Capítulo 20
Ao avistar minha mãe parada na frente do portão da casa de Axel, meu estômago revirou. Eu lembrava bem das suas palavras.
Você pode participar da minha vida e da vida dos seus irmãos, apenas se me chamar de tia, não de mãe. Essas palavras estavam cravadas em minha memória. Um lembrete constante de que jamais teríamos um relacionamento de mãe e filha. Ela nem ao menos apareceu no funeral da minha avó para saber como eu estava. Seu gesto demonstrou claramente que ela estava bem em sua casa, com a sua família, e que não se importava comigo ou com o que acontecia na minha vida.
— %Malia%… — Ela tentou se aproximar do carro. Mas parou ao perceber %Trent% saindo. — Por favor, vamos conversar.
%Trent% até tentou falar alguma coisa para mim, mas apenas balancei a cabeça, me despedindo dele.
— Obrigada por hoje, nos vemos amanhã, ok? — Pisquei, oferecendo um sorriso. — Não tenho nada para falar com você, vá embora. — Foi a primeira vez que a encarei em anos.
— Por favor… Eu soube da morte da sua avó só agora.
Soltei uma risada amarga.
— Meio tarde, não acha? Já faz meses. — Voltei a caminhar.
— Eu quero contar a minha versão da história, por favor!
— Seja qual for a sua versão, eu não quero saber. Apenas volte para sua casa e seja feliz.
Eu não queria conversar com ela. Entrei no quintal logo que me despedi de %Trent%, sem dar espaço para Ashley falar mais alguma coisa. Atravessei o corredor que levava até a casa da piscina e olhei para as janelas da casa principal. Estava tudo apagado. Me sinto aliviada. Eu não iria precisar lidar com os dramas da Payton, muito menos levar um sermão de Axel.
A raiva ainda queimava em mim. Um sentimento que eu experimentava há algum tempo.
Como se ela realmente tivesse uma para contar, vamos lá! Ashley, assim como Axel, teve muitas oportunidades de ficar ao meu lado, de ser
minha mãe, mas nenhum dos dois quis isso. Cada um seguiu com a sua vida assim que me entregaram para a minha avó e resolveram esquecer que tinham uma filha. Mas o que pensar de duas pessoas que abriram mão de qualquer vínculo com um bebê? Seria engraçado, se não fosse trágico.
Respirei fundo ao entrar dentro de casa. Minha vontade era bater à porta com força, mas eu não podia; aquela casa não era minha. Eu estava sentindo raiva, muita raiva por ela ter tido a cara de pau de aparecer na minha frente, mas, no fundo eu tinha ficado levemente curiosa em saber quais mentiras ela contaria para mim.
Caminhei até o banheiro e liguei o chuveiro. Meu dia tinha sido tão legal, sem nenhum drama e pela primeira vez depois de muito tempo, pude finalmente agir como uma adolescente, para no final minha mãe aparecer e tentar acabar com isso? Com um sentimento que levei anos para superar? Eu estava cansada, cansada de remoer as falhas dos meus pais. Eles escolheram ser quem são, e isso não tinha nada a ver comigo.
Encostei minha testa na parede fria, deixando a água quente lavar toda a raiva que eu sentia. Eu realmente não iria dar ao meus pais o luxo de perder meu sono. Cansei de me sentir uma vítima do destino que eles escolheram para mim. Saí debaixo do chuveiro, e me enrolei na toalha. Por sorte, eu sempre deixo meu pijama dobrado em cima da cama, então eu não teria que procurar algo para usar.
Depois de me vestir, voltei para o banheiro para fazer meu ritual de
skincare. Deitei na cama e fechei os olhos, permitindo que apenas as boas lembranças de hoje tomassem conta da minha mente.
Acordei com a claridade atravessando a cortina, mostrando que o dia seria tão quente quanto o anterior. Peguei meu celular para checar as horas.
Sete da manhã.Eu poderia estar dormindo, aproveitando que estava suspensa, mas meu corpo estava acostumado a acordar cedo, então eu apenas desisti de tentar dormir mais um pouco e me levantei.
Nas últimas semanas, eu tinha conseguido algumas pessoas para oferecer mentoria e complementar meu salário. Estava tirando um dinheiro legal, principalmente de gente rica e desesperada que queria que seus filhos tivessem sucesso. Hoje eu poderia aproveitar e sair por aí, quem sabe ir até a Calçada da Fama e tirar algumas fotos por lá…
— %Malia%. — Soltei um grito assustado ao escutar meu nome.
— Caramba, Axel! Ninguém ensinou que, para você entrar nos lugares, deve bater na porta antes? — Coloque a mão em cima do peito, tentando recuperar o fôlego.
— Essa é a minha casa, não acho que precise bater para entrar. — Revirei os olhos. Ele não precisava ficar batendo nessa tecla em todo o momento.
— Certo, e a que devo a sua ilustre presença? — Me encostei na parede, sem me dar ao trabalho de sentar-se no sofá ao seu lado.
— Fiquei sabendo que Ashley esteve aqui ontem à noite. — Fiquei surpresa por ele saber sobre esse assunto. Afinal, eles não estavam em casa.
— Sim, e da mesma forma que apareceu aqui, desapareceu. — Sorri para ele, cínica.
— O que a Ashley queria com você? — Observei sua postura mudar ao fazer o questionamento.
— Contar a versão da história dela. — Dei de ombros.
— A história dela? — A cor sumiu de seu rosto por um momento, mas logo em seguida ele ficou vermelho como um pimentão. — Escute o que eu vou te falar, %Malia%…
— Da mesma forma que não quis escutar as desculpas dela, não quero escutar as suas. — O interrompi.
— Mas, diferente dela, eu não vou ficar quieto. — Cruzei os braços. Ele era teimoso, então bastava eu deixá-lo jorrar todas as suas desculpas ou ameaças para que ele finalmente me deixasse em paz. — Sua mãe é mais esperta do que eu imaginava.
O encarei, confusa, tentando entender onde ela seria esperta.
— Por quê? — O incentivei a falar.
— Ela vem até aqui, dizer que quer contar a versão dela, quando na verdade não tem nenhuma história. — Revirei meus olhos. Eu não precisava dele para me dizer isso, eu mesma tinha chegado a essa conclusão.
— Então por que você acha que ela apareceu? — Eu ainda achava estranho ela ter surgido do nada, e o fato de Axel falar sobre esse assunto apenas acendeu uma luz de alerta na minha cabeça. Tinha algo acontecendo por trás desse aparecimento, e parecia que meu pai sabia muito bem o que era.
— Escute bem o que eu vou te falar, %Malia%. — Axel se remexeu no sofá, claramente desconfortável por estar ali. — Sua mãe obviamente veio atrás de dinheiro. Dinheiro que ela acha que você tem.
Soltei uma risada. Não! Na realidade eu comecei a gargalhar. Eu me sentia histérica.
— Claro, claro! — Respondi, secando uma lágrima que insistia em cair.
— Ashley acredita que a casa onde você morou com a sua avó é
sua.— Ele continuou, ignorando o meu riso.
Eu sabia que não tinha direito a casa da vovó. Na realidade, eu só teria algum direito sobre aquele lugar no dia que Axel falecesse, mas ele tinha dito que a casa havia sido vendida, então eu jamais iria vê-la novamente.
— Bom… É só eu falar para ela que a casa não é minha. Ou melhor, que tal vocês dois agirem como adultos e conversarem um com o outro? — Sugeri, colocando a mão na cintura.
— Escute bem… Sua avó deixou um testamento. A casa pertencerá à Payton assim que ela completar dezoito anos. Você ficará com um apartamento em Venice Beach.
Choque percorreu meu corpo.
— Espera aí! Como assim a casa é da Payton? Você disse que tinha vendido ela! — Me aproximei dele, a fúria borbulhando.
Tentei digerir aquela informação, mas as peças simplesmente não se encaixavam. Eu vivi por dezessete anos com a minha avó.
Dezessete anos. A decisão dela de deixar a casa onde moramos para Payton foi como levar um soco no estômago.
Será que eu deveria acrescentar isso na lista de rasteiras que já levei?
Eu me sentia traída. Cada centímetro daquela casa guardava uma parte de mim. Os jantares, o cheiro da comida dela, vovó em sua cadeira de balanço… Balancei a cabeça, tentando afastar aquelas memórias. Em menos de quatro meses, eu tinha perdido o lugar que eu considerava meu lar.
Duas vezes. — Primeiro, eu não preciso dar satisfações para você. — Ele disparou, aumentando sua voz. — Segundo, Payton merece aquela casa. Você roubou a infância dela naquele lugar, então a decisão da minha mãe foi mais do que justa.
— Então é isso? Você faz decisões de merda na sua adolescência, engravida duas garotas, assume uma e deixa a outra para viver com a sua mãe e acha justo que, depois de tudo isso a sua filha escolhida tenha direito a alguma coisa? — Gritei, deixando toda a raiva que eu sentia dentro de mim sair de uma vez.
— Minha mãe nunca permitiu a Payton naquela casa! Não enquanto Ashley estivesse lá! Não enquanto
você estivesse lá. — Ele rebateu, as veias do pescoço saltando. — Ela colocou a babaca da Ashley para viver sob o teto dela e agiu como se fosse mãe dela. Como se a porra do problema fosse da minha mãe, e não da Ashley por não ter decidido abortar!
— Puta que pariu! Finalmente você mostrou o monstro que é! — Minha voz saiu mais incrédula do que eu imaginava. — Suas atitudes foram uma merda a vida toda, mas falar abertamente que queria que ela tivesse abortado?
— %Malia%… — O tom dele era de advertência. Um aviso claro de que eu estava ultrapassando os limites.
— Acho que você faltou às aulas de educação sexual, né? Porque você claramente não entendia o significado de uma camisinha naquela época!
O silêncio que se seguiu foi cortante. Observei o rosto de Axel passar de um tom pálido para o vermelho em segundos. Seus olhos carregavam uma fúria que eu nunca tinha visto e, antes que eu pudesse processar qualquer coisa, o som seco do impacto da mão dele no meu rosto ecoou pela casa.
Imediatamente, minha mão parou no lugar atingido. Nunca, em toda a minha vida, alguém tinha batido em mim daquela forma.
Eu estava incrédula. Estática. Parada no lugar, sem conseguir mover meus pés. Minha avó nunca tinha levantado a mão para mim, mas o filho dela… Engoli em seco, lutando para que as lágrimas que queimavam meus olhos não caíssem. Eu jamais daria o gosto para esse filho da puta.
Não disse uma única palavra. Simplesmente dei as costas a ele, mantendo uma calma que eu nem sabia que possuía. A única certeza que eu tinha era que eu não poderia ficar mais ali; ele tinha passado de todos os limites ao me bater. Voltei para o meu quarto e peguei meu celular e a bolsa que tinha usado no dia anterior e sai o mais rápido possível.
Eu ainda tremia quando passei pelo portão e comecei a caminhar sem rumo. Com o celular em mãos, fiz uma ligação que jamais imaginaria que faria em toda a minha vida.
Liguei para a minha mãe. — %Malia%? — Ela atendeu no segundo toque.
— Onde você está? — Fui direta.
— Me encontre no Gen’s Coffee.
Essa era a única chance que eu daria para ela contar sua história, então esperava que Ashley aceitasse me encontrar.
— É claro! Só me dê meia hora. Preciso pedir para meu marido ficar com as crianças e…
Não queria mais escutar sua voz, então desliguei o telefone na sua cara. Caminhei até a cafeteria da Genevieve; ela tinha sido legal ao me dar alguns dias de folga e eu me sentia um pouco mal por levar problemas até o meu local de trabalho, mas ao mesmo tempo eu me sentia segura ali.
— Querida, o que você está fazendo aqui? — Genevieve me recebeu com um sorriso assim que entrei. — Pensei que iria aproveitar a folga que eu te dei.
— Tive alguns problemas em casa e acabei aqui. Teria algum problema para eu ficar? — Perguntei.
— %Malia%, o que aconteceu com o seu rosto? — Ela se aproximou, segurando meu rosto com a mão e o inclinando para o lado, deixando à vista a marca do tapa que Axel me deu.
— Sente-se aqui. — Genevieve me guiou até uma mesa mais afastada. — Irei pegar um pouco de gelo para você colocar em cima e, depois, iremos conversar.
Eu não tinha mais argumentos e, na verdade, não tinha para onde fugir. Sabia, lá no fundo, que quando chegasse aqui ela não iria deixar o assunto esfriar.
— Obrigada. — Peguei a toalha que ela me estendeu e pressionei contra o rosto.
— Agora… Você vai me falar o que aconteceu? Sei que as coisas na sua casa não estavam boas desde a sua briga com a sua irmã, mas você aparece machucada…
— Meu pai me bateu. — Sussurrei.
— Ele falou que minha mãe deveria ter abortado quando descobriu a gravidez, mas decidiu manter o bebê… Isso me irritou tanto.
— Querida... — Ela segurou minha mão com firmeza.
— Não quero ter que voltar para aquele lugar. — Eu precisava encontrar uma forma de ficar longe daquela casa. Daquelas pessoas.
Genevieve apertou minha mão, tentando me confortar. O silêncio que se seguiu foi reconfortante. Eu não precisava de palavras; precisava de gestos.
— Você não precisa voltar. Tenho um quarto vago na minha casa. Você pode ficar lá pelo tempo que quiser. — Sorri com a proposta.
Não tive tempo de responder. A porta da cafeteria abriu e o sino anunciou que alguém tinha acabado de entrar. Ao levantar minha cabeça, a primeira coisa que vejo é o emaranhado de cabelos castanhos de Ashley, e depois seus olhos.
— %Malia%… — Vejo o movimento dos seus lábios enquanto suss
urrava meu nome e caminhava em minha direção.
— Você é? — Genevieve assumiu uma postura protetora quando percebe que não me movo.
— Ashley… A mãe dela. — Sua voz parecia tensa.
— Vou deixar vocês a sós, tudo bem? — Genevieve olhou diretamente para mim, esperando uma resposta. Balancei a cabeça, mostrando que estava tudo bem.
— O que aconteceu com o seu rosto? — Ashley se inclinou para frente tentando encostar em mim, mas eu me esquivei.
— Tive uma briga com Axel, e ele me bateu. — Eu não tinha que fazer rodeios com ela. Seria muito mais rápido se fossemos diretas uma com a outra; eu queria arrancar aquele band-aid de uma vez.
— Meu Deus! — Vi seus olhos arregalarem. Aquela mulher tinha traços marcantes que hoje entendo muito bem de onde herdei. Minhas sardas vinham dela, e o olho verde também, se bem que isso foi herdado de ambos os lados.
— Isso não vem ao caso. — A encarei. — Por que você apareceu do nada? Se espera que eu tenha algum dinheiro, já aviso com antecedência que não tenho nada.
— Por que você acha que eu estou atrás do seu dinheiro?
— Bom… Talvez porque você nunca tenha me procurado? E quando eu procurei você, a única opção que tive era chamar você de tia. Não acha um absurdo?
— Sei que não tenho nenhum direito de me aproximar, não depois de tantos anos, mas existia um contrato…
Semicerrei meus olhos, tentando entender a dinâmica que essa conversa estava tomando.
— Se você começar com desculpas, então pode ir embora. — A cortei. Eu não estava ali para ouvir justificativas.
— Não quero manchar o amor que você tem pela sua avó. — Ela continuou. Cruzei meus braços, dando a oportunidade de ela contar uma parte da sua história,
da minha história. — Acho que já passei dessa fase. — Resmunguei. — Apenas fale de uma vez.
— Eu engravidei no meu último ano da escola. Estávamos em uma festa pós-jogo e bebi demais. Lembro vagamente que Paige e Axel tiveram uma briga ridícula, e eu e ele começamos a beber que nem loucos. Coisa de adolescente…. fazia um mês desde o meu término e acabei na cama do Axel.
— Encurte. — Eu não precisava dessa historinha introdutória, pelo contrário.
— Quando eu descobri, ele pediu para eu abortar, mas eu tinha meus princípios. Jamais faria isso com uma criança inocente.
— Bem… Talvez você deveria ter feito. No fim me abandonou que nem ele. — Dei de ombros, tentando parecer indiferente.
— Não foi bem assim. Eu tinha tudo planejado; tinha uma família que queria muito um bebê e iríamos fazer uma adoção particular, mas quando você nasceu, eu simplesmente não consegui. Então fui morar com a sua avó.
Não fiquei surpresa com a parte dela ter ido morar com a minha avó, pois Axel já tinha feito questão de mencionar isso.
— E…? — A induzi a continuar.
— Eu tinha planos para ir pra faculdade. Tinha me inscrito para a UCSB antes de descobrir a gravidez, mas desisti quando tive você. Estudar não era mais minha prioridade, mas sua avó disse que eu era nova, que eu merecia uma vida diferente…
— O que você quer dizer com isso?
— Logo depois de você completar um ano, sua avó me fez uma proposta. Eu deveria ir para a faculdade, me tornar uma adulta responsável e uma pessoa que se orgulhasse de mim mesma, mas para isso… Eu teria que deixar você com ela.
Para sempre. Fiquei confusa com suas palavras, mas a deixei continuar.
— …Assinamos um contrato. — Ela prosseguiu. — Nele existia uma cláusula que eu só poderia exercer meu papel de mãe após a morte dela. Até lá, eu jamais poderia ter nenhum tipo de contato com você.
— Então você apenas aceitou? Sem lutar? — Nessa altura do campeonato eu nem sabia mais o que sentir.
— Sei que não é uma desculpa, mas eu era uma adolescente, apavorada, criando um bebê na casa da mãe do pai desse bebê…
— Você deveria ter lutado. Não apenas resolver aparecer depois que minha avó morreu. — Me levantei da cadeira.
Ashley tentou me impedir, mas me afastei.
Ouvi a súplica em sua voz, mas aquilo não mudou em nada minha decisão.
— Já ouvi o suficiente, Ashley! Você, assim como Axel, fez escolhas péssimas na vida, mas isso não vai refletir no que eu sou. Não mais.
Coloquei a toalha que Genevieve tinha me dado em cima da mesa e caminhei até ela, que nos vigiava com olhos de águia. Dei um abraço rápido nela, e sussurrei que voltaria mais tarde.
Saí da cafeteria sentindo o vento quente bater no meu rosto. Peguei meu celular e mandei uma mensagem rápida para Summer. Como ela não me respondeu, liguei.
— %Malia%? Aconteceu alguma coisa? Você nunca liga. — a voz dela era preocupada.
— Você está perto dos meninos? — Perguntei.
— Não, eles estão treinando. O que aconteceu?
— Axel e eu tivemos uma briga. Ele me bateu e eu saí de casa. — Despejei tudo de uma vez.
O silêncio do outro lado da linha durou apenas alguns segundos.
— Onde você está? Quer saber, não importa. Vá para a minha casa. Você ainda lembra onde eu deixo minha chave reserva? — Ela me perguntou.
— Ótimo! Estou saindo da escola agora.
Caminhei até a casa de Summer, tentando assimilar tudo o que eu tinha escutado hoje. Minha avó não tinha sido a pessoa mais correta desse mundo ao fazer com que Ashley me deixasse com ela, mas eu, estranhamente, conseguia entender as duas.
Tentei me colocar no lugar daquela mulher, uma adolescente, com um bebê nos braços e a oportunidade de ir para a faculdade sumindo bem diante dos olhos. Claro que eu faria diferente, tentaria conciliar as duas coisas ao mesmo tempo, mas olhando de fora tudo parece mais fácil. No entanto, encarando a situação de um jeito prático e real, acho que eu acabaria fazendo o mesmo que ela.
Quando cheguei à casa de Summer, vi que a chave não estava no esconderijo, por isso me sentei no meio fio e esperei ela chegar. Não demorou muito para o carro dela parar próximo a mim.
Sorrio ao vê-la descendo do carro logo depois de desligar e correndo até mim, com os olhos fixos no meu rosto.
— Eu quero matar seu pai! Não, espera… Eu quero matar o Axel. — Ela tocou levemente na marca que eu tinha em meu rosto. — Os meninos ainda não sabem e, Deus nos ajude, porque a hora que eles descobrirem…
— Eles não vão fazer nada. — Eu não queria prolongar ainda mais aquela merda com Axel; só queria ficar no meu canto.
— Eu já falei com meu irmão. Você vai ficar com a gente. — Summer disse, enquanto me guiava para dentro de casa. — Quer dizer comigo, já que ele está mais nos treinos do que aqui.
Assim que entramos, ela me levou até a cozinha e praticamente me obrigou a sentar enquanto buscava algo no congelador.
— Obrigada. — Resmunguei, aceitando a colher e o pote de sorvete que ela colocou na minha frente.
— Olha… Sei que Evie e Zane jamais permitiriam isso, então como eles não estão aqui, essa responsabilidade é minha. Você vai ficar comigo até o final do ano, e pode ter certeza, o Axel jamais seria páreo para a raiva do meu irmão. Isso sem contar que eu,
acidentalmente, deixei escapar para o Titus o que seu pai fez.
— Titus? — Perguntei confusa, tentando processar o nome enquanto saboreava o gelato.
— Sim... o pai do Rhett, tio dos meninos, ele é sócio do Axel. — Summer deu um sorriso que não tinha nada de gentil. — Vamos ver se o Axel continua tão valente quando o Titus intervir. E não precisa se preocupar, vou garantir que seu pai pague a escola até o fim do ano.
Assenti, sentindo o peso dos meus ombros finalmente começando a se dissipar. Eu estava, estranhamente, me sentindo feliz. Tinha conseguido encontrar uma extensão da minha família ali, com Summer e os meninos.
Enquanto a Summer continuava a falar sobre seus planos, sobre o Titus e sobre como o Maddox teria que se acostumar com a minha presença ali, eu me sentei no sofá e respirei fundo.
Encostei a cabeça no estofado e fechei os olhos por um momento. Acho que, na verdade, era eu quem teria que me acostumar com essa nova mudança.
N/a: Hello! Hello! Gente se eu contar pra vocês que eu perdi alguns capítulos das minhas histórias recentemente e por isso que demorou pra sair uma att, vocês acreditam? Pois bem… Tá eu aqui tentando colocar tudo em ordem novamente. Só de Entre Dois Mundos eu tinha dois capítulos prontos, de Aquilo Que Nos Favorece a revisão que eu tinha feito na história já tava bem avançada, com uns cinco capítulos prontos pra mandar e perdi tudo. Sem contar com o capítulo final de A Ordem, então assim, levei um tempo pra me recuperar da minha burrice de não ter feito o backup e agora estou separando os dias da semana para mandar as atts.
Espero que tenham gostado dessa atualização, e principalmente, da Malia finalmente ter algumas respostas relacionadas sobre o seu nascimento.
Beijos e até a próxima.