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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 7

  Os seis meses seguintes foram classificados facilmente como de interminável suplício por Sebastian ao se recolher em seus aposentos particulares para o devido descanso após as atividades diurnas – geralmente era o horário quando costumava refletir sobre as infelizes mudanças no comportamento de Damon.
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  O rapaz se afastou quase completamente. Os encontros noturnos cessaram, não existiam mais os beijos, as conversas mais profundas desapareceram e poucas eram as vezes que conseguiam, pelo menos, darem as mãos.
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  As ocasiões eram raras.
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  Geralmente aconteciam ao cruzarem o mesmo caminho pelo corredor. Os toques demoravam meros segundos com os corações em disparada pela expectativa. Ensaiavam um entrelaçar de dedos débil, como se desfrutassem do momento para se transportarem para as noites passadas trancados no escritório ou quando, pela primeira vez, Damon foi capaz de sentir prazer sob o corpo do escravo, quem o beijava e o abraçava durante a lasciva união até, finalmente, atingirem o delicioso ápice.
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  Também aproveitava para se colocar ao lado dele caso observasse os diversos quadros espalhados pela casa.
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  Como o rapaz não se afastava, permanecia parado sem se deslocar. Agia quase como se não notasse a sua presença. Em contrapartida, os sinais corporais demonstravam a agitação. Passava a engolir em seco, mordiscar o interior das bochechas e crispar os lábios em frequência surpreendentemente alta. Os músculos enrijeciam de súbito por ouvi-lo se aproximar a passos lentos.
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  Como o silêncio se mantinha, sabia a identidade da pessoa quem insistia em invadir o espaço para lhe acompanhar – mesmo sem a solicitação ou o anúncio necessário.
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  Como o dono da fazenda não fazia nenhuma movimentação para se distanciar ou se retirar, ousava se achegar centímetro por centímetro, ignorando quanto tempo passasse até, finalmente, estar tão perto ao ponto das costas das mãos se tocarem em virtude das movimentações sutis por parte do escravo.
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  Enxergava o conflito interior nas feições delicadas cuja máscara da frieza as endurecia. Porém, à medida em que os segundos corriam enquanto Sebastian buscava algum tipo de contato físico, por mais efêmero e superficial que fosse, ela se desfazia em transformação singular.
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  Ao invés da imagem de homem insensível como os demais sulistas da região, surgia seu verdadeiro estado de espírito – um ser humano angustiado quem lidava com as consequências das próprias escolhas errôneas e se recusava a se resignar com a sua essência mais delicada ao fugir dela como se fosse terrível doença capaz de matá-lo.
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  O fato de não o expulsar ou não ir embora na presença de Sebastian deixava claro como o queria ali, mesmo se não verbalizasse. O apreciava mesmo se não trocassem palavras e o silêncio se mantivesse – silêncio esse cuja quebra acontecia sempre da mesma maneira.
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  O mordomo se arriscava. Esticava a destra até alcançar a dele, o observando atentamente ou simplesmente fixando o olhar para o quadro que sequer prestava atenção. Quando encontrava as falanges as buscando com as pontas dos dedos, as acariciava gentilmente, quase como se pedisse permissão para o ato sem comunicar.
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  O rosto era tomado pelo martírio. Não conseguia esconder como cortar aquilo que sequer sabia nomear o abalava em demasia. A falta das interações com o mordomo o afligia de tão descomedidos eram os sentimentos reprimidos no frágil âmago. Havia tristeza, saudade, vergonha de si, rigorosidade nos pensamentos, culpa pelas reuniões noturnas e a que ponto elas chegaram, tentação de dar vazão aos seus instintos e ansiedade por não poder controlar as emoções conflituosas.
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  Ao fechar os olhos para se concentrar nas tênues carícias, quase cedida no ímpeto tão clamado no íntimo. Por fim, para evitar de sucumbir aos reais desejos naturais e incompreendidos sentimentos, se obrigava a sair dali a passos firmes sem encará-lo, o deixando frustrado e decepcionado.
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  Para Damon aquele período foi tão torturante quanto faltar ar nos pulmões durante um afogamento.
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  Renunciar às si sempre custava um preço alto – e cada mísero centavo estava a ponto de lhe arrancar a mínima sanidade restada.
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  Não dormia bem, o corpo estava inquieto, roía as unhas até o sabugo, tirava peles soltas dos lábios nervosamente e mantinha-se mais calado que o normal. Para a infelicidade, ao adormecer, seus sonhos sempre o levavam para os acolhedores braços de Sebastian, a boca quente e os olhos ternos.
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  Lutava segundo pós segundo contra quem era. Os pensamentos eram carregados de autoflagelo pela incapacidade de desaparecer com os anseios. Se julgava, se criticava e repetia compulsivamente que, um dia, acordaria pela manhã sem carecer tanto do contato mais próximo do escravo. Buscava se convencer que os encontros foram um terrível delírio pecaminoso de sua mente e que era necessário resistir – independentemente de quanto isso custasse para a sua saúde.
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  Não havia explicação plausível para as mudanças nele desde quando conheceu o mordomo. Não concebia como conseguiu se despir emocional e fisicamente para um homem. Isso não era certo. Não podia ser certo.
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  Buscou nos escritos bíblicos sobre o assunto – e a resposta o aterrorizou.
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  Temia o que poderia acontecer com suas almas caso prosseguissem e dessem vazão às inclinações totalmente avessas ao conteúdo da Bíblia e das normas de conduta sociais.
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  Portanto, renunciou aos toques mais indecentes – indecentes na sua concepção totalmente equivocada.
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  Apenas não esperava como seria angustiante para o seu coração fragilizado a convivência com Sebastian sob o mesmo teto sem poderem dialogar como antes.
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  Quando Kassandra não estava em casa, o piano costumava ser usado por longos minutos. As melodias escolhidas combinavam com os respectivos estados emocionais.
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  Geralmente aproveitava a oportunidade para se deslocar para o exterior. Se posicionava sob a frondosa árvore metros de distância do cômodo. Ficava lá admirando o escravo discretamente ou simplesmente, quando a visão não era o suficiente, se encostava numa das entradas do aposento. Nesses momentos, por detrás da frieza aparente, caso observassem minuciosamente, notariam como coçava os olhos na tentativa de secar as lágrimas antes delas transbordarem.
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  Os empregados não suportavam tais sons melancólicos com tamanha frequência.
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  Por causa disso, certa vez Mary tacou o cutelo para alertá-lo. Sabia que não o atingiria por mirar a distância correta para evitar de acertá-lo, mas foi o suficiente para interromper o som das teclas e desviar o olhar arregalando as pálpebras.
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  - Ou passa a tocar músicas mais alegres ou faço questão de quebrar esse cutelo na sua cabeça quando se sentar nesse piano novamente.
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  A ameaça serviu para começar a alternar as canções – ora mais alegres, ora mais melancólicas. Quando se deixava levar pelas emoções lamentosas, a cozinheira atravessava o corredor despretensiosamente carregando a ferramenta de trabalho nas mãos para lembrá-lo do combinado imposto por ela. Bastava Sebastian vê-la para se concentrar nas melodias mais alegres.
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  Bianca nunca concordou com o temperamento mais forte de Mary e nem nos seus métodos peculiares, mas a agradeceu pela atitude – assim como os outros empregados da casa.
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  A mudança comportamental de Damon foi drástica.
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  Começou a sair com mais frequência, passar noites fora ou se embebedar. Ia para bordéis e retornava pela manhã completamente alcoolizado nos finais de semana, quando o funcionamento da casa se iniciava em horários mais tardes.
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  Como era comum, Sebastian e Bianca eram os únicos despertos à meia-noite.
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  Nenhum dos dois ia dormir antes da chegada dele.
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  - Anda, Bianca. Vai se descansar.
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  Como andava pela mansão carregando uma lamparina para iluminar o ambiente, a encontrou nas vestes de dormir de cabelos soltos. Sentada na cadeira em frente à mesa, lutava arduamente contra o sono enquanto bebericava na caneca.
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  - Não antes do meu menino chegar. – tampou a mão na boca para bocejar.
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  Deixou a lamparina sobre a mesa de madeira se acomodando na cadeira em posição frontal para dialogarem.
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  - Ele já se comportou dessa maneira antes?
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  - Como assim?
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  - Desde que eu e a Bia viemos para cá nunca apresentou um comportamento meramente parecido. Não conhecia essa faceta dele.
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  - Nem eu. E olha que praticamente o criei.
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  Sebastian tomou a liberdade de beber um pouco do conteúdo da caneca. A careta descontente por descobrir qual era o conteúdo foi inevitável.
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  - Rum? A essa hora? – a largou no lugar onde a pegou.
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  - Tente se manter acordado tomando leite quente ou chá de camomila. – engoliu o último gole antes de prosseguir o assunto – Tenho uma hipótese sobre o seu questionamento.
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  - Qual?
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  - Definitivamente você tem participação significativa nessa mudança. Apenas não sei se você compreende isso. O Damon sempre foi muito comedido e as ações eram igualmente bem pensadas.
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  - Era comedido ou aprisionado para não se expor?
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  Graças à provocação proposital, os olhos, antes sonolentos, tornaram-se subitamente perspicazes. Abriu discreto sorriso vitorioso tamborilando a unha na mesa com ar de aprovação pelo atrevimento.
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  Com sabedoria emanando ao redor, apoiou o cotovelo na mesa esfregando o polegar no anelar.
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  - Por isso ele se encantou. – havia compreensão no condescendente tom amável e perspicácia nos globos oculares – Você não tem vergonha de quem é e é bem resolvido consigo. Impossível não se apaixonar em tais condições.
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  Poderia se inquietar pela mensagem caso não a conhecesse ou não transparecesse admiração nas feições femininas.
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  - Não esboçou surpresa quando nos encontrou dormindo no quarto do Damon. – já que a governanta abordou o assunto de maneira explícita, não achou prudente se referir ao homem em termos tão formais como o título de senhor Smith – Por quê?
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  - Eu sabia.
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  - Sobre ele ou sobre nós dois?
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  Puxou o ar com força antes de prosseguir:
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  - No nascimento de Damon, Meggie, a mãe, acabou morrendo. – Sebastian se perguntou se o pesar demonstrado era pela mulher citada ou pela criança quem ficou sem mãe – Em consequência, acabei o criando. Fui designada, na verdade. Por outro lado, não deixaria um bebê sozinho sem dar nenhum carinho ou amparo. Durante o crescimento, ficou claro para mim como a personalidade dele era mais delicada e doce. Destoava bastante dos homens da região. Aos nove anos o apanhei brincando de chá da tarde com Marie. Me coloquei em frente da porta quase como se fosse um guarda para evitar interrupções ou broncas desnecessárias de adultos que desaprovariam a diversão entre duas crianças por, teoricamente, uma delas, um menino, jamais poder demonstrar inclinações por apreciar brincadeiras femininas por serem direcionados única e exclusivamente para mulheres. Ali descobri o quão diferente era.
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  - E quanto a nós dois?
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  - Percebi no dia quando Kassandra mandou açoitá-lo. Nunca o vi tão violento.
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  - Se incomoda com quem nós somos ou que coloquemos as nossas preferências em prática?
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  - Não. Basicamente me gera preocupação. Toda sociedade conservadora é hipócrita e, consequentemente, perigosa com quem nada contra a maré ou vai contra o modelo considerado como normal ou correto para reproduzir. Estamos inseridos numa sociedade exatamente assim. Eu torço para...
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  Os sons estranhos chamaram a atenção da dupla. De imediato se levantaram e foram para a sala averiguar a origem dos barulhos – o mordomo à frete carregando a lamparina. Ao abrir a porta da sala, se depararam com Dean e Simon sustentando o pequeno corpo de Damon, visivelmente bêbado, cada um o segurando de um lado com os braços atravessando os respectivos pescoços.
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  A carruagem aguardava paciente no chão de terra.
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  - Pelo amor de Deus, abram espaço.
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  Se afastaram a pedido de Simon.
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  Desengonçados, o carregaram em meio a imprecações até o sofá, onde o soltaram com cuidado.
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  - Misericórdia. Não imaginava de ele ser tão pesado. – o loiro massageava o ombro dolorido.
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  - O que aconteceu? – aborrecida, se acomodou ao lado do rapaz para averiguar se estava ferido.
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  - O encontramos caído bêbado num beco. Caso não cantarolasse uma melodia insuportavelmente triste, jamais o teríamos reconhecido e ainda estaria por lá. – Simon contou cruzando os braços.
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  - Bianca, o que está acontecendo com o Damon? – a aflição era palpável – Eu, o Dean e a Marie somos os inconsequentes do grupo. Não ele. Sempre foi comedido.
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  - Comedido até demais, eu diria. – o outro amigo comentou.
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  - Nada. Quando se sentir confortável, irá conversar com vocês. Vão. Precisaremos cuidar dele agora.
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  Antes de atravessar a porta, se despediram dela com abraços onde Dean avisou:
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  - Use da persuasão para ir nos visitar. Nunca é um bom sinal quando ele se distancia assim de nós.
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  A bebedeira foi horrível – assim como a noite.
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  Nos últimos meses se esforçava para ter prazer na companhia das prostitutas das tabernas. Tentava desfrutar de mais sensações intensas nos braços femininos. Entretanto, para o infortúnio do infeliz... Não era a mesma coisa.
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  As excitava com afinco. Buscava se encantar pelas belas curvas, a imagem dos seios, a largura dos quadris, o volume das redondas bundas, nas camadas da área molhada pela excitação entre as pernas e nos gemidos agudos – aqueles eram verdadeiros, ao contrário de quando se deitavam com outros clientes.
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  A persistência hercúlea de nada valia.
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  Com elas era mecânico. Não havia envolvimento de sua parte. Não gemia como quando estava com o escravo, não arfava quando era tocado, a carne não esquentava ao entrelaçar as mãos e não tremia por senti-las se contrair ao invadir incessantemente o seu interior.
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  Buscou diversas mulheres. Altas, baixas, loiras, de cabelo negro, cacheadas, lisas...
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  Desde a de dezenove anos até a de quarenta e sete.
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  E nada.
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  Ele lhes dava prazer, sim.
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  Elas eram incapazes de retribuir igualmente porque desejava experimentar outra forma de amor e prazer – mais especificamente no corpo masculino de voz rouca quem o chamava de amor ou bebê e o apelidou de pequeno.
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  E o fato de o próprio organismo rejeitá-las simplesmente o apavorava.
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  Portanto, após sair do quarto, costumava beber duas ou três garrafas de rum ou qualquer outra bebida alcoólica como meio distorcido de suportar as expectativas frustradas.
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  Logo, ali estava Damon Smith.
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  Sentado na cama, embriagado, de calças, com as botas jogadas no chão e sendo despido por Sebastian.
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  A governanta apenas foi se recolher por tropeçar três vezes seguidas nos próprios pés de tão sonolenta – não sem o moreno repetir que se encarregaria dele.
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  Quando o último botão da camisa branca foi aberto, afastou as palmas de si, o impedindo de deslizar o tecido pela derme.
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  - O que está fazendo, Sebastian? – balbuciou em voz embolada.
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  - Tirando suas roupas para você tomar banho. – contou pacientemente ajoelhado em frente ao ruivo durante o processo.
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  Pela demora de raciocínio devido ao álcool ingerido, só agiu pelo arrepio em virtude do vento frio invadir o aposento graças a janela aberta e se chocar no peitoral desnudo.
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  - Não. – cambaleante, se desvencilhou para longe – Você é a última pessoa quem deveria me ver assim.
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  - Bêbado? – se pondo de pé, o cortante tom carregava crítica e os olhos desaprovação ao fitá-lo.
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  - Sem roupas. – rebateu se virando – Como se não bastasse o que já fizemos bem nessa cama. – finalizou com escárnio como se o ato amoroso fosse indecoroso ou um terrível pecado digno da queimação eterna nas labaredas do fogo do inferno.
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  - Creio que foi bem melhor do que está fazendo para si. Aliás, por onde tem andado nessas madrugadas?
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  - Nos lugares frequentados por todos os homens normais fazendo o que todo e qualquer homem normal faria.
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  - O quê?
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  - Procurar a companhia de mulheres bonitas. Já devo ter me envolvido com praticamente todas das tabernas da região.
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  A notícia não foi positiva para nenhum dos lados. Provocou náusea junto ao aperto na garganta por imaginar a cena mentalmente. O conhecendo melhor, compreendia com mais clareza a personalidade afável.
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  Passar toda uma vida monitorando seus gestos corporais, engrossando o volume natural da voz para deixá-la mais encorpada e calculando previamente cada passo gerava certo gasto de energia desnecessário o qual, caso usufruísse da liberdade em todos os sentidos da palavra, talvez não demonstrasse certo grau de cansaço constante desde quando se conheceram.
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  Os únicos momentos quando não o viu dissimulando sobre quem era foi consigo durante as interações, com os amigos e deduzia que na companhia de Bianca também caso estivessem sozinhos – eram ocasiões raras demais para o seu gosto, levando em consideração que Sebastian surgiu em sua vida há dois anos.
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  Poderia se sentir pior na existência da hipótese de o rapaz apreciar tais uniões carnais – e não era o caso pela veemente expressão de nojo desde quando abordou o tema.
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  - E isso te alegra ou satisfaz? – detestou como a voz se tornou embargada, se recriminando por se afetar de tal forma por aquilo.
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  A risada do mais novo perante a inquisição retórica beirava a histeria.
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  - Damon, pelo amor de Deus! Olhe pro seu estado. Não pode continuar se machucando e nem se submetendo a uma coisa que claramente te prejudica.
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  De fato, a aparência piorava ao longo do tempo denunciando a vulnerabilidade emocional. Agora a pele era macilenta e olheiras atípicas escureciam ao redor dos olhos com o transcorrer das semanas turbulentas. Além dos lábios cortados e das unhas sensíveis por mordiscá-las constantemente, é claro.
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  Finalmente o peso das ações nos últimos meses se fez presente. O semblante foi tomado pelo profundo calvário. Fechando as pálpebras, levou as mãos aos cabelos os desgrenhando em lamentação pela dualidade interior entre o que genuinamente gostava e o que considerava como certo devido à criação mais rigorosa, a influência do pai na sua vida e os fortes impactos causados pelas normas sociais ao ser confrontado de forma indireta pela identidade destoar tanto das condutas pregadas como corretas naquele triste período enfrentado pela humanidade onde mulheres eram submetidas a destinos terríveis em nome da honra e da sobrevivência, negros sofriam violências constantes graças a escravidão e gays precisavam se esconder para não terem problemas – além de serem obrigados a se casar com quem sequer lhe despertava atração, assim como aconteceu com Damon Smith, Kassandra Jones e Celie Williams.
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  - Eu só quero ser normal. – a fala saiu num misto de dor e súplica, o sofrimento contido em cada letra – O que custa me apoiar? Já dividiu a cama comigo. Não deveria ser tão difícil me auxiliar na minha decisão de agir como um homem normal.
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  Aquilo foi tão doloroso quanto se uma afiada faca fosse cravada no coração.
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  O ver tão desestabilizado e indefeso foi demais para suportar. Quebrou a distância ignorando a decisão do outro de romper o laço criado entre eles para abraçá-lo, lhe proporcionando o devido conforto em crítico rompante de catarse eminente.
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  - Você está se prejudicando. Não continua com isso, não. Volta a ser quem é. Volta para mim. Eu o quero bem. – suplicava rouco em seu ouvido.
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  - Defina bem.
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  - Quero que se aceite como é. Quero que pare de ir aos bordéis a procura de prostitutas se elas não te satisfazem. Quero que não negue o ser humano quem é. Quero que se enxergue como é sem precisar se esconder detrás de uma máscara a cada instante. Gostar de me beijar não o torna menos masculino, inferior, errado ou anormal. Apenas mostra a pessoa quem é. Basta se aceitar. É o suficiente.
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  Foi a gota d’água para Damon se esvair em pranto desesperado.
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  - Eu não sei fazer isso, amor. – se agarrava ao mordomo como se precisasse de apoio pelos joelhos falharem na missão de sustentá-lo – Eu tento ter prazer com elas, tento gostar delas. Por que não consigo? Por quê? – as lamúrias eram incessantes, pela primeira vez verbalizando o autoflagelo imposto – O que há de errado comigo? Por que não sou como os outros? Por que eu sou incapaz de ser como os outros homens? Por que eu tenho de gostar tanto de estar assim contigo? Por que você me satisfez ao invés delas? Por que tenho de ser diferente? Não fiz nada de errado para ser assim. Juro que sempre fiz o certo, mas... Mas não funcionou.
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  Penalizado, se inclinou para agarrá-lo por detrás dos joelhos e erguê-lo. Automaticamente enlaçou as pernas na cintura, o soltando só quando sentiu a maciez do colchão. Se aconchegou mais nele, o abraçando enquanto desabafava sem sequer conseguir soar minimamente coerente ou compreensível. A bebedeira junto a presença de Sebastian foi o gatilho para se permitir extravasar o sofrimento dos últimos meses – mesmo que não o desejasse.
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  Passaram longos minutos assim. Sebastian o consolando recostado na cabeceira da cama com o rapaz aninhado em si. Repetia palavras amáveis, distribuía beijinhos pelos cabelos e afagava as costas nuas em movimentos sutis. Não era ocasião para confrontá-lo sobre as ações desmedidas. A fragilidade era absurda para suportar tal conversa – e os soluços incessantes junto às lágrimas torrenciais eram provas disso. Apenas lhe oferecia o refúgio fundamental para a alma torturada por não se reconhecer como ser humano em virtude de sair do padrão estipulado pela sociedade como normal para ser reproduzido.
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  E isso destroçava qualquer um.
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  Demorou para as lágrimas pararem de escorrer.
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  Quando tencionou se afastar dele, secava o rosto avermelhado com as costas das destras.
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  - Melhor? – as palmas ásperas foram repousadas sobre as coxas.
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  - Vou ficar. – fungou desolado.
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  Não o fitava pela pontada de vergonha, então a lapela das vestes do mordomo tornou-se interessante e digna de profunda análise quanto a costura.
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  - Vem comigo.
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  Como era final do século XVII, algumas pessoas aceitaram o costume de se banharem regularmente com água. Logo, não foi surpresa ser levado para o aposento ao lado conectado ao quarto e separado por uma porta onde havia privacidade total.
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  Por estar cambaleante, Sebastian não achou seguro deixá-lo sozinho. Como medida de segurança cujo objetivo visava protegê-lo de qualquer mísero acidente, permaneceu no espaço. O ajudou a terminar de se despir para entrar na banheira com água morna.
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  - É você quem a enche? – se recostou na borda o observando atentamente.
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  Sempre que o rapaz chegava durante a madrugada, se deparava com a banheira cheia para se lavar. Só não sabia que, na ausência de Bianca, o escravo usava a escuridão a seu favor para socorrê-lo se fosse preciso. Se mantinha do lado de fora do quarto com os ouvidos atentos para caso ouvisse algum som suspeito – baques surdos, imprecações, quedas ou movimentação urgente na água denunciando um afogamento.
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  E o socorreu duas vezes em consequência do zelo – impediu um grave deslize ao retornar para a cama sem se secar e chegou a tempo de socorrê-lo de se afogar.
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  Detestava a ideia de observá-lo através da brecha da porta aberta propositalmente, mas se atinava sobre como aquilo era primordial para a integridade física alheia.
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  É claro que Damon não se recordava de nada.
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  - Sim.
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  - Por quê? – as pálpebras baixas denunciavam o cansaço.
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  - Porque sou o imbecil quem se preocupa contigo.
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  A resposta lhe arrancou irônica risada. Em seguida mordeu o lábio inferior parecendo incerto ao conjecturar sobre os pensamentos rondando a mente. O mais velho notou o brilho de quando se encontravam no escritório perpassar no olhar enquanto o rapaz ponderava se seria prudente a atitude ousada naquele contexto.
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  - Essa banheira é grande demais para mim, amor. Vem para cá.
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  A ideia de desfrutar de maior proximidade com ele foi aprazível demais para recusar – principalmente após ser chamado de maneira carinhosa depois de seis meses.
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  O observou retirar cada peça até entrar na banheira e se posicionar na frente dele da mesma maneira.
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  - Está tão longe.
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  O biquinho despertou no mordomo a vontade de provar novamente a textura da carne macia.
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  - Escolha inteiramente sua, meu pequeno. Você decidiu se afastar de mim. Apenas estou respeitando a sua decisão, mesmo que discorde dela.
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  Embora as palavras fossem verdadeiras, sentiu o peso delas. Foi criado um espaço intransponível entre eles graças ao comportamento de Damon – e era mostrado ali, na forma como estavam dispostos nas extremidades.
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  Como a bebida anuviava o raciocínio e proporcionava oportunidade para a pessoa ceder às reais vontades por diminuir a capacidade de seguir regras ou condutas estipuladas, se deslocou com a água batendo no pescoço sem cortar o contato visual até alcançá-lo. Por fim, o escravo abriu as pernas pondo os pés no chão para o rapaz de acomodar confortavelmente com as costas no peitoral largo.
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  Soltou um gemido de deleite pelos musculosos braços o envolverem em abraço aconchegante, a cabeça pendendo para trás até se deitar no ombro moreno. Relaxava cada vez mais, principalmente quando Sebastian achou o momento propício para espalhar beijos carinhosos nos ombros e nos cabelos enquanto o lavava.
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  Não passou de um momento cheio de afagos, zelo, amorosidade e sentimentos calorosos. Não investiria de maneira lasciva. A conjuntura não era para desfrutarem desse tipo de amor. Era para se reconectarem e lhe proporcionar apoio após inúmeras semanas tão difíceis para ambos por motivos distintos. Portanto, deslizava as palmas pelo corpo, entrelaçava os dedos nos seus, brincava com as mãos menores, as beijava meigamente e roçava os lábios ou o nariz na pele ao seu alcance, como na nuca, no maxilar marcado ou nos ombros.
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  Era notável como os afagos eram bem-vindos por relaxar a musculatura e a expressão serena.
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  Damon abria sorrisinhos sem mostrar os dentes, a face sem carregar o peso do sofrimento por agir contra sua essência mais delicada. Carecia da conexão natural e daquele contato cuja carne esquentava sob a pele.
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  Permaneceram assim em silêncio até a água esfriar – demorou ao todo uma hora.
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  Se secaram com a toalha e, o guiando com as palmas nos quadris estreitos, o direcionou para o quarto, onde o deitou.
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  Sentado na cama, se observavam atentamente, perdidos naquela energia envolvente. Fazia suave cafuné nas mechas levemente escurecidas por estarem úmidas. Por sua vez, o ruivo, com as digitais descansadas no braço, o acariciava com o polegar em toques preguiçosos, aproveitando os últimos instantes daquela significativa troca.
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  Antes de ir embora, se inclinou para beijar a testa alva demoradamente e tocou a ponta do nariz para sair – pelo menos esse era o objetivo.
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  Ao dar as costas para se afastar, o pulso foi segurado debilmente.
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  - Vai agora, não. Fica comigo, pelo menos só até eu dormir. Eu... – engoliu em seco. Se achou absurdamente incompetente por não controlar suas emoções – Eu sinto saudade de ficar perto de você.
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  De início pensou que o pedido seria ignorado porque, sem esboçar reação, o escravo foi até a porta com a postura ereta. Porém, ao escutar o som da tranca, o rosto foi banhado de alívio.
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  Sebastian apenas levantou da cama quando o ouviu ressonar baixinho.
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  Como não o fitou para não ceder à vontade de dormirem juntos, não viu como Damon abraçou o travesseiro onde repousou os cabelos crespos.
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  Às nove e meia da manhã, Bia e a governanta observavam o rapaz dormindo esparramado na cama nos aposentos escuros com a coberta cobrindo a cintura.
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  - Tem certeza? O senhor Smith nunca brigou comigo, mas acho que, para isso, abriria uma exceção. – apreensiva, a menina, agora com 14 anos, remexia as vestes.
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  - Fui eu quem deu a ordem, então não passará por cima de mim. – cruzou os braços decidida – Além do mais, a ação é bem apropriada na minha opinião.
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  A mais nova lhe lançou um olhar de esguelha pela desconfiança.
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  - Não quero correr o risco de...
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  Sem fitá-la, já imaginando as reclamações, Bianca retirou uma nota de dois dígitos escondida estrategicamente entre os seios. A prendeu de forma sugestiva entre os dedos – e não se surpreendeu quando foi apanhada em instantes.
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  - Se eu levar bronca, falo que foi você quem mandou. – cuidadosa, guardou o dinheiro no bolso da saia.
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  - Está para nascer o dia em que esse menino vai teimar comigo. Ainda não vi gente para isso.
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  Bia riu pelo comentário atrevido se aproximando da cama enquanto a outra ia para as cortinas fechadas.
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  - Retire as botas primeiro. Não quero dar mais trabalho para as empregadas esfregarem essas roupas só porque o Damon perdeu o juízo nos últimos meses.
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  Sem cerimônias, subiu na cama para pular no colchão macio – a delicada maneira solicitada pela mais velha para acordá-lo.
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  - Sempre quis fazer isso desde quando cheguei aqui. – rindo, se assemelhava a uma criança se divertindo com a travessura.
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  O rapaz acordou pelos sacolejos instáveis. Resmungou se virando de bruços:
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  - Me deixa dormir.
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  - E como vamos deixá-lo dormir ao invés de aproveitar um dia perfeito como esse? – abruptamente, afastou as cortinas para a forte luz solar atingi-lo – O céu está limpo, o Sol maravilhoso e o dia propício para aproveitar do lado de fora da casa. Qual a sua opinião, Bia? – bateu palmas em cada palavra, satisfeita pela careta da provável enxaqueca.
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  - Eu acho uma maravilha. A vontade é ir à cidade para passear um pouquinho.
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  - Vocês não respeitam o justo sono alheio, não? – ralhou puxando a coberta para si e se sentando segurando a coberta para manter a nudez escondida – Não façam tanto barulho. Minha cabeça está me matando.
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  - Barulho? Estamos até quietinhas. – sarcástica, tamborilou as unhas no móvel de madeira falando mais alto que de costume – É pura impressão sua, meu caro menino, filho da minha querida amiga Meggie Ward, quem me fez prometer no leito de morte cuidar muito bem do seu único filho, Damon Smith! – bateu palma a cada palavra propositalmente.
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  A cada som encolhia os ombros pelo latejar na cabeça.
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  - Já posso descer? – Bia a encarava animada.
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  - Está divertido?
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  - Bastante.
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  - Pois continue.
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  Tampou as orelhas pela estridente gargalhada.
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  - A minha cabeça está me matando. – murmurou pelo mal-estar típico da bebedeira.
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  - Por que será, não é, mesmo? – ironizou sorrindo largamente – Prefere beber até ser encontrado caído pelos becos. – a expressão se tornou subitamente severa ao se dirigir para a morena – Isso morre aqui, Bia.
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  - Pode deixar. – deu um último salto antes de descer.
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  - Se arrume logo, menino. – com o pé, arrastou um balde pelo chão até chegar ao lado da cama – Caso precise vomitar, está aqui. Dá seu jeito de se recuperar logo.
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  - Peço para Mary preparar um chá e trazer para cá? – no chão, calçava as botas.
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  - Acha que ele merece?
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  - Hum...
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  O avaliou por vários segundos. A imagem enjoada, de cabelos desgrenhados, sonolento e com forte enxaqueca a compadeceu.
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  - Merece, sim. Até porque foi muito bonzinho comigo e com o Sebastian.
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  Em menos de trinta minutos o chá chegou e precisaram jogar fora o conteúdo do balde três vezes.
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  Às quatro da tarde o escravo chegava no destino após o casual comentário de Bianca sobre o paradeiro do rapaz.
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  - Quando ele sai assim sem dizer para onde vai, é porque foi passar um tempo na cachoeira.
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  Como de fato, foi liberado por ela sob o pretexto de precisar descansar após cuidar do rapaz para, então, encontrá-lo após quase uma hora de caminhada.
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  Ela não mentiu.
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  O viu na água, de costas para si. Os cabelos úmidos mostravam como se aventurou naquele dia.
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  Silenciosamente retirou as roupas para se reunir ao rapaz já recuperado da embriaguez.
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  Graças à movimentação da água e ao som, logo notou que não estava mais sozinho – não havia um pingo de surpresa nele.
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  - Não me surpreende a sua presença, Sebastian.
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  - Como sabe que sou eu? – repousou as mãos nos quadris estreitos transmitindo ternura no toque íntimo já tão conhecido.
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  - Quem mais me encontraria aqui ou entraria na água comigo sem se anunciar? – a pergunta era retórica ao se virar para mirá-lo, o abraçando pela cintura.
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  - Verdade. – o sorrisinho foi fruto do alívio de enxergar nos olhos escuros a aceitação pelo contato e pela beleza ressaltada por estar molhado – A Bianca me contou onde estava.
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  - Levantei essa hipótese ao percebê-lo se aproximando. Costumo vir para pensar. Esse lugar é bastante significativo para mim. – arrastou as palmas até entrelaçar os dedos na lombar em dúvida se aceitaria a possibilidade de se aconchegar no peitoral após suas últimas controversas ações.
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  - Lembro quando me contou sobre ela trazê-lo no período de infância.
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  A face relaxou mais, evidenciando o quanto achou adorável como se recordou daquilo após tanto tempo.
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  - Não é mais o único motivo para essa cachoeira ser tão importante para mim.
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  Graças a insinuação, encostou os lábios na testa gelada depois de mirá-lo por vários segundos – segundos suficientes para deduzir pela averiguação a inexistência de qualquer objeção para trocas como as dos saudosos encontros noturnos.
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  Depositou um longo beijo embalando a face em gesto meigo, encostando nele de maneira extremamente delicada, quase como se manuseasse porcelana frágil. Por sentir o coração do rapaz acelerar e, em movimento fluído, enlaçar o largo pescoço enterrando os dedos nos cachinhos em afagos, beijou lentamente a bochecha direita, a bochecha esquerda, o queixo e a ponta do nariz percorrendo vagarosamente o caminho de cada área com os lábios resvalados sobre a derme, ambos desfrutando da união.
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  Se afastou simplesmente para encará-lo, notando as írises banhadas pelos incompreensíveis sentimentos não verbalizados.
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  A áurea envolta deles era delicada, cheia de ternura mútua e serenidade por parte do escravo, quem permanecia sem avançar em direção aos rosados lábios como se pedisse permissão.
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  Quem tomou a iniciativa foi Damon pois, ousando na investida, se aproximou hesitante centímetro por centímetro para beijá-lo como desejava.
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  Por que se privou daqueles momentos que enchiam seu coração de sentimentos os quais ainda era incapaz de compreender a origem e nomeá-los apesar de serem gloriosos ao ponto de sentir a ternura nos poros e no âmago em calor tão agradável? Mais tarde se indagaria antes de adormecer na cama vazia.
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  Se abraçaram e percorriam os corpos alheios com as digitais em meio a saboreáveis beijos onde os corpos comunicavam as impressões emocionais por intermináveis minutos. Assim como há seis meses, o tempo pareceu parar ao entrarem em sua bolha particular – lugar seguro onde não existiam diferenças econômicas, preconceitos religiosos graças ao sistema julgador do catolicismo inflexível, casamento fracassado, sociedade hipócrita e nem distinção entre negros e brancos.
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  Não passavam de dois homens se entregando aos sentimentos recíprocos através de carícias e à luz do dia – no local devidamente privado, escondidos em meio à bela paisagem onde a fauna era a única testemunha de tal comunhão.
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  Quando se deram por satisfeitos, os lábios estavam inchados e eles ofegantes.
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  Tocando no rosto moreno, deu um último selinho antes de pedir.
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  - Me ajuda a boiar, amor. Sempre afundo quando tento sozinho.
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  A maneira carinhosa como foi chamado era a última indicação necessária de como baixou completamente a guarda.
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  O apoiando pela nuca e pela bunda, o auxiliou a deitar o sustentando.
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  - Olha para mim. E relaxa, meu pequeno.
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  Demorou alguns seguindo para flutuar sob a água. Graças aos episódios anteriores na companhia do outro, não se envergonhou pela nudez exposta. Com Sebastian estava em segurança – constatou quando o levou para lá pela primeira vez.
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  Manteve as mãos sob ele apenas por apoio e segurança.
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  - O que aconteceu ontem? Não lembro direito.
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  - Bom... Simon e Dean o trouxeram bêbado. Por sorte eu e a Bianca éramos os únicos acordados. Tomou banho e foi se deitar.
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  - Por que tenho a impressão de não ter me deixado sozinho?
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  - Porque não o deixei. Fiquei receoso de acabar se acidentando. Mal conseguia andar direito. Acabou me convidando para me juntar a você na banheira.
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  - Aceitou?
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  - A proposta foi tentadora demais para recusar. – se inclinou rapidamente para beijar a ponta do nariz alvo – Por que está agindo assim, bebê? Está frio, distante de mim... Eu sei que sente saudade da gente e que... Gosta da minha companhia. Qual o motivo para mudança tão repentina e abrupta?
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  Demorou para elaborar o pensamento até começar a se comunicar porque era árduo digerir o impacto dos acontecimentos de seis meses atrás.
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  Ao ouvir a voz de Kassandra escondido no armário com Sebastian, o sangue gelou graças a súbita epifania.
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  Não importava os esforços para manterem os encontros ocultos. Mais cedo ou mais tarde, independentemente da ocasião ou de quanto tempo se passasse, alguém os descobriria por que eram incapazes de controlar todos os imprevistos.
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  A porta poderia ficar com uma brecha, alguém poderia passar e ouvi-los, poderiam observar mais detalhadamente o tratamento de ambos, poderiam detectar os carinhos presentes nos gestos mais discretos como sorrisinhos espontâneos, tom de voz aveludado ou o brilho no olhar. Em algum momento decifrariam sobre a verdade – e não havia a menor possibilidade de isso acontecer porque jamais traria tal escândalo para a imaculada família.
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  Para não correr o risco de manchar o sobrenome Smith, renunciou pelos últimos meses a única pessoa capaz de fazê-lo sair do casulo onde se enfiou e atravessar a armadura desenvolvida cuidadosamente ao redor com o objetivo de proteção – e ao se proteger naquelas condições, era impossível viver plenamente, capacidade essa que passou a experenciar graças a convivência com o escravo.
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  Ao abdicar a si, simultaneamente abdicava de Sebastian. Foi o mordomo quem o apresentou a estar confortável agindo de acordo com a sua essência, quem o aceitou como era, quem começou a preencher o vazio no coração, quem o mostrou as facetas do amor em toda a amplitude da palavra e quem lhe entregou afeto cuja carência gritante o deixava enrijecido emocionalmente perante o mundo – tão enrijecido que a solidão era eminente pelo medo de se misturar às pessoas e sofrer julgamentos caso cometesse algum deslize e mostrasse algum trejeito ou a voz aveludada ao invés de engrossá-la assim como vinha fazendo desde os dez anos de idade. Foi o mordomo quem o abraçou, quem lhe avisou que estava seguro na sua companhia, quem lhe afagou, quem beijou suas bochechas e os seus lábios.
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  Foi Sebastian quem o apresentou ao verdadeiro prazer no escritório durante os encontros noturnos e no quarto, quando se amaram pela primeira vez com intensidade capaz do rapaz estremecer sob si em espasmos deliciosos cujo cansaço resultou na melhor noite de sono desfrutada até então por adormecer embalado nos braços da pessoa por quem se apaixonou.
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  Certamente haveria retaliação quando a pessoa errada os visse juntos. Afinal, não era ingênuo. Sabia que era questão de tempo até isso acontecer e lhes trazer terríveis consequências.
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  Além de si, da esposa e do nome da família manchado, também prejudicaria Sebastian – e a sociedade onde estavam inseridos não aceitava diferenças.
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  Jamais permitiria que o escravo sofresse com as consequências desastrosas de algo que facilmente Damon poderia evitar.
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  Portanto, achou mais sábio se afastar – e isso lhe custou um preço caro demais para pagar.
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  - Por medo.
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  Se não fosse tão introspectivo por razões compreensíveis, talvez tivesse mais facilidade em se abrir com outras pessoas. Afinal, até com Bianca apresentava tal dificuldade.
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  - Medo de mim? – a incredulidade o obrigou a pestanejar pela hipótese.
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  Balançou a cabeça em negativa.
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  - Das outras pessoas?
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  Repetiu o gesto, dessa vez sentindo leve nó na garganta.
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  - De você?
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  Constrangido, desviou o olhar incapaz de sustentá-lo.
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  - Não sei o que está acontecendo comigo. Não me reconheço desde quando nos conhecemos. – engoliu em seco lutando contra o pranto.
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  Sensibilizado pela confissão, Sebastian afastou a mão da nuca para segurar gentilmente o pequeno queixo entre o polegar e o indicador até o rapaz ceder para fitá-lo.
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  - Não se reconhece, ou, talvez, pela primeira vez na vida, esteja se confrontando com quem realmente é ao ponto dessa máscara social que criou com tanto cuidado para se enquadrar na sociedade sem correr o risco de sofrer ojeriza ou repreendas se tornar pesada demais para sustentar pela compreensão de que não há absolutamente nada de errado contigo?
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  As palavras o desestabilizaram completamente. Apesar da assombrosa objetividade, soou afetuoso, como se dialogasse com uma pessoa ingênua quem não conhecia nada acerca do mundo – e era quase esse o caso.
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  Foi impossível para Damon controlar o pranto.
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  Antes das lágrimas transbordarem, suplicou:
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  - Me abraça, meu amor. – a voz saiu trêmula no murmúrio.
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  Em movimento fluído o ajudou a se levantar, então se abraçaram durante o choro do mais novo.
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  - Eu senti saudade de você. – com a lateral da face aconchegada no peitoral moreno, o apertou.
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  - Eu também, bebê. – beijou o ombro desnudo aninhado no vão entre o pescoço e o ombro – Muito.
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