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Feitiço Inquebrável

Escrita porNyx
Editada por Lelen

Capítulo 04 • Aulas, Olhares e Outras Complicações

Tempo estimado de leitura: 47 minutos

  Setembro mergulhou Hogwarts numa espécie de silêncio espesso. Não o silêncio da calma — o outro. O que precede alguma coisa. O que paira no ar quando até o castelo parece respirar mais devagar, como se soubesse que aquele ano seria diferente.
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  As aulas estavam exigentes, sim. Mas o que me drenava não era o conteúdo — era a sensação de que qualquer vacilo agora custaria mais caro do que nunca.
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  Nem o quadribol escapava disso.
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  Ainda fazia parte do time da Corvinal como artilheira, e os treinos noturnos se tornaram meu único respiro. Voar alto, sentir o vento cortando meu rosto, mirar nos arcos adversários com precisão quase instintiva… era o mais próximo que eu chegava de meditação. Do tipo que exigia o corpo por inteiro — e, por isso, calava a cabeça por uns minutos.
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  Naquela noite, encontrei o time no vestiário, já meio disperso, cada um calçando as botas ou ajeitando as luvas.
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  — Tá todo mundo aqui? — perguntei, prendendo os cabelos num coque rápido enquanto me encostava na parede.
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  — Pirlo ainda tá discutindo com o Flitwick sobre a disponibilidade do campo — respondeu Helena, nossa goleira, revirando os olhos. — Ele disse que “precisa do campo limpo de interferências mágicas até quarta”. Como se o testrálio fosse conjuração.
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  — Isso porque o campo já é enfeitiçado até o pomo dar cambalhota — resmungou Leo, o batedor, girando o bastão como se estivesse entediado demais para segurar a crítica.
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  — Então a gente faz o quê? Treina no ar ou espera uma permissão por escrito do Ministro da Magia? — perguntei, arqueando uma sobrancelha.
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  — Eu topo treinar no ar — disse Helena, esticando os braços com um sorriso travesso. — Pelo menos o vento não atrasa.
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  — Tudo bem. — Suspirei. — A gente se encontra às oito no campo, com ou sem aprovação. Se alguém perguntar, foi “um treino improvisado de movimentação teórica”. — Fiz aspas com os dedos. — E se a gente levar bronca, eu assumo. Ou melhor, eu digo que foi ideia do Leo.
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  — Ei! — ele protestou, rindo.
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  — Sem reclamações. Quem errar mais gols hoje lavará os uniformes até a próxima lua cheia — avisei, já pegando a vassoura.
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  — A gente vai fazer tiro ao alvo ou você vai fazer mágica com a goles de novo e acabar com a moral de todo mundo? — Helena brincou.
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  — Depende. Vocês vão me acompanhar ou vão só me aplaudir?
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  — Metida — disse Leo.
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  — Artilheira, amor — retruquei, piscando.
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  No fundo, era isso que me mantinha ancorada. Aquele tipo de troca leve. As piadas. O ritmo do time. Ninguém ali queria respostas sobre o símbolo no meu grimório, sobre sonhos com serpentes ou premonições estranhas. Ali, bastava saber voar. E jogar.
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  E, por uma noite, isso era tudo o que eu precisava.
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  O campo de quadribol estava quase vazio quando chegamos, só o som do vento e a grama farfalhando sob nossas botas.
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  As arquibancadas se perdiam na escuridão, e o céu — um manto profundo salpicado de estrelas tímidas — parecia observar em silêncio. As tochas flutuantes ao redor do gramado piscavam em tons azulados, lançando sombras suaves nas arquibancadas e sobre nossos ombros.
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  — Cinco voltas de aquecimento e depois chute a gol, intercalando batidas e esquivas — gritei, montando na vassoura. — E por Merlin, não me deixem sozinha na defesa outra vez, senão eu feitiço vocês com soluços por uma semana.
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  Helena riu alto, já decolando, seguida por Leo e os outros. Em segundos, o campo ficou para trás, e a noite nos engoliu em sua vastidão.
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  Eu impulsionei minha vassoura e subi, deixando que o vento fizesse o resto.
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  No alto, Hogwarts parecia pequena. As torres com suas luzes acesas aqui e ali, os contornos do castelo banhados por sombras profundas. Lá de cima, o mundo fazia silêncio por dentro. E por um instante, tudo o que existia era o céu.
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  A goles foi lançada, e a primeira sequência começou.
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  — Vem comigo, %Ayana%! — Leo gritou, mandando a goles em um passe alto demais.
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  Mas eu já estava lá antes de ele terminar a frase.
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  Estiquei o braço, peguei a goles com uma curva rápida e mergulhei, rasgando o céu em um arco elegante. Meus cabelos escapavam do coque, o ar gelado beliscando o rosto, mas eu não diminuí.
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  Abaixei o corpo na vassoura e fui serpenteando entre os companheiros, esquivando das simulações de batidas, até ver o arco.
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  Respirei fundo, mirei — e lancei.
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  A goles passou rente à trave esquerda, fazendo Helena xingar baixinho e rir ao mesmo tempo. Um feitiço disparou do bastão dela para rebater a bola, mas ela errou por centímetros.
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  — Essa passou tão perto que senti o vento do feitiço na orelha — gritou ela.
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  — Isso é porque eu sou gentil — respondi, girando a vassoura no ar com um movimento brusco e fluido.
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  Leo voou ao meu lado, ofegante.
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  — ‘Cê não joga... você dança nesse campo.
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  — É que vocês são lentos demais para acompanhar a coreografia — provoquei, ofegante, mas sorrindo.
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  A segunda rodada começou, dessa vez com mais marcação. Dois batedores vieram pra cima, fingindo um bloqueio. Eu girei, passei por baixo, dei meia-volta no ar e recebi a goles de Miguel como se fosse coreografado.
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  No meio do campo, parei por um instante. Flutuando.
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  O silêncio me alcançou ali. Só o som da minha respiração, o sangue batendo rápido nas têmporas e o campo sob meus pés, minúsculo e vivo.
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  Uma estrela cadente cruzou o céu lá em cima, rápida como um pensamento bom.
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  E eu pensei: “É isso.”
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  Era isso. Por mais segundos assim.
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  Então mergulhei de novo, rindo sozinha, porque ali em cima... eu não era o eco de nenhuma profecia, nem o reflexo de um dom que me confundia. Ali, eu era só %Ayana%.
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  Rápida. Focada. Livre.
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  O treino durou mais do que o planejado.
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  Quando Helena finalmente apitou para encerrar, os corpos estavam suados, as bochechas vermelhas, e até as vassouras pareciam um pouco cansadas. Mas ninguém reclamou. A sensação que pairava no ar era boa — aquela exaustão que vinha do esforço certo.
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  Pousamos juntos, um por um, até todos estarmos novamente no centro do campo, com as vassouras apoiadas no ombro e o fôlego se ajeitando no peito.
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  — Ok… — começou Miguel, jogando o cabelo pra trás com um gesto dramático. — Se alguém ainda tiver dúvidas de que a %Ayana% está secretamente treinando com o time da Bulgária nas férias… favor levantar a mão.
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  — Cala a boca — respondi, rindo. — Você quase me acertou com aquela batida. Parecia um cometa desgovernado.
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  — A intenção era desviar sua atenção — disse ele, como se tivesse orquestrado aquilo. — Pena que você não tem uma distração funcional.
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  — Não quando tem um gol na minha frente — comentei, erguendo a sobrancelha. — E sinceramente, Leo, aquela defesa? Precisa treinar o tempo de resposta. Por pouco eu não te derrubei com a goles.
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  — Não derrubou porque eu fui generoso. Quis deixar você brilhar. — Ele sorriu, esfregando o ombro como quem tinha sentido o golpe mesmo assim.
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  Helena se jogou no chão de grama, de braços abertos.
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  — Eu só quero que alguém avise o Flitwick que esse time da Corvinal tá pronto pra ser idolatrado. Tô exausta, mas tô em paz. Isso aqui sim é terapia.
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  Todos riram, e por um tempo, só ficamos ali, jogados no meio do campo, olhando o céu já escuro como tinta, as estrelas pequenas piscando lá no alto.
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  — Esse treino foi diferente — murmurou Helena, depois de alguns minutos. — Sei lá... a energia tava outra.
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  — Talvez seja o clima estranho no castelo — comentou Leo, deitado ao lado dela. — Ou talvez a gente só precisava disso. Voar, rir, quase morrer…
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  — Me lembrar de que eu sou boa em alguma coisa que não envolva runas ancestrais — completei, em voz baixa.
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  — Você é boa em tudo, %Ayana% — disse Miguel, com um tom que não era piada. — Só esquece disso de vez em quando.
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  Fiquei quieta. Mas sorri.
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  Quando finalmente voltamos para a torre da Corvinal, os corredores estavam vazios. As escadas giratórias pareciam mais lentas, como se também estivessem cansadas. Subimos em silêncio, os passos ecoando suaves contra a pedra.
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  Na entrada do dormitório, Helena bocejou alto.
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  — Boa noite, campeões. Que a sorte esteja do lado de quem tiver dever pra entregar amanhã cedo.
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  — Ou de quem deixou a poção fermentar por engano e vai tentar dizer que era intencional — acrescentou Leo, fazendo Miguel rir.
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  Nos despedimos com acenos preguiçosos, e entre risos abafados e sussurros de “até amanhã”, cada um se enfiou no seu canto do castelo.
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  Eu entrei no dormitório com passos leves. As cortinas estavam fechadas, as camas já ocupadas por respirações lentas e tranquilas. Troquei de roupa no escuro, sem usar magia. Me deitei com o corpo ainda vibrando do treino, mas leve. Pela primeira vez em dias, minha mente não estava caçando símbolos, nem significados ocultos. Não havia serpentes, nem vozes, nem visões.
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  Só cansaço bom.
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  Puxei os lençóis até o queixo e fechei os olhos.
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  E, naquele instante raro, adormeci rápido. Sem sonhos, sem presságios.
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  Apenas silêncio.
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  E um céu estrelado guardando minha noite.
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⚡🧙

  Os dias começavam cedo. O castelo fervilhava com alunos exaustos e livros do tamanho de um elfo doméstico. E entre uma escada traiçoeira e outra, eu fui percebendo as rachaduras surgirem no quarteto de ouro.
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  Daquelas que só quem observa de verdade — ou se importa demais — consegue enxergar.
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  Hermione andava cada vez mais tensa, como se os pergaminhos tivessem ofendido a honra dela e agora precisassem ser derrotados com agressividade. Rony oscilava entre uma animação boba sobre qualquer assunto aleatório e um silêncio desconfortável toda vez que o nome "Lilá" surgia por perto. E Harry…
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  Harry fingia que não olhava para Gina.
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  Ou talvez fingisse muito bem que fingia.
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  E eu fingia que não percebia.
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  Mas percebia. Tudo. Principalmente a forma esquisita como meu coração reagia cada vez que o nome dela saía da boca de alguém. Especialmente da dele.
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  Na aula de Aritmancia, tentei focar nos padrões de conversão mágica. Números ancestrais, sequências encantadas, possibilidades infinitas... Mas bastou a voz da Parvati dois assentos atrás para desmontar tudo:
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  — Gina e Dino estão inseparáveis. Até ficaram depois do treino ontem!
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  Fechei os olhos por um segundo. Só um.
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  Respirei fundo, como quem tenta apagar um incêndio interno com ar frio, e voltei a encarar os cálculos.
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  Mas aquele monte de número mágico não levava a lugar nenhum.
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  Nem as contas.
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  Nem meu coração.
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⚡🧙

  A sala de Poções estava mergulhada em vapor e murmúrios abafados. Os caldeirões borbulhavam em tons de esmeralda, âmbar e lilás, e o Slughorn circulava entre os alunos como um colecionador orgulhoso, admirando suas preciosidades.
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  Do meu lado, Harry — mais uma vez — tinha a melhor poção da sala.
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  Hermione olhava para ele com a mandíbula travada, como se lutasse contra a vontade de arrancar o livro da mão dele e lançar dentro do caldeirão.
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  Mais tarde, enquanto Slughorn elogiava o “dom natural” do Potter como se ele fosse o próprio inventor das poções, eu me aproximei da bancada com os braços cruzados e um sorriso enviesado no canto da boca.
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  — Sabia que você ia usar aquela substituição com raiz de valeriana — comentei. — Tá anotado na página 197. Marca do Príncipe.
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  Harry olhou de lado, meio culpado, meio satisfeito.
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  — Funciona, né?
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  — Funciona bem demais — murmurei, lançando um olhar para o brilho da poção no caldeirão.
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  Hermione se aproximou, claramente incomodada.
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  — Ainda não acredito que você tá defendendo esse livro — disse, com a voz mais baixa, mas cheia de firmeza. — Você viu as alterações que ele fez? São perigosas.
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  — Eu vi o livro inteiro, na verdade — respondi, encarando-a com calma. — Estudei cada página no dia que o Harry me emprestou. A maioria das fórmulas não é só criativa... é fundamentada. E algumas vão além da alquimia moderna.
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  Ela franziu o cenho.
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  — Como assim?
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  — Magia antiga. — Me inclinei um pouco, apontando para a margem de uma das páginas. — Essas runas aqui, por exemplo, são praticamente idênticas às usadas em Uagadou para escuta astral. Técnicas de extração energética, manipulação sensorial... Isso não é invenção de aluno gênio. É conhecimento ancestral.
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  Hermione me olhou com mais incômodo do que surpresa.
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  — Então você acha que isso tudo é... válido?
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  — Eu acho que alguém, em algum momento, misturou poções com práticas muito mais profundas do que parecem. E eu acho — falei baixinho — que o tal Príncipe sabia exatamente o que estava fazendo.
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  Ela cruzou os braços, desconfortável.
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  — Ou ele só copiou o que achou bonito e achou que podia brincar com isso.
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  — Ou ele estudou mais do que qualquer professor deu conta de reconhecer — rebati. — É fácil chamar de "brincadeira perigosa" quando a origem da magia não está nos livros tradicionais.
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  Hermione não respondeu. Mas o franzido entre as sobrancelhas dela não suavizou até o fim da aula.
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  Harry me olhou com uma mistura de fascínio e culpa. Antes que dissesse qualquer coisa, Slughorn apareceu atrás de nós, soltando seu riso grave e satisfeito.
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  — Srta. %Chikondi%! Estava comentando com o professor Flitwick ontem mesmo: você tem um estilo preciso com as poções, quase intuitivo. Muito raro. Você cresceu rodeada de alquimistas?
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  Nem levantei os olhos do caldeirão.
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  — Cresci rodeada de tias que sabiam queimar cabelo com pensamento. E avós que não desperdiçavam ingrediente. Talvez isso tenha ajudado.
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  Ele piscou, um tanto desconcertado.
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  — Ah… sim, sim! Fascinante, fascinante...
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  Repetiu a palavra umas três vezes enquanto se afastava, como se não tivesse entendido nada do que ouviu.
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  — Se ele me perguntar mais uma vez sobre minhas raízes como se eu fosse um baú de relíquias mágicas, juro que jogo um Fedorento no Clube do Slug — murmurei.
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  Harry riu atrás da mão.
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  — Seria... um grande espetáculo.
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  — Seria justiça — retruquei, erguendo o queixo com orgulho.
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  A aula terminou com Slughorn radiante como um porquinho satisfeito. Nós quatro saímos juntos, cruzando os corredores úmidos do subsolo.
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  — Lilá me chamou pra ir ao Salão Principal mais cedo amanhã — comentou Rony do nada, com aquele sorrisinho de quem acha que sabe o que está fazendo. — Disse que queria me mostrar umas novas técnicas de clarear pergaminhos com chá de bardana. Sei lá o que é isso, mas tô curioso.
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  Hermione parou de andar. Só olhou pra ele com a expressão de quem teve uma epifania... ou um colapso interno.
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  — Que bom pra você — disse ela, fria, antes de acelerar os passos. Mordi o lábio pra não rir. Rony me lançou um olhar confuso.
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  — O que foi?
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  — Nada. Só… cuidado com o chá de bardana. Às vezes causa alucinação de ego inflado.
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  Harry riu, mas o riso morreu quando subimos para a parte superior do castelo. O som de vozes conhecidas nos alcançou.
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  Gina e Dino Thomas estavam próximos a uma tapeçaria animada, rindo de algo que só eles sabiam. Ela jogou os cabelos para trás quando Dino passou a mão pela cintura dela com uma naturalidade que me revirou por dentro.
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  Harry parou. Só por um segundo.
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  Mas eu vi.
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  Vi o olhar preso. A tensão no maxilar. O jeito como ele desviou rápido demais, como se não fosse nada.
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  Mas era.
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  Senti algo estranho subindo pelo meu peito. Amargo. Silencioso.
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  Não era ciúmes de Harry.
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  Era ciúmes do ciúmes dele.
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  A sensação de perceber que a pessoa que você gosta... gosta de alguém que não é você. E que nem percebe o quanto isso te atravessa. Engoli seco e apertei o passo. Hermione notou. Não disse nada. Mas seus olhos diziam que entendeu.
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  — Que foi agora? — perguntou Rony, confuso como sempre.
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  — Nada — respondi, junto com Hermione.
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  E seguimos. Cada um, carregando seu próprio tipo de silêncio.
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⚡🧙

  O calor da tarde parecia se prender nas pedras antigas da sala de Feitiços quando nós, da Corvinal, e os alunos da Sonserina começaram a se acomodar. Me sentei ao lado de Miguel Corner, mas meus olhos escaneavam a sala com um cansaço atento.
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  Zabini já estava lá, recostado com descaso no banco ao fundo, mas atento a tudo ao redor.
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  Mais à frente, Draco Malfoy parecia estranho — menos altivo do que o normal. Estava quieto, o cenho franzido e os dedos tamborilando na mesa com impaciência contida.
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  O professor Flitwick surgiu animado, flutuando com leveza em seu banquinho encantado.
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  — Boa tarde, turma! Hoje vamos trabalhar feitiços não verbais — anunciou, os olhos brilhando com entusiasmo. — Controle, foco e intenção pura! Sem palavras, sem truques. Apenas magia e mente.
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  Ajustei a varinha entre os dedos, firme, o olhar fixo à frente. Eu gostava desse tipo de desafio. Silêncio e poder. Muito do que aprendi em Uagadou girava em torno disso — da disciplina que vem de dentro, da magia que obedece à mente antes mesmo de obedecer à boca. E aquilo me fazia sentir em casa.
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  A aula começou em meio a tentativas frustradas. Faíscas irregulares, feitiços mal direcionados, intenções dispersas. Zabini foi um dos poucos que conseguiu algum resultado decente — conjurou um Expelliarmus não verbal com elegância suficiente para arrancar a varinha do colega da frente. Mas nem sorriu. Estava me observando.
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  Respirei fundo. Deixei o barulho ao redor sumir.
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  Harry até tinha falado sobre isso na época da Armada, mas aquilo era só o rascunho. Agora, era o teste real.
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  Fechei os olhos. Controle. Clareza. Intenção.
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  — Protego.
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  O feitiço saiu sem som, apenas energia. Tão preciso que rebateu o feitiço do aluno ao lado, desviando-o para cima — onde acertou uma pena encantada flutuando no teto, que caiu rodopiando como se tivesse sido atingida por um raio de leveza.
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  A sala silenciou por um segundo.
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  — Magnífico, Srta. %Chikondi%! — exclamou Flitwick, batendo palmas curtas e encantadas. — Controle perfeito. A intenção estava clara, mesmo sem som. Brilhante!
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  Sorri de canto, sem esforço. Aplausos tímidos ecoaram em seguida — junto com alguns olhares que, se fossem feitiços, também teriam me acertado.
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  Zabini me lançou um sorriso enviesado, daquele tipo que nunca entrega tudo. Enigmático. Ambíguo.
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  Mas foi outro olhar que me prendeu.
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  Draco Malfoy.
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  Tentava conjurar o mesmo feitiço — Expelliarmus — sem dizer uma palavra. Falhou. Duas vezes. Na terceira, murmurou o feitiço de forma contida, só para manter as aparências. Ninguém pareceu notar. Mas eu notei.
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  Os ombros dele estavam tensos, quase duros demais. O olhar fixo, mas perdido. Como se a mente dele estivesse em outro lugar — longe dali. Não era só arrogância, era inquietação disfarçada. Ansiedade. Preocupação.
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  Anotei mentalmente. Como quem marca uma peça deslocada num tabuleiro.
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  — Você fez aquilo parecer fácil — comentou Miguel, baixinho, ao meu lado.
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  — Porque era — respondi, sem desviar os olhos de Draco.
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  E, pela primeira vez naquele dia, eu não estava pensando no Harry. Pensava em segredos.
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⚡🧙

  A biblioteca estava quase vazia no fim da tarde. Só o som suave das páginas sendo viradas preenchia o espaço, junto ao ranger ocasional das cadeiras antigas. Fechei o livro à minha frente com um suspiro — daquele tipo que carrega não só cansaço, mas excesso de pensamento.
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  — Isso aqui não tá entrando na minha cabeça hoje — murmurei, esfregando as têmporas.
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  Hermione continuava concentrada, copiando algo de um tomo enorme de Transfiguração Avançada.
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  — É só cansaço — respondeu, sem levantar os olhos. — E provavelmente frustração acumulada. — Soltei uma risada curta, seca.
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  — Você não faz ideia. — Ela levantou os olhos, tranquila.
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  — Faço, sim. Eu convivo com você há anos, %Ayana%.
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  Houve um silêncio breve. E então, sem muito planejar, abri a boca:
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  — Eu gosto do Harry.
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  Hermione parou. Só por um segundo.
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  — Quer dizer… gosto mesmo. Não sei quando começou. Talvez no ano passado... — vomitei as palavras — O gatilho foi quando eu o vi com a Cho aos beijos depois da aula da Armada, perto da estufa, estava voltando de um treino, sozinha. E doeu. Doeu mais do que achei que poderia.
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  Ela me olhou em silêncio, com aquele jeito cuidadoso dela.
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  — Eu não sabia que você tinha visto. Nem que fosse assim… tão forte.
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  Assenti, apoiando o queixo na mão.
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  — Pois é. Nem eu sabia. Achei que ia passar. Mas não passou. E agora tem a Gina.
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  Hermione franziu os lábios.
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  — E você acha que ele gosta dela?
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  — Acho que já gostou, ou gosta, eu já nem sei mais. E bom, se não gosta mais… ainda não me viu. Tipo, de verdade. — Ri, sem humor. — E quer saber? Cansei de gostar de alguém que nem sabe que eu existo desse jeito.
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  Ela fechou o livro devagar.
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  — O que vai fazer?
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  — Me forçar a olhar para outra direção — disse, com mais convicção do que realmente sentia. — Tem outros meninos por aí. Simas, talvez. Ou o Ian Caulfield da Lufa-Lufa. Ou até o Hugo Avery da minha casa. Ele tem um sorriso decente.
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  Hermione arqueou uma sobrancelha, meio rindo, meio preocupada.
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  — Isso parece um pouco precipitado.
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  — Talvez. Mas pelo menos me afasta do impossível. — Olhei para ela com mais firmeza. — A única de nós que tem uma chance real… é você. E você vive fingindo que não vê.
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  Ela corou, como eu sabia que coraria.
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  — Eu e o Rony? Não tem nada a ver… — Ergui uma sobrancelha com força dramática.
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  — Claro. Nada a ver. Por isso vocês brigam como casal e ele fica te observando sempre que acha que ninguém tá vendo.
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  Ela tentou rebater, mas eu continuei, com um sorriso triste:
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  — Se vocês se assumissem logo, metade das tensões de Hogwarts evaporariam. Pelo menos você tem chance. Eu… nem isso, só uma nota de rodapé.
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  Hermione ficou quieta. Tocou minha mão com delicadeza, cruzando o silêncio com carinho.
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  — Você nunca foi nota de rodapé, %Ayana%. — Sorri. Mas foi só por fora.
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  — Então por que eu me sinto como uma?
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  Ela não respondeu de imediato. Apenas se levantou da cadeira e veio até mim, me puxando para um abraço apertado — o tipo que não tenta consertar nada, só diz: “tô aqui”. E por um segundo, só por um, o peso no peito pareceu um pouco menor.
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  Quando nos separamos, trocamos aquele sorriso breve, cheio de tudo que não precisava ser dito. Eu agradeci, prometi que ia descansar… mas, na verdade, o que menos consegui fazer foi isso.
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  Era tarde. Tão tarde que o castelo parecia segurar o fôlego. A maioria dos alunos já havia subido para os dormitórios, mas eu ainda caminhava pelos corredores frios do segundo andar, tentando clarear a mente depois da conversa com Hermione. O eco dos meus próprios passos parecia mais alto do que deveria. E, de algum jeito estranho, fazia companhia para o turbilhão que insistia em não se calar dentro de mim.
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  Eu não gostava de dormir com o peito cheio.
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  O som dos meus próprios passos ecoava entre as colunas de pedra quando senti algo atrás de mim. Não era uma ameaça. Era… uma presença.
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  — Sabe que andar sozinha pelos corredores dá margem a boatos — disse uma voz suave, irônica, com aquele arrastar de sílaba que eu já reconhecia de longe.
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  Zabini.
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  Ele apareceu na curva da parede, encostado como se fizesse parte dela. Não me assustei. Só ergui uma sobrancelha, já exausta.
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  — Melhor sozinha do que mal acompanhada.
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  — Tão afiada assim a essa hora? — O sorriso dele era fácil, mas os olhos... os olhos carregavam algo mais. — Deve ser o treinamento africano. Ou só cansaço mesmo. — Cruzei os braços, fingindo indiferença.
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  — É o talento de quem tem que lidar com babacas em horário extra.
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  Ele se empurrou da parede e veio devagar, passos calculados, parando perto. Perto demais.
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  — Você se saiu bem hoje em Feitiços. Protego limpo, direto. Impressionante.
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  — Obrigada. Mas não preciso dos seus elogios pra saber do meu valor.
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  — Não elogiei por você. — Ele inclinou a cabeça, aquele sorriso torto crescendo. — Elogiei por mim. Gosto de reconhecer talentos... raros. — Revirei os olhos.
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  — E você é o tipo que coleciona coisas raras? — Ele deu um passo. E depois mais um.
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  — Sou o tipo que observa... E que sabe exatamente quando vale a pena... se aproximar.
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  O olhar dele desceu até minha boca. E, naquele segundo, a tensão virou uma linha fina, prestes a se partir.
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  — Tá tentando me intimidar, Zabini?
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  — Intimidar? — A risada foi baixa, grave, e vibrou direto no meu estômago. — Nem um pouco.
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  Dei um passo pra trás, mas ele já tinha avançado dois. E antes que eu soltasse qualquer resposta, a mão dele segurou minha cintura, firme, me puxando.
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  — Blaise— comecei, mas não deu tempo.
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  Os lábios dele tocaram os meus, primeiro num roçar lento, como se testasse. E, quando eu não recuei — talvez até tenha me inclinado sem perceber —, ele aprofundou o beijo. Era quente. Insolente. Exatamente do jeito que eu deveria odiar.
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  Mas não odiei.
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  Minhas mãos foram parar no peito dele, numa mistura de querer empurrar e querer puxar mais. E, Merlim, o cheiro dele... amadeirado, picante, com aquele fundo de menta fresca… Ele mordeu meu lábio inferior no fim, puxando de leve, como quem sabia exatamente o que estava fazendo.
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  — Você tá viciando demais nos meus beijos — murmurei, ainda sem conseguir regular a respiração. O sorriso dele foi criminoso.
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  — Você é viciante, %Chikondi%. — Os olhos desceram, de novo, pros meus lábios. — E o problema é que você sabe disso.
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  Afastei, passando as mãos no cabelo pra tentar parecer mais no controle do que eu realmente estava.
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  — Boa noite, Zabini.
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  Ele deu um passo pra trás, com aquele jeito dele, preguiçoso e perigoso ao mesmo tempo.
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  — Boa noite... Por enquanto.
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  Me virei antes que meu corpo me traísse mais uma vez. Mas Merlim... se eu dissesse que não queria olhar pra trás, estaria mentindo.
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⚡🧙

  O dormitório da Corvinal estava mergulhado em silêncio. As velas já se apagaram há horas, e a brisa gelada vinda das janelas altas fazia as cortinas dançarem como espectros cansados.
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  Não sei quando adormeci. Só sei que estava sonhando, mas não era um sonho qualquer.
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  Eu estava de pé no meio de um campo seco e rachado, sob um céu negro como tinta, salpicado de símbolos dourados flutuando, girando, sussurrando em línguas que eu quase entendia.
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  E no horizonte... ele.
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  A figura encapuzada. Caminhando em minha direção. Tentei me mover, mas meus pés estavam presos à terra.
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  Ele parou diante de mim.
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  Dessa vez, eu vi um rosto. Parcialmente oculto, mas visível o suficiente. O mesmo homem da visão anterior. Pele pálida, olhos dourados demais, quase humanos. Uma serpente viva enroscada em seu braço.
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  Quando ele falou, sua voz ecoou por dentro de mim.
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  “Nem todo poder precisa ser invocado. Alguns nascem com você. E esperam.”
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  Tentei falar. Nada saiu. Tentei olhar para as mãos — e lá estava o símbolo. Brilhando na palma, dividido em dois: metade runa, metade serpente.
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  Ele ergueu a mão até o meu rosto.
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  “Há olhos que enxergam o passado. E olhos que escutam o que ainda não aconteceu.”
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  A paisagem mudou.
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  Harry.
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  Voldemort.
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  Duas varinhas erguidas. Um duelo. Luz, sombra e tensão congelada no ar.
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  Antes do feitiço ser lançado… acordei.
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  Ofegante. Suada. O coração batendo como se eu tivesse corrido os corredores inteiros de Hogwarts. Me sentei na cama, abraçando os joelhos. De novo eu via Voldemort e Harry prestes a duelar.
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  O céu lá fora começava a clarear, tingindo a torre de tons prateados. O mundo estava quieto. Mas dentro de mim, nada estava.
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  Eu não sabia o que aquilo significava, mas sabia que não era só um sonho.
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  Era um aviso.
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  “Algumas visões não são para ver. São para preparar.”
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  O sol já atravessava os vitrais da torre quando eu finalmente apaguei. O corpo cedeu, mas a mente… a mente continuava marcada. O símbolo da serpente. Os olhos dourados daquela figura. Ainda dançavam atrás das minhas pálpebras, como tinta fresca que não seca.
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  Sentei na cama, tentando lembrar onde acabava o sonho e começava o dia.
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  — Você dormiu tão quietinha que parecia uma pedra de quartzo — ouvi a voz da Luna do outro lado do dormitório. Ela penteava os cabelos longos, com uma calma que parecia não pertencer a esse plano.
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  — Me senti mais como um meteoro desgovernado, para ser sincera.
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  — Ah, esses têm bons sonhos — ela respondeu, como se tivesse acabado de citar um tratado de magia lunar. — E acordam com energia rara.
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  — Tomara… — murmurei, calçando os sapatos com a cabeça ainda meio nublada.
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  O Salão Principal já estava movimentado quando cheguei. Alunos riam, bocejavam, passavam livros de mão em mão enquanto tentavam morder torradas ao mesmo tempo. A mesa da Corvinal parecia mais viva do que eu conseguia acompanhar.
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  Me sentei, servi um pouco de suco de abóbora e fiquei observando as bandeiras penduradas. O céu encantado estava claro, limpo e calmo. Mas dentro do meu peito, nada disso se refletia.
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  Eu tentava me ancorar nos detalhes: a cesta de pães quentinhos, os potes de geleia abertos, o tilintar constante de talheres. Mas era como estar alguns segundos atrasada do resto do mundo — como se minha linha do tempo estivesse desalinhada com a de Hogwarts.
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  — Você parece ter dormido em cima de uma adivinhação ruim — disse Cho, surgindo ao meu lado com uma maçã na mão e um sorriso suave.
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  Forcei um sorriso de volta.
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  — Acho que sonhei em três idiomas diferentes. Nenhum deles fazia sentido.
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  — Isso explica o olhar perdido — comentou Miguel, se sentando do outro lado. — Se quiser companhia pra ignorar responsabilidades, tô disponível até a segunda aula.
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  Dessa vez, sorri de verdade.
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  — Tô tentando me concentrar em respirar primeiro. Depois eu penso nas responsabilidades.
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  Tomei um gole do suco, tentando acalmar o redemoinho. Lá fora, o mundo girava. As pessoas falavam de lições, de apostas de quadribol, de quem ia ficar com quem até o Natal. Tudo seguia como se nada estivesse prestes a desmoronar.
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  Mas dentro de mim?
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  Dentro de mim, já tinha começado e não tinha mais como fingir que não era real.
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  O sol se filtrava por entre os galhos trançados das árvores ao redor das estufas de Herbologia, tingindo o chão de sombras douradas que se moviam com o vento. O cheiro de terra molhada e musgo misturava-se ao perfume adocicado de alguma planta exótica que liberava esporos cintilantes a cada intervalo irregular.
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  Avistei meus amigos num dos bancos de pedra, à sombra de uma árvore retorcida cuja casca parecia... respirar. Harry estava quase afundando o rosto em um pergaminho amarrotado, Rony rabiscava com a pena em um ângulo duvidoso, e Hermione parecia à beira de um colapso nervoso. Ou de fazer o trabalho inteiro sozinha.
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  Foi Hermione quem me viu primeiro. O aceno dela dizia tudo: vem logo, por Merlin.
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  — Eles estão prestes a se autodestruir tentando terminar esse resumo — sussurrou assim que me aproximei. — E já desisti de explicar que deixar tudo pra última hora nunca funciona.
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  — Isso é mentira. Eu só trabalho melhor sob pressão — protestou Rony, bufando.
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  — Preciso entender o tal do fungo luminescente até o almoço, ou vou ser expulso da vida acadêmica — resmungou Harry, os olhos vermelhos de sono.
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  Me sentei sobre uma raiz larga da árvore viva e cruzei os braços.
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  — O segredo dos fungos é que eles são temperamentais. Tipo o Rony. Mas com menos tendência a falar besteira.
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  Rony fingiu ofensa. Hermione suspirou alto e puxou outro livro da pilha que parecia ter surgido magicamente ao lado dela.
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  — Vamos revisar. Mas só porque eu não aguento ver uma caligrafia tão ruim sendo punida com uma nota péssima.
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  — E porque você não resiste a organizar o caos — acrescentei, abrindo meu exemplar de Tratado de Poções Ancestrais. — A propósito, Harry… na receita do feitiço adormecente, substituir erva de sombra por angélica é bem comum no sul da África. Estabiliza a essência, mas muda o tempo de preparo. Aposto que foi isso que o Príncipe fez.
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  — Claro que ele usou uma substituição arriscada. Mas genial. — Hermione me lançou um olhar que misturava julgamento e resignação.
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  — Você tá ajudando ou reclamando? — perguntou Rony.
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  — Os dois — Hermione e eu dissemos ao mesmo tempo. Rimos.
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  O grupo ainda estava ali, intacto em meio à confusão: Hermione reorganizava as anotações como se estivesse montando uma fortaleza, Rony fingia que seu pergaminho fazia sentido, e Harry folheava um livro com o olhar distante, como quem procura respostas onde nem perguntas existem.
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  Até que ele parou. O olhar fixo em algum ponto além das árvores.
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  — O Malfoy tá tramando alguma coisa — disse de repente. — Eu sei que tá.
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  Hermione soltou o ar bem devagar, já prevendo o rumo da conversa.
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  — Harry, você não tem nenhuma prova. Só… impressões.
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  — E às vezes, impressões são tudo o que a gente tem — ele rebateu, a voz firme.
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  Eu observava tudo em silêncio até ali. Mas naquele momento, apoiei os braços nos joelhos e falei:
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  — Eu vi. — Os três me encararam ao mesmo tempo.
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  — No começo da semana. No sétimo andar. O Malfoy entrou na Sala Precisa. Sumiu. Como se o castelo tivesse engolido ele. — Hermione arregalou os olhos, mas tentou manter a racionalidade.
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  — Talvez ele só quisesse ficar sozinho…
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  — Draco Malfoy nunca quis ficar sozinho, Mione — retruquei. — Ele sempre quis plateia.
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  Harry me encarou. E pela primeira vez, vi nos olhos dele algo diferente. Um reconhecimento silencioso. Ele não estava mais sozinho naquela paranoia.
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  — A gente precisa descobrir o que ele tá fazendo lá dentro. Antes que seja tarde — disse ele.
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  — Precisamos de provas — insistiu Hermione. Mas a voz dela não tinha tanta certeza agora.
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  — Então a gente encontra — falei.
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  Rony não respondeu, só coçou a cabeça com aquele jeito dele de “meu Deus, por que eu?”. Mas ele não discordou.
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  O silêncio que veio depois era tenso, como se tivesse peso próprio. E mesmo com o sol se pondo atrás das estufas, senti um arrepio estranho.
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  Hermione e Rony se levantaram e começaram a se afastar, ainda discutindo ingredientes de poções — o que, honestamente, soava como o início de mais uma briga afetuosa. Eu fiquei. E Harry também.
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  Fingi que organizava meus papéis, mas a verdade é que minha cabeça ainda girava com o que eu tinha dito — e com o que não disse.
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  — Tá tudo bem? — perguntei, sem encará-lo.
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  — Tá. Quer dizer… tão bem quanto pode estar, né?
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  Assenti. O silêncio entre a gente era estranho demais para ser casual.
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  — Harry… eu preciso te contar uma coisa. — Ele se virou um pouco mais, os olhos atentos.
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  — Eu tenho sonhado com você e com o Voldemort. Em duelo. Em ruínas, em lugares que eu nunca vi, mas sempre com o símbolo do meu grimório... brilhando no ar. Como se fosse parte do duelo.
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  Ele ficou quieto.
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  — Já aconteceu outras vezes? — perguntou, por fim.
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  — Sim. Mas agora é diferente. Não parecem fragmentos do passado. É como se eu estivesse espiando o que ainda vai acontecer.
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  Ele desviou o olhar, absorvendo. Quando voltou pra mim, era como se finalmente estivesse me enxergando de verdade.
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  — Por que você não me contou antes?
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  — Porque, assim que tive o primeiro sonho com você, eu contei ao Dumbledore. — A voz saiu mais baixa do que eu esperava. — Ele me ouviu com calma, explicou algumas coisas… mas eu ainda estava tentando entender. Precisava absorver tudo antes de contar pra mais alguém. Não é fácil carregar algo assim sem saber o que significa.
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  Harry virou ligeiramente o rosto, surpreso.
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  — E o que ele disse?
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  — Que isso que eu vi… não é só uma premonição. — engoli em seco. — É um ponto de convergência. O Dumbledore disse que algumas visões carregam sinais do que está por vir. E que quando eu vejo você e o Voldemort juntos assim… é porque esse confronto está se aproximando. É inevitável. E a magia está tentando me preparar pra isso.
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  Harry balançou a cabeça devagar, absorvendo aquilo como quem junta peças de um quebra-cabeça que sempre soube que existia, mas nunca tinha conseguido montar.
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  — Não é errado. — A voz dele estava mais firme agora. — É importante. Talvez… mais do que a gente imagina.
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  Respirei fundo, olhando pro céu que já escurecia atrás das estufas.
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  — Às vezes, sinto que tem algo dentro de mim que não é só meu. Como se eu estivesse escutando um feitiço que começou muito antes de mim. E agora, é como se esse feitiço tivesse virado de direção.
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  Ele se aproximou. Só o bastante para que os ombros quase se encostassem.
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  — A gente vai descobrir o que é isso. Juntos.
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  Virei o rosto devagar. E então encontrei os olhos verdes dele — tão cheios de tudo o que não sabíamos como dizer, tão intensos que por um instante esqueci como se respirava direito.
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  Era nesses momentos que eu me odiava um pouco. Porque era impossível negar. Porque bastava ele me olhar assim pra que meu coração disparasse feito louco, como se fosse explodir de tudo o que eu ainda sentia. E quanto mais eu lutava contra isso, mais claro ficava: eu gostava dele. Mais do que queria. Mais do que podia.
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  — Obrigada… por acreditar.
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  Harry não respondeu de imediato. Apenas estendeu a mão, como se soubesse que palavras não bastavam. E eu, sem pensar muito, entrelacei meus dedos nos dele.
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  — Sempre acreditei — ele disse, enfim.
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  Simples. Verdadeiro.
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  E ali, com as mãos unidas no meio do silêncio que só nós dois entendíamos, eu soube: ele estava comigo. E pela primeira vez… eu acreditei também.
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  Nota da autora: Esse capítulo? Um mix de treino voando alto, beijo clandestino nos corredores e surtos emocionais em três idiomas diferentes. %Ayana% tá vivendo a própria novela bruxa: gosta de quem não repara, beija quem devia evitar, sonha com duelo mortal e ainda tira 10 em feitiço não verbal. Uma rainha confusa? Com certeza.
  Tem Hermione sendo terapeuta, Zabini sendo encrenca de terno, Harry sendo... Harry (aka: distraído e emocionalmente indisponível), e %Ayana% tentando não surtar com o símbolo brilhando no grimório E na alma.
  Se você terminou esse capítulo suspirando, rindo nervoso ou gritando mentalmente “EU TE AVISEI”, tamo junto, porque foi assim que eu fiz quando terminei de escrever hahah!
  Até a próxima, amorinhas! 🖤

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Lelen

Harry e Rony com relação a sentimentos SÃO FRUSTRANTEEEEES
Neste momento eu gostaria de dar um tapão no Rony, porque todo mundo sabe que ele tá(va) com a Lilá só pra atingir a Hermione (e porque não queria “perder” pra Gina kkkkk). E Hermione também AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Agora temos Zabini. Não me importo de ter mais pegas com ele enquanto o tapado do Harry não percebe a Ayana POASJDPAOSDNAPO
E meu Draquinho sofreni, coitado </3

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