Capítulo 07 • So please, tell me it’s alright in this uneasy mist
Atualmente. Base do exército.
Por volta das 19:00 PM
- Capitão! - %Ryan% parou no meio do corredor ao ouvir alguém chamar, quando virou encontrou um dos soldados da base batendo continência.
- Sim?
- Major Walker o aguarda na sala de comando. - avisou e %Ryan% franziu a testa.
Estava indo para casa, já tinha acertado tudo da missão, por que voltaria para a sala de comando?
- Certo, soldado. - Concordou com a cabeça e o soldado pediu dispensa, que foi concedida enquanto %Ryan% achava estranho o pedido de última hora.
Porém, sem poder retrucar, fez o caminho de volta para a sala de comando e assim que passou sua credencial, viu que parte da sua equipe também estava lá.
Sentiu a tensão no ar e olhou para todos, até encontrar um rosto conhecido.
- Rick? - forçou os olhos e o soldado bateu continência, estava com o rosto machucado e isso fez %Ryan% se aproximar. - O que faz aqui? Sua equipe não estava trabalhando no interior?
- Fomos pegos em uma emboscada, senhor. - respondeu e %Ryan% passou para encarar o Major, sem entender.
A equipe de Rick era liderada por Simpson, seu melhor amigo do exército e também parceiro no começo de sua carreira militar, depois que %Ryan% foi punido uma parte de sua equipe também foi, mesmo que não abertamente e contra sua vontade, Simpson foi um deles. Mandado para outra equipe, uma de inteligência.
%Ryan% e ele ainda mantinham contato, pouco, mas mantinham.
Seu trabalho basicamente era encontrar os terroristas, alvos em potencial que estivessem planejando novos ataques, por vezes ele ficava incomunicável com o resto do mundo já que se deslocava para regiões afastadas.
Então como tinham sofrido uma emboscada?
- Eu mandei a equipe Zeta interceptar uma base terrorista há alguns dias, tendo em vista que a sua equipe estava ocupada com outra missão.
%Ryan% tentou não olhar o Major com ódio. Sim, as missões que nunca davam em nada que o Major os mandava para perder tempo.
A equipe de inteligência não era qualificada o bastante para interceptar terroristas, aquela era função da equipe alfa.
- Só que não era apenas uma base, era onde guardavam os equipamentos e tinham mais recrutas do que imaginávamos. - Rick respondeu e %Ryan% o encarou, não gostando da história.
- Vocês não deviam ter ido até lá. - %Ryan% falou firme, sendo observado em silêncio por todos que estavam presentes. - Se tivessem aguardado mais dois dias, teríamos feito o serviço.
- A ordem foi minha. - Major respondeu firme e seco, olhando para frente.
%Ryan% voltou a encara-lo de queixo erguido e com um olhar suspeito.
- Com todo o respeito, senhor, como não sabia que era uma cilada?
%Ryan% despertou a fúria do Major, que o olhou sem paciência.
Todos na sala podiam sentir as farpas sendo sutilmente trocadas. Ou talvez, nem tão sutilmente.
- Temos informantes, %Mackie%, haviam garantido que ali era uma base inoperante.
%Ryan% sorriu quase irônico.
- E confia mais nos seus informantes do que nos seus soldados?
Major travou o maxilar enquanto fuzilava %Ryan% com os olhos.
- Não o chamei para discutirmos as veracidades das informações dos informantes. - Major rolou os olhos e voltou a olhar para frente.
- E por que estou aqui então?
- Preciso de uma equipe para resgatar os nossos reféns. - ele respondeu a contra gosto e %Ryan% quis rir.
Rir pela incompetência do seu superior, era óbvio que isso terminaria em reféns e banho de sangue.
De novo.
Como sempre, limpando a bagunça dos outros.
- Quantos? - %Ryan% perguntou, olhando para Rick.
- Cinco dos nossos melhores agentes.
- Incluindo um que você conhece muito bem. - Major falou, pegando o controle do projetor em cima da mesa e apertando o botão para mostrar os reféns na tela.
%Ryan% fechou os punhos querendo bater na mesa ao olhar as fotos.
Simpson estava entre os reféns e se tratando de terroristas, ele provavelmente tinha pouco tempo de vida.
Ele tentou controlar a respiração ofegante de puro ódio e olhou para a equipe, mandando-os se prepararem com a cabeça. Assim que bateram continência e saíram, Rick deu um passo a frente.
- Senhor, peço permissão para me juntar a sua equipe. - pediu a %Ryan%.
- Você está claramente machucado, eu não…
- Se tem alguém que conhece aquele lugar sou eu, senhor. - interrompeu, falando com convicção e respirou fundo. - São os meus amigos que estão lá.
%Ryan% sustentou o olhar, não só entendia o sentimento como achava honroso da parte dele.
- Saímos em 5 minutos. - avisou e Rick bateu continência, saindo da sala de comando. %Ryan% estava preparando para sair também, sem se lembrar do Major ao seu lado.
- Cuidado com essa sua mania de questionar tudo, %Mackie%. - escutou a voz do Major e parou onde estava, ainda de punhos fechados.
Ele virou para encarar o superior.
Apenas as patentes diziam que um era inferior ao outro, porque as atitudes de ambos sequer se lembravam desse detalhe. Major não tratava %Ryan% como um capitão, assim como %Ryan% não o tratava como um Major.
Suas questões pessoais estavam enraizadas até mesmo ali, mesmo que fosse errado fazer aquilo no exército.
- Você pode acabar morto por causa disso. - %Ryan% manteve o olhar firme, soou como uma ameaça.
Porém não era a primeira e provavelmente não seria a última vinda do Major. E ele não tinha medo.
- E eu acho bom você falar com os seus informantes porque o sangue derramado nessa missão estará nas suas mãos, Major. Não que você se importe com isso, é claro.
%Ryan% deu as costas e saiu em passos largos da sala, não iria perder tempo discutindo com o Major. Tinha vidas para salvar, seu melhor amigo estava em risco e precisava chegar a tempo.
[...]
Mesmo dia. Casa dos Alcântara.
No mesmo horário.
- Eu vou acabar ficando louca! - Lynn passou a mão no rosto enquanto %Annie% ria discretamente.
- É isso que acontece quando você quer se casar em pouco tempo. - %Annie% respondeu, colocando a mão no ombro da amiga. - Mas está tudo certo, eu consegui falar com a floricultura sobre o arco.
O casamento de Lynn era no sábado, em 4 dias, e tudo o que aparentemente já tinha sido resolvido de repente pareceu ir por água abaixo.
Os parentes que vinham do exterior estavam com o voo atrasado e não sabiam se iriam chegar a tempo, o arco de flores teve que ser levemente alterado porque as rosas brancas estavam em falta, o buffet não sabia se iria servir o prato principal pois um dos ingredientes ainda não tinha chegado da Europa.
Tudo um caos, que %Annie% prontamente ajudou a resolver os pequenos problemas que para a amiga tinham se tornado uma bomba-relógio.
Até porque, falar a palavra adiar estava proibida naquela situação. Lynn tinha deixado claro que não iria mudar a data do casamento por dois motivos, era a data que ela e Connor haviam se conhecido e porque o noivo teria uma missão fora do país, assim como a equipe toda de %Ryan% poucos dias depois.
Então o casamento aconteceria no final de semana, com ou sem comida ou até mesmo sem os parentes.
%Annie% não sabia a gravidade da missão, já que o amado não comentava esse tipo de coisa com ela, mas seu estômago revirava toda vez que pensava sobre isso, não estava com um bom pressentimento. Parecia que uma neblina densa tinha se apossado de sua cabeça desde que recebera a notícia.
%Ryan% tinha um ar de preocupado mesmo que seu tom de voz transmitisse calma e nas últimas semanas, arrumava qualquer motivo para vê-la pessoalmente.
Não era como se fosse reclamar, é óbvio, mas aquilo a deixava preocupada.
- Você já está pronta para virar uma senhora da alta sociedade. - Lynn brincou e viu %Annie% revirar os olhos.
- Deus me livre!
A última coisa que conseguia imaginar era convivendo com pessoas mesquinhas e organizando eventos que não tinham serventia nenhuma, a não ser mostrar as joias mais caras que as mulheres da alta sociedade tinham para esbanjar.
Lynn gargalhou, se jogando contra o sofá.
- Falando em alta sociedade, - Lynn encarou a amiga. - posso te fazer uma pergunta?
- Claro, petunia. - %Annie% sorriu ao ouvir o apelido de infância que usavam, costumavam chamar uma a outra de vários tipos de flores.
- Você convidou a família do %Ryan%? - ela perguntou, incerta.
%Annie% ainda se lembrava que Lynn era da alta sociedade e embora o casamento fosse uma escolha de Lynn e Connor, não era como se fosse impedir de ser o evento do ano, que iria sair em todos os sites de fofoca, e teriam convidados por parte dos pais de Lynn.
E %Annie% não se esquecia um minuto de como a mãe de Lynn era amiga de sua sogrinha querida.
- Eu briguei bastante com os meus pais sobre esse assunto. - Lynn admitiu. - Você sabe que qualquer pessoa que te destratar, está me destratando também. Porém, conhecer eles desde que eu nasci é uma desvantagem para o meu senso moral. Então, mesmo que eu não chamasse, meus pais iriam.
%Annie% suspirou, concordando. Não queria ter o direito de opinar sobre os convidados da amiga, só queria se preparar para o climão que iria ficar caso esbarrasse com a mãe de %Ryan% e torcia para que isso não acontecesse.
- Eu entendo, de verdade.
- O fato de você ser tão calminha ainda é surpreendente pra mim.
%Annie% levantou as sobrancelhas, encarando a amiga um tanto quanto chocada.
- Você quer que eu diga que não vou por causa dela, dias antes do seu casamento?
- Se você fizesse isso, aí sim eu iria te bater. - Lynn concluiu. - Mas eu sei que você jamais faria isso. Embora encontrar com aquela megera não seja tão acolhedor quanto se pode imaginar.
%Annie% afagou o braço da amiga.
- Nem mesmo a morte vai me impedir de ficar do seu lado nesse momento. Como nós prometemos, lembra?
Lynn sorriu, agradecida.
Há muito tempo haviam jurado que iriam assistir o casamento uma da outra e lá estavam, começando a cumprir a promessa.
- Na verdade, vai ser até engraçado. - Lynn começou e %Annie% prestou atenção. - A mulher tem pavor de imaginar você subindo no altar com o filho dela e vai ser obrigada a ver isso mais de uma vez.
A amiga gargalhou, quase maldosa e %Annie% conteve o sorriso.
Um dia quem sabe seria ela no papel de noiva, aguardando subir no altar com %Ryan% ao seu lado.
- Você sabe que eu não sou vingativa. - %Annie% lembrou.
- Eu sei que não. - Lynn deu de ombros - Vingança pode até não ser a resposta, mas às vezes é exatamente o que a pessoa merece.
[...]
- Capitão, tudo limpo.
- Vamos entrar. - %Ryan% falou, olhando para Tej que estava a sua frente, o amigo concordou respirando fundo.
Tej chutou a porta desgastada de madeira e ela se desfez, a equipe alfa entrou no quarto pouco iluminado ainda em posição de combate.
Cada um foi para um lado do cômodo, verificando as outras passagens garantindo que nenhum inimigo estava ali, apenas os que tinham sido interceptados por Connor do lado de fora. %Ryan% sequer se importou com os corpos dos terroristas caídos sem vida, correu até os reféns para garantir a integridade e segurança deles.
- Extraindo agora. - avisou pelo comunicador e ajudaram os reféns a se levantarem.
%Ryan% precisou apoiar Simpson pelo braço em seu ombro para tirá-lo dali, o amigo dele estava ferido. Pelo que viu um corte na perna e um outro ferimento na cintura, fora as marcas de luta no rosto.
- Você está pavoroso, Simpson, mais do que de costume. - %Ryan% falou enquanto saíam do cômodo, era o truque para fazer o amigo permanecer acordado.
- Era só o que me faltava, ser salvo por você a essa altura do campeonato, frangote. - ele riu com o antigo apelido, mal se mantendo em pé e cuspiu sangue.
%Ryan% quis não parecer preocupado mas de todos os reféns, Simpson parecia o que estava em pior estado.
- Me agradeça depois, sim. - %Ryan% falou, queria rir com o apelido também mas estava mais ocupado em observar o lugar em volta em busca de inimigos.
- Aí, eu estou tão cansado corre um pouco devagar. - Simpson falou, a cabeça tombando para frente e %Ryan% trocou olhares com Tej.
Aquilo não era nada bom.
Por isso, %Ryan% parou, guardou a arma no coldre e colocou Simpson em seu ombro para carrega-lo.
- Tej, me cobre. - pediu e o amigo concordou, olhando em volta e esperou que o Capitão fosse na frente. - Já estamos chegando, parceiro.
%Ryan% correu com o amigo nos ombros até a aeronave que os esperava mais a frente, eram poucos metros, assim que colocou Simpson e os demais reféns e sua própria equipe estava lá, a aeronave subiu voo.
- Ele perdeu muito sangue. - um dos reféns avisou, apontando para Simpson.
Estava escuro então %Ryan% acendeu a lanterna para poder ver melhor o ferimento, assim que viu o quão fundo era o corte na perna olhou para Connor, trocaram um olhar rápido e Connor tirou da sua bolsa o cinto para fazer o torniquete.
%Ryan% o fez, apertando o cinto o bastante para estancar o sangue e Simpson reclamou baixo, os olhos perdidos.
- Fica comigo, Simpson. - %Ryan% deu batidinhas no rosto dele, que parecia lutar para não se entregar.
- Você conseguiu a garota de vez, não é? - ele falou baixo e %Ryan% iluminou o rosto dele, estava branco, sem cor nenhuma, mas de alguma forma ele encontrou forças para encarar %Ryan%, esperançoso.
- %Annie%? - Simpson concordou devagar com a cabeça. - Sim, estamos juntos.
- Bom, muito bom. Porque você nunca parava de falar dela no exército, era irritante.
%Ryan% riu baixo, embora sentisse o coração apertar ao ver o amigo daquele jeito.
- Mas nós a salvamos.
- Faça valer a pena. - Simpson pediu, olhando para o teto da aeronave.
- Eu vou, prometo. - %Ryan% sentiu os olhos arderem.
- Lembre-se do seu propósito, %Mackie%.
Assim que a aeronave pousou, %Ryan% jogou o próprio corpo no chão, sem conseguiu tirar os olhos do amigo deitado a sua frente. A ambulância já estava parada um pouco mais afastada, via as luzes vermelhas, mas tudo o que fez foi apertar a corrente que estava em suas mãos ensanguentadas.
Quando os paramédicos chegaram, %Ryan% os encarou e negou com a cabeça silenciosamente, avisando que não tinha mais o que fazer com ele.
Simpson tinha sido morto em combate.
Os reféns desceram da aeronave junto com a equipe alfa e %Ryan% olhou o corpo sem vida do melhor amigo uma última vez antes de cobrirem com um pano branco.
%Ryan% saiu da aeronave em punhos fechados, vendo alguns soldados da base parados e mais atrás uma figura que não queria ver tão cedo.
Em passos largos e arrastados, %Ryan% caminhou em direção ao Major encarando-o com puro ódio, quando chegou perto o bastante bateu no peito dele com o punho fechado e largou a dog tag do melhor amigo nas mãos do Major, sem ficar mais um minuto ali %Ryan% continuou caminhando em direção a base, deixando Major com cara de poucos amigos enquanto segurava a corrente de identificação de Simpson que estava suja de sangue.
Sim, Simpson tinha razão. %Ryan% tinha um propósito e agora mais do que nunca iria perseguir seu destino e só pararia quando conseguisse o que queria.
Vingança.
[...]
%Annie% deu tchau para Lynn que estava com o carro parado na frente da casa da amiga, tinha dado uma carona depois da longa reunião que tiveram sobre o casamento de Lynn e Connor. Tudo estava resolvido.
Entrou em casa, trancando a porta e quando virou-se deu de cara com os pais sentados no sofá encarado-a com um ar de travessos.
- O que foi? - ela sorriu, desconfiada.
- Tem uma coisinha lá no seu quarto. - o pai falou, apontando para as escadas com a cabeça.
Ela franziu a testa e olhou para a mãe, pedindo silenciosamente uma explicação.
- Vai lá. - a mãe encorajou e %Annie% sorriu, beijando os pais na bochecha antes de subir as escadas enquanto tirava os saltos.
Sentiu as pernas ficarem bambas e sorriu largamente ao ver quem estava ali quando abriu a porta.
- %Ryan%! - falou alegremente e estranhou o fato dele estar de uniforme, mas ignorou essa parte por dois motivos: estava surpresas com a visita e adorava vê-lo de uniforme.
Ele virou devagar, o olhar perdido no nada e ela franziu a testa, porém uma coisa chamou a atenção. Os olhos desceram por todo o corpo dele e pararam nas mãos ensanguentadas de %Ryan%, o sorriso dela diminuiu até sumir por completo.
- O que aconteceu? - ela perguntou relutante e viu %Ryan% procurar as palavras certas porém não conseguia, por isso ela se aproximou dele. - De quem é esse sangue?
Os olhos perdidos de %Ryan% encontraram os de %Annie% e ele desabou de chorar, de um jeito que ela nunca tinha visto.
Por instinto, ela o abraçou forte sem saber o que dizer apenas ofereceu conforto do seu abraço. Frágil, ele se encolheu nos braços dela como uma criança desamparada e ela o acolheu, fazendo-o encostar a cabeça em seu ombro de uma forma desajeitada já que fisicamente ele era muito maior do que ela.
Demorou até que ele pudesse levar as mãos até o corpo dela, para retribuir o abraço, foi no mesmo tempo em que os soluços vieram.
- Eu não cheguei a tempo. - ele falou em meio aos soluços e %Annie% fechou os olhos, sentindo a dor dele. - Eu não pude salvá-lo.
%Annie% continuou ali, oferecendo conforto enquanto acariciava a nuca de %Ryan% até que ele se acalmasse, ela sentia a roupa molhar com as lágrimas dele mas pouco se importava.
Estava assustada por vê-lo daquele jeito, mas queria fazer alguma coisa por ele. Qualquer coisa.
- Ei, eu estou aqui. - ela falou e ele fungou, %Annie% se afastou para poder segurar o rosto dele com as mãos, olhando firme em seus olhos vermelhos. - Eu estou aqui.
Ele concordou com a cabeça, limpando o rosto com o braço já que as mãos estavam sujas.
- Vem, você precisa tomar banho, tirar esse uniforme. Eu faço algo para você comer. - ela disse e fez menção de se afastar mas ele a parou, segurando em seu braço.
- Não sai de perto de mim, por favor. - %Annie% engoliu seco ao ouvir a voz fraca dele e não pode dizer que não.
Ela concordou e foi separar uma muda de roupa para ele, tinha algumas em seu guarda roupa, não era bem novidade.
O acompanhou até o banheiro e o ajudou a tirar o uniforme, ele apoiou as mãos na pia e se olhou no espelho. Sequer tinha conseguido lavar o rosto depois da missão, assim como o corpo ainda tinha resquícios daquela que seria a primeira noite amarga de sua vida. Tinha se sentido insignificante, até mesmo incompetente.
Vendo o namorado chorar silenciosamente dessa vez, %Annie% o abraçou pela cintura e encostou o rosto nas costas dele, depositando um beijo na pele nua.
- Eu te amo. - ela falou baixo mas com convicção e ele concordou com a cabeça, levando a mão para acariciar a de %Annie% que envolvia seu corpo.
Ela não precisava falar, estava demonstrando em seus gestos, mas ouvir aquilo confortava o coração dele. Era a certeza de que tinha alguém com ele em seus piores momentos.
Os dois tomaram banho juntos, %Annie% para tirar o cansaço daquele dia e %Ryan% para apagar os vestígios de sua missão. Ela o ajudou a lavar a cabeça, fazendo um carinho nele durante o processo.
O tempo todo ficaram em silêncio, não precisavam falar nada, as carícias e os olharem diziam tudo.
Assim que acabaram, voltaram para o quarto de %Annie%, %Ryan% ficou na cama enquanto ela descia para levar coisas para comerem. Os pais dela já tinham ido dormir há um tempo então ela se esforçou para não fazer nenhum barulho.
Quando voltou, %Ryan% ainda permanecia com o olhar distante embora não derramasse mais nenhuma lágrima nos olhos ainda vermelhos.
%Annie% deixou as coisas na ponta da cama e sentou perto dele, de frente.
- Você quer me contar o que aconteceu?
%Ryan% a encarou, estava relutante porque não queria deixá-la em estado de choque mas se bem que depois de tê-lo visto chorar, qualquer coisa justificaria.
- Eu sei que você não gosta de comentar sobre o seu trabalho… - ela deixou a frase morrer e %Ryan% segurou a mão dela, acariciando sutilmente.
- Tudo bem. - ele respirou fundo antes de começar: - Você deve se lembrar vagamente do Simpson. - %Annie% procurou no fundo de sua memória. - Era um dos soldados da minha equipe na invasão dos rebeldes.
- Acho que me recordo dele.
- Simpson era meu melhor amigo do exército. - ele sorriu triste e então o olhar se perdeu nas lembranças. - Quando eu me alistei, não fui para a mesma base do Connor, ele já era militar então treinava em um QG diferente, como eu era novato fui para uma base que daria um treinamento rápido para a guerra, basicamente. Simpson foi convocado, assim como Joe, diferente de mim que fui como voluntário. Ele achou que eu era um desses playboyzinhos que iam pro exército pra conseguir mulher.
- Em defesa dele, você tinha essa cara mesmo.
%Annie% deu de ombros e %Ryan% riu fraco.
- É, eu sei. Foi por isso que ele quis ser meu parceiro, achou que eu podia ajudá-lo a dar conselhos a como pegar mulher. - rolou os olhos. - Até que eu disse porque tinha me alistado. - %Ryan% encarou %Annie%. - Por você.
Ela sorriu tímida.
- E ele?
- Riu de mim. Por pelo menos uns 15 minutos. Disse que eu era um covarde, e nisso eu concordo com ele. - ele falou rápido antes que %Annie% pudesse retrucar, já que abriu a boca para responder. - Ele me xingou durante dias, me botou na realidade, disse que eu tinha que parar de ser o bebê da mamãe que aceitava tudo que os pais mandavam. Ele me motivou, a ir atrás de você depois da guerra e a ser um bom soldado. Ele estava disposto a me transformar no soldado perfeito e me empenhei a isso porque foi a primeira amizade sincera que eu consegui.
"Não me leve a mal, Lynn e Connor são e sempre foram meus amigos, mas por conta das nossas famílias, eu nunca precisei me esforçar para ter amigos, meus pais sempre arranjavam para mim. Claro que o fato de eu querer a amizade também ajudava. Mas ali no exército, era diferente, ninguém se importava com classe social. Nenhuma dessas coisas fúteis importavam, apenas o que nós estávamos lutando para salvar.
Simpson viu alguma coisa em mim, todos os dias ele me dizia que eu tinha um propósito e que devia correr atrás dele, cada obstáculo que aparecia eu tinha que atravessar."
%Ryan% parou por um tempo e %Annie% se aproximou para acariciar o rosto dele com a mão livre.
- Nos destacamos na nossa base e nos mandaram para a equipe alfa. - ele respirou fundo, sendo vago em como aquilo havia de fato acontecido. - E eu sempre falava de você para ele, e ele me aconselhava. Dizia que se eu não saísse de lá e fosse procurar você, ele mesmo me matava por ser tão burro. Eu prometi que iria atrás de você.
- Você não precisou se esforçar tanto. - %Ryan% sorriu, levando a mão que segurava de %Annie% até os lábios para depositar um beijo.
- Não, o destino se encarregou disso. Veio a invasão e depois, ele foi designado a outro trabalho. - ele engoliu seco, quase soltando a verdade para %Annie%. - Um mais tranquilo. Só que emboscaram a equipe dele e eu cheguei tarde demais.
%Annie% suspirou.
- Você não precisa…
- Não, tá tudo bem, amor. - ele a interrompeu, precisava falar ou saberia que aquilo o consumiria. - Ele estava vivo quando o resgatei, mas muito ferido, tinha perdido muito sangue, no caminho de volta para casa, eu sabia que ele não iria resistir mesmo que tivesse um resquício de esperança e perguntou se eu estava com você, ele ficou feliz quando eu disse que estava.
%Annie% sentiu os olhos marejarem e sorriu triste.
- Ele me lembrou de novo do meu propósito e então, se foi.
%Annie% levou uma mão até o rosto para enxugar as lágrimas, sentia a dor de %Ryan%.
- Eu sinto muito, de verdade. - ele sorriu agradecido e sem ter o que dizer, puxou a namorada para um abraço apertado.
Enterrou o rosto no pescoço dela, sentindo o perfume que o acalmava.
- Eu não sei como te agradecer. - ele falou e ela sorriu de leve, afagando as costas dele.
- Não precisa e você não precisa falar nada. É a minha vez de te garantir que tudo vai ficar bem, mesmo que pareça que não.
%Annie% beijou o rosto de %Ryan% e ele se afastou para que ela pudesse distribuir beijos por toda a extensão da pele dele, para no final encostar o nariz no dele em um carinho manhoso.
- Eu estarei com você, sempre.
- Eu devo ter feito alguma coisa de muito boa pra merecer você.
%Annie% sorriu largamente, encostando as testas sentindo que todo o amor que transbordava por ele cobrir toda a atmosfera de seu quarto.
Naquele momento, era apenas isso que podia fazer por %Ryan%, conforta-lo e ama-lo.
Para ele, era mais do que precisava.
[...]
Sexta-feira. Estrada principal.
21:27 PM.
%Ryan% dirigia pela estrada enquanto %Annie% avisava pelo celular à amiga que já estavam a caminho.
A missão dos padrinhos era chegar à noite para poderem se acomodar na fazenda dos Alcântara, ordens da noiva. Ela se sentiria mais tranquila sabendo que nenhum padrinho iria se atrasar no dia seguinte porque já estavam no local do casamento.
Na verdade, foi uma desculpa para poder animar um pouco o humor dos padrinhos que ainda estavam de luto por Simpson.
Porém, %Ryan% havia lembrado aos amigos que o Simpson não iria querer que sofressem por sua morte a ponto de não viverem a festa de casamento de Connor.
Por isso, ele animou os padrinhos a fazerem como Lynn havia sugerido. Precisavam entrar no clima do casamento.
Ele mesmo precisava daquele momento depois do funeral.
Foi um funeral emocionante, digno de um militar e %Annie% não saiu do lado de %Ryan%, mesmo ele tendo garantido que não precisaria pois ela teria que trabalhar - o que nem acabou acontecendo já que o Secretário também foi -, ela sentia que precisava fazer aquilo por ele. Queria estar com ele.
E assim foi. Tinha visto um lado de do namorado que nunca havia imaginado, mas se sentia especial por saber que ele tinha confiado nela para mostrar o seu lado mais vulnerável.
Sentia que o laço entre eles estava mais forte.
O casal conversou sobre assuntos aleatórios durante o trajeto, riram e esqueceram dos problemas e preocupações.
%Annie% acariciava a nuca de %Ryan% de vez em quando, o rapaz tinha cortado o cabelo ontem como dissera que faria. Não podia mais brincar com os fios curtos como fazia.
Mas ela tinha que confessar que gostou do corte, ele parecia mais maduro e estava terrivelmente mais bonito.
Depois de um tempo, estacionaram na propriedade dos Alcântara e viram Lynn junto a seu noivo saindo da fazenda para recepcioná-los.
Se cumprimentaram com fortes e nervosos abraços, Lynn estava tão ansiosa que não conseguia parar de sorrir e %Annie% parecia sentir o nervosismo dela como se fosse seu.
Connor e %Ryan% pegaram as malas no carro enquanto Lynn e %Annie% iam em direção a porta de entrada, conversando sobre os detalhes do casamento.
- E seus pais? - a amiga perguntou, depois de perceber que só o casal tinha vindo quando o convite dela tinha se estendido aos pais de %Annie%.
- Virão mais cedo amanhã, minha mãe ainda quer acertar algumas coisas do topo do bolo.
A primeira coisa que Lynn fez ao começar a ver as coisas do casamento foi contratar a mãe de %Annie% para fazer o topo do bolo de 5 andares que havia encomendado, adorava o trabalho da mãe da amiga e sabia que podia confiar.
- Não precisa fazer essa cara. - %Annie% riu abraçando a amiga pelos ombros ao vê-la olhá-la com preocupação. - Ela vai chegar na hora. - garantiu.
- Eu estou tão nervosa que não sei no que pensar primeiro. - admitiu.
- Ainda bem que a sua mãe te deu aquele combo de massagens, você realmente vai precisar amanhã.
Lynn concordou e mais atrás Connor e %Ryan% também conversavam.
- Pronto para amanhã? - %Ryan% perguntou, curioso.
Conhecia Connor há tanto tempo que mesmo que ele não demonstrasse nervosismo, sabia que ele estava.
- Cara, eu nunca estive tão nervoso. - admitiu, negando com a cabeça.
- Mais do que a sua primeira missão em campo?
- Nem se compara. - Connor respondeu e olhou para a noiva mais à frente, um sorriso bobo brotou. - Mas saber que eu e a Lynn seremos um em tão pouco tempo, já é o suficiente para saber que fiz a escolha certa.
%Ryan% olhou para o amigo e sorriu de lado, orgulhoso. Estava feliz pelos dois, tinha acompanhado a história de perto e era estranho ver os caminhos que a vida tinha levado os dois.
Por isso, seus olhos inevitavelmente foram para %Annie% e suspirou inconscientemente.
Queria tanto o mesmo com ela, queria ter as mesmas sensações que os amigos estavam sentindo na noite anterior ao casamento.
Mas antes que aquele dia chegasse, ele tinha coisas a fazer primeiro.
Assim que os casais entraram na casa, Lynn os direcionou para o quarto em que ficariam.
- Só para te lembrar, os maquiadores e cabeleireiros chegarão às 08h em ponto. Então durma bem e cedo para não acordar atrasada.
- Sim, senhora. - para tentar dissipar o nervosismo de Lynn, %Annie% bateu continência de forma engraçada e arrancou risadas dos rapazes.
- Você e o %Ryan% tão se tornando a mesma pessoa. - Lynn revirou os olhos e saiu do quarto desejando boa noite e Connor a seguiu rindo.
- A gente também te ama. - %Ryan% gritou e olhou para %Annie% que ria também.
Deixaram as malas no canto do quarto e trocaram de roupa, bom, na verdade %Annie% trocou porque %Ryan% tinha ficado apenas de cueca. Era um hábito que ela já tinha se acostumado.
Deitaram-se na cama juntos, %Ryan% a abraçando firme e a mantendo grudada contra seu próprio corpo, %Annie% aproveitou para brincar com os dedos da mão dele enquanto esperavam que o sono viesse.
E não tardou.
Mas com ele vieram os pesadelos, para %Ryan% e %Annie%.
Enquanto o rapaz voltava a cena de %Annie% sendo arrastada pelo cara alto com uma arma apontada para a sua cabeça, dessa vez ele chorava no sonho e implorava para que ela fosse libertada.
Mas isso não aconteceu porque o final foi o mesmo.
Já %Annie% estava mais uma vez revivendo a cena da invasão dos rebeldes, %Ryan% levando os tiros por ela e caindo no chão enquanto sangrava. Só que dessa vez, quando levantava a cabeça para pedir ajuda, uma figura alta e imponente cobria seu campo de visão.
O mais estranho era que ele segurava algo nos braços de forma possessiva.
%Annie% lutou contra a luminosidade para entender o que era e quando percebeu, um arrepio percorreu o seu corpo, pois era um bebê. Com os olhos de %Ryan%.
Ela acordou com o barulho estrondoso do alarme e ao abrir os olhos, viu que %Ryan% procurava o celular com o olho ainda fechado.
%Annie% sentia o corpo doer, seus olhos estavam pesados e ela sabia que era por causa do pesadelo. Tinha sido real demais, a sensação que teve ao ver o bebê sendo segurado por aquela pessoa era indescritível.
%Ryan% desligou o alarme e virou para encarar a amada que sorria com um olho aberto.
- Bom di… - antes que sequer pudesse terminar de falar, a porta fora aberta do nada.
- Estou entrando, vistam-se porque eu não quero ficar traumatizada no dia do meu casamento. - Lynn entrou, cobrindo os olhos com a mão enquanto entrava no quarto. %Ryan% e %Annie% sentaram na cama, trocando olhares confusos.
- O que raios você está fazendo aqui às 07 da manhã, Alcântara? - %Ryan% perguntou, incrédulo.
Lynn afastou a mão dos olhos e notou que era uma imagem segura para ver e então colocou as mãos na cintura.
- Vim buscar a minha madrinha para tomar café antes que os maquiadores cheguem.
Ela foi até o lado de %Annie% e puxou a amiga pelo braço.
- Eu posso pelo menos acordar? - %Annie% riu baixo, afastando a coberta do corpo e tirando as pernas da cama.
- Você não tinha como ser menos inconveniente? - %Ryan% perguntou, voltando a deitar na cama, com as mãos atrás da cabeça.
- Não teste a minha paciência hoje, %Mackie%. - Lynn rolou os olhos e %Annie% reparou como a mão dela estava gelada e suada, não precisava daquilo para constatar que a amiga estava uma pilha de nervos pois era visível no rosto dela. - Nós temos horário a cumprir se eu quiser casar às 18h em ponto.
- E eu pensando que era meu dia de folga, parece que dormi e acordei no QG. - %Ryan% brincou, %Annie% riu discretamente e Lynn o olhou com tédio.
- Tá bom! - %Annie% abaixou o braço da amiga que já erguia para mostrar o dedo do meio ao amigo. - Vamos, não queremos te atrasar. - ela empurrou a amiga pelo ombro e a acompanhou, virando a cabeça para trás e mandou um beijo para %Ryan% que apenas riu, virando para enterrar a cara no travesseiro.
Enquanto iam até a mesa para tomar café que já tinha todas as madrinhas a postos, Lynn falou todo o cronograma daquele dia um pouco rápido demais e %Annie% tentou acompanhar mas a amiga sempre que ficava nervosa falava sem nem ao menos respirar e esse era o caso hoje.
%Annie% não tentou conter a amiga ou algo do tipo, até porque Lynn ficaria um bom tempo da manhã recebendo massagens para relaxar e elas iriam se ver perto do horário do casamento. O único tempo que teriam para conversar era aquele.
O café foi agradável, ela conseguiu se enturmar ainda mais com as respectivas parceiras dos membros da equipe alfa e algumas primas de Lynn que também subiriam ao altar.
%Annie% acompanhou as madrinhas quando a equipe do salão chegou, ela seria a última a fazer a maquiagem e sabia que Lynn tinha feito isso de propósito pois confiava apenas na amiga para conferir os últimos detalhes do casamento.
%Annie% despachou Lynn para a massagem no mesmo instante e a mãe da amiga agradeceu com um sorriso.
Não tinha tanta coisa para fazer, na verdade, ambas já tinham resolvido o que restava durante a semana.
%Annie% não podia ignorar o frio na barriga, só não estava mais ansiosa do que a noiva por motivos óbvios. Estava tão contente por dividir aquele momento com a melhor amiga que sequer parecia real, por isso sua mente acabou vagando em todos os momentos em que uma estava do lado da outra, Lynn era a irmã que %Annie% nunca teve.
Só voltou a si quando o maquiador chamou o nome dela pela terceira vez, ela sorriu sem graça e trocou de lugar com a prima de Lynn que tinha acabado de fazer a maquiagem.
Ela já tinha feito o teste de maquiagem há algumas semanas atrás, mas decidiu lembrar ao maquiador que não queria nada muito artificial.
A maquiagem de %Annie% era discreta mas típica de uma festa, o olho esfumado com um pouco de marrom no canto e um tom um pouco rose com um delineado fino, os cílios postiços e um batom rosado que imitava o famoso "cor de boca". A pele bem trabalhada levou um tempo e %Annie% quase dormiu na cadeira, nem percebeu que tinha ficado tanto tempo sentada quando o cabeleireiro chamou para que ela fosse até ele, quando ela levantou e viu que o sol estava para se pôr, o frio na barriga voltou ao notar que a hora estava chegando.
Com o cabelo ela manteve a mesma discrição, preferiu fazer ondas e deixá-los soltos. Depois, com todas as madrinhas prontas e Lynn na sua sala própria se arrumando, era a hora de colocar a roupa da festa.
%Annie% escolheu um vestido longo sem alças e com uma fenda no lado direito, a cintura e o busto dela estavam bem valorizados pelo vestido. A cor escolhida por Lynn para os vestidos das madrinhas foi azul marinho então %Annie% optou por usar sandália de salto alto pretas.
Colocou seus brincos redondos pequenos, alguns anéis e um colar prata de pedras. Estava pronta e nervosa, as mãos suavam e ela sentia as palmas geladas.
E a sensação não parou quando ela deu de cara com %Ryan% na porta do quarto onde se arrumava.
Na verdade, ele acabou trazendo outras sensações como pernas bambas e respiração falha. Ela o encarou de cima a baixo e não existia nenhuma palavra que fizesse jus a beleza dele.
Já tinha visto o namorado com o uniforme formal, mas o verde era bem diferente daquele que %Ryan% usava no momento.
Era um azul marinho tão escuro que de longe poderia ser facilmente confundido com preto, os detalhes nos ombros e mangas em dourado, as medalhas de %Ryan% estavam do lado direito do peito e ele acabava de colocar o chapéu.
%Annie% suspirou como uma boba apaixonada e viu o namorado sorrir largamente para ela, também a analisando de cima a baixo.
Automaticamente ele levou a mão até a cintura dela e a trouxe para mais perto, não queria passar um segundo afastado dela ou seria consumido pelas cenas do que realmente queria fazer com aquele vestido.
- Cadê o seu terno? - ela perguntou curiosa, levando uma das mãos até o ombro dele, com medo de amassar a roupa. - Achei que só a Marinha usava esse tipo de uniforme.
%Ryan% beijou a bochecha da namorada e respirou fundo o perfume dela.
- Digamos que é uma das surpresas do Connor para a Lynn. - ele piscou para ela que riu, incrédula.
- Ela não sabe que vocês estão vestidos assim? - %Ryan% negou com a cabeça e %Annie% riu.
- Por que você acha que o Connor a convenceu de trocar a cor das madrinhas? Ele já estava planejando isso há muito tempo.
- Lynn provavelmente ficaria brava porque o vermelho não iria combinar com o tecido do terno de vocês. - %Annie% falou, alisando o ombro do namorado e admirando os detalhes mais de perto.
- Já o azul que você está usando… - %Ryan% deixou a frase morrer e %Annie% sorriu, parando para analisar o contraste dos tons das roupas.
Lynn poderia até ficar brava porque o noivo não tinha avisado antes, embora soubesse que a amiga iria amar a surpresa, mas não poderia reclamar que Connor não havia pensado na harmonia.
%Annie% estava tão ocupada observando as roupas que só foi perceber que %Ryan% se inclinava para beija-la quando os lábios dele tocaram os dela suavemente. Uma, duas, três vezes.
Ele estava prestes a intensificar o beijo porém %Annie% o impediu, levando a mão até o peito dele e o empurrando de leve.
- Eu não posso estragar a maquiagem. - ela avisou, se desvencilhando de %Ryan% que reclamou.
- Depois você retoca. - ele tentou beija-la novamente e foi preciso muito auto controle para ela afastar a cabeça no exato momento.
Ela sabia que um beijo mais intenso levaria a um segundo, a um terceiro… que não iria acabar só em um beijo. E estavam no meio do corredor com o casamento praticamente prestes a começar.
- %Ryan%! - ela riu, conseguindo escapar dos braços dele e viu o biquinho que ele fez. - Se comporta, você vai ter muito tempo pra tirar o meu batom.
Ele cruzou os braços e a pose de soldado passou bem longe.
- O seu batom não vai ser a única coisa que eu vou tirar. - respondeu convicto e %Annie% sentiu as bochechas queimarem.
- Eu não posso chegar com a boca inchada e vermelha porque não só a Lynn vai me matar, o maquiador também.
- Eu tô muito preocupado com os dois. - ele rolou os olhos e %Annie% riu, se afastando para ir ao quarto onde Lynn se arrumava.
- Daqui a pouco a gente se vê. - ela jogou um beijo para ele e então foi para o quarto, perdendo a forma como %Ryan% a encarava.
Como se ela fosse a única mulher no mundo, na verdade, para ele %Annie% era a única mulher no mundo!
Se sentia sortudo e ainda mais apaixonado por ela, não sabia como isso era possível, mas cada pensamento, cada ação dele era sempre nela e por ela.
%Ryan% não existia sem ela.
Se estava ali, se sentindo feliz e livre depois de tudo, era graças a ela.
Ele respirou fundo ao ver que estava encarando a porta já que %Annie% tinha entrado há sabe-se lá quanto tempo e decidiu ir até os padrinhos no andar de baixo.
Quanto a %Annie% não estragar a maquiagem, ela estava tentando muito mas era impossível lutar contra as lágrimas que encheram seus olhos ao ver a amiga pronta.
Lynn usava o vestido de casamento da avó, embora fosse antigo e o que muitas mulheres da alta sociedade chamariam de "fora de época", ela usava o vestido com tamanha confiança que nela ficava elegante.
A ponta da saia longa e clássica era bordada com rendas que subiam até o meio, a cintura de Lynn era muito bem marcada pelo bustiê de renda que terminava no pescoço dela, o vestido não tinha mangas e Lynn aproveitou para fazer um coque alto com duas mechas onduladas soltas de cada lado, a coroa que usava era imponente e combinava perfeitamente com o vestido, e com os brincos discretos que usava.
Embora o maquiador não tivesse carregado de maquiagem os olhos de Lynn, os lábios dela estavam desenhados com o batom vermelho.
%Annie% até sorriu quando viu o batom vermelho, aquela era a cor favorita da amiga e não iria faltar em seu visual.
%Annie% abraçou a amiga com cuidado depois que o maquiador a ajudou a não borrar a maquiagem, Lynn tremia e as mãos estavam geladas nas costas de %Annie% que tentou acalma-la, mas sabia que seria em vão.
A cerimônia iria começar em poucos minutos, não teria maracujá o suficiente que faria Lynn ficar menos ansiosa.
Conversaram rapidamente e ao ver a amiga feliz, %Annie% sentiu que seu dever tinha sido cumprido e saiu do quarto com o coração leve, os pais de Lynn já estavam na porta esperando para verem a filha. Estavam tão nervosos e elegantes quanto ela.
%Annie% se juntou as padrinhos e madrinhas que estavam sendo orientados pela assessora, como iria acontecer a entrada de cada casal, a ordem e para qual lado iriam.
%Ryan% achou %Annie% primeiro e estendeu a mão para ela quando os olhos encontraram os dele, ela sorriu nervosa e aceitou a mão do namorado e se aproximou dele.
%Ryan% comentou como a capela, que era grande demais para ser chamada de capela, estava lotada com os convidados. Não era surpresa afinal, até onde sabia eles haviam enviado pelo menos 300 convites, isso porque a cerimônia era privada ou então até a mídia apareceria.
Conversaram por um breve tempo até a assessora avisar que a cerimônia iria começar, %Ryan% levou a mão de %Annie% para que ela apoiasse em seu braço e ela o encarou nervosa, sentia um frio em seus pés e não era por causa do tempo já que estavam em plena primavera.
Eles seriam o último casal antes da entrada dos noivos, era para deixar qualquer um ansioso.
%Ryan% aproximou a boca do ouvido de %Annie% e sussurrou um 'eu te amo' enquanto a fila andava e ela sorriu discretamente, sentindo as pernas bambas.
Ela respirou fundo antes de entrarem na capela, se iria fazer aquilo então iria fazer direito, levantou a cabeça e de queixo erguido ela e %Ryan% entraram juntos.
Em passos suaves e sincronizados, caminharam pelo tapete vermelho com os olhares voltados aos dois. %Annie% encarava o fotógrafo, conhecia boa parte da família de Lynn mas eles eram minoria, sabia que os amigos milionários e as madames estavam ali, e uma em especial se pudesse lançar espinhos pelos olhos com certeza iriam direto no rosto de %Annie%.
Mas ela sequer se lembrou dos soberbos que a analisavam dos pés a cabeça, manteve sua postura e ritmo até chegarem no altar.
Depois dos padrinhos, foi a vez da mãe da noiva e do pai do noivo entrarem juntos, em seguida foi a vez de Connor.
%Ryan% segurou a risada ao escutar os amigos brincando com o fato de Connor estar tão nervoso que era visível para qualquer um, especialmente aqueles que conheciam o noivo em situações muito extremas. Ele não era de ficar nervoso nem em batalha.
Mas %Ryan% conseguia imaginar como o amigo estava se sentindo e foi por isso que decidiu brincar com Connor na festa, quando ele estivesse mais tranquilo e bêbado.
Connor manteve a postura rígida até a entrada de Lynn, quando a noiva entrou foi difícil para ele segurar as lágrimas e o fato foi não só fotografado, como também gravado. Assim como a expressão de surpresa ao ver que o terno do noivo não era bem o que tinham escolhido na loja.
A cerimônia não foi longa e passou em um piscar de olhos, %Ryan% afagava a mão de %Annie% toda vez que ela tombava a cabeça para segurar o choro.
Os cumprimentos ficaram para depois, Lynn aproveitou para trocar de vestido para a recepção. Um vestido curto branco de renda e sandálias pratas.
%Annie% chorou de verdade ao abraçar Lynn quando chegou a vez deles cumprimentarem os noivos e a amiga fez o mesmo, apertando-a forte.
- Você está linda, eu já te disse isso antes, mas você está. - %Annie% falou e então se afastou da amiga, a ajudando a secar as lágrimas sem estragar a maquiagem.
- Já vi umas duas socialites me olharem torto. - Lynn fez uma cara de deboche e %Annie% riu. - Não que eu me importe.
Ela deu de ombros e a amiga a abraçou mais uma vez.
- É inveja que você casou com um homem que ama e não porque é milionário. - %Annie% sussurrou e a amiga gargalhou.
- Quem diria, hein %Madden%. - Lynn se afastou, sorrindo maldosa. - Você está andando muito comigo.
%Annie% piscou e foi a vez de %Ryan% cumprimentar a amiga enquanto %Annie% cumprimentava Connor, conversaram rapidamente porque outros convidados estavam na fila e se dirigiram a mesa dos padrinhos.
A música de fundo era agradável para o jantar que estava para ser servido, a mesa dos padrinhos era a mais animada.
%Ryan% e %Annie% foram cumprimentar os pais dela na mesa em que estavam, e ficaram um tempinho ali. O bastante para o fotógrafo aproveitar e tirar uma foto da família, e %Ryan% elogiar o trabalho da mãe de %Annie%.
Quando voltaram para a mesa dos padrinhos, %Annie% engatou em uma conversa animada com as parceiras dos militares, tinham tanto em comum e muito o que conversar enquanto comiam.
A comida estava boa, %Annie% elogiava a cada 10 minutos e não conseguia parar de comer, estava com uma fome fora do comum e imaginava que fosse por causa de todo o nervosismo antes do casamento.
Comeu tanto a ponto do vestido ficar mais apertado, foi então que percebeu que deveria parar e ir até o banheiro já que a bexiga estava cheia.
- Eu já volto. - ela avisou %Ryan%, depois de apoiar a mão no ombro dele para chamar sua atenção brevemente.
Ele estava conversando com os amigos, de pé ao lado da mesa e concordou com a cabeça, sorrindo largamente para a namorada.
- Vai lá, eu estarei aqui. - garantiu e ela sorriu em resposta.
O banheiro era um pouco afastado das mesas então levou um tempo para %Annie% voltar, principalmente porque usar o banheiro com aquele vestido era uma tarefa um pouco difícil mas que ela conseguiu.
Lavou as mãos e conferiu sua aparência no espelho, chocada que a maquiagem e o penteado continuavam intactos.
Quando saiu, a sandália de %Annie% acabou prendendo em um mato pequeno que não tinha sido aparado devidamente e ela precisou chutar o ar para tirar aquele negócio que começou a pinicar o pé dela, porém assim que chutou o ar uma pessoa passou na sua frente e ela acabou acertando a canela.
- Aí meu Deus, me desculpa! - envergonhada, começou a falar rápido e levantou a cabeça olhando para o homem que olhava para a própria perna. - Eu sinto muito, eu não fiz de propósito. Eu…
- Está tudo bem, %Annie%. - ela parou de falar assim que o homem levantou a cabeça, sorrindo para ela. - Se esse é o preço de vê-la radiante, fico feliz em pagá-lo.
Todo o seu bom humor de dissipou em segundos ao ouvir a voz do Major Walker.
Ela então se sentiu pequena e inconscientemente seus ombros encolheram enquanto sentia o olhar fixo dele descer por todo o seu corpo.
A comida voltou em sua garganta, mas ela trincou os dentes, não iria colocar tudo para fora por causa dos truques de sedução baratos dele.
- Me desculpe mesmo, Major, eu não te vi. - falou um pouco mais séria e ele tombou a cabeça para o lado.
- Já disse que está tudo bem. - garantiu e %Annie% concordou com a cabeça, pronta para voltar até a sua mesa. - Fico feliz que tivemos a oportunidade de nos falarmos. A sós.
Ela respirou fundo, engolindo a resposta rude, sequer tinha lembrado da existência dele no casamento até aquele momento, e olhou para o lado em um mudo sinal de incomodo.
Que foi ignorado pelo Major.
- Foi uma cerimônia bonita, não? - ele puxou assunto e %Annie% o encarou perplexa.
Ou ele realmente não tinha percebido ou simplesmente não se importava.
Do outro lado da festa, %Ryan% procurava %Annie% com os olhos e ao ver que o Major entrava na frente dela para impedi-la de andar, ele virou o corpo todo pronto para andar até lá e tirar %Annie% da frente dos olhos famintos dele.
Com punhos fechados, ele deu o primeiro passo e foi interrompido pela mãe que se colocou na frente de repente, fazendo-o dar dois passos para trás.
- Será que eu conseguirei falar com o meu filho? Ou terei que esperar a gata borralheira voltar?
%Ryan% respirou fundo, contendo a vontade de revirar os olhos. Ele ainda era um cara bem educado.
- Guarde o seu veneno para si mesma e talvez eu consiga manter uma conversa civilizada por 5 minutos. - ele avisou, sorrindo sarcasticamente.
- 5 minutos? É isso que você reserva para a sua própria mãe? - ela levou a mão até o peito, dramática.
- Mãe, por favor. - ele passou a mão pelo rosto, já cansado.
- Tudo bem! Eu não vim para discutir.
- Veio para quê então? - ele perguntou, desviando seus olhos para %Annie%, ela ainda estava conversando com o Major, mas sua cara era de puro tédio.
- O aniversário da sua avó está chegando e sua tia já avisou que eles virão para cá dessa vez. Estou te dizendo porque acho que gostaria de vê-la depois de tanto tempo.
Ele riu, colocando os punhos fechados dentro dos bolsos da calça.
Claro, a magnânima da família estava voltando da Suécia para cá apenas para fuxicar a vida dos filhos e netos, e julgar todas as decisões tomadas, com a desculpa de reunir a família para o seu aniversário.
%Ryan% não tinha uma relação muito boa com os pais, com a avó milionária a situação era ainda pior. Pois ela além de soberba e arrogante, era carente por ser viúva.
Ele simplesmente não a suportava e depois de ter feito tudo contra as regras que ela havia criado os filhos, e tentado criar os netos, sabia que vê-la seria praticamente considerado uma afronta.
- Minha namorada poderá ir? - ele perguntou, já sabendo a resposta e a reação da mãe.
Cristina bufou, encarando-o séria.
- Eu não acredito que você está me perguntando isso, francamente.
- Francamente, digo eu. - ele levantou as sobrancelhas e esperou a resposta da mãe, que não veio imediatamente pois ela apenas sustentou o olhar.
Como se fosse mudar a ideia de %Ryan%.
Ele só era um pouquinho mais teimoso que ela.
- Você sabe que não, quer um escândalo em todos os tabloides? Imagina, sua avó conhecendo aquela… aquela…
- Já sabe a minha resposta então, mãe. - ele interrompeu, voltando a encarar %Annie% de longe.
Ele sorriu de lado ao perceber que ela tinha o encontrado com os olhos, dizendo apenas com o olhar o quão tediosa ela estava.
Era ótimo saber que o Major era irritante para %Annie%.
- … Filho?
Ele voltou a sua atenção a mãe, que o encarava com expectativa.
- O quê?
- Podemos manter a nossa trégua? Eu sinto falta de conversar com você, de vê-lo todos os dias.
%Ryan% concordou com a cabeça, mas sua cabeça não estava ali, por isso direcionou os olhos até a namorada que agora coçava a nuca completamente desconfortável.
- Pra mim, a trégua nunca mudou. - ele deu de ombros, olhando de relance para ela. Não era ele quem cismava com as decisões da mãe.
Ele voltou a olhar para %Annie% que o encarava também, ele levantou a sobrancelha fazendo uma pergunta silenciosa e ela estreitou os olhos, como quem dizia que não acreditava que ele faria aquilo. Ele sorriu mais uma vez e levantou a mão para interromper a mãe que falava alguma coisa que ele nem prestava atenção.
- Mãe, depois conversamos, eu tenho algo muito importante para fazer agora. - avisou antes de sair dali as pressas, ignorando completamente a mãe chamá-lo mais de uma vez.
Seus olhos estavam fixos em %Annie% e ela sorria desacreditada, falou alguma coisa para Major sem nem olhar para ele e saiu dali, caminhando em direção a %Ryan%.
Ele sorria travesso, como uma criança que tinha acabado de fazer algo que os pais haviam brigado para não fazer, e %Annie% ria negando com a cabeça enquanto ia até ele.
Quando se aproximaram um do outro, %Ryan% a puxou pela cintura e a beijou intensamente enquanto ela apoiava as mãos na nuca dele puxando-o para si. Sem se importar com quem via, se a maquiagem iria borrar ou aonde estavam.
Ele só precisava beija-la e ela não iria se opor.
Afinal, era um bom jeito de afastar as pessoas inconvenientes com quem não queriam conversar naquele dia.
E funcionou, Cristina saiu bufando de volta para a sua mesa enquanto algumas amigas da alta sociedade a encaravam confusas, e o Major… bem, o maxilar dele estava tão travado que qualquer um há metros de distância conseguia perceber que ele estava furioso mesmo sem o conhecê-lo.
Mas %Ryan% e %Annie% não se importavam com os olhares em cima deles, não se importavam com nada além dos lábios que se moviam.
Se afastaram, recuperando o fôlego e %Annie% riu tímida e desacreditada.
- Você é louco. - %Ryan% encostou as testas e viu os olhos dela brilharem.
- Por você? Eu sou mesmo. - beijou a ponta do nariz dela e envolveu a cintura dela com os dois braços, trazendo-a para mais perto.
A ideia dele era permanecer ali até cansar só que o DJ da festa tinha uma ideia melhor.
%Annie% sorriu com a melodia conhecida e antes que a voz de Chad embalasse o casamento, ela falou:
- Eu amo essa música.
%Ryan% começou a balançar em um ritmo lento conforme o som de Far Away do Nickelback, fazendo com que %Annie% o acompanhasse.
O som da risada nasalada de %Ryan% chamou a atenção de %Annie%, que o encarou curiosa.
- Você também ouvia essa quando estávamos separados? - ele perguntou, curioso e ela concordou com a cabeça.
- Era a nossa trilha sonora na minha cabeça. - ela admitiu. - Eu achava que o clipe se tornaria real pra gente.
%Ryan% ponderou, de certa forma aconteceu. Se tornou real.
Ele voltou para casa.
- O nosso teve um pouco mais de ação.
Ela riu, tendo que concordar.
- Mas a música continua sendo a nossa trilha sonora. - ele franziu as sobrancelhas. - São as palavras que descrevem perfeitamente o que eu quero te dizer todas as vezes que você sai em missão. - ele comprimiu os lábios, encarando-a intensamente. - E agora com essa viagem que você vai fazer…
%Ryan% interrompeu a namorada com um beijo suave nos lábios, interrompendo-a.
- Não pensa nisso, não hoje. - pediu. - Você sabe que eu não vou te deixar nunca mais, não é?
Ela concordou com a cabeça, sentindo um aperto no peito.
- Eu sei, eu acredito nisso.
Ele levou uma mão para acariciar o rosto dela, enquanto continuavam dançando devagar ele analisava cada traço do rosto dela.
- Eu acredito em nós e sei que vai ficar tudo bem.
Nota da Autora: É, demorou mas veio haha
Capítulo fresquinho que acabou de sair do forno, e que deu muito trabalho também. Mas é isso o que dá querer escrever várias histórias ao mesmo tempo.
Aproveitem esse capítulo, eu garanto que o próximo não vai demorar tanto.
Beijinhos ❤️
Se vocês quiserem ler Military ouvindo a playlist que eu criei no Spotify, eu aconselho 😉