Interlocking Hearts


Escrita porLuana
Revisada por Andressa


Capítulo 13 • Divergências

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

  Olho para janela e vejo que já está tudo escuro lá fora, uau, como o tempo passou rápido desde que Sophia e eu voltamos. Por falar nisso tenho que ligar para o meu papai querido, ele disse que queria falar comigo.
  Quer saber? Eu não vou ligar coisa nenhuma, vou à sala dele, isso sim.
  Saindo do meu escritório, olho para o local de trabalho de Sophia, mas que ela não está lá.
  Franzo o cenho e sigo o corredor, ao me aproximar da sala do meu pai, escuto vozes lá dentro.
  – Hum... Gostoso. Dê-me mais...
  – Sim, senhor.
  Em seguida escuto um barulho alto e um gritinho feminino, balando a cabeça e sorrio amargamente, Martin, sempre traindo minha mãe com as empregadas, só não fico mais chocado com esse tipo de coisa, porque sei que eles são capazes de fazer coisas muito piores.
  Eu deveria bater na porta? Não, quero ver que ele vai dizer quando me vê de surpresa.
  Abro a porta e... O QUE DIABOS??
  Perplexo encaro Sophia de joelhos segurando um pano e passando nas calças molhadas de um Martin de pau duro que está sentado.
  – Que porra é essa?
  Sophia se levanta assustada e me olha rapidamente.
  – Martin... Vou me retirar, desculpa mesmo. – Ela sussurra e ao passar por mim, seguro seu braço.
  – É desse jeito que você pretende ter um relacionamento comigo? Traindo-me?
  Ela está agindo como se estivesse à beira de um ataque de lágrimas, de repente me sinto mal por fazer isso, mas balanço a cabeça, eu não posso me deixar se influenciar agora.
  Ela solta o braço do meu aperto e sai.
  Volto meu olhar para um Martin muito satisfeito.
  – Então? O que você queria comigo? - Falo rispidamente.
  – Christian, meu filho, que hora terrível para você chegar.
  – Eu vejo.
  – É... Sophia estava me dando um tratamento especial, acabei empolgado demais e sujei minhas calças.
  Travo meu maxilar. – Eu vejo.
  – Sim. – Ele bate palmas – Eu queria te dizer que iremos ficar de manutenção por um tempo, já até expliquei para Sophia que no próximo mês ela poderá ficar em casa, recebendo seu salário normal, claro, enquanto expandimos a empresa e ela quis me dar um bônus pela notícia, pois a faculdade dela está começando daqui a pouco e ela tinha se esquecido de me avisar, a pobrezinha.
  Estou completamente furioso agora, Sophia tem faculdade à noite? Eu não sei quase nada dela, isso é verdade e Martin sabe, pelo visto até intimamente, e logo depois da nossa sessão de amor, amor não, sexo, penso amargamente comigo mesmo.
  – Era só isso?
  – Quase, quero lhe avisar que já organizei sua festa de noivado, vai ser daqui a duas semanas, o evento mais importante da sociedade no momento, não dê vexame.
  Sorrio, certo, isso é engraçado, eu noivo de uma piranha daquelas? Nem morto.
  – Papaizinho querido, não me venha com essa, adorei a piada, mas não estou afim de brincadeiras agora.
  Ele franze o cenho.
  – Não é uma brincadeira, Christian, será o seu noivado, não me decepcione.
  – Não me decepcione. – Zombo – Quantas vezes você fez isso e eu não pude fazer nada? Agora é a minha vez de dar o troco. Vamos mudar de assunto antes que eu te dê um soco na cara, o mês de recesso também se aplica a mim?
  – Certamente, mas Christian, jamais pense que a nossa conversa anterior está terminada, porque eu sou seu pai e mando aqui.
  – Eu tenho vinte e sete anos, e você deixou de ser o meu pai quando me internou naquela clinica, então vá pro caralho!
  Viro-me e saio da sala batendo a porta com força.
  – Idiota manipulador. – Resmungo
  Entro furioso na minha sala, fecho os olhos e conto até 10.
  – Já se acalmou?
  Abro os olhos e dou de cara com Sophia sentada na minha mesa.
  – Saia.
  – Não.
  – Saia. – Aumento minha voz.
  – Não. – Ela canta.
  – Saia!! – Grito.
  – Não, porra, eu não vou sair antes de você me ouvir.
  – E que merda você tem para me dizer? “Christian, eu não estava dando uma masturbada no seu pai” porque se for isso, você está perdendo seu tempo.
  Sophia me encara friamente.
  – Olha, vou relevar seus insultos, porque eu estou estudando psicologia, afinal de contas e sei que você deve estar achando que te trai. Porém eu simplesmente lhe pergunto, você lá no fundo, acha que eu, EU, a garota com problemas de relacionamento, que acha seu pai um babaca, que hoje fez amor com você, porque sim, foi isso que fizemos, você acha que essa garota que está te ajudando no mistério do testamento do doutor Robert, iria sair correndo daqui para dar um boquete no seu pai? Por quê? Qual seria meu plano maligno nisso? Espera, já sei, eu sou mais uma cúmplice do seu pai! Essa é a solução, mas seu pai não é a favor do seu casamento com Gisele? Então porque ele iria querer que você transasse comigo? Para quebrar seu coração? Por dinheiro? Sério? Eu tenho dinheiro, droga! O que significa que isso não faz caralho de sentido nenhum, então vê se baixa a bola, senta e ouve a minha versão.
  Espantado com o que ela disse fazer sentido, cruzo os braços.
  – Diga.
  Ela suaviza o rosto.
  – Magdalena, a cozinheira, que parece mais uma atriz pornô loira, me pediu para levar um suco gosmento branco para Martin, eu fui e ele me pediu para lhe servir um pouco, pareceu achar bom e me pediu mais, ao mesmo tempo em que me disse que iria ter um mês de recesso geral por causa de umas manutenções que tem para fazer na empresa, fiquei feliz e acabei deixando escapar se eu poderia sair mais cedo, pois tinha recebido uma ligação da minha faculdade dizendo que minhas aulas hoje começariam logo, ele disse que eu poderia sair, mas ele nunca foi de dar favores, e me deixei distrair e sem querer o suco ou gel, sei lá o que era aquilo, cair no colo dele, em seguida gritei e peguei um pano para limpá-lo, mas o pano caiu no chão e me ajoelhei para pegar, só que já que eu estava no chão, resolvi limpá-lo ali mesmo, claro que percebi que ele estava ficando de pau duro, mas ele ainda poderia me demitir por ter deixado aquilo cair nele, porém aí você chegou todo machão e eu não pude explicar o ocorrido.
  Hum... Faz sentido... Então porque caralho fiquei tão ciumento? Acho que é porque de pessoas importantes na minha vida, só existe Jack, e quando vi aquela cena, pensei que iria perdê-la como perco todo mundo. Mas ainda tem uma coisa martelando na minha mente... Será que Magdalena é cúmplice de Martin e planejaram juntos toda essa confusão para me separar de Sophia?! Bingo.
  Olho para Sophia com remorso.
  – Eu... Eu... Sinto muito. Estou me sinto péssimo agora, eu sei que você nunca me trairia, eu que tenho muitas inseguranças, sou um babaca mesmo, pode dizer, só me desculpa, por favor.
  Sophia me olha com um misto de tristeza e decepção.
  – Olha, Christian, dessa vez também irei relevar, sabe? Somos novos nisso tudo e... Não nos conhecermos cem por cento, mas eu topei isso, você topou isso, tudo está acontecendo rápido de mais, eu sei, mas falta de confiança não tolero. Eu não dei motivo nenhum nessas quase noventa e oito horas que nos conhecemos para você desconfiar de mim, quem deu motivos de desconfiança aqui foi você, e eu nem estou te cobrando nada, droga! Então na sua primeira desconfiança, você se revolta e se finge de coitadinho, nã, nã, ni, nã, não, meu rapaz. Porque se você for fugir de novo como um garotinho assustado, eu não irei correr atrás novamente, então é melhor sentarmos para conversar se houver alguma dúvida SEM PROVAS CONCRETAS, no futuro, okay?
  Eu estou disposto a melhorar por ela, para o que quer que seja que tenhamos, dê certo no final.
  – Okay – Sorrio maliciosamente para ela.
  – Oh, pare de flertar comigo, aqui não é o livro "A Culpa é das Estrelas", e nem estrelas o céu tem hoje.
  Arregalo os olhos fingindo confusão.
  – A culpa é das estrelas? Não seria culpa minha? Não culpe as tadinhas que nem estão por perto para se defenderem.
  Reviro os olhos.
  – Ra, ra, ra, você, leitor anônimo, sabe muito bem do que eu estou falando.
  – Não estou admitindo nada. A que horas você tem que estar na faculdade hoje?
  – Sete horas.
  – Já são seis.
  – Oh Céus, vou logo para casa, de lá vou direto para faculdade.
  – Posso ir junto? –Olho-a esperançoso – Jack provavelmente está abusando da minha casa agora.
  E eu não quero me encontrar com Jack tão cedo, não com essa confusão que estou sentindo.
  Sophia da uma risadinha.
  Arqueio uma sobrancelha.
  – O que tem de engraçado nisso?
  – Nada. Pode vir, mas não se acostume com isso. Há, quando eu voltar vamos para o seu apartamento.
  – Dito e feito.
  – Então vamos.
  Ela pega sua bolsa e descemos para o estacionamento.
  – Olha... Podemos ir no seu carro?
  Sophia vira o olhar confuso para mim.
  – Por quê? O seu carro está quebrado?
  – Não, mas talvez ele tenha escutas que meu pai colocou.
  – Sinistro. – Ela sussurra, abre a porta do carro e vamos rumo ao seu apartamento.
  Depois de alguns minutos de transito meio lendo e conversa agradável, chegamos lá, ela destranca a porta e diz:
  – Bem-vindo ao meu lar, vou trocar de roupa e sair, fique a vontade, só não toque fogo na casa ou algo do tipo. Pena que Kelly não esta aqui, você adoraria conhecê-la.
  Ela vai para o quarto, que suponho que seja dela e se tranca lá.
  Até que é aconchegante, olho em volta e me jogo no sofá, estou exausto.
  25 minutos depois e Sophia sai do quarto, não que eu esteja contando nem nada, ela sai cheirando a uvas frescas, com uma calça jeans apertada, tênis branco, bolsa a tira colo lilás e uma blusa gola alta preta, ei, não fique todo chocado, eu também conheço alguma coisa sobre moda, mas isso não quer dizer que eu seja gay, OK? Para falar a verdade, pouco me importa a roupa que ela usa, pois com aquele cabelo em duas tranças desleixadas penduradas nos ombros, aquele brilho labial que eu pretendo totalmente tirar, ela parece sexy como o inferno, como uma aluna do ensino médio toda inocente.
  Rosno. – É melhor você sair daqui logo, antes que eu te jogue na cama para te comer gostoso, porque você está fodidamente quente assim.
  Ela ruboriza e se mexe nervosa, anda em minha direção, se inclina, me da um selinho e antes que eu tenha a chance de agarra-la e lhe dar o beijo que quero, ela murmura um tchau apressado, sai correndo e bate a porta.
  Franzo o cenho. Como ela tem essa capacidade de me deixar duro e frustrado em segundos? Será que estou ficando obcecado por ela? Ou estou tentando me esconder de alguma coisa que não consigo me lembrar? Porra, eu to é fodido, isso sim.
  Balanço a cabeça e de repente sorrio lentamente.
  Recosto-me no sofá e fecho os olhos, porque eu sei que ela terá que voltar da faculdade alguma hora e quando ela voltar, ela será toda minha e é isso que importa. Por agora.

Capítulo 13
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