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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Segredo de Escritório

Escrita porNyx
Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 12 • Quando o silêncio fala

Tempo estimado de leitura: 37 minutos

  O elevador parou no quarto andar com um estalo seco. Ajustei a alça da mochila no ombro, respirei fundo e saí, tentando me preparar para o que viria. O cheiro familiar de café barato e o burburinho das conversas atravessando as baias me atingiram de imediato. Era como voltar no tempo. Como voltar pra casa.
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  Antes que eu pudesse dar mais dois passos, Rodrigo surgiu do meio do setor, sorrindo largo.
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  — E não é que o fujão voltou? — anunciou, alto o suficiente para todo mundo ouvir.
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  As cabeças começaram a se virar na minha direção. Júlia, Felipe, Beatriz, Marcel. Rodrigo veio até mim e me puxou para um abraço rápido e desajeitado, típico dele.
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  — Bem-vindo de volta, campeão. Tava fazendo falta por aqui.
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  Alguns colegas se aproximaram também, batendo nas minhas costas, rindo, soltando piadinhas.
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   — Vai dizer que não sentiu saudade da nossa bagunça? — provocou Beatriz, já puxando uma cadeira extra para mim perto da copa.
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  Sorri. Ri. Devolvi os abraços, os apertos de mão. Parte de mim se sentia acolhido de novo naquele caos organizado, onde ninguém exigia perfeição absoluta, onde ser só humano bastava.
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  Mas, conforme os minutos passavam, algo dentro de mim não encaixava direito.
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  Rodrigo me mostrou minha nova estação de trabalho — a mesma de antes, com vista parcial para a rua, a cadeira meio bamba que eu sempre prometia ajustar. A equipe sugeriu um almoço de boas-vindas para a próxima semana. Beatriz já planejava decorar minha mesa com cartazes ridículos e memes.
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  E eu... eu deveria estar leve. Feliz. Mas no fundo, havia um desconforto estranho.
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  A cadeira do novo setor rangeu quando me sentei. Liguei o computador. Tentei focar nos e-mails que começaram a pipocar na tela, mas o eco dos saltos dela, o som de sua voz firme, o jeito como o mundo parecia girar mais rápido quando ela estava por perto... ainda estava ali, cravado em mim.
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  Eu tinha voltado, mas não completamente.
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💻👠

  Já fazia duas semanas que eu estava de volta ao setor de Planejamento. Duas semanas inteiras tentando reaprender a respirar fora daquela sala de vidro. Era estranho. Não de um jeito ruim, exatamente — mas como quem ainda carregava o eco de um lugar onde deixou parte de si.
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  Eu cruzava com %Alice% às vezes, no elevador, ou no saguão. Sempre de longe. Sempre de forma profissional. Um aceno breve, um "bom dia" seco, ou, muitas vezes, apenas o silêncio confortável — ou desconfortável — que passava entre nós como uma corrente de ar.
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  Estava tentando me adaptar, focar e me convencer de que isso era o certo.
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  O que ajudava era meu novo ritual. Meu perfil no Instagram, aquele que a Clara tinha me convencido a criar, já contava com quase duzentos seguidores — a maioria amigos meus, dela, ou dos nossos pais. Nada muito grande. Nada que mudasse o mundo.
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  Mas, pra mim, era gigantesco.
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  Todo dia, antes ou depois do trabalho, eu postava uma ilustração nova. Pequenas cenas do cotidiano, retratos aleatórios, às vezes apenas rabiscos soltos. Coisas minhas, que eu tinha deixado adormecer por tempo demais.
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  Era estranho como um gesto tão simples podia me ancorar.
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  Era como se, a cada traço, eu estivesse dizendo para mim mesmo: você ainda está aqui. E eu estava. De um jeito novo. Mais cauteloso. Mais inteiro. Ou pelo menos, era o que eu achava.
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  O som da notificação do grupo interno da equipe da %Alice% fez meu celular vibrar sobre a mesa, era um grupo que eu deveria ter saído, mas não sai. Peguei sem muita pressa — a maior parte do dia tinha sido tranquila —, mas a mensagem me fez arquear as sobrancelhas.
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  Equipe: URGENTE: Problema com relatório enviado ao cliente Rembrandt Group. Erro nos dados de projeção. Reunião de crise às 16h com diretoria.
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  Deslizei os dedos pela tela, abrindo o anexo. Bastou uma olhada rápida para entender: os números estavam trocados, projeções negativas enviadas como positivas. Uma confusão que, para um cliente como a Rembrandt, poderia soar como desonestidade.
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  Fechei o celular, sentindo a tensão se espalhar pelo corpo.
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  %Alice%.
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  Era o tipo de erro que ela nunca perdoaria.
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  O burburinho não demorou a começar, óbvio que aquilo vazaria, e não tardou. Alguns colegas sussurravam no café, trocando olhares cúmplices e nervosos.
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  — Você viu? — cochichou Júlia, puxando Beatriz pelo braço. — Dizem que a %Alice% levou chamada da diretoria. Da diretoria!
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  — A mulher que nunca erra! — completou Felipe, com olhos arregalados. — Se até ela tá levando bronca, a CEO da porra toda, o apocalipse corporativo chegou.
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  Forcei um sorriso discreto, mas a verdade é que um aperto desconfortável começou a crescer dentro de mim. Eu sabia que não era dela o erro. Pelo menos, não diretamente. Mariana. Era Mariana quem agora cuidava dos relatórios. Era o primeiro grande desafio dela e ela... tinha falhado.
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  Meu estômago revirou. Por ela. Mas também por %Alice%.
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  Voltei pro computador, tentando focar no trabalho, até que o ambiente ao meu redor mudou de repente.
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  O silêncio pesado, os olhares curiosos e o barulho dos saltos.
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  Não. Não pode ser.
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  Levantei os olhos.
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  E lá estava ela.
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  %Alice% %Dias% atravessava o setor de Planejamento Interno como se fosse uma tempestade vestida de elegância. O blazer preto, perfeitamente ajustado ao corpo, realçava cada linha da postura dela — impecável, controlada, dominante. A saia lápis desenhava as curvas com precisão quase cruel, e os saltos finos batiam ritmados no chão, como uma trilha sonora de poder.
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  O cabelo estava preso num coque firme, sem um fio fora do lugar, mas era no rosto dela que meus olhos se perderam primeiro. A expressão inquebrável, os olhos afiados, o queixo levemente erguido — a imagem viva da mulher que comandava tudo sem precisar levantar a voz.
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  Linda. Inatingível.
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  E naquele dia, mais do que nunca, letal.
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  Mesmo irritada — talvez principalmente por isso —, ela parecia ainda mais bonita. Como se a tensão que ela carregava deixasse seus traços mais vivos, mais intensos. Era o tipo de beleza que não se explicava; só se sentia. E eu sentia. Cada passo dela reverberava em mim, cada movimento preciso, cada desvio mínimo dos olhos, cada respiração contida... Tudo me puxava como gravidade.
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  Quem não a conhecesse pensaria que ela estava apenas no controle, como sempre, mas eu sabia, eu conhecia a diferença. A rigidez no maxilar. O jeito como os dedos estavam levemente fechados, como se precisasse conter alguma coisa. A tensão no pescoço, mesmo sob a gola da blusa impecável.
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  %Alice% %Dias% estava irritada.
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  E ainda assim, era a coisa mais linda e perigosa que já tinha pisado naquele andar.
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  %Alice% parou a poucos passos de distância. O setor inteiro parecia ter congelado. O som dos teclados diminuiu. As conversas morreram. Só o eco dos saltos dela ainda parecia vibrar no ar, como se o próprio prédio soubesse quem tinha acabado de chegar.
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  Ela me encarou com aquela intensidade silenciosa que era só dela — como se, em uma olhada, pudesse atravessar todas as barreiras que eu tentava manter de pé. Meu corpo inteiro ficou alerta. O coração batendo num ritmo descompassado, as mãos suando levemente.
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  %Alice% não precisou elevar a voz, bastou um gesto mínimo — um aceno curto com a cabeça.
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  — %Arthur%, preciso falar com você. Agora. — disse, com aquela calma cortante que era quase mais perigosa do que se estivesse gritando.
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  Dei um passo em sua direção, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Rodrigo surgiu, como se tivesse sentido o cheiro da confusão no ar. Ele veio quase trotando do fundo do setor, ajeitando a camisa amassada e sorrindo de um jeito nervoso.
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  — Senhorita %Dias%! — cumprimentou, a voz dois tons mais alta que o normal. — Se precisar de uma sala para conversar, pode usar a minha. Fique à vontade! — apontou com uma mão apressada para sua própria porta, praticamente escancarando o espaço para ela.
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  — Obrigada. — %Alice% respondeu, seca, sem perder tempo com sorrisos diplomáticos. Seus olhos não se desviaram de mim nem por um segundo.
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  O recado estava dado: era para mim.
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  Rodrigo me lançou um olhar quase solidário — como quem sabia que eu estava sendo jogado aos leões —, mas deu dois passos para trás, recuando como um bom sobrevivente.
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  Ajeitei rapidamente a gola da camisa e segui %Alice% até a sala improvisada, sentindo todos os olhares me acompanharem como uma procissão silenciosa. Quando a porta se fechou atrás de nós, o mundo inteiro pareceu desaparecer.
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  Só restava ela.
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  E eu.
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  E algo no ar entre nós que parecia prestes a explodir.
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  %Alice% caminhou até a mesa do Rodrigo com passos controlados, mas dava para ver na rigidez dos ombros que ela estava segurando o próprio temperamento com rédeas curtas.
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  Eu fiquei de pé, esperando, sem saber direito onde colocar as mãos — se no bolso, cruzadas, ou simplesmente largadas ao lado do corpo. No fim, só fiquei ali, tentando parecer mais inteiro do que estava por dentro.
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  Ela virou, enfim, para me encarar. O blazer preto moldava sua silhueta com perfeição cruel, e os olhos — normalmente tão afiados — agora carregavam algo mais. Uma tensão misturada com cansaço.
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  — O relatório do Rembrandt Group. — começou, a voz baixa, mas firme. — Houve um erro grave.
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  Assenti devagar, mesmo sem saber exatamente onde aquilo ia dar. Ela avançou um passo.
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  — Mariana... — hesitou por um segundo, e eu vi, vi de verdade, como foi difícil pra ela dizer o que viria a seguir. — A Mariana errou. Deixou passar dados trocados. O cliente recebeu o documento errado.
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  Fiquei em silêncio, absorvendo o peso daquilo. Era o tipo de erro que podia afundar uma negociação inteira. E, para alguém como %Alice% %Dias%, era mais do que um erro. Era um golpe.
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  — A diretoria me pressionou. — continuou, cruzando os braços como se precisasse de algo para se apoiar. Respirou fundo, sem drama, apenas com aquele jeito prático que escondia tudo o que ela não sabia dizer. — Eu nunca... fui pressionada desse jeito, eu sou quem pressiono as pessoas.
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  Minha garganta apertou ao ver a maneira como ela segurava as próprias palavras. %Alice%, tão inquebrável, agora tinha rachaduras invisíveis. Dei um passo mais próximo, instintivamente.
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  — O que você precisa de mim? — perguntei, a voz saindo mais macia do que eu pretendia. Ela piscou devagar, como se estivesse escolhendo cada palavra com cuidado.
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  — Preciso que me ajude a corrigir isso. — disse, por fim. — Discretamente. Antes que piore.
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  Engoli seco. Não porque não queria ajudar, mas porque vê-la assim, vulnerável daquele jeito silencioso, me fazia querer atravessar o maldito salão inteiro, colocar o mundo abaixo e dizer que ela não precisava carregar tudo sozinha. Mesmo sabendo que ela jamais pediria isso.
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  — Claro. — respondi, firme. — Me diga o que você precisa.
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  %Alice% soltou o ar devagar, como se aquele pequeno gesto de confiança já fosse um alívio maior do que ela gostaria de admitir.
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  — Quero refazer o relatório do zero. Rever todos os dados. Checar cada informação. Preciso que você supervise isso comigo. — sua voz tremeu só um pouco, imperceptível para quem não a conhecesse tão bem quanto eu. — Preciso garantir que, dessa vez, seja impecável.
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  Assenti, sentindo algo quente se espalhar pelo peito.
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  Não era apenas trabalho.
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  Era ela confiando em mim. Ainda. Mesmo depois de tudo, mesmo depois do que fomos — ou quase fomos.
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  — Quando você quiser começar. — disse.
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  Ela me olhou por um instante, o olhar firme, mas com uma rachadura sutil na muralha que ela ergueu.
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  — Agora. — respondeu, como se qualquer outra opção fosse inaceitável.
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  %Alice% saiu da sala do Rodrigo sem esperar por mim. Os saltos dela batiam firmes no chão, anunciando sua irritação como uma sirene silenciosa enquanto atravessava o setor.
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  Parei por um segundo, ajeitando a camisa e respirando fundo. Precisava pegar meu notebook antes de acompanhá-la — e, honestamente, também precisava de uns segundos a mais para recompor o que a presença dela fazia comigo.
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  Atravessei a baia, peguei o notebook e os documentos necessários, sentindo os olhares curiosos do setor pesarem sobre minhas costas. Quando voltei, %Alice% já esperava no corredor, braços cruzados, impaciente.
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  Sem dizer uma palavra, ela virou nos calcanhares e seguiu em direção ao elevador. Eu a acompanhei em silêncio.
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  O trajeto até sua sala foi rápido — e silencioso. Quando chegamos, o cenário que nos recebeu foi ainda pior do que eu imaginava: Mariana estava sentada à própria mesa, com os olhos inchados de tanto chorar. Tentava disfarçar a vermelhidão com as costas da mão, mas era inútil. O rosto dela denunciava tudo: a vergonha, o medo, o peso esmagador de ter errado.
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  %Alice% passou por ela como um furacão contido — sem diminuir o passo, sem desviar o olhar, mas não sem deixar claro o que sentia: bufou alto, um som carregado de exasperação que ecoou no corredor silencioso.
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  Meus olhos imediatamente se voltaram para Mariana. Ela já era pequena naquela cadeira, mas depois desse gesto... parecia ainda menor. Segurei o notebook com força e me virei levemente para trás, chamando-a num tom baixo, mas firme:
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  — Mariana. — sibilei. — Vem!
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  Ela me olhou, hesitante, como se não tivesse certeza se era uma ordem ou um convite. Assenti discretamente, incentivando-a. Mariana se levantou, ajeitando a barra do vestido com as mãos trêmulas, e nos seguiu com passos curtos e indecisos.
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  %Alice% não olhou para trás. Entrou direto na sala de reuniões e se postou à cabeceira da mesa, o ar ao redor dela pesado como chumbo. Coloquei o notebook na mesa e abri o relatório. Mariana ficou de pé, sem saber onde se colocar.
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  %Alice% cruzou os braços e a encarou como se fosse uma folha em branco prestes a ser rasgada.
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  — Você revisou esse relatório antes de enviar? — perguntou, a voz gelada. Mariana abriu a boca, mas nenhum som saiu de imediato.
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  — Eu... eu revisei, mas... — ela engoliu em seco —, mas eu não percebi que o arquivo estava desatualizado.
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  — Não percebeu. — %Alice% repetiu, como se saboreasse o gosto amargo das palavras. — Um detalhe que poderia custar milhões à empresa passou despercebido porque você não percebeu.
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  Mariana baixou o olhar, e eu vi quando ela se encolheu ainda mais. %Alice% se aproximou dela, devagar, como quem vai fustigar uma presa.
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  — Isso é inaceitável. — disse, cada sílaba mais cortante que a outra. — E eu não tenho tempo para babysitters.
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  Mariana tremeu visivelmente. E foi aí que eu não aguentei. Fechei o notebook com força, fazendo um som seco ecoar pela sala. %Alice% me olhou, surpresa. Eu mantive o olhar firme no dela.
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  — Chega. — disse, a voz baixa, controlada, mas firme. Ela arqueou uma sobrancelha, o rosto numa máscara de frieza.
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  — %Arthur%, isso é uma questão de responsabilidade.
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  — E ela sabe disso. — rebati. — Você acha que ela não está sentindo o suficiente? Que ela não vai carregar isso por semanas, talvez meses? — Inclinei levemente o corpo à frente. — O que você está fazendo agora não é consertar o erro. É esmagar.
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  O silêncio caiu pesado entre nós. Mariana parecia prestes a chorar de novo, mas se obrigava a ficar de pé.
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  %Alice% fechou os olhos por um segundo, respirando fundo, como quem engolia a raiva. Quando voltou a me encarar, havia algo diferente ali. Não era apenas irritação, era algo que misturava frustração e... culpa.
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  — Você acha que eu sou cruel. — disse ela, a voz mais baixa agora.
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  — Não. — respondi sem hesitar. — Eu acho que você esquece que os outros também sentem. Que nem todo mundo é feito de aço como você.
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  As palavras pairaram entre nós, carregadas demais para serem ignoradas.
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  %Alice% desviou o olhar. Por um segundo, a CEO inflexível que todos conheciam pareceu apenas... humana. Forte. Orgulhosa. Assustada.
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  Ela respirou fundo novamente e virou para Mariana, o tom menos cortante desta vez:
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  — Sente-se. Vamos refazer o relatório. Juntos.
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  Mariana piscou, surpresa, mas obedeceu de imediato, sentando-se na cadeira mais próxima. %Alice% não disse mais nada. Apenas se sentou, abriu o notebook e começou a trabalhar. E eu... eu fiz o mesmo.
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  O silêncio entre nós era denso, carregado demais para ser confortável, mas, de algum jeito estranho, não era hostil. Era um silêncio de reconstrução, de quem sabia que, apesar dos estragos, ainda havia algo ali que valia a pena tentar salvar.
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  Enquanto revisávamos o relatório juntos, vi de relance a forma como ela, de tempos em tempos, olhava de soslaio para o que eu fazia — como se buscasse, sem admitir, a minha aprovação. Ou talvez, de forma ainda mais sutil, como se buscasse apoio.
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  E foi ali, naquele gesto quase imperceptível, que eu percebi. Minha opinião importava para %Alice%. Não oficialmente, não verbalmente — ainda era a %Alice% %Dias%, afinal. Mas, de alguma maneira, eu já tinha atravessado barreiras que ela jurava serem intransponíveis. Eu já era alguém que ela... escutava.
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  E, naquele momento, mesmo com todas as feridas abertas, com toda a distância que tentávamos fingir que existia entre nós, isso foi suficiente para manter meu coração batendo firme no peito.
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  Porque às vezes, as vitórias mais importantes eram assim. Silenciosas. E talvez, só talvez, %Alice% ainda estivesse aprendendo a vencer... sem precisar destruir quem tentava caminhar ao lado dela.
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  O tempo passou devagar enquanto a gente revisava o relatório, linha por linha, número por número. %Alice%, metódica como sempre, corrigia as informações com precisão cirúrgica. Eu, mais atento do que nunca, apontava inconsistências sutis que, em outro momento, talvez tivessem passado despercebidas até para ela.
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  Mariana trabalhava em silêncio ao nosso lado, o semblante ainda tenso, mas já sem o pânico estampado no rosto. Às vezes, eu explicava alguma coisa a ela num tom baixo, paciente, e percebia o jeito que %Alice% desviava os olhos da tela por meio segundo, como se estivesse anotando mentalmente a diferença de abordagem.
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  Era como se estivéssemos... sincronizados. De um jeito estranho e inesperado, como duas peças que tinham aprendido — à força — a funcionar juntas, mesmo quando o encaixe doía.
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  Quando terminamos de revisar o relatório, %Alice% fechou o notebook devagar, como se pensasse no próximo movimento. Seus olhos, agora mais calmos, cruzaram com os meus, e ela respirou fundo antes de falar:
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  — Mariana, pode nos dar um momento, por favor?
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  A garota pareceu hesitar por um segundo, olhando de mim, para ela, mas assentiu rapidamente, recolhendo os papéis que restavam e saindo quase em um tropeço, fechando a porta atrás de si com cuidado.
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  A sala mergulhou num silêncio pesado. Só nós dois. De novo.
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  %Alice% permaneceu sentada por um instante, como se estivesse escolhendo as palavras a dedo. Então se levantou, caminhou lentamente até o lado oposto da sala e apoiou as mãos na mesa, de frente pra mim. Sem a máscara de CEO. Só %Alice%.
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  — Eu queria agradecer. — disse, a voz firme. — Não só por ter ajudado com o relatório... mas por ter me feito enxergar que às vezes... eu erro a mão.
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  Pisquei, surpreso. Nunca tinha visto %Alice% admitir algo tão... vulnerável.
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  — Você foi duro comigo — ela continuou, com um meio sorriso que não alcançou totalmente os olhos. — Mas era o que eu precisava ouvir.
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  Minha garganta fechou um pouco. Eu só consegui balançar a cabeça, aceitando o agradecimento silenciosamente, mas %Alice% ainda não tinha terminado. Ela cruzou os braços, como se precisasse se proteger de alguma coisa, e soltou:
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  — Eu vi seu Instagram. — Minhas sobrancelhas arquearam de surpresa.
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  — Você... viu? — minha voz saiu mais rouca do que eu gostaria. %Alice% assentiu, o olhar cravado em mim.
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  — Mariana comentou outro dia, enquanto eu assinava uns documentos. Curiosidade me venceu. Entrei. Vi suas ilustrações. — Ela fez uma pausa, e o canto da boca se curvou de leve. — Você é bom. Muito bom, %Arthur%.
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  O calor subiu pelo meu rosto antes que eu pudesse controlar. Tossi discretamente, desviando o olhar para o chão por um segundo antes de voltar a encará-la.
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  — É... algo que eu sempre gostei de fazer. — murmurei. — Desde moleque. — %Alice% se aproximou um pouco mais, interessada.
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  — Então... por que Administração? — Suspirei, apoiando as mãos na beirada da cadeira.
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  — Porque desenhar não pagava as contas. — confessei, com um meio sorriso cansado. — Eu precisava de algo seguro, estável. E a faculdade de Administração parecia o caminho mais... sensato.
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  %Alice% me estudou por um momento, como se enxergasse mais do que eu dizia.
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  — Mas sensato não é o mesmo que apaixonante.
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  Aquela frase ficou pairando no ar. Tão óbvia e tão... cortante. De alguma forma, %Alice% sempre via através das defesas que eu tentava construir.
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  — Não. — admiti, baixinho. — Não é.
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  Ela se aproximou ainda mais, até estar de pé ao lado da cadeira onde eu estava sentado. A distância era pequena demais, íntima demais. Meu coração bateu forte, e eu precisei me concentrar em manter a respiração estável.
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  — Quando você desenha... — %Alice% disse, baixando o tom de voz, como se confessasse um segredo — ...é como se tivesse algo ali que... transborda. Como se fosse a sua verdade.
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  Olhei para ela, surpreso não só pelas palavras, mas pela sinceridade no olhar. %Alice% não falava bonito à toa. Se ela dizia aquilo, era porque tinha sentido.
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  — Eu ainda tô tentando lembrar quem eu sou nisso tudo. — confessei num sussurro. — Mas... desenhar sempre foi o que me fazia sentir vivo.
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  — Então talvez... — ela começou, a voz suave — esteja na hora de começar a viver pra isso.
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  O peso daquela frase me acertou em cheio. Tanto pelo que dizia... quanto pelo fato de que era ela dizendo. %Alice% %Dias%. A mulher que raramente deixava espaço para sonhos. Estava ali, plantando um deles na minha frente.
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  Fiquei sem reação. Só conseguia encará-la, sentindo que algo entre nós mudava — mais uma vez. De um jeito lento, silencioso... mas inegável.
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  %Alice% desviou o olhar depois de alguns segundos, como se tivesse se permitido demais. Pegou a caneta que estava esquecida na mesa, fingindo reorganizar papéis.
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  — Era só isso. — disse, voltando a vestir a armadura da CEO, ainda que um pouco trincada agora.
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  Assenti, sem conseguir impedir o sorriso discreto que se formava nos meus lábios. Levantei, peguei o notebook, e enquanto caminhava até a porta, me permiti olhar para ela uma última vez.
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  %Alice% continuava de costas, fingindo trabalhar, mas a tensão sutil nos ombros dela entregava o que as palavras não diziam: ela sentia.
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  E, de algum modo, mesmo sem admitir, ela torcia por mim.
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  Por nós.
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  De um jeito que ela ainda não sabia nomear — mas que, no fundo, já existia.
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  Quando saí da sala de reuniões — ou melhor, da trincheira temporária montada pela %Alice% —, tentei ajeitar o notebook debaixo do braço e puxar uma respiração que limpasse o caos interno. O corredor do andar da diretoria estava silencioso, profissional até demais. Ninguém comentava nada. Ninguém encarava. Mas eu sabia que, ali, as pessoas sabiam das coisas mesmo sem olhar, era o tipo de silêncio que pesava.
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  Apertei o botão do elevador e, enquanto as portas se fechavam, encostei a cabeça brevemente na parede de aço polido. "Finge costume, %Arthur%." Era isso que me restava fazer.
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  Quando o elevador chegou ao andar de Planejamento, o cenário era completamente diferente. O burburinho habitual, as conversas atravessadas nas baias, as canecas de café disputando espaço nas mesas. Era caótico. Mas era familiar.
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  E bastou dar alguns passos para sentir os olhares. Meus colegas não eram discretos, nem um pouco. Júlia foi a primeira a largar o que estava fazendo, piscando exageradamente quando me viu:
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  — E não é que voltou vivo? — sussurrou alto o suficiente para metade do setor ouvir.
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  Beatriz levantou a cabeça da tela do computador e sorriu de canto:
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  — Achei que ia ter que começar a preparar um tributo em sua memória, %Arthur%.
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  Felipe girou na cadeira como se estivesse num programa de auditório e apontou pra mim:
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  — Mas olha só... tá até sorrindo! — provocou, rindo. — Pra quem acabou de tapar buraco de relatório errado, tá muito felizinho, hein.
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  Senti o rosto esquentar na hora. Cruzei os braços sobre o notebook, tentando parecer impassível e falhando miseravelmente.
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  — Não tem nada a ver. — rebati, seco, o que só fez os sorrisos se alargarem ainda mais.
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  — Uhum, claro — murmurou Júlia, escondendo a risada atrás da caneca de café. — A gente acredita.
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  Beatriz não deixou passar:
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  — Agora, falando sério... — ela abaixou a voz, conspiratória — meu Deus, né? Que mulher. Que presença.
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  — A %Alice% de perto é... — Felipe balançou a cabeça como se ainda estivesse impressionado — é outro nível. Uma aula de classe e intimidação em forma humana.
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  — Parece que ela nasceu pra mandar na porra toda — completou Rafael, rindo. — Dá pra entender porque todo mundo que trabalha direto pra ela anda na linha.
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  — É bonita de um jeito que você nem sabe se admira ou se pede licença para existir no mesmo ambiente — soltou Júlia, arrancando uma gargalhada geral.
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  Tentei não reagir. Tentei, de verdade. Mas a imagem dela veio à minha cabeça na hora: o blazer preto impecável, o cabelo arrumado, o olhar de quem atravessava qualquer sala como se fosse dona do lugar — porque era mesmo.
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  E pra mim… pra mim, ela era tudo isso. E ainda mais. Era impossível resumir o que eu sentia. O que me atravessava toda vez que ela estava por perto.
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  Revirei os olhos e bati com a palma da mão na borda da minha mesa, meio brincando, meio sério:
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  — Bora trabalhar, gente! — falei. — Ou querem que a %Alice% desça aqui pra pegar no pé de todo mundo?
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  O efeito foi imediato: o pessoal fingiu voltar ao trabalho, mas as risadinhas e olhares cúmplices ainda pairavam no ar.
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  Me sentei na minha cadeira, abrindo o notebook na tentativa desesperada de focar nos números, nos relatórios, nos gráficos… mas era inútil. O toque leve da voz dela ainda ecoava na minha cabeça. O jeito como ela tinha falado do meu Instagram. O jeito como ela tinha me olhado, como se... se importasse.
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  Foi quando o celular, largado ao lado do notebook, vibrou. Uma notificação solitária acendeu a tela.
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  [%Alice%.%Dias%] começou a seguir você.
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  Eu congelei.
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  Não era possível.
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  Olhei de novo.
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  Sim. Era real.
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  Minha garganta secou na hora, o coração disparando como se eu estivesse no meio de uma maratona e não sentado numa baia qualquer. Tentei racionalizar. Talvez fosse só... curiosidade profissional? Uma forma educada de apoiar? Mas quando se tratava de %Alice% %Dias%, nada era tão simples.
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  A vontade de abrir o perfil e ver se ela tinha curtido alguma coisa era quase irresistível. Mas, com metade do setor me espiando por cima dos monitores, forcei a manter o celular virado para baixo e tentei ignorar o calor subindo pelo meu pescoço.
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  Foco, %Arthur%.
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💻👠

  A noite chegou trazendo consigo um misto estranho de ansiedade e exaustão. Clara tinha avisado mais cedo que ia trazer o Marcos pra jantar com a gente — o "tal" Marcos, aquele que até então era só um nome e algumas descrições suspeitas.
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  — Se comporta, hein. — ela disse, antes de sair correndo pro mercado no fim da tarde pra comprar ingredientes.
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  Agora, eu estava no sofá da sala, de camiseta e calça jeans, fingindo ver TV, mas na verdade... esperando. De braços cruzados, batendo o pé no chão sem nem perceber.
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  Quando a porta se abriu, ouvi os passos rápidos dela e, logo depois, um segundo par de passos mais contidos. Me levantei automaticamente, como um general esperando inspeção. Clara apareceu primeiro, um sorriso largo no rosto.
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  — %Arthur%, esse é o Marcos. — disse, quase cantarolando de tanta empolgação.
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  Meu olhar recaiu sobre ele. Marcos era mais baixo do que eu imaginava, cabelo castanho bagunçado, óculos de armação fina, usando uma camisa polo azul-marinho que claramente ele tinha escolhido com muito cuidado. Carregava uma garrafa de vinho numa mão e um sorriso nervoso na outra.
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  — Boa noite, senhor. — ele disse, estendendo a mão pra mim. Franzi o cenho na hora.
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  — Senhor? — arqueei uma sobrancelha, aceitando o aperto de mão. — Quantos anos você acha que eu tenho, moleque? — Ele ficou vermelho até as orelhas.
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  — D-desculpa. É o costume. Educação, sabe? — gaguejou, tentando se recuperar. Clara bufou, passando entre nós dois e batendo de leve no meu ombro.
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  — Para de assustar ele, %Arthur%. Ele já é tímido, coitado.
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  — Tímido? — repeti, encarando o garoto. — Tímido é bom. Mantém ele longe de problemas. — Marcos soltou uma risadinha nervosa, ajeitando os óculos.
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  — Eu... só quero fazer a Clara feliz. — disse, com uma sinceridade tão pura que até eu, com toda a pose de irmão mais velho carrancudo, precisei respirar fundo para não ceder. Clara rolou os olhos, rindo.
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  — Ele é fofo, né? Eu disse.
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  — Fofo demais. — murmurei, fingindo resignação. — Daqueles que a gente guarda no bolso pra proteger do mundo. — Ela soltou uma gargalhada, puxando Marcos pela mão em direção à cozinha.
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  — Vem, antes que ele resolva mudar de ideia e te bote pra correr.
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  — Eu não corro. — Marcos respondeu, ainda tímido, mas firme, arrancando de mim um meio sorriso que tentei esconder.
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  Passamos a noite jantando lasanha, Clara rindo de cada história embaraçosa minha que ela podia lembrar, e Marcos, aos poucos, se soltando. Ele falava sobre os projetos da faculdade, sobre a paixão por astronomia, sobre o sonho de trabalhar com engenharia aeroespacial. E, mesmo que uma parte de mim ainda estivesse em alerta — irmão mais velho é assim, não tem jeito —, não dava pra negar: ele era um bom garoto.
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  No fim da noite, enquanto Clara e Marcos lavavam a louça juntos, trocando risadas e olhares cúmplices que diziam muito mais do que palavras, peguei o celular largado na poltrona. O ícone do Instagram ainda piscava discretamente na barra de notificações. Com o coração meio apertado — e curioso demais —, desbloqueei a tela e abri o aplicativo.
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  Primeiro, lá estava ela.
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  [%Alice%.%Dias%] começou a seguir você.
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  Nenhuma curtida. Nenhum comentário.
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  Só aquilo. Simples. Silencioso. Mas, vindo dela... Aquilo era quase uma confissão velada. Um "eu vejo você" traduzido na linguagem fria das redes sociais.
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  Sorri sozinho, baixinho, sentindo o peso de tudo o que %Alice% %Dias% significava para mim, e o quanto, ainda assim, ela conseguia mexer comigo com um gesto tão pequeno.
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  Mas antes que pudesse me perder nesse pensamento de novo, outra notificação me chamou a atenção. Uma mensagem direta, que tinha chegado horas antes — antes mesmo das 18h — mas que, na correria do dia, eu não tinha visto.
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[Studio Bravura Ilustração]:
  "Olá, %Arthur%! Acompanhamos algumas das suas postagens recentes e adoramos seu estilo. Estamos em busca de novos talentos para integrar nossa equipe de ilustradores. Gostaríamos de convidá-lo para uma conversa inicial. Se tiver interesse, por favor, nos envie seu e-mail para agendarmos."
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  Fiquei paralisado por alguns segundos. Olhei para a tela como se ela estivesse brincando comigo, mas não. Estava lá. Real. Verdadeiro.
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  Alguém — além da %Alice%, além dos meus amigos, além da Clara — tinha visto o que eu fazia e queria me dar uma chance. O sorriso que escapou dos meus lábios dessa vez não foi tímido. Foi largo. Cheio. Vivo.
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  Olhei para a cozinha, onde Clara ria de algo que Marcos tinha dito, e senti uma onda estranha e boa invadir meu peito. Talvez... talvez tudo estivesse começando a mudar. E, pela primeira vez em muito tempo, essa mudança parecia menos assustadora — e mais minha.
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  Nota da autora: Que tudoooo, meu povo! Nosso menino %Arthur% recebendo convite para entrevista… curioso que foi logo depois da conversa com a %Alice%, né? 👀 Coincidência ou o universo conspirando?
  Será que vem aí o debut oficial do rapaz?
  A gente descobre na próxima atualização!
  Beijooo

Capítulo 12
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