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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Feitiço Inquebrável

Escrita porNyx
Editada por Lelen

Capítulo 07 • Sussurros e Presságios

Tempo estimado de leitura: 43 minutos

  O frio da manhã ainda pairava nos corredores quando ouvi meu nome ecoar com força demais para ser ignorado.
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  — %Ayana%! — Hermione surgiu entre dois grupos de alunos, o passo decidido e o olhar firme. Antes que eu pudesse reagir, ela segurou meu braço e me arrastou pelo corredor.
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  — Hermione, o que…?
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  — Chega dessa palhaçada — cortou, sem sequer me encarar. — Vocês três estão se evitando como se isso fosse resolver alguma coisa.
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  Quando chegamos ao Salão Comunal, lá estavam Harry e Rony, encostados no sofá mais próximo da lareira. Os dois se endireitaram na hora, como se a presença dela fosse uma espécie de decreto de ordem.
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  — Olha só… — Rony começou, mas Hermione ergueu a mão.
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  — Não. Sem desculpas esfarrapadas. Não tem sentido essa briga idiota. Vocês são amigos. Se conseguiram sobreviver a um torneio de bruxos e a um ataque de dementadores, conseguem sobreviver ao orgulho de vocês.
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  Os dois desviaram o olhar, e eu me limitei a cruzar os braços. A tensão ainda estava ali, mas não tão afiada quanto antes.
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  — Pronto — disse ela, soltando meu braço. — Agora vocês vão sentar, tomar café e conversar como pessoas civilizadas.
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  Acabamos sentados na mesa da Grifinória minutos depois, Hermione estrategicamente no meio, como se fosse árbitra de um duelo prestes a acontecer.
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  — Então… — ela começou, tentando soar casual. — O que vocês vão fazer hoje?
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  Harry não esperou muito para responder, já inclinando-se para frente com aquele brilho determinado no olhar.
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  — Descobrir o que o Malfoy está aprontando.
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  — De novo isso, Harry? — Rony soltou um suspiro exagerado.
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  — Você não vê? Ele esteve envolvido no ataque à Katie. Eu tenho certeza.
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  Olhei para Hermione, que já preparava o discurso contra essa teoria, e senti que aquele “alívio” que ela tinha imposto ia durar pouco.
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  — Ele esteve no Beco Diagonal naquele dia, eu vi — Harry insistiu, cortando a torrada no prato como se estivesse dissecando provas de um crime. — Entrou na Borgin & Burkes. Isso não é coincidência.
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  — Harry — Hermione suspirou, já perdendo a paciência —, nós já falamos sobre isso. Você não tem provas. Não adianta construir um caso inteiro só porque o Malfoy respirou perto de algo suspeito.
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  Rony resmungou um “eu até acho que ele tá aprontando” por entre as garfadas, mas foi ignorado pelos dois.
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  Eu continuava em silêncio, mordendo um pedaço de pão como se ele tivesse respostas que eu não tinha.
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  — E você? — Harry me olhou de repente, o tom afiado. — Você sempre tem uma teoria, uma observação… mas agora fica calada?
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  — Talvez porque nem tudo precise da minha opinião — respondi, tentando manter o tom neutro.
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  — Ou porque você sabe de alguma coisa e não quer me contar.
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  A acusação ficou no ar, e antes que eu pudesse retrucar, o mundo ao meu redor se distorceu.
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  A claridade do Salão Principal sumiu, substituída por um breu cortado por tochas presas a paredes de pedra antiga. Eu estava em um corredor estreito, e na minha frente, Morgana Le Fay. O capuz não cobria o rosto dessa vez, revelando olhos que brilhavam como um lago sob a lua.
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  Ela não falou. Apenas ergueu a mão, e imagens começaram a se formar no espaço entre nós: um homem jovem, de cabelos negros e olhos escuros, conversando com um grupo em um salão imponente. Não precisei que ninguém me dissesse, mesmo mais novo, reconheci o traço frio do rosto: Tom Riddle. Ele sorria, mas havia algo predatório na forma como observava os outros.
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  A cena mudou, agora ele segurava um objeto pequeno e dourado, algo que parecia um medalhão antigo, girando-o nos dedos como se estivesse decidindo seu destino. Morgana me encarou, e por um instante, o medalhão brilhou com o mesmo símbolo flamejante que já tinha aparecido nas minhas visões.
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  Antes que eu pudesse perguntar, a imagem se fragmentou, e tudo voltou ao som de talheres, risadas e o cheiro de café.
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  — %Ayana%? — Hermione estava inclinada para mim, os olhos arregalados. — Você ficou pálida. O que aconteceu? — Pisquei algumas vezes, tentando me situar.
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  — Eu… tive outra visão. — Harry se endireitou imediatamente.
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  — E não ia contar?
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  — Eu ia — respondi, respirando fundo. — Vi… Morgana. E ela me mostrou… o Tom Riddle. Mais novo. Ele estava com outras pessoas, parecia importante. Depois segurou um medalhão… e tinha o símbolo nas chamas. O mesmo que eu já vi antes.
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  Hermione ficou imóvel por alguns segundos, processando.
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  — Um medalhão? Isso… isso pode ser importante.
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  — Você lembra de mais alguma coisa? Alguma palavra, lugar? — Harry me encarava, curioso. Balancei a cabeça.
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  — Só… a sensação de que o que ela me mostrou já aconteceu. Mas também… que ainda não acabou.
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  — Espera — Rony se inclinou na mesa. — Quem é essa Morgana? — Hesitei, escolhendo as palavras.
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  — Morgana Le Fay — respondi sem hesitar.
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  — Quem? — Rony e Harry perguntaram quase ao mesmo tempo.
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  — Descendente das linhagens mais antigas — expliquei, mantendo a voz baixa. — Uma bruxa de poder intuitivo, dominadora das runas, da magia ancestral e dos encantamentos da escuta mágica. O nome dela foi apagado de muitos registros, mas seus feitos atravessam as eras em fragmentos. Ela era conhecida por aparecer àqueles que carregavam dons raros, principalmente mulheres de sangue antigo, quando estas se aproximavam do despertar completo de suas habilidades.
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  — E você acha que é por isso que ela está aparecendo pra você? — Rony perguntou, a voz baixa mas carregada de atenção.
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  Assenti, mas Mione não me deu tempo de responder mais nada.
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  — Eu pesquisei — disse, com aquele brilho no olhar que só ela tinha quando juntava peças. — Tanto nos livros de História da Magia quanto em alguns volumes trouxas que tenho comigo. Descobri que, nas lendas, Morgana também é chamada de sacerdotisa de Avalon, curandeira e, em certas versões, inimiga mortal do rei Artur. Em outras, é sua meia-irmã e protetora. E, em todas, ela domina a arte de manipular o destino daqueles que toca.
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  Senti um arrepio na nuca.
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  — Então não importa de onde vêm as histórias… ela sempre esteve ligada a guiar ou mudar o caminho de alguém. — Hermione assentiu, séria. — E agora ela está guiando você.
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  Foi só então que percebi o detalhe mais óbvio: nunca antes eu tinha tido uma visão em público. Sempre acontecia no silêncio do meu quarto, ou quando me permitia ficar vulnerável. Mas ali, no meio do Salão Principal, sem me preparar, ela simplesmente veio. Abaixei a voz, olhando de um para o outro.
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  — Acho que… desde que aceitei ter essas visões, elas ficaram mais fortes.
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  — Aceitou? — Rony perguntou, ainda parecendo digerir a primeira parte.
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  Hesitei por um instante, mas continuei:
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  — Minha mãe veio me visitar, no gabinete do Dumbledore. Ela me contou sobre a minha avó, sobre o colar, sobre o dom que corre na minha família. Disse que eu não deveria lutar contra isso… que eu precisava ouvir. E… eu decidi tentar.
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  Rony e Harry trocaram um olhar rápido.
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  — E o que isso significa pra você? — Harry perguntou, menos ríspido agora.
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  — Significa que eu não posso mais fingir que não acontece. Que talvez essas visões sejam mais do que fragmentos aleatórios. — Olhei para eles com seriedade. — E que, se Morgana está me mostrando o passado… talvez seja porque ele ainda tenha peso no que está por vir.
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  O silêncio que veio depois foi pesado, cheio de perguntas que ninguém sabia como fazer.
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⚡🧙

  O dia arrastou-se entre feitiços que exigiam mais concentração do que eu tinha para oferecer e anotações que já se misturavam às margens rabiscadas do meu diário. Entre uma aula e outra, cruzei com Saphira no corredor do segundo andar. Ela segurava um livro de Herbologia com as mãos ainda sujas de terra, o que me fez sorrir de imediato.
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  — Ou você estava na estufa, ou atacou alguém no pátio — comentei.
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  — Estufa — ela respondeu, com aquele sorriso calmo que parecia sempre guardar algo não dito. — E você? Cara de quem passou o dia ouvindo sermão de professor.
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  — Algo assim. — Encolhi os ombros, ajustando a alça da mochila. — Quer me acompanhar até o campo? Preciso pegar um pouco de ar fresco antes de enfiar a cara em mais pergaminhos.
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  Ela concordou, e fomos juntas, conversando sobre nada em particular. Saphira tinha essa habilidade rara de preencher o silêncio sem precisar de palavras.
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  Quando chegamos ao campo de Quadribol, o treino da Grifinória já estava em andamento. Harry voava como se estivesse perseguindo um inimigo invisível, o corpo inclinado para frente, cada movimento carregado de urgência. O apito pendurado no pescoço cortava o ar com um som agudo e impaciente, marcando o ritmo como se fosse um cronômetro prestes a estourar.
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  Do alto, ele lançava ordens rápidas, a voz alta o suficiente para ecoar pelas arquibancadas.
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  — Braços mais firmes, Dean! — gritou, quando a goles escapou por pouco das mãos do colega. — Katie faria esse passe de olhos fechados!
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  Em seguida, girou a vassoura num movimento brusco, apontando para o outro lado do campo.
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  — Rony, a defesa está lenta demais! Se esse fosse um jogo de verdade, já teria tomado três gols!
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  As palavras não vinham como simples instruções; eram afiadas, quase cortantes, e cada uma parecia acertar o alvo como um feitiço bem lançado. Ele não apenas corrigia, ele atacava as falhas como se fosse pessoal.
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  Gina passou voando pelo lado esquerdo e, antes que pudesse completar a manobra, Harry já estava atrás dela.
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  — Você está se adiantando demais, vai deixar o lado direito exposto! — Ela se virou, o cabelo ruivo chicoteando no vento.
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  — Eu estou cobrindo o espaço vazio!
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  — E deixando outro aberto! — ele rebateu sem hesitar.
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  Mesmo de onde eu estava, podia sentir a tensão se acumulando no ar, como se o campo inteiro estivesse preso numa teia de nervos à flor da pele. Não era só um treino, era quase uma batalha, e Harry parecia lutar contra algo que não estava ali.
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  — Ele é sempre assim? — Saphira perguntou, inclinando-se levemente para acompanhar o movimento dele no ar.
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  — Não — respondi, observando enquanto ele repreendia Rony pela terceira vez em menos de cinco minutos. — Hoje ele está… mais crítico.
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  — Crítico? — Ela arqueou uma sobrancelha. — Parece pronto pra começar uma guerra.
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  Sorri de canto, mas sem humor. Gina passou voando perto de Harry, e ele girou a vassoura para apontar na direção dela.
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  — Você precisa se posicionar melhor! Eu já falei! — gritou.
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  — Eu estou me posicionando! — Gina rebateu, claramente irritada.
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  — Não o suficiente! — ele devolveu, já mudando o foco para outro jogador.
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  Saphira cruzou os braços.
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  — É impressão minha, ou ele briga até com o vento?
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  — Não é impressão. — Mantive o olhar fixo nele, sentindo a velha mistura de irritação e outra coisa que eu não queria nomear.
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  Foi então que ele olhou na minha direção, como se tivesse sentido que eu estava observando. Nossos olhares se prenderam, e por alguns segundos, o treino, os gritos e o vento deixaram de existir. Aquele fio invisível que nos conectava — por mais que eu tentasse cortar — estava lá, firme.
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  — Ah… — Saphira soltou, com um sorriso enviesado. — Então é ele.
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  — Ele o quê? — perguntei, fingindo não entender.
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  — O menino que você gosta.
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  Soltei um riso curto, mais para quebrar o clima do que por achar graça.
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  — Não, Saphira. Nós não… é complicado.
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  — Complicado não é um “não” — ela retrucou, como se tivesse acabado de ganhar uma aposta.
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  Antes que eu pudesse responder, Harry corrigiu Gina novamente e quase esbarrou nela no ar. Algo dentro de mim se retesou. E, como se a língua tivesse vida própria, as palavras escaparam:
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  — Se você jogar contra o outro time como está jogando contra a sua própria equipe, vão ser expulsos antes de marcar um gol.
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  O silêncio foi imediato. Até o vento pareceu parar.
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  Harry travou o voo, virando-se lentamente para me encarar. Os olhos dele estavam estreitos, e havia ali mais do que simples irritação pelo treino, era a mesma faísca da nossa conversa mais cedo, raiva misturada a algo que queimava de outro jeito.
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  — Obrigado pela dica, treinadora — respondeu, o sarcasmo escorrendo de cada sílaba.
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  Mantive o olhar nele por alguns segundos, desafiando-o a continuar. Ele não o fez. Voltou a apitar e a gritar instruções, mas a tensão não saiu do ar. Ao meu lado, Saphira soltou um assobio baixo.
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  — Definitivamente, complicado. — Cruzei os braços e sorri de leve.
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  — Você não faz ideia.
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  Mas no fundo, eu sabia que ela tinha.
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  Quando o treino finalmente terminou, me despedi da Saphira na beira do campo, passei rapidamente na torre da Corvinal para pegar uma blusa e me arrumar, e segui para a sala de Aritmância. Ainda sentia o vento frio grudado na pele e, mais do que isso, a tensão do olhar do Harry queimando na memória.
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  Hermione já estava sentada quando entrei, o cabelo preso de qualquer jeito e um pergaminho meio preenchido à frente. Ela levantou os olhos assim que me viu.
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  — Você sabe que todo o time da Grifinória viu você chamar a atenção do Harry, certo? — perguntou, sem preâmbulos, enquanto eu me acomodava na carteira ao lado.
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  Revirei os olhos, tirando os livros da mochila.
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  — Ótimo. Meu momento de glória.
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  — Não é piada — insistiu. — Até o Dean comentou.
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  Parei de escrever por um instante.
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  — Comentou o quê? — Hermione fingiu voltar ao exercício, mas a voz estava carregada de significado.
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  — Que você tem coragem de falar com ele de um jeito que quase ninguém ousa.
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  — Isso não é coragem — retruquei. — É pura falta de paciência.
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  Ela abriu um meio sorriso, como se tivesse mais a dizer, mas naquele momento, uma coruja atravessou a janela aberta, pousando na mesa da professora. Uma fita dourada brilhava amarrada à perna.
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  A professora Vector pegou o embrulho e anunciou:
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  — Convites para o jantar do professor Slughorn.
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  Os nomes começaram a ser chamados, e logo o pergaminho dourado estava nas minhas mãos. Olhei para o convite: letras douradas e exageradas diziam “Sua presença é mais do que desejada para o próximo jantar do Clube do Slug.”
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  — Parece que o Slughorn quer um espetáculo hoje à noite — murmurei, guardando o convite no bolso. Hermione ergueu uma sobrancelha.
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  — E você sabe que espetáculos no Clube do Slug nunca são só jantares.
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  Eu sabia.
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  O resto das aulas passou em um ritmo arrastado, cada minuto mais longo que o anterior. Quando finalmente subi para o dormitório da Corvinal, o céu já estava pintado de um laranja suave, anunciando o fim do dia. O convite dourado do Slughorn continuava sobre minha mesa, refletindo a luz como se estivesse me lembrando de que não havia escapatória.
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  Escolhi uma túnica de um azul profundo, discreta, mas elegante o suficiente para não destoar do ambiente pomposo que sabia que me esperava. Soltei os cabelos, deixando-os cair naturalmente sobre os ombros, e prendi o colar que minha mãe me dera, frio contra a pele, mas carregando um peso que não era só físico.
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  Enquanto ajustava a gola no espelho, não consegui evitar a sensação de que estava me preparando menos para um jantar e mais para entrar em um tabuleiro, onde Slughorn movia suas peças com um sorriso satisfeito.
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  Desci as escadas em passos tranquilos, cruzando o corredor principal até o ponto de encontro marcado no convite. Hermione já estava ali, encostada na parede, ajeitando a manga da túnica.
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  — Pronta? — ela perguntou, me avaliando com um olhar rápido e aprovador.
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  — O mais pronta que se pode estar para ser exibida como um troféu acadêmico — respondi, com um meio sorriso. Ela riu baixinho.
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  — Pelo menos a comida é boa. Tenta aproveitar.
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  — Vou tentar não me distrair com as provocações — garanti, embora soubesse que certas presenças tornariam essa missão impossível.
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  Seguimos juntas pelos corredores, passando por tochas acesas e ecos de vozes distantes, até que uma porta ornamentada revelou o ambiente já tomado por risadas abafadas e o aroma rico do jantar.
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  A sala de Slughorn parecia mais uma vitrine de memórias e excessos. As paredes cobertas por retratos dourados e prateleiras abarrotadas de frascos curiosos refletiam o brilho quente das velas suspensas. O aroma de carne assada e especiarias preenchia o ar, misturado a um perfume adocicado que não consegui identificar.
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  Não deu tempo de dar dois passos para dentro antes que Blaise Zabini se aproximasse, sorriso fácil e olhar que sabia exatamente para onde queria ir.
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  — %Ayana% %Chikondi%… — disse, como se estivesse degustando o som do nome. — E eu achando que essa noite não teria nada que valesse a pena.
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  — Sempre tão sutil — respondi, arqueando uma sobrancelha.
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  Ele riu baixo e inclinou-se ligeiramente, a mão roçando no meu braço como se aquilo fosse perfeitamente natural.
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  — Só estou sendo honesto. Essa túnica te deixa… perigosa. — Antes que eu pudesse formular uma resposta afiada, uma voz cortou o ar.
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  — Zabini — Harry se aproximou, o tom carregando mais tensão do que educação. — Acha que pode dar um passo pra trás?
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  Blaise lançou um olhar lento e calculado para ele, um meio sorriso se formando.
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  — Potter. Sempre tão… protetor.
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  — Sempre tão inconveniente — Harry retrucou, o maxilar travado.
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  Slughorn, distraído com a própria empolgação, chamava os alunos para se acomodarem à mesa, elogiando genealogias e conquistas acadêmicas como se estivesse anunciando raridades de um leilão. Mas mesmo com a conversa e as risadas ao redor, era impossível não sentir o ar entre Harry e Blaise vibrando de hostilidade.
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  — Relaxa, Potter — Blaise falou, ainda me olhando. — A %Ayana% sabe se cuidar.
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  — É, mas você parece não saber respeitar limites — Harry rebateu, os olhos fixos nele.
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  Resolvi intervir antes que Slughorn percebesse o clima.
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  — Certo, meninos. Vamos fingir que sabemos conviver em sociedade? — disse, puxando minha cadeira e me sentando.
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  Blaise me acompanhou até o assento ao lado, ignorando o fato de que Harry agora parecia pronto para atravessar a mesa se fosse preciso.
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  O salão privativo de Slughorn tinha aquele ar aconchegante e sufocante ao mesmo tempo. A mesa comprida estava posta com talheres polidos e taças de cristal que captavam cada tremor de chamas. Slughorn, com as bochechas coradas e um sorriso largo demais para ser só simpatia, bateu palmas assim que nos acomodamos.
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  — Ah, senhorita %Chikondi%… — ele disse, inclinando-se um pouco para me observar. — Tenho lido muito sobre a linhagem %Chikondi%… pelo menos, o que se permite saber. — O olhar dele cintilou de curiosidade, como quem esperava que um segredo simplesmente escorregasse para fora.
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  Cruzei as mãos sobre o colo, sustentando o olhar dele com um meio sorriso.
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  — O que se permite saber geralmente é o suficiente. O resto… bom, o resto fica para quem tem direito.
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  Gina, sentada à minha direita, escondeu uma risadinha atrás da taça, mas o brilho malicioso nos olhos dela entregava o quanto estava se divertindo. Slughorn pareceu não notar a ironia.
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  — Ah, claro, claro… mas confesso que adoraria ouvir mais sobre…
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  — Professor — interrompi com um tom tão educado quanto afiado —, tenho certeza de que as histórias da minha família ficariam muito mais interessantes depois de umas duas taças de vinho. Quem sabe em outra ocasião?
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  Gina quase engasgou tentando conter outra risada, e Slughorn, após um pigarrear constrangido, desviou para Neville, que estava na outra ponta, como se tivesse lembrado de uma pergunta urgente sobre Herbologia.
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  Foi nesse momento que Blaise Zabini, sentado à minha esquerda, se inclinou levemente na minha direção. O perfume dele era discreto, mas marcante, e o sorriso… perigoso.
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  — Sempre tão rápida com as palavras, %Chikondi%. — Ele apoiou o cotovelo na mesa, olhando-me como se estudasse cada detalhe. — Aposto que o Potter gosta disso mais do que admite.
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  Senti a pontada imediata de calor no rosto, mas mantive o olhar firme.
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  — Aposte menos, Zabini. Suas fichas parecem sempre cair no lugar errado.
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  Ele sorriu de lado, como se minha resposta tivesse apenas confirmado algo que ele já suspeitava. E foi aí que notei, do outro lado da mesa, Harry nos observando. Não estava nos encarando abertamente, o olhar ia e voltava, mas a tensão no maxilar dele era impossível de ignorar.
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  — Que foi, Potter? — Blaise provocou, sem sequer desviar os olhos de mim. — Está tudo bem aí?
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  Harry não respondeu. Apenas baixou o olhar para o prato e mexeu na comida com mais força do que o necessário, o talher raspando no fundo. A mandíbula ainda travada, mas o silêncio falava mais alto do que qualquer réplica.
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  Mione, percebendo a troca, me cutucou discretamente com o cotovelo, um sorriso sabendo demais no canto da boca. Eu respirei fundo, tentando ignorar o nó de tensão que se formava entre nós quatro, enquanto Slughorn retomava suas histórias sobre ex-alunos, completamente alheio à guerra fria acontecendo à mesa. Gina mordia o lábio para conter o riso, Neville fingia examinar o prato e Harry… Harry olhava como se pudesse decifrar todos os meus segredos só de me encarar.
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  Quando o jantar começou a se dispersar, Slughorn levantou-se para acompanhar alguns convidados até a porta. Foi nesse momento que Blaise se inclinou para mais perto, o braço encostando no meu de forma calculada.
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  — Eu gosto quando acontece isso aqui nas festas do Slug — murmurou, baixo o suficiente para que apenas eu ouvisse. — Dá para ver que o Potter fica… nervoso.
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  Revirei os olhos, pronta para responder, mas ele não se deu por satisfeito. Fingindo um cumprimento cordial, Blaise pegou minha mão — e, ao invés de soltar, passou o polegar lentamente pela minha pele, como se saboreasse a provocação.
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  — Sempre um prazer, %Ayana%.
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  Senti o calor do olhar de Harry antes mesmo de me virar. Ele estava de pé, o maxilar travado, e só não disse nada ali porque Slughorn reapareceu, chamando-o para se despedir. Aproveitei o momento para me levantar, agradecer o jantar e sair pela porta antes que a situação virasse um duelo.
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  Mas eu mal tinha andado por dois corredores quando ouvi passos rápidos atrás de mim.
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  — O que foi aquilo? — A voz de Harry cortou o silêncio, carregada de irritação. Virei-me devagar, erguendo uma sobrancelha.
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  — Boa noite pra você também, Potter. — Cruzei os braços, deixando o sarcasmo pingar de cada sílaba. O corredor estava silencioso, mas o ar entre nós vibrava de um jeito estranho.
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  — Não enrola. — Ele deu um passo à frente, os olhos estreitados. — O que o Zabini pensa que está fazendo?
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  — Talvez esteja apenas sendo… educado. — Falei lenta, deliberadamente, só para provocar. — Ou será que todo mundo que conversa comigo agora é suspeito?
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  — Ele não estava conversando, %Ayana%. — A voz dele saiu mais baixa, mas com uma tensão que me fez endireitar a postura. — Ele estava se exibindo. E você sabe.
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  — E desde quando isso é problema seu? — perguntei, erguendo o queixo. — Não lembro de ter assinado um contrato de “aprovação do Harry Potter” pra falar com quem eu quiser.
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  — Desde que ele não é confiável — rebateu de imediato, mas o olhar fixo dizia outra coisa.
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  — Ah, claro, isso é sobre segurança. — Dei um passo em direção a ele. — Nada a ver com o fato de você não gostar da ideia de me ver com outra pessoa.
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  O maxilar dele travou. Ele abriu a boca pra retrucar, mas parou, como se estivesse escolhendo as palavras com cuidado.
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  — Eu não gosto da ideia de te ver com ele. — Foi quase um sussurro, mas direto o suficiente para me fazer perder o ar por um instante. — Ele olha pra você… como se já tivesse ganho alguma coisa.
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  Meu coração disparou.
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  — E você? — perguntei, num tom mais desafiador do que eu pretendia. — Olha pra mim como, Potter?
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  Ele respirou fundo, e por um segundo, achei que fosse recuar. Mas ao invés disso, deu mais um passo na minha direção, diminuindo ainda mais a distância.
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  — Como se… — a voz dele falhou um pouco, e então endureceu — como se não conseguisse parar, mesmo quando deveria.
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  Senti o estômago revirar, não de raiva, mas daquele tipo de nervosismo que é perigoso admitir.
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  — Isso não muda o fato de que você está bancando o dono da minha vida. — A frase saiu mais baixa do que eu queria, e ele percebeu.
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  — Talvez porque eu… me importe. — A palavra ficou pesada no ar. Ele piscou, como se tivesse percebido que disse mais do que queria. — Mas você prefere fingir que não nota.
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  — Talvez eu só não queira me machucar — rebati, mas a força na voz já tinha diminuído.
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  O olhar dele suavizou por um instante, e a mão subiu como se fosse afastar um fio de cabelo do meu rosto. Ficamos assim, respirando o mesmo ar, o mundo inteiro reduzido àquela tensão perigosa.
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  — Potter… — minha voz soou mais como um aviso do que uma reclamação.
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  Ele inclinou o rosto, tão perto que eu podia sentir o calor da respiração dele, e por um segundo, eu quase fechei os olhos.
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  — %Ayana%! — A voz de Hermione ecoou atrás de nós, quebrando o feitiço. — Estava te procurando…
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  Harry se afastou tão rápido quanto tinha se aproximado, o rosto fechado de novo, mas os olhos… eles diziam tudo. Eu respirei fundo, tentando recompor o semblante antes de virar para Hermione, que parecia alheia ao que quase tinha acontecido.
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  — Precisamos conversar sobre a visão — ela completou, séria.
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  Hermione me puxou pelo braço, completamente dispersa ao incêndio que tinha deixado para trás.
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  — Precisamos passar na biblioteca antes que feche. — disse, acelerando o passo.
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  Eu fui junto, ainda sentindo o coração martelando nas costelas. Harry ficou pra trás, mas eu podia jurar que sentia o peso do olhar dele cravado na minha nuca.
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  Quando entramos no corredor lateral, longe de qualquer ouvido curioso, Hermione finalmente me encarou.
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  — %Ayana%, você tá… estranha. — Seus olhos percorreram meu rosto com aquele jeito clínico de quem detectava até piscada fora do lugar. — Aconteceu alguma coisa?
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  Mordi o lábio. Poderia inventar qualquer desculpa, mas a verdade já estava quase explodindo na ponta da língua.
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  — Digamos que… você apareceu na hora errada. — Ela franziu o cenho.
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  — Como assim?
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  — Eu e o Harry… — comecei, e o olhar dela já se arregalou antes mesmo de eu terminar. — Estávamos… discutindo, mas não daquele jeito de sempre. Foi… diferente. Ele disse umas coisas. Ficou perto. Muito perto.
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  Hermione piscou, assimilando, e então soltou um "Oh" tão baixinho que parecia um segredo por si só.
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  — Eu… — Ela passou a mão pelo rosto, claramente envergonhada. — %Ayana%, eu juro que não sabia. Se eu tivesse percebido, eu…
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  — Tá tudo bem — interrompi, apesar do nó de frustração no peito. — Só que foi a primeira vez que ele… deixou escapar que sente alguma coisa. — Ela me olhou como se pesasse as palavras.
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  — Então ele sente. — Suspirei, desviando o olhar para um vitral próximo.
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  — Ele não disse com todas as letras, mas… não precisava. Tava no jeito que ele falou. No jeito que ele olhou.
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  Hermione abriu a boca como se fosse comentar mais, mas se conteve.
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  — E você? — perguntou apenas. Demorei um pouco antes de responder.
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  — Eu… também não consigo parar de olhar pra ele. Mas admitir isso pro Harry é outra história.
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  Hermione soltou um suspiro cúmplice, um meio sorriso de quem entendia mais do que dizia.
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  — Bom… pelo menos agora eu sei que talvez tenha interrompido algo importante. Vou me sentir culpada por uma semana.
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  — Só uma? — provoquei, e nós duas acabamos rindo baixinho. Mas, por dentro, a cena de segundos atrás ainda queimava como se tivesse acontecido naquele exato instante. A lembrança insistia em se intrometer, mesmo enquanto eu tentava focar no que ela queria me mostrar.
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  O corredor até a biblioteca estava silencioso, exceto pelo eco suave dos nossos passos. Quando empurramos as portas pesadas, fomos recebidas pelo cheiro familiar de pergaminho antigo e madeira encerada. Escolhemos uma mesa próxima à janela, onde a luz do fim de tarde caía em feixes dourados sobre o tampo.
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  Mione largou a pilha de livros com cuidado, como quem depositava um tesouro, e sentou-se à minha frente. Aquele riso inicial que compartilhamos se dissolveu num olhar concentrado, quase hesitante. Sem dizer nada no começo, ela puxou um rolo de pergaminho amarelado de dentro da mochila, alisando-o com as mãos antes de desenrolá-lo.
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  Passou o dedo sobre um conjunto de runas dispostas em círculo, onde uma marca semelhante a chamas parecia gravada no pergaminho.
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  — Encontrei um trecho de um pergaminho muito antigo, parte de um acervo restrito. Não fala diretamente de Morgana, mas menciona uma linhagem de bruxas do interior da Inglaterra, que teria recebido a “bênção” dela séculos atrás. Essa linhagem se cruzou, mais tarde, com famílias que hoje são praticamente desconhecidas… uma delas é a Gaunt.
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  A palavra ficou suspensa no ar, pesada.
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  — Gaunt? — repeti, sentindo o estômago revirar.
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  — Sim. Não há provas sólidas, só fragmentos. Mas se for verdade, significa que, em algum ponto distante da árvore genealógica, a mãe de Você sabe quem pode ter descendido de alguém que Morgana tocou diretamente. — Hermione mordeu o lábio, mas não tirou os olhos do pergaminho. Tocou com a ponta da varinha uma runa mais desgastada, que brilhou por um instante, revelando um símbolo quase oculto. — Essa aqui… — murmurou — …significa “aquele que herda a escuta”. É usada para marcar pessoas que carregam dons raros, que podem ouvir o que outros não conseguem.
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  Suspirei fundo, tentando ritmar as batidas do meu coração.
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  — %Ayana%… — a voz de Mione me puxou de volta. — Isso que aconteceu com você não foi coincidência. Talvez tenha sido… reconhecimento.
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  Engoli em seco, tentando não deixar transparecer o turbilhão que aquilo provocava.
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  — Então você acha que…? — deixei a pergunta no ar.
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  — Acho que Morgana deixou marcas que não se apagam. E que, de alguma forma, você faz parte disso. — Os olhos dela se ergueram para mim, sérios. — E isso pode explicar por que certos símbolos ou feitiços dela ainda ecoam nele… e talvez em você.
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  A revelação ficou queimando na minha mente como brasas. Eu não sabia se aquilo era uma conexão ou uma ameaça, ou as duas coisas.
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⚡🧙

  No dia seguinte, o céu sobre Hogwarts amanheceu coberto de nuvens pesadas, como se o castelo tivesse absorvido parte do peso que eu carregava. Depois da última conversa com Hermione e de todo o caos que parecia se acumular em volta de mim, eu precisava de ar.
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  Acabei escolhendo a estufa, onde o cheiro de terra úmida e o calor abafado sempre abafavam também o barulho da minha cabeça. Sentei-me num banco entre duas prateleiras altas de vasos, observando as folhas grandes de uma tentácula venenosa balançarem levemente com a corrente de ar que vinha das janelas abertas.
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  — Sua cara está gritando “discussão com um grifinório”. — A voz veio da minha esquerda, carregada de um tom leve, quase divertido.
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  Virei a cabeça e encontrei Saphira encostada na entrada, os cabelos presos num coque bagunçado e as mangas do uniforme dobradas até os cotovelos. Ela tinha aquele sorriso de quem não precisava de feitiço nenhum para ler uma pessoa.
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  — Achei que estava escondendo bem — murmurei, mas um canto da minha boca já cedia, traindo um quase sorriso.
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  Ela se aproximou devagar, pegando distraidamente uma folha caída de cima da mesa e girando-a entre os dedos.
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  — Talvez para os outros… mas não para mim. — Seus olhos verdes me examinaram por um segundo a mais do que o necessário. — Quer falar sobre isso?
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  — Não. — A resposta saiu rápida, mas não ríspida. — Pelo menos, não agora.
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  Saphira deu de ombros, como se não precisasse de mais para entender. Sentou-se ao meu lado, deixando um espaço confortável entre nós, e ficou ali, apenas acompanhando o silêncio. O som abafado da chuva batendo no vidro da estufa misturava-se à respiração tranquila dela, e por algum motivo, aquilo soava mais acolhedor do que qualquer conversa.
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  O cotovelo dela roçava levemente no meu braço sempre que se inclinava para examinar uma folha ou ajeitar um vaso. Um toque quase imperceptível… mas suficiente para me lembrar que ela estava ali, perto. Por mais que eu tentasse ignorar, a energia da presença dela me puxava para um lugar estranhamente seguro, como se fosse o único canto do castelo onde eu não precisava manter a guarda erguida.
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  — Você relaxa comigo de um jeito que não relaxa com quase ninguém — comentou, a voz carregando um tom que beirava o desafio. Ela continuou olhando para frente, como se não quisesse que eu visse o sorriso de canto que, mesmo disfarçado, estava ali.
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  Soltei um riso baixo, apoiando o queixo na mão.
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  — Talvez porque você não me trata como se eu estivesse sempre prestes a quebrar. — Ela finalmente virou o rosto, os olhos verdes me estudando com atenção.
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  — E você acha que eu devia?
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  — Acho que não — respondi, sustentando o olhar. — Mas já que estamos falando de gente… tem alguém que você gosta?
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  A pergunta não veio do nada. Já tínhamos tocado nesse assunto dias antes, quando eu, entre risos, perguntei se ela gostava de alguém. Naquela vez, ela tinha dito que só se interessava por garotas, mas o jeito como desviou do resto da conversa sempre me deixou com a sensação de que havia mais ali, algo que ela não estava pronta para contar.
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  Saphira piscou devagar, como se não esperasse que eu retomasse o assunto agora, e depois mordeu o lábio, segurando um sorriso que parecia conter mais respostas do que palavras jamais dariam.
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  — Tem.
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  — E vai me dizer quem é? — insisti, arqueando uma sobrancelha, tentando manter o tom leve mesmo com o coração acelerando um pouco sem motivo aparente.
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  Ela balançou a cabeça, o sorriso se abrindo num misto de provocação e segredo.
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  — Ainda não. É mais interessante quando fica no mistério.
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  — Você sabe que isso só vai me deixar mais curiosa, né? — reclamei, e ela deu um meio sorriso que parecia dizer exatamente essa é a ideia.
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  Tentei revirar os olhos, mas a verdade é que uma parte de mim odiou não saber a resposta — e outra parte… preferiu não perguntar de novo, com medo do que poderia ouvir. Principalmente se, por algum motivo, o nome que ela estivesse guardando fosse um que eu não sabia se queria escutar.
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  Saphira olhou para o relógio preso no pulso e suspirou.
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  — Acho melhor eu ir… tenho lição de Feitiços para preparar, e Flitwick já me deu um sermão ontem. — Ela se levantou devagar, ajeitando a alça da bolsa no ombro.
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  Antes de dar o primeiro passo, porém, inclinou-se levemente e deixou um beijo rápido na minha bochecha. O toque foi breve, mas quente o bastante para incendiar o ponto exato onde seus lábios encostaram.
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  — Até mais, %Ayana% — murmurou, com um sorriso que carregava mais coisas do que eu estava pronta para decifrar.
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  Fiquei apenas observando enquanto ela se afastava, o som suave dos passos misturando-se ao farfalhar das folhas. Quando a porta da estufa se fechou atrás dela, o silêncio voltou a ocupar o espaço, pesado e íntimo ao mesmo tempo.
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  Foi nesse instante que um arrepio subiu pela minha nuca. Não era o vento.
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  As cores ao meu redor começaram a perder a nitidez, como se alguém estivesse lavando a cena com pinceladas de neblina. Pisquei, e a estufa sumiu.
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  No lugar, um campo escuro, iluminado apenas pela luz prateada da lua. O ar estava pesado, e no centro, de costas para mim, havia uma figura que eu reconheceria mesmo que o mundo acabasse: Harry. Ele segurava algo na mão, parecia uma varinha, mas com um brilho que não era comum.
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  De repente, uma segunda figura surgiu. Alta, com o capuz caindo até cobrir metade do rosto, mas a energia dela era inconfundível. Morgana. Ela colocou uma das mãos sobre o ombro dele, e Harry não recuou. Pelo contrário, virou-se para encará-la… e o olhar dele passou direto por ela, até me encontrar.
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  — O destino é uma lâmina — a voz de Morgana soou em minha mente, cortante. — E vocês estão caminhando para a mesma ponta.
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  Antes que eu pudesse perguntar o que aquilo significava, a lâmina imaginária brilhou, e tudo se partiu em mil fragmentos de luz.
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  Pisquei de novo e estava de volta à estufa, o coração martelando no peito, as mãos suadas. Não havia sinal de Harry, nem de Morgana… mas a sensação de que aquilo não era só uma visão continuava grudada em mim como sombra. E, pela primeira vez, eu me perguntei se o que nos unia era escolha… ou maldição.
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  Nota da Autora: Capítulo intenso, né? Tivemos Quadribol virando ringue particular, jantar do Slug com mais provocações do que sobremesas, e a primeira vez que Harry deixou escapar que se importa com a %Ayana%… mesmo que tente negar. Hermione, sem nem perceber, interrompeu algo que poderia mudar tudo (sim, estou falando daquele quase beijo 👀). E no meio disso, revelações sobre Morgana que conectam o passado sombrio dos Gaunt a algo muito maior… talvez até à própria %Ayana%. Ah, e Saphira? Está se aproximando cada vez mais, deixando no ar aquele “e se…?”. Preparem-se, porque as peças estão se movendo, e as visões estão ficando cada vez mais pessoais.

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Lelen

Ai, senhor, eu tô virando adulta HAHAHAH
Esse Harry sendo adolescente mal humorado me fez revirar os olhos umas 324234234 vezes enquanto eu lia a história kkkkkkkkkkkkk
E assim, por mais que a gente saiba que o Harry estava certo quanto ao Draco, o jeito como ele só fala disso parece muito implicância mesmo, né? IASHNDOIANDIO
E EU AMO A SAPHIRA <3
Se não for ter um trisal, que ela encontre uma boa parceira porque merece muito.
Esperando pra descobrir mais coisas do passado/futuro…? Amo capítulo de descobertas!

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