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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 14

Tempo estimado de leitura: 30 minutos

  No romper da aurora, Sebastian despertou automaticamente.
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  Acordava naquele horário há tanto tempo que o relógio biológico se adaptou – mesmo contra a sua vontade.
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  Quando Bianca entrou no quarto em seu típico mau humor matutino, o encontrou terminando de se vestir.
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  Às oito da manhã, já alimentados e ainda sob o domínio da energia emanada desde a invasão aos aposentos de Damon, foram em cavalos diferentes para a cachoeira num intervalo de poucos minutos para não serem flagrados.
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  Passaram o restante da manhã lá.
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  Colhiam os frutos da última noite. Em perfeita comunhão desfrutavam do clima ensolarado para nadarem em diálogo trivial e divertido. Riam livremente e se abraçavam com amor sem vergonha em expressarem as emoções por meio de atitudes.
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  Em consequência da revelação, Damon sentia-se em paz. Não era mais necessário manter-se calado ao esconder de diversas formas o amor pelo escravo ou evitar comentar o assunto. Sem esse peso extra, era capaz de aproveitar em sua totalidade do momento íntimo onde, até então, não existia teor lascivo entre eles – inclusive por meio de diretas palavras afetuosas, ao contrário das outras ocasiões.
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  Em nenhum momento se afastaram – e quando acontecia eram ágeis para se aproximarem. De maneira inconsciente, insistiam no contato corporal aconchegante porque era agradável e era a maneira de Damon compensá-lo pelo infortúnio de demorar anos para lhe contar sobre a paixão não revelada, portanto não hesitavam em se tocar. Afinal, as impressões eram aprazíveis demais para as dispensarem.
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  Em certo horário o ruivo observava sentado na pedra a paisagem. Ao redor das árvores, pedras e plantas, estavam à salvo.
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  Se apoiou na superfície áspera com as digitais espalmadas atrás de si. O corpo molhado e a temperatura da água fria destacavam os olhos, a cabeleira ruiva e o rosado dos lábios delineados em contraste com a pele branca. As pernas encolhidas junto ao peito escondiam a nudez – embora não fosse a intenção.
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  Distraído pela bela flora de cores vibrantes junto ao cantar dos pássaros, não percebeu o outro se afastar.
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  - Amor. Toma. Acho que vai combinar contigo.
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  Direcionou a atenção para a origem da voz rouca acima dele. Em sua frente foi estendido um pequeno caule repleto de minúsculas flores amarelas. O pegou em sorriso doce.
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  - Delicadas como você, bebê. – comentou se acomodando ao lado dele.
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  O encaixou atrás da orelha, então elas se destacaram na área.
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  - Ficaram bonitinhas em mim? – maneou em movimentos suaves para ser avaliado por todos os ângulos.
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  - Lindo.
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  Se inclinou para unir os lábios morenos nos seus, o empurrando em gesto suave até se deitar de costas. Suspirando, se acomodou no colo alheio em agradável posição conhecida por ambos. Palmas embalaram a face angelical em impressionante gentileza, acariciando a bochecha com o polegar em movimentos delicados.
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  Finalizou distribuindo beijinhos pelo rosto do mais velho até alcançar o pescoço, onde se aninhou de olhos fechados. Braços protetores e acolhedores quando se referiam ao adorado amante, sua alma gêmea, o envolveram em caloroso abraço onde transmitia plena segurança e afeto.
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  - Te amo. – degustou da frase na voz macia em confidência íntima.
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  - Te amo. – repetiu o escravo no mesmo tom o pressionando contra si.
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  Depois de passarem vários minutos assim, degustando e sentindo o efeito das palavras nos respectivos corações e o quanto precisavam ouvir as palavras inéditas entre eles, apoiou a mão nos ombros para se sentar. As grandes digitais repousaram nas coxas, o observando em todo o esplendor.
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  - Quando compreendeu que me amava? – pendeu a cabeça ruiva para o lado – Aparentemente lidou bem com a descoberta apesar das circunstâncias nem um pouco promissoras.
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  Riu encarando o céu por ínfimos instantes antes de encará-lo.
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  - Você é quem pensa. Respondendo a sua pergunta, foi logo depois de sairmos com Bia e encontramos a sua amiga. Nunca vi uma pessoa para ter tanta adoração por um acessório como aquela menina tem pelo laço.
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  Sorriam e riam com maior frequência em especial naquele dia.
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  - Bem, pelo menos agora ela tem maiores opções de escolha. Marie ampliou as opções de Bia.
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  - Como assim? – franziu o cenho.
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  - Ontem visitei Marie pela tarde. Me entregou inúmeros laços de diferentes cores, mas a cor rosa predominava.
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  A imagem um do outro rindo ficaria registrada na memória espiritual de ambos de tal forma que, ao longo dos séculos, Damon, em outras encarnações, sonharia com a recordação e desenvolveriam carinho especial por cachoeiras – não necessariamente pela beleza, mas sim pelo que representavam para eles, já que, de todas as paisagens as quais eram as únicas testemunhas das reuniões daquelas almas-gêmeas, a cachoeira foi a primeira onde poderiam se encontrar escondidos e se amar em total liberdade.
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  - Em seguida – prosseguiu entrelaçando os dedos nos dele – passei a madrugada tomando duas garrafas de vinho por motivos óbvios.
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  A referência velada da peculiar união deles não foi por se apaixonar por um homem, mas sim se apaixonar pelo branco quem comprou Sebastian, homem negro e escravo, do dono anterior no século XVII em terras sulistas.
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  As chances de o romance dar certo não eram promissoras – motivo também pelo qual Damon relutava para dizer o quanto o amava.
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  - Por isso teve um dia que você estava tropeçando nos próprios pés ou no chão liso sem nenhum obstáculo na sua frente? – a expressão era divertida pela recordação.
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  - Foi. – replicou em tom igualmente brincalhão.
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  - Eu comprei até remédio com o Dean para você.
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  - Era ressaca, pequeno.
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  As gargalhadas mútuas se juntavam em peculiar união sonoramente agradável aos ouvidos.
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  - Bebê. – vagarosamente a seriedade tomou conta dos traços – Por que dormiu com Kassandra, hein? Eu sei que não gosta de mulheres.
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  Gemeu a contragosto, a fisionomia, outrora legre, esmorecendo.
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  - Amor... Podemos conversar sobre isso amanhã?
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  - Por quê?
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  - Porque me causa ansiedade, medo, preocupação, angústia, aflição... – levantava um dedo a cada emoção.
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  - Nada disso. – o interrompeu – Vai contar, sim, senhor. – deu um tapinha de leve na bunda do rapaz.
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  Graças a recusa Damon enrugou o queixo projetando o lábio inferior para frente.
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  - E nem adianta vir com esse biquinho gostoso, não. No máximo me dá vontade de beijar.
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  Para confirmar, o alcançou se sentando ágil e lhe dando um selinho demorado. Retornando para a posição, o segurou pela lateral do pescoço por continuar em ligeiro desânimo.
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  - Conta para mim, meu pequeno.
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  - Ela sabe sobre a gente. – se agilizou em acalmá-lo pelos olhos se arregalarem, o queixo cair e prender a respiração – Prometeu não contar nada com a condição de engravidá-la.
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  - Acha que ela vai te dar um filho?
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  - Duvido. Somos casados há anos e até agora nada. Não há razão para dessa vez a tentativa ser bem-sucedida.
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  - Se a notícia entre a gente se espalhar, o que pretende fazer?
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  - Acho menos provável ainda. Apesar de Kassandra saber, nunca seria a responsável por espalhar esse boato. Além de sempre ser muito discreta sobre a vida de casada, mulheres esperam que homens as traiam com escravas ou prostitutas, não com um outro homem que também é escravo. Não seria a responsável por contar nada, até porque a prejudicaria.
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  - Do jeito que a sociedade é, a culpa recairia sobre ela por não exercer os deveres de esposa de forma satisfatória ao ponto de o marido preferir outra pessoa. – a ideia daquilo era incabível para si. Cada um era responsável pela própria vida e pelas próprias ações. Infelizmente, o pensamento era avançado demais para a época – Mas e se acontecer? A possibilidade existe desde quando começamos a nos envolver.
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  - Não faço ideia, mas me recuso a me distanciar de você. Antes de te conhecer e nos aproximarmos não sabia nem o que era amar ou quem eu era. Foi você, Sebastian, quem coloriu a minha vida e, desde que me ame, não sairei do seu lado. Não vou me separar de você, amor.
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  A declaração o sensibilizou por enxergar a franqueza contida nas palavras, na voz e a fisionomia. Portanto, se ergueu de supetão o beijando e em seguida colando os troncos em abraço acolhedor e reconfortante. A retribuição foi afetuosa. Esticou as pernas claras as cruzando até onde a posição permitia atrás do corpo do mordomo e enterrou as falanges nos cachinhos fartos.
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  Descansaram as testas nos ombros alheios no último selinho em perfeita comunhão enquanto acariciavam as costas desnudas em belos contrastes de peles.
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  - Era muito solitário antes da minha chegada, não é, meu pequeno?
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  Pelo assunto mexer consigo, assentiu contendo as lágrimas.
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  - Está tudo bem agora. Estou aqui e não pretendo sair do seu lado.
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  Chegando no horário de almoço, Bia aproveitou a rápida ausência da cozinheira para adicionar um ingrediente peculiar na panela de carne.
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  Feliz, estreou o laço verde pastel presenteado por Marie. Assim que abriu os mimos no quarto, os guardou com zelo numa gaveta vazia, encantada pela generosidade e bondade singulares cuja moça branca lhe dirigia – inclusive no tratamento.
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  Naquela manhã em especial, era incapaz de ocultar a animação ao pôr em prática os planos.
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  Monitorou a cozinheira discretamente durante o preparo da refeição, então detectou os aromas da carne e do peixe. Sabia que, ao contrário do marido, Kassandra não os comia por causa das espinhas. Para disfarçar a satisfação, tampou a boca fingindo bocejar – o real objetivo era evitar da governanta detectar a alegria jovial.
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  Parando em frente a panela, pegou um vidrinho escondido nas vestes com ervas maceradas as quais conhecia bem o afeito ao atingirem o estômago de quem as ingerisse. Em sorriso travesso, as adicionava ansiosa para testemunhar o efeito quando a dona da casa se alimentasse. Em seguida, misturou com a colher de pau para camuflar o material adicional com o molho.
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  A ponta da língua no lábio superior a deixava com ar de criança travessa.
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  Desde o dia em que apanhou, refletia sobre como se vingaria de maneira a não ter nenhuma ligação acerca das consequências do evento elaborado ao longo daquelas semanas. Por ser precavida e ardilosa, se organizou de modo a aguardar paciente a oportunidade propícia surgir – e ela estava bem ali.
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  - O que está bisbilhotando aí, menina?
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  Pulou se virando de olhos arregalados. Segurava o frasco transparente dentro do punho direito atrás do quadril. A expressão assustada a denunciou.
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  - Oi, Mary. Está tão bonita hoje.
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  Cruzando as mãos em frente ao corpo tomando o cuidado da mão direita esconder o punho cuja prova da vingança era inegável, disseminava a imagem perfeita da inocência e da bondade no ser humano.
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  De fato, quem não a conhecesse, não suspeitaria de nada – não era o caso de Mary e nem de Bianca.
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  Sabia dissimular quando era necessário – característica a qual ela e Sebastian ainda não haviam conversado sobre.
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  - Deixa de fingimento porque te conheço não é de hoje. O que está aprontando?
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  A carranca confirmou para a mais velha que a interrupção brusca era sinal de como aprontava.
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  - Estava colocando um presentinho para Kassandra. – segurando o recipiente entre o indicador e o polegar, o posicionou ao lado da cabeça o balançando.
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  - Deixe-me adivinhar. A motivação foi ela ter batido em você, né? – não soou como se zangasse, mas sim lhe desse razão e até concordasse.
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  - Exato. Meu rosto chegou a inchar de tantos tapas. – massageou a bochecha.
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  Caso se concentrasse, conseguiria sentir a ardência na região.
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  Refreando o sorriso ao crispar os lábios, estendeu a destra com a palma virada para cima.
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  - Deixa isso comigo.
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  Torcendo a boca, entregou o frasco cujo conteúdo atingia a metade dele.
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  - A quantidade despejada na panela é suficiente para surtir efeito, Bia? – analisava o conteúdo.
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  - Não.
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  - É mortal?
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  - Não. – ultrajada, aumentou o volume da voz em agudo som – Sou vingativa, não assassina.
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  Imaginou que Mary se livraria daquilo, então a perplexidade a tomou quando, a passos decididos, foi até o fogão.
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  - Em qual panela adicionou isso daqui?
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  - Na de carne.
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  - Ótimo.
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  Sem remorso, adicionou o restante no molho.
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  - Até parece que eu iria concordar com o que aquela bruxa fez contigo. – misturava os alimentos suculentos com a colher de pau encostada na borda quando a menina foi flagrada – Onde já se viu? Te agredir e ainda sem motivo. Às vezes, a gente precisa dar um empurrãozinho para vida equilibrar e fazer o acerto de contas.
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  Deveria ter cogitado como, ao contrário da governanta cujo traço de personalidade era mais pacífico, a ajudaria sem hesitar pelo temperamento ser mais complicado.
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  Como chegou no horário de almoço, Damon foi avisado por Mary sobre as ressalvas acerca do almoço.
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  - Senhor Smith, poderíamos dar uma palavrinha à sós? – o encontrou perto da sala onde Sebastian organizava a mesa para o almoço.
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  - Claro.
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  O levou para a cozinha cuja privacidade seria total.
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  - Então... Junta a Bia, achamos melhor optar somente pelo peixe quando for se alimentar.
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  - Por qual motivo?
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  - Bom... Digamos que é uma questão envolvendo mulheres para equilibrar uma determinada situação.
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  - Tem alguma coisa fora do meu conhecimento, Mary? – se esforçava para não rir pelo diálogo cheio de códigos e por ser visível como ela escondia alguma informação valiosa.
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  - Não se o senhor permitir de darmos um empurrão para a justiça divina acontecer.
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  A gargalhada audível foi devido ao sorriso amarelo dela.
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  - Tudo bem.
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  Bia usou de diversas desculpas apoiadas pela cozinheira para permanecer no corredor cujo acesso dava a sala de refeições.
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  Sentada na cadeira em posição onde via Kassandra, observava o almoço. O brilho perpassou ao ver a ligeira expressão de incômodo na mulher durante a mastigação. Como ignorou, simplesmente deu de ombros. Aos poucos era notório como o estado mudava. Agitada, secava as gotículas de suor formadas na testa, bebia água e demorava para terminar de mastigar.
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  Por fim, sem alternativa, saiu em disparada com a metade do almoço intacto no prato em direção ao quarto – para a enorme e plena satisfação da morena, quem ria orgulhosa pelo feito.
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  A loira passou dois dias se recuperando da disenteria.
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  Três dias depois estava junto a Marie e os outros dois amigos na casa do médico.
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  Movido pela ternura e compreensão da amiga, decidiu dialogar com o trio sobre a sua situação.
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  - Ruivinho, deixa eu te contar. – acomodados espalhados com os demais pelo chão ao lado da cama, o loiro contava – Isso daí sempre soubemos. Não tinha nem como esconder da gente.
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  - Ué... – encarou cada um demoradamente por não esperar pela réplica banal de tão comum – Como assim?
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  - Lembra quando lhe avisei que estava há muito tempo entre os seus? – relembrou a amiga em pequeno sorriso – Pois é.
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  - Eu e o Dean somos iguais a você. Não gostamos de mulheres para nos deitarmos ou amarmos. Só para conversarmos, mesmo.
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  - E por que não me contaram antes? – impossível soar mais indignado ao estender a mão para cutucá-lo no joelho.
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  - E tínhamos essa liberdade contigo? – a ruiva respondeu em voz aguda – Sempre foi inflexível e rígido quanto às normas sociais.
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  - Era até capaz de abordarmos o assunto e você se afastar por medo. – ponderou Simon – Não queríamos perder o nosso amigo em uma ação precipitada. Você era bastante arisco em alguns aspectos.
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  - Bom, não posso discordar. – detestava o fato de terem razão.
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  - E como está se sentindo depois de literalmente se descobrir? – o médico recostou as costas na cama.
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  - Mais leve.
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  - E preocupado também. – Marie comentou baixinho.
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  - Por que preocupado?
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  - A pergunta que não quer calar. Como passou por esse processo? Sem dúvida teve significativa participação de alguém do mesmo sexo.
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  Os dois rapazes falaram simultaneamente.
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  - Vai contar? – a mulher o fitou erguendo as sobrancelhas.
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  - Vou. – passou a mão pela nuca em gesto ansioso – Tenho a resposta para as suas perguntas. – apontou para os dois.
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  - É só dizer. – concordou Simon.
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  - Sabem o Sebastian?
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  - Aquele escravo quem atua como mordomo? – Simon cruzou as pernas.
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  - Sim. Então... Meio que foi graças a ele.
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  - Ah, é normal nos depararmos com escravos assim como nós também. – assegurou Dean – Tendo óleo de coco e ambos querendo, não há problema nenhum.
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  - Não estão entendendo a gravidade dessa brincadeira. – junto a amiga riu de nervoso.
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  - Qual situação? – o médico tirava os calçados para ficar mais confortável.
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  - Não é que eu apenas sinta prazer com o Sebastian. – gesticulou com as mãos cruzadas – Mas também...
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  Gesticulou fazendo inúmeras caretas pela dificuldade em se expressar. Afinal, o assunto era extremamente delicado de se abordar – e nunca comentou sobre o tema com tamanha clareza com mais ninguém exceto o amante.
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  Notando como as palavras não saíram e aflita por ele desmaiar pela coloração arroxeada na face outrora alva, Marie engatinhou até alcançá-lo. Por trás, o abraçou em sinal de irmandade.
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  - A gente meio que se apaixonou. – a frase foi emitida como um gemido.
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  - Oi? – Simon congelou.
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  - Calma aí. Não entendi. Quem se apaixonou por quem na história? – o outro realmente duvidou da capacidade auditiva.
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  - O Damon e o Sebastian se apaixonaram. – explicou a mulher o consolando por ouvir o discreto muxoxo masculino.
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  - Qual Sebastian? Chegou alguém novo na cidade com esse nome? – Dean levantou a hipótese.
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  - Não. – se recostou na amiga cujas pernas se afastaram para acomodá-lo melhor – Eu e o Sebastian nos apaixonamos.
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  - Vamos devagar para não restar dúvidas da minha parte. – irônico, Dean se aprumou ao se sentar o fitando – Você. Homem branco, dono de fazendas no plural e de escravos. Se apaixonou por um homem negro, da sua fazenda e que trabalha como escravo doméstico. É isso?
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  - É. – recebia batidinhas consoladoras de Marie no peito.
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  - Enlouqueceu, ruivinho?!
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  O rompante inesperado de Simon os sobressaltou.
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  - Não deu para evitar.
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  - E por que você está tão calma, Marie? – Simon cerrou os olhos.
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  - Porque eu sei disso há anos, mas o Damon só me confirmou há uns dias. – beijou o topo da cabeça dele – Me deixou orgulhosa pela sua coragem, acredita? – o balançou de um lado para o outro gentilmente.
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  - Amigo, escuta. – o tom de Dean era austero – Para pessoas como nós já é complicado. Nas suas circunstâncias... Não estamos no Norte. Estamos no Sul. Lá, pelo menos, a diferença racial não traria problemas mais complicados para a relação de vocês, ao contrário daqui. É motivo suficiente para eu temer pela sua vida ou serem mortos. As regras sociais e os dogmas religiosos falam mais alto que a dignidade humana, a bondade e a benevolência. Já parou para pensar nisso?
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  - Já! Já pensei incansáveis vezes! – gritou se afastando da amiga ajeitando a postura ereta ao desabafar intensamente – Me gera terror, preocupação, ansiedade, mas também... – angustiado passou a mão dos cabelos os movimentando para trás – Inferno, é tão bom estar com ele. Com o Sebastian me sinto livre, feliz e amado. Não tenho vergonha de ser quem sou e nem sofro julgamentos maldosos ou desnecessários. – demonstrava o misto de sentimentos por cada poro, embora controlasse o tom de voz para não prosseguir aos gritos como era de sua vontade caso se deixasse levar – Estou passando pela melhor época da minha vida por causa dele. Não vou e nem quero abrir mão disso e nem do que temos. – mordeu o lábio inferior encarando o teto pestanejando por instantes para reprimir as lágrimas – Atravessei a minha vida inteira vivendo de acordo com o que meu pai queria, como Kassandra esperava ou como a sociedade exigia de mim. Estou farto disso. É tão difícil quando... É tão pesado quando... É tão pesado... – soluçava em desespero, finalmente notando o quanto passou pela vida sem, de fato, vivê-la.
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  E era um fardo excruciante de se carregar.
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  Nem sequer notou quando desabou durante o discurso.
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  Pelas lágrimas embaçarem a visão, detectou borrões se aproximando e o envolvendo em abraço fraternal.
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  - Pode chorar, meu amigo. – a ruiva disse atrás de si ao detectá-lo tentando conter o pranto.
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  Acariciava as costas dando beijinhos para consolá-lo.
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  - Conosco também está seguro. – Simon o puxou pela nuca para repousar a cabeça no peitoral o aninhando em si.
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  - Coloca para fora. Quando comentávamos na juventude sobre sermos irmãos de famílias diferentes não era em vão. – se posicionando ao lado do rapaz, segurou a mão ao lado do quadril – Estaremos sempre contigo.
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  A frase de Dean era verdadeira – e a provaria ao longo dos séculos pela amizade genuína não se findar nas encarnações seguintes.
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  A catarse serviu para aliviar o estorvo emocional resultado de anos de repressão de sua identidade como homem gay no período em que nem havia nome para identificar outras sexualidades.
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  Portanto, certa noite, o estado de espírito bem menos angustiado não foi ignorado por Sebastian.
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  - Acho que nunca o vi assim. – comentou para o rapaz sentado em seu colo.
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  Repousava as palmas nas coxas nuas, ambos à vontade com a costumeira nudez e confortáveis pelos toques físicos.
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  - Assim como? – admirava com os olhos brilhando o outro acomodado na maciez dos travesseiros brancos.
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  - Sorrindo à toa, meu pequeno.
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  Era verdade.
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  Até a cozinheira percebeu a mudança nele, então comemorou na companhia da governanta tomando vinho e comendo uma porção significativa de alimentos após distribui-los para os escravos.
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  - Digamos que eu tive uma positiva surpresa.
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  - É, mesmo?
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  - É. – sussurrou com um sorrisinho desenhando os lábios rosados – Estive há uns dias com Simon, Dean e a Marie. Eles sabiam o tempo todo como eu era diferente de outros homens. Sempre souberam, pelo visto. Descobri que Simon e Dean são como a gente. Gostam de homens, no caso.
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  Graças ao tênue tom de introspecção, quase como se falasse consigo, Sebastian deslizou a digital direita até a nuca, onde o puxou gentilmente para si. O abraçou acolhedor resvalando as pontas dos dedos em carinhosas carícias pelas costas estreitas.
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  - Isso te incomodou? – distribuía beijinhos doces pela testa onde um discreto vinco se formou ao relatar sobre a reunião.
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  - Mais ou menos. – encolheu os ombros com a lateral do rosto deitado no peitoral desnudo – É estranho quando pessoas ao seu redor conhecem pontos relevantes de si os quais você nem imaginava. Na primeira vez que dormimos juntos, por exemplo, Bianca foi compreensiva. Não me repreendeu na época. Agora sou capaz de compreender o motivo dela não esboçar nenhum estranhamento.
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  - Contaram o motivo de omitirem a informação?
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  - Em resumo era medo de me afastarem. Pelo visto sou tão aguerrido às normas e regras sociais que meus amigos ficavam desconfortáveis de levantarem determinados assuntos na minha presença.
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  Era visível como aquilo o incomodava.
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  - A sua postura rígida não era proposital, amor. Era movido pela sua sobrevivência. Não se culpe por isso.
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  - Eu entendo. O problema é que... Poxa, passei a minha vida inteira sem me sentir tão bem comigo. Foram mais de trinta anos temendo pelas reações da sociedade caso não me reprimisse o suficiente e alguém notasse até que meu tom de voz é suave ao invés de grosso como simulo. Controlava minhas ações a cada segundo se estivesse em público. É cansativo.
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  O aguardou puxar o ar e soltá-lo devagar.
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  - Agora, depois de se descobrir e se aceitar. Como se sente?
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  - Infinitamente melhor. – apoiou o queixo no peitoral o fitando com extremo amor e gratidão genuínos – E você foi o responsável por isso. Obrigado, meu amor.
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  O beijo lento era carregado de cumplicidade, afeto e respeito mútuos assimilados em cada poro corporal enquanto as línguas se massageavam por longos minutos em áurea de plenitude e segurança emocional de ambas as partes.
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  Infelizmente, aquele período não era o adequado para amores tão certos perante a espiritualidade e tão errados para a sociedade – devido aos dogmas, preconceitos, às regras, normas sociais e o imposto pelo patriarcado e pela religiosidade – terminarem de uma maneira feliz.
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  Casais como Kassandra e Celie e Damon e Sebastian precisariam aguardar ao longo dos séculos até a sociedade evoluir para, enfim, estarem juntos livremente.
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