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Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 16

Tempo estimado de leitura: 66 minutos

  A viagem de Paul Smith para o Norte foi tediosa.
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  Aos vinte anos se deslocou para terras tão longínquas por motivos acima de seus interesses particulares em continuar no Sul. Uma prima distante estava adoentada e não havia nenhum familiar pela região para socorrê-la. A receber a notícia através de uma carta escrita por ela, de imediato se apressou em enviar a sua resposta pelo mensageiro, onde esclarecia que estava a caminho para morar com a mulher até a sua completa recuperação.
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  Afinal, apesar da viuvez, não era seguro para nenhuma mulher passar por aquele período de enfermidade sozinha dentro de casa. Uma mulher solitária sem parentes próximos já era, no mínimo, preocupante naquela sociedade. Enferma? Fora de cogitação não ficar sob os cuidados de um parente – masculino, de preferência, para interferir em qualquer intercorrência.
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  Não imaginou de sua estadia se estender mesmo após o reestabelecimento da prima – e o motivo surpreendeu até a si.
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  Meggie Ward era uma figura fascinante de encantadora. Aos dezessete anos era doce, meiga, educada, gentil e afável. Nos vestidos claros, suas cores preferidas, parecia um anjo pela jovial face de traços delicados. Os lisos cabelos ruivos caíam em ondas até o meio das costas – isso descobriria na linda primeira noite deles de casados – em mechas as quais teve vontade se sentir a textura desde quando a avistou pela primeira vez ao acaso caminhando na rua acompanhada pela mãe.
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  Se apaixonaram quando foram apresentados. Assim como qualquer homem respeitoso da época, a cortejou sempre sob a vistoria da família Ward em visitas no período da tarde as quais chegava com um agrado, como flores ou guloseimas – é claro, buscou descobrir com antecedência as preferências dela e da família para ser assertivo quanto a escolha dos presentes. Se aproximou deles em conversa agradável, de vez em quando lançando espontâneos sorrisos e olhares carinhosos para ela, quem, tímida, retribuía se repreendendo mentalmente pelas bochechas esquentarem em consequência do rubor.
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  Iam em passeios, piqueniques e qualquer evento social o qual ela lhe contava que compareceria, ele prontamente comparecia. Dançava junto a Meggie admirando as espontâneas reações adoráveis dela em suas discretas investidas e elogios genuínos acerca de sua personalidade e beleza.
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  Por fim, se casaram por amor. Ao contrário de inúmeros lordes, foi gentil e paciente com a moça, quem jamais sequer havia sido meramente tocada no íntimo. Era um amante esforçado, atencioso. Soube como relaxá-la, como acariciá-la, como deixá-la trêmula e, automaticamente, molhada. A aguardou lubrificar explorando com extrema doçura os pontos mais sensíveis para, então, penetrá-la em movimentos suaves para evitar qualquer desconforto desnecessário por parte dela.
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  A noite foi memorável para ambos.
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  Como a família Ward sabia para onde a jovem seria levada para morar, designaram Bianca e Mary – duas empregadas de confiança da família há quinze anos – para a acompanharem por precaução. Não imaginavam que Paul fosse capaz de destratá-la ou agredi-la em virtude da maneira como a tratava, porém não eram ingênuos. Conheciam a natureza humana, principalmente a masculina. Usando da desculpa que seria bom ela ter contato com o paladar da região nortenha e uma governanta de confiança para realização das tarefas domésticas, enviou ambas com ordens restritas para lhes comunicar sobre o casamento – principalmente caso sofresse no matrimônio para os homens Ward interferirem da maneira mais conveniente para socorrê-la.
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  Como Paul era igualmente perspicaz, não criou empecilhos ou rejeitou a proposta da família. Concordou com a recomendação e até apreciou o cuidado por parte dos familiares dela.
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  Portanto, o alívio tomou a todos quando as primeiras cartas com a letra de Bianca ou Mary chegaram ao longo de quatro anos contando como Meggie era bem tratada, bem cuidada, respeitada e amada profundamente.
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  Para não deixar a prima morando sozinha, a levou consigo. Apesar da recuperação estava no fim da vida, então morreu um ano e meio após chegar na fazenda.
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  Pela mudança radical no estilo de vida, a princípio a jovem casada se retraiu perante o tratamento dado pelos escravos da fazenda Smith. Os gritos dos açoitamentos a desesperavam e, escondida, buscava oferecer comida e água com o auxílio de Mary e Bianca para aqueles que sofriam com a privação de alimentos.
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  Notando a fisionomia cada vez mais introspectiva dela, Paul decidiu vetar os castigos físicos, as torturas e as privações. Embora ainda não fosse o adequado, mandou preparar comidas de maior valor nutritivo para eles e diminuiu três horas do horário de trabalho.
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  Ao receber a notícia, se jogou nos braços do marido em agradecimento com lágrimas de felicidade e sorriso genuíno.
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  Era de se imaginar como a morte dela ao dar à luz para o único filho, Damon Smith, impactou o marido.
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  O homem mudou completamente. Se tornou amargurado e recorreu a bebida para aliviar o luto e a dor irreparável a qual o acompanharia até o seu último dia de vida pela morte de Meggie, quem trouxe imensa felicidade para a fazenda.
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  Quem criou o menino foi Bianca. Lhe dava carinhos, atenção e tudo o que carecia por causa da ausência da mãe. Graças a ela, soube como era ter uma figura materna.
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  Paul era incapaz de olhar para o filho por meses pelo bebê ser idêntico à esposa. Demorou para ter contato físico com a criança ao ponto de não suportar encará-lo. Porém, numa noite em particular, vagando pela mansão em tênue embriaguez, ouviu os sons infantis. Entrou no quarto cambaleante e, encontrando o rechonchudo rostinho inocente lhe dirigindo um sorriso banguela, foi impossível não tomá-lo nos braços, refletindo sobre como era adorável a busca do pequeno pela experiência sensorial quando as mínimas mãos se emaranhavam na sua barba farta – como se despreocupou com a aparência desde o falecimento de Meggie, a deixou para além do que costumava usar.
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  Quando a dupla o encontrou pela manhã ninando o filho ao nascer do Sol em semblante mais tranquilo em meses, agradeceram intimamente e se afastaram sem fazer barulho para permitir o momento afetuoso entre pai e filho sem interrupções.
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  Logo notou como Damon era mais delicado em comparação aos outros meninos de sua idade. Como forma de protegê-lo da cruel sociedade, o podou radicalmente ao longo da infância até os trejeitos desaparecerem por completo, a voz engrossar e o filho se atentar a controlar os gestos, as expressões faciais e o tom de voz.
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  Paul não se orgulhava do seu comportamento perante o filho. Francamente não se importava com a maneira mais doce de agir. Entretanto, a sociedade estranharia – e ela sabia ser bem cruel com quem destoasse dos padrões de conduta estabelecidos.
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  Simultaneamente, o queria com a índole mais bem comparada aos das pessoas da região onde nasceu. Em consequência, permitiu e encorajou Bianca ensiná-lo sobre como as pessoas não se distinguiam pela cor da pele. Ambos o queriam um homem melhor que o genitor – e não teceram esforços. A governanta lhe transmitia seus pensamentos abolicionistas e Paul, quando o garoto atingiu certa idade, mais precisamente os sete anos, passou a dialogar sobre como mulheres precisavam de tratamento mais delicado e respeitoso.
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  Aos onze anos o assunto evoluiu. Com o avançar da maturidade, o contou sobre os enlaces matrimoniais, a importância de excitá-las caso se deitasse com alguém e como as massagearia para lubrificá-las – assim, evitando dor ou desconforto nas penetrações. E o tratamento não distinguiria entre a esposa, as mulheres da taberna e as escravas – se lhes dessem a devida permissão e as preparasse como foi ensinado, é claro.
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  Apesar de amá-lo profundamente, buscou protegê-lo ao corrigir – como se, em sua concepção, fosse necessária a correção – o seu jeito mais delicado.
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  Era de se imaginar que, ao receber a notícia sobre a morte do filho ainda pela madrugada por meio de um escravo com um tiro no ombro cuja bala não atravessou a carne, o misto de fúria e luto tomaria as suas feições as endurecendo e o olhar se tornaria gélido ao ponto do escravo se afastar apenas por medida de precaução.
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  - Leve-me para a cena do crime, Akil.
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  No amanhecer chegaram no trecho cujo cheiro de tragédia impregnava a atmosfera. Observava atento cada centímetro enquanto se deslocava devagar analisando todas as evidências da desgraça que resultou no assassinato do grupo.
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  Avaliando os corpos, as balas atingiram o peito de Damon e do moreno quem desconhecia. Morreram em posição onde demonstrava a lealdade entre eles – caídos de bruços no chão em meio às folhagens secas, com a palma de Sebastian direcionada a face alva para tocar a ponta do nariz onde ainda encostava o indicador na região. Dean, o primeiro a ser atingido, estava ao lado da carruagem abandonada onde os animais balançavam o rabo de vez em quando. Bia, a última a morrer, estava metros à frente com dois tiros – um na genitália para evitar de ser estuprada pelos homens e um no queixo, onde, aos prantos, apontou o cano da arma e disparou se matando com a bala atravessando o crânio em terrível som porque não havia outra escapatória.
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  - O que aconteceu aqui? – ao lado dos corpos, agachou observando o posicionamento intrigante entre Damon e Sebastian.
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  Graças ao rastro, notou como o moreno se arrastou para tentar socorrê-lo em vão, já que o rapaz não respirava mais.
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  - Acho que foram ladrões, senhor. – contou Ralph, o responsável por velar o quarteto até a chegada de Paul – Foi tudo muito rápido. Não pudemos impedir.
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  - Por que não fizeram nada? – a voz era gélida e intrigantemente indiferente.
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  Pensava para além do crime cometido – e não gostava do caminho desenhado pela sua mente quando, de relance, viu as malas fechadas e intocadas dentro da carruagem cuja porta permaneceu escancarada.
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  - Porque estávamos longe e sem armas. – elucidou Ralph amarrando com mais força o pano no braço de Akil já sem a bala a qual foi retirada na fazenda de Paul pelo irmão dele, Arthur, enquanto o outro se arrumava para sair – Não esperávamos de algo assim acontecer. Quem nos enviou para segui-los foi Bianca, mas foi apenas por medida de segurança. Não estávamos preparados para entrarmos num conflito de armas.
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  Em silêncio, se levantou com as narinas infladas contendo a fúria e seguiu em frente até a última pessoa desfalecida.
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  Ao lado do corpo de Bia, encontrou uma faca ensanguentada com um pedaço de tecido manchado de sangue.
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  As narinas inflaram de novo, os olhos injetaram e as írises escureceram porque nenhum dos mortos tinha sinais de lacerações.
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  A possibilidade de localizar os responsáveis era pequena porque Akil e Ralph não viram a face dos assassinos por estarem distantes demais e não haver iluminação adequada. Seria difícil, não impossível.
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  - Aconteceu rápido demais. – explicou Akil – Quando chegamos os responsáveis fugiam nos próprios cavalos. Só consegui chegar na fazenda do senhor porque peguei esse cavalo marrom que provavelmente foi destinado junto aos outros para escoltá-los até o destino. – recostou no animal reclamando de dor.
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  - E qual o motivo dessa viagem no meio da madrugada?
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  - Não sabemos, senhor. Não nos foi contado. Ninguém mais sabia que eles sairiam, inclusive. – contou Ralph – Somente fomos acordados de noite para os acompanharmos, lhe avisar caso algo acontecesse e lhe entregar a carta.
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  Paul conteve o xingamento pela falta de informações cruciais. Apanhando o cabo da lâmina, refletiu em séria expressão taciturna por alguns instantes com uma mão direita envolta do cabo e o dedo indicador sobre a ponta afiada.
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  - Abram tudo o que está na carruagem.
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  A ordem foi obedecida de imediato. Encontrou malas cheias de roupas, pertences íntimos, o lanche preparado por Mary e dinheiro suficiente para o filho se sustentar por meses caso seu objetivo fosse morar em outro lugar.
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  Segundo suas suspeitas, aquilo não foi obra de saqueadores – do contrário o dinheiro teria sumido.
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  Foi organizado previamente para emboscá-los sem escapatória.
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  O ódio diluiria no decorrer dos anos quando um por um dos envolvidos morresse por condições adversas – desde envenenamentos até assassinatos a sangue frio sem deixar rastros.
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  E que o próprio Lúcifer protegesse os responsáveis poque nenhuma força do céu ou do inferno impediria Paul de se vingar dos participantes pela morte do único filho, desde o mandante até quem efetuou os tiros.
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  Teria muito trabalho árduo no decorrer dos anos para elaborar a retaliação junto ao irmão, quem o auxiliaria prontamente nas investigações.
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  Após o enterro, Paul estava exausto.
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  Despendeu toda a energia maquinando as infinitas possibilidades sobre o que poderia ter acontecido junto a Arthur.
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  Como entregou a fazenda onde morou com Meggie para Damon no casamento do rapaz com Kassandra, na época se mudou para outra propriedade da família adquirida pelo irmão. Na segunda propriedade era o responsável pela administração pelo mais jovem não conhecer direito acerca do negócio devido à falta de experiência oriunda da juventude.
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  Agora, após mais de sete anos, Arthur se aprimorou e aprendeu o suficiente para se responsabilizar por ela – acordo estabelecido entre os dois em voz baixa pouco antes do enterro acontecer.
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  Ao chegar na nova casa, chamou Bianca para o seu antigo escritório após se certificar que os outros foram se recolher.
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  Quando a mulher adentrou em vestes de luto e impactada pelas perdas, o encontrou enchendo dois copos de bebida alcoólica atrás da mesa do escritório onde Damon costumava trabalhar.
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  - Tranque a porta, por favor. – pediu concentrado na tarefa – E busque manter a voz baixa. Em hipótese nenhuma o que iremos tratar aqui pode atravessar essas paredes.
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  Apanhou ambos os copos de vidro e estendeu um para ela. Graças ao aceno de cabeça, o acompanhou até o sofá.
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  - Eu lembro do quanto minha esposa confiava em você. – se sentando, bebericou um gole – Da mesma forma como sei o quanto gostava dela e do meu filho.
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  - Era um rapaz fenomenal. O criei como se fosse meu próprio filho. – fungou tomando o conteúdo em um único gole – Fará falta nesse lugar.
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  - É justamente por causa desse sentimento maternal e do quão leal era com ambos que preciso recorrer a você para descobrir algumas informações visando compreender melhor porque mataram meu filho, o amigo e os dois escravos.
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  - Pensei que fosse um infeliz incidente...
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  - Não. – a interrompeu – Estive no lugar. Analisei cada corpo e posso afirmar. Houve um mandante. Os questionamentos indispensáveis são quem e por quê. Meu filho tinha desavença com alguém?
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  - Não necessariamente. – repousou o copo vazio no colo – A única pessoa de quem não gostava era Patrick e o desafeto era recíproco. Nunca chegaram às vias de agressões ou ameaças.
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  - Por que se desgostavam?
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  - A índole de Patrick é terrível. Certa vez Dean me confidenciou que foi o responsável pela morte de uma das filhas por lhe passar doença incapaz de crianças desenvolverem ou contraírem sozinhas, então foi mortal para a menina.
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  - Incapaz de crianças desenvolverem? Qual doença seria essa?
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  Demorou cinco segundos para se atinar sobre o que ela especulava.
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  - Ser desprezível. – foi a vez dele de tomar a bebida em um gole por ojeriza das ações alheias – Por que os quatro fugiam? E nem tente subestimar a minha inteligência. Fiz um inferno para encobrir as evidências de como fugiam para a fofoca não correr pela sociedade.
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  - O Damon não...
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  Não a aguardou finalizar a frase. Apanhou desenhos escondidos entre as almofadas onde nos traços havia as imagens de Sebastian sozinho em diferentes ambientes – no quarto de Damon, tocando ao piano ou na cachoeira.
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  Em alguns estava completamente desnudo.
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  - Encontrei isso guardado entre diversas folhas na gaveta do meu filho. – os entregou para ela, quem analisou agradecendo a escuridão. Do contrário, o patrão veria a discreta palidez – Presumo que possa me explicar o motivo desses desenhos realizados pelo Damon assim como o que impulsionou a fuga. Você sabe de tudo sobre esta casa desde quando chegou aqui conosco. Duvido que tenha perdido a habilidosa capacidade auditiva nesses mais de trinta anos de serviço.
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  Passou longos minutos silenciosos onde o olhar de Paul não desviou dela nenhum segundo.
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  Replicou apenas porque não havia outra alternativa.
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  - Bom... O quanto o senhor amava o seu filho?
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  - O suficiente para prezar pela sobrevivência dele inserido numa sociedade onde claramente seria hostilizado caso eu não podasse o comportamento meigo para se adequar sem grandes dificuldades e ser discreto sobre sua vida. Não é surpresa para nós dois e Mary a delicadeza incomum nele. Me esforcei ao máximo para protegê-lo. Não me arrependo, mas também não me orgulho. Foi necessário, independentemente do que achamos ser certo ou errado.
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  Apesar do temperamento mais contundente e da facilidade de elaborar planos de vingança sem arrependimentos contra quem o prejudicasse, a mulher não esperava outra resposta.
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  - Há alguns anos comprou os dois escravos que o acompanhavam na carruagem, Sebastian e Bia. Na verdade, os salvou de Patrick. Eles tornaram esse lugar infinitamente mais alegre de se viver. – saudosa, varreu o ambiente com o olhar ainda capaz de ouvir a língua atrevida da jovem, as risadas de Damon na companhia dos amigos e o som melodioso de Sebastian ao piano – Não conheço os detalhes, entretanto, aos poucos, se apaixonaram.
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  - Aquela garota era nova demais para o meu filho. – franziu o cenho.
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  A simples ideia dela o atrair era absurda pela clara diferença de idade.
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  - Não me referia a Bia. Me referi ao Sebastian.
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  A expressão seria cômica se não fosse pelo cenário trágico.
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  - Damon se apaixonou por quem?
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  - Sebastian.
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  - Sebastian é o homem, negro, escravo e quem trabalhava aqui? – ergueu um dedo para cada característica – É o mesmo desses desenhos?
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  - Sim.
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  - Meu Deus! – recostou no sofá – E você permitiu?
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  - É claro!
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  - Pelo amor de Deus, Bianca! – estava visivelmente irritado.
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  - Eu não iria interferir. – ponderou com autoridade na voz sem se importar se era uma empregada de Paul – Se visse como meu menino estava alegre... Sebastian lhe fazia muito bem. Até a fisionomia se tornou mais leve.
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  Devido ao temperamento em circunstâncias tão desastrosas, achou mais prudente não discutir com ela sobre esse tema. Aguardaria o momento mais propício para abordar o assunto delicado.
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  - E depois disso?
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  - Alguém os flagrou juntos. Um homem e uma mulher para ser mais específica. Não sei as identidades além dos seus sexos. Infelizmente não tardou para os burburinhos começarem.
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  - Foi esse o motivo da fuga?
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  - Sim, senhor.
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  Passou quase sessenta segundos completos em total estado de paralisia enquanto refletia.
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  - Houve uma outra pessoa além do mandante. – contou em tom inflexível – Do contrário, não teriam encontrado a localização da carruagem. Há mais alguma coisa importante para eu saber?
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  - Kassandra está grávida. Está nos meses iniciais da gravidez. Todavia, há boatos sobre um encontro furtivo entre ela e Patrick.
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  - Precisamos aguardar até o nascimento da criança para descobrirmos se pertente a minha linhagem. Depois penso sobre o melhor a se fazer se o bebê não carregar o meu sangue.
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  - O que fará acerca dos assassinatos?
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  - Damon cometeu a burrice de se envolver romanticamente com um escravo. Embora eu não concorde pelos obstáculos óbvios, está longe de merecer a morte. Era meu único filho, fruto do amor entre mim e Meggie. Se me ajudar a recolher outras peças desse quebra-cabeça, sei exatamente como vingá-lo. Só precisaremos ser discretos e pacientes. O resto basta deixar a meu encargo.
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  Por mais que detestasse o lado mais sombrio de Paul, seria sua aliada para não permitir dos covardes criminosos passarem impunes.
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  Kassandra estava à beira de um colapso nervoso.
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  O combinado com Patrick era dele se livrar de Sebastian e de Bia, não de assassinar a todos.
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  A emboscada daria certo caso os seis homens contratados não tivessem se interessado na bonita jovem de olhos astutos. Como os quatro não estavam armados, não tiveram nem oportunidade de lutar contra os desconhecidos. Tentaram protegê-la da forma como puderam sem êxito nenhum. Quando Dean, quem se colocou na frente da garota usando o corpo como obstáculo para não a alcançarem, foi alvejado, Damon e Sebastian buscaram alcançá-la.
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  No meio da noite o mais novo caiu pelo tiro certeiro na cabeça e no peito. Sebastian foi incapaz de se manter de pé pela bala acertar o joelho.
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  - Bia, corre! Sai daqui! – gritou para a jovem por vê-la tentando alcançá-los com lágrimas escorrendo pela derme.
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  Sem alternativa melhor, a menina saiu em disparada na escuridão com os homens a seguindo montados nos cavalos com tochas e armas apontadas. Pelo susto, se encolheu pelo último disparo ceifar a vida do mordomo.
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  Como o no cavalo branco a alcançou, a jogou no chão sem perceber que a mão dela apanhou o cabo de uma faca escondida no calçado dele. Aproveitou da tentativa dela de se pôr de pé para puxá-la pela perna, de imediato a montando. Não demorou um único segundo em cima de Bia porque usou a faca para cortar o rosto do homem. Em grito tenebroso, se afastou pela dor e pelo choque da marca que certamente o acompanharia pela deformação da bochecha direita a rasgando completamente.
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  Era esperta até demais. Enxergando a desvantagem, automaticamente depreendeu que não havia escapatória daquele pesadelo. Buscou marcá-lo tanto para afastá-lo quanto para identificação na possibilidade de haver investigações para apurar os crimes daquela noite.
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  Em questão de instante notou como seria seu destino ao se deparar com os demais se aproximando nos cavalos – e preferia a morte a ser estuprada violentamente por seis desconhecidos.
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  Aceitaria muita coisa naquela vida, menos aquilo. Portanto, agarrou a arma na cintura do homem preocupado com a deformidade imposta e atirou na genitália para impedir o abuso e na região abaixo do queixo para se matar, a bala atravessando o crânio e atingir o céu.
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  Agora, Kassandra estava sem marido para sobreviver e carregava parte da culpa daquela desgraça na consciência. Não queria que houvesse aquelas mortes, mas o fato de pensar que se vingou de Damon e Sebastian, duas figuras as quais a impediram de salvar Celie a atrasando valiosos minutos de maneira a não conseguir alcançá-la pela casa arder em labaredas terríveis, acalmava seu coração amargurado.
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  Afinal, se ela não seria feliz ao lado da amada, a eles também não era permitido.
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  A gravidez igualmente não a ajudou a se tranquilizar.
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  Não nasceu para o papel de mãe.
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  Detestou cada segundo da experiência. Ganhou peso, viu o corpo se transformar, os pés doíam, as costas doíam e sentia-se feia devido a aparência. A única com quem ainda encontrava certo alívio era Zuri, quem a ajudava sempre e a acompanhava nos passeios, já que, com a morte de Celie e Damon, não havia mais ninguém para conversar de maneira segura sem a pesada máscara social tamanha a solidão.
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  De imediato Paul passou a observar com atenção as situações e entrar em conversas despretensiosas tanto com os empregados quanto com os indivíduos da sociedade para colher informações.
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  Além disso começou a se aproximar de Patrick após traçar o perfil dele por meio dos comentários das pessoas. Criou um personagem para quando estivesse na companhia do loiro, se tornando bastante próximo a ele – a despeito do gênio, o pai de Damon sabia ser sociável quando necessário. O apoiava e incentivava nos jogos, o acompanhava nos bordéis e na bebedeira da vida boêmia tomando cada vez mais ojeriza do homem pelo comportamento déspota e execrável.
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  Dentro de casa, Bianca e o patrão notaram como a única responsável por efetuar a limpeza no quarto de Kassandra era Zuri.
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  Portanto, junto a Bianca e com o auxílio de Mary, executaram um plano para a governanta bisbilhotar os aposentos femininos.
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  Aproveitaram um noturno evento social. Paul e Kassandra compareceram educadamente. A Zuri foi oferecida o chá para ser tomado junto à governanta e a cozinheira sem notar a pequena quantidade das ervas citadas por Bia no passado para quem sofre de insônia.
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  Não demorou nem dez minutos para surtir efeito, então se recolheu no quarto destinado para ela.
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  De imediato Bianca foi vasculhar cada canto do quarto da viúva. Mary permaneceu no corredor para evitar de algum outro empregado descobrir a amiga.
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  Escondido no armário de roupas, encontrou o caderno. Ao lê-lo rapidamente, o escondeu nas vestes e se retirou irada.
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  - Se está aqui nesse horário deduzo que descobriu algo relevante.
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  Paul estava desolado sentado na cadeira atrás da mesa do escritório onde o filho se acomodou diversas vezes para trabalhar.
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  Durante o dia o senhor Smith era um homem comum. Nem parecia sofrer pela morte do filho. Não. O sofrimento estava destinado para as madrugadas, longe dos olhares curiosos e dos comentários afiados.
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  Por obra da sociedade exigir postura totalmente racional do sexo masculino, aprendeu a suprimir seus sentimentos e emoções. Ora, a ele não era permitido fraquejar nem perante o falecimento de Damon. Não era a conduta correta para verdadeiros homens.
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  O sofrimento e as lágrimas estavam destinados para bebês, meninas e mulheres. Não para meninos ou homens – e esse era o motivo de se trancar no quarto ou no escritório a cada madrugada. Foi a maneira encontrada para se lamentar sozinho sem se arriscar a ser descoberto pelos empregados ou qualquer outra pessoa.
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  A única quem permitia vê-lo naquele estado era Bianca.
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  Ela sabia onde encontrá-lo quando todos já haviam se recolhido, então nenhum dos dois se surpreendeu – ele dela entrar sem se anunciar e ela pelas lágrimas escorrendo pela face lamuriosa.
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  - E está correto. Tenho algo para o senhor.
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  Atravessou o cômodo segurando a lamparina com a mão esquerda para lhe estender o caderno na direita.
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  - Encontrei escondido no armário dela. Precisa ler cada linha.
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  Na leitura havia a elaboração do plano, mas não o motivo – e isso era, no mínimo, intrigante.
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  - Assim como suspeitei. – o entregou para guardá-lo de volta.
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  - Vai continuar andando com Patrick?
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  - Obviamente. – fungou secando os olhos e se obrigando a cessar o pranto.
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  - Não consigo ter esse sangue frio.
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  - Entenda uma coisa, Bianca. Para algumas coisas é necessário ter sangue frio. Não suporto a companhia do desgraçado. Eu preciso ser lógico. Se me levar pelas emoções, minha mente se anuviará e perderei o raciocínio. Não admito meus planos desandarem em virtude do meu luto. O destino do maldito já está traçado. Ele não continuará respirando por muito tempo.
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  Durante o discurso, se recordava do lago o qual passou a caminho de onde Damon foi enterrado.
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  Achou bastante interessante quando viu a cauda de um réptil desaparecer na água escura.
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  - Agora, me responda. – pressionou o topo do nariz com o dedo anelar e o polegar se sentindo desgastado, como se a energia estivesse sendo drenada desde o assassinato do ruivo – O que você tinha na cabeça ao permiti-lo de se aproximar do escravo?
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  - Pensava na felicidade dele.
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  - Mortos não são capazes de desfrutar da felicidade.
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  Ambos detestaram a escolha de palavras – e até concordou intimamente quando o caderno atingiu a bochecha em cheio.
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  - Não fale como se eu não presasse o melhor para o menino. – a raiva sobrepujava a perplexidade por agredi-lo – Nunca saí do lado dele e o acompanhei em cada dia de vida. E acredite, Paul. Nunca o vi tão feliz antes. O rosto estava iluminado e a casa era tomada de alegria pelo seu estado de espírito.
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  - O seu dever era manter Damon vivo. – retrucou em agressiva voz baixa.
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  - Não. Esse dever era o seu. O meu era alegrá-lo e lhe dar um motivo para viver. E não me importa se eu for parar no inferno por isso, cumpri minha obrigação com primor. Ainda precisa dos meus serviços?
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  - Não.
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  - Tenha uma boa noite, então.
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  Na madrugada chuvosa se escutava os gritos de Kassandra por cada cômodo de todos os andares.
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  A dor de dar à luz era insuportável. Suava na cama em meio às contrações, os joelhos estavam separados, a camisola branca erguida acima das coxas e os lençóis sob si foram manchados de sangue espeço. Zuri, Mary e Bianca a acompanhavam enquanto Paul fumava angustiado no corredor do lado de fora.
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  Ao contrário das outras, Zuri não fazia nada além de apoiá-la emocionalmente e lhe segurar a mão.
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  - Por favor, alguém tira a criança de dentro de mim. – soluçava em desespero com gotículas de suor descendo pela derme e a feição na mais perfeita agonia – Eu não suporto mais.
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  - Aguenta, sim, senhora. – a escrava secava as lágrimas lhe agarrando firmemente a mão – A criança não deve demorar mais.
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  - Está doendo demais, Zuri. Por favor, faz isso parar. Por favor. – se lamuriou em agonia antes da nova contração a obrigar a se contrair para frente.
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  - Está quase, Kassandra. – avisou Mary posicionada ansiosa entre as pernas dela – Já coroou. Falta pouco. Anda. Na próxima contração empurra com toda a força e não para até sentir o bebê deslizar de você.
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  Quando aconteceu, a mulher nunca soltou um berro tão dilacerante. O sabor metálico tomou conta da boca e expeliu algo de dentro de si.
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  Caiu no colchão completamente esgotada e sem forças ouvindo o choro infantil.
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  Mais tarde, já limpa com ajuda da escrava, com os lençóis trocados e nova camisola, observava Mary ninar a criança também limpa em tecidos confortáveis.
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  A feição da cozinheira era encantadora.
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  A de Kassandra impassível.
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  - Olhe. – aproximou dela e abaixou-se na altura capaz da mãe ver a bebê – É uma menina.
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  Contrariando as expectativas, a genitora virou o rosto para o outro lado.
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  Durante o descanso de Kassandra, Paul entrou no quarto quando foi liberado para averiguar a criança agora no colo de Bianca.
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  Pelo avançar da hora, a cozinheira foi preparar o café da manhã enquanto Zuri lavava as peças ensopadas de suor, então quem cuidava da recém-nascida era a governanta.
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  - É igual ao pai. – a voz saudosa ecoou em raro sorriso ao ver o rostinho adormecido.
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  Pouco antes do amanhecer, se retirou para dormir. Entretanto, uma cena o parou o obrigando a mudar o trajeto.
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  No caminho encontrou Mary distribuindo comida de qualidade para os escravos enfileirados na porta da cozinha a qual dava acesso ao exterior da fazenda.
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  - Posso saber o que é isso?
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  De tão concentrada na habitual tarefa não o notou, então a voz atrás de si a sobressaltou.
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  Explicou a rotina combinada com Damon assim que a mansão foi transferida para ele – e Paul não poderia estar mais perplexo.
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  - Agora entendo o motivo do meu filho ter morrido. Era bom demais para um lugar tão cruel. – comentou num misto de aprovação e amargura por compreender que, de fato, alcançou o objetivo do falecido se tornar um homem mais bem comparado ao genitor e aos outros da região – Dependendo da situação, não indico porque é perigoso. Eu deveria ter pensado nisso antes. – resmungou se retirando.
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  Não a repreendeu e não interferiu na rotina caseira para honrar a memória da esposa e do filho.
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  Cinco meses foram necessários para se darem conta de que Kassandra não queria envolvimento com a bebê.
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  Não interagia, a amamentava somente porque era necessário e não queria passar tempo na companhia de Grace, sua adorável filha.
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  Graças a cabeleira ruiva, Paul sanou suas dúvidas.
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  Ao longo daquele tempo, o irmão atuava na surdina a procura dos algozes do filho. Demorou um pouco para decifrar os respectivos paradeiros, mas não foi nada de alarmante.
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  Bia foi bastante astuta em rasgar a bochecha do algoz.
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  - Agora que sabemos a paternidade da menina, o que fará com Kassandra?
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  Acomodados nas pontas opostas do sofá no escritório, dialogavam em voz baixa no início da madrugada.
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  - Bom, nas circunstâncias atuais, uma menina não pode viver sem a mãe. – comentava taciturno – Damon não está mais entre nós. Seria grande covardia da minha parte obrigar a minha neta a crescer sem o pai e a mãe.
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  - Como se fizesse diferença. Ela sequer se esforça para ter contato com a garota.
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  - Para refrescar a sua memória, eu já passei por essa fase.
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  - Sim, mas foi devido ao luto. Apesar dos meses iniciais, depois não negligenciou a educação dele. Não creio que Kassandra seja como você porque não amava Damon e nunca demonstrou inclinação ao desejo de ser mãe. Na verdade, nunca me deparei com uma grávida tão irritada e mal-humorada.
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  - Acha que não queria a gravidez?
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  - Acho que ela não se encaixa nessa sociedade e faz o possível para sobreviver.
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  - Se for assim, não compreenderia o motivo para essa conduta.
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  A mulher se recordou sobre suas deduções acerca Celie, mas manteve-se calada.
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  - Então... E quanto a Kassandra? Ela vai passar ilesa?
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  - Não. Vai continuar viva enquanto eu achar pertinente para o melhor bem-estar da minha neta. Não a quero lidando com o fardo de crescer sem a presença dos pais. Entretanto... É óbvio que dificilmente exercerá o papel de mãe. Se você estiver disposta a me ajudar a criá-la como sua figura materna lhe dando afeto e atenção ao invés de somente governanta assim como fez com o meu filho, acredito que a vida dela será mais alegre. Se tiver a minha proteção e a sua amabilidade, não faltará nada para Grace.
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  - Isso não será trabalho para mim. Não se preocupe. A menina não ficará sem conhecer o amor de mãe.
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  Foi questão de tempo para a morte de Patrick acontecer.
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  Como a família do mandante era composta somente pela esposa, as filhas, tanto crianças quanto jovens solteiras, e o filho ainda de onze anos, Paul aceitou de prontidão a proposta de ser padrinho da filha mais nova de Patrick de apenas seis meses. Portanto, sob sua tutela, as figuras femininas não estariam desamparadas quando o patriarca morresse.
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  Certa noite o encontrou aparentemente ao acaso indo para casa. Pela embriaguez, lhe ofereceu carona na carruagem – e é claro que Paul sabia que o outro percorreria aquele caminho em específico para chegar na residência onde todos dormiam.
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  Ao passarem pela frondosa árvore, pediu para descerem usando uma desculpa qualquer a qual foi acatada pelo loiro.
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  Como combinado com o responsável pelo trajeto, o homem se distanciou com a carruagem sem olhar para trás e jamais tecer comentários sobre o trato.
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  O guiou em conversa divertida até a beira do lago onde pequenos olhos brilhavam pela luz do luar na superfície da escura água.
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  - Sabe por que o trouxe aqui, Patrick? – comentou o observando atentamente posicionado ao seu lado.
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  - Não faço ideia.
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  - Foi para que observe esses animas na sua frente. Veja cada um dos olhos e o que eles são capazes de fazer contigo se não me responder uma simples pergunta.
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  A fala saiu macia enquanto, discretamente, se colocava atrás dele em movimentos suaves. Naquele segundo em particular a atmosfera pesou, tornando-se perigosa de maneira tão profunda que a epiderme da vítima se arrepiou e engoliu em seco detestando como o canto do lábio repuxou em movimento nervoso.
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  - Qual pergunta?
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  O segurou pelos ombros para impedir a fuga.
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  Pela primeira vez um toque foi tão desconfortável, demonstrava tanta superioridade e exalava denso poder obscuro. Afinal, estava acostumado a ser o algoz, não a vítima.
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  Aproximou os lábios até a orelha para sussurrar em voz carregada de ar:
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  - Qual foi a motivação para matar o meu filho?
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  De imediato compreendeu o contexto daquilo. Os resquícios de divertimento desapareceram e a dificuldade para respirar se apresentou.
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  O toque alheio beirava a indecência por subjugá-lo sem exercer força.
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  Tentou fugir impulsionando o corpo para o lado. Porém, como Paul era maior e mais forte, o manteve no lugar ao abraçá-lo por trás o imobilizando.
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  - Conta para mim, Patrick. Se me contar, nada de ruim vai acontecer. Afinal, somos amigos, não somos? E não subestime a minha inteligência negando que foi o mandante daquela chacina. Me tirar para tolo me aborrece. Bastante.
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  Tremia pelo discurso e pela visão de um par de olhos brilhantes em particular se aproximar vagarosamente sem quebrar o contato visual formando ondas discretas na superfície negra.
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  - Eu... Eu aceitei a proposta de Kassandra. Foi ela quem me procurou para me propor o acordo.
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  - Qual acordo? – sorriu ligeiramente porque o animal os espreitava.
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  - Queria que eu desaparecesse com a menina e Sebastian. Em troca pagaria o valor das minhas dívidas nos jogos. Eu não estava lá, então as coisas fugiram do controle. O plano não era matar o seu filho e nem o médico.
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  - Eu sei que não era. Sabe, se não fosse pela faca deformar a face de Watson, jamais encontraríamos os seis homens quem contratou para o serviço.
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  Empalideceu graças as palavras.
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  - Agora que conseguiu a sua resposta... Posso ir agora?
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  - Sim. Só aguarde mais um momento.
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  Demorou cinco segundos para o animal se revelar. Era um crocodilo de quase quatro metros bastante interessado na nova presa.
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  - Por favor, Paul. – chorava em desespero molhando as calças – Eu tenho família. Crianças para criar, filhas para casar.
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  - Tivesse pensado nelas antes de aceitar matar o meu filho. Mande lembranças pro Watson e seus outros amiguinhos no inferno.
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  O empurrou em direção ao crocodilo.
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  O movimento do réptil foi tão rápido que o loiro sequer viu. Apenas sentiu os dentes cravarem sua perna a rasgando até alcançar os ossos.
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  Paul foi a única testemunha da morte por ouvir os gritos de Patrick ao ser arrastado para a água até ficar submerso.
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  Ninguém nunca teve notícias do homem.
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  Não deixou a família de Patrick desamparada.
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  Como o único filho tinha era novo para assumir os negócios, o ensinou tudo sobre como administrar uma fazenda daquele porte. Apesar de também cuidar dos negócios da propriedade por também ser o padrinho da filha mais nova de Patrick, não ficou com um centavo sequer pelo serviço prestado. Ao atingir a maioridade, o garoto passou a trabalhar nela sob a supervisão cuidadosa de Paul.
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  Casou as meninas em matrimônios confiáveis – e os respectivos esposos sabiam que seriam prontamente vigiados pelos outros parentes do senhor Smith, então as meninas jamais correriam o risco de serem maltratadas.
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  Em virtude do auxílio, nas tardes de domingo estava presente no almoço da família do falecido por convite deles graças a gentileza e a bondade a qual o patriarca jamais foi capaz de demonstrar.
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  Intimamente, em maior ou menor proporção, todos agradeceram o desaparecimento de Patrick e nunca sentiram falta dele – em especial a esposa, quem jamais voltaria a sangrar e nem precisaria manter-se trancada dentro de casa por algumas semanas até os hematomas ou cortes das agressões desaparecerem.
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  Grace foi a luz necessária para Paul, Bianca e Mary saírem do estado de luto.
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  Embora a mãe a rejeitasse a evitando sempre quando podia, encontrava abrigo nos braços de Bianca, Mary e até mesmo, Zuri, quem se divertia com a pureza infantil ao brincar com ela para se distrair – e também preservá-la de procurar por Kassandra, já que a genitora mal tocava nela ou era afetuosa.
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  Certa vez, aos cinco anos, elaborava alguns desenhos – habilidade adquirida pelo pai como herança – com o lápis de cor da época – feitos com giz pastel que eram incorporados a revestimentos de madeira. Sentada no assoalho depois do almoço, parecia um anjinho distraído trajando o vestido branco esvoaçante. Os cabelos ruivos caíam ondulados nas costas em simples e delicado penteado feito por Zuri.
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  Como a governanta a acompanhava bebendo uma xícara de chá no sofá localizado na sala de estar, franziu o cenho curiosa sobre o conteúdo lúdico – principalmente o rapaz de cabelos ruivos. Repousou a porcelana na mesinha a centímetros de distância e se curvou para analisar os singulares traços.
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  Intrigada, se acomodou de frente para ela apanhando as folhas para si e as avaliando com cautela.
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  Eram triviais. Havia quatro figuras as quais se alternavam na companhia dela em diferentes ocasiões cotidianas – no quarto, nos passeios ao ar livre, nas travessuras e brincadeiras. Às vezes apareciam simplesmente a observando ao longe ou brincando consigo – em particular, uma jovem morena de feições alegres estava presente em diversas ocasiões em que a menina praticava travessuras infantis as quais, de fato, Grace realmente praticou durante os seus cinco anos.
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  - Querida, quem são essas pessoas? – indagou interessada.
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  - São meus amigos. – distraída, pintava uma frondosa árvore.
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  - E por que eles não se assemelham a mais ninguém que conhecemos?
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  - Porque eles me visitam de vez em quando. A moça é muito legal. Me faz companhia sempre quando fico com medo da chuva.
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  A mulher mordiscou o interior da bochecha pela réplica peculiar. Afinal, até os três anos a menina apresentava medo de tempestades. Subitamente o sentimento desapareceu sem compreenderem a razão.
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  Corriam para o quarto de Grace quando trovejava, aflitos por, no passado, chorar assustada. A partir dos três anos e meio de idade, a encontravam dormindo tranquilamente em expressão serena ou um mínimo sorriso nos lábios.
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  - Hum... E quais são os nomes deles?
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  Usando o lápis verde, apontou para cada um citando os nomes:
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  - Papai, a Bia, o Sebastian e o Dean.
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  O coração disparou, o choro parou na garganta ao ouvi-la e precisou se apoiar no sofá atrás de si por precaução.
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  Não havia como a pequena ter conhecimento acerca de Sebastian, Dean ou Bia. Todos fizeram um pacto silencioso para mais ninguém da casa os citar em voz alta por sentirem ainda falta do trio – somente Marie e Simon eram capazes de tecerem comentários sob efeito da bebida ao relembrarem as histórias na companhia dos falecidos amigos quando visitavam a governanta em reuniões quinzenais. Nas raras ocasiões em que levantavam os nomes para debate era quando, recolhidas nos aposentos ou na cozinha, com os moradores em seus respectivos quartos, Mary e Bianca conversavam em recordações cheias de alegria da época mais contente da vida do rapaz.
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  - É... – pestanejou para afastar as lágrimas enquanto a outra voltava a atenção para o desenho – E eles falaram alguma coisa para você?
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  - Sim. Papai falou que é para eu ser boazinha e obedecer a você e ao vovô porque me amam muito e querem o meu bem. E a Bia disse para colocar um peixe na cama da mamãe se ela brigar comigo sem motivo.
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  A risada foi em virtude do humor pois mais ninguém diria algo assim exceto Bia.
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  - E também – a pequena prosseguiu – o Dean falou para eu tomar cuidado quando subir em árvores. Foi ele quem não me deixou cair da última vez ao escorregar.
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  - Bom, não posso negar a veracidade das palavras.
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  - Terminei. Ficou bonito, tia?
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  O estendeu para Bianca se acomodando no espaço entre as femininas pernas cruzadas. Agora, não havia como conter a emoção. Chorava copiosamente ao ser chamada da maneira como Damon sempre se dirigia a ela pela dificuldade em pronunciar Bianca quando era menino – e não se surpreendeu com a ideia do pai dar essa dica para a filha.
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  Assim como o antigo dono da fazenda, a menina também apresentava dificuldade para articular corretamente as sílabas do nome da governanta.
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  - Por que está chorando, tia? – os olhinhos a analisavam secando as lágrimas com as pontas dos dedos.
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  - É que... – repousou o desenho no chão para ajeitá-la sobre si – Estou feliz. Eu acho que você é uma pequena moça muito protegida e amada por todos, independentemente de estarem vivos ou não.
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  Sem depreender o abalo emocional, Grace apenas enlaçou o pescoço enterrando a cabeça no ombro alheio.
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  Pelo resto da vida se indagaria se os acontecimentos a seguir foram criações da sua imaginação ou não.
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  Ao abrir os olhos Bianca se deparou com a figura translúcida do casal. O moreno o abraçava por trás com os braços envolvendo o abdômen em toque tipicamente protetor. Sorriam mirando a cena das duas em adoração. Não estavam abatidos ou tristes. Pelo contrário. As vestes eram as costumeiras e as írises de Damon brilhavam tanto quanto as do outro.
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  Carinhoso como era de seu feitio, depositou um beijou amável no topo da cabeça de Damon apoiando o queixo nas ondas macias. Pela feição confusa da outra, assentiu em movimento mínimo como se confirmasse o surgimento dos seus espíritos ali e as visitas comentadas por Grace.
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  - Obrigado por cuidar da minha filha, tia.
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  Ao piscar novamente, a imagem etérea desapareceu.
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  Paul recebia diversas cartas cujo conteúdo apenas o destinatário e o remetente conheciam.
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  Como o amigo botânico morava longe demais, se conformou em tirar dúvidas com o especialista exigindo resposta para todos os seus questionamentos.
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  Quando certa muda de planta chegou para o senhor Smith enviada pelo botânico, Paul cuidava assim como foi explicado seguindo as orientações de cada linha à risca.
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  - Mary. Preciso conversar contigo. – a chamou na cozinha durante o preparo do almoço.
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  A levou para a parte da fazenda onde havia plantado a muda cujo tamanho quadruplicaria em questão de meses.
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  - Não chegue perto dessa erva em hipótese nenhuma. Não é comestível e estou cuidando dela pessoalmente. Não quero nem os escravos a tocando. Por favor, espalhe a notícia.
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  Grace se casou aos dezoito anos em matrimônio maravilhoso.
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  A festa foi linda, os noivos eram profundamente apaixonados e a noiva tinha ar angelical pela meiguice herdada por Damon – e, devido a ruiva ser do sexo feminino, lhe era possível demonstrá-la sem sofrer represálias.
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  Antes de se mudar para a casa do esposo, conversou com a governanta, agora beirando os setenta anos.
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  Terminavam de fazer as malas para a viagem. Os guarda-roupas foram esvaziados e os utensílios pessoais estavam separados nas carruagens daquela tarde.
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  - Tia, você me responde uma pergunta? – desconcertada, entrelaçava os dedos uns nos outros ajoelhada no meio da cama.
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  - Claro, querida.
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  Pensou de a dúvida ser acerca dos enlaces matrimoniais os quais foram explanados em diálogo um pouco constrangido por parte da noiva. Porém, não era o caso.
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  Os olhos que antes transmitiam genuína felicidade foram banhados de tristeza formando lágrimas as quais ela se recusava a derramar. A expressão magoada se intensificava e quebrou o contato visual diversas vezes para se controlar.
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  - Por que... – mordeu o lábio inferior em fisionomia tortuosa – Por que a minha mãe não me ama? – inquiriu olhando para baixo.
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  - Ah, querida... – se acomodou na frente dela a puxando para os braços acolhedores – A sua mãe gosta de você.
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  - Não continua me enganando. – fungou deitando-se de lado na cama e apoiando a cabeça nas pernas dela – Minha mãe não gosta de mim. Sempre percebi o comportamento mais distante e frio comigo. Me esforcei a acreditar que era só o jeito dela, porém a sua postura perante o meu casamento serviu para confirmar minhas suspeitas. Qual tipo de mãe se recusaria em planejar o casamento da única filha?
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  Era verdade. Kassandra se manteve à parte da festividade, então quem organizou tudo foi Paul e a governanta.
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  Além de, é claro, aparentar tédio e ficar presente durante o tempo necessário para não ser descortês.
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  - Tudo bem. Não vou mentir. – suspirou pesarosa acariciando o pequeno ombro – Não é que a sua mãe não goste de você. É que ela é amargurada.
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  - Por quê? Segundo os relatos meu pai era um marido exemplar, veio de família abastada e sempre teve a imagem e a reputação impecáveis. Não consigo entender o motivo para não gostar de mim.
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  Por sorte, os rumores sobre o encontro de Kassandra com Patrick passaram de rumores sem provas concretas – e o fato de a menina nascer tão similar com o pai era sinal claro de que não passava de fofoca para arruinar a reputação da mulher.
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  - Ela nunca se encaixou nesse mundo. É diferente demais e acabou se submetendo a algumas coisas ruins para sobreviver.
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  - Isso inclui engravidar de mim? – a olhou de esguelha.
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  - Desde quando se tornou perspicaz assim, hein? – havia afeto na voz.
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  - Não sou mais uma criança. E estou aguardando a sua explicação.
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  - Bem... Não posso mentir, então presumo que sim.
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  - Devo ser um fardo para ela. – murmurou secando as bochechas.
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  - Não, Grace. Pelo contrário. Você trouxe vida para essa casa. A sua doçura é a mesma carregada pelo seu pai.
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  - Ele parece ter sido um homem muito honrado. Falam sempre tão bem do papai.
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  - E era, querida. Era, sim. E sentiria enorme orgulho de você nesse momento.
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  Grace jamais imaginaria que o repentino calor agradável na mão direita foi em virtude de Damon no plano espiritual afagá-la paternalmente para lhe transmitir consolo perante a rejeição materna.
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  Orgulhoso por lhe proporcionar um destino digno para a neta, a aguardou se mudar para iniciar o processo de envenenamento de Kassandra.
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  Retirava quantidades precisas das ervas para macerá-las em água. Em seguida as fervia para, enfim, adicionar o líquido nos chás de camomila tomados habitualmente antes do seu descanso a debilitando sem levantar suspeitas – assim como as vidas dos inimigos em potencial ceifadas.
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  Episódios de fraqueza a acometeram com o passar dos dias, então por vezes escolheu se acomodar nos sofás no período diurno. Em seguida, pela indisposição intensificar ao longo de três semanas, optou por se manter no quarto na maior parte do tempo.
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  O destino de Zuri foi outro.
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  Na última tarde de Kassandra em vida, a vendeu para outro dono de fazenda sem avisá-las.
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  - Por favor! – no corredor, implorava ajoelhada perante o senhor Smith – Não me tire daqui. Não me venda. Por favor!
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  A despeito da idade avançada e dos cabelos grisalhos, Paul ainda impunha respeito, firmeza e autoridade quando necessário fazendo qualquer um se encolher.
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  - Se preocupasse com isso antes de trair o meu filho ao ajudar Kassandra e consequentemente Patrick a matá-lo.
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  A pele se tornou macilenta compreendendo o motivo de um homem e uma mulher terem amanhecido mortos em suas camas – os responsáveis por flagrar Damon e Sebastian no escritório e espalhar os boatos sobre o envolvimento.
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  Foi levada para a fazenda de outro proprietário bem menos gentil que as figuras masculinas da família Smith.
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  Durante a madrugada, invadiu os aposentos da viúva sem fazer barulho.
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  Deitada na cama, era um fantasma de quem um dia fora.
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  Desde a morte de Celie tomou decisões focadas na sobrevivência por estar inserida naquela sociedade patriarcal. Quando determinou pelo desaparecimento de Sebastian, o objetivo não era apenas se vingar ou pela inveja sentida devido ao casal ter a oportunidade de usufruir de um futuro unidos, mas também para tirar a mancha do nome da família do marido para não perderem a dignidade e cessar os comentários infelizes.
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  Infelizmente, o andamento das coisas se configurou de maneira a enviuvar cedo demais.
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  A consciência pesada lhe trouxe consequências lhe causando envelhecimento precoce pela culpa das mortes e do estado emocional depressivo desde a manhã quando acompanhou os gritos da antiga amante enquanto as labaredas lhe ceifavam a vida – a pele ficou opaca, olheiras se formaram, os cabelos perderam o brilho e a altivez orgulhosa de outrora não era a mesma.
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  A mirando adormecida em repugnância, repousou a lamparina na mesa de cabeceira e se sentou na cama a chamando para acordá-la.
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  Ao despertar sonolenta, enxergou um copo estendido em sua direção.
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  - Beba. – ordenou Paul.
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  - O que é? – se pôs sentada com as costas recostadas na cabeceira.
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  - Vinho.
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  - E por que eu beberia?
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  - Porque será a sua última bebida antes de morrer pela morte do meu filho.
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  O terror perpassou os olhos femininos se indagando como aquele homem descobriu o seu segredo, mas, aceitando seu destino, não se enervou ou ficou ansiosa. Simplesmente segurou o copo e tomou um gole.
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  - Então está envolvido no desaparecimento de Patrick? – lhe entregou o restante da bebida incapaz de ingerir mais do líquido adocicado.
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  - Claro, assim como dos mandantes, dos responsáveis por espalharem a fofoca por flagrá-lo na companhia do escravo e os seis contratados pelo seu amante.
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  - Patrick não era meu amante. Tínhamos um trato. Lhe entreguei o que me foi exigido para cumprir a minha parte do acordo. É uma pena mulheres só serem valorizadas pelo que carregam entre as pernas. Queria conhecer uma realidade cuja funcionalidade feminina não se resumisse a isso. – não escondeu o rancor.
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  Analisou cada traço da face amargurada da viúva, quem sustentava o olhar de maneira neutra e impassível.
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  A confissão de Paul não a surpreendeu em virtude dos comentários escutados quando era mais nova antes de se casar com Damon.
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  Não era violento e nem carregava nenhuma característica ameaçadora contra crianças ou mulheres. Entretanto, havia casos em que homens específicos ligados ao sogro desapareciam ou amanheciam mortos sem explicações – mais especificamente ameaças em potencial para seus negócios ou se ousasse desonrar o sobrenome da família.
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  Nunca encontraram nenhum sinal da participação do senhor Smith com os óbitos e desaparecimentos, mas também não podiam negar a estranheza da situação.
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  Ali descobriu como a obscura fama era verdadeira.
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  - Sabe. – repousou o copo na mesa de cabeceira ao lado da cama para se dirigir a ela sem nenhum obstáculo – Não sou bárbaro. Não me orgulho das minhas ações, mas também não me envergonho. Sempre tive motivos e compreendi a motivação de cada participante nesses assassinatos em específico: dinheiro e poder. A sua foi a exceção. O que te impulsionou?
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  O sorriso foi cheio de mágoas e lágrimas se formaram.
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  - Porque ele não me deixou salvar a pessoa mais importante da minha vida. A única pessoa quem me amou e a amei de volta com todo o meu coração. – soluçou carregando a dor pela morte de Celie – E não teve um único dia nesse inferno de vida onde o sofrimento diminuiu. Se eu não podia ser feliz ao lado da mulher quem eu amava, o seu filho usufruiria do mesmo destino miserável porque não nos era permitido quebrar as regras da moralidade estabelecidas nessa sociedade indigna.
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  A observou ligeiramente trêmula, pela primeira vez em anos demonstrando o sofrimento carregado pelo luto da amante ano após ano.
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  O estado era tão frágil e miserável que despertou pena nele.
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  Talvez, em outra ocasião, caso as circunstâncias permitissem de Kassandra assumir sua identidade masculina ao lado da amada ao invés de viver encarcerada devido aos dogmas, às regras e às normas sociais pautadas na religiosidade onde o homem exercia poder sobre a mulher, ela fosse um ser humano mais alegre e afável.
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  Infelizmente aquilo não seria possível no século XVII – ao contrário do século XXI, onde os dois casais se reencontrariam novamente em circunstâncias bem mais tranquilas e se uniriam.
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  - Sinto muito pela sua perda, mas, assim como Zuri, também precisa pagar pelos seus crimes.
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  - Pretende me matar essa noite, Paul?
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  - Sim.
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  - Siga em frente. Estará me fazendo um favor. Não sei o significado da palavra alegria desde a morte de Celie.
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  Antes de puxar o travesseiro sobre a cabeleira loira, a fina mão o impediu.
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  - O que fez com Zuri?
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  - A vendi para outra pessoa.
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  - Me mate como achar melhor, mas a traga de volta. Aquela garota sofreu a existência inteira sem desfrutar de paz. O único lugar onde estava a salvo foi aqui. Então, por favor, como homem, você tem o dever de protegê-la de todas as atrocidades que estão sendo feitas contra ela nesse exato momento. Ela não é ruim. Só passou pelo inferno nas mãos dos homens assim como eu. – o exigiu em veemência, temendo pelo tratamento oferecido a escrava na fazenda alheia.
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  Permaneceu com a face neutra sem externalizar o quanto as palavras o impactaram. Portanto Kassandra não teve a réplica enquanto o homem apanhava o travesseiro e o pressionava contra ela a sufocando até desfalecer.
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  Foi a única vez que quebrou a preciosa regra sobre prejudicar mulheres e crianças.
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  As palavras o assombraram até trazê-la de volta.
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  O acordo demorou trinta dias. Impaciente, por fim, o fez uma proposta irrecusável – e durante o debate o outro perdeu cinco unhas e três dentes.
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  Quando Zuri retornou, demorou meses para se recuperar das crises de pânico noturnas.
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  Quem a acolheu em seu quarto foi Mary em sinal de piedade.
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