O nome de %Alice% brilhou na tela, e um arrepio percorreu minha espinha. Clara lançou um olhar divertido para o telefone, a sobrancelha arqueada em uma expressão que misturava curiosidade e sarcasmo.
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  — Ih, lá vem bomba. Melhor atender logo antes que ela mande um helicóptero te buscar.
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  Suspirei, passando a mão pelo rosto, como se isso pudesse preparar meu cérebro para o que estava por vir. Deslizei o dedo pela tela e levei o telefone ao ouvido.
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  — Srta. %Dias%? — Atendi, tentando soar tranquilo, mesmo sabendo que, se ela estava ligando a essa hora, não era por algo simples.
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  A voz dela veio firme, direta, sem rodeios, do jeito que eu já estava acostumado:
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  — %Arthur%, preciso que você ajuste minha agenda para amanhã. A reunião com a Rafa Kalimann precisa ser remarcada para às 10h00, em vez das 08h00. Ela vai até preferir, gosta de acordar mais tarde.
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  Franzi a testa, um incômodo imediato crescendo dentro de mim. Aquela reunião tinha sido difícil de agendar, e alterar novamente não seria fácil.
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  — Tem certeza? Essa reunião já foi reagendada uma vez… — Questionei, sabendo que estava pisando em território perigoso. O tom de voz dela já era um aviso por si só.
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  Do outro lado da linha, o suspiro impaciente foi quase audível. Era aquele tipo de suspiro que significava "não estou disposta a discutir isso".
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  — Tenho certeza, %Arthur%. Apenas remaneje e me envie a atualização assim que terminar.
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  O tom dela era irredutível, a paciência pendurada por um fio. Eu sabia que insistir seria inútil.
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  — Tudo bem. Vou resolver agora.
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  — Ótimo.
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  E, como de costume, a ligação foi encerrada antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa.
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  O telefone descansava no sofá, a tela escura refletindo meu próprio cansaço. O peso da ligação ainda pairava no ar, misturado ao silêncio descontraído da sala. Clara me observava com um olhar divertido, abraçando a almofada que eu havia jogado nela minutos antes.
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  — Você realmente trabalha para uma máquina, não é? — provocou, inclinando a cabeça com um sorriso malicioso.
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  Dei uma risada curta, sem muito humor, afundando no sofá.
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  — Uma máquina bem programada para controlar tudo e todos.
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  — Incluindo você. — Ela piscou, rindo da própria piada.
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  Balancei a cabeça, rindo baixinho, mas a verdade era que aquilo não estava tão longe da realidade. %Alice% %Dias% parecia ter um talento especial para fazer o mundo girar ao seu comando. E eu? Bem, eu era só mais uma peça bem encaixada nesse tabuleiro.
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  Nota da autora: Eita que a Alice mostrou uma face nova… Será que o Arthur está finalmente conseguindo quebrar as barreiras dela?

Capítulo 4
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