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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 13

Tempo estimado de leitura: 34 minutos

  Na tarde seguinte, movido pela insônia e a insustentável angústia, dentro da carruagem interpelava se a decisão de buscar pela ajuda da amiga para conversar era sábia.
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  Foi impossível não se recordar das vezes em que teve a felicidade de usufruir da companhia de Sebastian naquele espaço. Sempre se sentavam lado a lado. Ao longo do tempo era frequente darem as mãos ou, dependendo do horário, desde que as janelas estivessem fechadas e escurecesse, se aconchegar no ombro moreno.
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  Se sentia tão bem nas ocasiões – e era por esse motivo que decidiu não procurar pelo consolo da governanta.
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  Em casa o mordomo transitava por todos os espaços, de modo a flagrá-lo acidentalmente desabafando com Bianca caso recorresse a ela– e não concordaria em nenhuma hipótese ser visto em tal abalo emocional, até porque o amante saberia o motivo da melancolia.
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  Chegando na mansão já conhecida, encontrou Marie se despedindo do amante mais recente. O aguardou ir embora para descer da carruagem quando ela retornava para o interior da residência sem ainda não notar a presença do outro.
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  - Espero não a atrapalhar.
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  Se virou pela aflitiva voz macia. Ao vê-lo de imediato detectou nos globos o pedido de socorro. Abriu preguiçoso sorriso meigo indo abraçá-lo.
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  - Meu amigo.
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  As suspeitas de que algo lhe acontecera se confirmaram por ouvi-lo fungando.
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  Damon nunca ia para a casa de alguém sem combinação prévia. Era rigoroso quanto aos horários destinados para visitas e detestava a ideia de interferir na rotina das pessoas.
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  - Atrapalho? – se afastou dela, a face vacilando pela incapacidade de manter a máscara social naquelas circunstâncias – Posso voltar depois...
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  - De maneira alguma. – falava tocando as bochechas masculinas com as pontas dos dedos – Chegou no horário certo. Do contrário provavelmente escutaria meus gemidos.
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  Só seus amigos para fazê-lo rir quando a vontade maior era desmoronar. Entretanto, isso não impediu de gordas lágrimas transbordarem.
  - As coisas não têm sido fáceis para você, né, meu amigo? – em generosidade, as secava com as pontas dos dedos.
  Crispou os lábios balançando a cabeça em negativa.
  - Vamos. – segurou no braço dele o guiando – Vamos entrar. Assim podemos conversar com maior conforto e privacidade.
  O levou para o quarto cuja cama levemente bagunçada denunciava as recentes atividades.
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  - Aqui ninguém vai nos incomodar, ruivinho.
  Tiraram os calçados para se acomodarem no colchão macio. A mulher se deitou o puxando para imitá-la, então se viraram de lado para se posicionarem frente a frente.
  - Consegue ser sincero comigo agora? – murmurou secando a pele úmida.
  Nunca o viu tão desalentado. Se controlava para não permitir as emoções se transformarem em mais lágrimas. A face estava rosada pelo esforço e apresentava dificuldade de se pronunciar.
  - Eu não sei, eu...
  - Lembra quando lhe disse que estava entre os seus? E o quanto eu estava feliz por se permitir?
  Assentiu.
  A fragilidade era tamanha que se assimilava a acuada criança infeliz.
  - Pois é verdade.
  - Não sei por onde começar.
  - Pelo começo. Quando e como as coisas passaram a mudar para você?
  Se não fosse pela franqueza, o olhar banhado de compreensão e o volume cúmplice, talvez nunca contaria.
  - Acho que sempre foram diferentes para mim, mas passei a ser realmente confrontado quando comprei Sebastian e Bia de Patrick porque...
  E Damon contou.
  Contou sobre o envolvimento com o escravo, sobre como foram os primeiros encontros e sobre os diálogos. Contou sobre como era aceito, como era livre para ser quem é sem temer por represálias e em como era acolhido. Contou sobre a sintonia entre eles, como lhe apresentou o prazer e como, pela primeira vez, se deparou com o real significado de prazer. Contou sobre como tinham pontos em comum, sobre como se completavam e como um buscava agradar o outro – seja adicionando a sobremesa favorita ao cardápio ou tocando o piano para preencher a casa com música. Contou sobre a paciência do escravo consigo, sobre o zelo e em como aguardou até o rapaz pedir para lhe mostrar o que havia para além dos beijos. Contou sobre os apelidos carinhosos, os discretos toques escondidos durante o dia e em como se admiravam quando possível.
  Finalizou relatando sobre os últimos desentendimentos.
  O escutou por quase uma hora contar sobre sua vida em murmúrio carregado de ar sem interrupções.
  Ao contrário do que imaginava, não havia julgamento, nojo ou crítica. Pelo contrário. Nos globos perpassavam de vez em quando o brilho de alívio e contentamento. O tênue sorriso era fruto da satisfação de como o rapaz decidiu, enfim, se abrir – e se descobrir. Descansou as digitais no braço para apoiá-lo durante a revelação.
  Permaneceu calado por três segundos a analisando após o longo relato.
  - Não vai me julgar, não?
  - Não.
  - Por quê?
  - Porque eu sempre soube que era diferente. E não imagina como me alegra o fato de, finalmente, se descobrir e se aceitar.
  - Eu não...
  - Amigo. – segurou a mão dele repousada no travesseiro embaixo do queixo – Nunca o vi observando mulheres com interesse. Você brincava de bonecas comigo nas raras vezes cuja a oportunidade surgia. Eu sempre pude mostrar as minhas pernas e os meus braços sem me sentir em perigo na sua presença ou correr o risco de ser assediada. Eu sempre soube.
  - Mas eu... – engoliu em seco atordoado – Eu sempre escondi tão bem.
  - Eu sei. Eu via, Damon. Via o esforço em se esconder como forma de proteção. E me doía imensamente porque parecia que não alcançaria a felicidade nunca.
  - Eu era feliz, amiga. Não me faltava nada.
  - Não faltava nada de material. Você sempre careceu de coisas que o dinheiro não paga, ruivinho. Aceitação, um homem quem poderia amar, afeto e acima de tudo: compreensão de quem é.
  - E quem eu sou?
  - É uma pessoa doce, afetuosa e amorosa, quem precisou renunciar a si por tempo demais em virtude de sobreviver na sociedade onde está inserido.
  - Essas não são características masculinas.
  - Motivo pelo qual se anulou. Porque sai do padrão. E eu sinto muito por isso, meu amigo.
  - E se for pecado, Marie? Não quero parar no inferno. – a voz embargou pelas novas lágrimas formadas – Não quero prejudicar nem a mim e sem ao Sebastian.
  - Quem parará no inferno são agressores, violadores e criminosos, embora várias pessoas defendam os crimes em nome da honra. – o puxou gentilmente para si, quem se aninhou no peito dela – Você é de longe a pessoa mais correta quem já conheci. – em irmandade, afagou as ondas macias sem se importar no quanto o corpete umedeceria em virtude do pranto alheio – Caso Deus realmente exista, ele mandaria falsos moralistas para o inferno ao invés de pessoas como você por gostarem de outra do mesmo sexo.
  - Pessoas como eu? – o tronco balançava por causa dos soluços.
  - Digamos que, quando se sentir confortável e mais confiante, há muito para tratar com Dean e Simon. – beijou o topo da cabeça – Já contou que o ama?
  - Não. É fora de cogitação. Eu nem sei o que sinto por ele. Além disso, amar outro homem já é complicado. Quiçá um negro. É perigoso demais para nós dois. Eu... Eu não deveria contar nada. Não devo contar nada.
  - Por quê?
  - Porque não sei como seria da minha vida sem o Sebastian.
  E era verdade.
  Por não ter se apaixonado antes em virtude da muralha construída ao redor para se proteger, foi com a interação com o escravo que começou a viver. Lhe foi apresentado a ventura de como era a troca afetiva e sexual quando duas almas apaixonadas se conquistavam ao longo do tempo.
  A ideia de algo ruim acontecer com o escravo pelo enlace era aterradora.
  - Não, amiga. Eu não posso...
  - É claro que pode e é possível. O amor não é errado, ruivinho. Errado é não aceitar as diversas formas de se pensar ou de enxergar o mundo por preconceitos ou pela inflexibilidade. Ou acha que em outros continentes os costumes e as culturas são as mesmas daqui? Ou que adoram a mesma divindade europeia?
  - Não.
  - E por causa disso estão errados?
  - Não.
  - Mulheres como eu seriam levianas por não aceitarmos nos resumir somente a uma boneca a ser manuseada por homens de maneira a não desfrutarmos do prazer na cama? Seria correto eu ser excomungada, assassinada, agredida ou violada graças ao meu comportamento transgressor?
  - Não.
  - Pois então. Você e o Sebastian não estão errados. Para ser franca, eu já suspeitava.
  Assustado, se ergueu com as mãos no colchão para fitá-la.
  - Como, amiga? Eu nunca deixei nada explícito.
  - É porque o conheço. Como é mais introspectivo, as outras pessoas nem se dariam conta. Duvido na capacidade de terceiros para decifrá-lo. É que, quando o Sebastian estava junto, mesmo quando os encontrei na rua ao acaso, o seu jeito mudava. Não sei explicar direito, mas parecia... Parecia mais feliz. O seu rosto iluminava. Ouso dizer que por parte dele também era notório.
  Marie era conhecida entre os amigos como capaz de decifrar qualquer indivíduo. Era altamente intuitiva – e era sempre quem era capaz de descobrir as situações em minúcias.
  - E como... Como faço para tê-lo junto a mim novamente? Não imagina como dói ficar longe dele. – se sentou na cama recostando nos travesseiros.
  - É simples. – deitou-se de bruços e pôs as mãos no travesseiro para deitar a lateral do rosto o fitando – Conte como se sente. Conte o quanto o ama. Seja verdadeiro. Não perca ou magoe a pessoa quem ama pela incapacidade de ser sincero sobre os seus sentimentos. Ame, meu amigo. Só ame.
  Passou a tarde desabafando com a amiga, quem o acolheu e aconselhou. Por fim, quando o diálogo terminou, foi embora em belo pôr do Sol.
  - Entrega isso para Bia, por favor. – com o rapaz dentro da carruagem, colocou no colo alheio uma caixa mediana pela porta ainda estar aberta.
  - O que é?
  - Diga para menina que é importante ter opções para estar de acordo com a moda.

  Enquanto o rapaz era consolado e aconselhado por Marie, Bianca observou como o escravo estava estranhamente introspectivo – a sinalização de quando carregava angústia no coração.
  Como os serviços da casa estavam completos, o chamou para caminhar pela propriedade. Assim, ninguém escutaria o teor da conversa.
  O Sol forte castigava a pele, mas a incomum brisa fresca era um refrigério para o tempo quente de céu sem nuvens.
  - Posso saber o motivo para quietude? – iniciou a passos lentos depois de se afastarem vários metros e detectando estarem sozinhos ao perambular lado a lado pelo chão de terra.
  A introversão dele era sempre sinal de problemas.
  - Cansaço.
  - Cansaço do serviço ou de Damon ainda não ser capaz de se entregar emocionalmente para você?
  Não disfarçou a careta de desgosto pela facilidade de compreender a situação.
  - Como descobriu?
  - Eu o criei. – deu de ombros como se a resposta bastasse – Acertei ou não?
  - Sim.
  - Tenha paciência.
  - Por mais quanto tempo, Bianca? – se exasperou aumentando repentinamente o volume – Não é de hoje que nos encontramos de noite e nem que demonstra me ama, mas... Não reconhece. Não estou pedindo por muito. Só a franqueza dele. – completou em voz firme apesar de diminuir o tom para manterem a discrição.
  O mediu calada por instantes durante a caminhada. Afinal, não era do feitio do outro soar ou ser ríspido.
  - Aconteceu alguma coisa?
  - Os gemidos de Damon e de Kassandra quando passei pela porta dela são motivos suficientes para chatear qualquer um no meu lugar.
  - O quê? – rapidamente mudou a tática pela demonstração da perplexidade – Bom, ele não pode deixar brecha sobre a essência mais delicada ou as preferências.
  - Bianca, eu não sou burro. Duvido que ela se importe com ele no sentido amoroso da palavra ou de outra maneira. Do contrário, o quarto dela não seria distante do dele e ela se juntaria ao Damon em outras ocasiões ao invés de se trancar no quarto ou sair sozinha.
  - Inferno, por que você é tão perspicaz?
  A imprecação espontânea lhe arrancou um risinho humorado.
  - Olha. – o segurou pelo pulso para se virar para ela – Se o meu menino esteve com a esposa ontem, há uma explicação plausível. O deixe se explicar. Abaixe a guarda para alcançá-lo.

  Quando chegou em casa não se juntou a esposa para jantar. Sem apetite, se trancou no escritório para digerir a conversa com a amiga refletindo sobre cada palavra.
  Meia-noite saiu de lá escutando a chuva torrencial. Se encaminhou para os aposentos de Sebastian na tentativa de conversarem. Bateu na porta cinco vezes ao todo. Como não foi respondido, suspirou resignado e se arrastou para o quarto num misto de tristeza, decepção e frustração.
  Planejava se descansar, torcendo para o dia seguinte chegar logo. Assim, surgiria nova oportunidade para dialogarem – se o escravo assim o almejasse.
  Entretanto, o roteiro mudou.
  Como esperaria por aquilo? Não havia como saber.
  Ao trancar a porta do aposento particular se dirigia para a cama pensando se o amante estaria mais maleável para discutirem em algumas horas. Por notar a tênue luz da lamparina acesa sobre a mesa, franziu o cenho se indagando o motivo de Bianca deixá-la ali – se fosse ela a responsável por aquilo. No caminho de apagá-la, foi puxado fortemente pelo pulso. Pego desprevenido, o corpo virou em resposta pela força imposta pelo outro para, então, uma boca sedenta tomar a sua.
  O beijo foi urgente, possessivo, intenso, apaixonado e libidinoso. As características se fundiam entre si, transcendendo a pele e alcançando o âmago de maneira a reproduzir reações corporais e afetivas. Não se afastou porque sabia quem era aquela pessoa. Sabia de quem eram as mãos a percorrerem o corpo por cima da roupa, assim como os lábios de quem clamava por si.
  Ávido, Sebastian o empurrou até encurralá-lo contra a parede adjacente ignorando se derrubaram objetos ou esbarraram em móveis no caminho. Ouviram baques surdos e algo quebrando em vários pedaços. Além do mais relevante acontecer entre eles a ponto de Damon sequer esboçar curiosidade, quem se importava se algo valioso quebrou ao colidir no assoalho?
  No canto, logo tratou de retirar as vestes com rapidez as deixando amontoadas pelo chão. A forma como o ruivo era encarado nas raras vezes em que sustentaram o olhar antes do moreno atacá-lo faminto tão deliciosamente de novo o arrepiava, inclusive pela carga energética peculiar percorrer as veias.
  Havia o cru desejo nas írises em promessa silenciosa de transformar aquela noite em particular num marco na história do casal.
  Nus, gemiam um dentro da boca do outro pela incapacidade de serem escutados devido a tempestade de vento, raios e trovões os quais iluminavam o quarto junto a lamparina precária deixada de maneira estratégica pelo escravo em cima da mesa onde costumava desenhar.
  O ruivo envolveu a larga cintura com a perna direita em busca de maior contato ao rebolar causando deliciosa fricção entre os paus duros já despertos assim quando o corpo se chocou com o de Sebastian.
  Inclinou a cabeça para o lado o agarrando pelos ombros. Lhe proporcionava espaço suficiente para explorar a carne macia tão desejada pelo moreno.
  Aproveitou o som dos trovões para bater na bunda redonda como gostava de fazer e se recusava antes para evitar de os descobrirem – e com uma tormenta como aquela, era impossível escutá-los.
  Desceu a palma pelo tronco alvo até envolver o pau entumecido. O rapaz reagiu se encolhendo, fechando os olhos e mordendo o lábio inferior.
  - Presta atenção. – ofegante, lambeu a lateral do pescoço junto ao início da masturbação vagarosa – Essa noite não apenas quero te ouvir, como também vou te fazer gemer bem gostoso só para mim. Não adianta tentar silenciar porque não vou deixar isso acontecer.
  Para enfatizar, deu mais um tapa na bunda protuberante.
  Sem paciência, o segurou pela parte detrás do outro joelho. Devido ao registro corporal por pegá-lo no colo inúmeras vezes durante os encontros noturnos, enlaçou a cintura larga com ambas as pernas.
  O sustentando pela bunda farta, o levou para a cama sem quebrar o beijo. O deitou lá, de imediato se acomodando sobre ele.
  O agarrando pelos cabelos ruivos em confortável aperto cheio de possessividade, sussurrou no ouvido:
  - Quando o chamo de meu pequeno é porque é verdade. Não é de mais ninguém. Você é meu, Damon. Só meu.
  E era verdade.
  Investia nele como se o reivindicasse para si. Cada toque, reação, beijo e carícia era elaborado para marcá-lo como seu. Deixaria a informação sensorial em cada poro, de maneira a sempre provar de maneira inconsciente para o ruivo que já pertencia a uma única pessoa específica – e mais ninguém tinha o direito de tê-lo.
  Quanto mais investia, mais Damon se encontrava a beira do precipício da irracionalidade. Era um amontoado de pujantes sensações arrebatadoras e reflexos orgânicos em consequência da intensidade do mordomo, quem não deixava nenhum centímetro da derme sem a textura da sua.
  Ofegante, desceu os lábios pelos lugares mais sensíveis nele. Já sabia como e qual pressão exercer para provocá-lo. Sugou e lambeu o lóbulo por longos minutos, o instigou no pescoço, lambeu os mamilos em movimentos delicados e resvalou as pontas dos dedos pelo abdômen até chegar ao pau, onde o abocanhou sem cerimônias.
  Damon nunca vivenciou uma noite como aquela.
  Nunca foi sugado com tanto afinco.
  O estimulava em diversas áreas simultaneamente e em diferentes ritmos para evitar de usufruir do alívio. Às vezes inseria o dedo úmido pelo óleo de côco encontrado na gaveta durante a masturbação ou o oral. Ora passou momentos massageando o ponto tão escondido nele. Ora se ocupava somente por sugá-lo. Ou então, para o delírio do rapaz, o estimulava nas duas áreas simultaneamente. Quando o percebia prestes a gozar, se concentrava no interior das coxas proposital o frustrando – e adorava escutar os muxoxos pelo objetivo não ser atingido como gostaria.
  Era incapaz de produzir frases ou sequer palavras coerentes. Puxava os travesseiros a ponto de rasgá-los, gemia, se contorcia e arqueava as costas. Quando abria os olhos ofegante e o encontrava o encarando possessivo, soltava gritinhos agudos pelo impacto de Sebastian sobre si.
  Foi tomado por vigorosa emoção a qual não conseguia decifrar. Era descomedida, surpreendente e intensa, de tal forma que potencializava tamanhas impressões causadas pelo outro. Não descobria ainda, então a experimentava causando certa turbulência emocional e física – o coração disparava, abria discretos sorrisos e se deleitava em total entrega sem notar como, enquanto estavam na cama, baixava a guarda para expressar por meio de frases os sentimentos pelo mordomo.
  Havia importante informação acerca de Sebastian guardada no fundo da mente. Nos instantes de lucidez se questionava sobre o que era para surgir naquele momento antes de se contorcer novamente pelo baixo ventre contrair – e novamente o assíduo amante não o permitia atingir o orgasmo.
  - Amor... – se lamuriou sem forças.
  - Sim. – parando de chupá-lo, passou a movimentar o dedo no interior dele.
  O frio na barriga foi graças a mistura de ingenuidade e malícia nos globos escuros.
  - Por favor. – separou os joelhos lhe dando total acesso.
  - Por favor o quê? Me fala. Adoro quando implora por mim.
  - Eu quero... Ain... – o gemido prolongado foi por passar a ponta da língua no períneo – Eu quero que me faça ver estrelas, amor.
  - E por que eu faria isso, meu pequeno?
  Surgiu na memória a sensação do afago nos cabelos, mas... De quando seria?
  Foi tão relaxante... Ainda era possível sentir o carinho amoroso.
  Talvez... Foi na primeira vez em que Sebastian dormiu consigo?
  - Porque... – o peito subia e descia totalmente ofegante – Porque a gente gosta de ficar assim.
  - Só isso?
  Graças a raiva contida por ainda não ser franco, a canalizou ao avançar no frágil rapaz em suas mãos. O chupava faminto deslizando a língua em movimentos circulares na glande rosa junto ao vai e vem da cabeça e massageando o seu interior. Não parou nem depois de tomar cada gota do prazer, então o deixou em total estado de maravilhosa agonia por bastante tempo.
  Ignorando o quão mole estava naquelas circunstâncias, voltou a beijá-lo com igual urgência.
  - O que sente por mim? – murmurou contra os lábios trêmulos o fitando com as pupilas escuras e dilatadas.
  - Eu... – o tom rosado na face era adorável, assim como era claro como era difícil resistir a verdade – Nós gostamos de dormir juntos e...
  - Não é o suficiente.
  Decidido, o virou de costas sem tardar em subir nele.
  Damon adorou como ficou totalmente dominado daquela maneira – encurralado e com o corpo maior exercendo pressão sobre o seu.
  - Por que me permite estar assim contigo? – o agarrou pelas mãos as entrelaçando com as suas ao lado da cabeça ruiva – Por que o deixo tão indefeso simplesmente por beijá-lo? Por que me observa quando toco piano? Por que busca pelo meu toque durante o dia quando passo ao seu lado? – murmurava sôfrego com os lábios rentes a orelha em voz rouca, satisfeito por notar os arrepios resultados da excitação e pela incapacidade de continuar fugindo do amor devido as perguntas de tão acuado.
  As indagações serviam para confirmar que havia algum conteúdo escondido nos recônditos da memória. Não sabia o que era e nem porque se esquecera, mas era marcante para os dois. Sabia disso – do contrário a lembrança não escolheria justo aquele momento crucial para ressurgir através da inquietação e das sensações passadas.
  Junto a certeza os músculos se contraíram em virtude de os lábios em seguida castigarem o lóbulo.
  - Eu... Eu não sei, Sebastian. – replicou em fio de voz.
  - Sabe, sim. – resfolegou em tom imperativo em exigência pela resposta – Nós dois sabemos. Não aceito mentiras, Damon. Não essa noite.
  Apesar de preferirem se chamarem por apelidos carinhosos, ao proferirem seus respectivos nomes aumentava a tensão entre eles, como se um confrontasse e o outro se mantivesse resistente na batalha ao suportar bravamente o conflito sem ceder – mesmo se fosse nítida a vulnerabilidade.
  Percorreu as costas com beijos úmidos até alcançar a bunda, onde lambeu a convidativa entrada por imensuráveis minutos – o pau latejava e liberava o pré-gozo pelas lamúrias do outro junto aos sons produzidos ao se concentrar na região.
  Naquela primeira noite Sebastian lhe falou algo. Damon escutou algo. Mas... O que era? Estava tão sensível por, finalmente, sentir na pele como era... Por sentir em cada poro a sensação de...
  Inferno, por que não se recordava? Por que era tão difícil de se lembrar das palavras proferidas? Por que ele se lembrava somente de como se sentiu ao invés de descobrir quais foram as palavras ditas? Elas não eram complexas, então... Por que a dificuldade era angustiante?
  Demorou para estar saciado pelos sons do rapaz em consequência de ter um amante altamente habilidoso e atencioso, então não o aguardou se recuperar. Se lambuzou com o restante do óleo de coco largado entre os lençóis para, então, penetrá-lo com cuidado.
  - Eu...
  A palavra emergiu da mente quando a glande atingiu a próstata na primeira estocada, enviando uma onda de calor e prazer enquanto Sebastian, deitado sobre si, o prendia passando o braço direito no espaço entre o pescoço e o travesseiro.
  - Você é meu, Damon. – sussurrava durante as investidas lascivas e delirantes – Meu. Não é da Kassandra. Não é de mais ninguém. É só meu.
  - Sou seu, amor. Seu. Ah! – gritou pela penetração especialmente forte após a confissão em demonstração clara de como a declaração o satisfazia.
  - Entendeu agora, né? Bom menino. – o elogiou.
  Puxou os fios macios para erguer a cabeça. Invadiu a boca do rapaz e o beijou ardentemente, finalizando com um repuxar do delineado lábio inferior.
  - Você também é meu, meu amor. – declarou o mais novo o fitando em puro deleite ao quebrarem o beijo.
  Vislumbrou o triunfo sobrepujado na expressão apaixonada do escravo em questão de instantes.
  - Me promete que não vai ter mais ninguém na sua vida além de mim. – suplicava o mais novo se agarrando ao travesseiro – Me promete que não vai mais continuar longe de mim. Por favor, amor. Me promete. Senti tanta saudade da gente... Não sabe a falta que me faz, querido.
  - E qual foi o motivo da saudade? Conta para mim. Eu preciso saber.
  Tinha algum motivo. Tinha algum motivo para a saudade ser tamanha. Do contrário...
  - Eu te amo.
  Foi quando a frase surgiu na sua mente junto a alegria reconfortante e acolhedora ao escutá-la antes de adormecer na primeira vez deles.
  - É porque eu te adoro, meu amor. – contou em gemido entrecortado – Eu te amo há muito tempo.
  Lágrimas se formaram nos globos do escravo sendo tomado por verdadeiro bálsamo com a revelação franca e sem impedimentos.
  - Eu também o amo, meu pequeno. – fungou emocionado repousando a testa no vão entre o ombro e o pescoço – Muito. Demais.
  O quarto foi tomado por declarações emotivas, juras de amor genuínas e comprovadas ao longo dos séculos, gemidos audíveis e repetições sobre o amor recíproco. Apenas os quadris do moreno se moviam para penetrá-lo. Se tocavam como podiam e até onde alcançavam na posição, além de distribuírem diversos beijos e carícias pelas peles sensíveis. De vez em quando segurava as mãos pequenas nas suas.
  Ao se enterrar pela última vez em profunda estocada, gozaram juntos violentamente – Damon soltando um agudo grito abafado pela mão áspera tampando a boca e Sebastian, trêmulo, grunhindo com o rosto contra o travesseiro.
  Permaneceram na posição por intermináveis minutos de comunhão harmônica onde o moreno distribuía beijinhos no rapaz ofegante e exausto.
  Suspirou antes de se retirar do seu interior tão familiar. Se arrastou para o colchão sem se afastar do contato corporal. Deitado ao lado do ruivo, quem, de bruços, apenas virou o rosto na direção do outro, afastou as mechas macias da testa alva.
  - Oi. – murmurou o moreno em olhar apaixonado contrastando com o do outro, que era apaixonado e exausto.
  - Oi. – abriu o pequeno sorriso sem mostrar dentes devagar.
  Satisfeito física e emocionalmente, o puxou para si o aninhando no peitoral firme.
  A mão macia resvalou em direção ao abdômen, onde acarinhou em carícias sutis e meigas.
  - Me desculpa por não contar antes sobre meus sentimentos por você.
  - E por qual motivo me disse agora?
  - Talvez porque você teve significativa participação. Nunca vi alguém se esforçar com tanto afinco até descobrir a verdade.
  Adorou escutá-lo rir junto às batidas do coração.
  - Como se você não tivesse gostado dos meus esforços. – o apertou beijando os cabelos.
  - Nem fala. Mal estou conseguindo me mexer. E não é reclamação, não, tá? – mordeu carinhosamente o peitoral musculoso – Repita sempre que desejar.
  Passaram tempo suficiente em silêncio na bolha particular desfrutando como iguais dos sentimentos expressos para Sebastian achar que o rapaz dormiu.
  - Não quero ficar longe de você. – sussurrou em voz carregada de ar – E me desculpa por... – engoliu em seco pelo arrependimento.
  - Sim?
  - Porque esqueci quando me disse que me amava. Provavelmente teria nos poupado de algumas situações e evitaria o seu afastamento. – se desvencilhou para beijá-lo em incondicional ternura – Desculpa. – tocou o nariz com a ponta do indicador.
  - Não se preocupa. – sorriu meigo pelo gesto embalando a lateral da face com a palma áspera – Talvez eu tenha me precipitado ao te falar naquela época. Foi cedo demais.
  Se observaram por longos minutos. O som predominante era a tempestade cujos raios e trovões clareavam o quarto em curtos intervalos. Perdidos um no olhar do outro, eram capazes de desfrutar da certeza do amor recíproco. Sentiam-se em paz pela união.
  Damon encostou a testa na de Sebastian em ato íntimo e cúmplice completamente relaxado. A impressão das digitais dele na bochecha alva trouxe acolhimento e proteção necessários para a segurança sobrepujar qualquer resquício de incerteza acerca do futuro do casal.
  - Eu te amo, Sebastian.
  - Te amo, bebê. Muito.
  Ao notar o moreno se arrepiando em virtude do frio, agora que os organismos haviam se tranquilizado, Damon os cobriu com os lençóis. Em seguida se aconchegou nele no exato momento em que a luz da lamparina apagou sozinha.

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