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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Dark Shadow

Escrita porLi Santos
Editada por Lelen

Capítulo 8 • Gyoza

Tempo estimado de leitura: 33 minutos

  Algumas semanas depois…

  A Escola Secundária de Yokohama está agitadíssima nos últimos dias.
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  O motivo é simples: Festival Esportivo. Tal festival reúne todos os alunos do colégio em uma grande gincana de competições entre times divididos em diversos esportes. A competição já está acontecendo há duas semanas e emocionando a todos que estão super empenhados a fazer sempre o melhor. Hoje é o último dia de treinamentos do time de futebol masculino do primeiro ano. %Keigo% atua como atacante e é muito bom nas finalizações; Take é meio-campo e, normalmente, cria jogadas para os atacantes marcarem, porém ele faz alguns gols também; já Kohshi é o goleiro do time, muito rápido e com uma excelente estatística de defesas; Ren e seus amigos também fazem parte da equipe titular, sendo Ren atuando como atacante igual ao %Keigo%.
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  %Ali% está nervosa, ela havia combinado com sua mãe para ensiná-la a preparar gyoza, que são pasteizinhos fritos ou cozidos a vapor, normalmente os recheios são feitos de carne de porco moída ou legumes (repolho e cebolinha). Sua massa é bem fina, então %Ali% precisa de ajuda para preparar do jeito certo, já que, se ficar muito grossa a massa, o pastel pode ficar pesado demais para ser ingerido e perder o sabor original. A jovem fará os pastéis para %Keigo% como forma de incentivo para o jovem.
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  — Ponha mais recheio, querida — orienta a mãe de %Ali% enquanto supervisiona a filha montar os pastéis.
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  — Achei que tinha muito recheio — comenta ela em dúvida.
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  — Desse jeito o %Keigo%-kun irá comer apenas a massa — Harumi ri com o próprio comentário.
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  — Ai, mamãe — diz %Ali%. — Será que ele vai gostar? Estou com medo dele não…
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  — %Ali%, querida, não fique nervosa — incentiva a mais velha pondo as mãos sobre os ombros da filha e massageando o local. — %Keigo%-kun é um bom garoto, ele certamente irá adorar.
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  — Ele é mesmo — concorda a jovem pondo um pouco mais de recheio no pastel que prepara.
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  — Sabia que eu também preparei um obento para o seu pai quando éramos jovens? — diz a mulher referindo-se ao obento, que é uma marmita, que deu ao na época colega de classe.
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  — Sério?
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  — Sim! A diferença é que tinham sashimis e sushis dentro — pontua ela.
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  — O papai gostou? — indaga %Ali%, curiosa.
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  — Ele ficou tão emocionado que me beijou na frente de todos — Harumi ri com a lembrança.
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  — Oh, meu Deus! — surpreende-se.
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  — E olha que nem namorávamos ainda, eu era apenas a senpai dele — conclui a mulher. — Agora, você e %Keigo%-kun já estão mais avançados — %Ali% arregala o olhar e vê a mãe se afastar um pouco e abaixar o volume da chama que esquenta a água no fogão.
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  — Como assim, mamãe?! — Harumi ri da reação da filha.
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  — Quero dizer que vocês dois já se beijaram. No meu caso, nem isso tinha acontecido quando eu dei o obento para o Hiroki — explica-se.
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  — Oh, sim, verdade — %Ali% relaxa os ombros, acalmando-se. — Está bom assim, mamãe? — ela mostra o pastel que acaba de enrolar da maneira que a mãe havia lhe ensinado.
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  — Perfeito, querida. Traga os que estiverem prontos, vou fritar — pede a mulher já pegando a frigideira maior e o óleo para fritar os pastéis.
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  — O treino é daqui a pouco, será que dará tempo? — pergunta a jovem, apreensiva com o tempo.
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  — Acalma-se, %Ali%, vai dar tempo sim.
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  A tranquilidade de Harumi se contrapõe ao quase caos que está a ansiedade de sua filha. %Ali% tenta não apressar a mãe, mas está um pouco difícil para ela. A Yoshida mais nova termina sua tarefa de montar os pastéis e entrega a travessa para a mãe que já está fritando os primeiros.
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  Minutos depois, Harumi já está colocando o último pastel frito na travessa. Ela orienta %Ali% a esperar um pouco antes de arrumá-los na marmita para que não murchem rápido. Enquanto aguarda, a jovem vai até seu quarto finalizar o bilhete que tinha começado a escrever para %Keigo% na noite anterior. O jogo será amanhã pela tarde, será contra uma das equipes do segundo ano. Ele comentou com a jovem que estava nervoso, pois esse jogo será decisivo para o futuro da equipe do primeiro ano na competição.
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  Assim que conclui sua pequena carta para %Keigo%, %Ali% deixa seu quarto e desce as escadas onde sua mãe já a aguarda na sala com o obento pronto e embalado. A mulher entrega para filha a sacola com a marmita e a jovem se despede da mãe, correndo em seguida até a saída de sua casa para ir para escola. Ela recebeu uma mensagem de Aimi avisando que o treino dos meninos havia sido adiantado em meia hora, ou seja: ela está atrasada.
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  Minutos depois…

  %Ali% corre apressada pelo imenso terreno do colégio. Ela nem se atreve a olhar no relógio para saber que horas são. O trem atrasou pela primeira vez desde que chegou ao Japão, justamente hoje ele atrasou alguns minutos e, por isso, ela chegou um pouco depois do horário que pretendia. Tomando cuidado para não derrubar a marmita, a jovem continua correndo rumo ao ginásio, mas, ao chegar lá, o encontra quase vazio. Ofegante, ela se aproxima de alguns colegas e pergunta sobre o treino e é informada que o mesmo havia acabado mais cedo. Confusa, a jovem vai até o vestiário, pois também recebe a informação de que os rapazes ainda não saíram de lá.
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  — Olha para onde anda, brasileirinha! — brada Ren, irritado ao passar por %Ali% e quase ele mesmo derrubar a jovem quando se esbarrou nela.
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  — Mas foi você quem quase me derrubou! — rebate ela, também irritada.
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  Ren não responde e sai resmungando até a saída do ginásio. Dando de ombros, %Ali% entra no vestiário e dá de cara com %Keigo%, que está sem camisa, mas com a parte de baixo de seu uniforme de treino.
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  — %Ali%! — diz ele, espantado ao vê-la ali.
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  — Oh, meu Deus, %Kei%… — ela se vira, tampando a lateral do rosto e ficando envergonhada.
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  — Achei que não viria mais — comenta ele com a voz diferente da habitual. Percebendo a mudança, %Ali% se vira de frente para ele, ignorando o fato dele estar sem camisa.
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  — Aconteceu algo? Sua voz parece irritada — diz ela e se aproxima mais dele.
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  — Não quero falar sobre isso — %Keigo% sorri forçado e a jovem resolve não insistir. — O que tem aí? — indaga ele, mudando de assunto.
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  — Ah, é apenas. Bom, é apenas… — ela gagueja e, antes de concluir sua fala, é interrompida pela chegada dos irmãos Aikyo.
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  — %Ali%-chan! Que bom que veio — diz Take, animado por ver a amiga. O olhar de %Ali% encontra o amigo que também está sem camisa, assim como seu irmão que vem logo atrás dele.
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  — Vão se vestir! — reclama %Keigo% vendo os amigos sem a parte de cima do uniforme.
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  — Você também está sem camisa, sabia? — comenta Kohshi.
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  — Não me diga que não percebeu? — Take completa a gozação e %Keigo% os encara irritado.
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  — Oh, eu vou deixá-los à vontade — diz %Ali% já virando o corpo para sair dali, mas é barrada por Take.
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  — Não precisa, %Ali%-chan — o rapaz passa seu braço sobre os ombros de %Ali% e recebe o olhar furioso de %Keigo%.
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  — Take… — sibila o rapaz sem emitir som.
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  — Take! — alerta Kohshi, em voz alta, vendo o possível perigo contra o irmão que parece não se importar.
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  — O que trouxe aí? — pergunta Take, curioso à sacola que %Ali% traz nas mãos, e ignorando os outros.
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  — É um obento — ela finalmente diz.
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  — Oh, que fofa! É para gente? — indaga o Aikyo mais novo com um olhar pidão. %Ali% não tem coragem de dizer que não.
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  — Sim — a jovem estica a sacola para frente e Take a segura, retirando a obento de dentro dela.
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  — Oh, está com um cheiro bom — o rapaz aspira o perfume dos pastéis que, mesmo com a tampa da obento fechada, toma conta do ar.
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  — Obrigado, %Ali% — diz Kohshi se aproximando do irmão.
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  — Ah, gyoza! — anima-se Take ao abrir a tampa e ser invadido pelo cheiro inconfundível da iguaria.
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  %Keigo% apenas observa a cena, sua expressão enciumada havia sumido. Agora, ele exibe uma feição atônica. Ele sabe que a obento é para ele, somente para ele e que %Ali% disse que era para os três apenas para não magoar Take. Mesmo com os amigos devorando os pastéis sem pudor, o jovem não está chateado. Na verdade, ele está feliz pela lembrança da amiga para ele. Discretamente, %Ali% retira o bilhete que ela havia grudado na parte de cima da tampa e o esconde atrás do corpo. %Keigo% pega um dos pastéis e prova, admirando-se quando %Ali% revela que ela ajudou a mãe a preparar tudo e que o recheio foi ela mesma quem fez.
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  — Estão deliciosos, %Ali% — pontua Take com a boca cheia.
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  — Você cozinha muito bem, %Ali% — concorda Kohshi, sorrindo.
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  — Estão realmente divinos — %Keigo% a encara com o olhar apaixonado.
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  — Obrigada, meninos — responde ela, envergonhada, mas também sorrindo.
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  — Perfeito para recarregar as minhas energias depois do treino de hoje — comenta o mais novo dos irmãos pegando mais um pastel.
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  — Hoje realmente foi tenso — diz Kohshi.
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  — O treino acabou cedo demais ou eu cheguei tarde? — pergunta %Ali%, curiosa.
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  — Acabou cedo — responde Kohshi.
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  — Ah, por quê?
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  — Aconteceu uma briga e o treinador encerrou o treino — Kohshi explica, por alto, e os três trocam olhares deixando %Ali% irritada.
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  — O que aconteceu?! — insiste ela, estreitando o olhar para os três.
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  — Nada de mais, %Ali%, não se preocupe — %Keigo% tenta disfarçar, mas recebe o olhar penetrante da moça. — Nossa…
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  — Foi uma briga idiota, não se preocupe com isso — reforça Kohshi.
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  — É, %Ali%, fica tranquila e não se preocupe — ratifica Take seguindo a mesma linha dos outros.
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  — Vão me contar ou eu terei que arrancar a informação de vocês? — ameaça.
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  — Eu briguei com o Ren — revela %Keigo% e o olhar de %Ali% recai novamente sobre ele.
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  — %Kei%! — espanta-se ela. — Por quê?
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  — Porque ele é um idiota — responde o Murakami dando de ombros.
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  — E porque ele falou mal do seu tio — completa Take e logo em seguida tapa a própria boca, percebendo, devido aos olhares urgentes dos amigos, que não deveria ter dito nada.
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  — O que ele disse? — diz ela, ainda curiosa.
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  — Nada, %Ali%, o Take falou demais — %Keigo% responde ainda com o olhar irritado sobre o amigo que sussurra um “desculpa” para ele fora das vistas de %Ali%.
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  — %Kei%…
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  — Ren gosta de me provocar, eu não ligo — pontua.
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  — Não liga e brigou com ele? Hm, sei — ironiza %Ali% balançando a cabeça para os lados. — Não vou insistir, já que não quer me contar a verdade.
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  — %Ali%…
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  — Vocês viram a Aimi? — indaga ela, mudando de assunto e ignorando %Keigo%.
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  — Ela saiu antes do treino ser interrompido — responde Take já com o ar risonho de volta.
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  — Sabem o porquê?
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  — Bom… — inicia Take já rindo. — Digamos que o ciúme não a deixou continuar vendo o treino.
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  — Take! — brada Kohshi dando um tapa na nuca do irmão.
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  — Ciúme? — %Ali% os encara com confusão. — De quem?
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  — Algumas meninas do segundo ano estavam gritando pelo Kohshi — explica %Keigo% recuperando-se de ser ignorado por %Ali%, que agora volta a olhar para ele. — E parece que a Aimi ficou irritada, gritou as meninas e saiu do ginásio — conclui.
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  — Oh, meu Deus — diz %Ali% tapando a boca com as mãos.
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  — É, parece que a Aimi gosta do Kohshi — deduz Take.
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  — Cala a boca, Take, não tem nada a ver — irrita-se Kohshi.
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  — Eu nunca reparei… — comenta %Ali%, pensativa.
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  — Bom, mas parece que gosta — %Keigo% ri da reação irritada do amigo. — Estamos com a tarde livre, querem dar uma volta? — propõe.
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  — Seria muito bom, %Keigo%! — anima-se Take, se afastando do segundo tapa que ia levar do irmão e rindo da ameaça não sonora que recebe do mais velho.
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  — Vamos, então!
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  %Ali% concorda e deixa o vestiário para os rapazes trocarem de roupa. Minutos depois, já de banho tomado, os três saem do vestiário e encontram %Ali% sentada na arquibancada na companhia de Aimi que, ao encontrar Kohshi, vira o rosto envergonhada por sua atitude impensada de mais cedo.
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  Os amigos deixam o colégio, rindo animados com o jogo de amanhã. Antes de chegarem na lanchonete onde sempre frequentam, %Ali% percebe uma movimentação estranha na praça que há próxima e então encontra o olhar penetrante de um homem.
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  O mesmo homem da vez que foi seguida até o colégio.
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[🎌]

  %Ali% corre desesperada.
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  Ela está indo para a escola sozinha hoje, pois seu irmão está em um passeio do colégio e já tinha saído de casa logo cedo. A hora no relógio marca que é metade da manhã e a moça está dentro do horário previsto, mas não é por estar atrasada que %Ali% corre agora. Ela está sendo perseguida. O mesmo homem estranho que a perseguiu junto com outros há algumas semanas surgiu do nada, seguindo a jovem até o colégio. Desde então, ela não tinha o visto mais, porém, desde que saiu de casa há alguns minutos que ela vem sendo seguida por esse homem estranho.
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  Ela consegue se esconder em um beco estreito que separa um quarteirão do outro, a Yoshida ofega pondo as mãos no peito para tentar controlar as batidas de seu coração, ela nunca ficou tão assustada como agora. Ela queria ter aceitado a carona de seu padrinho que foi até sua casa buscar Fuyuki para ir à escola, queria não ter recusado e talvez não estivesse passando por isso agora. Mas, o que intriga a jovem é o motivo da perseguição. Por que esse homem está fazendo isso? E, o mais importante, para quem?
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  %Ali% põe sua cabeça e parte de seu tronco para fora do beco, espionando se pode ou não sair. Não há mais ninguém nessa rua que ela não sabe direito onde fica, já que pegou qualquer caminho só para fugir do homem. Ao ver que a passagem está livre, ela sai dali, ajeitando sua mochila nas costas e caminha olhando para os lados, apertando as alças da mochila. Ela pensa em ligar para o padrinho e pedir ajuda, mas não acha oportuno incomodar o homem durante seu trabalho. Pensa também em ligar para sua mãe, mas certamente ela iria se desesperar e piorar a situação envolvendo a polícia. Antes de tentar pensar em qualquer outra ajuda que possa pedir, %Ali% escuta um chamado.
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  — Hey, Yoshida!
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  Ao se virar, %Ali% vê a figura aterrorizante do homem. Assustada, ela volta a correr mais e mais rápido que antes, entrando e saindo de becos. O homem está bem atrás dela, muito próxima, mas não a alcança. %Ali% finalmente consegue sair em uma rua conhecida: a rua lateral a de seu colégio. Apertando mais o passo, ela projeta o corpo para frente, sem olhar para trás, quase tropeçando nas próprias  pernas. Ela vira a esquina, entrando na sua de seu colégio e continua correndo, à sua esquerda ela, finalmente avista o muro que o circunda. Alguns alunos caminham passando pela entrada principal e %Ali% consegue vê-los cada vez mais perto. Só mais alguns metros e…
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  — Peguei você!
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  A voz aterrorizante do homem diz e ela sente sua mochila ser puxada para trás com muita força e a outra mão do homem agarrar seu braço, erguendo-a um pouco no ar. %Ali% o encara assustada, tremendo e com muito medo de morrer nas mãos dele. Como ele sabe o sobrenome dela? Será que ele está a vigiando todo esse tempo? O que ele quer?
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  — %Ali%! — uma voz amiga faz a jovem seguir seu som.
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  A figura risonha de Aimi é avistada por ela e %Ali%, em um momento de força única, consegue se livrar do homem, puxando seu braço e livrando sua mochila da mão dele, saindo correndo em seguida. O homem cogita ir atrás dela, mas desiste já que há muitos alunos e adultos passando ali, ele não quer e nem pode ser visto. %Ali% corre na direção de Aimi e a puxa pelo pulso, indo para dentro das dependências da escola. Aimi chama pela amiga, vendo o desespero dela, perguntando o que está acontecendo, mas não obtém resposta. %Ali% continua correndo.
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  Até se esbarrar em alguém.
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  — %Ali%?! — diz %Keigo%, segurando os ombros dela e logo notando o nervosismo da jovem. — O que houve? Você está pálida! — constata. — Aimi, o que aconteceu? — indaga ele à amiga.
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  — Eu não sei, %Keigo% — responde. — Eu a encontrei na porta do colégio, tinha um homem estranho e…
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  — Que homem??? — pergunta %Keigo%, nervoso. %Ali% o abraça com força atraindo alguns olhares de alunos curiosos. — %Ali%…
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  — Você está tremendo, %Ali% — identifica Aimi.
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  — Me tira daqui, %Kei%, me tira daqui! — a jovem se afasta suplicando e agarra o casaco de educação física que %Keigo% usa.
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  O olhar dela transmite seu desespero. É o suficiente para %Keigo% agir.
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  Sem pensar duas vezes, o rapaz conduz a amiga ao seu lado na direção oposta de onde estava vindo. Aimi acompanha os dois e logo eles encontram Kohshi e Take, caminhando os cinco para o terraço de um dos prédios, onde costumam ficar diariamente. %Keigo% ajuda %Ali% a sentar-se perto de uma das estruturas que comportam os fios de internet e telefone de todo o prédio, ela recosta ali pondo as mãos sobre o rosto, retirando os óculos. A respiração dela está ofegante e as lágrimas são inevitáveis agora que tudo finalmente passou.
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  — Por favor, acalme-se, pequena — %Keigo% a abraça e sussurra próximo ao ouvido dela, respirando fundo para tranquilizar a respiração da moça.
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  — O que houve? — indaga Kohshi baixinho ao lado de Aimi.
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  — Tinha um homem estranho agarrando o braço dela — Aimi sussurra em resposta e completa: — Ele parecia querer levá-la contra sua vontade — Kohshi engole em seco ao ouvir a breve explicação do ocorrido.
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  Poucos minutos são o suficiente para que %Ali% se acalme. %Keigo% a ajuda, enxugando suas bochechas com os dedos e as aperta levemente ao fim, colocando os óculos de %Ali% de volta em seu rosto. Agora que passou todo o tormento de sua perseguição, a vergonha toma conta da jovem. %Keigo% nota isso e, para deixá-la mais confortável e segura, senta-se ao seu lado, abraçando-a de maneira carinhosa.
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  — Está mais calma? — indaga ele vendo %Ali% soltar um suspiro.
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  — Acho que sim — a jovem responde ainda envergonhada por ficar neste estado na frente dos amigos.
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  — O que aconteceu exatamente? — diz %Keigo% com a voz suave.
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  — Tinha um cara estranho me seguindo desde que eu saí de casa hoje — responde %Ali%. — Aliás, ele é o mesmo homem que, junto com outro, estava vigiando a mim e a meu irmão quando viemos para o colégio semanas atrás.
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  — Por Deus, amiga! — espanta-se Aimi, pondo as mãos sobre a boca.
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  — Mas, por quê? — indaga Kohshi, confuso. — O que ele quer com você?
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  — Eu não sei, mas… — ela hesita em falar. — Deve ser paranoia minha…
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  — Sobre o que, %Ali%? — insiste %Keigo% tirando sua mão do ombro dela e virando o corpo de lado, ainda olhando para %Ali%.
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  — Deixa para lá… — ela balança a cabeça.
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  — %Ali%! O que está acontecendo? Do que está desconfiada? Eu te conheço o suficiente para saber que está me escondendo algo — volta a insistir.
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  — Você também não me contou o que o Ren disse sobre o seu tio — rebate a jovem e os amigos encaram o quase casal pendendo o olhar de um para o outro.
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  — %Ali%! — ele ergue um pouco o tom de sua voz. — Isso pode ser perigoso, tem um homem te perseguindo e você pode estar correndo algum perigo…
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  — Eu sei disso! — brada ela, irritando-se. %Keigo% suspira, cansado, e controla sua angústia.
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  — Ok — diz ele e puxa o rosto dela com suavidade para encará-lo. — Ren disse que meu tio é um bandido — confessa e %Ali% arregala o olhar.
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  — Bandido?!
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  — Sim — afirma. Os irmãos Aikyo encaram o amigo, aguardando as próximas falas dele com apreensão. — Meu tio é um homem rico e, às vezes, ele age de maneira duvidosa. As pessoas falam muita coisa ruim sobre ele, mas ninguém prova nada — explica. — Ele pode ser frio, não dar a mínima para o que acontece em minha vida ou na vida daqueles que o cerca, mas bandido ele não é. Não acredito nisso — %Ali% não consegue dizer nada. Ela não está assustada com o que ele acaba de confessar, mas também não se sente tão confortável.
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  — %Keigo%… — chama Kohshi atraindo o olhar do amigo que apenas faz um singelo gesto com a sobrancelha, como quem pede para ele ponderar suas palavras. %Keigo% entende o recado e volta a olhar para %Ali%.
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  — Eu já disse o que eu tinha para dizer — diz ele para a moça. — Sua vez — %Ali% não quer contar exatamente sua desconfiança, sente vergonha em compartilhar esse detalhe de sua vida.
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  — Eu acho que… não sei, mas acho que ele me conhece, ele me chamou pelo sobrenome — ela diz a informação pela metade na esperança de %Keigo% não lhe fazer mais nenhuma pergunta que a leve a confessar a verdade.
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  — Mas, ele te conhece de onde?
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  — Eu não sei, %Kei%, eu não sei — ela abaixa a cabeça encostando-a em seus joelhos.
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  — Você chegou a ver o rosto dele? — pergunta Take, se inserindo na conversa.
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  — Sim! Aquele rosto assustador, ele estava, estava com raiva… — %Ali% se lembra da visão terrível do rosto do homem. — Ele tinha uma cicatriz no rosto.
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  — Cicatriz? — %Keigo% ergue uma sobrancelha, desconfiado.
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  — Sim, embaixo do olho esquerdo. Era grande e estava avermelhada. Muito feia. Ahhh — %Ali% fecha os olhos tentando esquecer-se da imagem que lhe invadiu a mente.
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  — Tudo bem, acalme-se, não pense mais nisso, tá? — %Keigo% põe sua mão sobre o rosto dela que apenas assente.
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  Por um breve momento, os irmãos se entreolham com cumplicidade.
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  — %Ali% — chama Take e tanto ela quanto %Keigo% encaram o amigo. — Se esse homem aparecer de novo, por favor, não o enfrente.
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  — Take tem razão — reforça Kohshi e Aimi apenas concorda com a cabeça, a jovem ainda está assustada com o ocorrido.
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  — Se ele aparecer, chame a polícia — %Keigo% reforça ainda mais, encarando-a. — Por favor, não se coloque em perigo, está bem?
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  — Não se preocupem, farei isso, eu chamarei a polícia — ela sorri levemente e recebe o afago altamente reconfortante da mão de %Keigo%.
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  O sinal sonoro do colégio avisa que está na hora de todos irem para o ginásio. Antes do jogo, que começa em menos de uma hora, terá uma pequena reunião da equipe com o treinador. Os rapazes precisam se apressar. Todos deixam o terraço e tomam caminhos diferentes. Aimi e %Ali% vão para o banheiro para que a Yoshida possa refrescar o rosto e voltar ao normal, a Inoue também precisa fazer o mesmo. Já o trio de amigos segue o caminho até o ginásio. %Keigo% vai na frente, pensativo, a mente tentando juntar peças.
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  — %Keigo%… — chama o mais velho dos Aikyo, tocando em seu ombro e obrigando o amigo a parar de andar.
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  — No que está pensando? — diz Take, parando ao lado dos dois.
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  — Na maldita cicatriz — o olhar apreensivo do jovem Murakami encontra o dos amigos. Os três pensando na mesma pessoa. — Só pode ser ele — complementa %Keigo%.
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  — Mas, o que ele iria querer com a %Ali%? — indaga Kohshi.
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  — Não faz sentido — Take diz.
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  — Eu tenho quase certeza que foi ele sim — ratifica %Keigo%. — E eu o vi rondando o colégio mais cedo, não achei que fosse algo importante, mas agora tudo faz sentido para mim — ele franze o rosto, irritando-se com a possibilidade.
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  — Inacreditável, %Keigo% — Take solta um suspiro. — Se ele tem a ver com isso, então…
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  — Então ele pagará caro por envolver a %Ali% nessa história, seja ela qual for — o brilho sinistro no olhar de %Keigo% vibra, quase fazendo seus olhos soltarem faíscas do tamanho da raiva que ele sente agora. — Muito caro.
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  — Tenha certeza primeiro — pondera Kohshi.
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  — Eu terei — diz, firme. — E já sei até como.
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  Os irmãos se entreolharam novamente e depois viram %Keigo% voltar a caminhar em silêncio. Eles nunca tinham visto o amigo daquela maneira tão perturbado com uma possibilidade. O que %Keigo% desconfia é o mesmo que os irmãos desconfiam: a participação do tio de %Keigo% na perseguição a %Ali%. O motivo? É isso que o jovem Murakami tentará descobrir. E, pela determinação que ele demonstra, ele irá descobrir a verdade em breve.
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  No dia seguinte…

  Durante a partida de ontem, %Keigo% não conseguiu se concentrar direito. Mesmo assim, sua equipe venceu o jogo e avançou na competição do festival. Hoje, é a vez das meninas jogarem vôlei. %Ali% mal conseguiu dormir à noite pensando na cicatriz daquele homem e, principalmente, nos olhos dele. Aquele olhar jamais sairá de sua mente. A moça termina de amarrar seu tênis, ajeitando a meia e recebe o olhar compadecido de Aimi que também já está pronta e sabe que a amiga não dormiu direito. Ela mesma não conseguiu dormir só em saber do relato do que a amiga passou.
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  Espantando pensamentos ruins, a jovem Yoshida se levanta do banco e ouve atentamente as orientações finais do treinador. Após, todas as meninas gritam o cântico de incentivo pela vitória e seguem até o ginásio. A torcida inflama assim que elas entram em quadra e o olhar de %Ali% procura, instintivamente, pelos amigos na arquibancada. Na verdade, seu olhar procura por %Keigo% que rapidamente é identificado por ela entre os alunos do colégio. Ele acena para a amiga, sorrindo abobado e ela retribui o aceno e um meio-sorriso. Este fato é notado por %Keigo%.
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  Ao lado dele, os irmãos Aikyo também torcem pelas meninas. O mais velho com o olhar contido em cima de Aimi que carrega o número 12 nas costas, os cabelos presos para cima, a franjinha em cima de sua testa balançando conforme salta para se aquecer antes da partida. Detalhes que Kohshi acha irritantemente fofos.
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  %Ali%, líbero da equipe, carrega o número 20 nas costas e seu apelido escrito com letras romanas, assim como os demais uniformes. Ela se posiciona no fundo da quadra, seguindo a formação ensaiada nos treinos das últimas semanas.
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  O jogo começa.
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  As primeiras jogadas passam pela parte frontal do time, não chegando em %Ali%, que tenta manter a concentração na partida. Porém, sua mente cansada a trai lhe mostrando imagens do ocorrido de ontem, a adrenalina da fuga, a perseguição por ruas estranhas e estreitas, o pulsar acelerado de seu coração, o cansaço que sentiu e o medo que lhe dominou ontem pareceram retornar neste momento apenas em recordar-se de tudo. Ela começa a hiperventilar. %Ali% leva uma das mãos ao peito, apertando o local rapidamente, e voltando a colocar ambas as mãos próximas aos joelhos, pronta para uni-las em uma manchete, recepcionando um ataque.
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  De longe, %Keigo% consegue notar que há algo errado com ela e que %Ali% está desconcentrada. Toda a distração de sua mente, faz com que a jovem não veja o ataque adversário e, com isso, receba uma bolada no rosto. Os braços fechando em uma manchete tarde demais. Ela ouve gritos do treinador, pedindo concentração e pede desculpas às companheiras de equipe pelo equívoco, voltando a se concentrar no jogo. Tudo em vão.
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  Além de ver as imagens do dia anterior, %Ali% ouve em sua mente os gritos daquele homem da cicatriz chamando por ela. Gritando. Exigindo que ela parasse de correr. Até que ela sente os braços dele agarrando-a, parando sua fuga, e se desespera mentalmente com a lembrança ruim.
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  Um, dois, três…
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  Muitos pontos dados de graça para o adversário, todos em cima de %Ali% que, a essa altura do jogo, já foi notada como ponto fraco de sua equipe. Aimi se aproxima, durante uma breve pausa solicitada por seu treinador, e pergunta para a amiga se ela está bem. %Ali% revela o que está sentindo mesmo estando envergonhada por tudo e recebe o apoio da amiga. Na volta da pausa, %Ali% se obriga a focar-se apenas no jogo, sua equipe está muito atrás no placar e elas precisam recuperar-se ou perderão o set.
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  Em uma das jogadas seguintes, a jovem Yoshida se arrisca na frente da rede ao ver as companheiras se enrolar com a bola, mas, ela olha para longe, perto da saída do ginásio, e vê aquele homem. O mesmo homem que o perseguiu ontem estava ali, fisicamente, realmente é ele que está ali. A moça se assusta e sua aterrissagem não sai como o esperado, acaba pisando em falso, torcendo o tornozelo. Ela cai na hora gritando de dor.
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  %Keigo% se lança da arquibancada, descendo os degraus para acudir %Ali%, mas, antes de chegar até à beira da quadra, ele é impedido por Kohshi que o alcança a tempo. Logo a equipe de primeiros-socorros que fica no banco de reservas corre para ajudar %Ali% que segue chorando com a mão no tornozelo. Tudo que %Ali% consegue pensar agora é no olhar aterrorizante daquele homem.
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