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Feitiço Inquebrável

Escrita porNyx
Editada por Lelen

Capítulo 03 • Vozes do Sangue

Tempo estimado de leitura: 36 minutos

  A biblioteca estava quase vazia quando resolvi que já era o bastante. Os poucos alunos que ainda restavam pareciam ter se fundido às páginas dos livros, como se os próprios livros os tivessem engolido e digerido com silêncio e poeira antiga.
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  Eu folheava distraidamente um capítulo sobre ingredientes voláteis e suas propriedades instáveis, mas minha cabeça estava longe. Miguel, do meu lado, rabiscava num pergaminho que mais parecia um campo de batalha. A pena dele travava guerras contra o papel e vencia só pelo cansaço.
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  — Miguel — murmurei, sem tirar os olhos da ilustração da poção borbulhante —, você vai explodir esse dever se continuar escrevendo assim.
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  — Se explodir, viro exemplo para posteridade — respondeu, bocejando. — Slughorn vai me usar como aviso nas próximas décadas. “Vejam, jovens, a tragédia da mandrágora mal anotada.”
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  Ri baixo e fechei o livro com cuidado, como quem guarda um feitiço perigoso.
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  — Eu vou voltar pra torre. Já entendi mais do que precisava por hoje.
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  — Eu fico. Tô quase sacando a lógica das pétalas de mandrágora. “Quase”, tá? Não me julga.
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  — Boa sorte com isso.
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  Recolhi minha mochila e saí da biblioteca em silêncio. O castelo estava mergulhado naquela penumbra azulada que só Hogwarts tem à noite. As pedras começavam a gelar, e meus passos pareciam alto demais nos corredores vazios.
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  Peguei um atalho pelo terceiro andar, desviando da ala das armaduras — elas sempre reclamavam quando passava tarde por ali. Mas, na curva do corredor, algo mudou.
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  O ar... vibrou.
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  Não como um vento. Como uma presença.
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  Parei.
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  O corredor estava vazio. Mas eu não estava sozinha. Tinha certeza disso.
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  Mais três passos. E então vi.
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  A porta.
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  Madeira escura, entalhada com a fênix dourada — a entrada do escritório do diretor. Sempre selada e imponente. Mas agora... agora havia algo ao redor dela, no ar. Um calor silencioso, uma vibração sutil, mágica, quase viva.
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  Me aproximei devagar, como se o chão estivesse chamando meu nome.
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  Foi então que ouvi.
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  Sussurros.
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  Não era som, era uma sensação. Uma língua que eu não conhecia, mas que parecia me reconhecer. As palavras flutuavam como fumaça, e por um instante, juro, tive a impressão de que a própria pedra murmurava.
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  Estendi a mão e toquei a parede ao lado da porta. A imagem veio na hora, não sonho ou imaginação, era memória.
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  Uma casa. Ruínas. Paredes quebradas. Um campo seco. Árvores que pareciam mãos torcidas apontando para o céu. E no centro disso tudo, uma mulher. Em pé à porta.
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  Ela me olhou.
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  Cabelos soltos, olhos tristes, corpo curvado como se carregasse séculos de dor. E na maçaneta da porta, enrolada como um segredo: uma serpente. Viva? Símbolo? Maldição?
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  Não sei.
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  Afastei a mão num sobressalto. Meu peito doía. Olhei ao redor, esperando... alguma coisa. Um som, ou um aviso, mas nada.
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  Tudo imóvel de novo. Como se o corredor tivesse me devolvido ao tempo presente e fechado a cortina na minha cara. Respirei fundo e pressionei os dedos contra a palma da mão.
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  Aquilo não era imaginação. Mas também não tinha explicação. Ainda não.
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  Voltei a andar e guardei o que vi naquele canto da mente onde se escondem as perguntas que ninguém ainda teve coragem de fazer.
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  A Torre da Corvinal estava quieta quando entrei. Não troquei de roupa. Não falei com ninguém. Só deitei, olhando o teto encantado girar com as constelações azuis, e deixei os pensamentos se emaranharem com as estrelas.
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  Sussurros.
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  A mulher.
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  A serpente.
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  O castelo havia deixado um segredo cair no meu colo. E eu... ainda não sabia se queria carregá-lo.
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  Tentei dormir. Chá de menta. Feitiço de relaxamento… mas nada funcionou.
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  Quando o céu começou a clarear, eu ainda estava sentada na cama, abraçada ao grimório como se ele fosse um escudo contra o que não dava para nomear. Cho se mexeu na cama. Miranda também.
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  — Tá tudo bem? — perguntou Cho, ainda sonolenta.
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  — Você parece... estranha — disse Miranda, sentando-se. Me virei, prendendo o cabelo com calma.
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  — Tá tudo certo. Só não dormi o suficiente.
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  Elas trocaram olhares, mas não insistiram.
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  Peguei minha mochila e desci as escadas com passos leves. O Salão Principal estava barulhento, como sempre. Talheres, vozes, corujas, risadas, mas para mim, tudo parecia abafado, como se estivesse ouvindo o mundo debaixo d’água.
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  Parei em frente à mesa da Corvinal.
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  Luna lia O Pasquim de cabeça pra baixo. Miguel discutia com Cho sobre alguma teoria de poção que envolvia lesmas. Tudo ali parecia alto demais, colorido demais, distante demais.
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  Me virei para a mesa da Grifinória. Harry, Rony e Hermione estavam ali, os lugares ao redor ainda meio vazios. Um silêncio diferente pairava entre eles. Às vezes, quando precisava de silêncio... era ali que eu me sentava. E hoje, precisava mais do que nunca.
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  — Você tá com uma cara péssima — foi o que Rony disse quando me sentei. Delicado como uma vassoura no meio da cara. — Tipo “acabei de escapar de um dementador” péssima.
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  Hermione o fulminou com os olhos. Harry não disse nada, mas me olhou. Aquele tipo de olhar que escutava sem precisar de palavras. Passei a mão no rosto, peguei uma torrada, mas nem tentei comer.
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  — Eu não dormi. — Minha voz saiu crua. — Tive uma... experiência estranha ontem.
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  Eles se calaram.
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  Contei.
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  O corredor. A vibração. A parede. O toque. A visão da casa. A mulher. A serpente. Omiti o medo. A sensação de ser observada. O arrepio na espinha. Algumas coisas eram só minhas, ainda.
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  — Isso foi ontem à noite? — Harry perguntou, mais baixo. Assenti. — Depois a gente conversa. Com calma — foi tudo que respondeu.
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  Hermione tocou levemente no meu braço. A sineta tocou. Hora da primeira aula.
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  Transfiguração.
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  Fomos juntos, mas Harry ficou um pouco atrás. Andava em silêncio. Pensando. E mesmo com a cabeça pesada, percebi: tinha algo nele diferente. Algo que estava se movendo também.
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  Na sala de aula, McGonagall já nos esperava. Rígida. Impecável. As palavras no quadro negro já eram suficientes pra dar arrepios:
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  “Transfiguração Humana: modificação localizada e reversível de atributos corporais.”
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  Me sentei ao lado de Hermione. Rony bocejava. Harry tentava parecer normal, mas não conseguia.
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  — Hoje começamos o conteúdo mais delicado do ano — McGonagall anunciou. — Erros aqui são dolorosos. Ou embaraçosos. Ou ambos.
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  A turma riu, nervosa. Ela demonstrou. A mão virou uma pata felina em segundos. Elegante. Precisa.
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  — Agora é com vocês.
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  Varinhas em mãos, fechei os olhos, respirei e deixei fluir. Não forcei, ou controlei, só senti, como me ensinaram em Uagadou. Minhas pontas dos dedos se alongaram. Os ossos mudaram. E, quando abri os olhos, lá estava: pata felina perfeita, pelos macios, garras retraídas.
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  Silêncio absoluto na mesa.
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  — Impressionante, Srta. %Chikondi% — disse McGonagall. — Elegância e controle. Uma combinação rara.
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  Assenti com um sorriso discreto. Nada de arrogância. Só... tranquilidade. Hermione sussurrou ao meu lado:
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  — Eu sabia que você era boa. Mas isso foi... uau.
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  — Lá em Uagadou a gente aprende Transfiguração antes de escrever o próprio nome — murmurei, dando de ombros.
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  Harry ainda me olhava. Não com surpresa, mas com... reconhecimento. Como se tivesse se lembrado, por um instante, de quem eu era. Do que eu carregava.
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  Desfiz o feitiço com facilidade. Voltei à normalidade, ou algo próximo disso. Quando a aula terminou, McGonagall passou pela minha mesa de novo. Abaixou o tom:
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  — Srta. %Chikondi%, o professor Dumbledore gostaria de vê-la depois do almoço.
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  Parei. Assenti.
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  O mundo girava.
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  E alguma coisa, dentro de mim, estava começando a despertar.
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  — Ele disse o motivo? — perguntei, baixando a varinha e tentando manter o tom leve, mesmo com o coração já acelerado.
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  — Não. Mas o tom... não era de repreensão. — McGonagall arqueou uma sobrancelha, naquele jeito enigmático e só um pouco orgulhoso que ela dominava com perfeição. — E, se me permite dizer... há poucos alunos em Hogwarts que conseguem executar uma transfiguração como a sua. Especialmente num dia que, claramente, não começou fácil.
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  Senti o peito apertar, uma pontada silenciosa que não era exatamente medo — mas também não era só ansiedade. Era como se algo estivesse se preparando dentro de mim, tomando forma no escuro.
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  Assenti, engolindo em seco.
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  — Obrigada, professora.
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  Ela me lançou um pequeno sorriso e voltou ao centro da sala, encerrando a aula como se não tivesse acabado de soltar uma bomba em minhas costas.
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  Enquanto guardava o material, meus pensamentos já estavam longe dali. Muito antes de subir até o escritório do diretor, algo em mim já sabia: alguma coisa estava prestes a ser revelada. E eu não estava certa se estava pronta para ouvir.
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  O céu parecia mais pesado quando caminhei pelos corredores vazios que levavam à torre de Dumbledore. Nuvens densas se acumulavam do lado de fora, e uma brisa fria serpenteava pelas pedras do castelo. Tudo tinha um ar suspenso, como se até Hogwarts estivesse prendendo a respiração.
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  A gárgula girou devagar assim que murmurei a senha que McGonagall havia me dado: Sorvete de gengibre.
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  Clássico.
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  Subi os degraus em espiral sentindo o coração bater alto — não de medo, mas de... antecipação. Como quem entra em um lugar onde o tempo se dobra.
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  A porta se abriu com um rangido suave. Dumbledore estava de costas, em pé, observando a luz que filtrava pelas janelas arqueadas. Seu manto roxo roçava o chão com suavidade, e Fawkes soltava um canto baixo e melancólico, como se já soubesse o que estava por vir.
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  — Srta. %Chikondi% — disse ele, sem se virar —, fico feliz por ter vindo.
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  — A professora McGonagall disse que o senhor queria falar comigo — respondi, mantendo a postura firme, mesmo com as mãos suando levemente.
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  — De fato. E a senhorita sabia, não sabia?
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  Ele se virou então, os olhos brilhando por trás dos óculos de meia-lua. Um brilho que eu não sabia dizer se era sabedoria, provocação ou apenas o reflexo de algo que eu ainda não conseguia enxergar.
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  — Sabia? — repeti, hesitante.
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  — Não exatamente. Mas... sentiu. — Ele sorriu, e aquele sorriso parecia conter mil respostas e nenhuma. — A magia antiga costuma sussurrar antes de falar alto. Nem todos conseguem ouvi-la. E menos ainda sabem escutá-la.
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  Dei um passo à frente, sentindo o corpo todo em alerta.
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  — O que o senhor quer dizer com... escutar?
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  Dumbledore apontou para uma poltrona diante de sua mesa. Sentei-me, tensa, ainda sem saber se estava ali para receber um segredo ou uma responsabilidade.
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  — Seu pai era muito parecido com você — comentou de repente, com a voz suave, como se puxasse um fio da memória. — Observador. Curioso. E dono de uma magia inquieta. Ele estudou em Hogwarts nos mesmos anos que Tiago Potter e Sirius Black, sabia?
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  Assenti, surpresa com a menção.
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  — Sabia que eles se conheciam, mas... meu pai nunca falou muito sobre isso.
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  — Ele foi um aluno brilhante. Teimoso, às vezes. — Um brilho leve atravessou os olhos de Dumbledore. — Conheceu sua mãe em uma conferência internacional sobre combate às Artes das Trevas. E simplesmente... decidiu que o lugar dele era ao lado dela. Foi um daqueles momentos raros em que até a magia pareceu dizer "é por aqui".
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  Sorri com a imagem que aquilo formava na minha cabeça. Foi então que ele colocou um pequeno frasco de vidro sobre a mesa. Dentro, rodopiava uma substância prateada. Uma memória.
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  — O que você viu na noite passada... não foi imaginação, %Ayana%. Foi um eco. — Minhas mãos se fecharam contra os braços da cadeira.
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  — Eu vi uma casa. Uma mulher. Uma serpente. — As palavras saíram num sussurro.
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  — Fragmentos de uma memória guardada com magia antiga. Tão poderosa que não conseguiu permanecer contida. E você a captou... porque há algo em você igualmente antigo. — Engoli em seco.
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  — Então... o senhor sabia?
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  — Suspeitava. Agora, tenho certeza.
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  Ele se aproximou com calma, os olhos suaves, mas firmes. Como se me enxergassem inteira.
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  — Meus pais sabem? — perguntei então, baixando a voz. Dumbledore assentiu, com uma expressão gentil.
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  — Sabem. Sempre souberam que havia algo especial, mas decidiram esperar que você mesma percebesse. Que sua relação com a magia crescesse de forma natural, não forçada. Eles confiaram que você saberia quando fosse a hora. E, %Ayana%… você soube.
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  — Eu… — as palavras fugiam da minha mente, era muito a assimilar.
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  — Em Uagadou, há registros de bruxos como você. Não são videntes. Nem legilimentes. Caminham na borda entre o mundo mágico e o invisível.
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  Eu me mantive em silêncio, mas por dentro... era como se todas as peças que eu fingia não ver estivessem começando a se encaixar.
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  — Seu dom é raro. E perigoso, se não compreendido. Mas também... precioso. Porque você pode ouvir o que mais ninguém ouve. E talvez, no tempo certo... ver o que mais ninguém vê.
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  O silêncio que se seguiu era denso. Quase ritualístico. Meus olhos foram até o frasco sobre a mesa.
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  — Aquela memória... é dela? A mulher que eu vi? — Dumbledore não respondeu direto.
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  — Digamos apenas que algumas histórias se repetem. E algumas marcas, como a serpente, voltam a aparecer onde há segredos antigos demais para ficarem enterrados.
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  Assenti devagar. A mente girava, como se procurasse onde encaixar tudo aquilo. Ele se afastou, como quem fecha um livro ainda pela metade.
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  — Obrigado por escutar, %Ayana%. E por não ignorar o que viu.
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  Me levantei, os joelhos ligeiramente trêmulos. E então ele acrescentou, com um meio sorriso:
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  — Ah, e diga ao Sr. Potter que estarei esperando por ele amanhã à noite.
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  Pisquei, surpresa. Mas não perguntei por quê. Apenas assenti. Enquanto saía, uma certeza crescia dentro de mim, quente e incômoda como uma tocha acesa no escuro:
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  A partir de agora, nada seria como antes.
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⚡🧙

  O castelo já dormia. Ou fingia. A maioria dos alunos havia se recolhido, e o som de passos apressados, risadas perdidas e feitiços sussurrados se dissolvera no silêncio espesso que só Hogwarts conhecia quando respirava sozinha.
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  Estávamos os quatro sentados nos degraus gastos do saguão de entrada, perto da escadaria de mármore. Rony arrumava o material de Herbologia com má vontade, Hermione revisava anotações com uma pena encantada que parecia mais viva do que ele, e eu... só observava.
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  Observava o modo como Harry mantinha o olhar abaixado desde que sentamos ali, como se cada pensamento pesasse nos ombros mais do que qualquer mochila de livros. Aquilo não era cansaço comum. Era o tipo de exaustão que só conhece quem já viu demais. Quem carrega segredos demais.
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  Esperei.
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  Ele soltou um suspiro curto, quase engolido pela noite.
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  — O Dumbledore me chamou ontem à noite... para uma lição — disse, com a voz contida, como se cada palavra precisasse ser escolhida com precisão cirúrgica. — Me mostrou uma memória. De um homem chamado Bob Ogden. Ele trabalhava no Ministério... e foi visitar uma família chamada Gaunt.
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  Vi os olhos de Hermione se erguerem na mesma hora.
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  — Gaunt? Nunca ouvi falar.
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  — Eles eram sangue-puros. Orgulhosos disso. Mas viviam isolados, no meio da sujeira e da loucura. O pai, Marvolo, era violento. O filho, Morfin, completamente perturbado. E a filha...
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  Ele fez uma pausa longa. O tipo de pausa que não é para lembrar, é para processar o que se lembra.
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  — Merope. Era tratada como nada. Invisível.
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  Meu estômago se revirou, a mulher da visão.
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  — Eles são parentes do Voldemort? — perguntou Rony, a testa franzida.
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  — Merope... era a mãe dele — Harry disse, quase sem voz. — Ela se apaixonou por um trouxa. Um homem bonito, rico, chamado Tom Riddle.
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  Um silêncio denso caiu sobre nós. Hermione parecia tomada por compaixão. Rony olhava para o chão, inquieto. E eu… eu fechei os olhos.
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  — Eu vi essa casa. — Minha própria voz me surpreendeu. Os três se viraram para mim. — Naquela noite, no corredor. Não sabia o que era. Mas vi uma mulher com olhos tristes... e uma serpente enrolada na maçaneta. Eu não entendi. Só... senti.
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  Harry prendeu a respiração. Como se uma peça tivesse acabado de se encaixar num quebra-cabeça antigo demais.
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  — Era a mesma casa. A mesma mulher. — Assenti devagar.
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  — E hoje à tarde... Dumbledore também me chamou. Ele queria falar sobre isso. Sobre mim. Sobre o que eu sou. — Rony arregalou os olhos.
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  — O que você é? — Respirei fundo antes de responder.
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  — Ele disse que eu tenho um dom. Um tipo de sensibilidade mágica. Eu escuto o que não foi dito. Vejo o que não é meu. Fragmentos. Ecos de coisas que aconteceram... ou que ainda estão acontecendo em outro plano. — Hermione estava completamente atenta, absorvendo cada palavra.
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  — Como uma... premonição?
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  — Não exatamente. É mais como... se a magia falasse. E eu escutasse, mesmo quando ninguém mais está ouvindo. Como se fosse uma antena para coisas que não querem ser encontradas.
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  — Isso é brilhante — sussurrou Hermione, encantada.
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  — Isso é assustador — disse Rony. Soltei uma risada baixa, sem humor.
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  — É as duas coisas.
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  Harry me encarou. E naquele olhar... havia algo novo. Como se estivéssemos finalmente no mesmo mapa, mesmo sem saber onde era o norte.
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  — Então estamos os dois vendo pedaços de algo que aconteceu antes... tentando entender o que isso significa agora.
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  — E ainda vamos precisar ver muito mais pra entender qualquer coisa.
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  O silêncio que veio depois não era desconfortável.
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  Era cheio.
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  Cheio de respeito, de compreensão... de uma confiança que vinha daquilo que ninguém mais via. As tochas do saguão oscilavam, projetando sombras vivas nas paredes de pedra. Quase como se o próprio castelo estivesse ouvindo, quieto, o que a gente dizia.
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  Rony, com os olhos ainda fixos nas mãos, murmurou:
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  — Então... se a mãe do Voldemort era uma bruxa sangue-puro, e o pai era trouxa... ele é mestiço? — Hermione assentiu, sem hesitar.
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  — Sim. E passou a vida inteira tentando apagar isso. É a grande ironia. — Rony franziu o cenho.
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  — Mas então... será que o sangue tem mesmo tanto peso? Será que alguém... já nasce ruim? — Fui eu quem respondeu. Sem hesitar.
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  — Não é o sangue. São as escolhas. — Olhei para eles, um a um. — A Merope podia ter sido outra pessoa se tivesse sido amada. O Tom Riddle podia ter feito outras escolhas. Mas ele escolheu o caminho mais escuro. E continuou escolhendo. Mesmo quando poderia ter voltado.
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  Hermione assentiu devagar, tocada. Rony ficou em silêncio. Processando.
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  Mas Harry… estava em outro lugar. Os olhos fixos em algo que só ele via.
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  — Ele nunca teve amor — disse, por fim. — Nem chance.
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  E naquele momento, eu vi. Não o “Eleito”. Não o “Menino que Sobreviveu”. Eu vi um garoto que, como o próprio Voldemort, cresceu órfão, mas que teve uma diferença crucial: ele teve pessoas. Teve apoio. Teve opção. Teve coragem de escolher diferente.
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  — E você escolheu diferente — murmurei. — Sempre escolheu.
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  Ele não respondeu, mas vi o músculo de sua mandíbula se contrair, como se estivesse engolindo algo maior do que palavras. Então, sem pensar muito, só deixei meu corpo agir. Me aproximei e o abracei. Foi um gesto simples. Sem cerimônia. Sem expectativa de retribuição.
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  Só... um abrigo. Silencioso.
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  Como quem diz, sem dizer: eu sei. E eu tô aqui.
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  Harry demorou um segundo. Mas então... afundou levemente o queixo no meu ombro. Como se, por um segundo, pudesse soltar o ar que estava preso há dias. Ninguém disse nada. E, naquele silêncio... tudo foi dito.
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  A conversa morreu ali. Não por falta de assunto, mas porque sabíamos que havíamos tocado em algo profundo demais para continuar naquela noite.
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  Nos levantamos juntos.
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  E enquanto subíamos de volta para nossas torres, senti a certeza de que, a partir dali, não estávamos mais sozinhos dentro desse mistério. Tínhamos uns aos outros e isso já era o começo de tudo.
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  A escadaria em espiral da Torre da Corvinal rangeu sob meus passos silenciosos.
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  Cheguei ao dormitório com os ombros pesados. Mas não era o tipo de peso que um banho quente ou uma noite de sono resolveriam. Era um cansaço que nascia por dentro — de sentir demais, saber demais... e ainda assim não saber o suficiente.
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  O céu além das janelas estava coberto por nuvens carregadas, mas uma luz azulada atravessava as pedras encantadas, filtrando-se até meu canto do quarto como se dissesse: você ainda está aqui. Acendi a vela com um estalar de dedos e sentei à escrivaninha. Os olhos ardiam, mas não chorei. Não tinha espaço nem pra isso.
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  Puxei dois pedaços de pergaminho.
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  O primeiro foi para Tonks.
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Tonks,
Como você sabia?
Como conseguiu entender que eu estava sentindo essas coisas antes mesmo de eu perceber o que elas eram?
Dumbledore me contou. Sobre o dom. Sobre o que eu sou. Mas... saber não ajuda tanto quanto eu imaginava. Ainda me sinto perdida.
Você sempre teve esse jeito de rir do caos — então, por favor, se puder rir agora, talvez ele pareça menos aterrorizante. Talvez pareça só... um vento forte, e não um furacão.
Escreve de volta, tá? Acho que preciso mais de você do que imaginava.
— %Ayana%

  Dobrei o pergaminho com cuidado, quase como se fosse frágil demais para o mundo. Deixei-o ao lado da coruja da casa, que dormia empoleirada, indiferente à tormenta mágica que crescia dentro de mim.
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  Respirei fundo. Puxei o segundo.
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  Era a vez dos Weasley.
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Fred, George (ou os dois, porque é impossível separar vocês),
Acabei de presenciar mais um capítulo do drama mágico não autorizado de Hogwarts, e sinceramente? Acho que o castelo tá tentando superar vocês em espetáculo. Tá difícil competir.
Prometo passar na loja assim que conseguir uma brecha. Mas se eu sair de lá com uma sobrancelha roxa ou um feitiço de soluço eterno, a vingança vai ser criativa. Isso não é uma ameaça, é uma promessa.
As coisas por aqui... estão esquisitas. Comigo, principalmente. Mas juro que explico tudo pessoalmente.
Ah, e se tiverem lançado alguma coisa com glitter explosivo, mandem amostras. A torre da Corvinal anda precisando de uma revolução cintilante.
Com confusão no coração,
%Ayana%

  Ri baixinho ao terminar de escrever. Pela primeira vez naquele dia, senti o mundo recuar um pouquinho. Como se existisse um intervalo entre uma batida e outra do coração — só o suficiente pra respirar.
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  Fechei o pergaminho e o deixei sobre a mesa.
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  E então puxei o grimório.
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  A capa escura parecia mais viva do que deveria. As páginas, marcadas pelo tempo, ainda vibravam com aquela energia antiga que nunca se apagava. Folheei até a seção das runas. Parei quando encontrei a que estava desenhada no livro do Príncipe Mestiço: a da escuta ancestral.
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  “A escuta ancestral não é o ouvir comum. É o silêncio que se abre para além do som. Os antigos a usavam para capturar o eco da magia do mundo — viva, pulsante, e às vezes, profética.”
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  Passei os dedos sobre os traços finos e entrelaçados da runa. Um arrepio subiu pelo meu braço como se a marca reconhecesse meu toque — ou talvez estivesse me reconhecendo.
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  Fechei os olhos.
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  Pensei em Merope. Nos olhos vazios, na casa rachada.Na serpente enroscada na maçaneta. No que aquilo significava. No que estava por vir.
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  Fechei o grimório devagar, como quem sela um segredo. Soprei a vela e me deitei, puxando as cobertas até o queixo, mesmo sem frio. O sono veio devagar. Como maré estranha — calma por fora, inquieta por dentro.
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  E eu sabia: alguma coisa estava se movendo no mundo. E agora… ela também se movia em mim, o símbolo brilhou de novo.
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  No sonho, a casa apareceu de novo.
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  As ruínas estavam lá — fantasmagóricas, cobertas por poeira e silêncio. O céu, opaco como um espelho embaçado. O campo, estéril e deserto. Mas dessa vez… o rosto da mulher estava mais nítido.
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  E eu reconheci algo nela.
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  Não era exatamente como olhar para mim mesma. Mas havia traços meus. No contorno do queixo. Na sombra que caía nos olhos. Como se um eco tivesse atravessado o tempo, cruzando sangue, dor e silêncio até encontrar abrigo em mim.
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  Foi então que ouvi.
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  Um sussurro cortando o ar — vindo de todos os lados e, ao mesmo tempo, de lugar nenhum:
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  "O sangue carrega lembranças que não são suas."
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  Me virei no sonho, o coração disparado, como se eu estivesse acordada dentro dele. E então, do nada, como um corte na realidade, vi.
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  Um fragmento do futuro.
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  Duas varinhas erguidas.
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  Harry.
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  Voldemort.
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  Frente a frente. O ar estava suspenso, denso como veneno. A tensão entre eles era tão viva que parecia que o tempo segurava o próprio fôlego. A luz congelada. O mundo parado.
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  Meu coração quase saiu pela garganta, e antes que o feitiço fosse lançado... tudo desapareceu.
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  Acordei num salto. A respiração presa. Os olhos escancarados na escuridão do quarto. A runa da escuta ancestral queimava na minha memória como um ferro em brasa.
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  Não era só sobre o passado. Era sobre o que ainda estava por vir.
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  E, no fundo, eu sabia — algumas memórias não pertencem a quem viveu. Elas pertencem a quem escuta.
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  E eu... estava começando a escutar mais do que jamais deveria.
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  O céu ainda estava acinzentado quando desci para o café, mas a comida no salão parecia mais enfeite do que sustento. Mal toquei na torrada. Harry me olhou uma vez, de longe. Não trocamos palavras.
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  Meu corpo estava em Hogwarts, mas a minha mente… ainda estava naquela casa em ruínas. No campo vazio. Nos olhos dela. E depois — nas varinhas erguidas. Harry. Voldemort. O silêncio antes da destruição.
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  Eu não conseguia fingir que era só mais uma manhã qualquer.
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  Antes mesmo da aula começar, procurei a professora McGonagall. Pedi para ver o diretor. Ela não fez perguntas — só me olhou por um segundo mais longo do que o necessário, assentiu e deu passagem.
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  A senha era a mesma de ontem.
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   “Sorvete de gengibre.”
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  O gosto doce da ironia pairava na língua.
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  Subi pelas escadas espirais devagar, cada degrau reverberando com uma urgência que eu não sabia nomear. Quando cheguei ao topo, ele já estava lá. Dumbledore, de pé, diante da janela arqueada, como se já soubesse.
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  — Srta. %Chikondi% — disse sem se virar, com a voz calma como água parada —, imaginava que voltaria.
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  — Eu sonhei de novo. — Minhas palavras saíram sem preâmbulo.
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  Ele se virou lentamente. Os olhos por trás dos óculos de meia-lua pareciam mais sérios dessa vez. Mais atentos. Não havia sorrisos enigmáticos, nem enigmas disfarçados de metáforas. Só escuta.
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  Sentei-me na poltrona à frente da mesa antes mesmo que ele oferecesse.
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  — A casa estava lá outra vez. Aquela... que eu vi no corredor. Mas agora... a mulher estava mais nítida. Eu vi o rosto dela. E era como se... — engoli em seco — como se ela fosse parte de mim. Ou eu, dela.
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  Ele se aproximou, os olhos fixos nos meus, sem pressa.
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  — Um reflexo na memória do sangue — murmurou.
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  — Então é isso? Eu estou conectada a ela? À Merope? — Minha voz saiu mais alta do que eu queria.
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  Ele não respondeu de imediato. Caminhou até a estante, pegou um pequeno frasco prateado — outro fragmento de memória —, e o colocou sobre a mesa sem dizer nada. Mas não era o momento de ver. Era o momento de contar.
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  — E depois — continuei — vi Harry. Vi Voldemort. Frente a frente. As varinhas erguidas. Tudo parado, como se o tempo tivesse medo de continuar. Mas antes do feitiço... acordei.
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  O silêncio entre nós foi quase físico.
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  — Às vezes — começou ele, por fim —, os dons mais antigos se manifestam com símbolos. Outras vezes... com visões. Mas, para alguns, eles tomam forma em ecos. Fragmentos do que o mundo ainda não viveu, mas já sussurrou para aqueles dispostos a ouvir.
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  — Por que eu? — perguntei. Não como quem reclama, mas como quem realmente precisa entender. — Por que eu vejo isso?
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  — Porque o mundo precisa de testemunhas. De quem olhe o que está escondido, não para ter poder sobre isso… mas para não deixar que se perca.
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  Ele se aproximou da minha cadeira, com a fênix cantando suavemente ao fundo.
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  — %Ayana%, sua magia não é feita apenas de feitiços. Ela é feita de escuta. De vínculo. De pressentimento. E, por isso mesmo, ela exige coragem. Porque ver o futuro não é um dom fácil, é responsabilidade.
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  Minhas mãos estavam fechadas em punhos sobre o colo. Soltei-as devagar.
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  — E o que eu faço com isso?
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  — Por enquanto? Escute. Anote. E não fuja. — Ele me olhou com gentileza. — A hora de agir chega para todos. E quando chegar, você vai saber.
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  Fiquei em silêncio por um tempo. O peso do sonho ainda vibrava dentro de mim como um segundo coração. Mas ali, naquele escritório de luz filtrada e paredes vivas de história, não parecia que eu estava carregando isso sozinha.
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  Dumbledore caminhou de volta até a janela.
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  — Quando sonhos carregam o passado e o futuro ao mesmo tempo, é sinal de que o presente está prestes a mudar. — Assenti devagar.
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  — Obrigada… por ouvir.
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  — Obrigado por não ignorar — ele respondeu.
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  Saí do escritório sem pressa, mas com um novo tipo de silêncio me acompanhando. Não o silêncio que esconde, mas o que prepara.
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  E agora, eu estava ouvindo.
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  De verdade.
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  Nota da autora: Eu sempre disse que a %Ayana% não veio pra ser só mais uma figurante em Hogwarts, né? Esse capítulo é um dos meus preferidos até agora, porque mostra o quanto ela é complexa, sensível e muito mais inteligente do que aparenta. %Ayana% é força, mas também é dúvida, é escuta, é aquela bruxa que carrega o peso do passado, presente e futuro, mas segue caminhando. 🖤
  Esse dom dela vai ganhar mais destaque daqui pra frente, então fiquem de olho 👀
  Obrigada por estarem aqui, capítulo após capítulo. Vocês são tudo! 💙✨

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Lelen

Na minha cabeça a “luta” do Voldemort não faz sentido nenhum (tipo a do bigodudo que não deve ser nomeado) porque, segundo a própria lógica dele, ele mesmo não deveria fazer parte disso. Ele não é puro sangue. Se eu fosse puro sangue ia ficar ofendidíssima que um aleatório aí tá querendo falar por mim. Oxe, enxerga teu lugar, homem.
Agora estamos entrando nas partes que eu mais gosto das histórias: as descobertas HEHEHE
Que ligação é essa que a Ayana tem com os Gaunt (ou é só com a Merope?) e será se isso vai mudar tudo o que sabemos?
Mal posso esperar pra Ayana e Harry começarem a trocar figurinhas do que sabem e começarem a descobrir as coisas tudo!

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