Luminosidade Noturna


Escrita porSereia Laranja
Bru ZH

Revisada por Lelen


Capítulo 4

Capitão %Corvane%

  À medida que a noite se instalava sobre o horizonte, assumi o leme da embarcação, mergulhando na imensidão escura do oceano. A luz fraca da lua refletia timidamente nas ondas, revelando apenas contornos vagos do que nos cercava. O silêncio envolvia o convés, interrompido apenas pelo suave murmúrio do mar contra o casco.
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  Confiei nos instrumentos de navegação e na minha experiência para guiar a tripulação com segurança através da escuridão, enquanto as estrelas pontilhavam o céu como guias distantes em um mar de mistério. Cada onda era um desafio, cada rajada de vento uma nova variável a ser considerada. No entanto, havia uma serenidade inerente na noite, uma conexão íntima com os elementos que apenas os navegantes noturnos podiam compreender plenamente.
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  Ainda assim, minha mente sempre me levava aos tons esverdeados daquele jovem rapaz. A inocência dele me causava inúmeras coisas, o que também me fazia refletir de que desde que esse príncipe chegou no meu navio eu não me sentia tão vazio quanto antes. Aquilo era intrigante, de fato, com certeza a bruxa tinha razão sobre ele.
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  Virei meu rosto, encarando a porta de madeira que dava para os dormitórios. Mordisquei meu lábio inferior, deixando o timão de lado, caminhando relutante em direção aquele quarto que eu deveria me manter longe. Sabia que era perigoso ficar viciado nas sensações que aquele rapaz me causava. Seriam passageiras, pois quanto mais longe eu ficava dele mais vazio eu voltava a ser, já quanto mais perto…
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  Inferno!
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  Soltei o ar num suspiro lento, incapaz de deter o compasso dos meus próprios passos enquanto me aproximava dele. Havia uma dualidade em mim; um desejo ardente de avançar, contrastando com uma voz interior que clamava por cautela. No entanto, essa voz não possuía o poder necessário para deter minha trajetória. Cheguei ao limiar da porta e, apoiando o rosto contra ela, ansiava capturar os sons que emanavam de dentro. Mas tudo permanecia envolto em um silêncio profundo.
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  Meus dedos, sem minha permissão, foram até a maçaneta, a tocando e forçando para baixo. A porta se abriu lentamente, revelando o jovem príncipe dormindo profundamente. Sua pele alva e branca ficava refletida com a pouca luz do luar que entrava no quarto. Seus cachos castanhos espelhados na fronha branca. Seu peito descoberto subia e descia suavemente, indicando que o sono era tranquilo.
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  Por mais que tentei não me aproximar, foi o que fiz. Fui até sua cama, parando ao seu lado, podendo ver seus lábios rosados levemente entreabertos, seus olhos se mexiam com lentidão por baixo das pálpebras. Então me abaixei, deixando meus dedos passarem por sua pele desnuda, em sua clavícula com leveza para não acordá-lo, porém mordi minha boca quando vi ele se arrepiar com meu toque. Sabia que estava gelado contra sua pele quente.
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  Deslizei meus dedos até o lado esquerdo do seu peito, sentindo os batimentos cardíacos transmitirem ondas de calor que quase me fizeram lembrar do sol mais quente em um verão praiano. Fechei meus olhos e respirei fundo sentindo que o aroma dançava suavemente no ar, uma sinfonia de notas doces e florais entrelaçadas com uma virilidade sutil. Era como se a essência de um jardim florescente se encontrasse com a força tranquila de um bosque misterioso. Cada inspiração era uma jornada sensorial, onde a doçura das flores se misturava harmoniosamente com a profundidade terrosa, criando uma fragrância que evocava imagens de um crepúsculo perfumado, onde a masculinidade e a delicadeza se encontravam em uma dança etérea.
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  Suspirei baixo e rouco, abrindo meus olhos e puxando a coberta para cima para cobri-lo melhor. Umedeci os meus lábios e me afastei, foi nesse momento em que levei alguns instantes para sair do quarto que o sono tranquilo do jovem príncipe passou para algo mais tormentoso. Ouvi ele se movimentar bruscamente na cama, gemendo como se tivesse com dor. Foi o bastante para que eu voltasse para perto dele e ouvisse ele murmurar por ajuda e socorro.
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  Crispei os lábios, hesitando em tocar em seu ombro, ou apenas sair e deixá-lo sozinho com os demônios que o atormentava. Suspirei com raiva e quase grunhi porque sabia que por mais que quisesse, não conseguiria ir simplesmente embora.
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  — %Evermore% — chamei e chacoalhei seu ombro, esperando-o despertar.
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  — Hmm — murmurou sem abrir seus olhos.
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  — Acorde. — Toquei em seu ombro de novo, sem tanta delicadeza dessa vez.
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  — O quê? — Se sentou confuso, esfregando seus olhos, mas não percebendo minha presença.
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  — Você estava tendo um pesadelo — sussurrei olhando seu rosto.
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  %Elliot% finalmente percebeu minha presença e ficou me olhando confuso, perdido.
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  — Estava — respondeu. — Não conseguia te salvar da feiticeira.
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  Franzi o cenho, o encarando com curiosidade.
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  — Era esse seu pesadelo? — Minha voz saiu novamente em um sussurro. — O que ela fazia comigo?
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  — Sim! — Suspirou e encarou suas próprias mãos. — Tinha feito um acordo com ela, mas ela me enganou e te levou pra longe… longe de mim.
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  Levei minha mão até seu queixo e fiz com que erguesse seu rosto, queria olhar para ele, ver seus olhos.
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  — Ficar longe de mim é um pesadelo para você? — Umedeci meus lábios e dei um sorriso de canto.
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  — Eu gosto de como me sinto aqui no navio — desconversou e mesmo com pouca luz, vi suas bochechas corarem. — O que faz aqui, Capitão?
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  Quase ri do que me respondeu porque não tinha sido aquilo que ele mesmo tinha contado que sonhou. Mas deixei pra lá, tirando minha mão de seu rosto e a colocando no bolso da minha calça.
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  — Estava caminhando pelo navio e ouvi barulhos suspeitos daqui de dentro — menti sem pestanejar. — Entrei e vi que estava tendo um pesadelo.
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  — Me desculpe, não foi minha intenção interromper sua caminhada — falou sincero e encarou meus olhos.
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  — Eu sei disso, %Elliot% — respondi com o tom mais ameno. — Não temos controle sobre o que sonhamos. Infelizmente.
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  Deixei os meus olhos nos seus por um longo tempo. Não sabia ao certo o que esperava enxergar naquele tom verde escuro devido a pouca luz. Mas o que tinha certeza era que queria permanecer ali, apenas olhando para ele e tentando desvendá-lo como um mapa do tesouro.
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  — Verdade — me respondeu sobre os sonhos, então fez uma coisa que nunca havia feito antes. Sua mão subiu e tocou meu rosto em um carinho, enquanto me olhava nos olhos. — Mas prometo que farei meu melhor para que a feiticeira não faça nada contra você.
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  — Por que quer me proteger dela? — Aproximei mais meu rosto dele e praticamente me ajoelhei em sua cama. — Eu que estou nos levando diretamente a ela.
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  — Apenas consigo ver que você é uma boa pessoa — sussurrou, estávamos tão perto que podia sentir sua respiração quente contra meu rosto. — Você só precisa de algo que ela tem, e está indo buscar.
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  Soltei o ar lentamente entreabrindo meus lábios, não conseguindo nem pensar no que responder ou formular uma única resposta coerente o bastante. %Elliot% tinha me deixado sem palavras e sabia que não era a primeira vez ou a segunda.
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  Desci meu olhar para os seus lábios, estavam próximos demais dos meus de um jeito perigoso e tentador, poderia afirmar. Sua respiração quente estava deixando meu corpo quente mesmo que aquilo fosse impossível.
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  Sem deixar de encarar sua boca, proferi sem pensar direito:
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  — Você já teve alguém antes?
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  — Não — sussurrou intercalando ao olhar em meus olhos e lábios. — Por que, Capitão?
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  — Mas já sentiu desejo de ter? — respondi com outra pergunta, lambendo o canto dos meus lábios ao retornar a encarar os seus olhos.
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  — Sim — respondeu com uma única palavra, mas carregada de desejo.
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  Aproximei mais um pouco meu rosto, quase tocando nossos narizes.
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  — Desejou o quê? — Quis saber. — Homens? Mulheres? Os dois? — Sorri levemente de lado.
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  — Homens. Apenas homens. — O verde-claro de seus olhos sumiu os tornando escuros, sua respiração ficando mais pesada.
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  O sorriso ladino se estendeu um pouco mais em meus lábios, conforme meus olhos passeavam por todo o seu rosto mais uma vez, parando em sua boca.
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  — Que pecado que te prenderam por tanto tempo — murmurei com o tom rouco. — Mais pecado ainda você se segurar dessa forma.
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  Balancei a cabeça para os lados, negando com aquele ar que lhe estava dando uma bronca. Mas isso fez com que as pontas dos nossos narizes se tocassem.
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  — Você quer se libertar mesmo? — questionei encarando seus olhos mais uma vez.
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  — Por que está fazendo isso? — Sua expressão era quase de dor. — Você não pode brincar assim comigo.
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  — Brincando? — Uni as sobrancelhas. — O que acha que estou fazendo?
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  — Não tenho certeza, mas não quero ser apenas uma diversão. — Desviou seus olhos dos meus e se afastou um pouco.
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  — Você não é uma diversão para mim — respondi bem sério sem me afastar. — Mas você também não deveria se permitir sentir nada por mim. Isso inclui me desejar, %Elliot%. Eu não vou ser uma boa experiência para você — alertei com o tom ainda mais sério.
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  Então me levantei de sua cama, me encaminhando até a porta para sair.
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  — E como faço para controlar meus sentimentos, minhas emoções, Capitão? — falou antes que eu chegasse na porta. — Quando souber da resposta, me avise por favor.
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  — Pergunte a alguém que tenha sentimentos — declarei e bati a porta de seu quarto.
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  Tinha um misto de coisas acontecendo dentro de mim naquele momento. Uma vontade imensa de voltar lá e matar aquele desejo como eu faria normalmente em um dia qualquer, mas não seria bom nem para ele e nem para mim. %Elliot% tinha que matar aquele desejo com alguém que sentisse igualmente a ele. Não com um morto-vivo.
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  Encarei a lua e grunhi de ódio, conforme batia o solado das minhas botas na madeira do navio. Eu odiava aquela bruxa maldita!
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[...]

  Estávamos perto de embarcar na cidade onde todos os desejos poderiam ser concedidos, a cidade do pecado como muitos conheciam, mas também a cidade dos desejos principalmente para aqueles como eu e a minha tripulação que sempre fazíamos as coisas que bem queríamos. Eu era um admirador da liberdade, pregava liberdade, odiava o sentimento de prisão, era como estava me sentindo recentemente. Não sentir nada, era viver preso dentro de um corpo oco, porém precisava admitir a mim mesmo de que o príncipe a bordo estava conseguindo me tirar desse tédio profundo que eu vivia a cada segundo.
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  Meus olhos procuraram por ele, vendo como ele encarava o mar com admiração e curiosidade, era intrigante a forma como ele via as coisas, olhava para elas. De certa forma, quando ele estava presente no mesmo ambiente, ficava difícil desviar o olhar dele. Gostava de assisti-lo, era um fato, seus gestos, olhares, atitudes, maneira de falar e de se movimentar, era tudo muito convidativo aos meus olhos. Por mais que %Elliot% tivesse se afastado de mim, mais uma vez, depois do que houve naquela noite, sabia que seria melhor assim, ele não deveria me desejar, porém me incomodava porque eu queria que ele ficasse perto.
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  Era um dilema detestável que eu mesmo me coloquei, porém ainda assim era muito melhor do que realmente não sentir absolutamente nada. Não podia negar que %Elliot% estava me fazendo sentir as coisas, mesmo que fosse confusão, curiosidade, raiva por estar confuso, ainda assim eram sentimentos que estavam despertando em mim. Isso me fazia crer que a feiticeira não estava de fato mentindo sobre aquele rapaz de olhos esmeraldas, cabelos castanhos e com lindos cachos nas pontas.
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  — Vamos ancorar, Capitão? — Fui despertado dos meus pensamentos e desviei o olhar do príncipe.
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  — Sim. Vamos passar a noite aqui e amanhã bem cedo voltamos a navegar — respondi com o tom baixo, virando o leme todo para a esquerda.
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  Na vastidão do oceano, longe de qualquer rota marítima conhecida, encontrava-se a mística ilha de Luminae. Cercada por águas cintilantes que refletiam todas as cores do arco-íris, Luminae era um verdadeiro paraíso escondido. Ao aproximar-se da ilha, uma visão deslumbrante se revelava: a cidade de Etherealis, cujas torres de cristal reluziam sob o sol, parecendo tocar o céu. Cada torre, construída a partir de materiais translúcidos e mágicos, emanava uma suave luminescência, dando à cidade uma aparência etérea tanto durante o dia quanto à noite.
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  Etherealis era famosa por suas pontes suspensas, feitas de vinhas douradas que cresciam naturalmente e se entrelaçavam no ar, conectando os diversos bairros flutuantes que pairavam sobre lagos de águas cristalinas. À medida que os moradores caminhavam sobre essas pontes, as vinhas floresciam com flores cintilantes, criando um espetáculo contínuo de cores e luzes. No coração da cidade, a grande praça central era adornada com uma gigantesca árvore de prata, cujas folhas cantavam melodias suaves quando o vento as tocava.
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  Os habitantes de Etherealis, conhecidos como Luminaris, eram seres de aparência delicada, com olhos brilhantes e cabelos que mudavam de cor conforme suas emoções. Viviam em perfeita harmonia com a natureza mágica da ilha, utilizando o poder das pedras encantadas encontradas nas profundezas das montanhas circundantes para energizar suas construções e veículos flutuantes. A economia local era baseada na troca de artefatos mágicos e na arte, sendo os mercados de Etherealis repletos de itens encantados e obras-primas de beleza incomparável.
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  Vista de longe, a cidade parecia ser tudo que realmente não era, de fato. Apesar da aparência respeitável e até mesmo angelical, tudo era permitido naquele lugar. Todos poderiam ser livres para serem quem desejarem ser, não havia regras sobre aparência, quem você deveria se relacionar ou não, a única coisa que os líderes daquele lugar exigiam era paz porque com violência regras eram criadas e o medo era instalado, não era aquilo que eles queriam para quem estivessem lá. Todos respeitavam porque era o único local que de fato poderíamos ser livres.
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  Quando ancoramos, descemos e pude ver meus homens seguirem para onde queriam ir. Então assim que fechei os botões do meu casaco preto que cobria metade do meu corpo, virei o rosto e encarei %Elliot% que parecia perdido e ao mesmo tempo admirado. Lambi o canto dos meus lábios e esperei que passasse por mim para que eu pudesse segurar seu braço, tomando sua atenção. Não permiti que falasse nada, apenas o guiei comigo.
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  Muitas pessoas falavam comigo conforme ia passando pelas ruas, becos, esquinas e até mesmo dentre os lugares. Mas minha atenção estava no jovem rapaz ao meu lado que apesar de confuso para onde eu estava o levando, ainda assim estava admirado e intrigado com tudo a sua volta. Sabia que era tudo muito novo para ele que apenas viu o que a janela do seu castelo permitia que ele visse. Queria que %Elliot% visse mais, conhecesse o mundo, soubesse das coisas, mesmo que com isso pudesse fazer sua ingenuidade e inocência fosse embora facilmente porque o mundo corroía as pessoas.
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  No coração de Etherealis, escondida entre as torres de cristal reluzente e as pontes de vinhas douradas, havia uma taverna peculiar conhecida como "O Luar Encantado". A fachada da taverna era feita de madeira de ébano escura, adornada com intricados entalhes que representavam criaturas míticas e cenas de antigas lendas. Lanternas de cristal pendiam do telhado, emitindo uma luz suave e cintilante que atraía visitantes de todas as partes da cidade.
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  Ao entrar no Luar Encantado, os visitantes eram recebidos por um ambiente aconchegante e encantador. As paredes internas eram revestidas com painéis de madeira polida, intercalados com janelas de vidro colorido que projetavam padrões caleidoscópicos no chão quando a luz passava por elas. No centro da taverna, havia um enorme lustre de cristal que pendia do teto alto, iluminando o salão com uma luz mágica que mudava de cor conforme a música tocava.
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  As mesas e cadeiras eram feitas de madeira robusta, cobertas com almofadas de veludo em tons profundos de roxo e azul. Em cada mesa, pequenas velas encantadas flutuavam levemente no ar, fornecendo uma iluminação suave e variável que se ajustava ao humor dos conversadores. O balcão da taverna, feito de mármore negro com veios prateados, era o ponto central onde os frequentadores se reuniam para pedir suas bebidas e ouvir as histórias do taverneiro, um Luminaris de olhos brilhantes chamado Eldrin.
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  Eldrin era conhecido por suas habilidades de mixologia mágica, criando poções e elixires que não apenas satisfaziam a sede, mas também ofereciam experiências únicas. Uma de suas criações mais populares era o "Brilho das Estrelas", uma bebida efervescente que brilhava como o céu noturno e deixava um rastro cintilante ao ser consumida. Além das bebidas, o Luar Encantado oferecia um menu de pratos exóticos, preparados com ingredientes locais e mágicos, como frutos do mar luminosos e ervas que floresciam sob a luz da lua.
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  Nas noites mais movimentadas, músicos locais enchiam o salão com melodias encantadoras, tocando instrumentos feitos de cristais e madeira encantada. As músicas criavam uma atmosfera mágica, fazendo com que os visitantes se sentissem transportados para um mundo de sonhos e fantasia. As histórias de aventuras e lendas antigas contadas ao redor das mesas enchiam o ar de mistério e fascinação, tornando cada visita ao Luar Encantado uma experiência inesquecível para todos que passavam por suas portas.
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  — Vai querer experimentar o Brilho das Estrelas? — ofereci me sentando em uma cadeira mais no canto da taverna.
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  — Por que estou aqui, Capitão? — %Elliot% me olhou confuso. — Spike tinha se oferecido para me mostrar a ilha.
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  — Porque eu quero sua companhia — respondi com a voz um pouco ríspida. — Prefere a ele do que a mim? — Ergui minha sobrancelha em questionamento.
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  — Não — murmurou olhando em meus olhos. — Mas, para mim, ficou claro em nossa última conversa que eu deveria me manter longe, Capitão.
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  — É isso que deseja… — Diminui o tom de voz, intensificando meu olhar no seu. — Ficar longe de mim?
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  — Acredito que não preciso lhe responder — falou e se sentou ao meu lado. — Você sabe a resposta para essa pergunta.
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  Inspirei profundamente, não tirando meus olhos dele nenhum segundo.
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  — Eu também não quero que você fique longe de mim — assumi, deixando minhas palavras claras e sinceras.
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  — Certo! — %Elliot% sorriu tímido e olhou em volta, depois seus olhos estavam em mim novamente. — Como é mesmo o nome da bebida?
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  Acabei deixando um breve e curto sorriso aparecer, chamando uma das garçonetes de cabelo roxo que variava entre o escuro e o lilás.
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  — Preciso que capriche no Brilho das Estrelas, é a primeira vez dele aqui — pedi a ela que abriu um enorme sorriso para %Elliot%.
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  — Pode deixar que será a melhor de todas, Capitão — respondeu piscando o olho para mim. — Ele realmente verá as estrelas de perto! — Então ela sorriu para %Elliot%, de um jeito malicioso que quase me fez rir.
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  — Deixa ele em paz — ordenei a ela, a qual revirou os olhos como uma menina levada mesmo.
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  — Você vai querer o de sempre? — indagou voltando sua atenção para mim.
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  — Não — disse erguendo meu lábio para o canto, como um sorriso de lado. — Acho que quero ver as estrelas também — sussurrei lambendo meu lábio superior.
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  Ela me encarou surpresa, depois a %Elliot% como se ele tivesse a resposta para aquele enigma que se formou em sua mente. No entanto, ela não disse mais nada, apenas sorriu e se afastou para buscar nossos pedidos.
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  — Ela gostou de você — brinquei com ele.
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  — Acho que minha cota de encontros com mulheres já estourou — falou fazendo uma careta engraçada. — Ainda tenho pesadelos com a última que me atacou.
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  Acabei soltando um riso nasalado, imaginando que aquela cena deveria ter sido de fato engraçada.
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  — Não sente mesmo desejo em nenhuma delas? — perguntei curioso.
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  — Não, e sou um desastre quando elas me encurralam e me atacam. — Deu uma gargalhada, mas logo em seguida tampou a boca e olhou em volta, para ter certeza que ninguém havia o escutado. — Desculpa.
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  Abanei a mão no ar.
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  — Não precisa se policiar e nem se desculpar. Aqui nós podemos fazer tudo, sem julgamentos — contei, apontando as pessoas para ele.
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  Todos naquela taverna faziam tudo que queriam, tinha mulheres dançando da forma como bem queriam, homens gargalhando com outros, assim como com outras mulheres também. Casais do mesmo sexo dançando juntos sem se importar com nada a sua volta.
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  — Sua risada é gostosa de ouvir, príncipe, não a prenda novamente.
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  — Obrigado. — Suas bochechas ganharam um leve tom rosado e ele desviou o olhar do meu. — Como descobriu esse lugar? Achei tudo aqui encantador.
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  — Bom, como um pirata, meu dever é explorar todo canto que eu achar, cada parte do oceano e também das ilhas e vilarejos que os beira. Aqui foi um achado depois de uma horrenda tempestade que meus homens e eu enfrentamos uns anos atrás. Encontrar esse lugar foi quase como um milagre. Fomos bem recebidos e, vai por mim, são casos raros piratas serem bem recebidos em algum lugar. — Dei um riso soprado. — Mas nos sentimos em paz aqui. Podemos ter e fazer tudo que quisermos aqui, apesar do navio ser nosso lar, ainda há coisas que não levamos para lá. Já aqui…
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  Apontei com o queixo um canto do lugar mostrando um dos meus piratas beijando uma moça de cabelo amarelo sol.
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  — Magnífico! — exclamou animado, com seus olhos brilhando de alegria. — Se tivesse a chance de voltar aqui, com certeza ficaria por dias. Todas as cores e flores, a água cristalina e toda a beleza conquistaram meu coração. — Sorriu abertamente até suas covinhas aparecerem.
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  Meus olhos me traíram e ficaram presos naquele detalhe em seu sorriso. Já tinha reparado em suas covinhas antes, mas agora elas me prenderam por mais tempo que antes.
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  — Quem sabe você não volta… — Ergui o ombro, não sabia o que a feiticeira queria mesmo com ele.
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  Então a garçonete voltou com nossas bebidas que tinha cor de estrela mesmo, como um prateado cheio de brilho. Ela colocou na mesa a frente de nós dois.
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  — Pega leve com essa bebida porque ela vicia — avisei em um tom divertido, dando um bom gole na minha.
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  Era um sabor diferente de todos os outros, era como se eles tivessem pegado uma estrela do céu e derretido naquele copo. Tinha gosto de aventura com um toque de sonho, talvez canela com prazer. Lambi os meus lábios e soltei um suspiro.
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  — Não sei se terei coragem para beber. — Seus olhos verdes brilhavam enquanto admirava seu copo. — Quero levar para o navio e deixar ao lado da minha cama, para admirar todos os dias.
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  — Beba logo, %Evermore%! — Empurrei o copo para ele.
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  — Mandão… — reclamou, mas deu o primeiro gole e foi impagável sua expressão de puro prazer. — Isso aqui é maravilhoso.
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  — Não discordo. — Mantive meu olhar nele, levando o copo até meus lábios e dando mais um belo gole. — Dizem que a bebida é mágica e pode realizar desejos… — Estalei a língua no céu da boca.
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  — Quem sabe quando eu terminar esse copo, eu não descubro se isso é verdade ou não. — Seu sorriso ficou malicioso e sugestivo. — Vamos ficar quantos dias?
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  Encarei aquele sorriso com as sobrancelhas arqueadas, ficando surpreso pelo tom que ele trazia.
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  — Vamos passar a noite aqui e amanhã cedo já embarcamos — respondi bebendo mais da minha. — Você tem a noite toda para… — desci meu olhar por ele e depois olhei ao redor — aproveitar — completei.
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  — Ótimo, quem sabe não saio daqui acompanhado… — Tomou mais da sua bebida, para esconder o sorriso provocador que tinha em seus lábios. — Tem muitos homens bonitos aqui.
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  Ele estava mesmo provocando?
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  Deixei o copo em cima da mesa, então impulsionei meu tronco para a frente, ficando extremamente perto dele.
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  — Me mostra qual deles você se interessou mais — sussurrei no seu ouvido.
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  — Você quer mesmo saber? — Ergueu uma sobrancelha para mim. %Elliot% olhou em volta e me encarou depois de beber mais da sua bebida. — O moreno que está no bar.
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  — Qual deles? — perguntei olhando para o bar, mas não tinha moreno atraente nenhum lá.
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  — O que está tomando a mesma bebida que eu. — Olhou para o bar, também. — Aquele com tatuagens nos braços. — %Elliot% voltou a me encarar, seus olhos eram puro desejo. — Você se importa se eu for até lá?
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  Ainda assim, não havia ninguém com aquela descrição que me deu no bar, a não ser claro, eu mesmo. Estreitei os meus olhos na sua direção, soltando o ar como um suspiro. Mas aquilo acabou me tirando um sorriso pequeno, fechado e escondido no canto dos lábios.
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  — Vai lá. — Fiz um gesto indicando que ele podia ir. — Vou ficar aqui assistindo.
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  — Você acha que deveria ir com meu cabelo solto ou preso? — %Elliot% sorriu de lado e prendeu seu cabelo em um coque frouxo onde alguns fios ficaram caídos. — Vou até o banheiro ver como estou e quando eu voltar, me assista conquistando o moreno do bar. — Saiu sem esperar por minha resposta.
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  Fiquei confuso enquanto encarava o caminho que ele tinha feito. Não sabendo se iria atrás para ver se estava tudo bem mesmo. Mas decidi beber todo o resto que tinha no meu copo, foi o tempo suficiente para assistir o príncipe saindo do banheiro com a camisa aberta até um pouco abaixo do peito. Já o cabelo estava com a parte de cima preso em um coque e o restante solto, deixando os cachos de um jeito que ficava bonito.
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  Não consegui segurar meu olhar que desceu por sua pele exposta, me fazendo lembrar do cheiro que ele tinha e do quanto era convidativo. Mordi minha boca com certa força, querendo mais uma bebida. Meu olhar foi retornando ao seu rosto bem lentamente.
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  Se ele queria minha aprovação, aqui estava ela.
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  — Só vim tomar o resto da minha bebida. — %Elliot% virou em um gole só, chegou bem perto e pude sentir seu hálito quente contra meu rosto. — Agora me assista, Capitão.
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  Antes dele ir, segurei seu braço e o puxei para perto de novo. Quase encostei meu nariz no seu ao levar minha mão até sua nuca, pegando um pouco do seu cabelo e segurei a vontade que fiquei de puxar de um jeito que seria… Não iria imaginar agora. Então subi com a minha mão até seu coque e o soltei, fazendo seu cabelo cair em seu rosto, pela lateral. Segurei seu queixo e encarei seus lábios antes de olhar seus olhos.
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  — Gosto do seu cabelo solto — sussurrei e quase rompi o espaço que existia entre nós. — Pode ir agora. — Soltei ele e me encostei na cadeira.
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  — Obrigado, tenho certeza de que ele também apreciará meu cabelo assim. — O desejo em seus olhos era gritante, mas antes de se afastar, vi seu olhar se demorar em meus lábios.
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  Passei a língua na minha boca conforme via ele realmente ir até o bar. Não tinha mesmo nenhum moreno lá, mas observei ele se sentar ao lado de um loiro. Uni minhas sobrancelhas com aquilo porque não fazia sentido. Mas decidi ficar quieto vendo até onde ele iria.
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  A garçonete veio até mim e eu aproveitei para pedir uma bebida mais forte. Ela riu baixinho e não demorou para trazer. Minha atenção toda era naquele canto do bar, observando os dois conversarem. %Elliot% sorria com ele e algo em mim parecia causar náuseas na boca do meu estômago. Sensação extremamente esquisita, com certeza era o fato de ter bebido aquele drink doce demais para o meu paladar de zumbi.
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  Bebi um bom gole da bebida nova, a cor era escura como o céu sem estrelas, o gosto era horrível como xixi de peixe. Mas pelo menos era forte o bastante para tirar aquela sensação estranha, mesmo que ela aparecesse sempre que o príncipe exibia sua risada e seus sorrisos. Até mesmo revirei os meus olhos com sua gargalhada sendo solta. Não era possível que aquele cara sonso tinha alguma graça. %Elliot% estava mesmo bêbado, era a única explicação.
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  Virei aquela bebida em questão de segundos, pedindo mais uma, já que por eu não ter alma e nem sentir porra nenhuma, não podia ficar bêbado. Ainda assim, não quis ir embora, algo me fazia ficar e vigiar o que %Elliot% fazia com aquele idiota.
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  Não sabia quanto tempo tinha passado ou quantas bebidas escuras eu tinha tomado, mas percebi que quanto mais eles conversavam mais o cara parecia encurralar %Elliot% na parede. Aquilo me fez ficar mais em alerta das intenções daquele homem. Parei de beber ao ver que não estavam mais sorrindo ou rindo, %Elliot% não já tinha mais aquele olhar zombeteiro, o sorriso fácil nos lábios. Seu olhar era preocupado, como se quisesse sair daquele canto que ele mesmo se enfiou.
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  Levantei dali, seguindo com calma para perto deles e pude ouvir o homem soltando desejos sujos que não deveriam estar sendo ditos naquelas circunstâncias. Foi o bastante para que eu visse ele pegar na coxa de %Elliot% com força e eu intervir.
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  — Acho que ele não faz seu tipo — comentei com %Elliot%, tirando a mão do homem bruscamente e tomei a mão do príncipe para mim. — Vamos — chamei.
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  — Ei! Quem você pensa que é? Ninguém te chamou aqui! — O cara me empurrou, puxando %Elliot% pelo braço contra ele.
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  Olhei em volta, vendo que se houvesse mesmo violência seríamos todos expulsos de lá para nunca mais retornar. Então respirei fundo, me colocando entre os dois, encarando aquele babaca bem de perto. Tive que usar o truque sujo da feiticeira naquele momento, deixar que aquele crápula me visse como eu realmente era: Um morto-vivo, contendo todas minhas cicatrizes, machucados, mortes, até mesmo como seria se meu corpo estivesse de fato em decomposição.
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  Na mesma hora ele deu um pulo para trás, gritando horrorizado, até mesmo derrubando bebidas que estavam atrás dele. Ajeitei meu casaco e deixei que minha aparência retornasse ao normal, me virando de frente para %Elliot%.
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  — Só me tira daqui, por favor. — Seus olhos estavam marejados e sua voz embargada, seus olhos estavam tristes.
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  Assenti com a cabeça e segurei sua mão, deixando algumas moedas de ouro para pagar nossas bebidas. Em seguida, fiz o que ele tinha pedido e o levado para fora da taverna. Embaixo da luz da lua e de todas as estrelas que brilhavam, voltei a ficar de frente para ele.
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  — Sinto muito, %Elliot% — murmurei. — Nenhum lugar está a salvo de babacas. Infelizmente.
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  — A culpa foi minha, Capitão — sussurrou. — Não conheço como as pessoas realmente são, então deveria me manter longe. Aliás, o moreno que eu queria talvez não me quisesse.
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  Umedeci meus lábios e abaixei a cabeça, negando rapidamente. Ergui meu olhar até seu rosto e o encarei com intensidade.
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  — Ele quer — sussurrei sem desviar o olhar. — Você estava irresistível lá dentro, Alteza. Com toda certeza mais gostoso do que aquela bebida feita de estrelas e ridiculamente desejável de um jeito que… — Fechei os meus olhos e grunhi baixo. — Mas se eu cruzar esse limite você veria que eu sou pior do que aquele babaca do bar. Eu não passo de um cadáver, %Elliot%. Você não vai querer ser tocado por um cadáver em decomposição.
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  — Por favor, não fale de si mesmo assim. — O príncipe soltou minha mão e a levou até meu rosto, fazendo um carinho em minha barba. — Não consigo ver o que você vê. Eu vejo olhos vazios, mas também vejo seu afeto e respeito por mim. O que você me diria sobre o que acabou de acontecer? Vi você me defendendo, me protegendo, e não consegui ver nada disso que me falou.
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  Suas palavras me causaram mais mistos de coisas dentro de mim que eu não sabia explicar o que era. %Elliot% estava mexendo comigo, mexendo em partes que eu nunca soube que existiam. Ele era o ser mais mágico que já tinha visto. Como fazer alguém que não sente nada começar a sentir?
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  Fechei os meus olhos e virei meu rosto, levando os meus lábios até a palma de sua mão, onde alisei-os contra sua pele macia. Ela era quente como havia imaginado que seria, não como o frio que eu sentia o tempo todo. Isso foi o bastante para que meus lábios percorressem em toda sua mão, como um carinho intenso, mas na verdade era minha busca incansável por calor.
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  Abri mais minha boca quando senti ela chegar até a ponta de seus dedos, onde beijei vagarosamente e abri meus olhos para encarar os seus tons verdes. Ele me olhava com um tom mais claro de verde, era como se fosse a própria cor da esperança. Ouvi ele suspirar quando fiz menção de afastar seus dedos. Sem desviar meu olhar do dele, deixei que seu dedo médio e indicador entrassem em minha boca.
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  Suspirei de forma rouca e intensifiquei meu olhar no seu conforme deslizava meus lábios fechados em volta de seus dedos até que eles estivessem inteiros em minha boca. Pressionei meus lábios para ficarem presos e então deixei a ponta da minha língua brincar com eles. Uni minhas sobrancelhas com a onda de calor que me arrebatou e me fez suspirar mais uma vez, então deslizei meus lábios indo e voltando conforme os lambia.
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  — Por que está me torturando assim? — Sua respiração estava falha e um gemido escapou de seus lábios. %Elliot% acompanhava seus dedos, entrando e saindo da minha boca. — O que significa isso que está fazendo comigo? Estou quase perdendo o controle de tudo — sussurrou sôfrego, lutando para se manter respirando.
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  Acabei soltando um suspiro mais rouco e ofegante, não parando de chupar seus dedos com uma fome arrebatadora. Passei minha língua no meio deles, depois em volta, contornando-os e esfregando-a nas pontas deles. Sentia que eu também estava beirando o precipício da insanidade e loucura. Deixei que seus dedos saíssem dos meus lábios para que eu mesmo os esfregasse na minha boca, até que finalmente eu o soltasse de uma vez, dando passos para trás.
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  — Eu não… — Fui me afastando mais dele. — Isso não pode acontecer — sussurrei para mim mesmo. — Isso não vai acontecer — agora fui mais firme nas palavras. — Não vou mais te machucar dessa forma. Eu prometo.
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  — Sabe o que vejo agora? — %Elliot% caminhou se afastando ainda mais de mim. Senti sua dor e tristeza através da sua voz. — Um Capitão covarde! Alguém que não se permite ser desejado, adorado e até mesmo amado.
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  A cada palavra, a distância entre nós era maior. O príncipe secou suas lágrimas e virou de costas para mim. Aquilo foi exatamente como se alguém tivesse me ferido com a espada em um lugar que me faria sangrar até morrer, dolorosamente. Eu sabia que doía porque era a verdade. Mas ele tinha errado, não sentia medo de viver, tinha medo dele escolher viver com a pessoa errada. A vida era uma só e ele a desperdiçaria com alguém que não tinha futuro algum.
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  — A beleza desse lugar não existe mais para mim. — E assim ele se foi.
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  Não fui atrás, apenas me encostei na parede de cristal daquela torre. Abaixei a cabeça, fechando meus olhos e querendo berrar novamente de ódio.
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  — Você sabia que isso ia acontecer, não é? — murmurei sabendo que aquela maldita iria me ouvir.
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  — Eu disse que ele era precioso — ouvi ela sussurrar no meu ouvido.
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  Abri os meus olhos e não vi nada ao meu lado. Mas ainda assim sentia que ela estava vendo e se divertindo com tudo aquilo.
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  — Eu deixo você brincar com ele, Capitão — a feiticeira brincou. — Mas lembre-se sempre de que ele é meu no final de tudo!
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  Senti o aviso gelar minha espinha e me fazes finalmente gritar no meio da rua de ódio, fúria, desespero e desejando vingança por estar sendo zombado e caindo certinho no jogo daquela cretina.
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  — Espero que esteja gostando do show porque ele está longe de terminar — disse ao vento, me desencostando de onde estava e segui em direção ao meu lar.
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Capítulo 4

Nota das autoras:
Leu? Então conta pra gente o que achou! 👀 ❤️ Cada comentário faz nossas autoras aqui surtarem um pouquinho mais. 😂
— Sereia & bru_ZH


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Lelen

E VEIO AÍ. O CAPITÃO JÁ FOI.
E como será que vamos defender menino Elliot da feiticeira? E o que ela realmente quer com ele?
E PELAMOR, ZEVRAN. TU VAI SER O OBSTÁCULO NO PRÓPRIO ROMANCE? NOOOOOO. SE PERMITAAAAA. Pode ser por um curto período? Pode. Mas nesse período você pode criar muitas boas lembranças.
Teremos mais aventuras em Luminae? É daí que vai fazer ligação com o título da história? 🤔

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