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Segredo de Escritório

Escrita porNyx
Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 1 • Bem-vindo ao Inferno Corporativo

Tempo estimado de leitura: 18 minutos

  O primeiro dia de trabalho é sempre um teste de fogo, mas o meu parecia ter sido projetado para quebrar qualquer recorde de caos logo nas primeiras horas. A recepcionista Bianca — como dizia seu crachá — me lançou um olhar misto de pena e curiosidade enquanto eu esperava pelo elevador.
  — Primeiro dia? — ela perguntou, como se não fosse óbvio.
  — Sim. Alguma dica? — tentei soar descontraído, mas meu nervosismo vazava em cada palavra.
  — Boa sorte, é o que posso dizer. — E riu, como se eu fosse o protagonista de uma comédia de erros que ela já assistira muitas vezes.
  O elevador chegou com um ding que parecia mais alto do que deveria ser, ou talvez fosse apenas meu coração disparado ecoando em meus ouvidos. Quando as portas se abriram no andar da presidência, a atmosfera mudou completamente. O silêncio era tão absoluto que eu podia ouvir o som dos meus sapatos contra o chão impecável de mármore.
  Uma assistente com um sorriso forçado me conduziu até a sala principal, onde ela aguardava. Minha nova chefe.
  O escritório dela era uma obra de arte do design minimalista e luxuoso. As paredes eram de um branco impecável, interrompidas apenas por prateleiras embutidas que exibiam livros de negócios, prêmios e algumas poucas esculturas modernas. A mesa dela, feita de vidro e aço escovado, estava impecavelmente organizada, com um notebook prateado no centro e uma caneta de tinta preta estrategicamente posicionada ao lado. Atrás dela, enormes janelas iam do chão ao teto, oferecendo uma vista espetacular da cidade, com prédios que pareciam competir em altura com o céu. O contraste entre a vista vibrante e o ambiente frio do escritório deixava claro que aquela sala era feita para impressionar e intimidar.
  Uma mulher estava sentada em uma cadeira que parecia mais um trono de couro preto. A luz que atravessava as janelas enormes dava à sala um ar teatral, destacando seus traços impecáveis. Ela tinha um semblante firme, os cabelos presos em um coque elegante e uma postura que exalava autoconfiança. Por um momento, enquanto tentava processar toda a cena, não pude evitar pensar: "Incrível como ela é bonita." Era o tipo de beleza que intimidava, algo que combinava perfeitamente com o ambiente frio e calculado daquele escritório. Seu olhar atravessou o espaço até mim com a precisão de uma flecha. Eu não precisava de apresentações para saber que aquela era a CEO da Domus Enterprises, %Alice% %Dias%.
  — Então você é o substituto improvisado, é isso? — ela perguntou, sem levantar os olhos da tela do computador.
  — Sim, senhora. Quero dizer, sim, sou eu. — Eu odiava o som da minha voz naquele momento.
  — Não me chame de senhora. Parece que estou contratando um mordomo. Me chame de... Srta. %Dias%. — Ela finalmente olhou para mim, com uma expressão que misturava impaciência e curiosidade. — Qual é o seu nome mesmo?
  — %Arthur%.
  — %Arthur%. Certo. Vamos ver se você dura mais que o último. — E com isso, ela voltou sua atenção para o computador, claramente me dispensando.
  Os minutos seguintes foram um borrão de ordens rápidas e instruções confusas.
  — Quero que você pegue a planilha de desempenho da equipe de vendas. Ela está na pasta compartilhada e, por favor, me diga que você sabe usar o sistema interno.
  — Sim, claro! — Respondi, mesmo não tendo a menor ideia do que era "pasta compartilhada" naquele contexto.
  — Depois, ligue para o fornecedor da campanha de mídia e pergunte por que a apresentação de layouts ainda não foi enviada. Você consegue fazer isso em 15 minutos? Porque eu preciso disso antes da próxima reunião.
  Eu apenas assenti freneticamente enquanto anotava as instruções em um bloco de notas improvisado — uma folha sulfite que eu encontrei em cima da mesa.
  — Ah, e café. Forte, sem açúcar. Você vai encontrar a cafeteira na sala ao lado, mas não demore. E nada de café frio.
  Antes que pudesse responder, ela continuou:
  — Aproveite e imprima as notas da última reunião com o comitê financeiro. Estão no meu e-mail, enviei para você agora. Você sabe usar o e-mail corporativo, né? Se não souber, bem… aprenda rápido.
  Enquanto corria para cumprir a lista interminável, percebi que ela nem sequer esperava confirmação de que eu entendera tudo. Era como se minha presença fosse algo tão automático quanto um aplicativo respondendo a comandos. Entre idas e vindas, os detalhes da minha missão pareciam aumentar a cada passo.
  Primeiro, o café. A sala de café, escondida em um canto pouco iluminado, parecia um labirinto para alguém que estava ali pela primeira vez. O café era forte demais e o copo tremia na minha mão enquanto eu voltava para entregá-lo. Ao colocá-lo à mesa dela, ela sequer olhou para cima.
  — Finalmente. Agora me explique por que ainda não ligou para o fornecedor?
  — Já estou fazendo isso — menti, enquanto abria o meu notebook em uma mesa improvisada na sala dela, se é que aquilo poderia ser chamado de mesa. Eu estava mesmo ferrado nesse trabalho.
  Quando consegui acessar o sistema, percebi que as planilhas que ela mencionou estavam em uma pasta que exigia permissões que eu não tinha. A chamei para perguntar, mas ela levantou uma sobrancelha e apenas apontou para o telefone.
  — Resolva. Se precisar de permissão, fale com TI. E não venha me perguntar sobre coisas que você deveria saber resolver sozinho.
  Eu me senti como uma criança sendo repreendida pela professora e voltei correndo para o telefone. Ligar para o fornecedor foi outro desafio. Eles não atendiam, e quando finalmente consegui falar, a pessoa do outro lado parecia não ter a menor ideia do que era a apresentação que ela mencionara. Enquanto tentava esclarecer, senti o olhar dela atravessando meu crânio.
  — Alguma novidade? — ela perguntou, cruzando os braços.
  — Eles estão verificando — respondi, sem mencionar o fato de que ainda não sabiam do que eu estava falando.
  Ao final da tarde, minha folha sulfite improvisada parecia uma zona de guerra. Havia setas, palavras rabiscadas e lembretes de coisas que eu provavelmente não entenderia mais tarde. Quando finalizei a impressão das notas do comitê financeiro e as entreguei, ela pegou os papéis, folheou por dois segundos e disse:
  — Você imprimiu isso em preto e branco? Da próxima vez, quero em cores. Estamos em 2025, %Arthur%. Não em 1998.
  Assenti, sem energia para discutir que ninguém havia me dito nada sobre isso. Quando finalmente me sentei para respirar, ela me chamou, de novo.
  — Preciso que você me envie por e-mail um resumo das notas para o time de marketing. Mas revise antes. Não vou tolerar erros.
  No fim do dia, percebi que não tinha comido nada e que minha energia estava no limite. Cada vez que eu pensava em ir comer, ou pensava em ir ao banheiro, sentia como se fosse avaliado em uma escala invisível de competência. Era oficial: eu não passava de mais um peão no xadrez dela. Necessário, mas facilmente substituível.

💻👠

  Minha casa era um pequeno apartamento no terceiro andar de um prédio antigo, mas bem cuidado. O prédio tinha um charme peculiar: as janelas tinham caixilhos de madeira pintados de branco, e a entrada era decorada com plantas em vasos de barro, cortesia dos vizinhos do térreo. Subir as escadas era quase um ritual. Os degraus rangiam a cada passo, lembrando-me do peso do dia que eu carregava.
  As paredes do corredor de entrada do meu apartamento estavam decoradas com alguns dos meus desenhos, emoldurados de forma improvisada. Eram retratos que eu fazia para passar o tempo, misturando pessoas imaginárias e paisagens surreais. Clara dizia que isso fazia o lugar parecer mais nosso, menos um aluguel genérico. Sempre tive vontade de seguir no ramo da ilustração, mas nunca pude devido a fatores financeiros, então havia se tornado um hobby para mim. Quem sabe um dia eu possa me dedicar mais a isso?
  A sala de estar, embora pequena, era aconchegante, com um sofá cinza que eu comprei em uma promoção e uma mesinha de centro cheia de livros e HQs, equilibrando o caos com algum charme. A TV, que ocupava boa parte da parede oposta, era provavelmente o item mais moderno do apartamento. Clara tinha insistido que era um investimento para nosso “tempo de qualidade”, embora ela passasse mais tempo maratonando séries do que eu.
  Em casa havia sempre um cheiro de café misturado com a lavanda do aromatizador que minha irmã insistia em comprar. Clara dizia que o cheiro tornava o ambiente mais acolhedor. Eu achava que era uma forma de esconder o odor persistente do tapete velho que não importava quantas vezes fosse lavado, parecia nunca mudar.
  Clara e eu vivíamos sozinhos em São Paulo. Ela havia passado no vestibular e, sem pensar duas vezes, abri as portas do meu apartamento para acolhê-la. Enquanto isso, nossos pais continuavam morando no interior do Tocantins, distantes da correria e das luzes da cidade grande.
  Joguei minha mochila no chão da sala assim que entrei e me sentei no sofá como se fosse um sobrevivente de um apocalipse corporativo. Minha irmã mais nova apareceu na porta da cozinha com um saco de pipoca na mão e uma expressão confusa no rosto.
  — Você parece que foi atropelado por um caminhão. Tudo bem? — perguntou, jogando um grão de pipoca na boca.
  — Não, Clara. Definitivamente não. — Suspirei e fechei os olhos. — Primeiro dia de trabalho e eu já quero pedir demissão.
  Ela riu e se sentou ao meu lado, empurrando o saco de pipoca para mim.
  — O que aconteceu?
  — A chefe. Ela é… infernal. Um demônio em salto alto. Eu mal entrei na sala e ela já estava me jogando uma lista infinita de tarefas. E o pior é que ela não explica nada. Só manda. E se você não adivinha o que ela quer, é tratado como idiota.
  Clara arregalou os olhos, pegou mais um punhado de pipoca e respondeu:
  — Parece até cena de filme. Mas você conseguiu fazer tudo?
  — Na verdade, não. Quase tudo deu errado. Café errado, impressão errada, telefonema perdido… Eu me senti como um extra em um filme de desastre.
  Ela me deu um tapinha no braço, tentando me animar.
  — Relaxa, %Arthur%. Amanhã vai ser melhor. Talvez ela só estivesse testando você.
  — Testando minha sanidade, isso sim.
  — %Arthur%, pensamento positivo, hum? E como ela é? Tem quantos anos? Fiquei curiosa.
  — Ela é uma mulher bonita, isso é... evidente. — As palavras escaparam antes que eu pudesse me conter, e Clara imediatamente levantou uma sobrancelha, me encarando com aquele olhar que só ela sabia dar.
  — Bonita? Isso foi muito mais informação do que eu esperava. — Ela se inclinou na poltrona, claramente esperando mais. — Anda, me conta mais. Eu sei que tem algo aí.
  Suspirei, percebendo que não conseguiria escapar.
  — %Alice% %Dias% tem cerca de trinta e dois anos. Ela é inteligente, exigente, e dá para ver que a pressão que ela coloca nos outros é a mesma que ela coloca em si mesma.
  — Trinta e dois? — Clara arregalou os olhos. — Relativamente nova para ser CEO de uma grande empresa. E só cinco anos mais velha que você! Isso não te intimida nem um pouco?
  — Clara, ela intimida qualquer pessoa. Mas não é a idade, é a presença dela. Quando ela entra na sala, parece que o ar simplesmente muda.
  Clara deu um sorriso debochado, claramente se divertindo com a minha descrição.
  — Então, ela é tipo uma vilã de filme, só que muito gata?
  — Não ajuda. — Revirei os olhos. Clara soltou uma gargalhada e se ajeitou no sofá. Depois de uma pausa, ela mudou de assunto, talvez percebendo que eu precisava de um respiro.
  — Você acha que seu dia foi ruim? Meu professor de cálculo hoje resolveu passar um monte de exercício de revisão, como se não bastasse a quantidade de trabalho que eu já tenho. Sério, ele só pode estar de implicância.
  Eu ri, balançando a cabeça. Clara cursava engenharia, então matemática fazia parte de sua rotina.
  — Você sempre acha que os professores estão de implicância.
  — Porque eles estão! — Ela deu um sorriso irônico. — Mas olha, nem tudo foi péssimo. Eu acho que estou me apaixonando pelo Marcos.
  Aquilo me pegou de surpresa.
  — O Marcos? Aquele do seu grupo de estudo? Achei que vocês eram só amigos.
  — É, mas ele é tão atencioso, sabe? E tem umas conversas que… Sei lá, acho que ele gosta de mim também. — Ela desviou o olhar, como quem não queria admitir muito mais.
  — Então vai em frente. Só tome cuidado para ele não te distrair tanto que você acabe errando as contas no cálculo.
  — Pode deixar… Aliás, você falando de romance… E ai, ainda solteiro?
  — Por escolha. Acredite, é melhor assim. Um relacionamento agora só ia complicar minha vida. Quer dizer, ainda estou vendo a Amanda de vez em quando, mas não é nada sério. Ela entende que não quero compromisso.
  Clara arqueou uma sobrancelha, claramente intrigada.
  — Amanda? Essa é nova. E ela tá ok com isso?
  — Sim, tá tudo tranquilo. A gente sai, se diverte, mas sem pressão. É algo casual, e eu gosto assim por enquanto.
  Clara balançou a cabeça, rindo levemente.
  — Você é inacreditável, %Arthur%. Mas, se isso funciona pra vocês dois, quem sou eu pra julgar?
  Ela me deu um olhar cético, como se não acreditasse muito na minha desculpa, mas não insistiu.
  — Bom, se você vai continuar nessa vida de solteiro convicto, pelo menos me ajuda a escolher um filme. Hoje eu quero comédia.
  Acabamos assistindo a um filme que, honestamente, nem consegui prestar atenção. Mas só o fato de estar em casa, ouvindo Clara falar sobre seus dramas da faculdade e suas paixões, já era um alívio depois daquele caos corporativo. No final das contas, a noite foi menos sobre o filme e mais sobre relembrar que, apesar de tudo, ainda havia um mundo fora daquele escritório.
  Quando já estava quase pegando no sono no sofá, o som do meu celular vibrou na mesa de centro. Estiquei o braço, ainda relutante, e olhei o número: desconhecido. Suspirei, já prevendo que aquilo não seria coisa boa, mas atendi.
  — %Arthur% falando.
  — Preciso de você. Agora. — A voz autoritária da Srta. %Dias% veio direto ao ponto, cortando qualquer ideia de que poderia ser uma chamada rápida.
  Sentei-me imediatamente, agora completamente acordado. Como aquela mulher descobriu tão rápido meu celular?
  — Ah, olá, Srta. %Dias%. O que aconteceu? — tentei soar profissional, mesmo que minha voz ainda estivesse arrastada de sono.
  — Preciso que você revise e envie o e-mail com o relatório de marketing que pedi. Algo tão simples não deveria demorar o dia inteiro, mas, aparentemente, você esqueceu. — Ela fez uma pausa curta, o suficiente para eu começar a formular uma resposta. — Ou talvez tenha achado que poderia deixá-lo para amanhã.
  — Não, claro que não! Eu já estou com tudo pronto. Só… vou conferir uma última vez para garantir. — Levantei-me e comecei a procurar meu notebook pela sala, tropeçando em minha própria mochila no processo.
  — Ótimo. Espero isso na minha caixa de entrada em quinze minutos. — E, antes que eu pudesse responder, ela desligou.
  Clara, que havia observado toda a cena com uma sobrancelha levantada, deixou escapar uma risada.
  — Era sua chefe, não é? A "demônio em salto alto"?
  — Ela mesma. — Respondi, ainda buscando o notebook entre os travesseiros do sofá. — Parece que minha paz foi oficialmente cancelada.
  Clara jogou um travesseiro em mim.
  — Boa sorte, irmão. Parece que você vai precisar de mais do que quinze minutos para sobreviver nesse emprego.
  Enquanto conectava o notebook e abria o e-mail, não pude evitar pensar em como ela parecia dominar até mesmo o meu tempo em casa. Era só o primeiro dia, mas, de alguma forma, a Srta. %Dias% já havia invadido minha vida de um jeito que eu não conseguia ignorar.


  Nota da autora: Me aventurei nesse projeto chamado Adote uma Ideia do EC, e vamos ver no que isso vai dar hahaha. Conto com vocês me contando o que estão achando, viu? Beijos <3

Capítulo 1
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Natashia Kitamura

Ela é uma demônia mesmo, hahaha! Tem que bancar essa crueldade toda sendo maravilhosa.
Mas acho que esse é o tipo de pessoa workaholic, que não tem limite e não determina o que é pessoal e o que é profissional, já que aparentemente ela não tem uma vida pessoal kkkkk
Animada para saber como isso vai se desenvolver! Tomara que o jogo vire e ele faça ela ficar caidinha por ele!

Nyx

Hahahha sim, bem demônia mesmo! Exatamente, e a bicha é hahah!
Ela não tem, e acha que o pobre não deve ter também hahhaah, coitado!
Eita, será que vem aí? Veremos hahah. Obrigada pelo comentário, Nat! ❤️❤️

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