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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 10

Tempo estimado de leitura: 30 minutos

  Kassandra jamais de recuperaria.
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  Por cinco meses mal saía dos seus aposentos tomada pela amargura.
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  Durante esse período, nada mudou na rotina da casa.
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  Certo fim de tarde Sebastian foi mandado junto a Bia para comprarem alimentos como carne e legumes pela cozinheira.
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  Durante o trajeto de ida a menina o alegrou com seus comentários perspicazes e repreendas quanto ao funcionamento do sistema escravocrata.
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  - Onde já se viu, Sebastian? A tarde é linda e nem posso usar meu laço.
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  Tinha adoração pela peça, a única comprada por Damon no passeio o qual aconteceu há três anos.
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  - Não podemos mostrar como realmente nos vestimos na propriedade, Bia. – paternal, a abraçou pelos ombros deixando um beijo no topo da cabeça – Ninguém pode saber como somos tratados com dignidade na fazenda Smith.
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  A rouca risadinha irônica foi porque a frase se referia indiretamente sobre a relação com seu pequeno.
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  - Eu já tinha esquecido até da sensação de colocar essas roupas. – resmungou mexendo nos pobres trajes destinados aos escravos – As pessoas deveriam se sentir bonitas quando se vestissem, não feias. Estou horrorosa nisso.
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  - Horrorosa? É de longe a menina mais bonita, simpática, inteligente e com leve inclinação para a vingança como perdoável desvio de caráter quem já conheci.
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  - Com roupas adequadas, eu seria lindíssima, encantadora, genial e mais ardilosa certamente.
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  Rolou os olhos rindo pelo comentário.
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  Desde a fuga onde Patrick os capturou resultando na interferência de Damon ao manipular o homem para comprá-los, desenvolveram uma bonita relação. Sebastian se tornou naturalmente a sua figura paterna, então era comum vê-los dialogando apesar da diferença de idade.
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  Em contrapartida, a menina se sentia segura com ele. O espaço vazio no coração oriundo da orfandade foi preenchido pelo calor característico do vínculo criado entre pai e filha – mesmo se não fossem parentes consanguíneos.
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  Não se demoraram nas compras por notarem como escurecia.
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  A postura submissa era incômoda para ambos – constante cabeça baixa e voz cuidadosamente polida. Infelizmente, era necessário para não pensarem que eram atrevidos ou afrontosos ao se dirigirem a alguém cuja ascensão social era evidente – qualquer um cuja cor de pele fosse clara.
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  Para agilizar, a deixou escolhendo algumas frutas enquanto, na outra banca, ia buscar pelos legumes na pequena lista de Mary a estendendo para o vendedor como se não soubesse ler – pelo menos esse era o plano.
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  Nos horários livres aproveitou para alfabetizar Bia a pedido dela quando o flagrou uma vez lendo os títulos dos livros na biblioteca em voz alta. Como Damon era solícito e tinha gentileza atípica para os homens da época, disponibilizava livros de acordo com a idade para treinar a leitura e o material necessário para treinar a caligrafia.
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  Não esperava como estava sendo observado com peculiar interesse há quarenta e cinco segundos.
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  Logo, quando o braço foi agarrado e empurrado para o beco ao lado cambaleou desnorteado antes de chegar na banca dos alimentos.
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  - Há quanto tempo não nos vemos, Sebastian.
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  Patrick, o antigo dono de fazenda quem o comprou antes de conhecer o amante, disse o prendendo contra a parede.
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  Algo no olhar do loiro o incomodou. A forma como pareceu degustar do som de seu nome foi repugnante lhe gerando estranha sensação de súbito frio percorrendo a coluna.
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  - É assim como me trata após trabalhar comigo por sete anos? Ah, eu esperava mais de você. – passeou com o indicador pelo pescoço moreno. A impressão era como a de serpente venenosa provando a textura da pele antes de atacar – Pelo visto muita coisa mudou. Lembro da sua imaculada educação.
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  - A única mudança é que não trabalho mais para você. – rugiu – Não é mais para o senhor quem presto contas.
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  Não deveria ter tentado lutar. Caso não tivesse esquecido naqueles instantes cruciais sobre os rumores acerca do comportamento indecoroso ao invés de agir com indiferença, jamais cometeria tal erro amador.
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  Patrick era movido pela resistência. Quanto mais a outra pessoa resistisse contra as suas investidas, mais aquilo o instigava – independentemente de ser homem ou mulher. Logo, a atitude de usar da força física para distanciá-lo inflou perversa vontade nele em relação ao escravo. O enxergava agora em fascínio delicioso cujo apetite por domá-lo o subjugando era delirante demais para ignorar.
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  De imediato assimilou como a ação foi equivocada. Ao invés de raiva ou desprezo perpassar nas feições, avistou algo mais perigoso. Notou as chamas do desejo desenhar o semblante e queimar os globos.
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  O estômago gelou pela constatação. Pela visão periférica detectou a figura da menina o buscando em meio aos transeuntes. Por uma fração de segundo pediu aos Deuses para não o encontrar naquela desvantajosa condição.
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  Ela não merecia presenciar o que ele desconfiava que fosse acontecer ali – principalmente pelas valiosas informações verídicas as quais corriam no boca a boca pelos escravos pertencentes a fazenda de Taylor.
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  Tentou se afastar, mas, antes de dar três passos, foi jogado novamente contra a parede. Dessa vez os corpos estavam colados, a face do outro perto demais da sua, o hálito alcançando as narinas.
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  Detestou como era analisado – como se Patrick estivesse faminto por algo que somente Sebastian poderia proporcionar.
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  - Me solta. O senhor Smith está me aguardando. Não posso me atrasar.
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  - Ele não está aqui, está? Acho que poderíamos conversar um pouco depois de tantos anos longe.
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  Durante a fala, deslizou as mãos pelo peitoral alheio. Enterrou a face no pescoço onde cheirou animalesco e lambeu a área enquanto a palma descia cada vez mais.
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  A expressão de nojo foi ignorada.
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  - Seu novo dono deve ser muito cuidadoso contigo. Seu cheiro é magnífico, assim como o seu sabor.
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  Caso fosse mulher, Sebastian nunca teria força suficiente para empurrá-lo faltando centímetros para alcançar o membro.
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  E caso o sistema da escravidão não existisse, o teria espancado ali pela tentativa de abuso – na verdade, o teria feito há anos, mais especificamente quando o encontrou em cima da menina com quem desenvolveu uma relação paternal. Para sua infelicidade, nasceu, cresceu e pertencia à região Sul. Sabia qual era o seu lugar perante um branco, independente do gênero ou da classe social da outra pessoa. Conhecia qual o lugar pertencente naquela cadeia alimentar – e todos estavam acima dele.
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  Até animais recebiam melhor tratamento.
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  Portanto, era incapaz de agredi-lo. Damon não estava junto a si para protegê-lo. Não podia cometer nenhum outro ato mais agressivo – mesmo se fosse movido pelo senso de autopreservação e sobrevivência. Além disso, estava longe das vistas da menina. Não queria correr o risco de ela saber sobre a situação e nem de vê-lo assim. A pouparia acima de tudo. Se, naquelas condições, o vissem cometendo o terrível ato de não permitir um superior perante a sociedade explorá-lo, seria linchado em questão de segundos – e estava fora de cogitação disso acontecer na frente de Bia.
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  E agora tinha motivos demais para continuar vivo – Damon, Bia, o amor nutrido pelo ruivo e a forma como era tratado dignamente na propriedade da família Smith, um verdadeiro milagre naquele período cruel e tão carregado de sofrimento e injustiças infligidos pelo povo negro.
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  Estava completamente submetido às vontades perversas de Patrick Taylor e odiava sentir-se indefeso, mesmo medindo um metro e oitenta e cinco e capacitado a se defender – embora as algemas invisíveis do sistema o impedissem para não ser morto.
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  Era isso o que a escravidão fazia – cometia crimes por enxergar outra pessoa como um objeto ao invés de um ser humano. E quando isso acontece, principalmente tendo o apoio da igreja, como era o caso, genocídios em escalas absurdas são cometidos e crimes hediondos eram perdoáveis simplesmente pelo criminoso ter como características principais a masculinidade e a pele branca devido ao patriarcado atrelado ao capitalismo.
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  Por sorte, antes do outro alcançar o membro sustentando o olhar duro do moreno quem demonstrava total indiferença, um tiro ecoou os assustando.
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  - Pensei em encontrar com todo mundo, exceto contigo, Patrick.
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  Dean Brown, acompanhado por Simon, caminhava até eles da outra extremidade do beco. Carregava a arma apontada na direção do outro, em quem atirou perto dos pés como aviso.
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  - Doutorzinho. – o desprezo era visível ao se dirigir a eles – Pensei que médicos não portassem armas. Parece contraditório, não?
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  - Pois é. Digamos que nos últimos dias tenho refletido bastante sobre algumas coisas. Para o seu infortúnio... – a apontou para ele em movimento direto – Sou bem diferente dos meus colegas de profissão.
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  - Há duas opções para você. – assim como o amigo, Simon partilhava da mesma antipatia parando ao lado do amigo quem não parecia hesitar em puxar o gatilho – Ou sai daqui ou vai ter uma bala acoplada no seu peito cujo processo de retirada vai ser negado pelo Dean. O que prefere?
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  Sem escolha, restou segurar o escravo pelo queixo para avisar:
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  - Em outra oportunidade conversaremos. – lhe deu dois tapas leves na bochecha direita.
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  Só quando foi embora Sebastian indagou:
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  - Que fazem aqui? Quando saí estavam com o senhor Smith.
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  - Ele nos pediu para acompanhá-los ao descobrir por Bianca sobre o pedido de Mary. – explicou Simon o avaliando com atenção – Está tudo bem?
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  - Sim, claro. Me ajudem a buscar pela Bia. Ela deve estar doida a minha procura.
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  - Certo.
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  Caminhando a passos rápidos para acompanhá-lo, Simon insistiu:
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  - O que o infeliz queria contigo?
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  - Insistiu que eu havia roubado algo. Não descansou até averiguar se havia pertences de outros ou alimentos escondidos nas minhas vestes.
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  Sabia ser bem convincente ao dissimular ou criar mentiras as quais explicariam situações delicadas.
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  Damon conviveu o suficiente com Sebastian para deduzir que algo lhe acontecera.
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  Distante, notou como se tornou mais introspectivo desde o retorno com Bia e os amigos na carruagem de Dean. Quieto, apenas obedecia aos pedidos da governanta no automático, acenava em concordância ou era monossilábico.
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  Aproveitando a reclusão de Kassandra, às dez da noite atravessou a mansão. Devido ao horário os empregados já haviam se recolhido, então a tarefa não foi complicada.
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  Como a porta estava destrancada, entrou devagar sem fazer barulho desnecessário.
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  A luz do luar iluminava o ambiente, então o encontrou de pé em frente a janela observando as estrelas trajando somente calças. A fechou devagar se dirigindo a ele.
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  Quando os braços o envolveram em afetuoso enlace, Sebastian não se assustou pelo registro sensorial dos toques do ruivo na derme desnuda.
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  - Está tão quietinho hoje, amor. – beijava as costas nuas docemente – Algum problema?
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  Abaixou as pálpebras as pressionando nos olhos apreciando o zelo apresentado.
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  - Não. Só estou pensando, mesmo.
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  Demorou exatos três segundos para a réplica chegar:
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  - Então quer dizer que eu posso me abrir contigo, mas o inverso não acontece?
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  A repreenda não era aborrecida. A voz era suave e compreensiva demais para soar zangado, lhe proporcionando espaço para optar pela franqueza caso almejasse.
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  O sorrisinho não atingiu as írises ao se virar.
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  - Sabe, antes de te conhecer costumava ser bem convincente quando precisava mentir.
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  Envolveu a cintura fina nas mãos, o seu lugar preferido no corpo de Damon. Por sua vez, o abraçou pelo pescoço enterrando os dedos no couro cabeludo em sutil massagem carinhosa.
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  - Ao contrário de mim, os outros não te conheciam de verdade.
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  Graças a frase o puxou suave para si até se aninhar no espaço entre o pescoço e o ombro, área onde se encaixava perfeitamente.
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  Carecia tanto da companhia do ruivo naquela noite específica... Sua pele, seu cheiro, seus carinhos, seu toque... A essência delicada era necessária após o desprezível episódio de mais cedo.
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  Desde quando iniciou o envolvimento com Damon, nunca cogitou em se deitar com qualquer outro homem. Como existiam outros escravos cujas preferências não eram femininas, recebeu propostas verbais e insinuações alguma vezes ao longo dos anos. Porém, os sentimentos nutridos e guardados eram demasiado fortes para querer mais alguém além do ruivo. Em consequência, desconsiderava as tentativas de aproximação de terceiros – mesmo se a insistência de Damon em esconder os próprios sentimentos começasse a incomodar o mordomo.
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  Agora, além da calmaria da noite, alguém era capaz de tranquilizá-lo – compreendeu no abraço acolhedor.
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  Constatou o momento exato quando decidiu lhe contar o motivo para a introspecção porque, ao puxar o ar, o soltou devagar em seguida relaxando os músculos até então retesados.
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  - Vem comigo, bebê.
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  Segurando a mão menor, o guiou para a cama.
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  Se recostou na cabeceira com as pernas esticadas no colchão, então o outro se acomodou no colo em posição típica do casal.
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  Apesar de já conhecer a resposta, vasculhou nos olhos do ruivo se encontraria repreendas, julgamentos ou críticas. Por não haver nada além de acolhimento, amorosidade e cumplicidade, começou:
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  - Corre um boato entre os escravos sobre o comportamento de Patrick.
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  - Qual? – repousou as digitais nos ombros largos.
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  - Comentam à boca miúda que gosta de usar os escravos da mesma forma como as escravas são usadas pelos senhores.
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  - Se aproveita deles. – pronunciou em voz gélida.
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  - Isso.
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  - O Simon comentou comigo que os encontrou num beco.
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  - Foi.
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  De imediato a expressão mudou. Franziu o cenho, os globos se encheram de seriedade e, apesar da baixa estatura e delicadeza natural, emanou periculosidade, como se fosse o responsável por fazer o outro sofrer alguma retaliação caso tivesse ousado tirar vantagem dele pela superioridade social.
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  - O que o Patrick fez contigo?
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  - Bebê...
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  - Não. – embalou o rosto tentando controlar o temperamento – O que ele fez contigo? Te machucou?
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  - Tentou.
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  O misto de repugnância da situação e medo pelo escravo passar pelo mesmo perigo novamente o assolou.
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  O coração se partiu por, finalmente, a feição de Sebastian mostrar o quão abalado estava.
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  - Ele só tentou, amor. – pendeu a cabeça para o lado de modo a destra pressionar a bochecha pelo peso do crânio – Não conseguiu.
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  - Isso não vai se repetir. Eu juro. A partir de agora só sai dessa fazenda na minha companhia ou na de um grupo de escravos com ordens restritas a não se afastarem sequer dez centímetros de você. Não o permitirei nem mesmo se aproximar. Precisará passar por mim primeiro antes de te tocar. – o assegurou sôfrego encarando os globos escuros.
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  Embora não tivesse passado por tal situação destinada às mulheres, principalmente negras em abusos sistemáticos nos séculos instaurados pela escravidão, era incapaz de se tranquilizar pela ameaça sofrida por Sebastian. Em conversas com Dean soube de casos terríveis onde o amigo tratou de meninas e escravas violadas. Os relatos o enojaram por não compreender como aqueles homens tão defensores da moral e dos bons costumes eram capazes de cometer tais atrocidades com quem nem tinha chances de se defender devido ao contexto histórico e a diferença de força física.
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  Faria o possível e o impossível para protegê-lo.
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  Damon odiou como pareceu abatido por compartilhar sobre a abordagem de Patrick.
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  - Não pode controlar cada imprevisto, pequeno. – o ensaio do sorrisinho não atingiu as írises escuras.
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  - Mas posso protegê-lo e defendê-lo. E disso não desistirei. Enquanto eu viver estará sob a minha proteção. – o abraçou afetuoso – Gosto demais de você para não prezar pela sua segurança. Nunca deixarei nada de ruim acontecer contigo porque... – engoliu em seco na tentativa de buscar pelas palavras certas – Porque é importante para mim. O quero sorrindo, não em constante estado de medo ou alerta.
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  Aquela foi a frase mais similar a uma declaração já emitida pelo rapaz. Logo, foi impossível o coração não se banhar de amorosidade perante a veracidade das palavras.
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  - Meu amor, você já cuidou de mim em diversas oportunidades. – resvalava os lábios pelos ombros em carícia meiga – Me deixa cuidar agora de você.
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  Graças ao pedido, o escravo intensificou o abraço necessitado daquele zelo e apoio.
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  - Prefere ficar aqui?
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  - Não, pequeno. Me sinto melhor no seu quarto. Criamos lindas memórias lá para não preferir estar nele desfrutando da sua companhia.
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  Pelo sorrisinho tímido e a face rubra, se perguntou se, algum dia, o ruivo se acostumaria ao teor de frases como aquelas.
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  Atravessaram o andar inferior de mãos dadas até chegarem aos aposentos particulares de Damon.
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  No interior trancaram a porta, se desnudaram como de costume e se deitaram no colchão com o escravo sobre ele.
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  Apenas permaneceram unidos desfrutando de plena comunhão em silêncio confortador.
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  Não obstante de Damon não se declarar, Sebastian sentia em cada palavra, gesto, olhar, voz e toque o amor genuíno emanado do rapaz pelas demonstrações físicas de afeto. Aquele momento era o exemplo perfeito. Não parecia inclinado a nada além de ampará-lo e lhe proporcionar suporte emocional. Distribuía beijinhos castos pela testa ou por onde fosse capaz de alcançar com os lábios rosados. Deslizava vagarosamente as palmas pelas costas ou enterrava as falanges no couro cabeludo em contato costumeiro.
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  De vez em quando o escravo se ajeitava até beijá-lo na busca das sensações carinhosas sobrepujarem as impressões deixadas por Patrick.
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  - Eu vou te proteger, meu amor. Sempre.
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  Adormeceram naquela posição de mãos dadas.
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  O calvário de Kassandra havia apenas começado.
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  Em questão de meses emagreceu em consequência do sofrimento. Nunca foi uma mulher com tendência a engordar, mas, pelo baixo apetite, mantinha-se magra sem esforços. Por causa da morte de Celie, perdeu completamente a fome. Como resultado, os ossos da clavícula e de outras regiões estavam evidentes junto a expressão apática.
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  Passou dias trancada no quarto. Deitada, havia ocasiões em que nem conseguia se levantar e se recusava a atender até mesmo o marido.
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  Damon e Bianca tentavam ajudá-la a se recuperar da perca súbita da amiga e animá-la com convites para passeios – e os esforços eram infrutíferos.
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  Logo, foi uma positiva surpresa quando, sem avisos, a viram saindo na companhia de uma empregada – infelizmente, desconheciam a motivação incomum.
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  A empregada em questão foi chamada para auxiliá-la a se vestir ao final da manhã.
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  - Algo que importante que eu precise saber? – a voz era tão seca quanto o semblante durante a arrumação.
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  - Hoje começa a venda dos escravos sobreviventes da fazenda da dona Celie Willians.
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  Graças a frase, surgiu uma reminiscência.
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  - Talvez o Damon goste tanto de mulheres quanto nós gostamos de homens.
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  Apesar da face endurecida, o perigoso brilho perpassou pelas írises verdes até então apáticas por se recordar das palavras da finada amante.
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  - Sabe o lugar e o horário?
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  - Sim. É dentro de quarenta minutos.
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  - Ótimo. Seja rápida. Você irá me acompanhar.
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  Saiu irritada por não encontrar seu agasalho preferido.
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  Chegou a tempo de acompanhar a venda das escravas as quais poderiam servir dentro de casa.
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  O tempo era nublado e, como de costume, o leilão acontecia ao ar livre em uma praça cheia de compradores em potencial.
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  Enfileiradas, estavam de cabeça baixa em trapos usuais. Grossas correntes envolviam os pés e o pescoço para evitar fugas. O vendedor abaixava os vestidos ou as blusas de algumas as deixando expostas para verificarem se serviriam para amamentar os filhos bebês das famílias interessadas nelas para esse fim específico – prática bastante comum na época.
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  Eram obrigadas a mostrar os dentes, as mãos e permitirem serem apalpadas para analisarem se seriam fortes para realizarem os serviços caseiros.
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  Seu interesse era outro.
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  Se aproximou da mais velha.
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  - Deve se lembrar de mim. – comentou de braços cruzados para se aquecer do frio – Eu e Celie sempre fomos bem próximas.
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  - Sim. Dona Celie gostava muito da senhora.
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  Engoliu em seco contendo o choro por ainda não se habituar a se referir à doce mulher no passado.
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  - Então me ajude. Preciso que me mostre a escrava mais fiel a ela.
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  - Aquela ali de saia rasgada e marcas nas mãos. – apontou com o queixo para o lado direito.
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  - Ótimo.
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  Facilmente a identificou. Era a única com marcas de queimadura mais expressivas pelo corpo, a reconhecendo por suplicar para não interferir quando foi jogada dentro da carruagem e ameaçada por Anthony.
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  - Qual o seu nome?
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  - Zuri. – manteve a cabeça baixa para responder.
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  - Soube que era fiel a sua antiga dona.
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  - Sim. Dona Celie era muito boa comigo. Nunca me castigou.
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  Bocejou para disfarçar os olhos marejados tampando a boca com a mão.
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  A gentileza era típica dela.
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  - Vai servir para mim, então.
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  Ao chegar em casa, se fechou com a mulher no seu quarto.
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  - Não há necessidade de ter mais ninguém aqui para efetuar os serviços. Apesar de Bianca ser ótima governanta, usarei como desculpa o fato da idade dela avançar cada vez mais. Assim, poderá ser treinada para substituí-la quando chegar a hora. – contou retirando as luvas e as jogando sobre a cama – Caso alguém pergunte o motivo de comprá-la, responda exatamente o que eu disse. Entendido? – se virou para a mulher.
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  - Sim. – com as mãos cruzadas na frente do corpo, demonstrou submissão no olhar apesar de encará-la.
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  - Meu marido é quem manda e desmanda aqui. Entretanto, a sua fidelidade deve ser exclusiva para mim, principalmente pelo verdadeiro motivo que a comprei.
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  - Seria qual?
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  - Eu quero que vigie o meu esposo. Desconfio que o comportamento dele seja, digamos... Peculiar. Preciso saber como se comporta longe das vistas das pessoas e me reporte quando descobrir algo incomum. Pode fazer isso?
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  - Sim, senhora.
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  - É tudo. Pode ir.
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  Como o ambiente no quarto de tornou melancólico demais para suportar, sobretudo pelo clima nublado, decidiu sair no esforço de se distrair.
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  Manter-se trancada não surtia efeito. Embora não quisesse conversar com ninguém e nem voltar a participar dos chás com as senhoras e senhoritas da região, era quase intragável prosseguir com a reclusão porque era assolada pelas lembranças cheias de felicidade e amor. Agora, era torturante quando elas emergiam.
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  No passado, ao se recordar de Celie, o sorriso alegre era certo. Agora, trazia lágrimas e aperto no coração por não poder tê-la ao lado.
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  Logo, permanecer assim, confinada sem contato social, servia para piorar a sua situação e prolongar a angústia.
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  Como sairia pela segunda vez desde a tragédia, estranhou novamente por não encontrar o casaco esmeralda – o seu favorito e enfatizado por Celie como a cor destacava as írises.
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  - Bia.
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  A menina, quem passava pelo corredor, vistoriou ao redor por Kassandra nunca a chamar.
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  - É você, menina. Venha aqui.
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  Se observando no espelho para colocar as jóias, a viu adentrar no quarto cuja porta estava escancarada.
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  - Viu meu casaco? Não quero passar frio nesse fim de inverso.
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  - Eu havia pedido para o senhor Anthony dá-lo para senhora. Ele não o entregou?
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  O brinco de esmeralda que colocava na orelha caiu ao escutá-la.
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  - Anthony? – a fitou atônita pelo reflexo.
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  - Sim.
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  - E quando foi isso?
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  - No dia anterior ao incêndio na fazenda.
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  - Você... – empalidecendo, se virou para a outra com os olhos vidrados – Disse para ele que eu estava na casa de Celie?
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  Inesperadamente se sentiu pequena demais... Vulnerável demais perante a dona da casa. Seu corpo lhe avisava para fugir, mas, como era uma simples serviçal, sabia o quanto poderia se prejudicar caso desse vazão à intuição.
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  - Sim. Eu tinha alguns outros afazeres, então...
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  Kassandra decodificou somente a primeira palavra. Gritando em misto de sofrimento e fúria, avançou nela lhe distribuindo tapas no rosto.
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  - Menina burra! A culpa foi sua! Foi tudo culpa sua, estúpida! Ele a matou por sua causa, menina imunda! Maldito o dia que meu esposo a trouxe para essa casa!
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  Se não fossem pelos berros estridentes – uns de fúria por parte de Kassandra e outros de dor produzidos pela mais nova –, Bianca jamais teria interferido.
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  Entrou correndo no quarto se chocando pela cena – a mais velha agredindo a escrava, quem, encurralada contra a parede, não tinha escapatória lhe restando abaixar a cabeça para evitar dos golpes atingirem o rosto jovial.
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  Bianca correu para tirar a esposa de Damon de cima da outra. Assustada e afetada pela ação inesperada, chorava encolhida.
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  - Tire ela daqui, Bianca! – a poucos metros de distância, bradava em choro descontrolado – Tira essa garota da minha frente!
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  A última visão da governanta ao fechar a porta carregando a menina consigo, foi a de Kassandra caída no chão em pranto compulsivo.
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  Demorou horas para se recuperar.
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  Quando o aconteceu, havia apenas uma certeza nela: Bia pagaria pelo terrível erro.
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