Military Dignity – Endless War


Escrita porMaari F.
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo 15 • Interstellar light years from you

  Há 7 meses. Apartamento do %Ryan%.

  Por volta das 10:30.

  %Annie% abria a porta do apartamento de %Ryan% com um leve sorriso no rosto, ele estava atrás trazendo em uma única mão a sua mochila e a pequena mala de %Annie%. Por mais que ela tivesse insistido para levar ambas por causa da tipoia que ele usava, %Ryan% recusou.
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  - Ah, finalmente! - ele largou-as no chão e sua mão agora livre ia de encontro com a tipoia. - Lar doce lar.
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  %Annie% sorriu largamente ao observá-lo, mas seu sorriso se desfez quando o viu começar a arrancar a tipoia de seu ombro.
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  - Ei, ei. - ela se aproximou dele. - O que você pensa que está fazendo?
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  %Annie% colocou as mãos na cintura e ele parou com a mão na faixa que apoiava seu braço, olhando para os lados por um breve segundo.
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  - Me livrando dessa coisa? - ele respondeu em um tom de pergunta, ainda parado.
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  - Negativo. - ela se aproximou, colocando a tipoia no lugar. - O médico foi categórico, você vai ter que usar isso por sete dias.
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  Bufando, %Ryan% chiou como uma criança.
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  - Mas eu não estou com dor. - explicou e ela continuou encarando-o séria, tentando não se perder no biquinho fofo que ele fez. - Tá bom!
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  Se deu por vencido e foi até o sofá, se jogando com tédio. Ainda estava ligeiramente fraco por causa dos remédios, mas agradecia por ter voltado para casa, odiava hospitais e tinha ficado tempo demais em um.
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  - Você tem um longo caminho de recuperação e quanto mais você obedecer, mais rápido vai voltar a sua rotina. - %Annie% lembrou, tentando animá-lo. - Eu vou fazer alguma coisa para comer. É melhor você descansar.
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  %Annie% virou-se para ir até a cozinha, nem se lembrava o que tinha no armário do amado, mas podia contar com Tej. Ele tinha sido claro quando trouxe os dois para o apartamento, podiam pedir qualquer coisa que ele iria fazer, inclusive ir ao mercado.
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  - Eu preciso de um banho pra tirar essa inhaca do hospital.
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  A frase de %Ryan% foi o suficiente para %Annie% parar estática onde estava, sentindo as orelhas queimarem.
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  Foi aquela pequena lembrança de uma necessidade básica que ele precisava que fez com que ela se questionasse sobre o aceite de ter ido ajudar %Ryan% na recuperação.
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  Não porque não queria ajudá-lo, apenas porque nunca tiveram esse tipo de intimidade antes.
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  Já tinha visto ele sem camisa, mas era só isso. Não tiveram nenhuma outra experiência, não tiveram tempo para um contato mais íntimo.
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  Ela tinha esquecido completamente desse detalhe. Não tinha como ele tomar banho sozinho, não enquanto estivesse com a tipoia e com os medicamentos para dor.
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  %Annie% virou devagar com o rosto denunciando claramente o curto circuito que estava dando em sua cabeça, %Ryan% falou com tanta naturalidade que ficou mais confuso que ela ao perceber que %Annie% tinha perdido a fala.
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  - Eu não… é… você… agora? - ela gaguejou, nervosa.
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  %Ryan% quis rir mas se conteve, a namorada tinha sido pega desprevenida e ele tinha achado fofo.
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  Mas não ia pressioná-la. Já esteve em situações muito piores, tomar banho com o braço enfaixado era o de menos.
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  - Tudo bem, eu consigo fazer isso sozinho. - tranquilizou e %Annie% coçou a nuca, incerta. - Tem um banquinho na lavanderia, você pode pegar para mim e colocar no banheiro, por favor?
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  - Banquinho? Claro! - a voz de %Annie% saiu um pouco mais alta do que o normal e %Ryan% riu de leve enquanto se virava para ir ao seu quarto. - Aonde você vai?
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  - Buscar a minha roupa. - avisou, porém assim que girou o tronco os pés não responderam prontamente e ele acabou tropeçando, levando a mão livre para se equilibrar na parede enquanto %Annie% corria até ele.
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  Ela apoiou uma mão no peitoral dele e a outra na cintura, tentando mantê-lo de pé e analisou o rosto dele. %Ryan% tinha olheiras profundas de noites mal dormidas por causa da cama do hospital, que ele tinha deixado claro que odiava, e por conta das dores que sentia. Os remédios que tomava eram fortes o suficiente para fazê-lo dormir, mas ele não descansava propriamente desde que saiu do coma.
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  - Eu estou aqui para ajudar. - %Ryan% a encarou, pronto para retrucar. - Não seja teimoso.
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  O tom de súplica dela o convenceu a se calar, %Annie% entendia que o amado queria demonstrar sua força e independência, mas naquele momento estava nítido que ele não conseguiria fazer muito sozinho.
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  E ela não queria nenhum acidente no banheiro.
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  %Annie% respirou fundo e o ajudou a ir até o quarto devagar, o direcionou até a cama e ele sentou na beirada enquanto a namorada ia até o guarda roupa.
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  %Ryan% quase cedeu ao cansaço e se jogou na cama, se não estivesse se sentindo muito incomodado com o cheiro de hospital que estava impregnado em seu corpo.
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  - Naquela gaveta tem algumas sungas. - %Ryan% apontou e %Annie% parou para virar o corpo devagar, encarando-o sem saber se tinha entendido certo.
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  Ele concordou com a cabeça e ela voltou sua atenção para a gaveta, ainda sem entender o porquê, pegando a primeira que encontrou e lutando contra a sua vergonha ao pegar as peças íntimas dele.
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  Ora, eram só cueca e sunga do namorado, porque seu pescoço tinha que esquentar daquela forma?
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  %Annie% separou roupas confortáveis para %Ryan% e com a outra mão o ajudou a levantar da cama, ambos indo para o banheiro.
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  - Me ajuda com a tipoia? - ele pediu levemente assim que entraram e %Annie% concordou com a cabeça, tirando a tipoia com cuidado e %Ryan% abafou um gemido de dor rangendo os dentes.
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  - Você… consegue se despir enquanto eu pego o banquinho? - %Annie% pigarreou, a vermelhidão das orelhas descendo para o seu rosto, ela recebeu uma resposta positiva e silenciosa do amado.
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  Deixando a roupa em cima da pia, %Annie% foi até a lavanderia para pegar o bendito banquinho sentindo uma ansiedade tomar conta da ponta de seu estômago, ela não queria demonstrar como as mãos tremiam então segurou com as duas o banquinho, só que era inevitável as mãos suarem frio.
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  Ela ficou parada um pouco antes do corredor, para dar privacidade ao namorado.
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  - Tá tudo bem aí? - %Annie% perguntou um pouco mais alto, prestando atenção nos sons que vinham do banheiro.
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  - Só um momento. - escutou ele falar e esperou olhando para o teto, lutando contra a parte de si que estava entrando em surto com a futura imagem dele seminu. - Pronto.
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  %Annie% respirou fundo e andou de volta para o banheiro com os olhos fixos no banquinho que levava, pela visão periférica conseguiu ver que %Ryan% estava se apoiando na parede para se manter de pé. Ela colocou o banquinho dentro do box e quando se virou foi impossível não correr os olhos pelo corpo do amado.
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  %Ryan% estava vestindo apenas a sunga, ele tinha perdido alguns quilos por conta do coma, estava sim mais magro mas isso fazia com que o seu abdômen definido ficasse ainda mais visível, ele tinha curativos no lugar onde a tipoia ficava, %Annie% engoliu um suspiro quando seus olhos desceram pela cintura e pernas.
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  As pontas de seus dedos coçaram para tocar cada centímetro da pele dele e ela quase o fez, se não tivesse subido o olhar para o rosto de %Ryan% e visto o sorriso levemente maroto.
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  Não foi apenas seu rosto que queimou de vergonha, mas o corpo inteiro.
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  Ela pigarreou e %Ryan% não falou nada, não queria deixá-la ainda mais sem graça mesmo que tivesse se sentido lisonjeado com a forma como ela o observou.
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  Com desejo e amor.
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  %Annie% saiu do box e deu espaço para %Ryan% entrar, ajudando-o pela mão a se sentar no banquinho.
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  - Você vai acabar se molhando. - disse ao vê-la se esticar para ligar o chuveiro.
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  %Annie% parou e observou suas próprias roupas, decidiu tirar os sapatos junto com as meias e o casaco que usava. Se molhasse a regata e a calça não teria problema, tinha roupas extras.
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  %Ryan% riu ao notar que ela não tinha entendido o que ele realmente quis dizer.
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  - Amor, você pode ir. Eu estou bem. - falou baixo e %Annie% apenas encostou a mão no ombro dele bem suavemente enquanto voltava a se esticar para ligar o chuveiro, ela pôde sentir a pele de %Ryan% arrepiar com o toque dela.
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  - Eu não sou gato para ter medo de água. - ela respondeu firme e a água quente caiu corrente sobre %Ryan%.
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  Ele grunhiu com a sensação de finalmente tomar banho em sua casa, tinha sim tomado banho no hospital, mas com o enfermeiro monitorando-o tinha sido bem desagradável. %Ryan% fechou os olhos quando %Annie% passou o shampoo em seus cabelos, aproveitando a sensação dela esfregando seu couro cabeludo com uma delicadeza que fez com que todo o seu corpo relaxasse ainda mais, era até perigoso ele dormir ali debaixo da água.
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  Ele sentiu a cabeça abaixar sozinha para que %Annie% terminasse de esfregar próximo de sua nuca e ele nem ao menos relutou em levantar novamente quando sentiu que ela parou para lavar o cabelo dele e tirar o restante do shampoo.
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  %Ryan% apenas deixou que %Annie% cuidasse dele e ela estava concentrada o bastante naquela tarefa.
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  Depois passou o condicionador e enxaguou novamente, %Annie% pegou o sabonete e a esponja, percebendo que ficaria em uma posição ruim para ajudar a lavar o corpo do amado não pensou duas vezes antes de entrar no box com ele, sem poder realmente fugir de se molhar mas ela não estava ligando.
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  Decidiu agachar e começar de baixo, já que deveria ter um cuidado maior nos curativos dele, assim que o fez %Ryan% abriu os olhos cansados e os fixou em %Annie%, que embora estivesse com vergonha ignorou a avalanche que tomou conta de seu estômago e começou a sua missão de esfregar a parte inferior do namorado.
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  %Ryan% a observava em silêncio com a expressão sossegada, estava gravando todos os detalhes do jeito concentrado dela e sentiu seu peito se encher de um sentimento que apenas %Annie% tinha conseguido trazer à tona: amor.
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  Não precisava de mais ninguém. Não queria mais ninguém.
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  Não conseguia nem ao menos imaginar alguém que cuidasse dele melhor do que ela, alguém que o amasse tanto quanto ela.
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  Sem perceber, um sorriso sutil tomou conta de seus lábios enquanto %Annie% lutava contra todas as forças do mundo para se manter concentrada em sua tarefa.
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  O olhar de %Ryan% queimava sobre ela. Não era ruim, muito pelo contrário, ela se sentia tão sortuda por estar com ele ali vivo, mas fazia todos os poros de seu corpo eriçar.
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  Ela o olhou de relance por duas vezes e viu o sorriso ali, sem sinal de que iria embora tão cedo.
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  - O que foi? - ela perguntou, ligeiramente tímida.
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  - Você é tão linda. - respondeu sem querer se conter.
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  %Annie% sentiu as bochechas queimarem e riu baixinho.
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  - Eu acho que o remédio é mais forte do que imaginei. - brincou e levantou, os olhos de %Ryan% acompanharam a movimentação dela e não saíram do rosto dela.
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  - Eu estou grogue, não cego, amor.
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  %Annie% mordeu o lábio para conter o sorriso largo que queria aparecer e ela apenas negou com a cabeça, sem ter o que responder.
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  Como ela adorava ouvir aquela palavra direcionada a ela, era comum mas tão íntimo entre os dois.
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  Gostava como soava na voz dele.
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  %Annie% se posicionou ao lado de %Ryan% e começou a esfregar o ombro dele bem devagar, com medo de machucá-lo, foi então que ele fez algo que ela não esperava. Ele tombou a cabeça para o lado e encostou na barriga de %Annie% enquanto levava a mão até a dela, parando-a brevemente.
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  Ele fechou os olhos, respirando fundo, sentindo a presença de %Annie% e o calor do corpo dela o consumindo enquanto acariciava a mão dela. Era aquela paz que queria, aquela tranquilidade.
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  Ela sorriu novamente, um pouco mais largo dessa vez, e parou onde estava levando a outra mão até o cabelo dele, onde fez um carinho lento.
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  Não precisavam falar nada um para o outro, aquele silêncio parecia muito mais valioso depois de tanto tempo afastados, depois de todo o terror que haviam passado.
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  Não contaram quanto tempo ficaram ali com a água caindo nos dois e nem ao menos queriam interromper aquele momento, porém quando %Annie% sentiu %Ryan% respirar um pouco mais devagar e o corpo ficar leve ela se afastou sem assustá-lo.
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  Ela deu um passo para frente para encará-lo e %Ryan% abriu os olhos, estendendo a mão para %Annie% entregar a esponja, ela o fez mas levantou a sobrancelha como se questionasse se ele iria conseguir fazer aquilo sozinho, %Ryan% concordou com a cabeça que estava tudo bem e ela entendeu o recado, saiu do box e do banheiro indo para o quarto de %Ryan% para arrumar a cama dele, dando privacidade para que ele terminasse de tomar banho sozinho.
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  %Annie% arrumou os travesseiros e o edredom, depois foi buscar na sala a sacola com os acessórios da farmácia para trocar os curativos dele que compraram antes de voltar para o apartamento.
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  Assim que terminou, ouviu o chuveiro ser desligado e voltou até o banheiro, %Ryan% estava se esforçando para levantar do banquinho e ela se apressou para ajudá-lo.
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  Ao saírem do box, ela o ajudou a se secar e percebeu como %Ryan% estava quase se entregando ao sono, principalmente quando ela secou o cabelo dele. %Annie% pegou a roupa que havia separado e virou de costas quando %Ryan% segurou a cueca, não foi apenas para respeitar a privacidade dele mas porque ela sentia o corpo inteiro queimar de vergonha.
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  Ok, ela sabia que uma hora teria que olhá-lo completamente nu mas ainda não se sentia preparada para tamanha intimidade. Poderia parecer bobeira considerando que a roupa dela estava molhada o suficiente para deixar pouco para a imaginação dele mas ainda era tudo muito recente entre eles, ainda tinham aqueles meses todos como um certo abismo entre eles.
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  Teriam muito o que conversar.
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  Mas o que a deixou ainda mais tranquila foi que %Ryan% não se sentiu ofendido com isso, na verdade estava deixando tudo mais fácil para ela porque ele não estava pressionando-a.
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  E ele nem iria, porque amava %Annie% demais para criar um clima desagradável entre os dois. Queria que ela se sentisse confortável ao lado dele, que ela confiasse nele.
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  Porque ele sabia que iria levar um tempo até que ela o fizesse plenamente. E a culpa era única e exclusiva dele, teria que lidar com as consequências de suas atitudes covardes.
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  Assim que ele trocou a sunga pela cueca, soltou um pigarro para chamar a atenção de %Annie%.
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  - Tudo pronto. - ele disse baixo, visivelmente com sono e %Annie% se virou novamente.
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  Ela engoliu seco ao vê-lo de novo apenas de cueca, mas agora que o rosto denunciava que ela estava com vergonha simplesmente pegou a calça e ajudou %Ryan% a vesti-la, ele apoiou no box durante o processo enquanto sorria de leve para ela.
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  - Eu vou trocar os seus curativos e aí eu coloco, tá? - ela disse ao segurar a única peça de roupa que restou: a camisa.
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  Ele concordou em silêncio e %Annie% o ajudou a sair do banheiro.
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  - Você não quer tomar banho primeiro? - perguntou ao olhá-la de cima a baixo. - Não quero que fique doente.
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  %Annie% encarou o próprio estado, estava sim encharcada e estava molhando todo piso do corredor, mas estava incerta se %Ryan% conseguiria ir até o quarto sozinho.
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  - Não se preocupa, eu não vou desmaiar no caminho. - ele brincou ao vê-la pensar por um momento, já até sabia o que se passava na cabeça dela.
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  - Tem certeza?
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  Ele apenas concordou com a cabeça e %Annie% suspirou quando ele se afastou dela para se apoiar na parede.
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  - Eu não vou demorar. - ela garantiu e em resposta ganhou um sorriso sutil do namorado.
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  %Annie% foi até a sua mala que estava na sala na ponta dos pés, na fraca tentativa de não molhar tanto assim o chão, pegou uma muda de roupa e correu para o banheiro.
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  De fato, ela não demorou nada no banho. Torceu a toalha no cabelo e colocou as roupas secas rapidamente, jogando as outras que estavam molhadas no cesto e tirou os sapatos do banheiro e os posicionou do lado de fora, levaria para secar na lavanderia depois.
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  Quando foi para o quarto de %Ryan%, o mesmo já estava deitado na cama dormindo tão profundamente que a boca estava ligeiramente aberta, %Annie% sorriu de lado com a cena sentindo o coração acelerar ainda mais.
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  Ela foi atrás da sacola para trocar os curativos dele e ao se aproximar, ouviu o namorado respirar fundo, ele finalmente estava descansando.
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  Com cuidado ela tirou o esparadrapo e as gazes, os pontos estavam quase secos mas segundo o médico precisavam de um cuidado maior para que ele pudesse se recuperar devidamente, aqueles dias seriam importantes para a volta de %Ryan% ao exército e se dependesse de %Annie%, ele voltaria melhor do que quando saiu.
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  %Annie% cuidou dos pontos e colocou gazes novas, %Ryan% nem ao menos se mexeu com o toque suave dela. Assim que terminou, ela fechou as cortinas do quarto e depositou um beijo de leve na bochecha dele, puxando o edredom até a cintura dele.
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  Não conseguiria colocar a tipoia sozinha então deixou-a do lado do namorado, para assim que ele acordasse se lembrasse que deveria colocar novamente.
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  %Annie% saiu do quarto mas não antes de olhar uma última vez para %Ryan%.
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  Suspirando, sentiu como se estivesse em um sonho no qual ela não queria acordar.
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[...]

  %Ryan% sentiu a consciência voltar enquanto sua garganta seca chamava sua atenção, o corpo inteiro doía e ao mesmo tempo parecia que não tinha força sobre seus membros.
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  Não se lembrava da última vez que tinha dormido tão bem daquele jeito, parecia até que tinham se passado segundos desde que tinha fechado os olhos esperando %Annie% voltar do banho.
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  Mas ele sabia que tinha sido bem mais do que segundos porque o quarto escuro denunciava que não era mais tão cedo.
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  Forçou seu tronco a levantar, a dor latejante em seu ombro e costela era familiar e por isso tentou não colocar todo o peso de seu corpo sobre o lado que estava com os curativos.
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  Espera, curativos novos?
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  Tocou de leve nas gazes novas sem se lembrar do momento em que foram trocadas, franzindo a testa perguntou a si mesmo que horas %Annie% havia trocado e porque ele sequer tinha sentido os dedos dela trabalharem.
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  Piscou algumas vezes quando a visão continuou turva e assim que se sentou, contendo um grunhido, ele esticou as pernas e as costas ouvindo alguns ossos estalarem.
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  Colocou as pernas para fora da cama, ainda um pouco grogue e sentiu um cheiro diferente, porém muito gostoso. Nem precisou pensar muito, seu estômago roncou e ele soube que %Annie% estava na cozinha, por isso levantou da cama devagar do jeito que vinha fazendo desde o hospital para garantir que não iria tropeçar ou vacilar.
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  Seus pés o levaram para a sala, forçou um pouco os olhos secos quando a luz o incomodou de imediato entretanto não durou muito já que os olhos se acostumaram com a claridade, principalmente porque reconheceu a figura na bancada da cozinha.
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  %Annie% tinha acabado de lavar a última colher quando se virou, dando de cara com %Ryan% parado na sala observando-a com o olho meio aberto e a cara amassada.
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  - Sem música dessa vez? - ele perguntou, a voz saiu baixa e mais rouca do que o normal, fazendo as pernas de %Annie% tremerem.
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  Bom, ela não imaginava que a cena dele vestindo só a calça com o rosto um pouco inchado e vermelho seria tão tentadora.
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  Ela riu sem graça, colocando o cabelo atrás da orelha e negou com a cabeça.
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  - Não quis te acordar. - admitiu, subindo o olhar até o rosto dele. - Mesmo que você estivesse dormindo tão profundamente que roncava que nem um boi.
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  %Ryan% gargalhou, jogando a cabeça para trás fazendo com que %Annie% mordesse o lábio inferior.
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  Ele devia ser tão atraente assim mesmo tendo acabado de acordar?
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  - Acho que eu nunca dormi tão bem na minha vida.
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  %Ryan% se aproximou para abraçar %Annie% pela cintura, mas ela o parou no meio do caminho com uma expressão séria.
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  - Sua tipoia. - apontou para o ombro desnudo dele. - Eu deixei do seu lado.
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  %Ryan% olhou para seu próprio ombro e reclamou antes de olhar para a namorada novamente.
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  - Eu não preciso… - ele nem ao menos terminou a frase já que %Annie% saiu, indo para o quarto dele.
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  Ele esperou ela voltar com a tipoia e assim que ela tocou o braço dele suavemente para se virar, ele o fez com um bico e os olhos caídos de tédio.
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  - Eu garanti ao médico que você seguiria direitinho a sua recuperação. - ela lembrou enquanto estendia a tipoia e %Ryan% a colocou contra sua vontade com a ajuda dela. - Isso inclui tomar os remédios se você tiver dor, não fazer esforço, se alimentar e começar a sua fisioterapia logo depois.
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  %Ryan% respirou fundo, contrariado. Ele já se sentia melhor, não precisava daquilo. O tempo que levou dormindo tinha sido eficaz e suficiente.
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  Já %Annie% precisou se segurar para não rir ou beijar aquele bico. Quem diria que %Ryan%, um capitão valente do exército, também agia como criança quando estava se recuperando.
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  - Agora vamos começar com a alimentação. - %Annie% apontou para a banqueta e %Ryan% seguiu, sentando-se.
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  Enquanto %Annie% colocava a comida no prato, ele apenas a encarava admirado.
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  Só existia uma pessoa que ele obedecia e era seu superior, mas apenas no exército, fora da base, %Annie% era a única que tinha esse poder sobre ele.
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  Não era um tipo de obediência a que ele estava acostumado, construída em cima de ordens ou imposições, como tinha sido durante toda sua vida.
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  No exército, na infância com seus pais, na droga da empresa do pai.
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  Com %Annie%, o comando vinha em forma de carinho, de preocupação, de um olhar que ele nunca conseguia enfrentar por completo, mesmo sendo um soldado altamente qualificado que enfrentava terroristas.
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  Ela era a exceção.
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  Há poucas semanas atrás tinha plena convicção que nunca mais voltaria a vê-la, quem dirá estar ali.
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  Nem sabia se merecia tudo aquilo, aquele cuidado, aquele amor todo para com ele.
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  %Ryan% se pegou pensando em como ela conseguia dobrar sua vontade com poucas palavras, sua presença era uma força invisível, mais poderosa do que qualquer grito de seus superiores ou até mesmo de seu próprio pai.
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  Lembrava das inúmeras vezes em que tentara argumentar, racionalizar, até impor sua lógica militar quando o assunto era ele mesmo e como %Annie% encontrava um jeito de desmontar todas as suas defesas com um simples por favor ou um olhar firme, mas sempre suave.
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  Não tinha se dado conta de como era bom admitir isso para si mesmo. Porque pela primeira vez, desde que conseguia se lembrar, ele não precisava provar nada.
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  Não precisava ser forte o tempo todo, ou fingir que a dor não o consumia, ou que o medo do futuro não o assombrava toda noite. Muito menos fingir ser quem não era.
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  O mais engraçado é que desde que a conhecera naquela festa era assim, não era um sentimento recente.
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  Mas agora ela estava ali com ele, por vontade própria e com o coração aberto apesar de tudo o que haviam vivido.
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  Por isso que ele não conseguia fazer outra coisa além de retribuir.
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  %Annie% permitia que ele fosse vulnerável, honesto, e esse poder silencioso dela era mais eficaz do que qualquer remédio.
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  Quando ela se virou para ele, já com o prato montado, o sorriso que %Annie% exibiu era puro, livre de ironia ou julgamento. Ela colocou o prato à sua frente, cheio de comida que ele não conseguia identificar de imediato, mas o aroma fez seu estômago roncar novamente.
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  - Você cozinhou tudo isso enquanto eu dormia? - %Ryan% perguntou, pegando o garfo com a mão boa.
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  - Sim. Achei que você precisava de uma refeição decente depois de tanto tempo comendo aquela comida do hospital. - ela sentou-se ao lado dele com seu próprio prato, menor que o dele.
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  Desde que %Ryan% tinha ido para o quarto no hospital reclamava de duas coisas, a comida e o fato de não conseguir dormir direito por causa dos enfermeiros que o monitoravam dia e noite.
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  E agora que tinha se livrado de ambos, não sentiria falta alguma.
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  - Você não tinha comido ainda? - ele franziu o cenho, preocupado.
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  %Annie% concordou com a cabeça.
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  - Eu já comi faz tempo, mas eu ainda tô com fome. - admitiu, rindo de leve.
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  Ele assentiu aliviado, por um momento se sentiu culpado com a possibilidade de fazê-la esperar.
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  Então provou a primeira garfada e fechou os olhos.
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  O sabor era delicioso.
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  Fazia tanto tempo que não comia algo caseiro que seu paladar parecia ter esquecido como era. A comida do hospital tinha sido, na melhor das hipóteses, funcional.
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  Isso aqui… era arte.
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  - Meu Deus, amor. - ele murmurou com a boca ainda meio cheia. - Isso está incrível.
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  %Ryan% ficou alguns segundos apenas observando %Annie%, a forma como ela mordeu o lábio de leve, tentando conter o sorriso tímido que ameaçava se abrir quando ele elogiou a comida.
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  As pontas da orelha dela ganharam um tom vermelho a cada segundo, um tom que ele se lembrava como a resposta natural de %Annie% a qualquer demonstração de afeto ou elogio.
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  Como se não estivesse acostumada a isso.
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  Sob a luz quente da cozinha, parecia impossível para ela esconder o orgulho e a alegria que sentia.
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  Seu propósito de ficar lá com %Ryan% durante o tempo que precisasse tinha sido justamente esse, cuidar e agradar ele. Sabia em seu coração que não tinha tomado a decisão errada.
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  Ver %Annie% daquele jeito, tão genuinamente feliz por agradá-lo, tinha um efeito imediato em %Ryan%.
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  Aquela pressão familiar no peito reapareceu, uma mistura de gratidão e amor.
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  Era intimidante e às vezes até sufocante perceber o quanto ela significava para ele, especialmente depois de passar tanto tempo impedido de se conectar com alguém desse jeito.
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  Tanto tempo longe dela.
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  Ele sempre fora treinado para manter distância, separar necessidade de afeto e isso antes mesmo de sequer entrar para o exército, mas %Annie% desmontava todas as barreiras com um simples sorriso tímido. Tinha sido assim antes, era assim agora.
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  Como era possível ela ficar ainda mais bonita quando estava com vergonha? %Ryan% se perguntou isso, sem conseguir evitar um sorriso bobo.
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  O silêncio que se instalou entre os dois não era desconfortável, pelo contrário, continha uma intimidade recém-descoberta, como se ambos soubessem que não precisavam de palavras para validar o que acontecia ali. %Annie% desviou o olhar para o próprio prato, empurrando a comida com o garfo e fingindo concentração, mas de vez em quando levantava os olhos rapidamente para observar a reação de %Ryan%.
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  Ele percebeu, é claro. Percebia tudo nela. A ansiedade discreta com que ela esperava pela opinião dele, a maneira como o corpo todo pareceu relaxar quando ele aprovou o prato, até o leve e quase imperceptível sorriso no canto da boca quando ela levou a primeira garfada à boca.
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  %Ryan% sentiu vontade de dizer mais alguma coisa, mas as palavras morreram antes mesmo de formarem som.
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  Em vez disso, apenas continuou comendo, cada garfada acompanhada de um novo aumento no calor que tomava conta do peito.
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  Era estranho para %Ryan%, depois de tudo o que tinha vivido, sentir-se seguro ali. Vulnerável, sim, mas seguro.
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  %Annie% conseguia desconstruir aquela armadura sem sequer perceber. E ele gostava disso mais do que lembrava.
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  - É só uma receita simples que minha mãe me ensinou. - %Annie% deu de ombros, mas %Ryan% podia ver o orgulho em seus olhos. - Achei que você precisava de proteína e carboidratos depois da cirurgia.
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  - Você deveria abrir seu próprio restaurante. - ele disse entre garfadas, tentando não parecer desesperado mesmo com a fome que sentia. - Sério. As pessoas pagariam uma fortuna por isso.
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  %Annie% riu, aquele som melodioso que fazia seu coração acelerar.
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  - Talvez um dia. Primeiro preciso garantir que certos pacientes teimosos sigam as instruções médicas.
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  %Ryan% riu com a comida na boca, ele poderia ter respondido, mas %Annie% estava certa.
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  Ele sabia que nos próximos dias seria teimoso, impaciente e até imprudente, afinal, estava de volta a casa e não via a hora de ser apenas ele novamente.
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  Sem aquela droga de tipoia, sem dores, sem depender de %Annie%.
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  %Ryan% ainda era, bem, ele. Era de sua natureza ir além de seu limite.
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  E %Annie% já tinha conversado com Tej e até mesmo o médico sobre isso, sabia que precisaria ter muita paciência com o namorado durante a recuperação.
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  Ele era orgulhoso demais, como todo bom combatente de guerra, não queria demonstrar suas fraquezas e deixá-las assim expostas era como assinar um atestado de incapacidade.
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  Ela sabia muito bem que ele não o faria assim, da noite para o dia, levaria tempo até que %Ryan% se desarmasse por completo na frente dela. Porém, %Annie% era paciente.
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  Tinham todo o tempo do mundo.
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  Foi nesse instante que um trovão cortou o silêncio como uma ordem de ataque.
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  O estrondo foi tão violento que ambos se sobressaltaram.
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  %Annie% levando a mão ao peito e %Ryan% fechando os punhos por reflexo.
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  O som ecoou pelo apartamento, fazendo as paredes vibrarem e todo o ambiente se perdesse na escuridão assim que a luz apagou de vez.
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  %Ryan% olhou instintivamente para a janela, como se esperasse ver do lado de fora algum sinal concreto daquela fúria toda.
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  O trovão não apenas interrompeu o que ele estava prestes a dizer, também serviu de metáfora perfeita para o tumulto que sentia por dentro.
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  Por mais que tivesse pedido para que a namorada viesse cuidar dele, uma parte egoísta de si se sentia impossibilitado, fraco e até mesmo pequeno.
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  E ele estava lutando contra si mesmo para não deixar aquilo transparecer e acabar se tornando o namorado machucado ranzinza. Um fardo.
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  Não tinha dado nem 24h que tinha recebido alta, não queria deixar o ambiente desconfortável porque ele era independente demais.
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  Segundos depois, o som da chuva copiosa batendo contra o telhado preencheu o apartamento.
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  - Merda! - %Annie% exclamou, levantando-se de um salto. Seus olhos se arregalaram com a realização súbita. - As roupas!
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  Ela correu para a varanda sem hesitar, deixando %Ryan% confuso. Ele a viu abrir a porta de vidro e ser imediatamente recebida por uma rajada de vento e água. A chuva estava caindo em cascatas como se o céu tivesse rasgado de repente.
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  Sem pensar duas vezes, %Ryan% se levantou da cadeira, ignorando a dor aguda que atravessou seu ombro. Alguns passos rápidos e ele estava na porta da varanda, observando %Annie% lutar contra o temporal enquanto tentava recolher as roupas que tinha pendurado mais cedo.
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  - %Annie%, deixa isso! Volta aqui dentro! - ele gritou, mas sua voz se perdeu no barulho da tempestade.
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  A chuva era impiedosa e em questão de segundos %Annie% estava completamente encharcada, seu cabelo grudava no rosto enquanto ela desesperadamente puxava camisetas e calças do varal.
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  %Ryan% sentiu uma pontada de culpa ao vê-la assim, várias das peças eram dele.
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  Roupas que ela tinha lavado enquanto ele dormia.
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  Sem hesitar, %Ryan% entrou na varanda. O frio da chuva o atingiu como uma série de pequenas agulhas, mas ele ignorou a sensação. Com o braço bom, começou a ajudar %Annie% puxando as peças que ainda estavam penduradas.
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  - %Ryan%! O que você está fazendo? Seu curativo vai molhar! - %Annie% gritou, os olhos arregalados de preocupação mesmo em meio ao caos da tempestade.
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  - Não importa. - ele respondeu, puxando uma toalha do varal. A água escorria pelo seu rosto, pelo seu peito nu, encharcando a calça de moletom.
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  A tipoia estava encharcada e escorregadia contra sua pele, mas ele continuou ajudando mesmo assim.
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  Em menos de um minuto, os dois conseguiram recolher a maior parte das roupas, correndo de volta para dentro com os braços cheios de tecido meio molhado e meio seco. Deu para salvar pouca coisa.
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  %Ryan% fechou a porta de vidro com o ombro, ofegante, enquanto %Annie% largava tudo no chão da sala.
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  Foi quando ela tentou se mover que seus pés molhados escorregaram contra o chão liso e ela tombou, jogou os braços para frente automaticamente se preparando para o impacto, porém, não foi o chão que ela encontrou.
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  %Ryan% largou as roupas no mesmo instante em que segurava %Annie% pela cintura, impedindo-a de cair, isso também fez com que ela por impulso levasse as mãos até o peito dele para se manter de pé.
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  No mesmo instante em que as mãos molhadas e frias de %Annie% tocaram a pele exposta de %Ryan%, todos os poros do corpo dele eriçaram-se contra a ponta dos dedos dela, ignorando a dor em seus machucados e instantaneamente os olhares se encontraram.
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  - Te peguei. - foi tudo o que ele conseguiu sussurrar, fazendo as pernas de %Annie% fraquejarem.
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  Surpresos e com a tensão que havia se criado durante o banho crescendo rapidamente até a altura de um arranha-céu, eles ficaram ali parados, pingando água no piso olhando um para o outro.
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  O cabelo de %Annie% estava completamente desalinhado, grudado no rosto e nos ombros. Gotas escorriam pela ponta do nariz dela, as mesmas gotas que escorriam pelo peito de %Ryan% e se perdiam nas mãos dela.
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  %Ryan% sentiu algo se mexer no peito quando percebeu que a blusa branca de %Annie% tinha ficado quase transparente com a chuva e ela não entendeu como uma fumaça saía do corpo frio dele, parecia até que ele era um metal quente sendo resfriado.
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  Ele desviou o olhar rapidamente, tentando não parecer um adolescente que nunca tinha visto uma mulher. Mas era difícil não notar, especialmente quando ela estava ali apoiada nele e molhada, com o olhar piedoso depois de ter corrido para salvar as roupas dele.
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  - Você está tremendo. - ele disse, focando no rosto dela. E realmente estava, pequenos tremores percorriam o corpo de %Annie% enquanto ela tentava gaguejava, tentando se manter de pé sozinha.
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  Ela engoliu seco, dando um passo para trás um pouco receosa, mas ao perceber que seus pés estavam firmes mesmo que as pernas ainda estivessem moles feito gelatina, pôde respirar fundo.
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  Ela não sabia o porquê o coração estava batendo tão rápido como se tivesse corrido em uma maratona.
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  Bem, quer dizer, ela sabia muito bem o porquê.
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  A resposta estava bem na sua frente.
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  - Você também. - ela respondeu, colocando o cabelo molhado para longe de seu rosto e %Ryan% percebeu que tinha razão.
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  O frio da chuva combinado com a adrenalina estava fazendo seu corpo reagir de forma descontrolada.
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  %Annie% desapareceu no banheiro coçando a nuca e voltou com duas toalhas grandes.
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  Em silêncio, ela se aproximou de %Ryan% que observava atentamente os movimentos dela sem ter forças para se mover.
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  Sem pedir permissão, sem perguntar se ele queria ajuda, ela simplesmente começou a desamarrar a tipoia encharcada. Seus dedos frios roçaram levemente o ombro de %Ryan% que engoliu em seco, sentindo o corpo aquecer de uma forma que não parecia normal.
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  - Precisamos tirar esse curativo. - ela murmurou, mais para si mesma que para ele, enquanto seus dedos examinavam a área ao redor do curativo depois de jogar a tipoia no chão, as toalhas emboladas em seu cotovelo.
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  %Ryan% sentiu um arrepio que nada tinha a ver com o frio. A sensação dos dedos dela contra sua pele nua enviou uma onda de calor pelo seu corpo que contrastava com a água gelada ainda escorrendo por suas costas.
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  Era uma sensação tão boa. Boa demais para que ele pudesse controlar seus músculos que coçavam para tocar não só o rosto dela.
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  - Você não precisa fazer isso. - ele disse, a voz mais rouca do que pretendia. - Posso me virar.
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  %Annie% levantou os olhos para ele, os cílios ainda pingando água da chuva. Havia uma determinação naquele olhar que %Ryan% conhecia bem demais.
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  - Ah, claro. Assim como você se virou muito bem lá na varanda? - ela levantou a mão para apontar com o dedão para o lado de fora.
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  %Ryan% arqueou uma sobrancelha. Por mais que quisesse rebater o comentário dela, não conseguiu conter o leve sorriso que se formou no canto de sua boca.
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  - Touché.
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  %Annie% começou a secar o peito e os ombros dele com movimentos suaves, evitando a área do curativo. %Ryan% permaneceu imóvel, observando-a trabalhar, hipnotizado pela concentração no rosto dela.
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  - Vou tirar isso aqui agora. - ela avisou, os dedos tocando as bordas do curativo encharcado. - Pode arder um pouco.
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  %Ryan% mal registrou suas palavras, estava completamente absorto nos movimentos dela. A proximidade, a intimidade do gesto, meio despido, deixando-se ser cuidado. Tudo isso criava uma tensão quase palpável entre eles.
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  Quase não, era palpável.
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  %Ryan% sentia a pele queimar por onde quer que %Annie% o tocasse.
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  Quando %Annie% começou a remover cuidadosamente o curativo, %Ryan% sentiu a dor, mas também sentiu algo mais, uma confiança que há muito tempo não depositava em ninguém.
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  Parecia que %Annie% estava não só cuidando de seu corpo mas de seu coração, literalmente, tamanho zelo que tinha.
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  - Respire fundo. - %Annie% instruiu, sua voz firme contrastando com o rubor que subia pelo seu pescoço.
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  Não estava sendo tão fácil para ela quanto estava deixando parecer, mas ela precisava acima de tudo cuidar dele e ignorar os pensamentos bem pecaminosos que rondavam sua cabeça.
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  %Ryan% obedeceu sem questionar. O curativo saiu com um puxão rápido e ele conteve um palavrão que quase escapou entre seus dentes cerrados.
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  - Não parece infeccionado. - ela murmurou, examinando a pele exposta com cuidado. Seus dedos roçaram de leve a cicatriz, ainda vermelha e sensível, e %Ryan% sentiu um calafrio.
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  Céus, se ela continuasse tocando-o daquele jeito…
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  - Vamos precisar secar isso direito e refazer o curativo.
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  - Você também precisa se secar. - %Ryan% respondeu, notando como a roupa encharcada dela grudava em cada curva de seu corpo. - Vai acabar pegando um resfriado.
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  %Annie% assentiu, mas não se moveu. Seus olhos permaneceram fixos nos dele.
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  %Ryan% viu a hesitação ali, aquela batalha silenciosa que ela travava consigo mesma, o desejo de manter a distância lutando contra algo mais profundo, mais pessoal.
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  Ele conhecia aquele olhar porque também o carregava.
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  - Vamos fazer isso direito. - ela finalmente disse, dando um passo para trás e criando um espaço entre eles que pareceu imenso. - Você vai tomar um banho morno para se aquecer, enquanto eu vou trocar de roupa. Depois refazemos o curativo.
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  %Annie% balançou a cabeça como se estivesse em uma luta mental, na verdade estava, e segurou as toalhas com mais força do que deveria.
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  %Ryan% sentiu falta do calor dela imediatamente.
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  - Eu não sei se consigo tomar banho sozinho. - admitiu, antes que pudesse se conter.
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  %Annie% não desviou o olhar e as toalhas perdidas em seus dedos caíram em seus pés com a falta de força por causa das palavras dele. A admissão de %Ryan% pairou entre eles, carregando um peso que ia muito além de um simples pedido de ajuda.
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  Era a primeira vez que ele admitia abertamente que precisava dela, e isso fez algo dentro de %Annie% se agitar assim como as pernas vacilarem.
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  - Eu sei. - ela disse simplesmente, sua voz mais suave agora.
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  Por um momento, ambos ficaram ali parados em meio à pequena poça que haviam criado no chão da sala, a chuva ainda castigando a janela como se quisesse entrar, peças jogadas aos pés deles, tudo isso no meio da escuridão.
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  %Ryan% observava o peito de %Annie% subir e descer com cada respiração, mesmo estando no escuro os olhos dela ainda brilhavam como uma constelação.
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  Havia tantas coisas que ele queria dizer, mas as palavras pareciam inadequadas.
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  Um estrondo ensurdecedor cortou o ar, seguido por um clarão que iluminou todo o apartamento por uma fração de segundo.
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  %Ryan% reagiu por instinto, seu corpo se moveu antes mesmo que seu cérebro pudesse processar o que estava acontecendo.
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  Em um movimento rápido, ele puxou %Annie% contra seu peito novamente com o braço bom, abraçando-a e virando-se para protegê-la com seu próprio corpo. Sua respiração acelerou, o coração martelando contra as costelas enquanto seus olhos varriam o ambiente em busca de ameaças.
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  - %Ryan%? - a voz de %Annie% soou abafada contra seu peito.
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  Ele não respondeu imediatamente, seus músculos permaneceram tensos por vários segundos, o corpo de %Annie% quente e pequeno contra o dele, até que a realidade voltou devagar.
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  Não havia explosões. Não havia tiros.
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  Apenas um trovão particularmente violento que havia disparado todos os seus reflexos de combate.
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  Voltou naquele mesmo dia da invasão dos rebeldes, quando não pôde segurar %Annie% em seus braços e protegê-la de Vincent.
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  %Ryan% forçou seus músculos a relaxarem, mas não soltou %Annie% imediatamente. A sensação de protegê-la, de tê-la segura entre seus braços, era viciante de uma forma que o assustava.
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  Ele podia sentir o coração dela batendo contra seu peito, podia sentir como ela não estava tentando se afastar.
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  - Desculpa. - ele murmurou contra o cabelo molhado dela, ainda tentando controlar a respiração. - Eu... reflexo. É só um trovão.
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  Ele sentiu quando %Annie% assentiu contra seu peito, mas ela não fez menção de se afastar. Permaneceram assim, como se o tempo tivesse congelado naquele pequeno espaço entre eles, onde a água da chuva criava uma conexão entre suas peles que estavam longe de estarem tão frias quanto a tempestade que haviam enfrentado a minutos atrás.
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  - Sim. - ela sussurrou finalmente. - Está tudo bem.
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  Havia algo na voz dela, uma compreensão silenciosa que fez o peito de %Ryan% apertar.
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  Ela não estava assustada com sua reação exagerada. Não estava julgando. Estava apenas... aceitando.
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  Quando finalmente se afastaram, os olhos de %Annie% encontraram os dele com uma intensidade que fez %Ryan% esquecer momentaneamente o mundo ao redor. Havia algo ali que fez seu coração acelerar por motivos completamente diferentes dos reflexos de guerra.
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  Era como se toda a tensão acumulada entre eles desde que saíram do hospital, toda a frustração da dependência, todo o cuidado, tudo isso tivesse chegado a um ponto de ebulição.
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  %Ryan% não pensou. Não planejou. Não hesitou.
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  Em um movimento rápido, sua mão boa subiu até a nuca de %Annie%, os dedos entrelaçando-se nos cabelos molhados dela. Puxou-a para si com uma urgência que surpreendeu a ambos, seus lábios encontrando os dela em um beijo que nada tinha de gentil ou contido.
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  %Annie% respondeu ao beijo imediatamente, seus dedos agarrando os bíceps dele com uma força que %Ryan% não esperava. Havia uma necessidade crua naquele contato, como se ambos tivessem finalmente cedido a uma corrente que os puxava há semanas.
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  A água da chuva entre eles criou uma sensação de deslize, de pele contra pele, intensificando cada ponto de contato.
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  Um gemido baixo escapou da garganta de %Annie% quando %Ryan% aprofundou o beijo, sua língua encontrando a dela em um movimento que fez todo o corpo dele reagir. Ele sentiu a dor no ombro protestar quando instintivamente tentou abraçá-la com ambos os braços, mas ignorou a pontada, concentrado apenas na sensação de tê-la ali, sentindo o calor do corpo dela contra o seu.
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  A mão de %Annie% deslizou pelo ombro e peito dele, as pontas dos dedos traçando um caminho suave sobre sua pele molhada tomando todo o cuidado com os curativos. %Ryan% sentiu cada toque como uma pequena descarga elétrica, despertando sensações que ele tentara manter sob controle desde que ela começara a cuidar dele.
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  Quando os dedos dela roçaram perto da cicatriz, ele estremeceu, não de dor, mas de vulnerabilidade.
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  %Annie% quebrou o beijo, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos dele. Suas orelhas estavam vermelho escarlate, os lábios inchados, e %Ryan% nunca a achou tão bonita quanto naquele momento, com o cabelo molhado e desalinhado, a respiração acelerada, e os olhos que pareciam mais escuros do que nunca.
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  Convidativos de uma forma que ele não poderia negar.
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  - Isso... isso é uma má ideia. - ela sussurrou, mas não havia convicção em sua voz.
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  E como poderia? Era impossível conter seus desejos depois de sentir a pele dele contra a dela.
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  Seus dedos ainda descansavam sobre o peito quente dele, como se não conseguisse se convencer a afastá-los.
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  %Ryan% sentiu seu coração martelar contra as costelas tanto que parecia que um dos pontos em uma delas iria rasgar.
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  A adrenalina misturava-se ao desejo, criando uma tempestade em seu interior que rivalizava com a que caía lá fora.
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  Ele sabia que ela tinha razão.
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  Ele estava ferido, eles estavam encharcados, ela estava ali inicialmente apenas para cuidar dele, mas nada disso parecia importar quando olhava nos olhos dela.
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  Ela via o desejo nos olhos dele como se fosse um espelho refletindo o que ela sentia.
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  - Provavelmente, - ele admitiu, sua voz rouca. - mas eu não me importo.
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  A confissão saiu mais vulnerável do que %Ryan% pretendia. Ele viu o impacto das palavras nos olhos de %Annie%, a forma como eles se arregalaram ligeiramente antes de se suavizarem com algo que parecia perigosamente próximo da ternura.
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  A chuva continuava batendo contra as janelas, criando um ritmo hipnótico que parecia isolar o mundo exterior.
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  - %Ryan%… - %Annie% começou, mas sua voz falhou. Ela tentou novamente. - Você está se recuperando de uma cirurgia, deveria estar descansando. Eu deveria estar trocando seu curativo, não...
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  Ela deixou a frase inacabada, mordendo o lábio de uma forma que fez %Ryan% querer beijá-la novamente.
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  - Não o quê? - ele provocou, incapaz de conter o sorriso que surgiu no canto de sua boca.
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  %Annie% suspirou, pressionando a testa contra o peito dele por um momento. Ela nunca tinha sentido as pernas tremerem tanto, e nem era de vergonha por admitir que o queria daquela forma tão íntima, mas sim de ansiedade porque sabia que no momento em que falasse em voz alta, não conseguiria voltar atrás.
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  Não teria como parar o que estava por vir.
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  E ela não queria parar.
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  %Ryan% sentiu a respiração dela contra sua pele quente, estava gostando daquilo. Aquela proximidade parecia viciante, quanto mais perto a tinha, menos parecia que era suficiente.
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  - Não beijando você como se minha vida dependesse disso. - ela finalmente respondeu, levantando o rosto para encará-lo.
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  A honestidade na voz dela o pegou desprevenido. %Ryan% sentiu algo se deslocar no peito, uma sensação de queda livre que nada tinha a ver com a dor física. Era como se ela tivesse acabado de confessar um segredo que ele não sabia que estava esperando ouvir.
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  Ele sentia a necessidade, o desejo, assim como ela, mas ouvir aquelas palavras de %Annie% era demais.
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  Ele ergueu a mão e tocou o rosto dela, o polegar traçando uma linha suave pela bochecha. A pele de %Annie% pegava fogo sob seus dedos, contrastando com o fogo que ele sentia em seu coração, apossando de cada célula, cada músculo, cada poro, cada nervo de seu corpo.
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  - Então não pare. - ele falou, as palavras saindo como uma súplica, não como uma ordem. - Porque a minha depende.
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  %Annie% fechou os olhos por um momento, como se estivesse travando uma batalha interna. Quando os abriu novamente, %Ryan% viu que algo havia mudado ali, uma decisão havia sido tomada.
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  Ela se inclinou e o beijou novamente, desta vez com mais intensidade, como se tivesse finalmente se permitido sentir tudo que vinha reprimindo.
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  %Ryan% sentiu as pernas ficarem fracas quando ela pressionou o corpo contra o dele, eliminando qualquer espaço que ainda existia entre eles.
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  A mão livre dele encontrou a cintura de %Annie%, puxando-a ainda mais perto enquanto ela entrelaçou os dedos nos cabelos curtos da nuca dele.
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  O beijo se aprofundou, tornou-se mais urgente, mais necessário, como se ambos estivessem tentando compensar semanas de tensão contida em poucos minutos.
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  %Ryan% sentiu quando %Annie% estremeceu contra ele e isso fez com que um som involuntário escapasse de sua boca, sendo abafado pelos lábios dela.
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  Sem quebrar o beijo, ele começou a guiá-la para trás em direção ao corredor que levava ao quarto, movendo-se instintivamente como se seu corpo soubesse exatamente o que fazer mesmo quando sua mente estava nublada pelo desejo.
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  - O curativo. - %Annie% murmurou contra os lábios dele, mas suas mãos já estavam explorando as costas de %Ryan%, os dedos traçando cada músculo tenso sob a pele molhada.
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  - Depois. - ele respondeu, sua voz tão baixa que quase se perdeu no som da chuva.
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  Ele não conseguia pensar em curativos agora, não quando o corpo inteiro parecia estar em chamas apesar da dor no ombro que começava a latejar com cada movimento mais brusco.
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  %Annie% sentiu o mesmo. Ela não conseguia raciocinar direito, não quando os lábios dele se moldavam perfeitamente com os dela.
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  %Ryan% viu isso na forma como ela se entregava ao beijo, como seus dedos exploravam seu corpo com uma mistura de cuidado e desespero. Havia algo libertador em sentir-se desejado assim, não como uma obrigação, não como um caso de pena, mas como um homem. Como alguém que %Annie% ainda queria, apesar de suas cicatrizes, apesar de sua fraqueza temporária.
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  Quando chegaram ao corredor, %Ryan% pressionou %Annie% gentilmente contra a parede, usando seu corpo para mantê-la no lugar enquanto beijava seu pescoço. Ela inclinou a cabeça para trás, oferecendo mais acesso, um pequeno gemido escapando dos lábios dela que fez %Ryan% perder qualquer controle que ainda pudesse ter.
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  Ele pressionou o rosto no pescoço de %Annie%, inalando o cheiro dela misturado com a água da chuva. Era intoxicante, essa combinação de familiaridade e novidade, de cuidado e desejo.
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  %Ryan% nunca havia se sentido tão vulnerável e tão desejado ao mesmo tempo.
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  Ela sentiu a pele incendiar sob cada toque, um tremor violento percorrendo sua espinha enquanto seu corpo inteiro implorava por mais. A pressão dele contra a parede não era apenas desejo, era uma necessidade vital. Uma necessidade que parecia consumir cada fibra do seu ser.
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  As mãos de %Annie% deslizaram novamente pelas costas dele, e descobriu que gostava muito daquela região, evitando cuidadosamente a área ferida, mas explorando cada centímetro de pele que conseguia alcançar.
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  %Ryan% sentiu o toque dela como pequenas fagulhas que percorriam sua coluna, despertando sensações que ele jurava nunca ter sentido antes.
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  - %Annie%. - ele murmurou contra a pele dela, sua voz rouca de desejo e algo mais profundo.
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  Ele sentiu os dedos dela enredarem em seu cabelo curto, puxando-o para cima para que seus olhos se encontrassem.
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  Os olhos de %Annie% estavam escuros, as pupilas dilatadas, e havia algo ali que atingiu %Ryan% como um soco no estômago. Por um instante, viu necessidade misturada com uma incerteza que fez seu coração apertar.
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  - Não quero machucar você. - ela sussurrou, seus olhos percorrendo brevemente o ombro ferido dele.
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  %Ryan% sentiu um sorriso se formar em seus lábios. Mesmo agora, no exato instante em que estava praticamente explodindo de desejo, conseguia perceber o absurdo da situação.
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  %Annie%, tão preocupada com ele, com suas dores e feridas. E ele, o capitão durão, treinado para aguentar o impossível, incapaz de pensar em qualquer coisa além desse momento. Além dela.
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  O sorriso não era de escárnio, nem de deboche. Era genuíno, um sorriso que só %Annie% conseguia arrancar dele.
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  Por mais que ambos soubessem como aquilo era imprudente, não havia espaço para arrependimento.
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  %Ryan% podia sentir a preocupação de %Annie%, o peso do cuidado nos movimentos dela, mas também percebia a ânsia, o desejo, o alívio de finalmente poder tocar e ser tocada sem culpa, sem restrições.
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  Ele reconhecia esse tipo de fome melhor do que ninguém.
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  A fome de sentir-se humano mesmo quando o corpo insistia em lembrar suas fraquezas.
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  Por um breve momento, ele permitiu-se apenas existir ali, perdido no calor dos lábios dela, nos dedos que traçaram linhas entre suas omoplatas, nos sussurros abafados que escapavam sem controle.
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  Mas, em meio a tudo isso, %Ryan% também sentiu o receio se instalar.
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  Conhecia aquele olhar de incerteza, a insegurança e a falta de habilidade da namorada, no jeito que suas mãos pareciam se conter de ir além do permitido, do seguro.
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  Não era apenas pela atual situação física dele.
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  Ele nunca tivera problemas com limites, mas agora, diante da mulher que mais confiava no mundo, percebeu que não queria ser o responsável por magoá-la nem fisicamente, nem de qualquer outra forma. Não de novo.
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  Sem saber direito de onde vinha essa necessidade de se explicar, ele a puxou para mais perto mantendo o sorriso nos lábios, mas suavizando o toque.
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  Depois de tudo que viveram - a guerra, as noites em claro, aqueles meses perdidos um do outro - era %Annie% quem importava. E se quebrasse qualquer coisa entre eles, por descuido ou impulsividade, jamais se perdoaria.
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  Tinha recebido a sua segunda chance e não iria falhar.
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  - Você também. - ele disse, as palavras escapando antes que pudesse contê-las. - Não quero te machucar.
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  %Annie% inclinou a cabeça, confusão momentaneamente substituindo o desejo em seus olhos.
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  - Me machucar? Como você poderia…
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  - É sua primeira vez. - %Ryan% interrompeu suavemente, o polegar traçando a linha da mandíbula dela. - Não quero que seja... assim. Apressado. Com a gente encharcado e eu todo remendado.
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  %Annie% ficou imóvel por um momento e %Ryan% sentiu seu coração acelerar enquanto aguardava a resposta dela. Havia dito algo errado? Havia presumido demais?
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  Então, para sua surpresa, %Annie% sorriu. Um sorriso pequeno e tímido, mas sincero. Um sorriso que iluminou seu rosto e fez %Ryan% perder o fôlego por um momento.
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  %Annie% não hesitou quando a pergunta pairou no ar, pesada e íntima.
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  O que deveria ser constrangedor - assumir diante de %Ryan%, um homem que parecia ter visto tudo, que ela ainda era de certa forma, intocada - se transformou numa espécie de alívio.
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  Ela balançou a cabeça nem um pouco envergonhada, o olhar preso ao dele.
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  - É. - disse, a voz baixa, mas firme, como se recitasse uma verdade há muito tempo aguardada. As pontas dos seus dedos tocaram o rosto de %Ryan%, um gesto tão cuidadoso. Ela continuou sorrindo e só então %Ryan% notou o leve tremor nas mãos dela, não de medo, mas de expectativa. - Mas é isso que eu quero. Você.
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  As palavras ditas com tanta clareza atingiram %Ryan% de uma forma inesperada. Ele não soube o que fazer com aquilo.
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  Quantas noites em claro no front tinha passado apenas imaginando aquele momento, sem saber que viver aquilo era ainda melhor do que suas fantasias.
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  E pior, uma parte sádica de si em um determinado momento na guerra até imaginou que %Annie% estivesse com outro homem em seus braços, fazendo o que ele não teve coragem de fazer antes: demonstrar todo o seu amor.
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  Mas ouvir da boca dela aquelas palavras, não existia força no mundo que o fizesse recuar agora.
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  - Eu sei que não é a sua primeira vez, - %Annie% continuou, quase como se estivesse se desculpando por não ter mais a oferecer. - mas pra mim… só faz sentido se for com você.
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  %Ryan% teve que desviar o rosto por um segundo, como se precisasse de um intervalo para processar a avalanche de sentimentos.
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  Não era vergonha, nem constrangimento, era só… muito. Mais do que ele estava acostumado a sentir, mais do que ele achava que merecia.
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  Respirou fundo, buscando as palavras certas, mas tudo o que conseguiu foi um gesto instintivo.
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  Pegou a mão de %Annie%, guiando-a com delicadeza até o peito, bem sobre o coração.
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  - Mas vai ser a primeira vez que isso, - ele falou, e a voz falhou antes de se recompor. - bate desse jeito.
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  O coração de %Ryan% martelava forte, tão audível que %Annie% riu, um som tímido quebrando o clima tenso sem desfazê-lo. O riso dela era alívio, era alegria, era terreno seguro. Ela deixou a mão ali, aberta e calma, sentindo a pulsação irregular por baixo da pele molhada.
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  Aquilo parecia tão certo.
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  O silêncio que se seguiu foi fértil, quase confortável. %Annie% não tirou a mão do peito dele e nem desviou o olhar.
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  Era como se ela estivesse memorizando cada batida, cada oscilação, e %Ryan% percebeu que nunca tinha sido observado assim. Não como soldado ou o filho perfeito e obediente, mas como homem, apenas homem.
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  Seu impulso natural era puxá-la de novo e o fez, mas dessa vez o beijo foi diferente. Não havia mais urgência, nem o desespero de quem tinha medo de perder o momento.
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  Agora era só vontade pura, o desejo de explorar devagar, de descobrir juntos onde aquilo iria dar. %Annie% retribuiu, o corpo dela se ajustando perfeitamente ao dele, como se sempre tivessem pertencido um ao outro.
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  Os beijos desciam pelo pescoço, pelos ombros onde %Ryan% sutilmente afastou um pouco a blusa dela para ter mais pele para distribuir seus beijos quentes até que %Annie% encostou a testa na dele, rindo de novo, como se precisasse esfriar o próprio rosto para não explodir.
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  - Eu não faço ideia do que estou fazendo. - ela confessou, com honestidade desarmante.
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  - Isso é óbvio - %Ryan% respondeu, tentando soar provocador, mas o sorriso o traiu, deixando tudo mais leve -, mas também não faço ideia do que estou fazendo com você.
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  %Annie% se afastou um pouco, passando os dedos pelo cabelo encharcado e %Ryan% pensou que ela fosse recuar e repensar.
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  Entretanto, ela apenas respirou fundo, como quem se prepara para um salto, e o olhou com fúria suave.
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  - Se você acha que isso vai me assustar, está enganado.
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  %Ryan% sorriu, sentindo o humor dela atravessar a tensão como uma lufada de ar fresco.
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  - Não estou tentando te assustar. - ele respondeu e dessa vez foi ele quem buscou o rosto dela, os dedos deslizando pela mandíbula, pelo maxilar, até o canto da boca. - Só preciso ter certeza de que você quer.
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  %Annie% fechou os olhos, deixando o toque dele ditar o ritmo do próximo passo. Quando abriu, o olhar estava firme, mais resoluto do que nunca.
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  - Eu quero. - disse. - Quero agora, mesmo que eu esteja nervosa, mesmo que a gente esteja todo errado e molhado de chuva.
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  %Ryan% sentiu o corpo inteiro tremer com a confissão, mas não de receio, era só a honestidade, crua e desarmada.
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  O desejo de protegê-la lutava com a vontade de tê-la e pela primeira vez ele percebeu que talvez as duas coisas fossem possíveis ao mesmo tempo.
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  Ele pensou em dizer algo bonito, alguma dessas frases que se lê em livros ou se diz em filmes, mas nada parecia à altura. Em vez disso, só a puxou de novo para si, devagar.
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  O beijo veio mais calmo, mais cheio de promessas do que de pressa e %Annie% apenas se entregou ao ritmo.
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  %Ryan% sentiu todo seu corpo responder a ela, esquecendo momentaneamente da dor no ombro, da chuva fria, de tudo exceto a sensação de %Annie% contra ele.
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  Eles se moveram pelo corredor em uma dança desajeitada sem quebrar o contato, tropeçando ligeiramente quando %Ryan% tentou guiá-la em direção ao quarto.
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  A porta estava entreaberta e ele a empurrou com uma mão na pressa de levá-la novamente até a cintura dela, trazendo %Annie% consigo para dentro do ambiente escurecido pela tempestade.
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  - Você ainda está tremendo. - ele observou, sentindo os pequenos tremores que percorriam o corpo dela assim que se afastou para recuperar o ar perdido.
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  - Não é de frio. - %Annie% respondeu e a sinceridade em sua voz fez o coração dele aquecer.
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  %Ryan% a guiou gentilmente até a cama, consciente de cada movimento, cada toque.
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  Ele se sentou na borda primeiro, puxando-a para mais perto dele. %Annie% ficou de pé entre suas pernas e %Ryan% teve que inclinar a cabeça para trás para olhar nos olhos dela.
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  A perspectiva era nova, a mais íntima que já tiveram, e ele sentiu o coração acelerar quando percebeu como ela parecia pequena e frágil daquele ângulo.
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  Com cuidado, ele encontrou a barra da blusa molhada dela, seus dedos roçando a pele macia do abdômen que arrepiou com o contato.
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  - Posso? - ele perguntou e quando %Annie% assentiu, ele levantou o tecido devagar, dando a ela tempo para mudar de ideia.
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  Que não aconteceu.
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  A blusa saiu com um sussurro molhado e %Ryan% sentiu sua respiração ser entrecortada quando viu a pele exposta dela.
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  %Annie% estava usando um sutiã simples de algodão branco, nada elaborado ou provocativo, mas a visão dela ali, parcialmente vestida e trêmula, com gotas de chuva ainda escorrendo por seu colo fez algo dentro dele se contrair.
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  - Você é um anjo.
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  %Annie% corou, o rubor se espalhando pelo pescoço até o peito, e %Ryan% sentiu uma onda de ternura tão intensa que quase o derrubou.
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  Ela era tão forte em tantos aspectos, tão competente e confiante quando se tratava de cuidar dos outros, mas ali exposta ao olhar dele, havia uma ingenuidade que fez %Ryan% querer protegê-la e ao mesmo tempo desesperá-lo por mais.
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  Ele se levantou da cama, ficando de pé diante dela, e desta vez foi %Annie% quem teve que inclinar a cabeça para trás. Com a mão boa, %Ryan% tocou o rosto dela, o polegar traçando o contorno dos lábios entreabertos.
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  - Se você quiser parar a qualquer momento… - ele começou, mas %Annie% balançou a cabeça.
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  - Não vou querer parar. - ela sussurrou, e então suas mãos encontraram a cintura da calça de moletom dele.
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  %Ryan% sentiu o ar escapar dos pulmões quando os dedos dela roçaram sua pele logo acima do cós. O toque era hesitante, mas determinado e %Ryan% teve que se segurar para não reagir de forma muito intensa.
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  Ele cobriu as mãos dela com a sua, interrompendo o movimento.
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  - Devagar. - murmurou, sua voz mais rouca do que antes. - Temos tempo.
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  %Annie% assentiu, os olhos brilhando no escuro, e %Ryan% sentiu como se estivesse se afogando naquele olhar.
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  Ele se inclinou e a beijou novamente, desta vez mais devagar, saboreando cada segundo, cada suspiro que escapava dos lábios dela enquanto %Annie% tirava a calça dele exatamente do jeito que fora instruída.
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  Após se livrar da calça, com cuidado ele a guiou para a cama, deitando-se ao lado dela e puxando-a para perto com o braço bom. A dor no ombro protestou com o movimento, mas %Ryan% a ignorou, concentrado apenas na sensação do corpo macio de %Annie% contra o seu.
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  Ela encaixava perfeitamente no espaço entre seu braço e seu peito, como se tivesse sido feita para estar ali.
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  - Seu ombro. - %Annie% murmurou contra seus lábios, mas não se afastou.
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  - Está bem. - ele mentiu, beijando a linha do pescoço dela.
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  A dor latejava com cada batimento cardíaco, mas ele preferiria morrer a interromper aquele momento.
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  %Annie% se afastou o suficiente para olhar nos olhos dele, e %Ryan% viu a preocupação ali.
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  - Mentira. - ela disse, a voz firme, mas suave.
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  %Ryan% sentiu o peso daquelas palavras. Ela estava certa. Ele estava mentindo e ambos sabiam disso. A dor no ombro pulsava com cada movimento, mas admitir isso significaria parar, e ele não conseguia suportar a ideia de quebrar aquele momento.
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  - A dor não é nada comparada a isso. - ele disse finalmente, a honestidade crua em sua voz. - Comparada a você.
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  %Annie% estudou o rosto dele por um longo momento e %Ryan% sentiu como se ela estivesse lendo cada pensamento, cada insegurança que ele tentava esconder.
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  Ela sorriu, um sorriso pequeno, mas determinado.
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  - Então me deixa cuidar de você. - ela sussurrou, empurrando-o gentilmente de volta para a cama até que ele estivesse deitado contra os travesseiros.
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  %Ryan% observou fascinado enquanto ela se posicionava ao lado dele, o corpo dele reagindo à proximidade dela de uma forma que o surpreendeu.
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  Ele havia esquecido como era sentir desejo assim. Não apenas físico, mas emocional também, como se cada toque dela curasse algo dentro dele que nem sabia que estava quebrado.
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  %Annie% se inclinou sobre ele, o cabelo ainda úmido fazendo cócegas no peito dele enquanto beijava uma trilha suave pelo pescoço. %Ryan% fechou os olhos, concentrando-se na sensação dos lábios dela contra sua pele, no calor do corpo dela contra o seu lado.
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  Quando ela beijou perto da cicatriz no ombro, %Ryan% estremeceu, não de dor, mas de um prazer intenso. Ela estava tocando justamente onde ele se sentia mais exposto, mais frágil, e transformando aquela fragilidade em algo diferente, algo que fazia seu corpo inteiro se aquecer.
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  - Tudo bem? - %Annie% sussurrou contra sua pele, levantando os olhos para encontrar os dele.
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  - Mais do que bem. - ele respondeu, a voz quase irreconhecível para seus próprios ouvidos.
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  As mãos dela exploraram seu corpo com uma mistura de curiosidade e veneração que fez %Ryan% se sentir simultaneamente poderoso e indefeso.
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  Havia algo no olhar de %Annie%, na forma como ela o tocava como se cada cicatriz, cada imperfeição fosse alguma coisa preciosa, algo a ser adorado em vez de escondido.
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  Quando os dedos dela traçaram a linha de pelos escuros que descia pelo seu abdômen, %Ryan% prendeu a respiração, seu corpo inteiro tenso em antecipação.
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  %Annie% pausou, seus olhos encontrando os dele na penumbra do quarto.
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  A chuva continuava a cair lá fora, criando uma música de fundo que isolava aquele momento do resto do mundo. Havia uma pergunta silenciosa no olhar dela, uma última chance de recuar.
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  %Ryan% respondeu levantando a mão para tocar o rosto dela, puxando-a para um beijo que comunicava tudo o que ele não conseguia dizer com palavras.
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  O beijo começou suave mas logo se tornou mais intenso quando ela respondeu, seus corpos se moldando um ao outro de forma que parecia natural, inevitável.
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  %Ryan% sentiu o mundo se estreitar até que só existisse aquele quarto, aquela cama, aquela mulher em seus braços.
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  A dor no ombro se transformou em algo distante, um eco que seu corpo simplesmente escolheu ignorar.
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  A tarefa mais importante para ele agora era se desfazer da calça de moletom que %Annie% usava, afastar qualquer tipo de tecido que o impedisse de sentir por inteiro a pele dela.
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  %Annie% se moveu com ele, ajudando-o a retirar os panos insignificantes, seus movimentos hesitantes no início, mas ganhando confiança conforme ela sentia as reações dele.
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  Quando ela se posicionou sobre ele, %Ryan% teve que fechar os olhos por um momento, tentando se controlar. A visão dela assim, com o cabelo caindo como uma cortina ao redor do rosto, os olhos brilhando no breu, era quase demais para processar.
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  Ele sentiu o corpo inteiro esquentar, parecia até um foguete prestes a deslanchar, não sabia como tinha sobrevivido tanto tempo sem aquilo.
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  Sem sua pele exposta encontrar a de %Annie%.
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  Ela se inclinou e o beijou novamente, mais profundamente desta vez, suas mãos deslizando pelo peito dele com uma confiança que fez o coração de %Ryan% bater ainda mais forte. Ele sentiu todo seu corpo responder a ela, esquecendo momentaneamente da dor latejante no ombro.
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  O quarto estava escuro, iluminado apenas pelos ocasionais clarões dos relâmpagos que atravessavam as cortinas entreabertas.
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  Esses breves momentos de luz revelavam o rosto de %Annie% acima dele, os olhos semicerrados, as bochechas quentes, os lábios entreabertos. %Ryan% nunca tinha visto nada tão lindo em sua vida como %Annie% naquele momento.
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  Ele queria memorizar cada detalhe, cada suspiro, cada tremor que percorria o corpo dela quando se tocavam.
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  A chuva continuava batendo contra a janela, criando uma melodia que parecia acompanhar os movimentos deles, como se a própria natureza estivesse em sintonia com o que acontecia naquele quarto.
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  Quando finalmente se tornaram um só, %Ryan% teve que morder o lábio para conter um gemido que subiu por sua garganta. A sensação era avassaladora, não apenas fisicamente, mas emocionalmente também.
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  - %Annie%. - ele sussurrou, o nome escapando de seus lábios como uma prece.
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  Ela respondeu com um movimento suave que fez %Ryan% perder o fôlego. Não havia palavras para descrever aquele momento.
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  A forma como ela se movia com ele, como se já tivessem feito isso mil vezes antes, como se seus corpos sempre tivessem sido destinados a se encontrar assim.
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  %Ryan% observava cada expressão que passava pelo rosto dela, cada suspiro que escapava de seus lábios. Havia algo quase sagrado na forma como %Annie% se entregava a ele, confiando nele completamente mesmo em sua vulnerabilidade.
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  %Ryan% mal ouvia a chuva agora. Todo seu mundo havia se reduzido àquele momento, àquela mulher, àquela sensação de completude que nunca havia experimentado antes.
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  %Ryan% se perdeu no ritmo que criaram juntos, seus corpos se movendo em uma sincronização que parecia impossível para duas pessoas que nunca haviam estado assim antes. Cada movimento de %Annie% enviava ondas de prazer através dele, mas era mais do que isso.
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  Era como se ela estivesse curando algo profundo dentro dele com cada toque, cada suspiro compartilhado.
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  Ele tentou se concentrar em dar a ela o mesmo prazer que recebia, usando sua mão livre para explorar as curvas de seu corpo, memorizando cada lugar que a fazia arquear as costas ou soltar pequenos gemidos.
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  %Annie% se inclinou para beijá-lo e %Ryan% sentiu como se estivesse se afogando nela, na intensidade do que compartilhavam.
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  Quando %Annie% murmurou seu nome contra seus lábios, %Ryan% sentiu algo dentro dele se despedaçar e se reconstruir ao mesmo tempo.
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  Ele nunca havia imaginado que intimidade pudesse ser assim não apenas prazer físico, mas uma conexão tão profunda que parecia reescrever quem ele era.
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  Seus movimentos se tornaram mais urgentes, mais necessários, e %Ryan% viu nos olhos de %Annie% que ela sentia a mesma intensidade crescendo entre eles. Ele pressionou a testa contra a dela, suas respirações se misturando no espaço pequeno entre eles, ambos perdidos na sensação de estar tão próximos que era impossível dizer onde um terminava e o outro começava.
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  %Ryan% sentiu as unhas de %Annie% cravarem levemente em seus ombros quando ela arqueou as costas, um gemido baixo escapando de sua garganta.
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  A visão dela assim completamente entregue, vulnerável, mas poderosa ao mesmo tempo, quase foi demais para ele suportar. Ele nunca havia imaginado que pudesse sentir algo tão intenso, tão completo.
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  - %Ryan%. - ela sussurrou novamente, e desta vez havia uma urgência em sua voz que fez algo dentro dele se contrair.
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  Ele podia sentir que ela estava chegando ao limite, assim como ele, e a ideia de que pudessem alcançar aquele momento juntos fez seu coração disparar ainda mais.
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  O mundo ao redor desapareceu completamente. A tempestade lá fora, o apartamento, tudo se dissolveu até que existisse apenas %Annie% e a forma como ela o fazia sentir-se vivo de uma maneira que ele havia esquecido ser possível.
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  Na verdade, sequer se lembrava se algum dia havia se sentido vivo antes daquele momento.
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  %Ryan% se concentrou em cada detalhe, o sabor salgado da pele dela quando beijou seu pescoço, o som baixo que ela fez quando ele encontrou um ponto particularmente sensível, a forma como os músculos do abdômen dela se contraíram sob sua palma.
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  Foi ali, no olho do furacão deles, com as mãos de %Annie% entrelaçadas às de %Ryan% e os corpos colados, que as palavras emergiram. Vieram de um lugar tão profundo que ele nem sabia que existia.
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  - Eu te amo. - falaram juntos, as vozes se encontrando e se embolando no quarto abafado.
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  O impacto do que haviam dito reverberou entre os dois como uma explosão silenciosa. %Annie% estremeceu, sentindo o corpo de %Ryan% tenso sob o dela, e por um segundo pareceu que o tempo parara, como quando uma onda gigante se ergue antes de despencar.
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  O silêncio que se seguiu era pesado, carregado de tudo que tinham medo de sentir e de tudo que mais precisavam ouvir.
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  %Ryan% foi o primeiro a recuperar a respiração. Ele olhava para ela sem sorrir, mas havia uma ternura pura e singela naqueles olhos de soldado, algo entre incredulidade e alívio, como se estivesse esperando uma vida inteira por aquele momento, mas nunca tivesse acreditado que realmente aconteceria. %Annie%, por sua vez, mordeu o lábio, tentando conter o soluço de riso nervoso que ameaçava escapar.
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  - Eu achei que… - ela começou, mas não conseguiu terminar a frase. O rosto de %Ryan% se suavizou e ele puxou-a ainda mais para perto, como se ela pudesse desaparecer se ele soltasse.
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  - Repete, por favor. - ele disse, a voz rouca, quase infantil.
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  %Annie% sorriu de verdade agora, um sorriso que doía no peito de tão grande.
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  - Eu te amo, %Ryan%. - ela repetiu, e dessa vez não havia dúvida nem hesitação. - Você não sabe o quanto.
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  Ele fechou os olhos, absorvendo as palavras como quem recebe uma medalha depois da guerra.
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  Para %Ryan%, ouvir aquilo era mais assustador do que o campo de batalha, mas também mais doce do que qualquer coisa que já experimentara.
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  Ele respondeu sem falar, apertando a cintura dela até que %Annie% soltou um ar trêmulo, e os dois riram juntos de puro alívio.
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  Era isso. Ninguém nunca tinha dito aquilo a ele daquele jeito, não naquele instante de completa entrega. E agora as palavras pairavam entre eles, mudando tudo e ao mesmo tempo, deixando tudo exatamente como deveria ser.
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  Quando %Annie% começou a tremer em seus braços, %Ryan% soube que ela estava próxima. Ele a segurou mais firme com o braço bom, ignorando completamente a pontada de dor que atravessou seu ombro e sua costela.
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  %Ryan% viu quando aconteceu, o momento exato em que %Annie% se perdeu completamente. Seus olhos se fecharam com força, a cabeça caindo para trás enquanto seu corpo inteiro se contraía ao redor dele.
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  O nome de %Ryan% escapou de seus lábios como um grito abafado e ela assim, completamente entregue ao prazer que ele estava proporcionando, foi suficiente para levá-lo junto com ela.
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  O mundo explodiu em sensações. %Ryan% sentiu como se cada terminação nervosa em seu corpo tivesse sido incendiada ao mesmo tempo. Sua mão livre encontrou a nuca de %Annie%, puxando-a para baixo até que suas testas se tocassem, ambos ofegantes, tremendo, completamente perdidos um no outro.
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[...]

  Atualmente.

  Casa dos %Madden%. Por volta das 9:30 AM.

  %Annie% tinha profundas olheiras em seu rosto, claramente da péssima noite de sono que tivera. A memória de sua primeira vez com %Ryan% tinha sido vívida demais, não era só um sonho que tinha inundado seu subconsciente, era uma lembrança da plenitude que sentira uma vez.
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  E que agora parecia distante demais.
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  Major não fez perguntas quando a levou de volta para casa, talvez porque o rosto de %Annie% denunciava que ela não estava afim de conversar.
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  E ela não sabia se era por causa do sonho lembrança ou da noite anterior.
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  Quando acordou no apartamento de Walker, na enorme cama que a fez se sentir pequena e fria, entendeu o que de fato tinha acontecido.
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  Todas as emoções tinham voltado à tona como se fossem uma onda forte, quase um tsunami.
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  De ter ido a festa da família %Mackie% sem saber que eram eles os anfitriões, a incredulidade de descobrir a verdade sobre Major, o medo de saber que sua gravidez era de risco e então como se precisasse de algo ainda mais denso sobre sua cabeça, a saudade que tinha de seu amado.
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  Nada disso parecia caber no peito de %Annie%, que travou uma batalha interna o caminho inteiro de volta para casa. Foi breve com Walker e provavelmente fria, mas ela não estava com cabeça para aquilo agora, não quando só queria sua cama para se deitar e chorar.
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  Entrou em casa em silêncio e por um momento achou que estivesse sozinha, até a voz da cunhada ecoar pela sala.
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  - E o quê que você quer que eu faça? - houve uma pausa no tom irritado dela. - Eu já disse que ela não…
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  %Annie% encontrou a figura esguia de costas para ela perto da escada e quando se virou com uma mão segurando o celular na orelha e a outra levantada no ar, Michelle parou.
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  - Michelle, tá tudo bem? - %Annie% franziu o cenho, observando como a cunhada parecia irritada.
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  - Claro, é, problema com clientes. - apontou para o telefone e o afastou brevemente do ouvido. - Sabe como é.
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  Michelle deu de ombros e %Annie% assentiu, até então não tinha visto a mulher tão agitada, mas já tinha escutado algumas conversas um pouco mais firmes pelo telefone nos últimos dias. - Olha, eu te ligo depois, tá? Estou esperando a resposta dela.
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  Michelle desligou o celular segundos depois de se despedir e encarou %Annie% com um sorriso sutil.
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  - E você, hein? - Michelle colocou as mãos na cintura, levantando uma sobrancelha. - Virou a atração do momento, seu rosto tá em todas as páginas de fofoca do Instagram.
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  A cunhada tinha um tom divertido, mas não obteve a reação que esperava de %Annie%, que apenas respirou fundo e foi se jogar no sofá.
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  - Eu sei, até tranquei meu perfil antes da festa. - respondeu em um tom cansado. - Sabia que isso ia acontecer.
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  %Annie% deixou a bolsa em cima do sofá bem ao seu lado enquanto Michelle a encarava confusa, deu a volta e se sentou ao lado dela.
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  - Você não parece feliz depois de ter saído com o seu noivo e passado a noite na casa dele. - concluiu, observando-a com atenção. - Quando o Walker ligou para a sua mãe avisando que você ia dormir lá, ela ficou menos preocupada.
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  %Annie% olhou para qualquer outro lugar menos os olhos da cunhada, receosa em despejar tudo o que estava carregando dentro de si.
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  - É complicado. - foi tudo o que disse, sem querer estender mais aquele assunto.
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  Michelle entendeu a deixa e passou a mão livre nos cabelos.
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  - Sua mãe deixou a lista das coisas para a ceia de Natal. - lembrou e %Annie% a encarou no mesmo segundo. - Eu posso ir com você agora, já estava para fazer uma pausa.
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  Caramba, a ceia de Natal. Tinha até esquecido disso.
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  - Vai ser rápido. - %Annie% se levantou do sofá, pegando a bolsa.
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  - Não se preocupe. - abafou as mãos no ar. - Eu só tenho que fazer uma ligação.
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  %Annie% concordou com a cabeça.
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  - Enquanto isso eu vou trocar de roupa. - avisou antes de sair em disparada escada acima.
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  Quinze minutos depois, %Annie% estava no carro com Michelle a caminho do mercado. O trânsito estava tranquilo apesar de faltarem apenas 5 dias para o feriado, o que era um pequeno milagre considerando como as ruas da cidade costumavam ficar congestionadas nesta época do ano.
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  - Então, há quanto tempo você trabalha com design de interiores mesmo? - %Annie% perguntou, tentando preencher o silêncio desconfortável que tinha se instalado entre elas.
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  Com a correria da recuperação do pai, %Annie% não tivera propriamente um tempo para conversar sozinha com Michelle. Embora admirasse a independência dela, pouco se sabia sobre.
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  Michelle tamborilou os dedos no volante enquanto esperava o semáforo abrir.
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  - Há cerca de cinco anos. Comecei logo depois da faculdade.
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  %Annie% assentiu, observando o perfil da cunhada. Ela tentava não confundir independência com frieza, mesmo sendo uma linha bem tênue no caso de Michelle.
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  A cunhada era sim calorosa, mas de um jeito distante, ela era bem diferente do que %Annie% estava acostumada dentro de sua família e aquilo era intrigante para ela.
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  - E sua família? Eles também são daqui? - a pergunta escapou antes que %Annie% pudesse pensar melhor.
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  Um leve enrijecimento tomou conta dos ombros de Michelle. Ela manteve os olhos fixos na estrada, mas %Annie% percebeu a mudança em sua expressão.
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  - Na verdade, não. - Michelle respondeu após uma pausa. - Meus pais moram em Spero.
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  %Annie% sentiu seu estômago afundar. Spero.
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  - Oh. - foi tudo o que %Annie% conseguiu dizer por um momento. Quase se arrependeu de ter entrado naquele assunto. - Então você não vai poder visitá-los no Natal.
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  Não era uma pergunta, mas uma constatação dolorosa.
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  Michelle soltou um suspiro pesado.
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  - Não os vejo há quase três anos. Desde antes do início da guerra. - ela virou em direção ao estacionamento do mercado. - Quando as tensões começaram a aumentar, eu já estava estabelecida aqui. Decidi ficar.
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  %Annie% sentiu uma onda de compaixão. Por mais complicada que fosse sua própria situação, pelo menos sua família estava por perto.
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  Era uma realidade bem diferente da que a cunhada vivia.
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  Isso explicava muita coisa.
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  - Você consegue falar com eles?
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  - Raramente. - Michelle estacionou o carro e desligou o motor. - As comunicações são monitoradas. Temos que ser... cuidadosos com o que dizemos.
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  Havia uma camada de significado nas palavras de Michelle que %Annie% não conseguia decifrar completamente.
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  - Deve ser difícil. - %Annie% disse suavemente enquanto brincava com o papel em suas mãos.
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  Michelle a encarou por um momento, seus olhos revelando uma vulnerabilidade que %Annie% não tinha visto até então, nem ao menos imaginava que ela poderia demonstrar tal coisa.
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  - É. - Michelle parecia lutar contra uma emoção que ameaçava transbordar. Ela respirou fundo e, após um momento de silêncio, continuou com a voz mais contida. - Meus avós eram poloneses. Judeus. - Michelle desviou o olhar para suas próprias mãos, que agora descansavam tensas sobre o colo. - Eles escaparam do holocausto por muito pouco.
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  %Annie% sentiu o queixo cair enquanto o peso daquelas palavras preenchia o espaço confinado do carro. A história de Michelle parecia tão distante da realidade de Shalom e ainda assim, estranhamente familiar em tempos de guerra.
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  - Eles fugiram para o Brasil quando as coisas começaram a piorar na Polônia, e depois de um tempo veio o tratado e enfim, você sabe o que aconteceu. - Michelle continuou, seu tom deliberadamente neutro, como se recitasse fatos de um livro de história e não tragédias de sua própria família. - Minha avó estava grávida na época. Eles cruzaram fronteiras à noite, escondidos em caminhões de carga. Muitas vezes sem comida por dias.
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  %Annie% notou como Michelle mantinha o queixo erguido e os olhos secos, mas havia uma sutil rouquidão em sua voz que traía sua aparente compostura.
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  - E agora estamos aqui de novo. Fronteiras fechadas. Famílias separadas. - Michelle soltou uma risada sem humor. - A história tem um jeito cruel de se repetir, não é?
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  %Annie% não sabia o que dizer. Quer dizer, existia algo para ser dito? As palavras pareciam inadequadas diante de tanto sofrimento, tanto no passado quanto no presente.
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  Ela mesma teve que lutar contra os olhos marejados.
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  - Desculpe. - Michelle sacudiu a cabeça, como se tentasse afastar memórias pesadas. - Não queria deixar o clima pesado antes das compras de Natal.
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  - Não, por favor. - %Annie% tocou levemente o braço de Michelle. - Eu que peço desculpas por não ter percebido antes. Deve ser horrível estar longe da sua família, especialmente agora.
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  Michelle olhou para %Annie% com uma expressão que havia sim gratidão, mas também algo mais, algo que parecia quase como culpa.
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  - Vamos. - Michelle disse finalmente, desafivelando o cinto de segurança. - Sua mãe vai nos matar se não voltarmos com tudo o que ela pediu para a ceia.
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  Enquanto caminhavam pelo estacionamento em direção ao mercado, %Annie% não pôde deixar de pensar em como as vidas de todas as pessoas ao seu redor pareciam estar sendo afetadas pela guerra, não apenas a sua.
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  Ela foi empurrando o carrinho pelos corredores distraída, apenas fingindo prestar atenção na lista de compras enquanto a história da cunhada ecoava atrás de cada prateleira.
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  - E como você está, de verdade? - %Annie% arriscou, ajeitando o peso da sacola de frutas no carrinho, a voz baixa para não chamar atenção. - Quer dizer, com tudo isso.
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  Michelle hesitou, pegando uma lata na prateleira como se fosse um escudo.
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  - Existem dias em que eu prefiro fingir que está tudo normal, sabe? - ela encarou o rótulo como se decifrasse um enigma. - Como se só estivesse ocupada com trabalho, trânsito. Mas aí acontece alguma coisa pequena, tipo alguém falando em Spero na tv e parece que tudo volta a doer.
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  %Annie% assentiu.
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  Ela entendeu. Entendeu não só pelo peso do olhar de Michelle, mas porque ela também sabia exatamente como era ter o próprio coração sugado e mastigado por uma guerra.
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  A cada passo entre as gôndolas ela sentia o latejar daquela costura aberta na sua vida, o buraco que %Ryan% deixara, a sensação de que o futuro que imaginara evaporara no ar junto com a fumaça dos conflitos, mesmo que ninguém ali ao redor pudesse ver.
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  No fundo, era como se existisse uma trincheira invisível entre ela e o resto do mundo, uma barreira cavada pela dor partilhada mas nunca dita em voz alta.
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  Ela viu Michelle pegar um pacote de biscoitos e o segurar por tempo demais, como se precisasse lembrar das funções motoras básicas para devolvê-lo à prateleira.
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  %Annie% reconheceu aquele gesto, era o mesmo dela quando voltava do hospital ou nos dias em que a ausência de %Ryan% se tornava física e insuportável, a ponto de não conseguir abrir a geladeira sem sentir vontade de chorar.
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  Talvez por isso se sentiu mais próxima da cunhada do que em qualquer jantar de família.
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  A verdade é que cada uma carregava o próprio luto e por instantes %Annie% sentiu inveja daquele estoicismo de Michelle, da dignidade com que ela mantinha tudo trancado, parecendo nunca desmoronar. Mas também sentiu empatia, uma vontade de iniciar uma ponte de confiança para que, talvez um dia, pudessem partilhar mais do que apenas silêncios constrangidos.
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  Realmente, tinha muito que aprender com a cunhada.
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  Quando chegaram ao caixa, %Annie% observou Michelle. Ela quis perguntar mil coisas, se Michelle sonhava em voltar, se tinha medo de nunca mais ver os pais, o que mais ela tinha deixado do outro lado da fronteira, mas achou cruel demais questioná-la com uma enxurrada de perguntas que não era da sua conta.
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  Foi só do lado de fora, empilhando sacolas no porta-malas que %Annie% finalmente deixou a dúvida escapar.
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  - Meu irmão sabe? - %Annie% perguntou depois de um longo silêncio. - Da sua história, quero dizer.
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  Michelle ajeitou as bebidas e olhou para %Annie% de um jeito que misturava respeito e alívio, como se finalmente alguém tivesse ousado perguntar.
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  - Foi a primeira coisa que contei pra ele quando eu soube que ele era do exército. - admitiu. - Achei melhor ele saber logo, antes de qualquer coisa. Pensei que ele fosse surtar.
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  - O Joe? - %Annie% riu, balançando a cabeça. - Ele só surta se você falar mal do time dele. Ou se faltar açaí.
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  Michelle sorriu, mas logo o sorriso murchou.
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  - Seu irmão… ele não é como a maioria. Sabe, muita gente acha que guerra é sobre quem tem razão, mas pra ele era só vidas partidas. Acho que ele gostou de me ouvir, de saber o outro lado.
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  %Annie% lembrou das conversas altas de Joe na mesa de jantar, sempre com opiniões fortes, mas também com aquela mania de ouvir até o fim antes de responder. Ele tinha, talvez como todo mundo em casa, uma fome insaciável por histórias que não fossem as deles.
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  As duas entraram no carro após Michelle fechar o porta-malas.
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  - Nunca imaginei que você fosse se apaixonar por alguém assim. - %Annie% confidenciou assim que as duas se sentaram. - Você tem um jeito tão… - procurou a palavra certa. - Reservado. Se pudesse, acho que morava dentro de um livro.
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  Michelle soltou uma gargalhada sincera, surpreendida pela honestidade súbita de %Annie%.
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  - Acredite, até pouco tempo atrás era exatamente isso que eu fazia.
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  - E agora? - %Annie% cutucou, aproveitando que a barreira entre as duas parecia menos sólida. - Tá gostando de ter uma família barulhenta?
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  Michelle fingiu pensar, apoiando o queixo no pulso.
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  - Não vou mentir, às vezes sinto que estou num colégio. Mas é bom. Melhor que silêncio.
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  %Annie% pegou o gancho.
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  - Então, nenhuma chance de você largar o maluco do meu irmão?
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  - Quase zero. - Michelle respondeu sem hesitação. - Ele é completamente doido, mas… - ela arqueou uma sobrancelha, com aquele jeito conspiratório de quem acabara de confessar um crime. - Eu nunca soube, antes do Joe, que dava para ser feliz assim. Mesmo com a guerra do lado de fora.
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  A sinceridade da resposta pegou %Annie% de surpresa. Ela nunca tinha visto Michelle tão aberta, tão desprotegida.
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  - Ele gosta muito de você, sabe? - %Annie% disse, a voz embargada pelo que parecia ser orgulho, mas também alívio. - Nunca tinha levado nenhuma namorada pra casa antes, não assim.
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  Michelle olhou para baixo, os olhos brilhando.
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  - Sabe, %Annie%, eu nunca consegui me permitir ter ninguém antes. Nunca. Sempre achei que era perigoso demais, ou cedo demais, ou egoísmo querer uma coisa dessas no mundo de hoje.
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  - E o que mudou? - %Annie% perguntou, sua voz quase um sussurro.
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  Michelle apertou os lábios, seus olhos fixos em algum ponto distante além do estacionamento.
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  - Conheci alguém que não teve medo das minhas cicatrizes. - ela pausou, engolindo seco. - Seu irmão... ele viu tudo e ficou mesmo assim.
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  %Annie% observou o perfil de Michelle, ela parecia verdadeiramente aliviada em compartilhar tudo aquilo e não com receio de estar exposta.
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  - Você e Joe são… - %Annie% hesitou, pensando um pouco nas palavras mais apropriadas. - Vocês combinam. De um jeito que eu não entendia, mas faz sentido agora.
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  Michelle sorriu com uma suavidade que %Annie% raramente via.
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  - Ele tem esse jeito de fazer você se sentir segura mesmo quando o mundo está desabando.
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  - É, ele sempre foi assim. - %Annie% concordou, lembrando-se de como Joe a protegera durante toda a vida. - Desde criança. Quando eu tinha medo de dormir no escuro, ele vinha para o meu quarto e inventava histórias até eu dormir.
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  Michelle gargalhou, conseguia imaginar a cena perfeitamente, e ligou o carro saindo rapidamente do estacionamento.
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  A atmosfera entre elas havia mudado sutilmente, não eram mais apenas cunhadas que mal se conheciam, mas duas mulheres começando a se entender.
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  - E você? - Michelle perguntou enquanto examinava a rua à sua frente. - Quando vai me contar o que realmente aconteceu ontem à noite?
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  %Annie% engoliu seco.
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  Ela deveria ter previsto que Michelle notaria algo errado. A mulher era observadora demais.
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  - Não aconteceu nada. - %Annie% respondeu automaticamente, mas as palavras soaram falsas até para seus próprios ouvidos.
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  Michelle encarou %Annie% de relance com uma expressão que dizia claramente que não acreditava nela.
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  - %Annie%, você chegou em casa parecendo que tinha visto um fantasma. E não era só cansaço. - Michelle baixou a voz. - Olha, eu sei que mal nos conhecemos, mas se precisar conversar...
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  %Annie% sentiu um nó se formar em sua garganta. Seria uma libertação contar a alguém, compartilhar o peso que carregava.
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  Mas ela sabia que era perigoso, não porque não confiava na cunhada - agora depois da conversa profunda que tiveram, sabia que podia confiar nela -, se implorasse Michelle não contaria a Joe. Só que o problema nem era esse e sim o que isso acarretaria na vida de Michelle.
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  %Annie% tinha medo de contar para qualquer outra pessoa normal, civil como ela, o buraco que tinha se metido.
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  Contou apenas para Mia porque sabia que ela tinha poder para se defender de quem quer que fosse.
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  Mas Michelle? Não seria responsável por qualquer atrocidade ou até mesmo “acidentes” que poderiam acontecer com ela se soubesse metade da história. Ainda mais ela sendo de Spero… não, isso estava fora de cogitação.
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  - É complicado. - foi tudo o que conseguiu dizer novamente.
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  Não deixava de ser verdade, mas era simplório demais resumir a apenas isso.
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  Michelle a observou por um momento e então assentiu, respeitando seu silêncio.
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  - Quando estiver pronta, estarei aqui.
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  %Annie% respirou fundo, sentindo uma inesperada gratidão pela compreensão da cunhada.
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  O restante do caminho transcorreu em um silêncio tranquilo. Para aliviar a atmosfera um pouco carregada do carro, Michelle colocou uma playlist de músicas animadas de verão, cuja melodia alegre e ritmada capturou a atenção de %Annie%, trazendo-lhe uma sensação de leveza.
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  Assim que chegaram ao destino, as duas trabalharam em conjunto, descarregando as compras do porta-malas e carregando-as para dentro da casa, cada item foi cuidadosamente colocado em seu devido lugar.
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  Michelle então mencionou que retornaria ao notebook, mas assegurou a %Annie% que se precisasse de algo, ela estaria por perto. %Annie% assentiu com a cabeça, absorvendo a gentileza do gesto, antes de chamá-la de volta.
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  - Obrigada. - disse com um sorriso genuíno, um agradecimento que ia além da simples carona até o mercado, englobando toda a generosidade que Michelle havia demonstrado.
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  A magia do Natal estava finalmente tomando conta de %Annie%, ela realmente torcia para que dias melhores viessem, não só para ela.
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Capítulo 15
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