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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Segredo de Escritório

Escrita porNyx
Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 11 • (In) Substituível

Tempo estimado de leitura: 36 minutos

  Ouvi os saltos dela ecoando no corredor antes mesmo de vê-la. Era sempre assim — o aviso sonoro de que %Alice% %Dias% estava em modo CEO implacável. Voz firme, passos rápidos, olhar que atravessava a alma. E hoje, ela carregava uma pasta com currículos como se estivesse prestes a selecionar alguém para assumir o controle de uma missão espacial.
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  Passei perto da sala de reuniões e escutei a voz dela subir um pouco. Não era comum. %Alice% raramente perdia a compostura — pelo menos não em público. Mas ali, entre os vidros da sala, dava para sentir o tom da tensão que pairava.
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  — Obrigada por ter vindo. — disse ela, já com a mão na maçaneta antes mesmo de a candidata se levantar. — Nosso time vai entrar em contato. Próxima, por favor.
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  A porta se abriu e uma jovem, de terninho bege e coque frouxo, saiu com a expressão de quem acabou de fazer uma prova de vestibular sem saber se foi péssima ou genial. Bianca, da recepção, deu um sorrisinho simpático para ela e, com um toque discreto no interfone, anunciou a próxima.
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  Na copa, três colegas se agrupavam, fingindo mexer no café enquanto trocavam cochichos e olhares cúmplices.
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  — Gente, essa já é a quinta? — perguntou Bruna, sussurrando como se a própria %Alice% estivesse atrás da geladeira.
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  — Sexta, se contar a que entrou e saiu em sete minutos. — respondeu Isabela, segurando a risada.
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  — Imagina trabalhar com ela? — murmurou Marcel, abaixando o tom. — Tipo... ser a sombra da %Alice% %Dias% o dia inteiro?
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  — Só se me pagarem em barras de ouro e terapia vitalícia. — completou Bruna, rindo baixinho.
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  — E o %Arthur%? Coitado, tá desde cedo com a cara fechada. Aposto que ele tá contando os minutos para passar o bastão.
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  As risadinhas se espalharam pela copa até que Anelise, parada mais adiante, mexendo em sua xícara de chá, se virou para o grupo:
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  — Vocês acham mesmo que não tinha nada entre eles? — soltou, arqueando a sobrancelha, a voz carregada de certeza.
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  Bruna riu, balançando a cabeça.
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  — Lá vem a teoria da conspiração... — provocou, enquanto Isabela e Marcel trocavam olhares divertidos.
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  Mas Anelise cruzou os braços e insistiu:
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  — Não é teoria. Eu vi. — Sua voz baixou um tom, ficando quase conspiratória. — Aquela foto que rodou aí pelo escritório? Fui eu quem tirou.
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  O grupo parou. As expressões mudaram de diversão para surpresa desconfortável.
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  — Aquele flagra no estacionamento? — perguntou Marcel, arregalando os olhos.
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  — Sim. — confirmou Anelise, com um brilho estranho nos olhos. — Tarde da noite. Eles entrando juntos no carro dela. Claramente... íntimos. Vocês acham que era só amizade?
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  — Ah, pelo amor, né... — retrucou Isabela, tentando rir. — Era só ele entrando no carro dela, sei lá. Não parecia nada demais na foto.
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  Anelise inclinou a cabeça, como quem guarda o golpe final.
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  — A foto pode até não mostrar tudo. — disse, batendo de leve na mesa. — Mas quem viu ao vivo... viu. Eu vi. O jeito como ele tocou nela, como ela hesitou antes de entrar no carro... — sorriu de canto, maliciosa. — Aquilo não é coisa de chefe e subordinado, não. É coisa de quem luta pra não fazer besteira.
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  O silêncio que caiu foi denso. As pessoas desviaram o olhar, mexeram nos celulares, pigarrearam — ninguém querendo dar razão, mas também sem coragem de chamar Anelise de louca.
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  — Tá exagerando, Ane. — Bruna tentou amenizar, mas a risada dela saiu forçada.
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  — Sei o que vi. — Anelise respondeu, firme, antes de sair da copa com a xícara nas mãos, deixando um rastro de dúvida no ar.
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  Eu fingia que não ouvia enquanto enchia minha caneca de café, tentando focar em qualquer coisa que não fosse o aperto que começava a crescer no peito.
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  Porque, no fundo, Anelise tinha razão. O que a gente tinha era mesmo íntimo demais. Intenso… tão intenso que aqui estava eu… apaixonado por ela.
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  Voltei para a minha mesa e deixei o barulho das teclas me distrair, mas o burburinho continuava ao redor. Candidatas entrando e saindo. Gente comentando. O clima da manhã era quase de reality show corporativo — só que sem prêmio, sem carisma e com uma jurada que ninguém queria decepcionar.
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  Na minha cabeça, tudo aquilo soava como uma despedida disfarçada. Cada currículo rejeitado era, de alguma forma, mais um sinal de que a %Alice% ainda resistia a me substituir. Só que agora… não havia mais espaço para essa dúvida.
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  E mais tarde, ela mesma ia deixar isso bem claro.
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  Na hora do almoço, quando voltei da copa com uma caneca de café quase fria na mão, vi a porta da sala dela entreaberta. %Alice% estava sentada à mesa de reunião, o blazer pendurado na cadeira, as mangas da camisa branca dobradas até os cotovelos, revelando os antebraços — e sim, até isso nela era bonito de olhar. Os papéis dos currículos estavam espalhados à sua frente como se fossem mapas de guerra. Ou vítimas de uma emboscada bem calculada.
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  Ela parecia exausta. O rosto mais sério que o normal, uma das mãos apoiando a testa, os olhos perdidos por um segundo… só por um segundo. Porque, no instante em que me viu ali parado, ela ergueu o rosto e me fuzilou com o olhar.
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  Mas eu já estava perdido antes disso.
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  Linda. Gostosa. Inalcançável. %Alice% %Dias%, no auge do caos, ainda era a mulher mais irresistível daquele andar — e, infelizmente, a que mais ferrava com a minha sanidade.
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  Engoli o café amargo e murmurei para mim mesmo:
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  — Idiota… — Mas não disse se era ela ou eu.
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  — %Arthur%, pode entrar. — disse, a voz firme demais para quem parecia cansada.
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  Fechei a porta com cuidado e fiquei ali, esperando. Ela empurrou os papéis para longe como se estivesse assinando uma sentença.
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  — Escolhi uma. Mariana Tavares. Experiência razoável, postura profissional... e, mais importante, foi a única que não tentou puxar assunto sobre minha vida pessoal durante a entrevista.
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  Fiquei em silêncio. Não sabia muito bem o que ela queria que eu respondesse.
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  — Agora você está finalmente livre de mim, não é? — completou, com um sorriso curto, sem alcançar os olhos.
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  A frase bateu como um soco no estômago. Não pelo conteúdo, mas pela forma como ela disse. Como se a liberdade fosse um prêmio que eu estivesse ansiando. Como se o afastamento entre nós fosse tudo o que eu queria.
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  Tentei conter qualquer reação, mas acho que meus ombros denunciaram a rigidez.
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  — A diretoria quer que ela comece na segunda. — %Alice% continuou, levantando e pegando alguns papéis na mesa. — E, como você foi... impecável enquanto esteve aqui, gostaria que ficasse pelo menos uma semana para treinar a Mariana. Ensinar os processos, mostrar os caminhos, essas coisas.
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  — Claro. — respondi, sem hesitar. Minha voz saiu mais baixa do que eu queria, mas firme.
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  Ela me encarou por alguns segundos, como se tentasse decifrar alguma coisa que nem ela mesma sabia que procurava.
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  — Vai ser melhor assim. — disse, mais para ela do que para mim. Assenti, sem saber muito bem o que fazer com as mãos.
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  — Então... é isso. Segunda-feira, você começa oficialmente a transição. — %Alice% finalizou, voltando para trás da mesa, os olhos já mergulhados nos papéis como se a conversa tivesse acabado.
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  Mas o gosto amargo ficou. As palavras dela ecoavam na minha mente com um peso estranho: "Agora você está finalmente livre de mim."
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  E, por mais que aquilo fosse verdade... por mais que aquilo fosse o que eu mesmo pedi, parte de mim não sabia se queria mesmo essa liberdade.
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💻👠

  A segunda-feira chegou com cheiro de café requentado e a promessa de mais uma semana caótica. E, com ela, chegou Mariana — a nova secretária da %Alice%. Tímida, eficiente, vestida de forma impecável e com um sorrisinho nervoso que entregava tudo: ela queria causar uma boa impressão, mas já sentia o peso de onde estava pisando. Cumprimentou todos com educação, anotou nomes com pressa e carregava uma pastinha nas mãos como se fosse uma tábua de salvação. E %Alice%? Passou por ela como se fosse invisível. Nem um aceno. Nem um olhar. Nada. Bem-vinda ao mundo da Srta. %Dias%.
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  — Você vai se acostumar com isso — comentei mais tarde, quando estávamos na copa e ela ainda tentava entender se aquilo era um teste ou um desprezo mesmo.
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  — Ela não me respondeu nem o “bom dia”… — Mariana murmurou, baixinho, mexendo no chá.
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  — Isso significa que você está no caminho certo. — Dei um gole no meu café e me encostei na bancada. — %Alice% é assim. Não vai facilitar, vai te testar muito. Às vezes com silêncio, ou com tarefas impossíveis às 18h55 numa sexta-feira.
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  Ela soltou um riso nervoso.
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  — Parece... intenso.
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  — Eu diria que é mais como sobreviver numa floresta com uma chefe leoa. Ela sente cheiro de medo, mas, se você mostrar firmeza, ela respeita. E, em alguns casos, até manda emoji depois do expediente. — Sorri, lembrando dos absurdos que ela já me mandou domingo à noite. — No meu primeiro dia, ela pediu pra eu fazer uma apresentação em PowerPoint de última hora para uma reunião que começava em vinte minutos. E depois disse que era só um teste.
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  — E era?
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  — Não. Ela usou a apresentação.
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  Mariana riu mais abertamente agora, e eu relaxei também. Ensinar alguém para ocupar o lugar que foi meu... bom, não era fácil. Mas eu precisava fechar esse ciclo.
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  Na parte da tarde, fomos para uma reunião com alguns executivos da área comercial. Mariana entrou na sala com a prancheta na mão e os ombros tensos, sentou-se ao lado de %Alice% e abriu o bloco de anotações. Eu fiquei no canto oposto, apenas observando… e, claro, pronto para intervir se precisasse.
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  %Alice% começou a falar com a fluidez de sempre, mas logo lançou Mariana no fogo:
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  — Mariana, anote os pontos principais e me envie um resumo até o fim do dia. Quero enxuto e objetivo, sem floreios. — Ela nem olhou pra ela. Só disse, como quem solta um desafio no ar.
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  Mariana assentiu rápido, e eu reparei no jeito que sua mão tremia levemente com a caneta.
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  Aos poucos, fui me aproximando para ajudá-la, explicando um ou outro termo técnico, apontando nos slides... mas, antes que eu terminasse uma frase, %Alice% ergueu a mão, sem desviar os olhos da tela.
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  — %Arthur%, deixe que ela anote. Vamos ver como se sai.
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  A voz era calma. Mas o recado estava ali, claro como cristal: ela queria ver se Mariana aguentava sozinha.
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  Engoli em seco e recuei, voltando ao meu lugar. Não porque queria, mas porque entendi o que aquilo era. %Alice% queria testar os limites da Mariana... e talvez os meus também.
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  Mas a reunião continuou, e eu observei. Porque, se eu tinha aprendido algo ali, era que, com %Alice%, nada era apenas o que parecia.
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  Quando a reunião terminou, %Alice% ainda estava com a postura firme na cadeira, mas os olhos diziam que ela já estava em outro lugar — pensando, calculando, analisando. Mariana começou a recolher os papéis, mas, antes que pudesse deixar a sala, a voz de %Alice% a cortou com precisão:
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  — Mariana, dá uma passada na diretoria e entrega essa pasta pro pessoal do financeiro. Quero saber se esses números batem com o que foi enviado semana passada.
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  — Claro, senhor… — Mariana respondeu de imediato, meio trêmula, já pegando a pasta em mãos.
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  %Alice% parou por um segundo, estreitando os olhos como se estivesse calculando o nível de paciência que ainda lhe restava naquele dia.
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  — Não me chame de senhora. Me chame de Srta. %Dias%. “Senhora” me dá dor nas costas só de ouvir — disse com o tom controlado, mas afiado, lançando um olhar que era quase um aviso.
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  Mariana assentiu depressa, corando até as orelhas.
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  — Desculpe, Srta. %Dias%. Claro.
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  Ela saiu quase tropeçando nos próprios pés.
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  Fiquei ali, encostado na beirada da mesa, e não consegui evitar um sorriso discreto. Porque aquilo ali — a voz cortante, o jeito objetivo, a forma como o “senhora” a irritava — me levou direto de volta ao meu primeiro dia ali. E à primeira vez que ouvi a mesma bronca.
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  “Não me chame de senhora. Parece que estou contratando um mordomo. Me chame de... Srta. %Dias%.”
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  Na época, achei que fosse apenas arrogância. Hoje... ainda acho. Mas agora sei que, de algum jeito estranho, era também o jeito dela manter as barreiras onde queria. Nomes, títulos, distância.
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  E eu? Eu tinha derrubado todas elas. Sem permissão. Sem nem perceber.
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  Até agora.
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  %Alice% esperou que ela saísse e fechasse a porta antes de desviar o olhar para mim. Não disse nada de imediato, apenas me observou por um instante longo o suficiente para me deixar desconfortável. Eu fiquei onde estava, ao lado da mesa, com a caneta que usava para anotar detalhes ainda na mão, como se aquilo pudesse me proteger da intensidade do olhar dela.
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  — Então? — ela finalmente soltou, cruzando os braços. — Impressões?
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  — Ela é um pouco insegura — falei, direto. — Mas tem potencial.
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  Ela assentiu com um meneio breve de cabeça, desviando o olhar por um segundo antes de se levantar. Andou até o aparador para pegar uma caneta diferente — como se precisasse daquilo para ocupar as mãos, ou a mente.
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  Ao voltar, passou por mim no espaço estreito entre a mesa e a cadeira. Só que, dessa vez, tropeçou levemente no tapete. Um desequilíbrio rápido, mas suficiente para que meu reflexo fosse mais rápido que a lógica. Segurei-a pela cintura, firme, impedindo que ela caísse.
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  O toque foi imediato. O choque também.
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  A mão dela parou no meu peito, os olhos arregalados encontrando os meus, e, por um segundo — longo demais — tudo ao redor pareceu evaporar. A sala, o trabalho, a nova secretária. Tudo sumiu.
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  Só existia aquele contato. A respiração descompassada dela e a minha que nem existia mais.
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  Meu polegar roçou de leve a lateral da cintura dela enquanto eu ainda a segurava. Ela não recuou. Só ficou ali, imóvel, como se estivesse tentando não se render àquela proximidade. Como se soubesse exatamente o que aquilo significava.
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  %Alice% se afastou devagar, endireitando o corpo, mas ainda com os olhos cravados nos meus. A caneta que ela tinha ido buscar estava agora esquecida na mão, os dedos ainda trêmulos.
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  — %Arthur%… — ela começou, mas não terminou. Eu já tinha dado dois passos pra trás.
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  — Melhor eu ir. — murmurei, sem saber se estava tentando convencê-la ou a mim mesmo.
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  Abri a porta e saí sem esperar resposta, o coração batendo tão forte que parecia querer sair pela garganta. Porque se eu ficasse ali mais um segundo... ia esquecer tudo. Inclusive quem eu era.
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  E naquele momento, eu precisava desesperadamente lembrar.
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  Cheguei em casa como quem volta de uma guerra que ninguém viu acontecer. Joguei as chaves no balcão da cozinha e fui direto pro quarto, ignorando a luz fraca que vinha da sala. Meu corpo estava exausto, mas minha mente... bom, essa continuava presa no corredor apertado da sala de reuniões, no toque dos nossos corpos, no cheiro do perfume dela misturado ao som abafado da minha respiração acelerada.
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  %Alice%.
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  Por mais que eu tentasse fugir, ela continuava ali, presa em mim de um jeito que nem o banho mais quente do mundo conseguiria arrancar, mas eu tentei. Deixei a água cair sobre a cabeça, os ombros, o peito. Fechei os olhos e me obriguei a respirar fundo, como se isso bastasse pra me libertar de tudo que ela ainda causava em mim.
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  A forma como ela dizia meu nome. A maneira como me olhava. O toque acidental que parecia mais proposital do que qualquer coisa.
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  Minhas mãos escorregaram pela minha pele, guiadas mais pela memória dela do que pela necessidade física. Segurei meu pau, e foi inevitável começar a me tocar, pensando nela.
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  — %Alice%... — o nome escapou num sussurro rouco, perdido no vapor do banheiro.
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  Imaginei suas mãos pequenas, delicadas, percorrendo meu corpo do jeito que só ela sabia. Seu cheiro, doce e inebriante, parecia impregnar até o ar ao meu redor. Fechei os olhos e a vi ali — deitada na cama, os cabelos bagunçados, o corpo nu me esperando, os olhos escuros me devorando com sede.
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  — Você é tão... — murmurei, sem terminar a frase, perdido no próprio delírio.
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  Meu quadril começou a se mover em busca de mais fricção, cada movimento desenhando o quanto ela me dominava. Era mais do que desejo carnal. Era fome dela. Da risada abafada no meu ouvido. Da voz manhosa me chamando entre gemidos.
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  "Minha", pensei, o peito apertando junto do prazer que crescia rápido, quase violento.
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  Imaginei %Alice% montada em mim, com aquela expressão sacana que só ela fazia, a boca entreaberta, os gemidos escapando sem controle. Imaginei o calor, o aperto, o jeito como ela se movia só pra me torturar.
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  Minhas mãos se apertaram, o ritmo descompassado, guiado por essa lembrança tão viva que era quase real. O calor explodiu dentro de mim com um gemido rouco, urgente, sussurrando o nome dela entre os dentes.
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  — %Alice%... porra... — ofeguei, apoiando a testa na parede fria.
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  Fiquei ali, tentando recuperar o fôlego, o corpo todo ainda vibrando, enquanto o nome dela continuava ecoando no meu peito.
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  %Alice%.
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  Meu vício mais doce.
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  Meu caos favorito.
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  E, naquele instante, mais do que nunca, eu soube: eu era dela por inteiro.
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  Saí do banheiro enrolado na toalha, os cabelos pingando, o peito ainda em guerra. Me sequei, e vesti um samba canção, seria o meu máximo para aquela noite.
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  Foi então que encarei a escrivaninha, ou melhor, ela me encarou primeiro.
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  A luz do abajur aceso iluminava a superfície vazia, como se o papel em branco me esperasse, zombando do caos que morava em mim. Caminhei até ela devagar, como quem se aproxima de algo sagrado e perigoso ao mesmo tempo.
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  Sentei. Respirei fundo e abri o sketchbook.
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  Peguei o lápis. Encostei a ponta na primeira folha. E... nada. A folha em branco parecia zombar de mim, refletindo exatamente o que eu sentia por dentro: um vazio que nem eu conseguia explicar.
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  — Tá criando ou só fingindo que tá criando? — ouvi a voz da Clara na porta, leve, mas atenta. Ela encostou no batente, ainda de avental, o cabelo preso com uma caneta colorida.
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  Suspirei, largando o lápis.
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  — Tô... tentando. — respondi, sem encará-la. — Mas parece que quanto mais eu quero, menos sai.
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  Ela entrou no quarto, analisando a mesa. Os lápis enfileirados, o sketchbook aberto, a folha ainda virgem. Ela não disse nada por alguns segundos. Só observou. Depois, se sentou na beirada da cama.
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  — Sabe o que talvez ajude? — perguntou. — Cria um perfil.
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  — Um perfil?
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  — No Insta. Ou sei lá. Um lugar só seu. Onde o %Arthur% desenhista respire. Nem precisa mostrar pra ninguém agora. Deixa fechado, privado, escondido do mundo, se quiser. Mas começa. Vai postando só pra você lembrar que existe esse lado aí. Porque ele ainda tá aqui, só tá dormindo.
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  Fiquei em silêncio, encarando o papel como se aquilo fosse uma proposta indecente.
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  — Parece bobo, eu sei. — ela continuou, levantando com um sorrisinho. — Mas às vezes, a gente só precisa de um cantinho pra voltar a ser quem era.
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  Ela já estava saindo do quarto quando completou:
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  — Ah, e o jantar tá pronto, fui a melhor irmã do mundo, eu cozinhei, mas não se acostume. Mas sem pressão... quer dizer, só um pouquinho, porque se esfriar, a culpa é sua.
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  Deixou a porta entreaberta, e eu fiquei ali, parado, olhando para tela do celular como se ele tivesse acabado de ganhar um novo significado. Um perfil privado. Só meu. Um espaço onde ninguém esperava nada. Onde eu não precisasse ser bom. Só... eu.
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  Pela primeira vez em dias, algo se mexeu dentro de mim. Pequeno, tímido. Mas real.
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  Talvez ela tivesse razão. Talvez fosse esse o começo — de novo.
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  Naquela sexta-feira, o escritório tinha aquele clima estranho de fim de ciclo. As pessoas circulavam pelos corredores com mais calma, os celulares vibravam com mensagens de “happy hour?”, e o som das teclas parecia menos intenso. Mas, pra mim, era diferente. Era o meu último dia ali.
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  Mariana ajeitava as coisas na mesa dela, ansiosa, mas ainda um pouco insegura. O jeito como ela mexia nos papéis, conferindo e reconferindo as planilhas, me fazia sorrir de canto. Lembrava muito o meu primeiro dia — a mesma tensão disfarçada de eficiência.
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  — Respira, Mari. Você já pegou o jeito — falei, me encostando na beirada da mesa com os braços cruzados.
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  — Só fico com medo de esquecer alguma coisa... A %Alice% não parece ser o tipo que tolera deslize.
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  — Não é mesmo — respondi com um sorriso enviesado —, mas ela também respeita quem segura as pontas. E você segura. Só precisa confiar mais no que já sabe.
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  Ela me olhou por um instante, como se estivesse processando aquilo.
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  — Eu tentei observar como você lidava com ela. Sempre tão calmo, tão... no controle.
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  — Hã... isso era só a fachada. Por dentro eu estava gritando metade do tempo. — Pisquei para ela. — Vai dar tudo certo. Se errar, aprende. E não esquece de bloquear o número dela depois do expediente de sexta.
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  Ela riu alto.
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  — Vou anotar isso num post-it. Obrigada, %Arthur%. De verdade. Por tudo.
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  — Vai lá. Sexta-feira te espera. — Toquei de leve no ombro dela e a vi desaparecer pelo corredor, com um ar nervoso e determinado ao mesmo tempo.
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  Fiquei ali por alguns segundos, em pé no meio da sala agora silenciosa. Meus olhos varreram o lugar: a mesa onde sentei durante semanas. O armário onde escondi minhas crises. O espaço entre as portas, onde o impossível quase aconteceu mais de uma vez. Parte de mim estava aliviada por sair dali. Mas a outra... ainda não sabia como dizer adeus.
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  Respirei fundo, caminhei até a porta de vidro ao final do corredor e bati duas vezes, antes de empurrar devagar.
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  %Alice% estava sentada à mesa, o cabelo preso num coque desfeito, as mangas da camisa arregaçadas e os olhos grudados na tela do notebook. Quando me viu, ergueu os olhos e depois se recostou na cadeira, como se já esperasse.
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  — A Mariana saiu. Já tá tudo com ela. A partir de segunda... volto pro time de Planejamento. — Ela assentiu devagar, o maxilar tenso.
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  — Obrigada, %Arthur%. Por ter ficado essa semana.
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  — Eu fiquei porque achei certo. Ela precisava de um início menos caótico que o meu. — Falei com calma, mas algo no meu peito ainda estava preso.
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  %Alice% se levantou, caminhando lentamente até o aparador, onde pegou uma pasta qualquer só para fingir ocupação. Quando falou de novo, a voz dela estava baixa, diferente.
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  — Sobre aquele dia... — murmurou — a nossa conversa. Eu... não devia ter falado da forma como falei. Eu só... não soube lidar com aquilo. Espero que você compreenda.
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  — Compreendo — respondi, mesmo que a ferida ainda doesse. — Mas entender não é o mesmo que suportar, %Alice%.
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  Ela ficou em silêncio por um instante, depois cruzou os braços, o olhar grudado no chão.
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  — A gente podia continuar. Sem rótulo. Sem rastro. — Ela ergueu os olhos e me encarou. — Agora você tá em outro setor. Ainda é errado, mas... menos. A gente podia... continuar assim. Do nosso jeito.
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  Ela se aproximou devagar. O olhar dela era um convite claro. Um último apelo.
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  — %Alice%... — murmurei. — Isso tá me consumindo. A gente se escondeu, eu me machuquei, me confundi. Não dá mais. Eu não posso mais viver pela metade.
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  Ela mordeu o lábio, os olhos brilhando com algo que eu não soube nomear. Um silêncio denso se instalou entre nós. Bastou um passo — um único passo dela — para que tudo ruísse.
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  Seus lábios encontraram os meus num beijo urgente, quase desesperado, como se ainda houvesse tempo de desfazer o que nos afastava. E eu… eu cedi. Porque era ela. Porque meu corpo ainda reagia como se não soubesse da dor. Como se só conhecesse o vício.
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  Minhas mãos seguravam sua cintura com força, puxando-a contra mim. %Alice% gemeu baixo no beijo, e isso foi o suficiente para apagar qualquer resto de racionalidade. Em um movimento rápido, a ergui pelas coxas e a sentei na mesa. Suas pernas se fecharam ao redor da minha cintura com precisão, como se aquele fosse o lugar exato — e talvez fosse, naquele segundo.
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  Meus dedos deslizaram pelas coxas dela, subindo com firmeza até encontrarem a barra da saia. A mão dela se agarrou à minha nuca, puxando, pedindo mais. O beijo ficou mais quente, mais profundo, mais tudo. Beijei seu pescoço, mordi seu queixo, explorei sua boca como se ainda fosse minha.
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  — %Arthur%... — ela arfou, entre um suspiro e outro. Meu nome saiu como um pedido.
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  E eu beijei seus ombros, suas clavículas. Sentia o calor dela nas palmas das minhas mãos, os suspiros dela entrando direto na minha corrente sanguínea. Por um instante, era só isso. Ela. Eu. E o que sempre existia quando nos tocávamos.
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  Mas então…
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  A consciência me atingiu como um balde de água fria.
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  O que eu estava fazendo?
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  Minhas mãos hesitaram na cintura dela. A respiração ainda vinha entrecortada. O corpo dela colado ao meu, ainda pedindo. Mas eu não podia mais fingir. Isso não bastava.
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  Segurei seus ombros e recuei, ofegante. Meu coração batia tão alto que eu podia ouvir o eco na sala.
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  — Para. — sussurrei. — Isso só me machuca mais. Porque você sabe que eu... eu tô apaixonado por você, %Alice%. E você só me procura quando o silêncio te incomoda. Quando tá tudo pesado demais pra carregar sozinha. E aí vem aqui e descarrega em mim.
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  Ela me olhou, como se não soubesse o que dizer. Como se, pela primeira vez, estivesse sem argumentos. A respiração dela também era instável, mas não dizia nada. Só me olhava.
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  — O que você sente por mim, %Alice%? — continuei, a voz ainda baixa, mas firme. — Seja sincera. É só tesão? É só ego? Ou tem um pingo de sentimento aí dentro?
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  O silêncio dela doeu mais do que qualquer resposta. Ela desviou os olhos por um instante, como se procurasse as palavras — ou fugisse delas.
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  — Porque, se você dissesse que sente... que sente mesmo... — dei um passo à frente, quase num apelo — a gente terminava isso aqui. Agora. Eu ficava. A gente encontrava um jeito.
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  Ela me olhou de novo. E então, devagar, balançou a cabeça.
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  Não havia lágrimas, não havia drama. Só uma entrega silenciosa ao que ela não conseguia ser. Àquilo que ela não estava pronta para admitir.
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  Engoli seco.
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  — Era isso. Era só isso que eu precisava saber.
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  Ela deu meio passo à frente, como se fosse dizer algo, mas parou. Talvez porque soubesse que não adiantaria mais.
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  Nos encaramos por alguns segundos, como se estivéssemos memorizando tudo antes do ponto final. Os beijos, os toques, as faíscas, as madrugadas escondidas. Tudo aquilo que poderia ter sido — e nunca foi.
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  — Boa sorte com a Mariana — minha voz saiu rouca.
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  — Boa sorte no Planejamento — a dela saiu mais baixa ainda.
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  Assenti lentamente. E então dei dois passos até a porta.
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  E fechei.
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  Não com raiva dela, pelo menos. Fechei com o tipo de dor que só existe quando a gente queria que tivesse dado certo, mas não deu. E agora, precisava seguir. Mesmo com o gosto dela ainda grudado na minha boca.
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  Mesmo com o coração dizendo que ainda queria. Porque, pela primeira vez… eu estava escolhendo não aceitar menos do que eu mereço.
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💻👠

  No sábado, Clara praticamente me arrastou para uma feira de arte no centro. Disse que precisava de companhia, que queria “ver umas coisas bonitas” depois de uma semana puxada. E, bom… eu não tive força pra recusar.
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  Ainda estava meio anestesiado com tudo: a discussão com %Alice%, o beijo, as palavras que não vieram, a ausência dela desde então. Era como se o silêncio depois do fim fizesse mais barulho do que qualquer briga entre nós. Eu só... seguia.
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  A feira estava cheia. Barracas coloridas, música ao vivo, cheiro de comida no ar. Clara andava animada, tirando fotos das bancas, comentando sobre as coisas com aquele entusiasmo leve que só ela tinha. Eu a seguia, mais em silêncio do que devia, com um copo de café numa mão e as mãos vazias do lado de dentro.
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  — Olha essa ilustração, %Arthur%! Um gato de boina lendo Virginia Woolf. Isso é você em forma de felino. — Ela me mostrou a imagem no celular, rindo sozinha.
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  Soltei um riso baixo, balançando a cabeça.
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  — Achei que eu fosse mais cachorro triste do que gato intelectual.
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  — Você é os dois. Gato, cachorro e talvez um pouquinho de pombo dramático. — Ela piscou, voltando a mirar as bancas. — Mas vai passar. Esse vazio aí dentro. Só precisa encontrar alguma coisa que te lembre quem você é.
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  Continuei andando ao lado dela, desviando de uma moça com uma cesta de pães artesanais.
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  — E você acha que é aqui? No meio de estandes com pôster de Star Wars em aquarela?
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  — Eu acho que você precisa ver o mundo com mais cor. E, se isso não funcionar… a gente compra um pão de alho. Sempre funciona. — Ela deu de ombros, leve, como se curar o coração fosse uma coisa simples.
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  Eu apenas sorri. Porque, com ela, às vezes, parecia mesmo.
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  Foi numa das tendas mais discretas que parei de andar. Não sei se foi a paleta de cores nas ilustrações ou a forma como os traços pareciam meio desalinhados de propósito. Havia algo de imperfeito, mas sincero ali. Um cara mais velho, com boné desbotado e óculos tortos, vendia prints com uma plaquinha feita à mão: arte sem filtro.
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  Fiquei ali parado, folheando um sketchbook de capa dura. Meus dedos deslizavam pelas páginas em branco como se esperassem alguma resposta que não vinha. Foi aí que ele falou, sem tirar os olhos de um café que esfriava ao lado:
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  — Você nunca vai se sentir pronto — disse, com a naturalidade de quem repete aquilo todo sábado. — Ninguém sente. Você desenha mesmo assim, ou fica parado vendo os outros fazerem.
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  Olhei pra ele, surpreso. Ele não me conhecia. Mas parecia que sim.
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  Comprei mais lápis, apontadores e um novo sketchbook sem pensar duas vezes. Clara, que estava em outro estande vendo bijuterias, veio correndo atrás de mim quando percebeu que eu tinha desaparecido.
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  — O que você comprou? — perguntou, espiando por cima do meu ombro.
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  — Uma desculpa pra tentar de novo — respondi, sem tirar os olhos da capa do caderno.
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  À noite, já em casa, tomei um banho e sentei à minha escrivaninha. O sketchbook novo em cima da mesa, ao lado dos lápis. Organizei tudo com o cuidado de um ritual. Afiei as pontas. Alinhei as canetas. Respirei fundo.
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  E, pela primeira vez, deixei o traço vir sem meta. Sem cobrança. Só ele e eu.
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  Um traço. Depois outro.
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  Foi a primeira vez, em semanas, que eu me senti inteiro. Não por ter superado tudo. Mas por, finalmente, ter começado.
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  Nota da autora: Eita que foi drama, viu? 😂
  Alice ali, cheia de orgulho, sem conseguir dizer que quer o Arthur; Arthur, firme, sem aceitar menos do que eles se assumirem de vez; e nós? Sofrendo junto porque esses dois cabeçudos preferem se torturar do que ceder. Ai, ai... quem mandou se apaixonarem tão bonito? 💔
  Mal sabem eles que o pior (ou o melhor?) ainda está por vir... 👀✨

Capítulo 11
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