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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

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Segredo de Escritório

Escrita porNyx
Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 10 • O Conflito

Tempo estimado de leitura: 33 minutos

  Os dias que se seguiram foram marcados por um silêncio sufocante entre mim e %Alice%. No escritório, as interações eram limitadas ao estritamente necessário, e mesmo essas trocas pareciam carregadas de gelo. Meu tom de voz era controlado, quase robótico, e eu evitava qualquer contato visual prolongado. %Alice%, por outro lado, parecia desconfortavelmente consciente do espaço crescente entre nós, mas não fazia nada para diminuí-lo.
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  Se ela queria distância, eu a daria.
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  Na terça-feira, precisei entrar na sala dela para entregar os últimos relatórios da semana. Bati na porta com dois toques secos.
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  — Pode deixar aí. — disse ela, sem levantar os olhos do monitor.
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  Caminhei até a mesa, largando a pasta com mais força do que o necessário. Já estava de costas para sair quando a voz dela me alcançou novamente.
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  — %Arthur%, não esqueça de confirmar com a Fran o horário da próxima reunião com a Rafa Kalimann. Preciso disso organizado até amanhã cedo.
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  — Já está na minha lista. — respondi, sem encará-la.
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  Por alguns segundos, tudo o que ouvi foi o clique suave do teclado. Até que ela falou de novo, mais devagar dessa vez:
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  — Você está bem? — Parei no meio do passo, de costas para ela. Respirei fundo.
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  — Tô sim. — menti, a voz saindo seca, sem emoção.
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  — Você... não respondeu minha mensagem ontem. Nem falou nada sobre ir lá em casa hoje. — Virei apenas o suficiente para lançar um olhar breve por cima do ombro.
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  — Tenho uns compromissos hoje. Coisa de família.
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  Ela franziu o cenho, abrindo a boca para dizer algo, mas não dei chance. Virei novamente e saí, a porta se fechando atrás de mim com um clique firme.
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  Não olhei para trás. Não queria ver a expressão dela. Não queria que ela visse a minha.
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  O silêncio que deixei para trás dizia tudo o que eu não tinha coragem de admitir.
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  Naquela mesma tarde, decidi que já tinha me anulado o suficiente. Peguei o elevador até o quarto andar — onde ficava o setor de Planejamento Interno, meu antigo time.
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  Aquela parte da empresa sempre foi mais agitada, com conversas atravessando as baias e o som dos teclados competindo com playlists aleatórias em fones de ouvido. Era um caos organizado… mas era meu caos.
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  Assim que entrei, Júlia — que trabalhava ali desde os meus primeiros meses na empresa — levantou os olhos da tela e abriu um sorriso largo.
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  — %Arthur%?! Olha só quem resolveu lembrar que tem origem humilde! Pensei que já tinha sido corrompido pelos andares de cima.
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  — Impossível — respondi, forçando um sorriso de volta. — Só andei... ocupado.
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  — Ocupado demais pra passar no nosso café? — completou Felipe, do outro lado da baia, girando na cadeira com uma caneca nas mãos. — Aposto que a CEO te mantém acorrentado à mesa.
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  — Ela não precisa de correntes — emendou Beatriz, fingindo um tom dramático. — Um olhar da %Alice% %Dias% e até o ar para de circular. A mulher é um monólito.
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  — Gente... — murmurei, com um meio sorriso escapando antes que eu conseguisse conter. — Vocês continuam exagerados.
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  — Exagerados nada — disse Júlia, rindo. — A gente só tá tentando entender como você ainda anda com as próprias pernas depois de tanto tempo ali.
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  — Deve ser por isso que ele sumiu — provocou Felipe. — Tá traumatizado demais pra encarar a gente.
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  — Confessa, %Arthur% — Beatriz apoiou o queixo nas mãos. — Você piscou, ela te colocou pra organizar os arquivos de 2010, não foi?
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  — Por incrível que pareça... ainda não. — respondi, dando uma risada curta.
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  — E mesmo assim quer voltar, né? — Júlia arqueou a sobrancelha. — Só pode ser saudade do caos organizado daqui.
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  — Mais do que vocês imaginam. — respondi, e o sorriso que escapou dessa vez foi sincero.
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  Depois de trocar algumas piadas com o pessoal e sentir por alguns minutos o conforto de um lugar onde tudo era mais leve, segui pelo corredor até a salinha de vidro onde Rodrigo — meu antigo chefe — ficava. Bati duas vezes com os nós dos dedos na porta entreaberta.
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  — Posso? — Ele levantou os olhos do computador e abriu um sorriso genuíno.
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  — Olha só quem veio me visitar. Entra aí, %Arthur%.
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  Fechei a porta atrás de mim, sentindo aquele velho conhecido aperto no estômago. Rodrigo apontou para a cadeira em frente à sua mesa, e eu me sentei, tentando parecer mais tranquilo do que realmente estava.
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  — Como estão as coisas por lá? — perguntou ele, já com um brilho curioso no olhar. — Sobrevivendo à Srta. %Dias%?
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  — Sobrevivendo é uma palavra generosa — respondi, com um meio sorriso cansado.
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  Rodrigo soltou uma risada e se recostou na cadeira.
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  — Confesso que quando soube que você tinha sido redirecionado pra lá, achei que ia durar uma semana. Mas você ficou mais do que eu esperava.
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  — Fiquei porque... não tinha muita escolha, né? — falei, sem rodeios. — Foi isso ou rua. E, sinceramente, eu precisava do emprego.
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  O sorriso de Rodrigo desapareceu aos poucos, substituído por uma expressão mais sóbria.
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  — Eu sei. Foi uma situação difícil, %Arthur%. Você sabe que, se dependesse de mim, aquilo nunca teria acontecido. Mas os cortes foram exigência da diretoria geral. Tive que seguir a ordem de cima.
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  — Eu entendi. E não tô aqui pra reclamar disso depois de tanto tempo. — Respirei fundo, ajeitando o corpo na cadeira. — Na verdade, vim pedir uma coisa… queria voltar.
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  Rodrigo me encarou por alguns segundos, em silêncio. Depois soltou um suspiro lento e se inclinou sobre a mesa, entrelaçando os dedos.
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  — O setor está se virando, improvisando… mas sua vaga ainda tá oficialmente em aberto. — Ele me analisou por um instante. — Mas por que agora, %Arthur%? Por que essa pressa pra voltar? O que mudou?
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  Desviei o olhar por um segundo antes de encará-lo de novo.
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  — Porque eu não tô mais confortável lá. — falei, sentindo a garganta apertar. — Não tô rendendo como antes, não tô bem. E acho que tá na hora de admitir isso. Eu só quero voltar pra onde eu funcionava. Onde eu me sentia parte de alguma coisa.
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  Rodrigo assentiu devagar, o rosto mais sério.
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  — %Arthur%… você sempre foi impecável aqui. Discreto, comprometido, confiável. Nunca precisei me preocupar contigo. E, sendo bem honesto, ainda não encontramos ninguém que fizesse o trabalho com o mesmo cuidado que você fazia.
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  Um alívio sutil começou a se formar no peito, e tentei não demonstrar demais.
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  — Eu só… queria conseguir respirar de novo. — confessei num sussurro quase envergonhado.
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  — Eu entendo. — Rodrigo cruzou os braços, pensativo. — Olha, não vou prometer nada agora, mas vou conversar com o pessoal lá de cima. Se a vaga ainda estiver tecnicamente em aberto — e pelo que eu sei, está — posso tentar te trazer de volta antes. Botar um pouco mais de pressão para que a %Alice% escolha logo alguém.
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  Ele me lançou um olhar significativo e completou, meio num tom de provocação:
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  — Até parece que ela não quer mais te devolver...
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  Engoli em seco com essa fala. Porque eu sabia bem. Ela não queria me devolver, mas também não queria assumir o que a gente tinha. No fim, era isso: eu era só um brinquedo.
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  — Obrigado, Rodrigo. De verdade. Obrigado por me ouvir.
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  Ele soltou um meio sorriso e fez um gesto com a mão, como quem diz “relaxa”.
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  — Você sempre foi correto comigo, %Arthur%. E se tem uma coisa que aprendi nesse tempo todo… é que gente boa, a gente faz questão de manter por perto. A casa continua aberta pra você. — Assenti, sentindo um nó na garganta.
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  — Valeu mesmo. Eu só… quero voltar a ser eu.
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  — Sei. E, olha… foi bom te ver aqui de novo. Mesmo que só por hoje.
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  Levantei da cadeira. Rodrigo também se levantou, e estendemos as mãos um pro outro. O aperto foi firme, mas carregado de significado. Não era só profissionalismo. Era respeito. Era reconhecimento.
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  Agora, era esperar.
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  Voltei para o andar da diretoria com a cabeça cheia e o corpo mais leve do que quando tinha descido. Não era alívio completo, mas era o suficiente pra me manter de pé. A sensação de finalmente ter feito algo por mim, mesmo que pequeno, era estranhamente reconfortante.
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  O elevador subiu devagar, e quando as portas se abriram, dei de cara com o corredor familiar. O lugar onde eu vinha sobrevivendo nos últimos tempos… e onde, por algum motivo, também tinha me perdido.
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  Segui direto pra minha mesa. Alguns funcionários me lançaram olhares rápidos, outros nem notaram minha volta. O habitual.
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  Quando me sentei, puxei o computador e tentei retomar a rotina como se nada tivesse acontecido — como se eu ainda fosse o mesmo de antes. Mas não era. E talvez, finalmente, eu estivesse pronto para aceitar isso.
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  A porta da sala de %Alice% estava entreaberta. Não tardou muito para ouvir os passos dela. Precisos, elegantes, como de costume. Ela parou ao lado da minha mesa, e seu perfume chegou antes da voz.
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  — Preciso de você na sala de reunião em quinze minutos. — disse, como sempre fazia. O tom era neutro, mas o olhar… o olhar demorou um segundo a mais do que deveria.
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  Levantei os olhos, e os nossos se encontraram. Não desviei.
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  — Tudo certo. — respondi, calmo. Quase frio. %Alice% arqueou ligeiramente a sobrancelha, como se analisasse minha resposta.
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  — Algum problema?
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  — Não. — falei, voltando a encarar a tela. — Só focado no que preciso entregar.
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  Ela hesitou, e pude sentir. Como se estivesse prestes a dizer algo mais, mas desistiu na última hora.
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  — Certo. — disse apenas, mas a voz saiu mais baixa.
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  Quando ela virou de costas e entrou de volta na sala dela, não consegui evitar o suspiro que me escapou. O que antes era um furacão dentro de mim agora parecia uma brisa tensa, que ameaçava virar tempestade a qualquer momento.
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  Voltar pro meu setor era uma esperança. Mas até lá… eu ainda teria que conviver com os rastros do que fomos. E talvez, o mais difícil, com a maneira como ela ainda me olhava — como se quisesse entender quando exatamente eu comecei a escorregar pelos dedos dela.
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  E a resposta era simples: no momento em que percebi que, pra ela, eu era fácil de manter por perto. Difícil era me deixar ir.
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  A sala de reuniões estava vazia quando entrei. A mesa longa e envernizada brilhava sob a luz branca do teto, e as janelas panorâmicas deixavam a luz do fim da tarde invadir o ambiente. Peguei a pasta com os relatórios e sentei na cadeira de sempre, ao lado do projetor.
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  %Alice% chegou segundos depois. Os saltos ecoaram no piso como uma batida ritmada e segura. Ela vestia um blazer preto acinturado, os cabelos presos em um coque impecável. A imagem perfeita da CEO inflexível. Menos os olhos — que traíam um incômodo que ela ainda não sabia disfarçar.
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  — Os números do segundo trimestre estão prontos? — perguntou sem rodeios, puxando a cadeira à frente da minha.
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  Assenti, estendendo a planilha impressa.
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  — Organizei os dados em três blocos: desempenho, retorno e projeção. Também adicionei comentários da equipe de vendas sobre os desafios do mês.
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  %Alice% pegou o material, leu as primeiras linhas e, pela primeira vez naquela tarde, me olhou direto nos olhos. O silêncio pairou por dois segundos.
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  — Você ficou diferente. — disse ela, com uma calma desconcertante. Pisquei, tentando não reagir.
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  — Estou só tentando me concentrar. — Ela franziu levemente o cenho.
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  — Concentração nunca foi seu problema, %Arthur%. Você sempre esteve cem por cento aqui. Até agora.
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  Fiquei em silêncio por um momento, depois fechei a pasta.
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  — E talvez esse seja o problema. — %Alice% se recostou na cadeira, cruzando os braços com um movimento lento.
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  — Você tá se afastando.
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  — E você tá percebendo só agora?
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  Ela me encarou por alguns segundos. A tensão era palpável, mas nenhum de nós cedia.
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  Antes que qualquer resposta pudesse ser dita, a porta se abriu. Dois gerentes da equipe de mídia entraram conversando, seguidos por mais três executivos. A sala se encheu rapidamente de vozes, papéis sendo abertos, cumprimentos formais.
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  %Alice% retomou o controle na mesma hora. Virou para o projetor, pegou o controle, e adotou o tom firme de sempre:
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  — Boa tarde. Vamos dar início. Temos muitos pontos para tratar e pouco tempo.
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  E ali estava ela. Impecável. Inatingível.
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  Eu apenas me recostei na cadeira e respirei fundo, lembrando que essa seria, com sorte, uma das últimas reuniões ao lado dela.
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  Mas enquanto %Alice% explicava os gráficos com frieza cirúrgica, seus olhos, de tempos em tempos, ainda encontravam os meus. Rápidos. Silenciosos. Quase como uma pergunta muda: "É isso mesmo, %Arthur%?"
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  E eu não tinha certeza da resposta.
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  Naquela noite, em casa, Clara estava na cozinha, esparramada com o notebook aberto e um caderno cheio de anotações espalhadas pela mesa. A luz suave do abajur iluminava os rabiscos apressados e as fórmulas que se acumulavam nas páginas. Havia uma caneca de chá ao lado dela, e seus fones de ouvido estavam conectados ao celular, com uma playlist instrumental tocando baixinho ao fundo.
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  Ela mordiscava o fim de uma caneta, o cenho levemente franzido, enquanto fazia anotações rápidas. O som da porta se abrindo chamou sua atenção, e ela levantou o olhar, sorrindo ao me ver.
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  — Finalmente em casa cedo, hein? Não estou acostumada. — Ela riu, apoiando a caneca na mesa.
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  Deixei minha mochila sobre uma das cadeiras e me estiquei, sentindo o cansaço pesar nos ombros.
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  — Pois é. Um dia de folga do inferno corporativo. — Clara balançou a cabeça, mas ainda sorria.
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  — Por falar nisso, você precisa ouvir essa: o Marcos hoje me mandou mensagem no meio da aula pra perguntar se eu queria sair no fim de semana. — Minha sobrancelha arqueou automaticamente.
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  — Marcos, hein? Parece que ele está tentando impressionar.
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  Ela riu, mas desviou o olhar para o caderno, passando os dedos sobre a lateral da página.
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  — É, parece. Ele até disse que escolheu um lugar diferente dessa vez, já que da primeira vez a gente só ficou conversando na lanchonete da faculdade. — Me sentei à frente dela, cruzando os braços sobre a mesa.
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  — E vocês conversaram sobre o quê naquele primeiro encontro?
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  — Engenharia, claro. — Ela revirou os olhos, brincando. — Mas também falamos sobre filmes, família, e… ele até me perguntou sobre os meus projetos para depois da faculdade. Ele é bem focado, sabe? Quer estagiar numa empresa grande antes de se formar.
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  — E você? Tá curtindo a ideia de um segundo encontro? — Clara suspirou e deu de ombros, mas o sorriso no canto dos lábios a entregava.
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  — Talvez. Ele é legal, sabe? Tem um jeito meio tranquilo, meio nerd, mas eu gosto disso. E também não forçou nada. — Fingi uma expressão séria.
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  — Você quer dizer que ele ainda não tentou te beijar? — Ela riu e jogou a tampa da caneta em mim.
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  — Ainda não. Mas também, foi só um primeiro encontro. Ele respeitou meu tempo, e eu achei isso legal.
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  — Ponto positivo pra ele.
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  — Pois é. — Clara girou a caneca entre os dedos, pensativa. — Acho que esse encontro vai ser um bom teste. Quero ver se a gente realmente tem química ou se só funciona na teoria. — Cruzei os braços e a encarei com curiosidade.
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  — E se ele tentar te beijar dessa vez? — Ela hesitou por um segundo, mas então sorriu.
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  — Talvez eu deixe.
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  E, pelo brilho nos olhos dela, eu soube que Marcos estava, no mínimo, indo pelo caminho certo.
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  — E você? Que cara é essa? Isso tem a ver com a %Alice%? — Clara perguntou, me observando com aquela precisão que só ela tinha.
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  A menção do nome dela me fez congelar por um segundo. Suspirei, sabendo que não adiantava fingir. Com a Clara, nunca adiantava.
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  — Na verdade… pedi pra voltar pro meu antigo setor. — falei, a voz mais baixa do que eu esperava, como se só de dizer em voz alta aquilo se tornasse real.
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  Clara arregalou os olhos, surpresa.
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  — Sério? — Apoiei os cotovelos na mesa, escondendo o rosto nas mãos antes de encará-la de novo.
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  — Tá insuportável, Clara. Trabalhar com a %Alice%… eu não tô conseguindo mais. Não é nem sobre o cargo, nem sobre as tarefas. É ela. É estar do lado dela fingindo que não sinto nada. Que não tem nada. E tem. — engoli seco, o peso daquilo me atravessando. — Me envolvi de verdade. E agora, toda vez que entro naquela sala, parece que tô sufocando.
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  O rosto da minha irmã suavizou na hora. Ela empurrou o caderno pra longe, o olhar agora totalmente em mim.
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  — %Arthur%...
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  — Eu precisava sair antes que isso me destrua. — continuei. — Esse sentimento no peito não dá trégua. Tá me tirando do eixo.
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  — Você fez certo em pedir pra sair. — disse com firmeza. — E o Rodrigo? Como foi a conversa?
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  — Foi honesto. Disse que ainda não tem ninguém no meu lugar. Vai tentar me trazer de volta, disse que vai apertar um pouco a %Alice% pra decidir logo essa substituição. Não prometeu nada, mas… só de ter ido lá, sabe? De ter falado com ele, pisado naquele setor de novo... foi como puxar a cabeça pra fora d’água depois de muito tempo embaixo.
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  — Você nunca devia ter saído de lá pra começo de conversa. — Clara comentou, balançando a cabeça com leveza. — Mas você não teve muita escolha.
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  Assenti, soltando um suspiro que parecia vir lá do fundo.
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  — E mais do que isso... eu acho que preciso repensar tudo. Hoje encontrei uns rascunhos antigos. Meus desenhos. Faz quanto tempo que eu não sento pra ilustrar de verdade? Deixei meu hobby de lado como se não significasse nada, e ele sempre foi uma parte enorme de mim.
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  Clara abriu um sorriso, aquele que dizia “eu avisei”, mas sem o tom de cobrança.
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  — Finalmente! Achei que ia ter que fazer uma intervenção oficial sobre isso.
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  — Eu sabia que você ia usar isso contra mim. — brinquei, sentindo a tensão ceder um pouco.
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  — E com razão. — Ela riu. — Você tem talento, %Arthur%. E mais do que isso: você tem amor pelo que faz. Se não for agora, quando vai ser?
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  Fiquei em silêncio por um instante, absorvendo aquelas palavras.
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  Clara se levantou, indo até o fogão com a panela na mão, provavelmente para fazer o tradicional miojo de fim de noite. Me lançou um olhar por cima do ombro, meio provocador, meio carinhoso.
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  — Quando esse caos passar, você vai sair dele mais você. E ninguém merece passar a vida tentando ser o que não é.
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  Sorri, deixando o cansaço escorrer dos ombros aos poucos. Estar ali, com ela, ouvindo sua voz, sentindo aquela paz silenciosa que a Clara sempre soube trazer... era como recuperar uma parte de mim que eu nem sabia que tinha perdido.
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  E, de alguma forma, isso era o bastante. Por agora.
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  Na manhã seguinte, o clima no escritório estava estranho. Talvez fosse só coisa da minha cabeça, ou o peso do que eu vinha tentando carregar sozinho. Mas bastou %Alice% abrir a porta da sala dela com força para eu saber que não era só impressão.
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  — %Arthur%. Sala. Agora. — A voz dela cortou o ar como uma lâmina.
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  Todo mundo se virou. Inclusive meus colegas mais próximos, que estavam por perto. Marcel me lançou um olhar de pena mal disfarçado.
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  — Eita, lá vai ele pro corredor da morte. — murmurou em tom de brincadeira.
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  — Foi bom te conhecer, campeão. — completou Anelise, com uma risadinha.
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  — Vocês dois são péssimos. — respondi, tentando parecer mais tranquilo do que realmente estava enquanto me levantava.
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  Caminhei até a sala dela, sentindo cada passo como se tivesse chumbo nas pernas. Quando entrei, %Alice% já estava de pé, os braços cruzados, o rosto tenso. Ela fechou a porta com mais força do que o necessário.
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  — Quer me explicar o que está acontecendo? — disparou. — Eu fiquei sabendo pela diretoria, %Arthur%. Que você pediu pra sair. Que foi até o Rodrigo pra tentar voltar pro seu antigo setor. E que, por causa disso, estão me pressionando pra decidir logo sobre a maldita contratação da secretária.
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  Eu não respondi de imediato. Minha respiração acelerou, e minhas mãos se fecharam em punhos ao lado do corpo.
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  — Você não ia me contar? Ia sair assim? Fingir que nada aconteceu?
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  — O que você queria que eu dissesse, %Alice%? — explodi, a voz saindo mais alta do que eu pretendia. — Que trabalhar ao seu lado tem sido um inferno? Que eu acordo todo dia com a sensação de estar prestes a explodir porque a gente finge que nada tá acontecendo, quando tudo entre a gente mudou?
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  Ela arqueou as sobrancelhas, surpresa, mas não recuou.
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  — Você acha que só você está sendo afetado, %Arthur%? Você acha que é fácil pra mim também?
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  — Não, eu acho que pra você é mais conveniente fingir que isso aqui não tem consequências. Que pode me querer à noite e me ignorar de dia como se eu fosse só... parte da mobília do seu escritório!
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  %Alice% se aproximou, o rosto vermelho, os olhos faiscando.
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  — Eu nunca te tratei como parte da mobília!
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  — Não? Então o que foi aquilo? As entrevistas sabotadas? A sua frieza depois que a porra da foto vazou? E o que você disse na reunião com os diretores, hein? Eu ouvi, %Alice%. Eu ouvi você falando com todas as letras: "A ideia de você estar envolvida com um funcionário era absurda. Que você nunca faria algo assim."
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  Ela empalideceu levemente, mas manteve a postura.
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  — Eu disse aquilo porque precisava. Eu estava sendo pressionada. A última coisa que eu queria era envolver você nisso.
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  — Envolver? — dei uma risada amarga. — Você já me envolveu! Droga! Cada vez que me puxou pra sua casa. Cada vez que me olhava daquele jeito no meio do expediente. Você me jogou nesse furacão e agora quer fingir que foi só vento?
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  Ela bufou, os olhos faiscando de raiva.
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  — E você queria o quê? Que eu saísse gritando pros quatro cantos do prédio que estou transando com meu secretário? Que colocasse minha reputação na linha porque você não sabe separar as coisas?
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  — Não, %Alice%! Eu queria que você fosse honesta. Comigo. Com você mesma! Eu não sou um brinquedo que você usa pra aliviar o estresse e depois empurra pra baixo da mesa quando alguém entra na sala!
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  — Você acha que é isso? Que eu tô brincando com você? — a voz dela falhou por um segundo, e ela engoliu em seco. — Eu tô tentando manter tudo de pé! O meu cargo, a minha reputação, e você... você se recusa a entender o que tá em jogo!
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  — Eu entendo perfeitamente o que tá em jogo. E quer saber? Eu tô cansado de ser o segredo sujo que você esconde. Cansado de sentir que, no fim do dia, tudo isso só importa quando te convém.
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  — Então por que você continua aqui?
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  — Porque eu me apaixonei por você, %Alice%! — gritei, o silêncio da sala sendo quebrado como um copo ao chão. — E isso foi o meu maior erro.
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  O silêncio que se instalou depois disso foi ensurdecedor. Os olhos dela brilharam com algo que eu não soube decifrar. Raiva? Tristeza? Medo?
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  Ela me encarou por um segundo que pareceu eterno, e então avançou.
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  Ela me puxou pela gravata com força, num gesto carregado de urgência e algo mais fundo — como se estivesse se agarrando à última chance de fazer tudo parar de desmoronar. E então me beijou. Não foi apenas um toque de lábios. Foi um mergulho. Um colapso. Um beijo bruto, desesperado, faminto. Um beijo que falava tudo o que ela não tinha coragem de dizer em voz alta: o medo de me perder, a raiva de sentir demais, o desejo que a corroía e que ela não sabia como controlar.
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  Seu corpo se colou ao meu como se buscasse abrigo, mas havia uma guerra dentro daquele abraço. Era um beijo carregado de dor e necessidade, de frustração e de confissão. Um beijo que queimava por dentro e deixava marcas que não se enxergam com os olhos — mas que ficam.
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  E eu cedi. Cedi porque era ela. Porque, mesmo em meio à raiva, à mágoa e ao caos, havia uma parte de mim que ainda era só dela. Porque meu corpo a reconhecia como lar e meu coração, mesmo machucado, ainda batia mais forte quando sentia a respiração dela contra a minha.
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  Mas, mais do que tudo, cedi porque naquele beijo havia verdade. Uma verdade crua, ferida, confusa — mas inegável. E, mesmo que as palavras fugissem, aquele beijo dizia: nós não somos mais os mesmos depois disso.
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  Mas então a realidade me atingiu com força, como um balde de água fria no meio do incêndio. Afastei-me, minhas mãos nos ombros dela, empurrando-a com suavidade — não por falta de vontade, mas como quem tenta resistir ao próprio vício. Estava ofegante, os lábios ainda trêmulos, tentando desesperadamente recuperar o fôlego… e a razão.
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  %Alice% me encarava com os olhos arregalados, a respiração falha, como se também estivesse tentando entender por que tinha feito aquilo. Mas a verdade era que eu já sabia. E, mesmo assim, não podia mais continuar.
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  — Isso não conserta nada, %Alice%. — falei baixo, mas firme. — Isso só… bagunça ainda mais.
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  Ela abriu a boca, pronta para dizer algo, mas eu ergui a mão, num gesto que pedia silêncio — ou talvez só proteção.
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  — Eu pedi minha transferência. E espero que você aprove logo. Porque, se tem uma coisa que aprendi nessa confusão toda… — engoli em seco, sentindo o peso das palavras — é que ninguém merece ser o rascunho da história de alguém.
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  Virei de costas e abri a porta da sala. Saí sem olhar para trás. E, pela primeira vez desde que tudo começou, senti que estava fazendo algo por mim. Que estava, enfim, escolhendo sair antes de me perder de vez.
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  Voltei para minha mesa com o rosto fechado e passos firmes, o tipo de expressão que até os mais curiosos sabiam não ser o momento certo para brincar. A sala caiu em um silêncio disfarçado, daqueles onde todo mundo continua trabalhando, mas com o olho no relógio e o ouvido atento.
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  Tereza, que digitava feito louca do outro lado da divisória, chegou a erguer os olhos, mas desviou imediatamente quando percebeu meu humor. Marcel e Anelise trocaram olhares rápidos, como quem queria comentar, mas decidiu não arriscar. Ninguém teve coragem de perguntar nada, mas dava pra sentir a curiosidade no ar. Um burburinho silencioso, abafado pela tensão que eu carregava no corpo inteiro.
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  Me joguei na cadeira, soltei um suspiro longo e comecei a responder e-mails como se a tela fosse a única coisa que me mantivesse em pé.
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  Foi quando a recepcionista avisou no grupo interno:
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  Recepção: A Rafa Kalimann chegou. Está subindo.
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  Levantei os olhos do monitor. Claro. A reunião. Como se eu já não estivesse num estado mental suficientemente fragmentado.
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  Poucos minutos depois, Rafa surgiu no corredor com sua presença imponente e aquele sorriso carismático que ela parecia carregar sempre, como se fosse imune à pressão de qualquer ambiente corporativo. Estava impecável, como de costume, e andava com a segurança de quem sabia exatamente o impacto que causava.
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  — Bom dia! — disse, animada, cumprimentando os funcionários com um aceno leve antes de se aproximar da minha mesa. — %Arthur%?
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  Levantei de imediato, engolindo a irritação que ainda fervia no fundo da garganta.
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  — Sim, Rafa. Seja bem-vinda. %Alice% a espera na sala de reuniões.
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  Ela sorriu, mas me analisou por um segundo a mais do que o necessário. Aqueles olhos sabiam ler entrelinhas.
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  — Obrigada, querido. E você… está bem? — Assenti com um sorriso mecânico.
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  — Tudo certo. Vou acompanhá-la até lá.
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  Enquanto caminhávamos juntos até a sala de reuniões, senti o peso da manhã inteira ainda colado em mim. Mas, por fora, meu rosto era neutro, profissional. Como sempre. Porque, mesmo despedaçado por dentro, o mundo lá fora não espera a gente juntar os cacos.
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  E, naquele dia, eu só precisava aguentar mais um pouco.
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  Nota da autora: Já passamos da metade da história, acredita? O surto tá ficando cada vez mais gostoso! Eu AMO ler o que vocês estão achando, então não parem de comentar, tá bem? Sério, cada reação de vocês alimenta a autora aqui mais do que café e playlist de romance proibido.
  Sobre o capítulo de hoje: Arthur tentando fugir da Alice como se ela não fosse simplesmente A CEO DA PORRA TODA™️! 🫠 Mas será que dá pra escapar quando o destino (e o RH) conspiram contra você?
  As consequências vêm aí… e talvez alguns sentimentos mal resolvidos também. 👀
  Beijo enorme, e nos vemos no próximo! ❤️🔥

Capítulo 10
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Betiza

Vou comentar aqui também: Eu to louca para saber o que vai acontecer com o meu protegido daqui para frente! Eu não quero que ele sofraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

Nyx

AAAHHHH eu amei que você veio comentar aqui também🫶🏻
O seu protegido agradece demais esse carinho, viu? Eu também não queria que ele sofresse, mas né… a vida de protagonista apaixonado por chefe difícil não é nada fácil Prometo cuidar do Arthur com muito amor, tá? Mas prepare o coração que ainda vem emoção por aí… obrigada por estar tão presente nessa história, de verdade 💜

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