×

ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

NDA

Escrita porSoldada
Revisada por Lelen

🛈

CAPÍTULO 04 • DON’T KNOW HOW TO ERASE YOU

Tempo estimado de leitura: 43 minutos

  AINDA TENHO O GOSTO DE %SEOJUN% EM MINHA LÍNGUA QUANDO A PORTA DO ELEVADOR SE ABRE, REVELANDO HOLLY MURRAY, MINHA ASSISTENTE, SORRIDENTE.
0
Comente!x

  Foi ideia de Massaro contratar uma assistente para mim. Alguém que pudesse ficar de olho em tudo o que fazia e deixava de fazer desde o incidente. Era igualmente uma maneira velada de controlar-me. Havia tido muitos desde então, destes aos quais transformei a vida num completo inferno, atormentei, provoquei e fiz questão de que se arrependessem sequer de ter aceitado aquela ideia. Pode-se dizer que ofereci o tratamento %VanHelsing% completo, e que ainda havia bastante ressentimentos ali se fosse sincera, mas então, Murray apareceu um dia, e fiquei curiosa. Tenho certeza que transformei a vida dela em um completo caos, e que fiz de tudo ao meu alcance para livrar-me dela. Quase consegui. Mas então, em Amsterdã, alguns anos atrás — talvez dois anos, não tenho certeza —, ela havia acobertado uma overdose minha, mentiu para Massaro e prometeu que nunca diria nada a ninguém sobre; cometi o erro de acreditar que havia encontrado uma amiga naquela maldita indústria. Realmente havia acreditado que talvez, ao menos uma pessoa, poderia compreender que nem sempre minha tendência para destruição era proposital, mas inevitável, talvez alguém pudesse ver-me em uma nota positiva, por menor que fosse.
0
Comente!x

  Percebo agora o quão estúpida fui. Ela nunca foi minha amiga, era só a porra da assistente. Minha babá.
0
Comente!x

  Não faço menção alguma de mover-me, pelo contrário, apenas a encaro por um longo momento, em completo silêncio. Escoro minha cabeça contra o metal gélido atrás de mim, sentindo uma ponta de alívio quando a superfície lisa, uniforme e frígida faz contato com meu couro cabeludo. Mantenho minhas mãos enroscadas nos apoios que permeiam o elevador, meus dedos enroscam-se com mais força na barra, cravando sob as palmas de minhas mãos, contendo-me de avançar no pescoço dela. Céus sabiam o quanto eu adoraria agarrá-la pelos cabelos e arrastá-la para longe. Não. Não irei fazer isso — farei pior.
0
Comente!x

  — Ainda bem que você chegou no horário! Isso quer dizer que teve uma boa noite, huh? — A animação dela é como sal em uma ferida aberta, mas tomo cuidado para manter minha expressão contida, distante até mesmo, inclino minha cabeça um pouco mais para o lado, observando-a estender o braço na direção da porta do elevador, impedindo-a de se fechar, sem fazer menção alguma de sair de onde estou.
0
Comente!x

  O gosto de %SeoJun% pungente em minha boca, mistura-se com o amargor tardio de minha percepção defasada. A dor nos músculos não é pior do que a merda da tensão que se espalha por meus ombros, ergo meu queixo, ainda silenciosa. Vejo-a conferir no tablet que tem em mãos, ajeitando os óculos grossos que emolduram seu rosto.
0
Comente!x

  — Certo! É bom que você tenha vindo mais cedo, o dia vai ser corrido. A gente ainda precisa discutir sobre os figurinos para as próximas entrevistas, a Billboard soltou uma nota sobre a próxima edição, pode se preparar que a escolha e posição irritaram a cantora pop, já começou até ligar, está tentando barrar o lançamento do álbum de vocês, mas Massaro está no caso. Temos também que decidir o que você irá usar no Norton e no Fallon. Norton está ansioso para ter você sentada no sofá junto com eles, então já sabe, sorriso charmoso, palavras dóceis, você sabe como encantar eles. Agora, Fallon quer você no mesmo dia que Doherty, foi uma sacada de marketing muito boa, gerar polêmica, especulação, já entrei em contato com a assessoria dele, mas a palavra final é sua, %Erin%, você quem decide se quer participar ou não. Pelo que pude perceber, são águas passadas, ele seguiu em frente então, talvez um pouco de burburinho não vá fazer mal… — Holly continua a conversar sozinha, ainda segurando a porta do elevador para impedi-la de se fechar, e repassando a lista de tarefas para o dia. É somente quando ela repete a mesma pergunta, que sequer dou-me trabalho de ouvir, que, finalmente, meu silêncio parece ter tido algum efeito sobre a conversa. — O quê? O que foi? Achei que estivesse de bom humor, %VanHelsing%! E que cheiro é esse…
0
Comente!x

  Holly não termina sua frase, parecendo perceber algo. Se foi algum chupão que %SeoJun% havia deixado em minha pele ou se foi alguma marca de mordida, não é como se eu tivesse feito questão de ocultá-los, estou com a blusa dele, de qualquer forma, só não peguei a calça porque seria difícil para ele explicar como havia perdido suas calças em uma boate — não que eu não fosse gostar disso. Percebo agora, a pequena incerteza, um brilho de irritação surgir por seu semblante, e sinto um sorriso vagaroso, torto, começando a surgir por meus lábios. Naquela porra de coisa que tinha com Danny, percebo que nunca foi só algo passageiro, mas um espaço divido — conscientemente, ou não —, entre mim e Holly. Não tinha nada sério com Danny, uma coisa era estar entediada e querer uma distração, outra coisa era estar na estrada e precisar de algo para tirar sua mente da tensão, dos desastres que costumavam acontecer quando estávamos em cima do palco — algo sempre iria dar errado — e voltar-se para o primeiro idiota ou para a primeira groupie que você encontrasse pelo caminho. Danny e eu éramos este segundo caso; sabia que ela se divertia com Holly sempre que queria quando retornamos para nossa vida cotidiana, sem shows, gravações e performances, mas nunca havia me ocorrido que talvez nossa intimidade nunca tivesse sido somente nossa; Holly, mesmo que fosse uma sombra, havia feito mais parte do que eu poderia calcular. Questiono-me se ela está pensando agora com quem eu havia passado a noite. A quem estou cheirando, é Danny quem havia caído em meus encantos mais uma vez. Sinto um riso depreciativo borbulhar por meu peito; não a culpo, quer dizer, eu também iria detestar se eu fosse minha própria competição.
0
Comente!x

  Murray não é uma garota feia, na verdade, para os padrões medianos, ela era deslumbrante. Os óculos grossos passavam uma seriedade e competência que só eram embasados por seu pensamento rápido e afiado, além de sua capacidade estratégica, são cobertos por uma franja grossa e um coque frouxo, mas ainda descolado em sua cabeça. Pouca maquiagem para adornar o rosto, e roupas adequadas para trabalho, embora a calça jeans skinny fosse uma escolha. Salto alto — ainda que fosse ela a fazer a maior parte da correria por nós —, caneta presa entre as mechas de cabelo, e outra na lateral da cintura de sua calça, como uma arma, além de pager, dois celulares diferentes, um bloquinho de anotações enfiado no bolso e um molho de chaves que eu só poderia sonhar para que serviam — suponho que a do meu apartamento e da mansão estavam ali em algum lugar, talvez, até mesmo do meu carro. Posso entender por que Danny se interessou por ela; tenho quase certeza se não tivesse criado um verdadeiro inferno na vida dela até mesmo poderia ter uma chance. Agora, consigo entender por que Holly contaria algo que não queria para Danny com tamanha facilidade.
0
Comente!x

  Era um erro estúpido, ainda assim, um que continuava por cometer: acreditar que havia algum amigo naquele lugar. Estúpido, eu sei, quer dizer, são apenas negócios, qualquer um que visse além disso ou é estupidamente inocente ou estava mentindo, duas coisas que não tenho espaço para ser. Deixo meu olhar vagar pelo rosto dela, e então deslizar até os saltos altos, antes de voltar a encará-la. A porta do elevador tenta se fechar novamente, mas a presença de Holly a impede de se fechar. Exalo, alto, revirando os olhos; quero atingi-la, quero faze-la se sentir estúpida, mesmo que por uma fração de segundos, quero que sinta a mesma mágoa que sinto por ela.
0
Comente!x

  — Relaxa, não foi com Danny que passei a noite — desdenho com indiferença, revirando os olhos e sem paciência para tentar parecer menos irritada do que realmente estou. Desencosto-me do elevador, limpando as palmas de minhas mãos sem percebê-las de fato, há algo estranho ali, uma sensação desconfortável, porém familiar, de amortecimento, mas a ignoro completamente. Caminho para fora do elevador, esbarrando propositalmente no ombro de minha assistente, acompanhada apenas pelo ruído contínuo dos saltos de minhas botas. Para Holly, considerando que meu comportamento deve ser, no mínimo, desconfortável para ela, não é uma surpresa para mim que demore alguns segundos até que pareça voltar a si, e me seguir.
0
Comente!x

  — Então quem… — Holly começa a dizer, e por um segundo faço uma careta, percebendo que o próximo nome que ela considera soltar é o de Jex. Um arrepio percorre por meu corpo, a bile envolve minha língua, aumentando o amargor que se espalhava e corrompendo o restante do que poderia vir a ter sido o gosto de %SeoJun%. Sinto que estou prestes a vomitar apenas com a ideia, mas então Holly parece usar sua inteligência e vejo sua expressão se tornar sombria. Quase abro um sorriso; se não fosse ela a ter contado sobre Nolan para Danny… — %Erin%, não… — Ignoro o comentário, virando à esquerda no corredor da gravadora, descendo um pequeno aglomerado de escadarias que levava para um pátio que servia como área de descanso, antes de seguir para a esquerda, em direção a sala de Massaro. Holly segura meu braço antes que possa dar mais um passo em direção a meu destino final. Os olhos irritados, sombrios evidenciam a falta de paciência e algo mais, algo que quase soa como censura. Solto um bufar entredentes, desacreditada; é sério que ela irá cobrar profissionalismo da minha parte? Justo ela que contou algo que confidenciei em uma noite bêbada demais para retirar as palavras e que havia jurado não dizer a mais ninguém? Não digo nada. — %Erin%! Como você pôde?!
0
Comente!x

  Forço um sorriso torto, dando de ombros, indiferente, mas meus olhos queimam o rosto dela. Se arranhar o rosto dela, ela será apenas mais uma das assistentes que havia destruído e tirado do meu caminho por mero capricho; não, quero fazer pior. Consequências para o inferno!
0
Comente!x

  — Como eu pude? — repito suas palavras com escárnio. Holly prende a respiração, mas não solta meu braço. Reviro meus olhos. — Eu não fiz nada, Murray! Não tenho culpa se o idiota não conseguiu manter o pau dele dentro das calças, mas até onde sei, ele aproveitou bastante a noite também.
0
Comente!x

  — %Erin%! — Holly parece urgente. Lança um olhar em direção a entrada do corredor, onde a recepção e a área que o time de marketing costuma trabalhar, antes de voltar a me encarar com uma nota de urgência crescente. Isso me faz rir; o som é baixo, afiado, perigoso, e gosto de ver que ao menos a faz lembrar-se com quem ela está lidando. — Tem ideia do que você acabou de fazer?! Isso não é um jogo, %VanHelsing%! — Holly inspira uma vez, parecendo apenas mais ansiosa do que antes. Estreito meus olhos, isso é estranho, mesmo para ela. — Pelo menos me diz que você não dormiu com %Gray%, %Erin%… — Holly pede, e abro um sorriso largo, achando graça.
0
Comente!x

  — Não dormi com o %Gray% — respondo tentando conter um riso.
0
Comente!x

  O rosto de Holly desmorona e recebo um chacoalhão. Desta vez, solto uma gargalhada alta, enche o corredor, reverbera pelas paredes, rouca, falhada, terrível; perfeito reflexo de quem realmente sou. Sinto quando ela solta meu braço, mas tudo o que posso fazer é dar um passo para trás abraçando a frente de meu abdômen, sentindo meus músculos relaxarem, meu corpo tremer enquanto a risada escapa de minha garganta como ondas a serem quebradas a beira mar.
0
Comente!x

  — Você… — ela começa a dizer, mas então se silencia. Sabe que nenhum xingamento irá funcionar comigo, no fim do dia, havia coisas bem piores que eu dizia a frente do espelho que jamais seriam comparadas a um mero xingamento de Holly. Por deus, onde cometi o erro de fingir que busco aprovação de alguém?! Se algo, quero a desaprovação, quero o desprezo; ao menos soa mais verdadeiro. — Você tem ideia do que fez?! — Holly rosna, lançando um olhar na direção da entrada do corredor, e sinto meu sorriso se esvair aos poucos. Não é a acusação dela que me incomoda, já ouvi o suficiente das mesmas para ter-me habituado; é o tom, baixo, controlado, até mesmo secretivo, tentando manter mera percepção de controle e elegância que não existem. Não sou uma pessoa silenciosa. Não sou uma pessoa fácil. E detesto a ideia de manter uma imagem que não possuo. Detesto gritos sussurrados. — A Pulse acabou de fechar um contrato com a gente! — Trinco meus dentes, encarando-a agora com descrença; a gente? Quem era a gente? Sou apenas a porra de um produto, e Massaro é o filho da puta que o vende. Não existe a gente. Não existe nada além da venda. — Milhões, %VanHelsing%! Por causa desses caras! A única coisa que pediram, o único critério para manter o investimento, era que eles seguissem à risca o contrato deles! Não os expor ao ridículo, priorizar os álbuns a serem lançados e não os envolver em relacionamentos. Eles não podem ter relacionamentos! E qual é a primeira coisa que você faz? — Holly pragueja.
0
Comente!x

  Inclino minha cabeça para o lado encarando-a por um longo momento. Estreito meus olhos, mais com impaciência do que desconfiança.
0
Comente!x

  — E como isso pode ser culpa minha? — Quando exponho meus dentes dessa vez, não é em um sorriso, mas uma careta, controlada e diminuta em intensidade. Holly pisca com minhas palavras, parecendo ter percebido o que suas palavras realmente convinham, mas agora, já é tarde demais. As pessoas costumavam a chamar-me de tentadora, de provocativa, mas a verdade é que pouco fazia; só oferecia a porra de um convite, se aceitavam, como poderia ser minha culpa? Eu ao menos pedia por consentimento antes. — Não obriguei ninguém a me foder, Murray. — Solto uma risada afiada, descrente, antes de erguer o queixo, desafiadora. — Não é como se isso tivesse importado alguma vez, não aqui, certo? Vocês não costumam pedir por uma noite de sexo e drogas, vocês só tomam.
0
Comente!x

  Holly engole em seco, e posso ver a mistura de raiva por ter sido incluída naquela maldita caixa, mas igualmente não pode dizer que não. Ela sabe tão bem quanto eu a verdade suja ali, sabe exatamente ao que me refiro, às pobres idiotas que aceitam ser acompanhantes sem saberem para o que estavam se oferecendo participar. Não deveria ter incluído Holly naquilo, mas igualmente, ela não deveria colocar a culpa em mim. Não arrastei %SeoJun% para a cama, ele veio porque quis.
0
Comente!x

  — %Erin%, calma, não é assim também, não quis dizer… — Holly começa a tentar se defender, mas seu tom apologético me dá nojo, e de repente quero rir, mas não haveria felicidade alguma no som que sairia. Quero gritar, quero empurrá-la para fora do meu caminho; ao mesmo tempo, não sinto nada, perco o interesse na discussão. Novamente aquela sensação desconfortável e sufocante envolve-me como plástico laminado, é apertado demais para que use minhas unhas para arrancá-lo de meu rosto, para que me ajude a respirar direito. A sensação de ser contida dentro de uma caixa sem buracos para entrada de ar, o vazio gritante que aumenta de tamanho gradativamente. Há um buraco em meu peito, vazando, posso senti-lo, mas ninguém parece enxergá-lo; para meu desespero, parece estar ficando maior.
0
Comente!x

  — Que corajoso você mudar de opinião assim tão rápido, Murray. — Dou um passo na direção dela, e a vejo encolher-se. Não contenho uma careta de nojo ao observá-la se acovardar. Pior do que passividade, é a covardia que pessoas como Holly costumam demonstrar. Forço um sorriso afiado, observando os olhos agitados dela moverem-se ansiosamente em direção à entrada do corredor. Ela teme que alguém nos escute, não a mim. O gosto amargo em minha boca parece aumentar. Holly está apenas tentando sobreviver a Hollywood, não posso julgá-la por isso, mas não deixa de ser uma pílula amarga a engolir; dolorosa, e grande demais, parece ficar enroscada em minha garganta, ameaçando sufocar-me. Aperto meus lábios em uma linha fina. — Por que %Gray% é fora dos limites? Os outros não têm o mesmo tratamento que ele? — Cedo à minha própria curiosidade, mas não faço menção alguma de mudar minha postura.
0
Comente!x

  Holly pisca outra vez, parecendo pegá-la de surpresa com a mudança abrupta de assunto. Não a julgo, também ficaria desconsertada e desnorteada se tivesse que acompanhar uma conversa que ia sobre estupro para uma fofoca qualquer. Ainda assim, observar o rosto dela, mas dá pausa: vejo-a desesperadamente tentar livrar-se de seus pensamentos, com um chacoalhar de cabeça, o rubor que subiu para suas bochechas ainda está ali, os olhos, desconfortáveis, pousam em qualquer lugar menos meu rosto. Sempre achei engraçado como as pessoas pareciam ficar envergonhadas, às vezes, até ofendidas por ouvir a verdade, quando uma mentira seria dita com um sorriso largo e nenhum peso na consciência. Espero, mais paciente do que sou, pela resposta dela.
0
Comente!x

  — Não, é critério da Pulse, nenhum deles pode se relacionar, nem mesmo quando são trainees. — Holly pigarreia, sua voz baixa, cautelosa e incerta, quando assumo que não teria uma resposta para minha pergunta. Aperto meus lábios um pouco mais, inclinando minha cabeça para trás, e voltando a linha de meu olhar na direção da sala ao final do corredor à direita. A sala de Massaro deveria estar trancada, mas bem, nunca poderia escapar do meu passado como uma jovem delinquente, então é claro que tenho a porra da chave para abrir aquela merda. — %Gray% só é… um pouco mais complicado… ele não é só um idol, %VanHelsing%, ele é bem importante lá na Coreia, o pai dele… — Holly começa a dizer, mas então se interrompe abruptamente. Encaro-a com uma ponta de irritação, mas contenho quaisquer palavras que pudesse rosnar para ela. Percebo de imediato que ela não quer falar nada sobre a vida do idiota. Tudo bem, consigo descobrir sobre sozinha. — A gente pode parar com isso? Não é como se você tivesse com tempo sobrando, podemos só focar no dia de hoje?
0
Comente!x

  Deixo um sorriso preguiçoso se espalhar por meus lábios, assentindo para ela enquanto me afastava, andando de costas, em direção a sala de Massaro.
0
Comente!x

  — Ah, relaxa, Murray, tira o dia de folga, a gente não tem mais nada importante para fazer mesmo — digo sarcástica, ciente que estou tornando o trabalho dela impossível, mas bem, ela merece. Giro em meus calcanhares antes que Holly possa tentar convencer-me a comparecer a todos os compromissos que tenho no dia, e então retiro o cartão para liberar minha entrada na sala de Massaro. A vantagem de se fazer amizade com o pessoal da segurança é ter acesso a sala deles com a desculpa que só queria um café. Ou a promessa que, se fizerem o que digo, talvez tenham alguma sorte comigo. Contenho o impulso de revirar os olhos, desdenhosa.
0
Comente!x

•••

  Os troféus que ganhamos espalham-se por uma parede à esquerda do escritório de Massaro. Há vários, grammys, VMA, Billboards, até mesmo marcas de visualizações do Youtube. Como Virgil e Jex são britânicos, temos até mesmo uma medalha da Coroa por nossa “contribuição” para a cultura; lembro-me vagamente desse dia, dos burburinhos, especialmente quando mantive minhas mãos dentro do bolso das calças ao ver a família real se aproximar. Fui desrespeitosa, é claro, o público britânico veio atrás de mim no segundo que as fotos vazaram, mas bem, ainda sou uma rockstar, não sou? Desafiar e ir contra tudo o que dizem é meio que minha marca, não entendo a surpresa disso. Em um canto mais abaixo há uma fotografia da formação original da banda, com um nome ridículo, idiota, e com quatro jovens que meramente tinham ideia do que estavam fazendo. Tinha ainda aquela foto em casa, mas estava rasgada, uma pessoa faltava na minha cópia. Uma pessoa que permanecia nesta versão.
0
Comente!x

  Nolan.
0
Comente!x

  Minha garganta parece ficar sensível. O gosto de bile mistura-se em minha saliva, parecendo deixá-la mais espessa, escorrendo por minha garganta como arames, sufocando-me à sua maneira. Minha traqueia dói, e meu corpo responde com um arrepio, um tremor que faz minhas mãos tornarem-se ainda mais amortecidas. Não posso deixar de encará-la, todavia, não importa o quanto tente. Porque Nolan parece estar brilhando ali. O sorriso largo, a covinha no canto do rosto, os olhos cintilando como os de um gato, dá para ver que o braço dele envolve minha cintura. Contenho um bufar repleto de escárnio, Joel Massaro não é o tipo de pessoa que coloca à disposição memórias, mas sim prêmios. Tudo naquela sala é sobre controle; é claro que ele deixaria aquele “memento” não por carinho, mas por um lembrete silencioso.
0
Comente!x

  Joel Massaro é um ótimo empresário, mas uma pessoa terrível.
0
Comente!x

  Enterro o porta-retratos ao fundo da prateleira, virado para baixo. Não há motivo para chorar sobre o leite que já foi derramado e já havia secado. O passado continuaria sendo o passado, não havia utilidade alguma. Caminho em direção a mesa dele, alçando da bomboniere que deixa no canto da mesa, procurando pelo bombom mais amargo que consigo encontrar, um de liquor ao menos, amarula, antes de lançar-me contra a cadeira estofada macia dele. Estico minhas pernas sobre a mesa, observando o montante de papelada. Boa parte são apenas contratos e campanhas de marketing; duas companhias de jeans que querem explorar quaisquer que sejam a natureza do meu relacionamento com Danny. Uma marca de bebidas quer fazer uma propaganda com Jex, e tenho certeza de que ele vai adorar a chance. Há igualmente previsões de números nos charts, nas listas de mais escutados e no crescimento e decaimento dos ranks. Faço uma careta, exasperada, detesto ter que admitir, mas é por isso que precisamos de Massaro.
0
Comente!x

  É ele que fica de olho nos números, nas tendências, é ele que aprende o que os fãs querem, e lhes entrega o que desejariam em seguida. No final, mesmo que possa compreender a um certo nível suas intenções, não sei vender melhor do que ele. Por isso que ele se torna indispensável para nós. Para qualquer um que ele escolha entregar o mundo nas mãos. E em algum momento eu fui essa pessoa; em algum momento, ele quis me oferecer tudo o que poderia, mas então um dia eu comecei a latir, e ele se irritou com isso. Trinco minha mandíbula com um estalo, jogando as pastas de volta para a mesa dele, inclinando-me para trás e encarando o teto. Alongado, feito de gesso com detalhes vitorianos que pouco convém à estrutura moderna de vidros e metal que o prédio possui.
0
Comente!x

  Ao menos tem ar condicionado e um ventilador de teto. Suspiro pesado, girando na cadeira para observar a janela panorâmica atrás de mim, considerando onde diabos ele estava, então impulsiono minhas pernas outra vez, de frente para a mesa. Arrasto-me um pouco mais para frente, alçando o teclado de seu computador e tentando lembrar da senha. No fim, acabo contentando-me com o acesso a sua agenda. Estreito meus olhos, há inúmeras reuniões riscadas ali, mas percebo rapidamente que são a tratar-se da banda. Reuniões com acionistas com outros produtores executivos, mesmo diretores para os dois clipes que temos que gravar foram desmarcados e realocados para uma data mais distante. E então, ali, em um claro destaque de importância, o nome BEATBOIZ e Pulse aparecem com maior frequência do que deveriam. Há igualmente pequenas anotações para outros grupos em potencial da Pulse para ficarem sob a administração de Massaro. Mordo o interior de minhas bochechas com mais força do que deveria, levando minha mão em direção a boca, passando minha unha contra meu lábio inferior.
0
Comente!x

  Estamos caindo no ostracismo.
0
Comente!x

  Posso sentir o fogo da raiva começar a espalhar-se por meu corpo, do centro do meu peito, para as pontas dos meus dedos dos pés. Aquece-me com uma cólera terrível, ondas elétricas de adrenalina percorrem minha corrente sanguínea, travam meus músculos, prendem-me no lugar. Esfrego os dedos da minha mão esquerda um nos outros, sentindo-os ficar um pouco mais amortecidos, trêmulos, pequenos espasmos que são acompanhados pela sensação desconfortável de formigamento fazem-me perceber de imediato que há algo de errado comigo. Uma parte de mim quer destruir aquele maldito escritório inteiro, como Joel ousava nos descartar agora? Como, depois de tudo o que ele já havia nos colocado e feito passar, depois de o fazer ter dinheiro o suficiente para não se importar com mais nada se não a porra da cor de seu terno, ele ousava nos substituir. Já a outra parte, mais racional, compreende o que está acontecendo: faz parte do jogo, ou você se mantém relevante, ou você é esquecido. O que importa são as vendas, e não há coisa que venda mais do que um bando de filho da puta bonitinho apelativos para adolescentes. Eles podem ser considerados piada eventualmente, podem ser rotulados de maneiras pejorativas porque é isso que acontece quando seu público é majoritariamente feminino, você é descredibilizado, mas ainda assim é um público em peso que compra.
0
Comente!x

  Sou a vocalista da TSH, nós somos tudo, menos para o público infanto-juvenil. Nosso público majoritariamente não é composto por meninas sonhando com um amor de cinema ao idolatrar seus ídolos, nós somos sujos, somos problemáticos e polêmicos. Boa parte do apelo não vem do meu talento para segurar uma nota por mais de minutos, mas do quão revelador meu corset no palco será. Sexo nunca irá parar de vender, por mais depreciativo que seja essa compreensão, é um fato, tudo o que precisamos fazer é apenas criar algo apelativo e estaremos de volta ao topo. Mas é uma armadilha: você precisa sempre deixar um gosto de inacabado se quiser manter a atenção, caso contrário, perde-se o interesse. Caso contrário você é só mais uma; além disso não posso implicar um título a mim, precisa ser orgânico. As pessoas já me chamam de vadia o tempo todo, não preciso agregar outro título pejorativo por simplesmente parecer “forçada”. É fácil cair no desespero e complicar-se à toa, é fácil querer resultados imediatos; não, preciso ser mais inteligente que isso. Preciso lembrar a Massaro por que nós nos tornamos quem somos. Preciso lembrar aos acionistas por que depois de tanto tempo ainda não fomos esquecidos, e preciso lembrar ao mundo, por que eles escolheram me chamar de vadia.
0
Comente!x

  Do que adianta vender algo sem convencer o comprador de que há uma alma para performar a ele? Posso fingir que ainda tenho uma, e posso lembrar Massaro por que ele está dando um tiro na porra de seu pé. Vou gostar de fazer isso. Encosto-me contra o estofado da cadeira dele, alçando uma caneta apenas para girá-la entre meus dedos, esperando que ele chegasse. Em algum momento, acabo por distrair-me pesquisando mais sobre a Pulse. A princípio é apenas idiotice, superficial, e notas oficiais, mas então encontro algo que chama minha atenção, ou ao menos desperta meu interesse: %Lee% Seok-Woo. Estreito meus olhos, tentando puxar em minha memória de onde já havia ouvido falar daquele nome. Afundo um pouco mais contra a cadeira, girando um pouco mais rápido a caneta por meus dedos. Tento puxar em minha mente de onde vinha aquela sensação de familiaridade.
0
Comente!x

  E então, quando viro meu rosto para a direita e encaro os envelopes elegantes enterrados em meio as pastas de contratos, o papel caro pesado e as letras cursivas cobertas com folhas de ouro, recobro-me de onde já ouvi aquele nome. O evento de alta costura que acontecia todos os anos, promovido pela editora chefe de uma revista famosa. Inclino minha cabeça para o lado, tentando encontrar alguma foto do homem, mas é difícil, sua marca é pública, mas sua vida é perfeitamente privada — quase o invejo. %Lee% Seok-Woo, repito o nome abaixo de minha respiração, tentando lembrar do momento exato, mas eu deveria estar chapada demais para perceber algo que não fossem os flashes dos fotógrafos no red carpet. Paro de girar a caneta entre meus dedos, jogando-a para o lado e então arranhando com minhas unhas meu couro cabeludo. De onde o conheço…?
0
Comente!x

  Dois minutos depois, encontro a resposta. Herdeiro de uma rede televisiva nobre na Coreia do Sul, atual CEO da marca, tentando imigrar para o streaming em parceria recente com uma produtora cinematográfica importante. A expansão deveria ter chegado agora na casa de bilhões, um montante de dinheiro considerável que dava controle para definir o que se tornava tendência e o que não seria. Tanto dinheiro que nem mesmo eu, ou Massaro iremos ver em nossas vidas. Faz sentido que Massaro queira afagar o ego de %Lee% Seok-Woo; %SeoJun% é seu filho. A porra do filho de um bilionário, pior parte da família herdeira de um império na indústria cultural; exalo entre meus dentes cerrados, arranhando com um pouco mais de intensidade meu lábio inferior. Então não é apenas o contrato que o coloca como problema em minha vida, é a porra de uma herança bilionária. O desgraçado é um nepobaby e ninguém parece se importar, ou se o fazem, imagino quais são as desculpas. Mas então, também, há sempre uma forma de usar isso para minha vantagem.
0
Comente!x

  De repente, percebo como tudo parece se encaixar. É claro que Massaro irá priorizar os BEATBOIZ, eles têm o dinheiro, a mídia, exatamente tudo para que seus nomes não sejam esquecidos, mas mais importante que isso, eles têm o montante de dinheiro que Massaro quer. Estou tão compenetrada em meus próprios pensamentos que não percebo quando a porta é aberta e Joel atravessa a sala com passos calmos, o solado de madeira reverberando pelo espaço irritante, dirigindo-se a onde estou sentada. Volto meu olhar na direção dele, sem ocultar meu desprezo, e percebo como os olhos dele percorrem meu corpo; sei o que ele nota, as manchas de mordida, os chupões que as tatuagens não podem ocultar, a roupa que não estava usando ontem e que não é do meu tamanho. Não faço menção alguma de sair de onde estou, apenas fico ali, encarando-o com intensidade, tentando ver seus pecados, mas apenas vejo meu reflexo. E sinto repulsa.
0
Comente!x

  — Deveria ter imaginado que você daria um jeito de pegar a chave, não preciso lembrá-la do que acabou de fazer é um delito criminal, certo? — Joel resmunga e seu tom indiferente quase me faz sorrir. Ajeito-me na cadeira estofada dele, movendo minha mandíbula com um pequeno estalo, irritada. Joel abre as abotoaduras de seus punhos, jogando-as em um pequeno potinho de cristal no canto com as canetas, antes de puxar a gravata para baixo e retirar o fone intra-auricular de sua orelha esquerda e jogá-lo sobre as pilhas de papeis em sua mesa. — Então, diga logo, o que quer?
0
Comente!x

  Dou de ombros desdenhosa, analisando minhas unhas como se não me importasse com sua presença ali, ou que minhas mãos estivessem amortecidas com a tensão crescente, mas se há alguém que pode ver através de minha máscara, é Joel — ele havia me ajudado a criá-la, afinal.
0
Comente!x

  — Fiquei curiosa — digo por fim, exalando baixo e voltando meu olhar para ele, indiquei com o queixo na direção dos contratos. — Quer dizer, por que Joel Massaro, se daria tanto ao trabalho de proteger e blindar uma boyband estrangeira que sequer faz a linha da gravadora? Eles não têm nada aqui. Levou dois anos até que nós conseguíssemos um convite para a Boca do Inferno, e eles mal pisaram em solo americano e já conseguiram. — Posso ver uma veia começar a pulsar na lateral da cabeça de Joel, mas se ele está realmente irritado, não posso dizer, sua expressão é contida, os olhos estreitados, são analíticos. Meu rosto se contorce em um sorriso discreto, controlado, ao deixar minha nuca pousar contra o encosto de cabeça. É macio, confortável demais para que consiga ver-me dormindo aqui se não tomar cuidado. Aponto meu indicador em direção a ele, o esmalte vermelho escuro de minha unha parece atrair sua atenção porque ele a encara por um momento antes de voltar o olhar para meu rosto. — É sobre Seok-Woo, não é? Ora, ora, Joel Massaro. — Solto um riso nasalado que soa tudo menos divertido. — Nunca pensei que veria você se tornar a cadela de um bilionário.
0
Comente!x

  Massaro não reage a minhas palavras, as frustra de imediato com o silêncio, mas é a sobrancelha erguida em seu olhar desdenhoso que coloca meu corpo em alerta.
0
Comente!x

  — Não consigo ver o porquê, você se tornou a minha, não foi? — Massaro pontua, um pequeno sorriso começando a surgir por seus lábios. Mais uma onda sufocante de fúria quente, mal contida, percorre por meu corpo, e por instinto, retiro minhas pernas de cima da mesa. Ele percebe meu nervosismo, e isso apenas faz com que seu sorriso aumente. Maldito… — A verdade incomoda agora? Essa é nova.
0
Comente!x

  — Se essa fosse a verdade, huh? Mas você deixou muita coisa convenientemente de fora, não? — Forço as palavras por meus dentes trincados, tentando parecer o mais contida e controlada que posso, mas estou falhando miseravelmente, e Joel está percebendo. Levanto-me quando ele se aproxima de sua cadeira. Não é porque quero dar-lhe espaço, mas por mero instinto. Não quero que ele chegue perto, ainda assim, ele o faz. Aponto o indicador em direção ao peito dele. Sabe que vou morder se tentar qualquer coisa, já o fiz antes, mas não adianta de nada quando a pessoa que você tenta ameaçar também é seu chefe. — Quando você iria contar que está propositalmente afundando a minha banda para que os garotos de Seok-Woo ganhem destaque?
0
Comente!x

  Massaro revira os olhos, dando um passo em minha direção, mas dou um para trás, empurrando com as costas de meus joelhos a cadeira. Minha unha agora está em seu rosto. Em comparação, temos uma altura próxima, mas mesmo que desejasse rasgá-lo com minhas unhas, além de ser uma ideia estúpida, eu sei que ele é mais forte do que eu.
0
Comente!x

  — Tão dramática, você não se cansa disso, %Jean%? É drama o tempo todo, parece que você é desesperada por atenção assim, querida. — Joel revira os olhos, trinco meus dentes com força. É claro que é drama, um drama bom o suficiente que paga a bunda descarada dele bem o suficiente! Não o respondo, não me movo, apenas fico encarando aquele rosto desprezível, sentindo vontade de arrancá-lo com os dentes, e, ao mesmo tempo, colocá-lo a um braço de distância. Detesto o cheiro do perfume dele, faz com que meu estômago fique sensível, e de repente tudo o que quero é esconder-me em algum lugar até que ele tenha esquecido de minha existência. — Anda, se mexe, passei a manhã inteira em pé e quero sentar. — Ele gesticula para que eu dê espaço para que ele finalmente se sente em sua cadeira.
0
Comente!x

  Ainda tensa e dura, afasto-me de sua cadeira com alguns passos para trás, fuzilando-o com o olhar. Joel solta um grunhido baixo, ajustando-se contra a cadeira.
0
Comente!x

  — Este é só o jogo, querida, achei que já havia te explicado antes, mas surpreendentemente, você é bem mais estúpida do que sou capaz de dar crédito — Joel diz, afiado como uma navalha, e tento conter um sorriso afiado. Eu sou estúpida? Essa é nova para mim. Joel exala suavemente, esticando as pernas abaixo de sua mesa, e então voltando seu olhar em minha direção. Sinto algo dentro de mim se contorcer, e de repente, há uma grande necessidade de minha parte de rastejar para fora de minha pele. Quero rasgá-la com minhas unhas, e contorcer-me até que seja apenas um amontoado de ossos no chão, longe dele. — Permita-me explicar então, pode ser? Veja, %Jean%, tudo o que existe, é demanda e oferta. — Sua voz é condescendente e trinco meus dentes com mais força. Pior do que ser desafiada, detesto ser tratada como se fosse uma criança mimada, é meu orgulho ser ferido por algum idiota como Joel Massaro. Sentir-se diminuída em frente ao filho da puta como Joel nunca deixa um gosto bom em minha boca. Observo sua cabeça, considerando que seria tão fácil apenas agarrá-la e empurrá-la contra a mesa. Considero que seria tão mais fácil só o destruir; não posso fazer, mesmo se quisesse. É ele que segura a ponta de minha coleira, não o contrário, então faço o que aprendi com os anos convivendo com ele, eu fico em silêncio, sustento seu olhar, mascarando minha expressão ao máximo que consigo. Esforço-me para não deixar nenhuma emoção escapar. O sorriso deliberado, contido em seu rosto, diz o contrário. — O público queria uma musa, e eu entreguei exatamente isso para eles. Eles queriam uma deusa, demanda, e então eu entreguei você, oferta. Agora o público quer um rostinho bonito, talvez uma personalidade mais doce e menos vulgar, e por que não, mais instigante. Não precisa exagerar dizendo que estou tentando destruir sua carreira, você não precisa de ajuda para fazer isso sozinha, querida.
0
Comente!x

  O gosto amargo cresce em minha boca, e posso sentir a parte de trás dos meus olhos queimarem o rosto dele. A pressão de lágrimas que nascem justamente pela minha própria frustração, pela minha raiva do que qualquer outra coisa, mas basta um piscar para que algo mais frio corrompa meu peito. Espalha-se, aplacando o fogo crescente da raiva, mas corroí-me de dentro para fora, aumentando o buraco ao centro do meu peito.
0
Comente!x

  — Você já foi melhor em mentir, Massaro. — Indico com o queixo na direção dele, sentindo o nojo aos poucos se transformar em desdém. Sempre que conversava com ele, ao menos quando éramos somente nós dois, duas emoções batalhavam por dominância em minha mente. A primeira, é claro, é de medo, a incerteza de que não tinha ideia do que se passa em sua mente, e do que poderia fazer comigo. O que quer que me oferecesse, é quase impossível de ser recusado, e eu sei onde isso termina. Já a outra parte, apenas sente nojo por ele ser apenas patético. Espera-se que homens com poder sejam aquelas figuras imponentes, perigosas e até mesmo sexy, que atuem com firmeza e intensidade. Para admirá-los você precisa temê-los, mas há um limiar terrivelmente visível de o quão patético esses homens podem ser se olhar de perto. São como garotinhos mimados, brincando com seus bonequinhos, gritando imperiosamente pela serva para que lhe sejam servidos doces. Não há como admirar alguém como Joel, ele pode ser bom no que faz, mas não é o único que o faz. — Você não está interessado na demanda, você está criando uma própria. Deixe-me adivinhar, um grande investimento de Seok-Woo, não? — Quase solto um riso desprovido de quaisquer traços de humor em minha voz. Alço da mesa dele o contrato que assumo que provavelmente deveria pertencer a %SeoJun%, observando as letras com detalhes holográficos da “Pulse”, agitando-a no ar. — Quando Seok-Woo conseguir o que quer, que é metade dessa empresa, e espaço para migrar o negócio dele para cá, o que você acha que irá acontecer com você?
0
Comente!x

  Joel solta um riso baixo, parecendo achar graça de minha pergunta. Sinto que atinge em cheio meu ego, despedaça-o em fragmentos dolorosos que se cravam na piada ridícula e mísera que deveria ser minha alma, mas contenho o impulso de rosnar, de reagir como ele quer que reaja. Não, não desta vez.
0
Comente!x

  — Virou uma conspiradora agora, %Jean%? Querida, já conversamos sobre isso, não fica bem em você — Joel desdenha, mas mantenho meus olhos fixos no contrato. Há tantas cláusulas, tantas regras que não me surpreendo que %SeoJun% tivesse parecido tão inalcançável na noite anterior. Sinto um sorriso amargo surgir por meus lábios, percebendo que para alguém com tanto a perder, ter dormido comigo não foi apenas um deslize. Não, ele deveria ter planejado algo também… percebo, um pouco tardiamente, que o que ele planejou na verdade é bem simples. Descredibilizar-me. Não é a invenção de uma roda, na verdade é uma tática bem comum. Quem iria acreditar em minha palavra se sou considerada só mais uma vadia? E ele, sendo um adorável estrangeiro em busca de um sonho? Atribuído a uma infantilidade ridícula pelo público? Como ele poderia ser um filho da puta, huh? Jogo o contrato de volta na mesa de Massaro, apoiando minhas mãos em meus quadris, minhas unhas fincam-se na carne que há ali.
0
Comente!x

  Tudo bem, tudo bem, eu subestimei o idiota. Um erro o qual não cometerei mais.
0
Comente!x

  — Tudo bem, Joel, você está certo, não combina comigo — digo vagarosamente, forçando um tom doce que sei que ao menos vai perturbá-lo por um tempo. Joel sempre parece satisfeito quando me vê prestes a explodir, mas é minha docilidade que o atormenta; todos sabem que se há algo que não sou, é uma pessoa doce. Forço um sorriso agradável para ele, antes de deixar minha expressão se esvair para uma carranca mais confortável. — Só preciso focar em ser encantadora e continuar fazendo meu trabalho, certo? Meus talentos já foram estabelecidos na indústria, não tem por que mudar agora. Sou o que você criou.
0
Comente!x

  Joel parece fazer uma pausa, unindo as sobrancelhas por um momento, antes de apoiar os dois cotovelos sobre a mesa. Une as mãos a frente de seu rosto, lançando-me um olhar ameaçador, mas acho que já estamos para além daquele maldito jogo de poder. Não, Massaro poderia fazer-me querer pular de uma janela apenas com seu olhar, e uma parte de mim, sabe que é mais inteligente temê-lo, não apenas por quem é, mas pela frieza com que agia, mas a outra? A outra já está determinada a lançar-se às chamas; se fosse destruída, ao menos que tivesse uma plateia para levar junto comigo. Não vou cair sozinha, e disso, tenho certeza que ele também sabe.
0
Comente!x

  — Espero que esteja dizendo que não irá mais se intrometer nos assuntos que não lhe dizem respeito, e que, desta vez, irá seguir o cronograma como o combinado — Joel diz com um tom de voz baixo, cauteloso, quase perigoso. Sinto um sorriso torto começar a despontar por meus lábios, ao inclinar-me para frente. Apoio minhas mãos na lateral da mesa, observando-o com cuidado. Ele é tão assustador quanto patético, é por isso que há uma parte de minha mente que só sente vergonha por temê-lo. — Não me faça escolher entre você e eles, %Jean%, sabe que amo você, temos uma história fantástica, mas serão eles. — Joel quer parecer ameaçador, desdenhoso, mas só faz meu sorriso aumentar. Afiado, sinto-me como uma gata, perto de arranhá-lo apenas pelo prazer de o fazer.
0
Comente!x

  — Mas o que você é sem nenhum artista para expor? — retruco com um sorriso largo, encarando-o com atenção antes de me endireitar. Ajusto a gola da blusa que roubei de %SeoJun% antes de fugir do quarto, com um movimento exagerado para que ele observe o tecido antes de dar de ombros. — Acho que quero uma assim, gosto da sensação do linho na pele. Pergunte por mim a %Gray% onde ele conseguiu a camisa, estou pensando em mudar um pouco meu estilo. Você sabe, eu não costumo ficar de conchinha então não tive tempo de perguntar eu mesma. — O veneno escorre por meus lábios, o cinismo tinge minha voz com um escárnio crescente e sei que entrei na pele dele pela maneira com que a veia em sua testa se projeta por sob a pele, latejando. Sustento o olhar dele, me atrevendo a lhe lançar uma piscadela antes de caminhar em direção a porta, desesperada para sair dali o quanto antes.
0
Comente!x

  Fecho a porta atrás de mim com um clique suave, sentindo o tremor aumentar. Minhas mãos estão amortecidas o suficiente para que não perceba que sequer consigo fechá-las em punhos. Parecem estranhas, como se não me pertencessem, o tremor se mistura com o amortecimento e tenho vontade de mordê-las. Não tenho certeza se consigo segurar alguma coisa desse jeito, então quando marcho em direção a onde Holly está, sentada, observando um copo de café que deve ter resfriados em suas mãos, parecendo à beira das lágrimas, ignoro sua tentativa de oferecer-me a bebida e apenas indico com o queixo para que seguíssemos com a programação do dia. Caminho com ela em direção aos elevadores, unindo minhas sobrancelhas o mais séria que consigo, aperto de mal jeito o botão do elevador.
0
Comente!x

  — Consegue para mim um NDA, peça a minha irmã e ao marido dela se for preciso, mas quero um, sobre a noite de ontem. Não a porcaria que a Boca do Inferno tem, quero algo que proíba %SeoJun% de dizer uma palavra sequer sobre o que aconteceu — comando sem esperar uma resposta, ignorando quando o elevador ao lado ecoa com aviso que havia chegado ao lado. Chamo por Holly, para que ela me siga, esbarrando em alguém, mas não paro ou importo-me em desculpar-me, apenas entro no elevador, e esmurro o botão. Ouço um assobio e um comentário em coreano, mas não me importo o suficiente para sequer anotá-lo em minha mente. Tenho meus olhos fixos em Holly, e tenho certeza de que ela irá fazer o que quero, custe o que custar.
0
Comente!x

  É para isso que ela serve.
0
Comente!x


  Nota da Autora: sendo a grande mente brilhante por trás dessa história, eu esqueci que sobrenome composto, como o que a protagonista tem, acaba se perdendo no html, dei mole demais, por isso que tem algumas partes que parecem sem fim, é porque o sobrenome da protagonista deveria estar ali, mas vacilei na hora de mandar deixando separado. Mas agora tá consertado, pelo menos!

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

1 Comentário
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Lelen

Ah tá, eu entendi tudo errado sobre o Seok-woo, mas agora vai HAHAAHAHAH
Então o Seo-jun é filhinho de papai. Maomenos, né? Porque as expectativas sobre ele devem pesar demais.
E agora, como que vai ficar a situação entre Erin e Gray?
E pensar em quantos idols vendem a imagem de certinhos e podem ser O CAOS na vida pessoal, né? HAHAHAH

Todos os comentários (3)
×

Comentários

Você não pode copiar o conteúdo desta página

1
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x