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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 3

Tempo estimado de leitura: 36 minutos

  Enquanto Damon relaxava no aconchegante abraço dado por Sebastian na cachoeira, Kassandra lidava com a dura realidade da mulher quem amava.
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  De súbito decidiu visitar Celie. Decisão incomum de sua parte por não gostar de aparecer sem cerimônias na casa de ninguém. Sempre marcava com antecedência, de modo a não atrapalhar a rotina dos anfitriões. Nesse caso foi diferente. Havia certa urgência ao redor, como se fosse um pressentimento ruim – e aprendera no decorrer de sua vida a jamais ignorar a intuição e confiar nela.
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  Chegando na casa em sua carruagem, logo avistou Anthony ao longe sobre o cavalo se distanciando dali. A feição era dura o suficiente para lhe gerar calafrios desconfortáveis por conhecer o temperamento dele.
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  Ao adentrar na sala, gritou pedindo ajuda pros empregados correndo desesperada até a moribunda.
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  Celie estava caída no chão desmaiada.
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  Um dos escravos chegou ligeiro. Seguindo as ordens da amiga da patroa, a levou no colo para o quarto, a deitando no colchão.
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  - O que aconteceu? Como não a socorreram antes, meu Deus?! – nervosa, se agachou no chão ao lado da cama.
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  - Não ouvimos nada, senhora. O patrão chegou há menos de duas horas. Não escutamos nenhuma discussão.
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  Não era necessário esconder o que se passava naquela casa. Os empregados eram testemunhas de várias cenas sem poderem interferir graças ao sistema patriarcal imposto pela sociedade. No máximo cuidavam dela depois das agressões, geralmente quando o marido saía da mansão ou ia para outro cômodo.
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  - Traga para mim a pomada. – afastou os cabelos para avaliar a face onde havia somente um corte superficial na bochecha cujo lado direito estava rosado evidenciando o golpe.
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  - Mais alguma coisa, senhora? – a estendeu para a visitante, quem a pegou sem desviar o olhar.
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  - Não. Pode se retirar.
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  Se moveu somente quando o escravo saiu. Foi trancar a porta, agora externalizando na face a aflição para além do sentimento de amizade por encontrá-la naquele estado. Em seguida, foi para a cama, se acomodando ao lado da amiga. Com os olhos marejados, passou um pouco da pomada no corte de onde escorria o filete de sangue. Enquanto a tratava, Celie pestanejou abrindo os olhos devagar.
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  - Oi. – murmurou em atípico tom amoroso, deslizando os dedos pela testa onde beijou carinhosamente.
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  - Cassie? O que está fazendo aqui? – não se surpreendeu por ter despertado no quarto, mas sim pela presença da amiga. Afinal, se acostumara graças ao comportamento violento do marido a ser socorrida pelos empregados e levada inconsciente para lá.
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  - Tive um pressentimento terrível. Foi impossível ignorá-lo por ser referente a você. – esclareceu se acomodando na cama, passando o braço pela barriga da amante.
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  - Não quero que me veja nesse estado. – virou o rosto para a parede na tentativa de esconder a região onde fora esbofeteada – Me sinto feia quando ele me bate. – se recriminou mentalmente pela voz embargada.
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  A frase lhe destruiu o coração.
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  - Você é perfeita. – a tocou na bochecha para Celie fitá-la. Foi tão suavemente que quase não sentiu – Anthony é desprezível. Você, não. É linda. Sempre foi.
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  Ao beijá-la, lágrimas escorreram por estar tão frágil, trêmula.
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  - Ele saiu, Cassie. Temos algumas horas. Com sorte não retorna até amanhã. – contou contra os lábios dela.
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  - Vou ficar contigo até lá. Tudo bem?
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  Assentiu antes de voltar a beijá-la.
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  Às vezes, Kassandra era a única pessoa capaz de lhe despertar felicidade genuína ao invés da mascarada que costumava usar perante as pessoas como falsa prova do quão perfeito era o seu matrimônio.
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  Desde o episódio da cachoeira Damon pensava em Sebastian antes de dormir.
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  Noite pós noite se recordava com riqueza de detalhes do dia na companhia dele, principalmente o abraço, o ato impulsivo de lhe beijar a bochecha, o meigo beijo do mordomo em sua mão e as doces palavras repletas de sinceridade. Como ele e a esposa dormiam em aposentos diferentes, não era necessário se esconder, aproveitado da liberdade de não dissimular suas feições.
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  - Comigo pode ganhar e receber afeto, assim como ser quem é. Estará sempre seguro ao meu lado.
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  A frase ressoava em sua mente e... Inferno, era certo se sentir daquele jeito? Ansiava por ter contato novamente com Sebastian. Várias vezes seu interesse foi demonstrado por observá-lo ao longe. Caso alguém passasse por onde estava, sempre direcionava a cabeça para aquela direção na esperança de ser ele. Quando o era, sustentavam o olhar por instantes antes de seguirem com os respectivos afazeres – não sem antes notarem certo nível de carinho contido nas expressões ou trocarem leves sorrisos.
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  Ao contrário dos demais empregados por ser a responsável por criá-lo, Bianca notou como o rapaz passou a sorrir com um pouco mais de frequência – e isso geralmente acontecia na presença de Sebastian.
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  Além disso o pegou quatro vezes estendendo a mão para o escravo ou abrindo a boca para lhe comunicar algo. De última hora desistia, então as palavras não saíam e a mão se abaixava.
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  Portanto, no mês seguinte, o incentivou a saírem juntos graças ao apoio do contexto caseiro.
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  - Por que não vai lá para fora? – comentava se sentando ao lado dele no sofá – Não fica angustiado por passar tanto tempo enfurnado dentro dessa casa?
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  - E para onde eu iria? Ou melhor, com quem? Caso não tenha notado, minha cara, meu círculo de amizades é bastante restrito. – entediado, jogou a cabeça para trás.
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  - Sei lá, poderia ir para cidade para passear, comer alguma coisa... Use a imaginação, menino! – deu um tapinha na coxa masculina.
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  - Ai, tia! – reclamou com uma careta, se referindo a mulher da maneira carinhosa a qual costumava chamá-la na infância apesar de não serem parentes – Doeu. – massageou a área.
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  Quando criança demorou para aprender a chamá-la de Bianca, então simplificou para tia – e apenas se dirigia a ela dessa maneira quando estavam sozinhos.
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  Mais tarde refletiria na problemática de fazer tantas coisas escondido.
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  - Pois é para doer, sim! Está até pálido. Precisa tomar Sol, ver gente... Vai, vai sair logo! Aí cai doente e não entende o motivo. – gesticulava enérgica em volume com um quê de autoridade maternal.
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  - E com quem eu iria? – não revelaria, mas se divertia com o teor da conversa.
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  - Ora, chame o Sebastian e a Bia.
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  Prendeu a respiração por um segundo.
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  - O Sebastian? – a voz tremulou, a face transmitindo o misto de desconcerto e animação.
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  Sinais claros de quem se inquietou positivamente com a recomendação, transparecendo a fisgada de ansiedade na fisionomia e na linguagem corporal.
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  - Sim.
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  - E por qual motivo o chamaria? – engoliu em seco.
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  - Porque é um homem educado. Agradável. Inteligente. Bondoso. E bonito.
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  Tímido, levou a destra para a boca. Como estava com a governanta, pôde ser expressivo como era, então o misto de anseio e alegria perpassava suas expressões. Agitado, dava batidinhas leves dos dedos contra a boca.
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  - O Sebastian? – repetiu o rapaz.
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  - Claro.
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  - E por que o Sebastian viria?
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  - Certamente ele iria para qualquer lugar contigo.
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  Soltou uma risadinha nervosa.
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  - Anda, menino. – amorosa, apreciou a reação alheia – Vai se aprontar. Vou falar com eles.
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  Não poderia esperar que a tarde fosse tão proveitosa.
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  Junto a dupla, foram em sua carruagem até a cidade mais próxima. Animada, Bia fazia várias perguntas sobre o que teria lá para poderem se divertir. Sentados confortavelmente lado a lado, o único sinal dado pelo ruivo por apreciar os toques sutis da destra de Sebastian na sua, ambas repousadas no banco ao lado das respectivas coxas, era o sorriso tímido e a face corada.
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  Caminharam o dia todo em conversa amigável.
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  Entraram em várias lojas a pedido da menina, quem não se distanciava por mais de trinta centímetros. Na companhia do senhor Smith, ninguém ousaria criar problemas ou chegar perto dos escravos – até porque o incidente com o carrasco correra no boca a boca rapidamente. Ao vê-la admirando pela vitrine uma fita rosa, não hesitou em entrar e comprá-la.
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  - Vai combinar comigo, não vai? – sorridente, colocou na cabeça.
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  - Vai, sim. – Damon tocou na ponta do nariz feminino com o indicador.
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  O gesto criado por eles para se despedirem durante a recuperação do moreno foi mantido, então o mais velho lhe lançou um travesso olhar de esguelha fingindo ultraje. Pensou que não fosse reproduzido com mais ninguém.
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  - É um bom gesto para demonstrar afeto, não? – brincalhão, o mais novo lhe deu uma piscadela marota.
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  - Sem dúvida.
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  - Ainda estou seguro contigo? – murmurou se referindo ao dia da cachoeira.
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  - Sempre. – replicou no mesmo tom antes de prosseguirem o passeio.
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  Mais tarde encontrou ao acaso Marie saindo de sua loja de roupas preferida.
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  - Olha quem apareceu. Pensei que não o veria até o próximo baile. – a amiga o cumprimentou com uma reverência.
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  Como estavam em público, ainda havia condutas e regras sociais a serem seguidas para evitarem burburinhos.
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  - Fui persuadido por Bianca.
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  - Eu e os meninos devemos agradecê-la, então. Seu semblante está até menos carrancudo.
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  O comentário o deixou acabrunhado sem compreender a razão.
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  - E quem são esses dois? Ele eu me lembro vagamente. Difícil seria esquecer um rosto tão bonito. – o flerte era evidente nela.
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  Demoraria apenas mais trinta dias para descobrir o nome do sentimento que lhe apossou: ciúme.
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  - Sebastian. – engrossou a voz movendo o corpo para usá-lo como bloqueio na tentativa de preencher totalmente o campo de visão feminino – Esta é Bia.
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  - Olá, queridos. Sou Marie. Será que se importariam caso eu me juntasse a vocês? De repente hoje se tornou um dia bem mais interessante.
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  Para evitar qualquer aproximação, Damon deu o braço para a amiga para prosseguirem.
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  - Se você parar de flertar descaradamente, não me importo. – sussurrou entredentes.
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  - Está incomodado? – pendeu a cabeça para o lado confusa.
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  - Não exatamente. – deu de ombros pestanejando – Só não gostei.
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  Segundos se passaram em silêncio enquanto a garota o observava.
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  - Que foi?
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  - Nada, não. Só desconfio que, dentro de um tempo, teremos de pôr vários assuntos em dia com os meninos. – comentou satisfeita – Se surgir qualquer dúvida, certeza de que encontrará as respostas com Simon e Dean.
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  - Como assim?
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  A ruiva de cabelos lisos preso em coque formal com alguns cachinhos caindo ao redor do rosto desconversou, então pensou de o assunto não ser importante.
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  Marie era educada, engraçada e suas falas não condiziam com a pregada pela sociedade como correta. Portanto, não poderia ser uma companhia melhor.
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  O senso de humor combinava demais com o do outro e os comentários despudorados obrigaram Sebastian a tampar as orelhas de Bia diversas vezes para a criança não ouvir nada de comprometedor sobre seus encontros com os amantes.
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  Por ínfimo momento a menina se distraiu ao observar as vitrines. Ao avistá-los, cinco metros à frente, correu para alcançá-los. Porém, foi empurrada ao chão violentamente.
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  - Sai! – Anthony, marido de Celie, sibilou raivoso antes de entrar num beco.
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  O conhecia por ir junto a esposa nos bailes promovidos por Patrick.
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  Minutos mais tarde Damon e Marie se sentaram para lancharem, então observou ao redor despretensiosamente. O avistou caminhando apressado de cabeça baixa, como se não quisesse ser identificado. Por fim, adentrou numa loja de doces. Estranhou a escolha, já que nem ele e nem a esposa comiam guloseimas.
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  Se perguntando o motivo disso, ouviu atrás de si três homens conversando.
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  - Não acredito que o Anthony nos passou a perna! Maldito seja!
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  Frases como essas foram proferidas tantas vezes quanto as imprecações e o nome. Portanto, ardilosa como era, se aproximou rapidamente.
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  - Licença. Caso estejam procurando pelo senhor Anthony, o marido da dona Celie, ele está naquela loja de doces. – apontou para registrar.
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  Imediatamente foram para o lugar.
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  Recebeu ao todo dez moedas em agradecimento. Retornou as guardando no bolso dos trajes.
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  - De onde está vindo, Bia? – desconfiado, Sebastian ergueu a sobrancelha.
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  - Nenhum lugar. – o sorriso iluminou o rosto – Só fui resolver uma coisinha.
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  Nem teve tempo de retrucar. Ao longe uma confusão começou envolvendo Anthony e os homens, os quais o carregavam pro exterior do estabelecimento contra a sua vontade.
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  - O que é aquilo? – Damon e Marie se levantaram das cadeiras para prestar atenção na situação.
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  - O senhor Anthony ganhando o troco.
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  Os três se viraram surpresos pela voz raivosa.
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  - Ele me empurrou no chão quando me perdi de vocês. Meu ombro está doendo até agora. – massageou a área bufando.
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  - Por que não falou nada? – o ruivo indagou perplexo.
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  - Não queria causar problemas. O passeio estava agradável demais para eu contar. Mas encontrei a oportunidade perfeita... Eita! Isso doeu até em mim. – se interrompeu rindo por vê-lo ser socado no queixo – Enfim, encontrei a oportunidade perfeita de dar o troco e... Bem, já está recebendo o castigo. – cruzou os braços satisfeita acompanhando a surra atentamente.
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  - E como surgiu a oportunidade? – Sebastian indagou em assombro.
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  - Os ouvi falando sobre o senhor Anthony. Como sou uma menina muito boa, solícita e educada, somente fiz o favor de lhes dar o paradeiro dele.
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  - Garota, você é capaz de dar nó em pingo d’água! – Marie a aplaudiu.
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  - Não incentiva ela, amiga! – apesar da repreenda, havia orgulho no tom de voz.
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  - Meu único desvio de caráter é a leve tendência para vingança.
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  Riram admirados pela frase e em como exalava satisfação.
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  Damon, Bia e Sebastian retornaram para a mansão ao pôr do Sol. Como andaram por horas, a menina adormecera de tão cansada, encolhida no canto da carruagem.
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  - Por que também não descansa? – murmurou Sebastian ao notar o quanto Damon piscava.
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  - Não posso. Se eu dormir agora vou passar a madrugada acordado.
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  - Não precisa necessariamente dormir. Apenas se acomodar mais confortavelmente.
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  O encarou sem compreender.
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  Dando um pequeno sorriso, o escravo o segurou pelo braço para puxá-lo para si até o ruivo deitar a cabeça no seu ombro.
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  Logo o sentiu enrijecer o corpo e a respiração acelerar. Vislumbrou certa tensão na face, como se temesse ser visto daquela maneira.
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  - Shiiiiii... – beijou os cabelos suspirando profundamente – Está tudo bem. Pode baixar a guarda comigo. – murmurou baixinho refreando a vontade de chamá-lo pelo apelido na presença da menina.
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  - Tem certeza? – temeroso, a voz saíra incerta, falhando nas sílabas.
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  - Sim. Sempre.
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  O notou se acalmar com o passar dos segundos, a respiração normalizando e os músculos relaxando até, por fim, o medo desaparecer completamente.
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  Dez minutos depois se perdia em pensamentos pela quietude noturna lembrar de quando dormia com a mãe na senzala enquanto admirava a paisagem pela janela. Entreouviu algo roçando na mão a qual descansava no colo. Ao abaixar os olhos, enxergou a silhueta da pequena destra pálida encostando hesitante os dedos em si. Caso visse como o semblante foi tomado por afabilidade pela beleza do gesto, o mais novo se encantaria por constatar o quão receptivo para trocas afetivas o moreno era – e jamais se negaria em tocá-lo caso pedisse.
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  Virou a palma para cima envolvendo a outra carinhosamente.
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  - Melhor? – acariciava a destra com o polegar.
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  Apenas acenou em confirmação com medo de palavras ou reações de sua parte estragarem o momento. Nunca se sentira daquele jeito antes. Era... Bom. Lhe trouxe o deleitoso calor sob a pele de quando se deram as mãos pela primeira vez acidentalmente.
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  Durante o caminho aproveitaria aqueles longos minutos sem emitir som ou mostrar como estava desperto. A cada beijo terno recebido no topo da cabeça inflava mais em si o desejo de aumentar o contato, como se aquilo ainda não fosse o suficiente. Decidiu ignorar o temor das novas impressões porque... Inferno, era agradável demais tê-lo perto de si daquela maneira.
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  Aguardou ser chamado pelo escravo o avisando da chegada em casa num murmúrio preguiçoso. Desgostoso, se sentou devidamente antes de sair.
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  - Espere. – pediu para a porta não ser aberta.
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  Se curvou para o chão apanhando a sacola que continha diversos doces.
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  - Tome. – a estendeu para o mais velho – É meu agradecimento por me acompanharem. Comprei para Bia e para Bianca também.
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  Desajeitado, num movimento demasiadamente rápido deixou um beijo na bochecha morena – não sem antes averiguar se a menina continuava adormecida.
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  - Por que sempre fica tenso ao demonstrar carinho? Só... Relaxa. Desfruta da sensação. – aconselhou baixinho.
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  - Como?
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  Gentilmente, embalou a lateral do rosto de Damon na palma. Devagar, se aproximou até as bochechas se tocarem. Deslizou a ponta do nariz pelo pescoço e pelo ombro antes de encostar os lábios por alguns segundos na bochecha do rapaz, quem já havia baixado as pálpebras completamente com o coração em disparada e se esforçando para respirar normalmente.
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  - Desse jeito. – sussurrou com a voz rouca, a boca roçando no lóbulo da orelha e lhe despertando arrepios – Desfrute da sensação desse jeito.
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  Durante todo o processo acatou ao pedido de olhos fechados.
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  Ao descerem da carruagem, o escravo pegaria a criança cuidadosamente nos braços para levá-la ao quarto, onde a colocaria na cama com ajuda de Mary.
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  Mais tarde, quando saísse do escritório, esbarraria em Sebastian sonolento.
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  - Já está virando hábito a gente se encontrar assim por aqui. – o mais velho comentou bem-humorado parado numa distância mínima.
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  - Desculpa. Eu não te vi. – tampou a boca com o braço ao bocejar.
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  - Pensei que ficaria acordado depois de descansar na carruagem.
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  - Eu não dormi lá.
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  - Por quê?
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  O questionamento voltou a lhe causar frio na barriga. A resposta era bem simples, mas altamente comprometedora. Não estava disposto ainda a revelar que lutou contra o sono durante a viagem por apreciar a companhia de Sebastian, principalmente os toques físicos. Apenas manteve os olhos baixos quietinho sem se mexer. E quando deram as mãos... Quase não conteve o suspiro de alívio por não sofrer rejeição ou ojeriza.
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  - Eu... É... Eu não... – balbuciou piscando claramente agitado.
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  Sem escolha melhor, se recordou do conselho antes de descerem da carruagem. Portanto, sem melhores opções, deu um passo para frente. Segurou a nuca dele e, naturalmente, o moreno inclinou o corpo em sua direção. Ficando na ponta dos pés pela considerável diferença de altura, quebrou a distância para beijar a bochecha morena demoradamente. As grandes palmas ásperas enlaçaram a cintura o puxando para si até colarem os corpos. Rapidamente aquilo se transformou num abraço aconchegante, onde um apreciava cada informação sensorial do outro.
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  - Ficar assim comigo é bom, não é? – deslizava o nariz pelo pescoço do menor, ambos de olhos fechados.
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  - É, sim. Muito.
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  - Gostou do dia de hoje?
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  - Impossível não gostar. – soltou uma risadinha.
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  - E por quê?
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  - Encontrei a Marie.
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  - Só por causa dela? Mas estava tão alegre antes disso. – a voz saiu abafada por falar contra o ombro baixo
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  - Não. – nem percebeu como a mão traçou um belo caminho até os fartos cachinhos, onde a enterrou – A sua presença e da Bia também foi ótima. Há bastante tempo não...
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  De repente se deu conta de que estavam no corredor, então se afastou assustado vasculhando o ambiente à procura de qualquer pessoa quem pudesse estar os observando naquele momento.
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  O terror tomou o semblante do ruivo. Na tentativa de tranquilizá-lo, estendeu a mão em direção a ele, quem encolheu os ombros em resposta.
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  - Desculpa, Sebastian. Preciso ir.
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  Saiu em disparada sem se virar.
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  Ao entrar no quarto trancou a porta encostando as costas nela. Cansado e sem compreender as novas sensações e nem suas emoções, pendeu a cabeça para frente totalmente aturdido.
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  - O que está acontecendo comigo?
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  Acordou às quatro e meia da manhã de tão angustiado por não desvendar os sentimentos conflitantes os quais o dominaram – talvez intensos fosse a palavra certa, já que não era capaz de nomeá-los adequadamente.
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  Como não conseguiria voltar a dormir, aproveitou a aurora para desenhar. Se distraiu enquanto criava os traços se baseando na paisagem vista através da janela, mas não por tanto tempo a serenidade perdurou. Agora, sempre traçava uma figura indistinta. Cada vez mais presente, a silhueta tomava a forma masculina, se aproximando vagarosamente do primeiro plano da folha. Como continuava de costas, o rosto não era visível.
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  A sua única preocupação era a identidade da pessoa. Afinal, quando a desenhava não pensava em ninguém especificamente. Porém, o processo de criação o tranquilizava, afastando a aflição gerada pelas ações incomuns em relação a Sebastian e também o acalento sentido naqueles momentos tão agradáveis compartilhados juntos.
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  Era certo? Homens podiam se sentir assim um com outro? Deus o puniria? As sensações eram pecaminosas? Deveria lutar contra os misteriosos anseios tão fora do padrão imposto pela rigorosa criação? O que lhes aconteceria se fossem pegos em flagrante?
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  Era impossível os questionamentos não permearem a mente. Portanto, fixou a atenção no desenho mais recente. Com o tempo foi tomado pela tranquilidade sem levantar indagações.
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  - Pode entrar. – disse se levantando ao ouvir as batidas na porta para sair do campo de visão da janela.
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  Virou a folha de cabeça para baixo colocando sobre ela um livro como garantia de que não seria analisada.
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  - Licença. Bianca me enviou para verificar se está tudo bem e chamá-lo para descer. – Sebastian entrou notando como o rapaz continuou de costas.
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  - Avisa que não me demoro. – massageou a nuca – É tudo.
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  É claro que não o ouviu sair. Pelo contrário. O som da tranca o fez fechar os olhos se sentindo subitamente cansado.
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  Sem pressa, se aproximou por notar haver algo de errado nele porque não o fitou e pelos ombros caídos.
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  - Está tudo bem?
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  - Claro.
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  - Então... – as palmas ásperas repousaram nos quadris estreitos – Por que fugiu de mim ontem?
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  Quem quebrou a ínfima distância foi Damon ao se inclinar minimamente até encaixar as costas no abdômen alheio, relaxado na presença do escravo.
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  Era sempre tão sozinho. Havia tanta vontade genuína de encontrar um ninho onde poderia ser quem era sem se preocupar com os seus trejeitos, o tom de voz ou a maneira de se mover. E Sebastian era sempre tão receptivo e... O corpo era tão quente, macio e firme – até acolhedor. Talvez estivesse gostando demais da companhia do outro ao experimentar, finalmente, ser preenchido por um pouco do afeto que tanto carecia.
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  Como a resposta demorou, não o pressionou. Apenas aguardou pacientemente. Deslizou a mão pela barriga concretizando o abraço. Espalhou beijinhos lentos nos cabelos e na têmpora em silêncio, os dois confortáveis naquela posição e com aquelas carícias.
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  Imaginava como poderia viver um terrível conflito interno pela cultura onde fora inserido ditar que havia somente uma única maneira de se relacionar – homem e mulher. Não havia espaço para homens se relacionarem com o mesmo sexo jamais. Sempre que haviam momentos de trocas afetivas as quais poderiam caminhar para a evidenciação de quem realmente era, não as interrompia. Prosseguia com elas naturalmente o incentivando por meio de toques mais íntimos, geralmente vagarosos e carregados de ternura.
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  Em contrapartida, a existência da inegável possibilidade de estar apreciando aqueles instantes mais do que deveria o preocupavam por motivos óbvios.
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  Não sabia se Damon se abriria, mas era visível como precisava receber carinho em seus braços – e estava disposto em entregá-lo prontamente sem ser necessário o rapaz verbalizar.
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  - Eu fiquei assustado. – respondeu finalmente.
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  - Por quê? – sussurrou com os lábios contra a têmpora.
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  - Fico com medo de alguém nos ver. – revelou num fio de voz, o vinco de preocupação se formando entre as sobrancelhas e a face com certa dose de aflição.
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  - Me desculpa. Serei mais cuidadoso.
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  - Quem deveria se desculpar sou eu. Fui imprudente ontem.
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  Ignorando os medos, se virou retribuindo o abraço ao passar os braços pelo tronco. Puxou o ar o soltando pelo nariz, adorando o modo como foi apertado.
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  - Eu gosto de ficar assim contigo, Damon.
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  - Eu também. – desencostou o rosto do peitoral para fitá-lo – Por que é tão bom para mim, hein? Dificilmente sou tratado com tamanha indulgência ou amabilidade.
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  - Talvez porque eu seja bastante parecido comigo. Em consequência... Bem, as coisas não foram exatamente fáceis para você.
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  Os olhares eram distintos. Um era banhado de ternura e certeza. O outro transbordava dúvidas, certa inocência e, caso o moreno estivesse certo, anseio por descobrir as façanhas do amor caso se permitisse.
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  - Parecido como?
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  - Não posso contar ainda. Com o tempo você descobre.
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  - É a terceira pessoa quem me diz algo parecido. – frustrado, ergueu as sobrancelhas – Acho que nunca descobrirei a resposta para esse enigma.
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  Achando adorável o contraste entre eles e orgulhando-se de ser quase um guia para o ruivo, se inclinou até os lábios ficarem rentes a orelha para sussurrar:
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  - Eu posso te ajudar a desvendá-lo. Aceita?
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  Não refreou o impulso virar a cabeça o suficiente para beijar a sensível pele do pescoço passando a ponta da língua macia sobre a carne. Adorou ouvi-lo arfar e em como as vestes foram agarradas em resposta.
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  - Vou descer, pequeno.
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  Ia se afastar, porém Damon o prendeu no lugar sem se desvencilhar.
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  - Pequeno? – pronunciou a palavra arrastando cada sílaba.
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  Pensou de ser repreendido pelo atrevimento, entretanto a expressão de divertimento afastou a possibilidade de sua mente.
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  - Perdoa. Estou me segurando para não te chamar assim desde quando fomos para a cachoeira.
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  O sorriso iluminou o rosto rosado pelo acanhamento repentino.
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  - Não se preocupe. Pode me chamar por esse apelido, desde que seja somente você.
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  Não imaginou de a frase soar como uma confidência e nem de haver tamanha docilidade na voz. A apreensão passou ao ver a transformação na fisionomia dele, quem aparentou contentamento por poder se referir a ele pelo apelido quando estivessem à sós, longe dos olhares curiosos e julgadores.
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  Deu um último beijo na testa alva antes de sair, mas não sem antes vislumbrar o semblante assombrado do rapaz, quem ansiava por algo que sequer sabia o que era.
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  - Que, diabos, estou fazendo? – o escravo desceu as escadas pensando até onde suas ações o levariam.
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  Durante a conversa no quarto do patrão, no andar debaixo Bia chegava à cozinha alegremente.
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  - Bom dia, querida! – a governanta a cumprimentou numa incomum paciência e alegria.
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  Na mesa havia vários alimentos, desde frutas até bolos.
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  - Pensei de tomarmos o café da manhã juntas. Me acompanha?
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  Desconfiada, a menina se acomodou de frente a ela.
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  - E então? O passeio foi bom? – sorridente, despejava café na xícara.
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  - Então... – apanhou pão o mordiscando – Bastante.
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  - Algo de interessante aconteceu?
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  Recostou na cadeira sem se deixar enganar.
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  - O que quer me perguntar de verdade, Bianca?
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  - Como assim, querida?
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  - É a segunda vez em menos de cinco minutos que me chama de querida, a mesa farta, não está me apressando... – contou nos dedos cada ação incomum – Obviamente quer alguma informação de mim. No mínimo.
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  A governanta estreitou os olhos. Só então percebeu o quanto a outra era esperta a despeito da idade.
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  - É perspicaz demais para o meu gosto. – reclamou – Desembucha, logo. Como foi ontem?
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  - Foi ótimo.
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  - Como o Damon estava? – tomou o café quente.
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  - Alegre. Acho que nunca o vi sorrir tanto desde quando o conheci.
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  - Jura?
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  - Sim.
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  - E quanto ao Sebastian?
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  - Que tem ele? – repousou os cotovelos na mesa mordendo o pão na mão direita.
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  - Ficou calado o tempo todo, conversou...
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  - Não parou de conversar com o senhor Smith. Não se desgrudaram. Parando para pensar melhor, pareciam estar bem confortáveis. Sinceramente? Pareciam até amigos.
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  A dualidade entre a apreensão e o entusiasmo passaram na face da mais velha.
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  - E você estranhou ou não?
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  - Claro que não. Eles são muito bonzinhos, principalmente para mim. Gosto de vê-los juntos.
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  - Por acaso ouviu algum dos empregados tecer comentários sobre eles?
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  - Por enquanto, não.
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  Soltou o ar preso nos pulmões completamente aliviada. A avaliou por longos segundos até finalmente falar:
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  - Bia, eu não queria envolvê-la nisso, mas preciso da sua ajuda. Já conversei com Mary no particular, então tenho o apoio dela.
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  - Pode dizer.
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  - Caso pegue os empregados falando besteira do Damon e do Sebastian, cause alguma distração. Não os deixe prosseguirem com a conversa. Tudo bem?
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  - Pode deixar, mas... Por que está me pedindo isso?
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  - Empregados tendem a falar demais. E há assuntos os quais jamais podem sair dessas paredes e nem chegar aos ouvidos de Kassandra. O estrago será feio se acontecer, Deus que nos livre. – se benzeu.
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  - Tudo bem.
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  Mary não seria tão compreensiva e nem persuasiva.
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  Vários meses mais tarde, quando ouvisse uma das empregadas comentando com outra sobre ter avistado Sebastian entrando escondido no quarto do patrão, se trancaria no armário onde guardavam os utensílios de limpeza como panos e vassouras. Na fraca luz as ameaçaria com o cutelo rente aos rostos apavorados.
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  Para confirmar suas palavras, no dia seguinte surgiriam vestidos delas rasgados com facas sobre as camas.
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  Nunca mais levantariam comentários – e procuraram evitar a cozinheira por semanas.
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