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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 15

Tempo estimado de leitura: 47 minutos

  Os dois meses seguintes foram os mais cheios de alegria, felicidade, amor e satisfação na vida de Damon.
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   A importância de se compreender, se aceitar e se permitir amar e ser amado refletia no seu cotidiano e no humor. Até o semblante se tornou mais leve e sentia-se mais tranquilo ao longo dos dias.
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   Infelizmente, a sociedade e a religiosidade não demonstravam inclinação a benevolência ou à flexibilidade de pensamento – e logo descobririam isso da pior maneira.
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   Kassandra, em contrapartida, permanecia no seu estado de melancolia – e tinha motivos para isso. Precisou se submeter aos desejos de Patrick certo final de tarde. Usaram dos jardins cheios de folhagens para não serem flagrados. Apenas não cogitaram de os escravos dialogarem entre si por vê-los sozinhos a caminho de lá e os comentários se espalharem.
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   Damon precisou sair pela manhã para resolver assuntos referentes a fazenda.
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   Não era para ter ido.
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   Durante a ida de Damon para a cidade, Marie notou o comportamento diferenciado das escravas.
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   Cochichavam entre si, riam e carregaram terrível ar de deboche nos últimos dias. Somente uma aparentava desconforto pelos comentários e insinuações.
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   Farta daquilo, invadiu a cozinha interrompendo a conversa entre elas.
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   - Posso saber o motivo para tanta graça? – vociferou de braços cruzados – Também quero saber qual é a piada do momento.
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   O tom estranhamente imperativo as calou.
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   - Não vão falar? É isso? – prosseguiu impaciente para as três.
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   - Não é nada demais, senhora. Só uns comentários maldosos que chegaram aos ouvidos delas. – a mais velha avisou, a única quem demonstrava a sua indignação pelas frases de escárnio.
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   - Então quero saber. Comecem.
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   Pelos segundos passarem sem obter nenhuma resposta, a expressão se transformou. A face tomou traços rígidos e os globos frios transmitiam terror para elas. Assustadas, não sustentavam o olhar temendo pelas repreendas ou castigos.
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   - Me escutem com atenção. – mexia somente os lábios para avisá-las em perigosa voz gélida – Eu sou muito boa, mas não queiram despertar o meu pior lado. Ou me contam a verdade agora ou sofrerão as consequências. De um jeito ou de outro vou descobrir e podem apostar. Dependendo sobre o que seja, não terei a mínima pena de vocês.
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   Repugnava tecer ameaças e castigos físicos. Porém, a situação lhe angustiava pelo constante aperto no peito cujo surgimento era sempre em virtude de flagrá-las cochichando – e esse nunca era um bom sinal de acordo com as vezes ao longo da vida em que a sensação aflorou como um mau agouro.
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   - Estão comentando sobre o seu amigo, senhora. O senhor Smith. – por conhecê-la há mais tempo, a mais velha de tranças não correria o risco de arcar com o peso das palavras dela se concretizando.
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   - Damon?
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   - Sim.
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   - Por quê?
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   - Há boatos de que ele se deita com um dos escravos da fazenda. – prosseguiu compadecida pelo rapaz lidar com a exposição de sua vida íntima – Pelo visto não trancaram a porta no último baile de máscaras, então viram os dois em momento de intimidade.
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   O esforço para não manifestar os sentimentos foi árduo.
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   - Era sobre isso que elas vinham cochichando e rindo esse tempo todo? – o tom indiferente as arrepiou.
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   - Sim, senhora.
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   - Me acompanhe. Temos assuntos a resolver.
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  A levou para os aposentos particulares, onde se arrumou apressada.
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  - Vou sair. Não sei qual horário volto. Entretanto, preciso de um favor. Me passe os nomes de quais escravos e escravas estavam zombando do Damon.
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  Ao entrar na carruagem, ouviu ao fundo os sons das chibatadas. Detestava castigos físicos e infligir dor em pessoas ou qualquer outro ser vivo lhe abominava, mas aquilo não passaria impune.
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  Quando questionada sobre por uma delas, simplesmente responderia:
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  - Mais do que ninguém, vocês sabem como a sociedade trata aqueles incapazes de se enquadrar. A sua cor de pele determina como será tratada no mundo em que vivemos. As preferências de Damon determinam igualmente como será tratado. Nunca mais, em hipótese nenhuma, desmereça alguém por ser diferente. As marcas nas suas costas das cinco chibatadas serão lembretes diários dessa conversa.
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  Damon chegou atordoado em menos de duas horas.
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  O maxilar travado, os olhos lacrimejantes e o embargo na voz denunciavam o quão alterado estava.
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  Alucinado e impactado pela humilhação pública, percorreu a mansão a passos largos após Zuri lhe contar o paradeiro da esposa. Invadiu o quarto a encontrando em repouso pelo enjoo repentino.
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  - Por que, Kassandra? Por que fez isso? – vociferou se controlando para não gritar ao bater a porta.
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  - Se for mais específico, eu serei hábil em responder. – a respiração vagarosa a auxiliava a não esvaziar o estômago do café da manhã.
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  - Por que vazou a notícia sobre mim e Sebastian? – avançou nela parando ao lado da cama.
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  - Eu não falei nada. – puxou o ar com força fechando os olhos – E, por favor, fale baixo. Estou indisposta hoje.
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  - Então como isso saiu dessa fazenda?
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  - E eu lá sei? Vocês são discretos o suficiente? Se o fossem, não teríamos essa conversa desagradável. E nem tenho motivos para espalhar a fofoca. Eu não ganharia nada e os nossos nomes ficariam manchados. Posso ser acusada de muitas coisas e sem dúvida carrego defeitos, mas burrice não é um deles. Agora, se me der licença, gostaria de vomitar em paz sem pensar sobre as suas ações inconsequentes.
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  Começava a lidar com os primeiros sintomas da gravidez em total estado de asco por não ser de sua vontade genuína.
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  Não tardou para Marie chegar acompanhada pelos amigos na mesma carruagem para acudir o amigo, quem estava no escritório na companhia de Sebastian e Bianca.
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  - Viemos o mais rápido possível. – o trio atravessou a porta sem cerimônias.
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  O encontraram desolado. Sentado no chão sem os calçados, era acolhido pelo mordomo, quem o acomodou em seus braços o puxando para si e o obrigando a se tranquilizar após a crise de choro compulsiva com duração de quase uma hora e meia em abraço intenso para lhe transmitir proteção. Agora, mais calmo dos nervos, os resquícios do abalo emocional eram visíveis – pele rosada, olhos avermelhados, cabelos bagunçados, bochechas úmidas pelas lágrimas e vestes amassadas.
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  Sebastian o estimulava a respirar com tranquilidade de forma indireta por encher os pulmões de ar e soltá-lo devagar pelas narinas. Inconscientemente o imitava por recostar as costas no abdômen alheio de quem não afastava as mãos de si como temesse de se descontrolar de novo.
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  Sentada ao lado dele, Bianca lhe dava chá de camomila aos poucos na xícara porque era incapaz de segurá-la sem derramar o líquido pelo violento tremor.
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  - Souberam da novidade? – jamais soou mais amargurado.
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  - Esse foi o motivo de virmos. – proferiu Simon ao se acomodarem na frente deles – Marie nos buscou de última hora.
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  - Na verdade, eu estava a caminho de avisá-los. – Dean explicou deixando a maleta de trabalho em cima da mesa para se juntar ao grupo – Estava retornando de uma taberna quando comecei a escutar os burburinhos. E ruivinho... Não vou mentir porque seria desonesto da minha parte. A sua situação está desastrosa.
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  - Droga. – apanhou a porcelana meio vazia da mais velha e tomou o conteúdo em um único gole ignorando as lições de etiqueta e sem se preocupar do chá escorrer nos cantos da boca.
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  A governanta passou o tecido da saia na região molhada para secá-lo – maternal como sempre foi em relação ao filho da falecida amiga.
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  - E como essa notícia se espalhou assim? – a preocupação do moreno era evidente, principalmente agora pela repentina palidez do amante em virtude da notícia do outro.
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  - Eu não compreendo. – balbuciou rouco e em pura agonia – Desde quando nos aproximamos fomos discretos, nunca fizemos ou falamos nada em público. Desenvolvemos maior proximidade desde quando o Sebastian e a menina vieram morar aqui. Eu não...
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  Percebendo o início da alteração, o prendeu contra si exercendo leve pressão necessária para mantê-lo no lugar num misto de amorosidade e firmeza.
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  - Shiiiiii.... – sussurrou sem se importar com a presença dos demais pelas atitudes onde claramente demonstrava o envolvimento afetivo – Respira. Se concentra somente em respirar, bebê. – murmurou com os lábios rentes a orelha – Está tudo bem. – beijou a têmpora e encostou o nariz ali.
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  - Alguém os viu no baile de máscaras. – contou Marie cruzando as pernas.
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  - Quando eu o puxei para cá. – murmurou lacrimejando e fitando o mordomo.
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  A bela face esculpida não combinava com o pavor exalado por cada poro.
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  - Sem dúvida. – assimilando a tensão nele, enterrou os dedos nos cabelos úmidos de suor e, gentilmente, o fez repousar a cabeça no ombro largo.
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  - O que planeja fazer, ruivinho?
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  Bianca não deu tempo para Damon responder a indagação de Simon.
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  - A última coisa que ele fará é pensar nos próximos passos agora. – interferiu audaciosa apanhando a xícara repousada debilmente no colo do ruivo – Não há a menor condição de elaborar planos futuros. Precisa descansar antes de qualquer coisa. Olhem o estado do meu menino, meu Deus.
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  De fato, nunca o viram tão deplorável.
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  - Você está ruim, mesmo, meu amigo.
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  A risada de Damon perante a observação da amiga foi sem humor.
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  - Ruim? Ruim é eufemismo beirando ao elogio, Simon. – o moreno deslizou a palma até alcançar o pescoço onde a repousou e deslizava o polegar minimamente na lateral na tentativa da tensão na região diluir.
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  - Deem uma olhada mais analítica por esse escritório para terem a real dimensão de como ele está. – a governanta se levantou – Já venho trazer mais chá. De nada adianta tomar decisões movido pela emoção.
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  Enquanto ela saía, o trio vistoriou o ambiente onde detectaram evidências do colapso nervoso – papéis espalhados pelo chão, o casaco da indumentária atirado no meio do escritório e uma cadeira quebrada.
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   Para contê-lo, o mordomo se viu obrigado a puxá-lo em forte abraço para não correr o risco de se machucar. Passou tempo demais o acudindo do choro compulsivo sem reclamar do desespero dele por compreender a gravidade do cenário – e particularmente angustiado pelo futuro deles naquela sociedade por causa do segredo deles ser revelado.
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   O trio iria embora no dia seguinte, então estavam acomodados nos quartos de hóspedes. Durante o dia especulavam as resoluções mais propícias para o infortúnio acudindo o amigo, ainda desestabilizado.
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   De madrugada, o casal continuava desperto.
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   O moreno desconfiou dele não se despir para se deitarem. Afinal, se tornou um hábito particular quando estivessem no cômodo durante o período noturno.
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   - Vai ficar com essa camisa? – indagou quando o rapaz se aninhou sobre si.
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   A puída peça branca era inadequada para dormir, porém necessária naquelas circunstâncias. Tampava o tronco e os braços, o cobrindo até a metade das coxas.
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   - Estou com frio. – se virou de costas para evitar encará-lo.
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   Talvez assim, escondendo indiretamente o semblante, o mordomo não enxergaria a desculpa para não revelar o dorso.
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   Como Sebastian se posicionou com as costas na cabeceira e as pernas separadas para acomodá-lo no espaço, pôde abrir os botões.
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   De imediato, segurou os pulsos para impedi-lo.
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   - Amor. – soou mais como uma súplica ao invés de advertência.
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  - Bebê, se não está escondendo nada, não há razão para dormir assim. – a frase era um misto de persuasão e amorosidade.
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  Durante o dia notou como o ruivo reproduzia discretas caretas de dor cuja duração não passava de meros instantes ao se locomover. Além disso, se encolhia ou se distanciava caso determinados pontos do abdômen fossem tocados e caminhava mais lentamente.
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  Demorou frustrados segundos para permiti-lo prosseguir a despi-lo. Era observando atentamente. Quando abriu todos os botões, afastou as laterais em movimento suave revelando alguns hematomas arroxeados e bastante dolorosos.
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  Prendeu a respiração abruptamente perante a musculatura retesada do moreno com aquela visão. Não queria dar explicações, então manteve-se calado durante a cuidadosa avaliação do outro, quem tocava as marcas de maneira tão tênue que mal era capaz de senti-la.
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  - O que não está contando, meu pequeno? Isso aqui não foi acidental e até noite passada não existiam.
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  O mais novo se arrependeu por não apagar a vela ao se deitar. Do contrário, não veria o resultado das agressões físicas e não levantaria questionamentos cujas réplicas lhe trariam o choro à tona em virtude da terrível experiência ao ir para a cidade mais cedo.
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  - Fui hostilizado. Perseguido. – contou em meio a beijinhos ternos recebidos na têmpora como incentivo para prosseguir com o relato – Quando desci da carruagem, não demorou para várias pessoas me seguirem. Homens e mulheres, mais especificamente.
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  - E depois? – indagou por causa da pausa.
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  O semblante mudou. Em morosa transformação o pesar se fez presente e a garganta fechou diminuindo a passagem de ar em sintoma físico da humilhação pública. Cada linha de expressão mostrava o martírio ao se lembrar da terrível cena vivida e a voz embargou pelo choro.
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  - Devido a perseguição e as inúmeras ofensas e insinuações sobre nós dois, saí correndo para carruagem, mas... – soluçava com as lágrimas descendo e o coração apertado – Mas a carruagem estava longe. Tacaram algumas coisas em mim, nem percebi direito. Eu lembro... – engoliu em seco levando o indicador para a nuca onde ainda sentia o impacto do objeto – Lembro de alguma coisa me atingindo aqui. – como a gola estava erguida, o pequeno corte superficial estava escondido até então – Pouco antes de alcançá-la, surgiram uns homens para me bater. – encolheu os ombros apresentando dificuldade para soar coerente – Um me imobilizou para eu apanhar. Aí... – o nó na garganta era quase insuportável – Aí falavam que íamos contra a lei da natureza e que não passávamos de aberrações nojentas que merecem a morte. Cuspiram na minha cara. Só não me golpearam no rosto porque, segundo um deles, não queriam correr o risco do meu pai descobrir e ter provas do estrago. – tampou a boca com a mão para os soluços e os engasgos não serem ouvidos – Ele é conhecido por ser vingativo, mas não sei dizer se em tais condições me apoiaria ou lhes daria razão.
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  Sebastian sofria junto com o relato. A tristeza de Damon refletia em si, então, apenas por ouvir as palavras, os olhos lacrimejaram afetado pela violência oriunda do preconceito.
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  Sem cerimônias Damon se virou para se acomodar sentado no colo dele quem jamais se negaria a ampará-lo, principalmente em circunstâncias tão delicadas.
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  - A gente não é aberração, amor. Não é. – frágil, o ruivo soluçava agarrado nele em intensa catarse. Enterrou a cabeça no vão entre o pescoço e o ombro em busca de suporte por não saber lidar com tal tratamento hostil de tantas pessoas o agredindo das mais diversas formas – A gente só se ama. Não é errado nos amarmos.
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  Demorou meia hora para se acalmar.
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  Passaram as horas seguintes perdidos nos próprios pensamentos temerosos pelas nefastas consequências da fofoca – afinal, não eram ingênuos e sabiam o quão mal aquilo poderia acabar. Durante aquele tempo, incapazes de adormecerem, se concentravam em se apoiar por meio de olhares cúmplices, abraços carregados de ternura e afagos carinhosos, os corpos se comunicando afavelmente de maneira a reafirmar os sentimentos amorosos e o cuidado de um para com o outro naquela inesperada turbulência.
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  - Amor... – quem quebrou o silêncio foi Damon, minutos antes do amanhecer – Eu não vejo perspectiva de melhora.
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  - Uma hora eles esquecem. – Sebastian acariciava as alvas costas desnudas do outro deitado sobre si.
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  - Nem você acredita nisso, amor.
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  - Alguém precisa ser minimamente positivo perante um cenário absurdamente problemático, perigosamente conflitante e potencialmente angustiante. – beijou as ondas macias.
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  - Considerando que esse cenário absurdamente problemático, perigosamente conflitante e potencialmente angustiante certamente demorará para passar... Consegue imaginar uma forma de escaparmos dele?
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  - Não. – franziu o cenho porque a inquisição soou retórica.
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  - Nem se fôssemos para o Norte? Quero dizer, lá é abolicionista. Ninguém nos conhece. Acho que conseguiríamos reconstruir nossas vidas.
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  - Bebê, não seria justo contigo. A sua vida inteira foi aqui. Seria mais fácil se eu fosse embora...
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  Assombrado pela especulação, ergueu o tronco o suficiente para fitá-lo.
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  - Não. Não. Isso é inadmissível. – pela primeira vez desde a saída para a cidade a tonalidade era robusta e soava mais consigo – Não é certo nos separarmos só porque outras pessoas desaprovam a nossa união. Não é justo.
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  - Amor, eu não quero prejudicá-lo...
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  - Se eu comecei a viver, foi graças a você. – o interrompeu com a franqueza genuína – Quando lhe disse que o amo e não sairei do seu lado enquanto me amar quando estávamos na cachoeira, é porque cada palavra era e continua sendo verdadeira. Eu sei dos seus sentimentos em relação a mim, então, creia, Sebastian, eu não vou me afastar de você. Eu te amo tanto quanto eu sei que me ama, meu amor.
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  Emocionado pela declaração, puxou o ruivo pela nuca para beijo fervoroso de longa duração onde se abraçavam em devoção mútua. Resvalavam as digitais e apertavam os lugares ao alcance – Sebastian especialmente a lombar por circular perfeitamente o braço e a cintura fina cujo encaixe magnífico de suas destras era, no mínimo, fascinante de tão excepcional.
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  O finalizaram lentamente, encerrando com adorável beijinho esquimó de pálpebras baixas envoltos na energia amorosa emanada naturalmente entre eles. Damon encostou a testa na dele degustando do momento em que sentiram em todos os âmbitos o impacto do sentimento recíproco de amor e paixão.
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  - A sua ideia é arriscada, mas tem possibilidade de funcionar. Precisaremos elaborar isso com paciência. Mas primeiro... – deu um selinho nos lábios delineados – É necessário descansarmos. Amanhã dialogamos sobre o assunto de cabeça mais fria. Está bem, bebê?
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  Assentiu aliviado pela pontada de esperança surgir após horas tão aflitivas. Em seguida, deslizou para o colchão e se aconchegou nele sendo tomado pela exaustão dos últimos acontecimentos.
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  Quem dormiu foi Damon. Ao contrário do mais novo, o escravo foi incapaz de relaxar o suficiente ao ponto de usufruir de algumas horas de sono.
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  - Eu vou te amar sempre, meu amor. – sussurrou o observando quando começou a ressonar baixinho – Não deixarei nada de ruim acontecer contigo. Prometo.
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  A promessa se estenderia até o século XXI, quando não haveria empecilhos para o casal se relacionar em virtude do avanço da sociedade.
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   Quebranto as vastas normas sociais e de educação a qual lhes foram ensinados, o grupo almoçava no chão do escritório de Damon.
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   Kassandra não se importou em emprestar um dos vestidos para Marie e o marido prontamente entregou suas vestes para os amigos. Embora o tamanho não fosse o certo para as proporções corporais distintas, não reclamaram – e agradeceram mentalmente pelo rapaz sorrir pela primeira vez desde a chegada deles a fazenda graças a imagem engraçada dos dois em suas roupas menores.
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   Ao contrário de todos, Sebastian era o único quem comia com as mãos. Nunca aprendeu a se alimentar com talheres embora tentasse praticar – e já machucou vezes o suficiente o céu da boca nas tentativas de manejar garfo e faca para temer causar danos irreparáveis para si, portanto não almejava ser o responsável por mais incidentes.
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   Junto a Bianca, confabulavam sobre como lidar com a situação complicada.
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   - Ontem estava conversando com o Sebastian – confessou Damon concentrado na comida sem mirá-los – e acho seria mais seguro para nós dois irmos embora. Não quero correr maiores riscos e nem o submeter a eles por leviandade da minha parte.
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   - Seguro? – a mais velha ergueu a sobrancelha perante como a palavra soou incômoda aos ouvidos.
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   - Sim. – continuou sem sustentar o olhar de ninguém se alimentando de maneira automática sem sequer desfrutar do sabor – Há inúmeras possibilidades sobre o que poderia nos acontecer e morro de medo delas se concretizarem.
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   - E vão se concretizar, mais cedo ou mais tarde. – completou o amante.
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   O ruivo não comia porque queria, mas sim para não se arriscar em desmaiar pelo estômago vazio. A última refeição foi antes de ir para a cidade, então estava há mais de vinte e quatro horas sem comer pelo nervosismo se sobrepor a fome.
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   A ansiedade, o temor, a aflição, a angústia, o senso de urgência e o desespero eram capazes de ofuscar qualquer sensação física – mesmo aquelas as quais garantiam a sua sobrevivência.
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   - E por qual motivo acha isso, ruivinho? – Marie deixou o prato vazio de lado para bebericar do suco.
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   O casal trocou olhar apreensivo por alguns instantes em diálogo comedido em sutis mudanças de expressão facial. Em suspiro pesaroso, o rapaz se deu por vencido. Largou o prato vazio no chão e abriu a camisa, se despindo para revelar os hematomas escuros espalhados pelo abdômen. Os arquejos perplexos foram audíveis.
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   - Malditos animais. – imprecou a governanta, agora temendo pela vida de ambos.
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  - Bateram em mim na cidade. Foi humilhante demais para suportar, então não me peçam por detalhes se gostam de mim. – a sombra da agonia perpassou a face ao murmurar em voz atipicamente grave, fechando o tecido o mais rápido que podia envergonhado pela agressão.
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  - Já pensou para onde iriam? Não há dimensão de até onde a notícia se espalhou. – ponderou Simon.
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  - O Norte. Lá ninguém nos conhece e poderíamos recomeçar nossas vidas. – prosseguiu o escravo em tom taciturno – Além disso, não há diferença racial. É abolicionista.
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  - Se encontrarmos uma casa mais distante para termos uma vida discreta será perfeito. Trabalhamos de dia e retornamos de noite.
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  - Tenho um conhecido quem mora lá. – avisou o médico – Posso cuidar de averiguar sobre essa parte para vocês. Seria perfeito porque... – sorriu em timidez incomum – Sinto saudade dele. Há bastante tempo não nos vemos, embora troquemos cartas contando sobre nossas vidas.
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  - Há uma rota conhecida pelos escravos fugitivos. – Simon os lembrou ao engolir o pedaço de carne – O Dean pode levá-los. Afinal, já ajudou alguns a fugirem por ela. A diferença é que, dessa vez, os transportaria na carruagem.
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  - Se nos arranjar a casa, nos viramos quando chegarmos. O primordial é encontrar um lugar para morarmos. – avisou Sebastian – Depois resolvemos a logística de como fugiríamos.
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  - E como vão ficar as plantações, a sua esposa e a fazenda em si? – questionou Simon – Apoio o desaparecimento de vocês e até acho prudente perante o escândalo, mas são pontos relevantes demais para serem ignorados. A sua vida inteira está no Sul, ruivinho. Há responsabilidades para resolver primeiro.
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  - Enviarei uma carta para Paul. – explicou a mais velha – Não contarei acerca dos motivos os quais o levou a ir embora, é claro. O pai de Damon é muito responsável. Não é do feitio dele não assumir a incumbência pela fazenda e pela Kassandra.
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  - Sim. – concordou o rapaz – Só espero estar bem longe quando os boatos o alcançarem. – novamente a face se fechou minimamente perante a menção sobre o pai tomar conhecimento acerca da sua conduta – De qualquer maneira, tenho experiência em administração de propriedades, sou ótimo com cálculos, faço negociações com facilidade e sei lidar com dinheiro. Posso nunca ter sido funcionário de alguém, mas aprendi além do necessário por causa dessa fazenda. Duvido que ficarei demasiado tempo desempregado.
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  - Quando for seguro, por favor, nos dê a localização de onde morarão. – pediu a amiga – Me nego a nunca mais vê-los. Crescemos junto, ruivinho.
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  - Nada mais justo que o visitarmos esporadicamente. – completou o médico em meio sorriso.
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  - Vamos sentir saudade. – Simon conjurou.
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  - Ai, gente... – emotivo, secou os olhos lacrimejantes – Vão me fazer chorar de novo. Não quero continuar chorando. – fungou recebendo um beijo maternal de Bianca nos cabelos.
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  Demorou três meses para resolverem os assuntos pendentes.
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  Quando Dean retornou da viagem a casa já estava providenciada e comprada, então o rapaz lhe entregou o valor pendente – e era evidente como o médico se alegrou por reencontrar com o antigo amante, quem, casado, jamais seria capaz de assumi-lo, mas nada o impedia de manter contato ou partilharem da mesma cama furtivamente caso estivessem juntos.
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  O casal se obrigou a manter-se trancado na fazenda. As notícias dos amigos não eram animadoras. A sociedade continuava escandalizada e havia ameaças contra a dupla caso ousassem comparecer a eventos sociais ou sair do perímetro das plantações.
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  Quando o encontrava mais nervoso que o normal, Sebastian o levava para a cachoeira – lugar onde costumava se tranquilizar. Ao longo das horas permaneciam na água conjecturando levianamente sobre como seria a vida em região desconhecida para ambos. Ali, eram capazes de se acalmarem sem precisarem se esconder.
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  - E quanto à Bia? – inquiriu Damon na água abraçado ao outro com a água cristalina na cintura – Não seria melhor a levarmos? Tudo bem que a índole do meu pai o impede de cometer qualquer ato maldoso ou indecoroso contra mulheres e crianças num geral independentemente da cor da pele, mas, pelo laço construído entre vocês ao longo dos anos, não seria melhor a menina nos acompanhar?
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  - Ela não sabe sobre nós, bebê. – a face e a voz transmitiam melancolia oriunda do receio – Não há como adivinharmos qual será a reação dela caso descubra a verdade. E... – engoliu em seco incapaz de prosseguir.
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  Para conter as lágrimas, passou a encarar o horizonte em expressão cada vez mais torturada por instantes.
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  Lhe proporcionando suporte emocional, embalou o rosto moreno nas palmas macias. Em sutil movimento terno, exerceu mínima pressão para abaixar ligeiramente a cabeça dele em pedido velado o qual foi acatado.
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  - E? – o pressionou acariciando as bochechas com as pontas dos dedos.
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  - Eu não vou aguentar se aquela menina passar a me enxergar como uma aberração. – pestanejou pelas lágrimas descerem – Gosto demais da Bia para suportar sofrer maus tratos ou escutar besteira por parte dela.
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  Detestando como tudo se configurava de maneira a darem as costas para quem amavam objetivando não sofrerem violência e o medo constante de serem rejeitados pelas pessoas por quem se afeiçoaram e confiavam, o puxou para si em um abraço acolhedor. Assim, Sebastian pôde externalizar a dor de quebrar o convívio com a morena pelo temor dela rejeitá-lo – claro, se a possibilidade sequer existisse.
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  Devido a impossibilidade de o casal transitar pela cidade, Bia começou a acompanhar a governanta para comprar suprimentos, abrindo espaço para Zuri monitorar Damon e Sebastian com maior frequência.
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  Seguindo as ordens de Kassandra pela diferente movimentação na mansão, Zuri se esgueirava pelos cantos para escutar os diálogos de Damon sempre que era possível. Logo, como a morena saía mais vezes, era mais fácil colher informações. Não tardou para descobrir sobre a fuga e que aconteceria no sábado pela madrugada – dentro de cinco dias.
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  Kassandra foi ágil. Providenciou de comunicar Patrick para se organizar de maneira a preparar a emboscada onde Bia e Sebastian seriam entregues para ele.
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  O cenário era perfeito.
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  Para atingir o seu objetivo, instigou Zuri a comentar com a menina sobre os planos onde os dois iriam embora da fazenda sem previsão de retorno a abandonando sem hesitar por não se importarem com a figura alegre da mais nova – pelo entendimento deturpado dela.
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  - Você não passa de uma escrava daqui. – ralhou Zuri enquanto limpavam os móveis – Eles não se importam contigo.
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  - Sou escrava, sim, mas uma escrava bem tratada, bem cuidada e muito bem respeitada. O Sebastian é como um pai para mim e o senhor Smith é bonzinho comigo. Sempre me tratou com certa afeição e gentileza. – passava cera para lustrar a madeira.
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  - Isso não muda a cor da sua pele em contraste da dele. São tão bons para você que nem a incluíram no plano de fuga. – refreou a vontade de tacar o pano nela, então exerceu maior força ao tirar pó dos móveis.
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  - Plano? – de tão surpresa deixou a tarefa para ouvi-la.
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  - Sim. Eles vão sair daqui de madrugada dentro de cinco dias.
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  Bia franziu o cenho voltando calada para os seus afazeres sem tecer comentários em visível irritação.
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  Não retrucou porque, a despeito das desavenças com a outra, no convívio não demorou a compreender que Zuri não era mentirosa.
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  Desconfiada e intrigada com as palavras, guardou uma série de mudas de roupas por precaução.
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  Não dormiria naquela noite em particular e nem colocaria indumentárias destinadas para o descanso noturno quando se recolhesse em seus aposentos.
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  Na madrugada em questão, o casal estava deitado em silêncio. Os pertences foram previamente organizados. Desfrutavam do último momento juntos naquela mansão a qual presenciou a história cheia de reviravoltas dos dois.
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  Aguardavam o horário combinado, então, nas últimas horas antes de irem embora, se amaram profundamente. A cada investida do moreno em Damon, o rapaz se agarrava nele sustentando o olhar cheio de promessas e significados velados. Cruzou as pernas na cintura larga cravando as unhas nos ombros durante beijos calorosos em meio às penetrações pujantes as quais deslizava recuando lentamente até sair quase por completo para, então, enterrar-se impetuosamente e se maravilhar com as reações alheias pelo ponto escondido ser massageado.
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  O quarto foi tomado pela sonoridade favorita deles – as lamúrias agudas e roucas de prazer intenso – até, enfim, gozarem juntos sussurrando frases do quanto se amavam.
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  Já recuperados das sensações poderosas, Damon falou enterrando a face no peitoral envergonhado pelas suas ações passadas.
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  Refletiu bastante acerca do assunto naquele período para chegar à conclusão.
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  - Me desculpa. Fui um tolo.
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  Surpreso pela frase, Sebastian o colocou sentado em seu colo. Por insistência em não o encarar ao voltar a se aninhar no largo ombro, dedos ásperos foram enterrados nas ondas ruivas iniciando confortável cafuné.
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  - Do que está falando, bebê?
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  - A culpa disso tudo é minha. – a voz era abafada por falar contra a pele do amante – Se eu não fosse imprudente, estaríamos em paz e viveríamos sem problemas.
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  - Amor, a culpa não é sua. – o consolou distribuindo beijos onde alcançava – Quando comecei a me envolver contigo, já sabia das consequências caso alguém descobrisse. A responsabilidade é minha também por seguir adiante com o nosso romance. A culpa é somente da cultura e do funcionamento da sociedade.
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  - Não consigo enxergar dessa forma. – se encolheu em virtude do frio na barriga perante a mudança radical em suas vidas em circunstâncias oriundas do preconceito em época quando nem existia a palavra – Se eu não tivesse bebido...
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  - Provavelmente alguém nos flagraria em qualquer outra oportunidade. – o interrompeu em abraço meigo – Já sabia dos riscos e... Bem, considerando há quanto tempo começamos a nos relacionar, demorou para sermos descobertos.
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  - Muita coisa mudou desde aquela época.
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  - Principalmente você. Se tornou o homem mais corajoso quem tive o prazer de conhecer. – resvalava os dedos pelas costas em movimentos morosos os quais sabia que o tranquilizariam – Passar pelo processo de descoberta sobre quem é, aceitar-se plenamente sem críticas ou julgamentos, se permitir amar outro do mesmo sexo e admitir os sentimentos para si e para mim são feitos dignos de orgulho, em especial nas atuais circunstâncias.
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  As palavras atingiram o coração do mais novo como um bálsamo. Portanto, se afastou o suficiente para encará-lo em íris doces cujas pupilas dilatadas demonstravam como foi importante ouvir aquilo pela boca de quem amava.
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  - E eu não me arrependo um dia sequer de aceitar a sua aproximação, meu amor. Foi muito delicado comigo em todos os âmbitos da palavra. Obrigado. – confessou esboçando pequeno sorriso nos rosados lábios ligeiramente inchados pelas atividades recentes.
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  - Te amo, bebê.
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  - Te amo, querido. Não imagina o quanto.
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  No horário estipulado, atravessaram os corredores apressados com o auxílio de Bianca, quem, à frente, iluminava o caminho com uma fraca lamparina. Carregavam as respectivas malas com os itens necessários e parte da fortuna da família Smith para se estabeleceram em terras estrangeiras sem maiores dificuldades. Dean os aguardava na entrada da mansão na carruagem. Seria o responsável por guiar os cavalos na viagem, então havia bastante espaço nela para ficarem confortáveis no trajeto. Mary preparou alguns alimentos para lancharem no caminho cujos potes já estavam guardados no interior em panos de prato novos ainda não utilizados até então.
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  Apenas não esperavam encontrar Bia sentada no sofá com a própria mala no chão – mala essa encontrada nos aposentos de Bianca ao invadi-los escondida e pegá-la sem aviso.
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  - Então é verdade que iriam embora e me deixariam para trás?
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  A carranca azeda não combinava com a moça irritada e de braços cruzados se pondo de pé assim que os avistou.
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  O trio se sobressaltou pela presença inusitada.
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  - O que está fazendo acordada, menina? – a mais velha gritaria caso não fosse crucial manterem o silêncio.
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  - Passarinhos me contaram que fugiriam essa noite.
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  - Quem te contou? – o moreno empalideceu.
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  - Não interessa quem, mas sim a veracidade da informação. Não acredito que me deixaria aqui sozinha, Sebastian! – enfurecida, o laço rosa balançava graças aos abruptos movimentos mínimos da cabeça.
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  Antes de alguém retrucar, o mordomo disse:
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  - Vão organizando as coisas na carruagem. Conversarei com a Bia em particular.
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  - Não demora. – o ruivo apanhou os pertences do amante antes de prosseguir.
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  Quando estavam sozinhos ousou se aproximar dela.
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  - O que está acontecendo? – soava angustiada – Estou farta de todos tentarem me esconder as coisas. Exijo saber a verdade, principalmente o motivo de vocês fugirem no meio da madrugada. Por que não saem daqui há meses? Por qual motivo o senhor e a senhora Smith não compareceram a nenhuma festa? E por que, infernos, me deixaram tanto tempo no escuro escondendo coisas importantes de mim? Eu não vou deixá-lo ir embora antes de me contar a verdade.
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  No decorrer do discurso contundente, o homem enterrou a mão nos cabelos agarrando os fios crespos e cacheados travando luta interna pela pressão das palavras femininas exigindo esclarecimentos. Embora temesse pela resposta, já havia se conformado com a rejeição dela. Portanto, aproveitando a falta de luminosidade cuja incapacidade de enxergar o semblante dela era um alívio para si, ignorou o aperto na garganta para contar.
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  - Bia... – sentou-se no sofá e ela o acompanhou – Você soube sobre a fofoca mais recente?
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  - Sim. Ouvi de duas pessoas serem amantes, mas não sei dos detalhes.
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  - Bom... As pessoas em questão somos eu e o Damon.
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  Precisou de três segundos para refletir em como a sociedade da época reagiria perante aquele romance – e as perspectivas não eram positivas.
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  - Ai, meu Deus. – zonza, se apoiou no estofado para manter o tronco ereto – Se apaixonaram?
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  - Sim. – não gostava do feminino volume esganiçado, porém não deixou transparecer.
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  - Meu Deus do céu! Como... Como isso foi acontecer? Como foram capazes de fazer isso?! Inferno, já é complicado o suficiente...
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  - Bia, não é errado quando duas pessoas do mesmo sexo se apaixonam. – a interrompeu cujo tom rude encerrava do assunto.
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  - E eu lá estou me referindo a isso?! – a voz aguda demonstrava indignação, como se a mera menção de ir contra eles a ofendesse – Estou falando sobre serem descobertos. Agora entendo porque o senhor Smith passou os últimos meses trancado aqui. Nunca o vi tão abatido, coitado. Até emagreceu. Nem está comendo direito.
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  - Espera aí. – pestanejou atordoado – Não se importa com o nosso envolvimento?
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  - Claro que não! Na verdade, explica alguns pontos. Muitos pontos, sinceramente. Então estão fugindo por causa disso?
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  - Sim. Não queremos sofrer com a violência das pessoas. Tivemos provas concretas de que não seria bom para nenhuma das partes se continuássemos aqui.
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  - E achou plausível me deixar para trás? – agora, definitivamente estava profundamente ultrajada pela decisão.
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  - Eu temia pela sua reação. A ínfima possibilidade do seu comportamento mudar após saber sobre nós dois era insuportável.
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  - Bom, como já sabe que meu comportamento não mudará e não me importo se são amantes há provavelmente alguns anos porque não sou besta, espero que haja espaço extra na carruagem porque irei junto e a minha mala está pronta.
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  - Não tem medo da sua imagem ser associada à nossa, não? Afinal de contas, com o seu desaparecimento irão supor que está conosco. Quando estivermos no Norte teremos uma vida mais pacata sem corrermos o risco de linchamento, porém, mesmo assim, conhecemos e reconhecemos os riscos da nossa união. Não quero prejudicá-la indiretamente por nos acompanhar.
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  - Sebastian, ser associada a você e ao senhor Smith para mim é motivo de orgulho. Se um homem como Patrick, conhecido por abusar até das próprias filhas, tem lugar guardado no paraíso por ser homem branco e rico, prefiro ir para o inferno com vocês, duas pessoas inocentes cujo terrível crime foi se amar. Pelo menos o Diabo não é hipócrita como a sociedade onde vivemos e certamente lá devem ter umas almas mais agradáveis para nos entrosarmos.
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  Não sabia se ria pela audácia ou a abraçava pela bondade.
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  - Vem. Me ajuda a carregá-la lá para fora. A bagagem está pesada. – pediu se levantando – Onde já se viu? Ir embora e me deixar para trás. É inadmissível. Inacreditável.
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  Mesmo com as reclamações, foi impossível Sebastian não abrir um largo sorriso.
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  Do lado de fora se despediram abraçando calorosamente Bianca.
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  - Por favor, meu menino, dê notícias por meio dos seus amigos. – a governanta pedia contendo as lágrimas em enlace apertado com o rapaz – Se alimente direito, durma bem, fique longe de bebidas e envie cartas pelo Dean, a Marie e o Simon. – acariciou a bochecha para memorizar o belo rosto de traços delicados igualmente emocionado – Inferno, sentirei saudade do seu sorriso por aqui. Mas está seguindo com a sua própria vida e é isso o mais importante. Estou tão orgulhosa de você.
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  - Obrigado, tia. – pelo fato de as duas pessoas mais importantes de sua vida dizerem a mesma frase em curto intervalo de tempo foi impossível não chorar, então secou a pele pela visão embaçar.
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  - Anda. Anda. Do contrário não conseguirei te soltar.
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  Contrariando as expectativas, a menina apanhou a saia para desferir golpes com o tecido em Bianca quando Damon se afastou se dirigindo ao veículo de transporte.
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  - Como ousa esconder justamente de mim o que estava acontecendo dentro dessa casa? – ralhou desgostosa.
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  - Não tinha como sabermos se era confiável. – explicou a mais velha em misto de emoção e vontade de rir pela atitude da outra – Não podíamos nos arriscar a te expor...
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  - Me expor? – ultrajada, desferiu um último golpe rápido – Saber do romance deles era me expor? Por acaso sabe quantas coisas vi e como vivi antes de chegar aqui? Sabe como meninas negras são tratadas e como é a nossa vida nas fazendas? Como eu poderia achar ruim o amor entre o Sebastian e o senhor Smith se vivi um inferno com direito a tortura, espancamento e tentativas de se aproveitarem de mim antes mesmo do meu sangue descer? – as lágrimas desceram em virtude da despedida – Inferno, vou sentir a sua falta.
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  - Não fale grosserias, menina. – a repreenda era carregada de amorosidade.
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  - Nas circunstâncias atuais é compreensível. – secou os olhos se jogando nos braços alheios, quem a recebeu em profunda bondade – Escreve para gente, por favor.
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  - Pode deixar.
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  - Se a Kassandra ou a Zuri te perturbarem, coloque um peixe morto bem grande na cama enquanto dormem ou aquela erva que dá coceira na banheira em que elas forem tomar banho. Deixa barato, não.
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  Em despedida, Dean lhe acenou abrindo discreto sorriso:
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  - Nos vemos dentro de alguns dias, Bianca. Por favor, prepare biscoitos na minha próxima visita. A casa ficará meio vazia sem esses três, então será uma boa ideia eu, Simon e Marie a visitarmos de vez em quando, certo?
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  No final da frase enquanto mexia as rédeas para os cavalos avançarem, um vento frio arrepiou a derme feminina, a garganta se fechando com sensação de pesar. Para tentar aliviar as impressões, levou as digitais na região a massageando em angústia.
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  Parada no relento usando a manta fina para se cobrir, viu por alguns segundos a carruagem se afastar com estranho aperto no peito.
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  Com o cenho franzido, foi até Akil e Raph na senzala, onde os acordou e os levou para fora.
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  - Me escutem com bastante atenção. – lhes explicava em voz baixa – Entreguem esse bilhete para Paul, o antigo patrão daqui. – tirou a carta de dentro das vestes e os entregou, assim como um pano amarrado escondendo diversos alimentos – Antes disso os sigam para se certificar que chegaram em segurança. Se qualquer coisa de ruim acontecer com eles no trajeto, interfiram. Não hesitem. Vão.
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  O quarteto não chegaria ao destino e nem retornaria para a fazenda.
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