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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Feitiço Inquebrável

Escrita porNyx
Editada por Lelen

Capítulo 02 • Rumores e Recomeços

Tempo estimado de leitura: 43 minutos

  As velas flutuavam suavemente sobre as mesas do Salão Principal, lançando uma luz quente que parecia brigar com a frieza do céu noturno refletido no teto encantado. As nuvens pairavam pesadas lá em cima, cobrindo as estrelas com um manto espesso, como se até elas estivessem com medo de espiar o que estava por vir.
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  Parei na entrada do salão, ao lado de Harry. Tínhamos descido juntos da carruagem, mas o silêncio entre nós desde então parecia mais espesso que a neblina de Hogsmeade. Era um silêncio cheio. Carregado. Como se, se um de nós dissesse qualquer coisa, o que aconteceu no trem voltaria a nos engolir.
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  — Vai pra mesa da Corvinal agora? — ele perguntou, sem me encarar diretamente.
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  — Aham. E você, pra Grifinória. Como sempre. — Respondi com um sorriso pequeno, discreto demais pro que eu realmente queria mostrar.
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  Ele assentiu, os olhos me buscando por um segundo breve demais.
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  — Obrigado de novo… por hoje — disse ele, baixo, como se aquilo fosse segredo demais para ser dito em voz alta.
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  — Já perdi as contas do quanto me deve, Potter.
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  Dessa vez, ele riu. Riu de verdade. Não muito alto, mas o suficiente pra quebrar um pouco o peso entre nós. E então se afastou em direção à mesa da Grifinória.
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  Fiquei olhando até ele desaparecer no meio dos outros alunos. Só depois me juntei aos colegas da Corvinal, sentindo o ar do salão mais denso do que eu lembrava. As conversas entre os calouros soavam abafadas, misturadas ao som de capas roçando no chão e passos cuidadosos. O clima estava estranho, mas o ritual continuava — como se fingir normalidade fosse suficiente para segurar o mundo de pé.
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  Observei quando Hermione o viu. O jeito como os olhos dela se arregalaram sutilmente e ela se inclinou imediatamente na direção do Rony, sussurrando algo que fez ele erguer as sobrancelhas, confuso. Eu conhecia bem Hermione Granger. Ela notava tudo — especialmente quando se tratava de Harry.
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  E eu ali, na mesa da Corvinal, sem conseguir decidir o que me deixava mais inquieta: o fato de ele estar machucado… ou o fato de continuar fingindo que não estava.
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  Foi só quando a primeira nota mágica ecoou pelo salão que me obriguei a olhar pra frente. O Chapéu Seletor estava sobre o banquinho, imóvel, mas no segundo seguinte abriu sua fenda como boca e começou a cantar com aquela voz rouca que soava mais séria a cada ano.
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  “Nos tempos de união, a magia floresceu,
   Mas tempos sombrios chegam, e o medo renasceu.
   Não importa sua casa, nem linhagem ou sangue,
   O perigo não escolhe, apenas avança e expande.
   Corvinal, Sonserina, Lufa-Lufa e Grifinória,
   Sejam laços, não muros — ou perderemos a história.
   Escutem bem este velho chapéu,
   Pois até os mais valentes precisarão ser fiéis.”

  O silêncio que veio depois foi diferente. Não reverente — pesado. Ninguém se atreveu a rir ou comentar. Até McGonagall parecia mais rígida que o normal ao começar a chamar os novos alunos para a seleção.
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  Observei com a mente longe. Ainda em Draco. Ainda em Harry. Ainda no que a noite tinha deixado no ar.
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  Só me reconectei quando senti um cutucão leve no ombro.
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  — Finalmente de volta — disse Miguel Corner, com aquele sorriso torto que era quase sempre bem-vindo. Do lado dele, Cho Chang acenou, os olhos brilhando com sinceridade.
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  — Achamos que você ia ficar em Malawi dessa vez — provocou Cho.
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  — Pensei nisso — respondi, me acomodando entre os dois. — Mas minha mãe disse que Hogwarts precisava de mim. Ainda não decidi se foi elogio ou ameaça.
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  Rimos. De verdade. Pela primeira vez no dia.
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  — E como foi lá? — Miguel perguntou, inclinando-se um pouco. Apoiei os cotovelos na mesa, encarando por um instante o brilho das velas acima.
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  — Quente. Intenso. A magia lá… pulsa diferente. As montanhas sentem quando a guerra se aproxima.
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  Eles trocaram olhares, fascinados. Era sempre assim quando eu falava da minha antiga escola — como se estivesse descrevendo um lugar mítico, distante, quase lenda.
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  — Isso é incrível — sussurrou Cho. — Aqui só temos o Snape andando pelos corredores com cara de quem quer lançar Avada em todo mundo.
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  Soltei uma risada, mas ela morreu rápido. Porque foi aí que meus olhos encontraram Harry.
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  Ele estava sentado na Grifinória, Gina agora ao seu lado. Os dois riam de algo que o Rony dizia, como se o mundo não estivesse desmoronando. Como se ninguém tivesse quase desmaiado num trem. Como se nada tivesse acontecido. E o olhar dele… aquele brilho leve nos olhos… aquilo me desmontava de um jeito que eu não sabia explicar.
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  Desviei rápido. Cho percebeu.
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  — Eles estão...? — perguntou, em voz baixa. Dei de ombros.
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  — Não sei. — Ela arqueou uma sobrancelha, mas não me olhou de imediato.
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  — Harry sempre foi intenso… mas parece que esquece fácil. — A voz dela não era amarga. Só carregava uma dor resignada, meio amarga nas bordas. — Um mês atrás, ele mal conseguia me encarar. Agora... olha só.
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  Mordi o lábio, hesitando.
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  — Talvez ele só esteja tentando seguir em frente — disse, tentando ser justa. Cho soltou um suspiro, como quem carregava algo entalado há tempo demais.
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  — É. Fácil pra ele. Difícil pra quem fica pra trás, né? — Fiquei em silêncio por um segundo, pesando minhas palavras.
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  — Você ficou ao lado da Miranda, Cho. — falei baixinho. — Mesmo depois de saber o que ela fez com a Armada. Você escolheu. — Ela virou o rosto para mim, os olhos faiscando.
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  — Eu só tentei proteger quem era minha amiga!
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  — E ele só tentou proteger todo mundo. — rebati, sem alterar a voz. — Ele se sentiu traído. E não foi culpa dele.
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  O silêncio entre nós ficou cortante. Cho mexeu na manga da túnica, apertando o tecido entre os dedos.
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  — Você sempre defende ele. Sempre foi assim. — disse, quase como uma constatação amarga. Cruzei os braços, sentindo o peso daquelas palavras.
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  — Não é defesa cega, Cho. — sussurrei. — É que, às vezes, você precisa escolher onde colocar a sua confiança. E eu escolhi ele.
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  Ela me encarou por um longo momento, depois desviou o olhar.
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  — Tomara que você nunca descubra o que é confiar em alguém… e mesmo assim acabar sozinha.
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  Antes que eu pudesse responder, Cho desviou o olhar, virando-se lentamente de volta para a mesa da Corvinal. Sentou-se mais distante, como se o próprio espaço fosse uma trincheira invisível entre nós.
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  Fiquei ali, imóvel, com a garganta apertada e uma vontade absurda de gritar para o teto de Hogwarts que nem sempre escolher certo fazia as coisas doerem menos.
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  Mas, como sempre, me calei. E carreguei o peso da escolha — em silêncio.
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  Dumbledore apareceu, atravessando o salão com a capa ondulando e aquele jeito de quem carregava o peso do mundo nas costas, interrompendo meus pensamentos. Estava mais curvado do que o normal. Mais velho. Mais cansado.
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  Ele ergueu as mãos, e o salão silenciou imediatamente.
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  — Bem-vindos a mais um ano em Hogwarts — começou, a voz firme, ainda que mais contida. — Quero dizer, antes de tudo, que este será um ano diferente. Não farei promessas doces, nem previsões otimistas. Estamos vivendo tempos sombrios, mas é justamente nesses tempos que descobrimos quem somos. União, coragem e verdade serão mais importantes do que nunca. Que este seja um ano de vigilância, mas também de esperança.
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  As palavras ficaram suspensas no ar por um momento, até que ele continuou:
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  — E agora, alguns anúncios importantes. Como sabem, tivemos uma mudança no corpo docente — anunciou Dumbledore, a voz ecoando por entre os candelabros flutuantes. — Este ano, a disciplina de Defesa Contra as Artes das Trevas será ministrada pelo professor Severo Snape.
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  Um burburinho percorreu o salão como uma onda mágica mal contida. Alguns alunos se entreolharam, confusos. Outros, como Harry, pareciam ter levado um tapa invisível no meio do peito.
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  — E Poções, por sua vez — continuou Dumbledore, sem dar tempo para reações —, será conduzida pelo professor Horácio Slughorn, que retorna ao castelo após uma ilustre aposentadoria. Tenho certeza de que ele trará uma perspectiva riquíssima à disciplina.
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  Slughorn ergueu uma taça em cumprimento, o sorriso satisfeito de quem já se sente em casa. Do meu lado, Miguel me lançou um olhar de descrença.
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  — Isso vai dar problema — murmurou.
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  Eu sabia que esse ano seria diferente, mas agora… agora eu sabia que seria também muito mais perigoso.
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⚡🧙

  O banquete tinha acabado, mas parecia que o peso da noite ainda pairava sobre meus ombros. As velas do Salão Principal foram se apagando uma a uma enquanto os alunos se dispersavam, e o burburinho das vozes cansadas ecoava pelos corredores de Hogwarts como se a escola inteira suspirasse de exaustão.
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  O caminho até a Torre da Corvinal parecia mais longo do que eu lembrava. Talvez fosse o peso do que eu estava sentindo desde o trem. O anúncio de Snape como professor de Defesa. O silêncio estranho de Harry. O olhar de Draco. Tudo isso girava dentro de mim como um redemoinho silencioso, impossível de nomear. Mas presente. Vivo.
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  A porta da torre só se abriu depois que respondi, no modo automático, à charada do dia — nem me lembro o que foi. Subi os degraus devagar, observando os vitrais tingirem o chão de pedra com tons frios e azulados. Tudo parecia mais quieto ali em cima. Quase onírico.
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  O dormitório já estava mergulhado em penumbra. Algumas colegas dormiam. Luna, como sempre, destoava — deitada de lado, folheava uma edição d’O Pasquim com os olhos semicerrados e uma serenidade que só ela conseguia manter.
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  Me sentei na beirada da cama, suspirando baixo, e comecei a desfazer a mala. Primeiro os livros. Depois os frascos de poções, um ou dois cadernos que eu mesma costurei nas férias. E então... um grimório, mas não era o meu grimório, era diferente.
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  Franzi o cenho.
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  Era de couro escurecido, com marcas de uso, mas sem título. O toque era quente, como se o livro tivesse absorvido o sol de algum lugar muito distante.
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  Minha mãe?, pensei. Mas quando abri e vi a contracapa, soube que havia algo além.
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  Um símbolo. Circular, com traços delicados e runas dispostas em padrões concêntricos. Só de encostar os dedos, senti um calor súbito subir pela pele. O símbolo brilhou sutilmente, respondendo ao meu toque como se… me reconhecesse.
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  Recuei a mão, o coração acelerado. Aquilo não era um simples adorno. Era mágico. Vivo. E — de algum jeito estranho — familiar. Como se o símbolo tivesse me chamado de volta. Fechei o livro com cuidado. Como quem sela algo que não está pronta para abrir.
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  Deitei, mas o sono não veio fácil. Fiquei ali por longos minutos, encarando o dossel da cama, tentando entender por que aquele símbolo me fazia sentir... observada. Escolhida. Havia algo pulsando nas entrelinhas daquela magia antiga. Algo que sussurrava, mesmo quando o mundo lá fora dormia.
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  E em algum momento, sem perceber, adormeci.
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  A Torre da Corvinal ainda dormia sob o manto azul da alvorada. O vento entrava pelas janelas arqueadas e balançava suavemente as cortinas finas, como se sussurrasse um segredo do lado de fora. E o som da floresta, distante, parecia vir de dentro de um sonho.
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  Acordei com um sobressalto.
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  Meu coração disparava. Minha respiração estava presa no peito. As imagens ainda queimavam por trás das pálpebras: serpentes entrelaçadas a símbolos flamejantes. O mesmo símbolo do grimório. Pedra negra. Fogo dançando. E alguém murmurando palavras em uma língua que eu não conhecia… mas que ecoava dentro de mim.
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  Me sentei na cama, levei as mãos ao rosto. Tentei me acalmar. Depois me estiquei até o criado-mudo e puxei meu diário — capa escura, sem título, trancado com um fecho de prata simples.
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  Abri o diário com agilidade, e sussurrei o feitiço:
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  — Revelare — sussurrei.
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  As páginas se iluminaram suavemente. A superfície branca deu lugar a um véu de névoa líquida. Comecei a escrever com dedos trêmulos:
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Serpentes. Fogo.
Símbolo de novo.
Sons antigos. Voz sem rosto.
Medo que não é meu.
Mas é como se fosse.

  Assim que terminei a última palavra, as frases começaram a se apagar, sendo engolidas por uma fumaça invisível. Fechei o diário com um estalo suave e me encostei na cabeceira, tentando recuperar o fôlego.
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  — Você sonha acordada às vezes?
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  A voz veio à minha direita. Me virei. Era Luna. Ela estava ali, em pé, com os cabelos despenteados e os olhos mais arregalados do que o normal — como se já soubesse a resposta. Ou como se tivesse visto o sonho.
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  — Não... só pesadelos — respondi, ainda tentando processar. Luna assentiu, pensativa.
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  — O mundo anda mais barulhento nos sonhos ultimamente. Como se eles estivessem tentando se libertar da gente. — A encarei.
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  — Isso é coisa do Pasquim ou você realmente acredita nisso?
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  — Um pouco dos dois — disse ela, se sentando ao meu lado na cama. — Mas acho que alguns sonhos não pertencem a quem os tem.
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  — Como assim?
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  — Como se fossem... mensagens emprestadas. Ou memórias tentando encontrar uma nova casa.
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  Fiquei em silêncio. As palavras dela vibraram em mim de um jeito incômodo e íntimo. Pensei no símbolo. No fogo. Na serpente. No arrepio que ainda não tinha passado. A conversa ficou ali, suspensa no ar, como uma névoa que não sabia se deveria se dissipar ou se aprofundar. Me levantei devagar, o sonho ainda grudava na pele.
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⚡🧙

  O café da manhã passou como um borrão. Eu tinha me sentado na mesa da Grifinória, bem entre Hermione e Rony, com Harry do outro lado. Rony reclamava do pão, esfarelando a crosta como se fosse o culpado pelas férias terem acabado. Hermione falava sobre reorganizações na biblioteca com a animação de quem acabara de ganhar uma coleção nova de livros. E Harry... Harry parecia ausente. Como se o que aconteceu no trem tivesse deixado mais do que um nariz quebrado. Como se tivesse deixado um peso invisível sobre os ombros.
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  E Draco? Nem sinal dele naquela manhã. Nem uma sombra prateada cruzando o salão. Mas eu notei e não fui a única.
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  Depois do café, fomos liberados para as aulas. Mochilas pesadas, cadernos ainda limpos, caldeirões debaixo do braço — a coreografia habitual do primeiro dia de Hogwarts.
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  A primeira aula do ano era Poções. Claro.
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  O porão cheirava a raiz de valeriana antes mesmo de eu entrar. Os caldeirões já estavam sendo arrastados, frascos tilintando em mesas antigas. Me acomodei num dos bancos de madeira escura, com o jaleco por cima do uniforme e o cabelo preso num coque alto.
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  Slughorn estava lá, animado como quem preparava uma festa. Bigode espesso, rosto vermelho, e um entusiasmo quase constrangedor.
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  — Ué, vocês por aqui? — falei quando vi Harry e Rony entrarem.
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  — Pois é — disse Rony. — A gente achava que não continuaria em Poções. O Snape era exigente demais e nossos N.O.M.s foram… digamos, só “aceitáveis”.
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  — Mas o Slughorn resolveu mudar as regras — completou Harry. — E agora estamos aqui. Sem livros.
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  — O professor resolveu isso — disse Hermione, apontando para pilha de livros gastos.
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  Harry e Rony correram para pegar os seus. Eu já estava sentada ao lado da Hermione, observando os dois com um meio sorriso. Harry voltou com um exemplar gasto, todo rabiscado. O nome do antigo dono havia sido riscado com força. No lugar, em letras firmes e escuras:
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Este livro pertence ao Príncipe Mestiço.

  — “Príncipe Mestiço”? — repetiu Hermione, franzindo o cenho.
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  — Nome criativo, no mínimo — murmurei, me inclinando para olhar as margens cheias de anotações. — Olha isso... tem fórmulas alternativas. Runas, também.
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  — Runas? — Harry se aproximou.
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  — Do sul da África. Uagadou ensina a reconhecer algumas. Encantamentos ancestrais, ou só símbolos de proteção, mas são poderosas.
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  — Então o tal Príncipe era inteligente — disse Rony.
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  — Ou inconsequente — rebateu Hermione, desconfiada.
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  Slughorn bateu palmas, cortando a conversa.
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  — Hoje, turma, começaremos com estilo: Poção do Morto-Vivo!
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  A sala explodiu em murmúrios. Claro. A mais complexa de todas logo de cara. Slughorn explicou que a melhor poção da aula ganharia um frasco de Felix Felicis. Sorte líquida. Poderosa, instável e valiosa.
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  Hermione e eu nos entreolhamos, como quem aceita um desafio sem dizer uma palavra. Ela seguiu o livro com precisão. Eu fiz o mesmo, mas guiada mais pela intuição do que por medidas exatas — jeito de Uagadou. Sentir, antes de executar.
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  Mas Harry… Harry seguia outra receita. A do Príncipe.
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  — Você está cortando o beozar? — Hermione sussurrou, horrorizada.
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  — O Príncipe diz que triturar atrapalha.
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  — E você acredita nisso?
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  — Só tem um jeito de descobrir.
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  Hermione bufou. Eu só observava, alternando entre meu próprio caldeirão e a curiosidade crescente sobre aquele livro rabiscado. No fim da aula, a poção de Harry era perfeita. Vapor prateado. Espirais suaves. Tudo exatamente como Slughorn descreveu — ou como o Príncipe previu.
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  — Extraordinário, Sr. Potter! — exclamou o professor. — Sua recompensa: Felix Felicis.
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  Harry pegou o frasco dourado com um sorrisinho de vitória. Hermione estava com a expressão tensa.
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  — Isso foi sorte — disse ela, mas o tom era ácido.
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  — Ou foi o Príncipe — murmurei, ainda observando as runas desbotadas.
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  — Eu não confio nesse livro — declarou Hermione. — Feitiços desconhecidos. Poções alteradas…
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  — Pode ser perigoso — admiti. — Mas às vezes é justamente aí que os maiores segredos estão. Nas margens.
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  Hermione não respondeu. Apenas franziu ainda mais a testa, como se tentasse decidir se estava irritada comigo, com o livro ou com o mundo inteiro. A expressão dela permaneceu assim até o fim da aula, firme como uma advertência silenciosa.
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  O barulho de caldeirões sendo fechados, frascos recolhidos e bancos arrastando sobre o chão encerado começou a tomar conta do porão. O cheiro forte de raiz de valeriana ainda pairava no ar, impregnado como fumaça de uma magia que não queria ir embora.
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  Harry, de pé ao lado da mesa, guardava o livro com um cuidado quase ritualístico. Como se o objeto, agora, fosse mais do que um caderno de anotações antigas. Como se fosse... um talismã. Um presságio. Ou um aliado inesperado.
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  Esperei até ele terminar.
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  — Potter. — Ele se virou, a sobrancelha erguida. — Preciso olhar seu livro.
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  — Agora?
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  — Sim. Tem anotações nas margens que reconheci, quero comparar com meu grimório. Prometo devolver amanhã. — Ele hesitou.
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  — Esse livro deu sorte hoje… — Cruzei os braços e sorri de lado.
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  — Você me deve.
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  — Devo?
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  — Consertei seu nariz. Disfarcei seu ataque desastrado. E salvei sua reputação mais vezes do que você tem cicatrizes de batalha para contar. — Ele bufou uma risada, vencido.
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  — Você é bem convencida.
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  — Não. Eu só tenho memória boa. E um jeitinho excelente pra conseguir o que quero. — Ele me entregou o livro, com um último olhar quase cúmplice.
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  — Cuida bem. O Príncipe Mestiço pode ser maluco… mas parece saber das coisas.
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  Peguei o livro com cuidado. E pensei, enquanto sentia as runas sob meus dedos: talvez esteja mesmo na hora de começar a ler o que ninguém nunca teve coragem de entender.
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⚡🧙

  O Salão Principal estava mais barulhento do que nunca no almoço. Os corredores ecoavam comentários apressados sobre as primeiras aulas e os boatos mais frescos — como se o castelo inteiro precisasse se atualizar antes que a próxima ameaça batesse à porta. Sentei-me entre Miguel e Luna, que equilibrava com impressionante destreza um prato de purê e ervilhas de um lado e uma revista do O Pasquim do outro.
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  — Primeira aula do ano e o Slughorn já quer pôr a gente pra dormir de vez — Miguel resmungou, empurrando uma batata assada pelo prato. — Poção do Morto-Vivo no primeiro dia. Isso devia ser proibido.
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  — Ele só quer separar os brilhantes dos que vão explodir o caldeirão antes da terceira mexida — murmurei, mordendo uma fatia de pão.
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  — Pode ser uma metáfora — Luna disse, ainda folheando a revista. — Alguns professores gostam de ver o que emerge da fumaça.
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  Miguel parou de mastigar.
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  — Ahn… tá.
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  Sorri de canto. A presença dos dois era reconfortante à sua maneira — Miguel com seu sarcasmo constante, Luna com sua lucidez camuflada de loucura. Mas, mesmo ali no meio da conversa, meus olhos varriam o salão.
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  Procurando. Esperando.
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  Draco Malfoy não estava à mesa da Sonserina. E aquilo me incomodava mais do que eu gostaria de admitir. Tentei fingir distração, empurrando a comida sem muita vontade. Mas a inquietação se arrastava dentro de mim como uma sombra que sabia demais.
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  Assim que os pratos começaram a desaparecer magicamente, me despedi com uma desculpa qualquer. Nem deixei tempo pra Luna comentar sobre algum Narguilufo perdido nos telhados.
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  Os corredores estavam relativamente vazios, mas vivos — as armaduras sendo polidas sozinhas, os reflexos das janelas criando movimentos nas paredes que pareciam fantasmas distraídos. Foi perto da escadaria leste que eu o vi.
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  Draco.
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  Andava sozinho, os passos firmes, o rosto mais pálido do que o normal. Parecia evitar os salões principais como se estivesse em missão — ou fugindo de ser visto. Encostei-me na parede de pedra, o coração disparando como se antecipasse algo.
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  "Plano em andamento. Snape fez o voto."
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  As palavras que ouvi no trem voltaram com força, como se tivessem sido gravadas na minha pele.
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  Antes que pudesse pensar duas vezes, comecei a segui-lo.
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  Silenciosa. Cuidadosa. Como aprendi em Uagadou, e em Hogwarts também — onde andar sem ser vista era parte da minha sobrevivência. Aproveitei as sombras, os cantos, e até os feitiços disfarçadores que costumava usar para escapar de encontros indesejados com professores.
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  Draco seguiu até o sétimo andar. Um corredor que, àquela hora, estava estranhamente deserto. Parei ao vê-lo diante de uma parede vazia, me escondi atrás de uma armadura, observando.
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  Ele andou de um lado para o outro, três vezes, o olhar fixo na parede como se esperasse que ela falasse com ele.
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  Eu conhecia aquele lugar. Conhecia bem.
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  A Sala Precisa.
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  — Não pode ser... — murmurei para mim mesma.
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  E então, como se meus pensamentos tivessem sido ouvidos, uma porta surgiu. Sólida. Silenciosa. Onde antes só havia pedra.
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  Draco entrou.
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  A porta desapareceu.
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  Fiquei ali, o fôlego preso, sentindo a magia no ar — como se o castelo tivesse acabado de engolir um segredo. Dei um passo à frente, sem saber se deveria me aproximar, quando uma voz cortou o ar atrás de mim, fria e carregada de ironia:
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  — Curioso, não é, %Chikondi%?
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  Me virei rápido. Mas não surpresa.
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  Blaise Zabini estava encostado casualmente na parede oposta, os braços cruzados, expressão quase entediada. Mas os olhos... os olhos me analisavam com aquela calma de predador satisfeito — como se eu fosse uma relíquia valiosa que ele ainda não decidira se queria possuir ou destruir.
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  — Quanta gentileza em anunciar sua presença — retruquei, com um sorriso ladeado de veneno. — Achei que os espiões da Sonserina preferissem o silêncio.
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  — Não somos espiões. Só… observadores atentos. — Ele descruzou os braços e deu um passo em minha direção. — E alguns de nós têm o péssimo hábito de notar quando alguém resolve brincar com corredores proibidos.
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  Ergui o queixo, firme.
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  — Hogwarts tem mais corredores vazios do que alunos dispostos a se meter neles.
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  — Verdade. Mas nem todos deixam rastros interessantes.
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  Ele parou diante de mim. Perto demais. Suficientemente perto para que eu sentisse o perfume sutil dele — algo amadeirado, denso, com um fundo escuro e perigoso. A voz dele baixou, quase conspiratória.
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  — Sua apresentação no clube do Slughorn foi... instigante — disse. — Mas não foi isso que mais me chamou atenção.
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  — Minha habilidade em calar perguntas inconvenientes? — O sorriso dele surgiu de canto, preguiçoso e cheio de segundas intenções.
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  — Sua beleza e sarcasmo são bônus, claro. Mas não. O que mais me intriga… — ele inclinou o rosto só o bastante para a voz quase roçar minha pele — ...é o que você está tentando esconder de todo mundo. Igual no quarto ano.
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  Meus olhos estreitaram no ato.
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  — Você tem boa memória — rebati, seca. Ele riu, um som baixo e perigoso.
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  — Como poderia esquecer? — murmurou. — Você, os corredores da biblioteca… e aquele beijo que você finge até hoje que não aconteceu.
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  Cruzei os braços.
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  — Foi só um erro de cálculo. — retruquei, com desdém.
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  — Então me deixe repetir o erro. — Blaise sussurrou, a centímetros de distância.
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  Antes que eu pudesse pensar — e talvez porque parte de mim não quisesse pensar — Blaise se inclinou e me beijou.
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  Foi breve. Mas não inofensivo.
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  O calor dos lábios dele era urgente, quase insolente, e o toque inicial foi firme, como quem queria provar um ponto. A mão dele roçou de leve minha cintura, puxando-me num movimento instintivo, como se a familiaridade entre nós nunca tivesse se perdido.
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  Por um segundo, um único segundo, minha mão agarrou o tecido do uniforme dele, puxando-o mais para perto. Como se a memória daquele beijo antigo tivesse ficado guardada em alguma dobra esquecida do meu corpo. A sensação era quente, quase perigosa — e completamente errada.
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  Empurrei-o de leve, sentindo o coração disparado pelas razões erradas. Nossos rostos ficaram a poucos centímetros um do outro, o hálito dele ainda misturado ao meu.
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  — Isso fica entre nós — sussurrei, a voz rouca, tentando recuperar o controle.
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  Blaise sorriu devagar, aquele sorriso preguiçoso que dizia que ele sabia exatamente o que tinha feito comigo — e que, mesmo assim, não significava mais do que um segredo entre quatro paredes de pedra.
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  — Sempre — respondeu, antes de se afastar com a calma provocadora que era só dele.
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  Fiquei ali, sozinha no corredor vazio, tentando convencer a mim mesma que aquilo não significava nada. E, em algum nível, sabendo que o que realmente importava... era da Grifinória, e seus pensamentos estavam em outra pessoa.
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⚡🧙

  Menos de uma hora depois, me enfiei nos fundos da biblioteca. Determinada a ir mais fundo. A entender o símbolo do grimório, o dos sonhos, o que eu encontrara no livro do Príncipe Mestiço.
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  A biblioteca era um templo. Teto alto. Janelas arqueadas. O cheiro de pergaminho envelhecido me acalmava. Me instalei na mesa mais afastada, com livros espalhados em volta: Runas Antigas, Símbolos Mágicos e Suas Origens, Encantamentos Primordiais da África Ocidental. Nada trazia o que eu precisava.
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  Abri o grimório.
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  O símbolo na contracapa parecia brilhar por dentro. As linhas circulares, entrelaçadas como fogo em espiral. Aquilo não era só um desenho. Era um chamado, um convite.
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  Continuei pesquisando, anotando mentalmente qualquer semelhança. Mas tudo parecia... raso. Como se os livros comuns não tivessem permissão para tocar a magia real.
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  — Você parece obcecada com esse símbolo.
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  Ergui os olhos.
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  Hermione.
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  Ela estava ali com dois livros nos braços, cenho franzido, o olhar de quem já chegou pronta para um debate.
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  — Estou tentando entender — respondi, fechando um dos volumes com mais força do que queria.
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  — É só um símbolo, %Ayana%. Um enfeite de contracapa. Talvez nem tenha significado mágico real.
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  — Eu sonhei com ele hoje de manhã. — Ela se sentou, seu olhar mudou.
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  — Sonhou como?
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  Contei. Do fogo, das serpentes, da voz em uma língua antiga, do diário e de Luna dizendo que às vezes os sonhos não pertencem a quem os tem.
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  — Luna também acredita em cebolas cósmicas — murmurou Hermione. Sorri.
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  — Eu sei. Mas às vezes acho que ela vê coisas que a gente escolhe não ver.
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  Hermione me olhou de forma estranha. Como quem está prestes a dizer “cuidado” sem usar a palavra.
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  — Você acha mesmo que tudo isso está conectado?
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  — Acho que… algo está tentando me mostrar alguma coisa. E eu não sei se tô pronta pra ver.
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  Foi então que ela viu o livro em minha frente.
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  — Esse é o exemplar do Harry? — Assenti.
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  — Pedi emprestado. Disse que queria comparar umas runas com meu grimório.
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  — E ele te deu?
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  — Pedi com jeitinho. — Ela quase riu, mas disfarçou com um suspiro. Seguimos examinando o livro. Até que parei. — Aqui. Essa runa.
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  Pequena. Discreta. No canto de uma receita. Espiralada com um ponto no centro. Hermione achou que fosse um rabisco, mas eu não.
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  Abri o grimório.
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  Mostrei. A runa estava lá.
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  Runa de Escuta Ancestral: para ouvir o que ainda não foi dito. Para sentir o que está sendo escondido.
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  — Quem escreveu isso no livro do Harry sabia mais do que poções, Mione. Sabia de magia antiga, isso não é só uma correção de receita. É uma assinatura.
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  Hermione respirou fundo, como quem pondera um limite que não quer cruzar.
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  — %Ayana%… magia poderosa demais sempre cobra um preço.
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  Não respondi de imediato. Mas meus dedos ainda estavam sobre a runa. E eu podia jurar… ela estava falando comigo.
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  Continuei investigando cada detalhe do livro. Passei um tempo cruzando símbolos com meu grimório, tentando decifrar os padrões escondidos nas margens. Algumas das anotações usavam variações de runas do sul da África — não apenas como adorno, mas como forma de canalizar intenção. Era como se cada página carregasse mais do que tinta. Carregasse história. Segredo.
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⚡🧙

  O Salão Principal estava... estranho.
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  As velas flutuavam sobre as mesas como sempre, mas suas chamas pareciam mais tímidas, como se até o fogo estivesse cauteloso. O teto encantado mostrava um céu encoberto, carregado, e havia algo no ar — uma quietude desconfortável. Hogwarts parecia respirar devagar, como se esperasse por um susto.
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  Entrei junto com os alunos da Corvinal, e mesmo sem querer, meus olhos varreram o salão. Um hábito, talvez. Ou instinto. Harry estava conversando com Rony e Hermione, e embora tentasse parecer relaxado, dava pra ver o maxilar tenso, os ombros um pouco mais rígidos do que deveriam. Gina estava ali também, próxima... mas não com ele. Havia um espaço entre os dois que parecia cheio de palavras não ditas.
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  Me forcei a continuar andando.
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  Na nossa mesa, Miguel Corner contava alguma história sobre um feitiço que deu errado em Herbologia — aparentemente, alguém acabou com raízes nas orelhas. Luna o ouvia com atenção genuína, enquanto enfileirava ervilhas no prato como se estivesse mapeando o céu.
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  Me sentei ao lado deles, tentando entrar no ritmo da conversa, mas minha cabeça estava... em outro lugar. Ou em vários ao mesmo tempo.
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  — Você está esquisita — Miguel disse, sem filtro, me cutucando com o cotovelo e aquele sorriso de quem acha que tá sendo sutil.
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  — Sou naturalmente esquisita — respondi, no automático.
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  — Não do seu jeito usual. Esquisita tipo... “vendo sombras em corredores proibidos” esquisita.
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  Fingi uma risada que provavelmente enganaria até um trasgo. Mas Miguel continuou comendo como se não tivesse acabado de encostar numa ferida. Luna, por outro lado, me observava com aquele olhar translúcido e misterioso, como se enxergasse por dentro da pele.
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  — Alguns dias são mais densos que os outros — ela murmurou, mais para o prato do que pra mim. — Como se o ar carregasse peso de profecia.
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  Fiquei parada por um segundo, o garfo suspenso no ar.
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  — E esse é um desses dias?
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  — Com certeza — ela respondeu, como se falasse da previsão do tempo.
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  Voltei a comer em silêncio, cada garfada mais por obrigação do que por vontade. A comida parecia insossa, distante. Os risos, os talheres, os murmúrios — tudo contrastava com o que eu sentia por dentro: uma tensão silenciosa. Como se algo estivesse ali, esperando o momento certo para se mostrar.
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  De volta ao dormitório, não disse nada. Só fechei a porta devagar, como se o silêncio pudesse me esconder do que estava sentindo. As outras meninas já estavam em seus cantos, algumas lendo, outras se preparando para dormir. Passei por elas como se fosse feita de neblina.
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  Guardei o grimório com cuidado, o livro do Harry, o diário. Tentei não fazer barulho. Tentei não pensar em nada. Mas antes que eu pudesse apagar a vela com um sopro, duas batidas suaves — e impacientes — na janela da Torre me fizeram virar.
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  Corujas.
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  — Já era hora — murmurei, abrindo o vidro.
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  A primeira pousou com um leve sacudir de penas, trazendo um envelope amassado, com a caligrafia torta e desleixada que eu reconheceria de longe: Tonks.
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  Pequena Corvinal,
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  Ainda inteira? Espero que sim. Aqui as coisas estão um caos — o que, francamente, é um bom sinal. Pelo menos não está tudo silencioso demais.
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  Me disseram que você andou sentindo... coisas. Confia nos instintos e confia em você. Qualquer coisa, manda uma coruja (ou um sinal místico ancestral, sei lá).
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  Ah, e por Merlin, tenta não se meter em encrenca. Mentira, se for inevitável, pelo menos ganha a briga.
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  Beijo,
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  Tonks (atualmente com cabelo azul. Longa história.)
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  Não consegui evitar. Sorri sozinha. Sacudi a cabeça, abraçada por aquele tipo de afeto que só a Tonks sabia escrever — meio sarcasmo, meio proteção, totalmente dela.
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  Mas então, a dúvida veio.
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  “Me disseram que você andou sentindo... coisas.”
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  Franzi o cenho.. Como Tonks sabia?
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  A sensação de calor da carta deu lugar a um arrepio sutil. Um fio de pensamento desconfortável. Porque, se Tonks sabia… talvez mais gente soubesse também. E, de repente, não parecia tão seguro carregar aquele segredo só comigo.
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  A segunda coruja chegou com mais estilo — explodiu uma pequena chuva de purpurina azul assim que o envelope se abriu. Pólvora mágica. Confetes no travesseiro. Só podia ser dos Weasley.
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  Prezada %Chikondi%, a mais brilhante das corujinhas da Corvinal!
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  Está oficialmente convidada para conhecer a nova filial da loja de logros mais sensacional do século — Gemialidades Weasley, agora com 25% mais caos e o dobro de fogos!
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  Sabemos que seu gosto por confusão bem feita e feitiços não convencionais nos torna aliados naturais.
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  Traga bom humor, reflexos rápidos e disposição para rir até perder pontos da casa.
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  Com saudades,
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  Fred & George (os gênios — aceitamos elogios e visitas espontâneas)
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  Rangi os dentes para segurar uma risada mais alta. Era esse tipo de coisa que me lembrava que, mesmo no meio do caos, o mundo ainda tinha luz. Mesmo que em forma de glitter explosivo e cartas cheirando a travessuras.
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  Guardei as duas com cuidado, como quem guarda um lembrete de que existe vida fora das sombras. Depois apaguei a vela com um sopro.
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  Mas o sono... demorou a vir.
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  E quando veio, trouxe o que eu já esperava.
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  Sonhei de novo.
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  O símbolo estava lá — brilhando como fogo líquido, pulsando em espirais. Mas dessa vez, não estava sozinho.
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  Uma figura encapuzada surgiu no centro da luz. O rosto oculto por sombras, mas os olhos… dourados. Intensos. Quase humanos, mas não totalmente. Havia algo errado naqueles olhos. Como se me enxergassem por dentro, através do tempo e da carne.
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  A figura ergueu a mão, e no centro da palma… uma serpente. Gravada com perfeição. Igual à do símbolo do livro.
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  Tentei falar. Nada saiu.
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  Tentei correr. As pernas não se moveram.
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  Ela veio em minha direção. Devagar. Como quem sabe que não precisa correr pra alcançar. E quando estava perto o suficiente pra me tocar…
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  Acordei.
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  O corpo suado. O coração disparado. O peito arfando.
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  Fiquei ali, deitada, encarando o teto azul-acinzentado da torre, ouvindo o som da minha respiração tentando reencontrar o ritmo. A runa ainda queimava atrás dos olhos. O rosto, também.
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  Não sabia o que aquilo significava. Ainda.
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  Mas uma coisa era certa: algumas verdades não se escondem. Elas apenas esperam que você esteja pronta para vê-las.
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  Nota da autora: Confesso que eu ia tirar essa história do ar depois das polêmicas envolvendo a autora original — porque, sinceramente, cada fala dela consegue ser pior que a anterior, nojo. Mas o carinho e os comentários de vocês foram um combustível pra eu continuar. Então prometo que vou dar o melhor de mim até o fim dessa jornada.
  Sobre o capítulo: %Ayana% e Zabini, hein? Aposto que ninguém esperava esse "casinho" antigo! 👀 E aos poucos estamos mergulhando mais no dom da %Ayana% — sim, ela tem um dom especial, e nos próximos capítulos tudo vai ficar ainda mais claro.
  Obrigada por estarem comigo nessa.
  Beijos da Nyx 💙✨

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Lelen

E APARECEU O LIVRO DO PRÍNCIPE. Gente, desculpa, mas o livro 6 é todinho do Draco e do Tom, então eu tô é muito curiosa pra saber dos acontecimentos relacionados a eles nessa história IHASDOIASHDOAISHD
EU NÃO TAVA ESPERANDO O ZABINI, MEU DEUS, LEVEI UM TAPA LENDO HHAAHAH Será se Harry vai ter que competir pelo coração da principal? Eu aceito mais concorrentes porque sim. Se tem a oportunidade, que aproveitemos ela HAHAHA
A pp junto com Fred e George é tudo o que eu peço no momento (sabemos que teremos mais pedidos no futuro? ótimo, que bom), MEU DEUS, SÓ IMAGINO ESSE ENCONTRO EXPLOSIVO AHHAAH
Ansiosa pra saber desse dom da Ayana e o que essa runas vão ter a ver com o enredo e como vão interferir nessa jornada!!!

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