CAPÍTULO II • Conhecendo o lugar
Diana foi abrindo os olhos devagar, virou a cabeça com cuidado por conta da dor e observou o quarto em que estava, pensou em gritar, mas sua garganta já não aguentava um grito sequer. Ela se lembrava da cena do banheiro. Ela gritava na esperança de alguém a escutar, enquanto seu ex-namorado a estuprava, sim, isso mesmo que você leu. Diana se lembrava da cena e se encolhia cada vez mais e chorava na cama que estava deitada, naquele quarto que mal conhecia. Ela olhou para o lado e viu roupas limpas e uma toalha, olhou mais à frente e viu um banheiro. Precisava de um banho. Levantou lutando com as dores do seu corpo, gemeu fraco com o resto de voz que sobrava, quando tentou andar, percebeu que seria mais difícil do que imaginava, sentiu dores horríveis na sua intimidade, e caiu de volta na cama. Mais uma vez tentou levantar, quando conseguiu, pegou a toalha e seguiu para o banheiro à sua frente.
Harry acordou com um barulho do chuveiro, certamente a menina Diana deveria estar tomando banho. Harry decidiu escrever um bilhete, caso a menina fosse até a cozinha ou algo parecido, para ela não se assustar.
"Oi, sou Harry Styles. Eu encontrei você no banheiro do pub! Não vou te fazer mal, por favor, não pense nisso. Leve o tempo que quiser aqui! O armário da cozinha está cheio, pode comer quando sentir vontade! Se você precisar de alguma coisa, fale.
Harry
Ps. Essas roupas são de minha irmã, desculpe por isso, não se preocupe com nada."
Ele deixou o bilhete em cima da cama e voltou para o sofá, agora se cobrindo por causa do frio. Diana se encarava no espelho depois do banho, “estou horrível”, pensou ela. Seus olhos estavam mais inchados e tinha marcas feias em seu corpo, balançou a cabeça na tentativa de sair de seus pensamentos e saiu do banheiro, já com a roupa que deixaram lá, sentiu um peso nos olhos, ainda estava cansada. A garota seguiu até a cama do desconhecido e, antes de se deitar, viu o papel que Harry havia deixado mais cedo. Ficou com certo receio de pegar o papel, mas o fez. Diana leu o bilhete e se permitiu sentir aliviada, a garota não sabia o porquê, mas por um momento se sentiu segura em saber onde estava. Voltou para cama e imediatamente pegou no sono.
“- Você vai aprender que você é só minha – Diana o olhava assustada e gritava, mesmo sabendo que não adiantaria por causa do som alto da boate. – Você vai entender o quanto eu posso te satisfazer - ele empurrou a garota para dentro do box.
– Marcelo, não faça isso – ela gritou mais uma vez, Marcelo já estava irritado, então ele deu dois socos na cara da Diana, que não tentava mais lutar. com ele."
Harry levantou assustado com o grito vindo do seu quarto e correu até o mesmo. Diana, encolhida na cama, chorava, por susto, por dores e com medo. Harry abriu a porta devagar e a menina se encolheu mais. Harry adentrou no quarto e se deparou com a garota encolhida no canto da cama e olhando para ele, seu olhar era assustado.
– Você está bem? – Harry não ousou em se aproximar, Diana assentiu e se sentiu segura de o garoto chamado Harry estar lá. Harry tentava focar nos olhos dela, mas a garota sempre desviava o olhar – Quer que eu chame um médico? – O garoto perguntou e Diana negou com a cabeça, ela queria responder, mas sua garganta não aguentava mais, ardia e ela mal conseguia abrir a boca. - Você não consegue falar? – Harry perguntou, curioso. A distância entre os dois ainda era a mesma, Harry parado na porta e Diana encostada na cabeceira da cama, com seu corpo encolhido. A garota negou. – Olha, eu vou chamar um médico, tudo bem? Não se preocupe, ele cuida da banda, você pode confiar nele. – ele saiu da porta e seguiu até a sala para ligar para o doutor que depois de 20 minutos já estava no local.
Douglas, esse era o nome do doutor, um senhor simpático de 60 anos atravessou a porta do apartamento cumprimentando Harry, que apenas sorriu. Douglas adentrou o quarto do Harry e viu a menina dormindo, mas que acordou assim que sentiu o vento pela porta.
– Diana, sou o doutor Douglas, Harry disse que você não consegue falar – ela assentiu fraco. – Deixe-me ver sua garganta – ele se aproximou e Diana estremeceu. – Calma, menina, não irei te machucar – Douglas disse calmo e olhou para Harry. – O que aconteceu? – Harry olhou para Diana e depois voltou seu olhar para o doutor, explicando tudo o que aconteceu. – Ele usou algum tipo de proteção? – o Doutor perguntou e Diana negou. – Você toma algum remédio? – mais uma vez ela negou – Vou te passar os remédios certos, tenho até em minha bolsa, Harry, pegue ali por favor – ele apontou para a bolsa no canto no quarto, Harry pegou a bolsa e a entregou para o médio – Aqui. Estes são os que você tem que tomar para prevenir. Posso olhar sua garganta? – Diana assentiu e abriu a boca. O médico examinou tudo. – Você está com uma grave infecção, este antibiótico vai melhorar e você tem que entrar em repouso por uma semana e meia, ou seja, sem falar por esse tempo – Diana assentiu – E sugiro que procure a polícia para achar o autor de tudo isso – ele disse para Harry, que voltou seu olhar para a garota – Você consegue me descrever como ele era? – ele procurou uma folha e uma caneta e entregou para Diana, que escreveu:
“Foi meu ex-namorado, o nome dele é Marcelo Smith. Alto, moreno e olhos pretos”.
Entregou o papel para Harry que assentiu rápido.
Assim que o doutor Douglas medicou Diana para adormecer sem pesadelos, foi até a sala com Harry, onde o mesmo lhe serviu um café, enquanto tomava seu chá.
– A quantas noites não dorme, Harry? – o senhor perguntou quebrando o silêncio.
– Essa é a minha primeira da semana doutor, mas já está acabando comigo. Quero tanto ajudá-la – disse, por fim, suspirando.
– Olha, querido, eu te conheço bem, sei que fará a coisa certa. Bom, minha família me espera. Digo, minha esposa – ele riu fraco e malicioso, levando Harry consigo. Harry tinha uma admiração grande pelo doutor, pelo fato de ter uma família há mais de 40 anos e ainda não desistiu de sua mulher.
– Tenha uma boa noite, doutor Douglas – disse, fechando a porta e trancando a mesma.
Antes de se deitar, passou e certificou se que Diana estava bem. Por fim, voltou ao seu sono.