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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 11

Tempo estimado de leitura: 27 minutos

  No dia seguinte, como passou a acordar tão cedo quanto Mary para evitar de Sebastian ser pego saindo do quarto de Damon ao ir acordá-lo antes do céu clarear, Bianca aproveitou a ausência dos empregados para conversarem com privacidade enquanto a ajudava no preparo da refeição para os escravos.
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  - O que acha sobre a decisão de Kassandra em comprar Zuri?
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  Desde a decisão de auxiliar o casal, o serviço da cozinheira naquele horário tornou-se mais agradável e menos trabalhoso.
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  - No mínimo estranha. Não tive uma boa impressão dela.
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  - Por quê?
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  - Tem cara de sonsa. Não me transmite confiança. Fora a quantidade de indícios peculiares nessa história.
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  - Quais?
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  - Nunca a ouvi reclamar sobre a quantidade de empregados, damos conta do serviço sem nos sobrecarregar, então, em teoria, não precisaria de mão de obra extra e o singular abalo pela morte de Celie. É óbvio que Kassandra não está bem e vai demorar para se recuperar.
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  - Hum... Levando em consideração como costumava visitá-la...
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  A insinuação pairou no ar. Notou como a outra captou a mensagem pelo aceno de cabeça concordando.
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  - A reação dela não é de quem perdeu a amiga, mas sim de quem enterrou a pessoa por quem se apaixonou. – completou Mary – Percebe a discrepância?
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  - Sim. Sabe o que eu acho?
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  - Que está fazendo perguntas elaboradas demais para serem respondidas num horário como esse?
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  Se encolheu rindo pelo pano de prato atingir suas costas.
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  - Que precisamos ter cuidado com Zuri.
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  - Bem, eu quase não saio da cozinha. Quem pode te ajudar melhor nisso é Bia. Transita pela casa tanto quanto vocês.
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  - Também conversarei com o Damon e o Sebastian. Não seria adequado deixar brechas caso realmente esteja acontecendo alguma coisa.
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  A conclusão chegou durante a noite.
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  - Sabem que não tive uma boa impressão da Zuri? – Bia estava sentada na mesa junto a Mary e Bianca comendo um bolo a luz de velas.
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  Precavida como era, Bianca não tardou em sinalizar para se silenciarem. Em seguida, foi para o corredor averiguar se havia alguém.
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  - Não fale em voz alta. – avisou retornando para o seu lugar subitamente séria.
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  - Não foi a única, meu bem. – ironizou a cozinheira se referindo a antipatia pela nova empregada – Acredite.
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  - Aconteceu alguma coisa para isso?
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  - Eu posso estar louca ou vendo coisa onde não tem, mas posso jurar que a vi bisbilhotando ao longo do dia.
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  - Bisbilhotando?
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  - Sim. – terminou de tomar o chá na caneca – Durante o dia sempre a via ou no mesmo cômodo que o senhor Smith ou posicionada de maneira a ele ocupar o campo de visão dela.
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  Trocaram enigmático olhar captado pela mais nova.
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  - O que estão escondendo de mim, hein? – sussurrou em tom maduro demais para alguém da idade dela – Eu não sou burra. Há bastante tempo percebo que ocultam algo. Só não entendo o motivo e nem o que seria, não importa o quanto pense sobre o assunto.
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  - Bia... – a governanta estendeu a mão para segurar a da morena – Há assuntos delicados demais para podermos revelar. Caso as informações saiam dessas paredes, as consequências seriam terríveis.
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  - Talvez até trágicas. – assegurou a outra.
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  - Não confiam em mim?
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  - Não, não é isso. – retorquiu a cozinheira em sussurro compreensivo – Mas... Quando há um segredo tão incomum, é vital que pouquíssimas pessoas saibam para não correr o risco de vazar. Quanto menos pessoas souberem, menores as chances de alcançar os ouvidos de quem não deveria.
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  - E essas pessoas seriam?
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  - Qualquer um que não goste do Damon e compactue com as normas, condutas, regras, tabus e dogmas da sociedade, inclusive religiosos. – Bianca travou o maxilar por não concordar com uma cultura tão restrita onde mulheres e negros eram subjugados em virtude do patriarcado religioso e do capitalismo o qual exercia a manutenção da escravidão sulista.
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  - Eu nunca faria nada para prejudicar o senhor Smith. Sou muito agradecida, na verdade. Sempre nos trata bem, o contrário do tratamento destinado aos escravos. Se ele não tivesse interferido quando eu e o Sebastian fomos capturados pelo Patrick... – balançou a cabeça em expressão introspectiva, ainda capaz de sentir as palmas dele percorrendo o corpo quando tentou se aproveitar dela quando não passava de uma criança – Sem dúvida estaríamos mortos.
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  - Se você gosta de Damon, creio que possa nos ajudar numa coisa. – Mary bebeu o restante do seu leite quente.
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  - Se encontrar Zuri por aí bisbilhotando, não deixe. – explicou Bianca em voz baixa – Sempre a chame para ajudá-la nas tarefas caso Damon ou Sebastian estejam perto dela. Não é seguro deixá-la transitar pela casa livremente depois das nossas especulações, impressões e do seu relato que serviu para confirmar com as nossas suspeitas.
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  Horas mais tarde invadiu os aposentos de Damon sem se anunciar.
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  Junto a Sebastian, era a única quem tinha tal liberdade graças ao vínculo desenvolvido por tê-lo criado.
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  Se deparou com ele parado em frente ao espelho abotoando a camisa.
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  - Tia. – sorriu ao mirá-la pelo reflexo.
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  Pensou como o seu mundo seria mais cinza se porventura não fosse mais capaz de ver um sorriso tão doce o qual iluminava o rosto do ruivo.
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  - Meu menino. – se aproximou vagarosamente em semblante maternal – Sempre tão amável. – parando ao lado dele, enlaçou o braço no seu com gentileza – Às vezes a sua bondade me preocupa, sabia?
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  Franziu o cenho perante a indagação com ar preocupado.
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  - Aconteceu alguma coisa?
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  - Embora eu já conheça a resposta, existe a possibilidade de despedir Zuri? Ou vendê-la para outra família?
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  Pelo tratamento humanizado, os escravos causavam problemas. Inúmeros sofreram na pele e no âmago a dura consequência de serem traficados para a Europa e as Américas ou de nascer da barriga das escravas fruto dos abusos sistemáticos. Logo, não causavam problemas – e os que queriam fugir para o Norte, eram auxiliados por Damon e Dean durante as madrugadas.
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  - Nenhuma. Qual o problema?
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  - Querido... – suspirando, o puxou até o rapaz se posicionar na frente dela – Por favor, despeça ela.
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  - E por qual motivo faria isso? Não a quero sofrendo nas mãos de alguém.
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  - Porque as condições pelas quais Kassandra a trouxe são estranhas. Tenho medo de te prejudicar de alguma maneira. Pelo temperamento da sua esposa, ela pode se tornar perigosa.
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  - Não estou entendendo nada.
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  Ajeitando a lapela da roupa, prosseguiu:
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  - Se você perdesse Sebastian em um incêndio o qual, caso tivesse chegado mais cedo, poderia salvá-lo, como reagiria?
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  O brilho do entendimento perpassou as írises.
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  - Acha que ela e Celie...
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  - Certamente. A reação não é de quem perdeu a amiga, mas sim a mulher quem amava. Uma pessoa como ela, sem família, sozinha e sem ninguém verdadeiro para socorrê-la tende a ser perigosa, principalmente em condições em que culparia alguém pela morte da amante. Tome cuidado. E por favor. – embalou a face masculina em súplica – Por favor, despeça Zuri.
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  - Cuidado tomarei, sim. Tirar a menina daqui? Não, tia. Viu o corpo dela? Está queimada. A vida não foi boa com ela e isso é nítido até na forma de caminhar. Me peça qualquer coisa, tia, mas eu seria maldoso caso a colocasse para fora. Aqui estará segura e nada de ruim lhe acontecerá. Em outra fazenda? Isso é impossível.
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  A face lívida o fez refletir por longos minutos se a decisão era prudente.
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  - Seu coração é generoso demais para uma época tão cruel, meu menino. Nem sempre isso é bom.
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  Definitivamente o plano atrapalhou os objetivos de Kassandra e Zuri.
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  Em momento nenhum a governanta e Bia a deixaram sozinha. Além disso, a cozinheira costumava chamá-la para a preparação das refeições a impedindo de ir para outros aposentos da casa e a mantendo longe do casal.
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  Concomitante, Bianca estava a ponto de pedir para Mary mirar com precisão para atingir o alvo com o cutelo por tantas desavenças graças a nova figura inserida nas atividades domésticas.
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  Bia e Zuri viviam em pé de guerra.
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  Não se entendiam, sobretudo, por que Zuri desdenhava de Damon e a mais nova sempre o defendia.
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  Assim como as outras escravas, teve uma vida terrível antes de ir para a fazenda Smith. Aos vinte e cinco anos foi usada por tantos homens que perdeu a conta – inclusive na infância e de maneira coletiva. Além disso, como resultado, as esposas deles costumavam maltratá-la e torturá-la. Cada centímetro da pele foi marcado pelo sofrimento e pela violência em cicatrizes que iam para além da carne por alcançarem a alma lhe amargando pelo martírio. Na boca ainda carregava queimaduras pela dona anterior a Celie obrigá-la a colocar ovo quente recém-saído da panela fervente nela.
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  A única quem quebrou o padrão e a tratou com dignidade e até certa gentileza foi Celie – e agora o tratamento positivo de estendia para Kassandra, a conquistando de maneira a ter a sua total fidelidade.
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  Era de se esperar os motivos pelos quais criou genuína ojeriza e repúdio por homens brancos e suas esposas.
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  Demoraria demais para a escrava descobrir alguma informação relevante pelos irremediáveis empecilhos impostos por Bia, Mary e Bianca – fora quando a cozinheira a chamava para auxiliá-la no preparo das refeições, por, nessas ocasiões, passar o dia inteiro na cozinha e só ter a permissão de sair quando a louça do jantar já estava lavada e seca.
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  Ambas não eram as únicas frustradas.
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  Sebastian se empenhava para não esclarecer para Damon acerca suas angústias e nem demonstrá-las.
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  Passou quase três anos desde quando começaram os encontros noturnos. Entretanto, o envolvimento deles não bastava por uma das partes não admitir os próprios sentimentos – e isso estava difícil de acontecer.
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  O ruivo evoluiu bastante durante aquele tempo – o fato de não achar mais necessário recorrer a mulheres na tentativa de se enquadrar nos paradigmas impostos e nem a bebida em seguida por não sentir prazer na companhia delas era sinal claro do progresso. Em contrapartida, era incompetente para tratar com o mais velho sobre os seus reais sentimentos.
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  Para o rapaz eram perdoáveis os enlaces por se convencer de que, ao se deitar na companhia de outro do mesmo sexo, aquilo se encerrava ali. Se juntavam sempre durante o período noturno. Escondidos, usufruíam do mais visceral e genuíno dos prazeres. No quarto se uniam, eram os responsáveis pelos tremores alheios e pelas lamúrias lascivas – suas músicas preferidas, sobretudo quando sustentavam o contato visual.
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  Durante o dia o comportamento era o total oposto.
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  Desde quando Bia impediu de serem descobertos por Kassandra, Damon agia como sequer o conhecesse. Até mesmo nas idas para a cidade não o chamava sob o pretexto de auxiliá-lo em qualquer eventualidade.
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  Era desgastante manter-se assim.
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  Em contraste ao tratamento diurno mais frio, sentia como o rapaz não desejava somente o seu corpo. Havia mais – e os indícios eram visíveis e decifráveis.
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  O pegava o encarando com amabilidade, se por porventura atravessassem os corredores sozinhos buscava pela sua mão mesmo por instantes mínimos, sorria ao vê-lo no piano o admirando por segundos e adicionou aos sábados no cardápio uma sobremesa específica horas depois do moreno lhe contar que era a sua favorita.
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  Além de, é claro, convidá-lo sempre para permanecer no mesmo ambiente durante a visita dos amigos.
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  Entre eles não havia distinção de tratamento – tanto por parte do ruivo quanto por parte deles. Assim, descobriu como o trio também não concordava com o sistema da escravidão.
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  Apesar de não poderem se tocar como desejavam ou se abraçarem, era agradável participar dessa parte da vida do ruivo e de se enturmar com os outros. Se entrosava nas conversas, sentava-se ao lado do rapaz, riam juntos e em ocasiões em que era possível graças ao bloqueio proporcionado por uma almofada ou qualquer outro objeto, entrelaçavam as mãos ou as acariciava.
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  Certa vez detectou pelo olhar compreensível de Marie como ela foi hábil em solucionar o enigma o qual os permeava.
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  - Para mim, o mais importante dentro de um casamento é se a pessoa é bem tratada, amada, cuidada e respeitada, independente dos paradigmas ou da opinião da sociedade. – chamou a atenção para si ao aumentar o volume da voz por tratarem sobre casamentos. Cortês, ergueu a taça de vinho para a dupla posicionada em sua frente – Sortudo e abençoado é quem consegue tudo isso no matrimônio. Errado seria se acontecesse o contrário. – bebeu o vinho.
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  O alívio banhou Sebastian por notar como o segredo deles estaria guardado e por compreender que a mulher não os entregaria ou os condenaria.
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  Além disso, a linguagem corporal o denunciava. O olhar era sempre mais doce, dirigia-se com afeto, o abraçava e acarinhava mesmo em contextos em que não havia insinuação sedutora, buscava agradá-lo e lhe proporcionar conforto.
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  Logo... Qual o impedimento em simplesmente falar?
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  Certa noite, quando os empregados se recolheram e Kassandra havia se retirado, cansada pelo resultado positivo do primeiro baile o qual decidiu comparecer com o marido após o incêndio na fazenda de consequências trágicas e que tirou a vida de Celie, Sebastian o levou a cavalo na cachoeira.
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  Dividindo o espaço na sela, Damon guiava o animal enquanto o mordomo carregava a lamparina para iluminar o percurso.
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  No caminho recebia beijos no pescoço ou na bochecha, além de uma das mãos ásperas teimar em puxá-lo de modo a detectar o endurecimento do escravo já tão conhecido.
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  Chegando lá, pelos corpos estarem despertos, não demorou para se despirem em meio a beijos meigos, digitais as quais deslizavam suaves pelas dermes e abraços aconchegantes. A lamparina ficou no chão a alguns centímetros da água rasa.
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  Antes de levá-lo a uma enorme pedra em questão de cumprimento cuja altura seria a ideal para o que tinha em mente, apanhou o frasco escondido no bolso das vestes.
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  O deitou nela, se acomodando sobre o rapaz.Como testemunha a luz do luar, o som de água característico de cachoeiras e a bela paisagem, além de um grupo de vagalumes, se amaram no arrastar das horas. Trocavam sorrisos durante os beijos, se abraçavam afetuosos e exploravam os corpos em harmonia invejável.
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  Damon tentava controlar os agudos gemidos sem sucesso. Quando Sebastian o via tampando a boca com a palma, a afastava em gesto gentil ou a entrelaçava na sua para impossibilitá-lo.
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  Depois de o lubrificar de ambos gozarem nas bocas e mãos alheias, Sebastian desceu da pedra. A água colidia com os pés por seguir o curso. Deitado de barriga para cima, o ruivo acompanhou o movimento sem desviar o olhar – ergueu as pernas posicionando os tornozelos nos ombros largos para, em seguida, ser penetrado.
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  - Sabe por que o trouxe para cá hoje, amor? – murmurou o segurando pelas coxas e começando a invadi-lo em movimentos suaves.
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  Adorou a forma como arfou pelo ponto tão escondido ser atingido.
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  - Não.
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  - Porque quero te ouvir. – saiu quase por completo e voltou a mergulhar nele em movimento fluído onde Damon intensificou a expressão facial – Daqui ninguém pode nos escutar. – amoroso, se inclinou para beijá-lo – Deixa eu te ouvir. – disse contra os lábios rosados.
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  De fato, o pedido foi acatado com maestria.
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  Apenas não imaginavam que, entre as folhagens, uma figura feminina os observava assombrada para, assim que Kassandra acordasse, lhe informasse sobre as descobertas.
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  - Como? – o relato era valioso demais para Kassandra não esboçar reação enquanto Zuri ajeitava o corpete azul escuro nas costas faltando quinze minutos para as nove da manhã.
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  - Exato, senhora. Como eu demorei a dormir, avistei o Sebastian levando o senhor Smith de mãos entrelaçadas até o cavalo. Os segui mantendo certa distância para não me pegarem. Ao chegarem na cachoeira, tiraram as roupas e fizeram aquelas coisas que os homens gostam de fazer com as mulheres.
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  - Os dois pareciam gostar?
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  - Sim.
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  - E como eles estavam?
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  - Como assim?
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  - Eram carinhosos ou era estritamente carnal?
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  - Tinha carinho, sim. Os ouvi se chamando de amor algumas vezes.
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  Irritada por se deparar com a enorme disparidade entre a sua trágica história com a deles, suspirou.
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  - É só isso. Pode ir quando terminar de amarrar meu corpete.
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  Sozinha, parou de frente ao espelho para se avaliar.
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  Naquelas roupas e com aquele penteado não se enxergava. Ou melhor, não se reconhecia.
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  O contexto feminino da época não facilitava a sua vida. Eram diversas as repressões e a conduta, por mais que fosse correta, era julgada por simplesmente não engravidar. Os comentários começavam a incomodá-la mais do que deveriam porque a sua funcionalidade e valor giravam em torno da capacidade de se casar em função de proporcionar herdeiros masculinos.
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  Não para si.
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  Para o marido.
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  Afinal, de tal maneira o sobrenome dele iria propagar. Logo, a linhagem masculina era mais relevante comparada a feminina por ela servir como incubadora. Como consequência, ao evitar a gravidez pelos próprios métodos após árdua pesquisa escondida sobre o assunto, não cumpria o seu papel como era sua obrigação de mulher – segundo o papel da sociedade.
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  Se submeter de tal maneira a não poder sequer se vestir como se identificava era de violência sem igual para ela.
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  Como os trajes não eram adequados para si, refletia sua personalidade na escolha de cores. Costumava optar por tons vivos e mais escuros, como vinho, azul marinho ou verde escuro. Nunca eram tonalidades que transmitissem delicadeza ou amorosidade. Pelo contrário. Às vezes, por destoar das outras senhoras e senhoritas, era o sinal inconsciente de como algo as distinguia.
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  Damon tinha inúmeras vantagens em relação a ela.
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  Ele se reconhecia em frente ao espelho.
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  Mesmo com todas as dificuldades, desfrutava da felicidade na companhia de quem o amava – o amante, os amigos, Bia, a governanta e Mary.
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  Ele não carregava o peso de ser obrigado a proporcionar filhos para outros.
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  Ele tinha a quem recorrer caso algo desse errado.
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  Não ela.
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  Nunca Kassandra.
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  Os únicos quem amava estavam mortos.
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  E isso doía mais do que era capaz de suportar, resultando em apagar sua beleza em partes – e o sofrimento era detectável por quem quer que a visse ou quando se olhasse no espelho.
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  Naquela noite específica, Damon notou Sebastian mais frio desde quando atravessou a porta do quarto luxuoso.
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  Mesmo se beijando parecia distante, quase como se agisse no automático.
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  - Amor. – ergueu o tronco para se acomodar no colo – Qual o problema?
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  Pela expressão estar endurecida, repousou a palma na bochecha.
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  - Pequeno... – crispou os lábios apreensivo, ponderando por instantes se seria produtivo manifestar o assunto – O que eu sou para você?
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  - Que tipo de pergunta é essa?
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  O desconcertante sorriso repentino morreu pela seriedade do outro ao pronunciar:
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  - O que eu sou para você, Damon?
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  Tomado pela angústia ao ser pressionado, franziu o cenho desviando o contato visual e preferindo observar os lençóis emaranhados. Se sentiu desnudado emocionalmente – e isso o assustava e reprimia.
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  - Você trabalha para mim... – balbuciou com um nó na garganta cuja consequência foi deixar a voz embargada – Você... Você trabalha na minha casa...
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  - Não. – segurou a pequena mão na sua a repousando no peitoral – Não quero saber a função que exerço na sua casa. Eu quero saber quais são os seus sentimentos por mim.
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  Com a respiração pesada, a fisionomia tornou-se mais densa demonstrando como os questionamentos diretos o impactavam.
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  - Não... – engoliu em seco – Eu não...
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  - Esquece, Damon.
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  Mesmo irritado, foi cuidadoso ao tirá-lo de seu colo para poder se levantar.
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  - Qual o motivo desse inquérito? – se sentou na cama acompanhando como o outro apanhava as roupas para se vestir – Não vejo razão para...
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  - Eu vejo. – o calou se virando para ele abotoando a calça – Pois eu enxergo a problemática de não ser verdadeiro comigo.
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  - Eu nunca escondi nada de você, amor.
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  - Esconde. Esconde desde quando você me beijou pela primeira vez no seu escritório quando estava bêbado. Esconde desde antes disso, quando por várias noites me observou através da janela do seu escritório. Se deixar até antes disso, mais especificamente quando conversamos pela primeira vez após tirar Bia e a mim das garras de Patrick.
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  A cada palavra notava a irritação de Sebastian enquanto o próprio peito apertava.
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  - E o que quer que eu diga?
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  - Eu quero que seja verdadeiro comigo.
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  - Eu estou sendo...
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  - Mentira! Se estivesse, não pareceria tão frágil por não responder uma simples pergunta.
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  E realmente aparentava fragilidade em cada poro. Encolhido, a baixa estatura potencializava o quão frágil se encontrava graças ao medo por ser colocado contra a parede daquela maneira inesperada. Era visível o esforço de lutar contra as lágrimas.
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  - Qual pergunta?
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  - O que sente por mim?
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  - Eu não posso sentir nada por você, Sebastian! – bradou com a pele avermelhada e as lágrimas enfim descendo.
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  A frase paralisou o moreno cujos olhos começaram a lacrimejar pela revelação dolorida.
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  - Eu não posso me importar e nem sentir nada por você. – prosseguiu aos prantos detestando a sensação de se expor – Se eu permitir isso, não serei mais o mesmo porque nada vai tirá-lo do meu coração se você entrar nele.
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  Tão emocionado quanto ruivo, quebrou a distância para, ajoelhado no espaço entre as pernas alvas, beijá-lo ávido em meio ao choro de ambas as partes. Suspirou com pesar, embalando a face chorosa com as palmas. O fitou magoado pela incapacidade do outro em não revelar como o amava.
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  - Já se importa comigo, pequeno. – a voz transmitia toda a frustração e decepção sem se envergonhar da própria vulnerabilidade – Há tempo demais. Só não quer admitir.
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  Vestido, descalço e carregando os calçados com a mão, foi até a porta secando os olhos com o braço esquerdo.
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  - Para onde você vai, amor? – o mais novo soluçou, abalado pelo primeiro embate entre eles.
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  - Pro meu quarto. – empurrou a maçaneta para baixo.
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  - Passa a noite aqui.
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  - Vou, não. – por sobre o ombro mirou Damon, quem chorava na mesma posição tanto quanto ele – Hoje não quero, não.
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  Deitados em suas respectivas camas mais tarde, não conseguiriam dormir pela falta que o outro lhes fazia.
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