Dark Shadow


Escrita porLi Santos
Editada por Lelen


Capítulo 13 • Detalhes

  Não é a primeira vez do casal.
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  A experiência em Kyoto tinha sido mais que prazerosa para ambos, mas agora está sendo diferente. Faz alguns minutos que %Keigo% e %Ali% estão sem roupas, ele já tinha feito sexo oral nela e a feito gozar, %Ali% já tinha feito o mesmo com %Keigo% e, dessa vez, ele também chegou ao seu orgasmo. Mas, parece que ficarem apenas nisso não resolverá o problema de agora. %Keigo% está deitado, com cuidado, por cima da namorada que agarra seus ombros com força, a expressão de dor na face.
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  — Vamos parar um pouco — sugere ele, mantendo seu pau parado dentro de %Ali%, mas não totalmente dentro. — Está doendo que eu sei, sua cara não te deixa mentir.
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  — Não pare, pode continuar — diz %Ali% de olhos fechados.
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  — Acho que você precisa relaxar um pouco que ela dilata sozinha — deduz, percebendo a tensão da namorada. %Ali% reclama estar sentindo dor toda vez que %Keigo% introduz mais seu pau dentro dela. — Devemos parar um pouco — volta a sugerir e tenta retirar seu pau dali, mas é impedido por %Ali%.
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  — Continue, %Kei%.
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  %Ali% enterra o rosto no peito dele e se prepara para o impacto. Ele empurra mais um pouco, sentindo a intimidade de %Ali% dilatar minimamente, não estando lubrificada o suficiente para passar com facilidade.
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  — Amor, vamos parar, agora é sério — diz o jovem com firmeza vendo %Ali% quase chorar.
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  — Não… não pare, %Kei%, está quase todo dentro — pontua ela e o encara.
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  Os olhos arredondados de %Ali% estão levemente cheios d’água, sua expressão segue de dor e suas unhas ainda estão cravadas nos ombros e costas de %Keigo%. Ele dá um beijo demorado nos lábios dela. Tentando ser o mais cuidadoso possível, o jovem empurra mais seu pau e o sente por inteiro dentro de %Ali%. Ela não reclama de dor, mas, mesmo assim,  %Keigo% prefere retirar e tentar de outra forma.
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  Ele volta a beijar os lábios da namorada e desce até a intimidade dela, chupando-a com lambidas alternadas. %Ali% finalmente volta a relaxar de verdade, %Keigo% mantém o ritmo e, mesmo após subir com os chupões pela barriga dela, a jovem Yoshida continua relaxada e gemendo de prazer. Ele finalmente chega até o rosto de sua namorada e toma seus lábios em um beijo mais indecente, uma das mãos segurando o próprio pau e se masturbando um pouco antes de introduzi-lo novamente em %Ali%. Dessa vez, entra com mais facilidade, mesmo %Ali% tendo feito uma expressão dolorosa na face por breves segundos.
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  — Relaxe, meu amor.
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  O pedido sussurrado pelo namorado faz %Ali% sentir-se calma e confiante no que está fazendo. Ela ama %Keigo%, disso não tem a menor dúvida. E, através do jeito que ele a trata agora, a jovem sente-se ainda mais amada por ele.
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  %Keigo% faz movimentos ritmados e não muito fortes, com medo de machucar %Ali%. Gradativamente ela pede para que ele acelere um pouco mais, ele obedece vendo o rosto de %Ali% ser tomado pelo prazer que ela sente. Os gemidos altos e sussurros por mais e mais estimulam %Keigo% a prosseguir, sendo mais ousado. Entrelaçando a mão com a de %Ali%, ele encara a namorada, que retribui, e acelera um pouco mais, sentindo seu orgasmo chegar. %Ali% também sente isso que o incentiva a continuar.
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  Com uma explosão deliciosa que sobe por suas pernas indo até seu rosto, %Keigo% chega ao orgasmo e tenta se manter com o corpo suspenso. Poucos minutos depois e %Ali% também goza, abraçando o namorado com carinho.
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  Horas depois…

  É tão aconchegante para %Ali% estar ali dormindo abraçada a %Keigo% num momento como esse. Depois de ter sido perseguida tantas vezes, ter sido ameaçada e ver se perigo que quase matou seu pai no passado ressurgir, é um grande alívio para a jovem dormir tranquilamente na segurança de seu lar com %Keigo% ao seu lado. Ou melhor, abraçada às costas dele. Ter %Keigo% ali significa para ela ter um porto-seguro tão importante quanto sua família.
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  — %Ali%!!! O que é isso?!
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  A luz do quarto é acesa de repente, %Ali% desperta assustada com o grito que lhe acordou e olhou na direção da porta do quarto. Parado ali está seu padrinho.
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  — Padrinho?!
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  Hayato não está sorrindo. Isso deixa %Ali% tensa e assustada, tanto que nem percebe que ainda está sem roupas e quase se levanta, mas %Keigo%, que já havia despertado com o grito de Hayato, se põe a frente dele, cobrindo-se com o edredom.
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  — Não estou crendo nisso… — diz Hayato para si mesmo, bagunçando os cabelos com força. — Cinco minutos — ele ergue o indicador para o casal. — Vocês têm cinco minutos para descerem vestidos e, de preferência, longe um do outro.
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  Após o ultimato, o homem deixa o quarto, batendo a porta na parede, escancarando-a.
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  — Não, não, isso não poderia ter acontecido — lamenta-se %Ali%, chorando, e %Keigo% a abraça com força.
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  — Acalme-se, meu amor, por favor — ele pede vendo-a tremer. %Keigo% também está nervoso, não queria que esse flagra acontecesse. Como eles se esqueceram que o padrinho de %Ali% poderia aparecer a qualquer momento? — Vem, vamos descer.
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  — Ele vai contar para o papai e agora sim nunca mais nos veremos! — os olhos dela estão arregalados de medo.
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  — Calma, vamos explicar o que houve e conversar com ele.
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  — Ah, %Kei%…
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  — Calma, meu amor…
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  É difícil transmitir confiança quando se está apavorado, mas %Keigo% tenta mesmo assim. Eles se levantam rápido e se vestem, descendo dentro do prazo estabelecido por Hayato. Quando chegam à sala, o homem está caminhando de um lado a outro bastante nervoso. Seus cabelos ainda sofrem sendo puxados aleatoriamente.
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  — Desgrudem! — ordena Tanaka ao ver os dois de mãos dadas ao pé da escada.
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  — Não vou deixar ela sozinha — %Keigo% o enfrenta, mantendo a mão segurando a de %Ali%.
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  — Você é audacioso, garoto…
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  — Padrinho, eu posso… — %Ali% tenta intermediar e interromper a troca de olhares raivosos dos dois, mas é ela quem é interrompida pelo padrinho.
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  — Shiu! — Hayato leva o indicador à boca, pedindo silêncio. — Jamais esperaria isso de você, %Ali%. Jamais!
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  — Padrinho… — diz ela, chorosa e agarrada ao moletom que %Keigo% veste.
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  — Estou decepcionado com você! — ele retoma a palavra. — Como pôde trazer esse garoto para cá com seus pais fora da cidade? Diante de toda a situação que sua família está passando e…
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  — Eu só fiquei porque…
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  — Estou falando com minha afilhada, moleque! — Hayato fala com rispidez.
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  — Padrinho! — %Ali% grita com firmeza, atraindo o olhar surpreso do mais velho. — O %Kei% só ficou porque eu pedi.
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  — Por quê?
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  — Uns homens tentaram invadir a casa — revela ela e Hayato muda de atitude.
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  — O que?! — ele quase grita, assustado.
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  — Eles estavam atrás do papai — completa %Ali%. — O %Kei% sabe de tudo sobre o papai e, por sorte, ele e os meninos estavam vindo para cá e chegaram a tempo de me ajudar.
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  — Eu só fiquei para garantir a segurança da %Ali%, senhor Tanaka — %Keigo% endossa a fala da namorada. Hayato o encara, sério. — Não podia deixá-la sozinha, ela estava com medo e eu também. Medo deles voltarem.
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  — Eles sabem que o papai não está na cidade, padrinho.
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  — Por que não me ligou, %Ali%? — indaga Hayato se aproximando deles.
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  — Estava com medo deles estarem me monitorando, não sei, eu achei que o senhor não fosse demorar para vir — responde a jovem. — Me desculpe, padrinho — %Keigo% abraça %Ali%, dando um beijo no topo de sua cabeça.
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  — Hey! — alerta Hayato e eles se afastam um pouco. — Ok, agradeço pela ajuda, rapaz — o homem pigarreou, contrariado e pensando na possível reação caótica que seu amigo teria se fosse ele a flagrar a filha e %Keigo% pelados na cama a essa hora da madrugada.
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  — O nome dele é %Keigo%, padrinho — relembra %Ali%. — E ele é meu namorado — Hayato limpa a garganta sem necessidade.
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  — %Keigo%, ok… o que eu quero saber agora é porque vocês dois estavam… porque estavam sem roupas e juntos na sua cama, %Ali%?
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  — Bem…
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  — Por Deus, me digam que usaram… — Hayato não crê que está tendo esse tipo de conversa com a afilhada.
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  — Sim, usamos, senhor — %Keigo% responde, envergonhado. %Ali% se esconde, também envergonhada, atrás do namorado.
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  — Eu não estou preparado para isso — ele balança a cabeça para os lados, incrédulo com o rumo da conversa.
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  — Desculpa, padrinho.
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  — Ah, mas pode ter certeza que com seu pai será pior, mocinha — Hayato refresca a memória da afilhada.
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  — Ai, o papai…
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  — De qualquer forma, foi perigoso o que fizeram em ficarem aqui sozinhos sendo que aqueles homens tentaram invadir aqui — pontua. — E se eles voltassem? Poderiam ter morrido! — %Keigo% sabe que não teriam coragem de fazer nada com ele lá, não teriam.
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  — Não tínhamos muito o que fazer, senhor Tanaka — diz %Keigo%. — Estávamos esperando o senhor chegar.
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  — Ok, tudo bem — Hayato solta o ar pela boca, respirando fundo em seguida. — Vou dormir aqui hoje e amanhã vemos o que fazer.
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  — Vai contar para o papai, padrinho?
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  O olhar piedoso de %Ali% sempre foi algo que Hayato tentava evitar. Ele se recorda da primeira vez que a afilhada utilizou-se de tal artifício para convencê-lo a levá-la para o parquinho mesmo com a negativa de seu pai.
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  Hayato acha esse olhar irresistível.
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  — Vou pensar — ele diz, simplesmente, não quer lidar com isso agora. — Por enquanto você, senhor namorado — o homem encara %Keigo% que engole em seco —, dormirá aqui comigo na sala. Quero me certificar de que ninguém invadirá a casa.
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  — Tudo bem, senhor.
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  — Vocês podem dormir no quarto do Fuyu e….
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  — Dormiremos na sala, %Ali%! — ratifica Hayato e pontua: — E você no seu quarto.
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  — Mas padrinho…
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  — É melhor obedecer seu padrinho, %Ali% — %Keigo% sugere, ponderado. Hayato retorce os lábios, erguendo uma sobrancelha.
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  %Ali% apenas assente e se despede com um breve beijo na boca de %Keigo%. Hayato volta a limpar a garganta sem necessidade e recebe o abraço agradecido da afilhada.
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  %Keigo% quase ri ao lembrar-se que disse a %Ali% que queria que a primeira vez deles fosse inesquecível, só não imaginaria que seriam flagrados. Não era esse tipo de memória que ele queria que tivessem. Seria cômico se não fosse trágico.
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  Depois que %Ali% sobe para seu quarto, Hayato e %Keigo% arrumam o sofá e uma cama improvisada no chão para poderem dormir. Logo todos estão adormecidos.
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  Em seu quarto, a jovem Yoshida até consegue dormir tranquila no início de seu sono. Porém, em dado momento da noite, %Ali% volta a ter o mesmo pesadelo que a atormenta. Dessa vez, mais detalhes são adicionados.
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  O cenário ainda é incerto, apenas as vozes são percebidas.
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  “%Ali%! %Ali%!”
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  A voz dele também é reconhecida agora.
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  %Keigo% chama por ela no pesadelo, seu tom é urgente, desesperado e embargado. Logo depois, algo novo acontece, um barulho de tiro muito alto quase faz %Ali% surtar. Então, ela acorda assustada e gritando.
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  %Keigo% e Hayato ouvem seu grito e sobem as escadas correndo, se empurrando para saber quem chega primeiro para acudir a jovem. Antes de chegar ao corredor dos quartos, Hayato empurra %Keigo% que se esbarra na parede, batendo a cabeça. Ele para um pouco sentindo latejar, mas logo prossegue.
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  — Padrinho! — chama %Ali%, chorando.
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  — Está tudo bem? — pergunta com urgência. %Keigo% aparece atrás do homem esfregando a cabeça no lugar onde bateu.
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  — %Kei%! — %Ali% se levanta da cama e corre na direção dele, que se antecipa, ultrapassando Hayato.
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  — Você está bem, %Ali%? — eles se abraçam.
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  — Eu… eu tive um pesadelo — choraminga a jovem, o rosto apoiado no ombro do namorado. Seu padrinho se aproxima do casal.
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  — Aquilo de novo?
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  — Sim — responde num sussurro. %Ali% havia contado tudo sobre os pesadelos para %Keigo% na tentativa dele ajudá-la a entender o que eles significam. — Dessa vez foi pior…
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  — Eu estou aqui, fique calma, amor — pede, carinhoso, afagando os cabelos da jovem.
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  — Estou com medo que se torne real — revela.
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  — Não vou permitir que seja real.
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  O abraço quente de %Keigo% acalma os ânimos de %Ali%, que se derrete nos braços dele. Hayato pensa em intervir e falar algo, mas prefere não dizer nada, apenas observando o casal. Sorrateiramente, ele deixa o quarto, deixando-os à sós.
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  Na manhã seguinte…

  %Keigo% acaba dormindo no quarto de %Ali%, ela consegue adormecer a noite toda e não volta a ter o pesadelo, já ele quase não dormiu durante a noite. Logo cedo, o casal faz sua higiene pessoal e descem para sala, de mãos dadas, encontrando Hayato preparando o café da manhã. O cheiro de costela frita invade seus narizes.
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  — Que cheiro bom, padrinho — elogia %Ali%, sentando-se na cadeira perto do balcão.
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  — Quer ajuda, senhor Tanaka? — oferece %Keigo%, solícito.
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  — Não precisa, %Keigo%, já estou acabando — responde sem olhar para o jovem. — Passaram bem a noite?
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  — Sim e o senhor?
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  — Muito bem — diz ele, seco. — Antes de colocar o café de vocês, irei apenas falar uma coisa.
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  — O que, padrinho? — o maldito olhar novamente. Hayato desvia seus olhos dos da afilhada.
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  — Não vou contar para os pais de %Ali% os detalhes sobre você, %Keigo%, estar aqui — informa. — Apenas contarei sobre a invasão e que eu fiquei aqui com ela — os jovens o encaram, surpresos.
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  — Senhor, caso o senhor queira contar, eu…
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  — Deixa que eu lido com os pais da %Ali%, sei o que estou fazendo — Hayato o interrompe, despejando as costelas fritas na tigela. — Se vocês não contarem, eu não contarei.
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  — Padrinho… — %Ali% se levanta e abraça o mais velho, quase derrubando a frigideira das mãos dele, que retribui o abraço meio desajeitado. — Obrigada, padrinho!
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  — Obrigado, senhor Tanaka!
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  %Keigo% curva o corpo em agradecimento. Hayato apenas assente e termina o café da manhã. Depois de todos comerem, o homem aconselha os jovens a tomarem mais cuidado, principalmente se %Keigo% voltar a dormir aqui, que pelo menos peçam permissão dos pais da afilhada e não façam nada escondido. Eles concordam e %Keigo% reforça que só quer o bem de %Ali% e que a ama muito. Disso, Hayato não tem dúvidas.
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  Segunda-feira de manhã, fim das férias de primavera

  Quando os pais da %Ali% retornam na segunda de manhã bem cedo, Hayato conta o que aconteceu no final de semana. Hiroki ficou furioso porque o amigo não o contatou antes e deu uma baita bronca na filha também por ter aberto a porta para qualquer um sem nenhum adulto em casa. Ficou quase meia hora falando sobre mudarem de cidade, sobre o quão irresponsável Hayato e %Ali% foram e sobre os perigos que correram. %Ali% ficou irritada com a menção de uma nova mudança e foi para a escola depois de discutir com o pai e dizer que ele quem era o irresponsável. Já que a culpa por estarem nesta situação é dele.
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  Inesperadamente começa a chover. %Ali% não está prevenida, então espera, tentando se proteger, no pouco espaço na sacada de uma loja, que ainda não havia aberto.
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  — Bom dia, senhorita Yoshida.
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  Aquela voz. A voz aterrorizante dele.
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  %Ali% sente seu coração disparar e, ao ver a figura sombria de Hyakume parado bem ao seu lado, pensa em fugir, mas é impedida pela frase dita por ele.
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  — Não fuja de mim — diz, sereno. — Ou eu irei atrás do seu irmãozinho, ele estuda perto de você, não é? — %Ali% o encara, assustada. O homem sorri de forma macabra. %Ali% nunca tinha sentido tanto medo como sente agora.
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  — De-Deixe ele em paz — pede, trêmula. Hyakume ri.
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  — Está namorando o meu sobrinho, certo? — %Ali% não responde nem com palavras nem com gestos. Ele volta a rir, desta vez abertamente, e segura o braço dela com força. — Diga ao seu papai que eu não quero mais o dinheiro que ele me deve — seus olhos estão fixos no rosto de %Ali%, como um lobo enquanto caça. — Eu quero a vida dele em troca — %Ali% ia gritar de espanto, mas Hyakume tampa sua boca com a mão livre. — Se contar para o meu sobrinho sobre isso, eu irei atrás de você, entendeu?
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  Ele gargalha, mostrando os dentes, apesar de ser bonito e elegante, Hyakume conseguia demonstrar todo seu sadismo em sua face. %Ali% se livra dele e sai correndo na chuva. Seus pensamentos a mil, o coração quase pulando pela boca e as pernas pesando de medo.
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[🎌]

  Naquela mesma noite

  %Keigo% havia faltado à reunião do clube de música para poder esclarecer finalmente a história sobre seu tio. A história real e não a contada pelo mais velho. Neste momento ele está sentado no sofá de um quarto de hotel junto da única pessoa que poderia confiar agora.
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  — Tem certeza de que está preparado para saber, %Keigo%-kun? — Yanar pergunta mais uma vez.
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  Mesmo estando angustiado com as possíveis verdades que possa ouvir, %Keigo% tem certeza de que precisa encarar a realidade.
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  — Pode falar, Yanar-san — afirma ele, convicto. Yanar se ajeita no sofá, engolindo em seco, e começa a falar.
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  — Sabe que eu trabalho para seu tio há muitos anos, você ainda era criança quando entrei para o grupo do seu tio.
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  — E você sempre foi muito gentil comigo, sabe que o considero um segundo pai, não é? — reafirma %Keigo%, fazendo o mais velho se emocionar e limpar a garganta, sem jeito.
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  — Agradeço pela consideração, %Keigo%-kun — diz o homem com os olhos levemente marejados. — Saiba que eu tenho a mesma consideração por você, eis um filho para mim e é justamente por isso que irei te contar a verdade.
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  — Agradeço, Yanar-san — o Murakami mais novo analisa o notório nervosismo do mais velho.
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  — Bom, não irei mais enrolar você — o homem volta a se ajeitar no sofá. — Creio que já saiba que seu tio não é um homem correto — %Keigo% não diz nada e apenas afirma com um gesto de cabeça. — Sei também que está investigando a vida dele e os últimos acontecimentos que ocorreram com a jovem Yoshida — a menção da namorada faz %Keigo% se alertar.
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  — Ele teve a ver com a vinda dos Yoshida para Yokohama, não teve?
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  — Sim, %Keigo%-kun, teve sim — responde o mais velho e vê o jovem enrugar o rosto, irritando-se. — Indiretamente ele teve.
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  — Como assim indiretamente? — pergunta, confuso.
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  — Sabe que o pai de %Ali% é viciado em jogos, não sabe? — %Keigo% afirma com a cabeça. — E sabe que ele tem uma dívida exorbitante.
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  — Sei, mas o que isso tem a ver? Não me diga que…
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  — Um dos negócios do seu tio, o que ele mais se orgulha e expande, é uma rede de jogos de azar espalhados pelo mundo.
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  — Por Deus… — espanta-se %Keigo%. — Então…
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  — Seu tio sempre nos envia, Akuma e eu, para cobrar as dívidas que os cobradores comuns não conseguem.
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  — Aposto que usam a força bruta para isso, não é? — Yanar abaixa a cabeça, envergonhado. — Vocês ameaçaram o pai da %Ali%?
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  — Em uma das vezes ele quase morreu com um tiro, ainda na cidade que moravam no Brasil — revela Yanar e %Keigo% levanta-se do sofá, assustado.
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  — Então foram vocês?! — rebate o jovem de maneira retórica. — Tudo de ruim que está acontecendo com a família da minha namorada é culpa de vocês?! — reformula a pergunta. — Yanar-san!!! — ele grita, furioso.
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  — Acalme-se, %Keigo%-kun, por favor — pede o homem, também se levantando, e tenta se aproximar dele. — Na época, procuramos fazer as coisas para que atingisse apenas o senhor Hiroki, mas…
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  — Vocês machucaram a %Ali%?! — %Keigo% avança até Yanar, segurando-o pela camisa.
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  — Nunca encostamos nos filhos ou na mulher dele, %Keigo%-kun, isso eu posso te garantir — a respiração de %Keigo% está ouriçada e suas mãos tremem de raiva.
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  — Não acredito nisso!!! — brada o rapaz, soltando o mais velho e se afastando. — Vocês ficaram loucos? São bandidos agora? Como que…
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  — Acalme-se, %Keigo%-kun…
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  — Não me peça calma! — Yanar pausa sua aproximação, erguendo as mãos em rendimento.
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  — Tudo bem, eu entendo sua reação — diz ele, compreensivo. — O seu tio é o líder da Máfia Washi — a revelação faz %Keigo% encarar o homem, o horror estampado em seu rosto. — O maior negócio da máfia atualmente são os jogos de azar e, o método usado para a cobrança, é o mais violento possível.
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  — Por Deus… — as pernas de %Keigo% desabam, fazendo o jovem ceder ao chão, Yanar vai ajudá-lo. — Por que fazem isso? Por quê?
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  — Me perdoe por não contar antes, meu filho.
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  Por anos Yanar se manteve distante emocionalmente de %Keigo%. Muito por conta das ordens diretas de Hyakume para que o deixasse isolado, e muito também para protegê-lo. Não queria que %Keigo% se envolvesse, minimamente que fosse, com os negócios obscuros da Máfia Washi. Nem queria que soubesse de sua existência. Quando ouve o homem chamá-lo de “filho”, o jovem desaba a chorar.
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  — Por que fez isso com a família da %Ali%? — choraminga ele, aos prantos. — Há algo para fazer isso parar, Yanar-san?
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  O olhar assustado de %Keigo% o faz se consumir em culpa. A última coisa que Yanar queria era que %Keigo% se envolvesse nisso, mas o destino quis assim, quis que ele descobrisse da pior forma que o tio dele e a pessoa que ele mais confiava faziam parte da máfia mais perigosa de Yokohama.
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Capítulo 13
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