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Segredo de Escritório

Escrita porNyx
Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 3 • O Evento Perfeito

Tempo estimado de leitura: 35 minutos

  O relógio na parede marcava quase nove da noite, mas sair dali ainda não era uma opção. O escritório estava mergulhado em um silêncio pesado, quebrado apenas pelo som ritmado do teclado e pelo zumbido distante da cidade lá fora. Minha mesa era um campo de batalha de planilhas abertas, contratos amassados e anotações rabiscadas, cada papel um reflexo da minha mente inquieta.
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  O evento era amanhã. Passei os últimos dias mergulhado nisso, ajustando cada mínimo detalhe, revisando fornecedores, antecipando possíveis crises. Mas a verdade era que eu nunca tinha feito algo dessa magnitude antes. Nunca tive tanto em jogo. Ser secretário de %Alice% %Dias% já era um teste de resistência diária, mas agora parecia um verdadeiro campo minado, onde qualquer erro, por menor que fosse, poderia custar caro.
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  E o peso disso estava esmagando meus ombros. Passei a mão pelo cabelo, soltando um suspiro pesado. O cronograma piscava na tela do computador, cada linha carregada de compromissos, horários e responsabilidades. Já tinha revisado tudo pelo menos dez vezes, mas a sensação incômoda de que algo estava errado não me abandonava.
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  Talvez fosse apenas o nervosismo natural de um evento desse porte.
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  Ou talvez fosse %Alice%.
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  Pisquei algumas vezes, tentando afastar o cansaço que pesava nos olhos. Ainda não era hora de parar. Pelo menos, não até eu ter certeza absoluta de que tudo estava alinhado. Peguei o celular e comecei a disparar mensagens para a equipe, reforçando prazos, confirmando entregas. Alguns responderam quase de imediato, ainda tão alertas quanto eu. Outros, provavelmente já estavam dormindo.
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  Sortudos.
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  Depois de mais uma hora de checagens e ajustes, não havia mais nada que eu pudesse fazer ali. Peguei minha mochila, vesti o casaco e saí do escritório, sentindo a exaustão pesar no corpo.
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  Amanhã seria um dia longo.
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  E eu precisava, pelo menos, fingir que ia descansar.
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  Chamei um Uber. Não queria perder tempo no transporte público, só queria chegar logo em casa. O trajeto foi rápido, cerca de vinte e poucos minutos, mas senti cada segundo se arrastar. Quando finalmente atravessei a porta do apartamento, o silêncio me envolveu.
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  O ambiente estava escuro, exceto pela luz fraca da luminária na sala.
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  Soltei um suspiro, jogando as chaves sobre a mesa de entrada. Tirei os sapatos, aliviado por me livrar deles depois de um dia exaustivo. O plano era ir direto para o quarto, tomar um banho quente e, quem sabe, tentar dormir pelo menos algumas horas. Mas, ao passar pelo corredor, notei a porta de Clara entreaberta.
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  Me aproximei e, ao olhar para dentro, a encontrei adormecida sobre a escrivaninha. Livros de cálculo, folhas rabiscadas e uma xícara de café já pela metade a cercavam como se fossem parte dela. O rosto descansava sobre um dos cadernos abertos, os óculos levemente tortos.
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  Sorri, balançando a cabeça.
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  Minha irmã sempre foi assim — determinada, teimosa e completamente obcecada com os estudos. Faculdade de engenharia não era fácil, e Clara levava aquilo a sério. Talvez até demais.
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  Com cuidado, fechei o livro onde ela repousava a cabeça e tirei os óculos do rosto dela, deixando-os ao lado. Peguei o moletom jogado na cadeira e cobri seus ombros.
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  — Clara — chamei baixinho, tocando seu braço de leve. Ela se mexeu, soltando um murmúrio incompreensível.
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  — Ei, dormindo assim você vai acordar com a coluna destruída. Anda, vamos para a cama.
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  Ela resmungou algo, ainda de olhos fechados.
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  — Só mais cinco minutos…
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  Revirei os olhos, sorrindo de canto.
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  — Sem "cinco minutos", Clara. Levanta.
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  Passei um braço por seus ombros e a ajudei a se erguer. Meio sonolenta, ela se apoiou em mim, tropeçando levemente enquanto caminhava até a cama.
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  — Odeio cálculo… — murmurou, afundando no colchão assim que se deitou.
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  — Jura? Nunca teria adivinhado — brinquei, puxando o lençol sobre ela.
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  Ela soltou um som indefinido, já voltando a dormir antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa. Balançando a cabeça, apaguei a luz do abajur e saí do quarto em silêncio, fechando a porta com cuidado.
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  Mal tinha encostado no guarda-roupa para pegar meu pijama quando o celular vibrou sobre a mesa de cabeceira.
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  %Alice%.
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  Óbvio.
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  O cansaço bateu com força, como uma onda me puxando para baixo, mas ignorar a ligação não era uma opção. Respirei fundo, tentando afastar a exaustão, e deslizei o dedo pela tela antes que chamasse mais uma vez.
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  — %Arthur% falando.
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  A voz dela veio afiada, cortante como um bisturi.
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  — Você esqueceu de checar a entrega dos brindes personalizados. — Não era uma pergunta. Era uma acusação.
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  Senti o estômago afundar.
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  — Eu… eu chequei. A transportadora garantiu que chegaria pela manhã — tentei manter um tom firme, mas o tremor quase imperceptível na minha voz me denunciou.
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  — "Garantiu" não é certeza, %Arthur%. — %Alice% não hesitou. Seu tom era frio, controlado, sem um traço de paciência. — Você sabe o que acontece quando algo dá errado em eventos como esse?
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  Minha garganta secou.
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  — Eu… eu sei, %Alice%, mas eu conferi, de verdade. Eles me deram certeza…
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  — E você confiou? — O silêncio que se instalou do outro lado da linha foi pior do que qualquer grito.
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  Meu peito apertou.
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  — Eu… achei que estivesse resolvido. — Minha voz saiu mais baixa do que eu queria, quase um sussurro.
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  — "Achou" não é suficiente.
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  Fechei os olhos, sentindo o peso das palavras dela esmagando meu peito.
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  — Esse evento não pode ter erro. — Agora o tom dela era mais comedido, mas nem por isso menos implacável.
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  Minha mente girava, revirando cada detalhe do cronograma, tentando encontrar um ponto de falha, uma forma de garantir que tudo saísse conforme o planejado.
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  Passei a mão pelo rosto, tentando conter o suor frio na nuca.
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  — Eu vou ligar para a transportadora de novo. Te mando uma mensagem assim que tiver uma resposta definitiva.
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  %Alice% ficou em silêncio por um instante, como se estivesse decidindo se minha resposta era suficiente.
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  — Certo. Eu vou esperar.
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  A chamada foi finalizada.
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  O ar saiu dos meus pulmões em um longo suspiro enquanto eu deixava o celular cair sobre o colchão. Meu coração ainda martelava contra o peito, e eu podia sentir o aperto ansioso na garganta.
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  Ótimo. Isso significava que eu não ia dormir tão cedo.
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  Peguei o celular novamente e, com os dedos trêmulos, disquei o número da transportadora. O telefone chamou três vezes antes de alguém atender.
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  — Transportadora Estrela, boa noite.
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  — Boa noite… — engoli em seco. — Aqui é %Arthur%, da equipe da %Alice% %Dias%. Eu preciso confirmar a entrega dos brindes personalizados para o evento de amanhã.
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  O atendente demorou alguns segundos para responder, o som do teclado ecoando através da linha. O silêncio entre cada clique parecia se estender por uma eternidade. Meu estômago apertou.
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  — Deixa eu ver aqui… certo, temos a entrega agendada para às sete da manhã.
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  Exalei um pouco do ar que estava prendendo.
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  — Ótimo, então está tudo certo?
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  — Na verdade…
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  O sangue gelou nas minhas veias.
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  — O quê?
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  — O caminhão com essa carga saiu para entrega hoje à tarde, mas houve um problema na rota. Uma peça quebrou, e o motorista teve que voltar para a base.
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  O peito ficou pesado, como se um bloco de cimento tivesse sido jogado em cima de mim.
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  — E quando o caminhão vai sair de novo?
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  — Provavelmente pela manhã, mas não temos um horário exato ainda.
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  Fechei os olhos, sentindo uma onda de desespero subir pela garganta.
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  — Isso não pode atrasar. O evento começa cedo, e os brindes precisam estar no local antes da montagem final.
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  — Entendo, senhor, mas dependemos do conserto do veículo. Podemos tentar transferir a carga para outro caminhão, mas não posso garantir nada até a equipe técnica avaliar.
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  Minha mente corria em círculos, buscando soluções que eu não tinha. Passei a mão pelo rosto, tentando manter a calma.
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  — Eu preciso de uma confirmação o mais rápido possível. Isso é essencial.
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  — Vou encaminhar sua solicitação para o setor responsável. Podemos te dar um retorno em até…
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  — Não, não, eu preciso de uma resposta agora! — interrompi, e só percebi a urgência na minha voz quando já era tarde demais para disfarçar. — Por favor, esse evento não pode ter erro.
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  O atendente soltou um suspiro audível do outro lado.
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  — Vou ver o que consigo fazer. Me dá dez minutos.
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  Dez minutos. O que eram dez minutos quando minha noite já estava arruinada?
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  — Tudo bem. Vou aguardar.
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  Desliguei e encarei o teto.
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  Meu coração batia acelerado, e eu sentia o suor frio nas mãos. Peguei o celular, abrindo a conversa com %Alice%.
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  %Arthur%: Estou resolvendo. A transportadora teve um problema com o caminhão, mas estou pressionando por uma solução.
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  O status ficou online, e em segundos, a resposta veio.
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  %Alice%: Como assim um problema? Você não confirmou isso antes?
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  Engoli em seco.
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  %Arthur%: Eles disseram que estava tudo certo. Só descobriram o problema agora.
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  %Alice%: Isso é inaceitável. Você tem certeza que vão entregar a tempo?
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  Eu não tinha. Mas não podia dizer isso.
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  %Arthur%: Estou pressionando para garantir que sim. Vou te atualizar em dez minutos.
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  Ela visualizou, mas não respondeu.
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  Ótimo. Agora, além do estresse, tinha a expectativa dela pesando ainda mais sobre mim.
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  Olhei para o relógio. Três minutos se passaram. Me joguei na cama, encarando o teto, o celular ainda firme na mão. O sono já não era mais uma possibilidade. Tudo o que eu podia fazer era esperar.
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  O relógio marcava exatos nove minutos quando o celular vibrou novamente. Atendi antes mesmo do segundo toque. A voz do atendente agora parecia mais firme, mas ainda carregava aquele tom burocrático que me irritava.
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  — Senhor, conseguimos transferir a carga para outro caminhão. A entrega dos brindes está confirmada para às seis e meia da manhã, sem atrasos.
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  Soltei um suspiro tão profundo que meu corpo inteiro pareceu relaxar por um instante.
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  — Isso é certeza?
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  — Sim, senhor. O novo caminhão já está carregado e sairá daqui a pouco. Podemos compartilhar o contato direto do motorista caso precise acompanhar a entrega.
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  — Sim, por favor. Isso ajudaria muito.
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  Peguei um bloco de notas e anotei os detalhes enquanto ele ditava o número. Mesmo com a garantia da transportadora, eu não podia correr riscos.
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  Abri a conversa no WhatsApp e, com os dedos menos trêmulos, digitei:
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  %Arthur%: A transportadora conseguiu transferir a carga para outro caminhão. A entrega está confirmada para às 6h30, sem atrasos. Me passaram o contato direto do motorista caso precisemos acompanhar.
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  O status ficou online quase no mesmo instante.
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  %Alice%: Ótimo. Me manda o contato do motorista.
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  Fiz isso imediatamente.
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  Encostei a cabeça no travesseiro, sentindo o peso do dia esmagar meu corpo. O celular ainda estava na minha mão, mas, pela primeira vez naquela noite, não vibrava.
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  Fechei os olhos.
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  Amanhã seria um dia longo.
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  E tudo que eu podia fazer agora era esperar.
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💻👠

  A noite havia sido cruel. Depois da ligação com a transportadora, das mensagens trocadas com %Alice% e da adrenalina que me manteve desperto por horas, o sono veio em pedaços, fragmentado e instável. Cochilei por duas horas, talvez três, antes do despertador ecoar pelo quarto como um soco direto na cabeça.
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  Cada músculo do meu corpo protestava quando me arrastei para o banheiro. O rosto refletido no espelho me encarava com olheiras profundas, denunciando o cansaço que eu tentava ignorar. Tomei um banho frio, na esperança de afastar a exaustão que parecia grudada em mim como um peso invisível.
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  Sem tempo para café da manhã ou qualquer resquício de descanso, me vesti rápido, conferi as últimas mensagens no celular e segui para o local do evento.
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  O dia passou em um borrão de ajustes finais, confirmações com fornecedores e reuniões rápidas com a equipe. Quando percebi, o relógio já marcava 16h30, e o salão começava a ganhar vida.
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  Agora, parado no centro do espaço, vendo tudo tomar forma diante dos meus olhos, percebia que cada segundo de tensão, cada nó no estômago e cada ameaça de desastre tinham valido a pena.
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  Às 17h em ponto, os primeiros convidados começaram a chegar. Respirei fundo, deixando o olhar percorrer o espaço. Tudo estava exatamente como eu tinha planejado. Não, melhor do que eu tinha planejado.
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  As luzes estavam na intensidade perfeita, destacando os arranjos florais e a decoração sofisticada. A equipe de garçons se movia com precisão, servindo champanhe e aperitivos como se tivessem ensaiado aquilo por semanas. O burburinho de conversas e os murmúrios de admiração preenchiam o ambiente, sinalizando que tudo estava seguindo conforme o esperado.
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  Feito.
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  E então, como se tivesse sido programada para aparecer exatamente naquele momento, %Alice% entrou.
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  O ar pareceu mudar ao redor dela.
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  Minha garganta fechou de imediato, como se o próprio oxigênio tivesse ficado pesado demais, difícil de engolir. Um nó se formou, apertando minha respiração, meu peito, minha sanidade.
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  O vestido que ela usava era um espetáculo por si só — justo o suficiente para desenhar as curvas dela com precisão quase indecente. O tecido escuro abraçava sua cintura, descendo suavemente sobre os quadris bem esculpidos antes de cair com uma elegância calculada. Mas o problema não era só o vestido. O problema era %Alice% dentro dele.
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  A postura firme, a forma como os passos ecoavam pelo salão, a maneira exata como seu quadril se movia, desenhando um ritmo hipnotizante sob o tecido. E a bunda… esculpida, impecável. Talhada por Deus e aperfeiçoada pelo diabo.
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  Meu olhar ficou preso ali por um segundo a mais do que deveria.
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  Talvez dois.
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  Talvez tempo o suficiente para %Alice% notar.
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  Um calor subiu do meu pescoço para o rosto, queimando minhas orelhas. Engoli seco, tentando disfarçar, puxando levemente a gola da minha camisa. Mas os dedos inquietos me denunciavam.
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  Pisquei algumas vezes, forçando minha mente a recobrar o foco.
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  Mas como, se tudo dentro de mim parecia um completo caos?
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  Seu olhar, afiado como sempre, encontrou o meu com precisão cirúrgica. Ela não desviou, não fingiu que não viu — pelo contrário. Seu queixo ergueu ligeiramente, os lábios curvaram em algo que não chegava a ser um sorriso, mas carregava a intenção de um.
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  Ela sabia.
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  Ela viu tudo.
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  Meu corpo travou no instante em que ela começou a se mover em minha direção. Passos lentos, calculados, como se estivesse me dando tempo para processar o que estava acontecendo — ou talvez apenas para se divertir com meu desconforto.
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  O vestido parecia deslizar sobre a pele dela a cada movimento, e, mesmo que eu quisesse, não conseguiria desviar o olhar.
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  %Alice% parou bem na minha frente, perto o suficiente para que seu perfume me atingisse como um golpe certeiro — sofisticado, levemente amadeirado, com um toque floral. Um aroma que parecia se espalhar pelo ar e pela minha pele.
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  — %Arthur%.
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  A forma como ela pronunciou meu nome fez um arrepio perigoso percorrer minha espinha.
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  Droga.
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  Eu não podia sentir isso.
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  Era errado.
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  Ela era minha chefe.
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  Tentei me recompor, endireitando a postura como se isso fosse apagar qualquer evidência do que meu corpo estava sentindo.
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  — S-Senhorita %Dias%.
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  Minha voz saiu baixa demais. Hesitante demais. Precisei limpar a garganta antes de tentar continuar, mas sabia que não adiantaria. Meu desconforto já estava escancarado diante dela.
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  %Alice% inclinou levemente a cabeça, os olhos me estudando com um interesse que eu não sabia se era genuíno ou apenas mais um de seus jogos. Ela me analisava como quem examina algo curioso — não um erro, nem um acerto, mas uma incógnita.
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  E então, por um instante, ela desviou o olhar.
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  Para o salão.
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  Para as luzes, os detalhes, a atmosfera que eu havia meticulosamente construído.
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  — Parece que você conseguiu.
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  A voz dela estava baixa, quase como um pensamento solto. Meu coração deu um salto estranho.
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  — Consegui?
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  Minha garganta ainda estava seca, então minha pergunta saiu mais rouca do que eu esperava. %Alice% voltou a olhar para mim, como se medisse as palavras antes de soltá-las.
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  — Me surpreender.
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  Eu pisquei.
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  As palavras dela pesaram dentro de mim de um jeito inesperado. Não era ironia. Não era um teste. Era fato.
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  Por um momento, não soube o que responder.
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  E %Alice% percebeu.
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  Ela sempre percebe.
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  Os lábios dela se curvaram de leve, e ela girou a taça de champanhe entre os dedos, como se estivesse apenas esperando minha reação. Me testando. Respirei fundo, tentando encontrar minha voz.
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  — O-obrigado…
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  Minha voz quase falhou.
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  Droga.
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  Limpei a garganta rapidamente, tentando parecer menos patético, mas já era tarde demais. O estrago estava feito. %Alice% continuou me encarando, os olhos levemente estreitados, analisando cada nuance da minha reação.
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  Ela sabia o efeito que causava. E, pior ainda, sabia que eu sabia.
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  Eu deveria dizer algo mais. Talvez algo profissional, um "fico feliz em atender às suas expectativas" ou qualquer frase pronta que me fizesse parecer menos desnorteado. Mas minha mente estava um caos completo.
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  Tudo que consegui fazer foi desviar o olhar por um segundo e balançar a cabeça, murmurando:
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  — Eu só… fiz o meu trabalho. — %Alice% ergueu uma sobrancelha.
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  Ela não disse nada.
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  Não precisou.
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  Apenas bebeu um gole de champanhe e se afastou, caminhando de volta para os outros convidados como se nada tivesse acontecido.
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  Meus pulmões finalmente puxaram ar, mas minha respiração ainda estava descompassada.
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  Droga.
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  Se aquilo foi um elogio, então foi o mais perigoso que eu já recebi.
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  Depois desse momento caótico dentro da minha própria cabeça, me forcei a voltar ao foco. O evento estava acontecendo, e eu precisava garantir que tudo continuasse rodando perfeitamente. Passei pelos fornecedores, chequei a equipe de garçons, conferi com a produção se tudo estava no horário.
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  E estava. As apresentações seguiram conforme o cronograma. Os convidados pareciam satisfeitos. Nenhum problema grave surgiu.
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  Tudo fluía como planejado.
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  Era estranho. Depois de dias de tensão, noites mal dormidas e o peso de mil responsabilidades nos ombros, eu deveria estar aliviado. Mas tudo que eu conseguia sentir era… cansaço. Eu estava exausto.
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  Meu corpo ainda funcionava no piloto automático, supervisionando cada detalhe, garantindo que cada etapa seguisse conforme o esperado. Mas, por dentro, minha mente já estava implorando para desligar.
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  Quando o último brinde foi feito e os convidados começaram a se dispersar, percebi que finalmente podia respirar. O evento foi um sucesso. Nenhum erro. Nenhum desastre.
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  Eu tinha conseguido.
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  Mas ainda faltava um detalhe.
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  %Alice%.
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  Ela estava no canto do salão, cercada por alguns executivos.
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  Intocável. Impecável. Intimidante.
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  Como sempre.
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  Eu não esperava que ela dissesse nada para mim. %Alice% não era do tipo que distribuía palavras gentis. Se eu esperava um "bom trabalho" ou qualquer coisa que reconhecesse minha dedicação, estava fadado à decepção.
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  Mas então, quando terminou sua conversa e se virou para sair, seus olhos encontraram os meus.
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  E ela parou.
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  O tempo pareceu desacelerar quando, sem pressa, %Alice% começou a caminhar na minha direção.
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  — %Arthur%.
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  Minha exaustão pesava sobre mim, mas me endireitei instintivamente, esperando o que viesse a seguir. O que ela diria?
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  O que eu deveria dizer?
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  Mas %Alice% não era do tipo que prolongava conversas desnecessárias. Ela me olhou nos olhos, sua expressão neutra.
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  — Muito bom.
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  Foi só isso.
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  Duas palavras. Simples. Precisas.
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  Mas o peso delas…
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  Veio direto para mim.
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  Minha garganta secou.
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  — Fico feliz que tenha dado tudo certo, — murmurei, sem saber muito bem como reagir.
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  %Alice% manteve o olhar por um segundo a mais do que o necessário, os lábios ligeiramente pressionados, como se estivesse decidindo se falaria mais alguma coisa. Mas então, ela apenas assentiu.
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  E, sem mais palavras, virou-se e saiu.
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  Fiquei ali, parado, sentindo o peso de tudo finalmente me atingir.
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  O cansaço. A tensão. O alívio.
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  E algo mais.
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  Algo que eu não sabia nomear.
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  Mas, pela primeira vez na noite, um sorriso leve e exausto se formou no canto dos meus lábios. Porque, para %Alice% %Dias%, aquilo foi um agradecimento.
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  E, sinceramente?
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  Era o suficiente.
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  Subi as escadas lentamente. Meu corpo estava no limite. Cada músculo protestava a cada mínimo movimento, e minha mente… bem, essa já tinha se desligado fazia tempo. Quando cheguei no meu andar, puxei as chaves do bolso e destranquei a porta do apartamento. Luz baixa na sala. O cheiro de café fresco ainda pairava no ar, misturado com um leve aroma de lavanda — provavelmente algum incenso que Clara acendeu.
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  Joguei as chaves no aparador e soltei um longo suspiro, arrastando os pés até o sofá. Meu corpo caiu sobre ele como se tivesse sido puxado pela gravidade, e ali fiquei, completamente derrotado. Ouvi passos leves vindo do corredor.
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  — Finalmente — Clara surgiu na sala, vestindo uma calça de moletom e uma camiseta larga da faculdade. Os cabelos estavam presos em um coque desarrumado, e os óculos estavam meio tortos no rosto.
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  Ela cruzou os braços, me olhando como quem já sabia a resposta da pergunta que estava prestes a fazer.
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  — Você comeu alguma coisa hoje?
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  Minha resposta foi um silêncio prolongado. Clara revirou os olhos e bufou.
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  — Eu sabia.
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  Antes que eu pudesse protestar, ela desapareceu na cozinha.
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  Fiquei ali, largado no sofá, encarando o teto e sentindo meu corpo pesado, quase entorpecido. O evento foi um sucesso. Eu deveria estar aliviado. Mas, no momento, tudo que eu queria era dormir por uma semana inteira.
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  Minutos depois, Clara voltou, segurando um prato com um sanduíche e um copo de suco.
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  — Come.
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  — Eu só quero dormir…
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  — %Arthur%.
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  O tom de voz dela me fez abrir um olho.
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  — Come — ela repetiu, dessa vez mais devagar, me estendendo o prato. — Você pode dormir depois.
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  Peguei o sanduíche e mordi sem nem pensar, percebendo só então o quanto estava faminto. Clara se jogou na poltrona ao lado, puxando um cobertor para cobrir as pernas.
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  — E então? Como foi o grande dia? — Mastiguei devagar, tentando reunir forças para responder.
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  — Caótico. — Ela riu pelo nariz.
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  — Sabia que você ia dizer isso.
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  — Eu quase morri umas três vezes hoje — exagerei, largando a cabeça contra o encosto do sofá. — A transportadora atrasou os brindes, %Alice% me ligou no meio da madrugada praticamente me crucificando, tive que implorar para conseguirem um caminhão substituto… Ah, e %Alice% me elogiou.
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  Clara arregalou os olhos.
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  — Espera… o quê?
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  — Ela me elogiou. Bom, do jeito dela, né? — Dei um meio sorriso, cansado. — Disse que eu a surpreendi. — Clara soltou um assobio baixo.
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  — Isso vindo da %Alice% %Dias% é praticamente um prêmio.
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  — Ou um prenúncio de que minha vida vai ficar ainda mais difícil. — Ela riu e pegou o controle da TV, mudando de canal sem prestar muita atenção.
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  — Você gosta de trabalhar com ela? — Parei no meio da mordida.
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  Minha mente travou.
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  Gosto?
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  A palavra ecoou dentro de mim, reverberando como um sino distante.
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  Como eu deveria responder a isso?
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  Trabalhar para %Alice% %Dias% não era simplesmente um trabalho. Era sobreviver a um campo minado onde qualquer deslize poderia custar caro. Só fazia uma semana e eu já sentia como se estivesse correndo contra o tempo, sempre tentando acompanhá-la, tentando não tropeçar, tentando entender.
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  Porque %Alice% era rápida demais. Exigente demais.
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  Avassaladora.
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  E, ao mesmo tempo, impossível de ignorar.
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  Meu instinto gritava que eu deveria manter distância. Manter tudo estritamente profissional. Mas então, havia aqueles momentos. Pequenos instantes onde o olhar dela ficava mais afiado, onde seu silêncio parecia carregar mais do que palavras, onde eu sentia que estava sendo avaliado como uma peça em um jogo que eu sequer entendia as regras.
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  E, nesses momentos, vinha o frio na barriga. Aquele desconforto estranho. Uma inquietação que eu ainda não sabia nomear. Engoli seco e voltei a mastigar devagar, tentando ganhar tempo, tentando formular uma resposta que não me entregasse.
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  — Eu… eu gosto do desafio — murmurei, desviando o olhar. Clara arqueou uma sobrancelha, cética.
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  — Sei.
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  Ela conhecia bem demais meus trejeitos. O jeito que evitei contato visual. O tempo que levei para responder. Meu maxilar tensionou. Suspirei e terminei o sanduíche, sentindo o peso do dia se arrastar sobre meus ombros.
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  — Você devia descansar — Clara disse, desligando a TV e se levantando.
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  — Concordo.
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  — E amanhã, tenta não deixar essa mulher acabar com você. — Soltei uma risada baixa, sem humor.
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  — Sem promessas.
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  Ela revirou os olhos, mas antes de sair, inclinou-se e bagunçou meu cabelo do jeito irritante que sempre fazia. Fiquei ali, sozinho na sala silenciosa, sentindo o cansaço finalmente me alcançar.
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  Antes que pudesse organizar meus pensamentos, meu celular vibrou sobre a mesa de centro. Suspirei, achando que poderia ser uma notificação qualquer.
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  Mas ao olhar a tela, meu corpo ficou tenso.
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  Era ela.
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  O sono fugiu dos meus olhos na mesma hora.
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  Respirei fundo, meu polegar pairando sobre a tela por um instante antes de atender. Apesar de tentar me preparar, minha voz ainda soou ligeiramente hesitante quando falei: — %Arthur% falando.
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  A voz dela veio sem rodeios, direta, objetiva, como sempre:
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  — Amanhã, às 7h, quero que me encontre na entrada da empresa. Temos um compromisso externo. Não se atrase.
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  Meu corpo se endireitou automaticamente no sofá, meu cérebro tentando se ajustar à velocidade com que %Alice% jogava informações. Peguei o caderno ao meu lado e rabisquei rapidamente a informação.
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  — Entendido, Srta. %Dias%. Algum detalhe que eu deva saber sobre esse compromisso? — perguntei, forçando um tom profissional e tentando esconder a confusão interna.
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  Houve uma pausa.
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  Um silêncio curto, mas carregado.
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  Por um momento, achei que a ligação tivesse caído, mas então, %Alice% falou novamente.
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  — Apenas esteja pronto. Formal. Discreto. Você saberá o suficiente quando chegar.
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  Minha testa franziu levemente.
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  — Formal? Quer dizer, terno e gravata?
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  Houve outro silêncio. Curto, mas suficiente para eu sentir o peso da resposta antes mesmo dela vir.
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  — Espero que não precise explicar o significado de "formal", %Arthur% — respondeu ela, seu tom levemente irônico, mas sem perder a paciência calculada.
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  O clique seco no telefone marcou o fim abrupto da ligação.
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  Fiquei segurando o celular, tentando processar o que acabara de acontecer.
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  O que diabos %Alice% estava planejando?
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  Minha mente começou a traçar cenários improváveis. Uma reunião com investidores importantes? Uma negociação sigilosa? Ou algo mais bizarro, como me usar como fachada para algum compromisso pessoal?
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  Com %Alice%, tudo parecia possível.
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  Soltei um suspiro pesado, encostando no sofá e encarando o teto. Trabalhar com %Alice% era como viver em um jogo de xadrez onde ela sempre parecia estar três movimentos à frente. Eu sabia que minha vida nunca mais seria tranquila enquanto eu estivesse neste emprego. Mas o que me preocupava não era isso. O que me preocupava era o fato de que, mesmo sabendo do caos que vinha com ela… Uma parte de mim queria jogar esse jogo.
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  Nota da autora: Essa mulher ainda vai tirar o juízo desse homem, hein? Coitado hahhha! O que será esse compromisso?

Capítulo 3
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