Dark Shadow


Escrita porLi Santos
Editada por Lelen


Capítulo 15 • O pouso definitivo

  Os irmãos Aikyo ficaram na casa dos Yoshida para auxiliar %Keigo% em qualquer eventualidade que precisasse. Hayato dirigia, Hiroki no banco do carona e %Keigo% no banco de trás sendo encarado pelo olhar penetrante do sogro que lhe fuzilava pelo retrovisor. Ele dava as coordenadas exatas de onde fica a  cabana de seu tio. Tinha ido lá com os pais pouco antes do acidente, depois disso foi uma vez aos doze anos, mas ainda se recorda do caminho.
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  Enquanto isso, na cabana de Hyakume Murakami, Akuma traz de volta %Ali% que havia tentado fugir pela terceira vez, sem sucesso. Ela se debate nos braços do homem e é jogada na cama de seu quarto, levando outro forte tapa no rosto por ter tentado fugir. Akuma gostaria de fazer mais que isso, mas as ordens de seu chefe – a princípio – são apenas assustar a jovem o máximo possível. Isso ele faz com prazer.
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  A floresta Segami Shimin é bastante grande, possui muitas árvores altas, grandes áreas densas, com rios internos e, mais aberto, áreas arejadas onde ficam as cabanas. É em uma delas que Hayato estaciona seu carro. %Keigo% desce primeiro e começa a gritar.
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  — %Ali%! %Ali%!
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  Não há ninguém em volta, nem no rio atrás da cabana, nem no estacionamento. Há apenas três carros estacionados ali. %Keigo% olha ao redor em busca da figura da namorada ou de alguém conhecido, mas não acha ninguém até o momento em que Akuma surge de dentro da cabana de seu chefe já bradando:
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  — O que faz aqui, pirralho? — ele está armado, dá para ver a arma presa dentro de sua calça jeans e balançando enquanto anda.
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  — Onde ela está, Akuma?! — %Keigo% exige saber, deixando de lado o respeito.
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  — Seu tio não te deu o mínimo de educação, seu moleque mimado! Pois eu darei!
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  Akuma ia estapear o rosto de %Keigo%, mas a figura imponente de Hyakume Murakami surge para impedir a ação de seu subordinado.
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  — Que escândalo é esse?
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  Ele tem o caminhar leve, as mãos dentro dos bolsos, usa óculos escuros e um blazer cor bege por cima da roupa social sempre bem alinhada ao corpo.
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  — Olá, %Keigo% — diz, passando uma das mãos sobre os ombros do sobrinho, mas o jovem se esquiva, ainda irritado.
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  — Onde está a %Ali%? — volta a querer saber.
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  — Onde está minha filha, seu marginal?! — Hiroki parte para cima de Hyakume que apenas o encara, os óculos caindo um pouco de seu nariz.
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  — Calma, Hiroki! — pondera Hayato, segurando o amigo. — Ele é perigoso e aquele homem está armado, fica quieto, por favor — sussurra ao ouvido do amigo que só então nota a arma de Akuma em sua cintura.
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  — Vamos entrar, fiquem à vontade.
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  O mais velho oferece, fazendo um movimento teatral com o braço e apontando para a sua confortável cabana. %Keigo% corre na frente, atravessando o portal e já grita por sua namorada. Logo todos também entram na grande sala de estar.
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  — %Ali%! %Ali%! Amor, onde você está?! — berra %Keigo% e ameaça subir às escadas até o andar dos quartos, mas é barrado por Akuma.
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  — %Keigo%, por que está tão nervoso? Acalme-se — debocha o tio do jovem, rindo.
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  Irritado com o desdém, %Keigo% perde a cabeça e vai para cima do tio, batendo em seu rosto. Mas, o segundo soco é impedido por ele, que segura forte o pulso do sobrinho. Discretamente, Hyakume faz sinal para que Akuma cumpra uma ordem. Ninguém percebe que ele sobe as escadas e só retorna quase dois minutos depois.
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  — Acalme-se, %Keigo%! — exige Hyakume, segurando o sobrinho pela roupa.
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  %Keigo% ia voltar a bater no tio, mas a voz dela o faz parar.
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  — %Kei%! — a jovem Yoshida está rendida por Akuma, uma arma apontada para sua cabeça.
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  — %Ali%!
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  Mais uma vez %Keigo% é puxado de volta pela roupa. O desespero só cresce ao ver %Ali% com uma arma em sua cabeça. O mais velho joga o sobrinho no chão, perto de Hayato e Hiroki, e saca uma arma apontando para os três.
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  — Olá, Yoshida — sibila ele, encarando Hiroki que engole em seco.
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  — Deixe minha filha fora disso, por favor — implora o homem, angustiado em ver a filha nesta situação.
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  — Se não tivesse negligenciado sua astronômica dívida, Yoshida, sua filhinha não estaria aqui, eu não estaria aqui. Possivelmente estaríamos todos desfrutando a liberdade, mas você tinha que deixar para lá, não é?
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  Hyakume debocha, soltando uma risada nasal. Hiroki não tem o que dizer, sente-se tão culpado que acaba crendo nas palavras dele.
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  — Estou cansado de brincar, de correr atrás de você pelo mundo. Eu quero o meu dinheiro, Yoshida! — berra. — Ou sua filhinha morre — ameaça, dando sinal para Akuma que puxa os cabelos de %Ali%, fazendo-a gritar.
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  — Não ouse fazer isso! — grita %Keigo%, angustiado.
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  — Cala a boca, %Keigo%! — revela-se Hyakume, mostrando um descontrole que nunca havia mostrado antes.
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  — Não fale assim…
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  — Cala a maldita boca, garoto irritante! — volta berrar, bastante irritado. — Eu deveria ter finalizado você quando tive oportunidade, deveria ter feito o que o acidente não fez.
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  %Keigo% paralisa.
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  Franzindo o cenho, o jovem sente as pernas vacilarem.
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  — O que… o que quer dizer?
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  — Você não sabia? — Hyakume ri, de repente mudando de humor. — Acha que foi um acidente que matou seus pais? — ri com mais vigor. — Como você é tolo, %Keigo%. Tolo igual ao seu pai.
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  %Ali% solta um grito que logo é abafado. Vê seu namorado ficar pálido e enrugar o rosto em desespero. Em sua mente, %Keigo% pensa que deve haver algum equívoco por parte do tio ou por parte da sua própria mente que tenta enganá-lo por algum motivo. Não, ele com certeza está errado em pensar que… Não, não poderia ser possível.
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  — %Keigo%-kun — o corpo do jovem é envolvido pelo abraço de Yanar, seu rosto pende para trás, vendo seu amigo de tantos anos o abraçando.
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  — Yanar-san…
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  — Yanar Hattori, o traidor — zomba Hyakume, recebendo o olhar do seu braço direito.
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  — Senhor Murakami — responde ele, sério.
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  — O que quis dizer com… com aquilo que disse, tio? — indaga %Keigo%, ainda abraçado por Yanar. O homem está ali porque sabe que o protegido irá precisar de seu amparo.
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  — Ora essa, %Keigo%, você é tolo, mas não é burro — rebate o mais velho, revirando o olhar. — Acha que o acidente foi um acidente? Não, não foi — repete. — Sabe que seus pais eram bastante ricos, não é?
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  — S-Sei.
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  — Pois então, raciocine um pouco, querido sobrinho.
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  O chefe da Máfia Washi, Hyakume Murakami, mandou matar o seu irmão Masato e sua cunhada Emi Murakami.
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  Os pais de %Keigo% acumularam uma grande fortuna. Emi já vinha de família rica e havia herdado o dinheiro de seus pais, já falecidos. Já Masato era o irmão mais velho de Hyakume e tinha sucesso em sua empresa de tecnologia que, na época, fazia bastante sucesso lhe rendendo muito dinheiro. Quando se casaram, dez anos anos antes de sua morte, o casal planejou ter filhos e deixar para eles sua fortuna acumulada. Seria tudo para as crianças. Mas, Hyakume tinha planos para o irmão e cunhada.
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  No momento do acidente fazia um lindo dia de verão, o Sol brilhava soberano no céu quase sem nuvens e a família estava passeando, indo rumo à praia para aproveitarem o dia. %Keigo% tinha sete anos e estava na parte traseira do carro quando tudo aconteceu, vendo a paisagem correr através do vidro da janela. A última imagem dos pais, que se recorda, é o sorriso da mãe, que estava grávida de sete meses, o mandando beber água para se refrescar do calor e o olhar do pai o observando pelo retrovisor. Os olhos sorriam para o pequeno garoto antes de se atentarem à estrada. Foi tudo rápido demais para desviar. Um caminhão desgovernado havia cruzado a pista e colidido com o carro.
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  %Keigo% desmaiou com o impacto.
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  Os pais do garoto mortos.
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  O plano inicial de Hyakume era matar toda a família, mas, para seu infortúnio, %Keigo% havia sobrevivido e, quando recebeu a ligação do hospital dizendo que o sobrinho estava internado e bem, o homem berrou em fúria. Seu plano tinha dado errado.
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  Se vendo sem saída, Hyakume precisou criar o sobrinho para assim ter direito a movimentar o dinheiro que, por direito, era apenas de %Keigo%.
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  Ao ouvir toda a sádica explicação de como quase morreu e como teve os pais e irmão assassinados, %Keigo% tremia mais e ofegava.
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  — Seu desgraçado… seu… — ele mal conseguia formular frases inteiras, seus pensamentos o traíram, jogando várias informações de uma vez, o confundindo. — Você é um monstro desgraçado! — seu tio era um monstro.
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  — Oh, falou igual a sua falecida mãe — o homem ri.
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  — Não fale dela! — %Keigo% queria socar o rosto daquele homem com toda sua força, mas Yanar não o deixou ir. — Yanar-san…
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  — Sim, %Keigo%-kun.
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  — Você sabia? Você…
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  — Eu sabia, soube depois que aconteceu tudo, mas eu não participei dessa atrocidade, se é isso que quer saber.
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  A informação alivia o coração do jovem que começa a chorar, suas pernas fraquejam, mas seu corpo se mantém de pé, sustentado pelos braços de Yanar.
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  — Pare de drama, %Keigo%, não seja um molenga, não desperdicei meu tempo te criando para isso!
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  — Você nunca me criou! — esbraveja %Keigo%, debatendo-se no abraço de Yanar. — Nunca me deu amor, carinho ou seja lá o que for. Seu desgraçado, eu odeio você!
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  — Saiba que é recíproco.
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  Mesmo enxergando a verdadeira faceta do tio, ouvi-lo dizer que nunca o amou é doloroso para ele. %Ali% sofre por não poder abraçar o namorado neste momento. Tendo um ataque repentino de fúria, %Keigo% se livra de Yanar e corre para frente de Hyakume, ficando entre o tio e Akuma que ainda tem %Ali% rendida.
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  — Quer me matar para ficar com a droga do dinheiro? Me mata então! Atira! Atira!
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  %Keigo% abre os braços, de peito aberto e queixo erguido, as lágrimas ainda tomam conta dele mesmo em seu ato de coragem. Hyakume ri e bate com a arma na cabeça do sobrinho que cai no chão. %Ali% grita por ele, assustada. Hyakume se aproxima dela e a puxa do poder de Akuma, que se afasta um pouco para que seu chefe possa agir. O mais velho a solta, %Ali% fica sem saber se corre para acudir o namorado ou se corre até o pai e o padrinho que encaram a cena também sem saber o que fazer, todos com medo de serem mortos ou de alguém se machucar por sua causa.
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  — Yoshida, você tem ou não tem o meu dinheiro? — retoma o assunto, sem olhar para Hiroki.
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  — N-Não, mas eu… — gagueja o homem, aflito.
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  — Já que é assim, diga adeus a sua filha.
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  Hyakume aponta a arma para %Ali%, a garota recusa colocando as mãos para frente, pedindo para que não atire nela. A jovem fecha os olhos, com medo, e não vê o movimento feito por %Keigo%. Hyakume atira e então o pesadelo da garota se torna real.
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  — %Ali%! %Ali%!
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  A voz de %Keigo% no mesmo tom assustado de seu sonho, o barulho do tiro vindo logo depois. %Ali% abre os olhos e vê as costas do namorado parado à sua frente e então %Keigo% cai no chão. Ele tinha sido baleado.
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  — %Kei%! Não!
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  %Ali% vai acudir o namorado e, em meio a isso, acontece uma cena mais angustiante que a anterior.
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  Tudo acontece ao mesmo tempo.
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  Hiroki e Hayato vão na direção dos jovens. Yanar saca a arma que tinha consigo e aponta para o chefe, seu protegido está baleado ao chão, sangrando e com uma bala em seu ombro. O tiro não foi fatal, mas ele está perdendo bastante sangue, precisa de cuidados urgentemente. Nem tal urgência faz Yanar parar seu movimento. Ele grita, chamando a atenção de Hyakume que o encarou ainda com a arma em punho, a expressão dele não demonstra nenhum remorso em ter atingido o sobrinho. Pelo contrário, ele está satisfeito em ter machucado o jovem, lamentou-se apenas por ter errado o alvo, já que mirava em %Ali%. Tomado por uma fúria jamais sentida, Yanar não pensa duas vezes antes de atirar em Hyakume. A mira excelente do homem atingindo bem no pescoço dele. Um só tiro é o suficiente.
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  Hyakume Murakami cai no chão, agonizando até a morte.
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  Akuma vê o chefe agonizar, engasgando-se com o próprio sangue, mas não quer ajudá-lo. Ele precisa fugir e é isso que ele faz. Corre até a saída, mas leva um tiro na perna disparado por Yanar, caindo no chão.
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  — Onde pensa que vai, Yasuda?
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  Yanar está irreconhecível.
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  O erro de Hyakume foi ter atirado em %Keigo%. Foi sua sentença de morte.
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  Respirando fundo, o homem vai até Akuma, pisando no ferimento de sua perna, o fazendo urrar de dor.
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  — Suma do mapa ou irei mirar na sua cara nojenta da próxima vez, entendeu?
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  Ameaça. Akuma assente, acuado, mostrando que só era o maioral quando Hyakume estava ao seu lado. A imponência do chefe o fazia se sentir o melhor, deixando transparecer seu lado maníaco.
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  Akuma foge sem discutir.
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  Recuperado de sua fúria, Yanar volta até onde %Keigo% está, agachando para olhar o ferimento do garoto. %Keigo% chora por seu querido amigo estar bem, por %Ali% estar bem. Tudo está bem, finalmente.
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[🎌]

  %Keigo% Murakami é o novo herdeiro da Máfia Washi.
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  Nunca foi a intenção do falecido Hyakume introduzir o sobrinho nos negócios. Seu objetivo era deixá-lo o mais longe possível, assim não iria se meter e nem descobrir as atrocidades que ele armava no comando da máfia. Em seu testamento, Hyakume deixou uma quantia pífia ao sobrinho, comparada à fortuna que ele tinha por direito de seus pais.
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  No testamento, ele definiu quem seria seu sucessor no comando da Washi e isto seria incontestável aos outros membros. Yanar Hattori foi o escolhido. Apesar de achar que Akuma, seu mais fiel subordinado, daria um toque à máfia que incendiaria Yokohama, Hyakume não o escolheu porque tinha certeza que gastaria todo seu dinheiro e afundaria seu nome. Yanar era inteligente igual ao Hyakume. Ele tinha o perfil ideal para tocar os negócios e ampliá-los além da cidade. Porém, o falecido chefe não contava com a traição de seu escolhido. Quando soube que Yanar estava, de certa forma, ajudando %Keigo% a saber a verdade, Hyakume tratou de mudar seu testamento e colocar Akuma como seu sucessor na chefia da Washi.
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  Sua repentina morte atrapalhou seus planos de mudança.
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  Antes dos trâmites serem concluídos, Hyakume foi morto. E, com ele, o desejo de mudança do testamento. Sendo assim, os advogados dele não tiveram outra escolha a não ser cancelar tudo e validar o antigo documento que deixava o comando para Yanar. De início, ele não queria ser chefe. Depois do que houve com %Keigo% ele decidiu que se afastaria de qualquer coisa ilegal que pudesse machucar o garoto que ele ama como um filho. Mas, o destino foi bom para o homem.
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  Demorou um pouco, mas com a comprovação através de gravações feitas por Hayato – que quando notou a confissão do outro, começou a filmar tudo – do próprio Hyakume confessando o assassinato dos pais de %Keigo%, o advogado do jovem Murakami conseguiu judicialmente que a cláusula do testamento do tio do rapaz fosse anulada, reconhecendo que a fortuna de Masato e Emi deveria ser devolvida ao verdadeiro herdeiro e sobrevivente do acidente: %Keigo%. Pelo fato dele ainda ser menor de idade, hoje estando com dezoito anos, o garoto ainda não pode assumir nenhum negócio que era do pai, que fora acoplado à máfia – incluindo o patrimônio –, e muito menos o dinheiro. A justiça determinou um responsável legal para ele e %Keigo% não poderia estar mais feliz com o escolhido.
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  Yanar agora é tutor de %Keigo%, mas ele quis mais. Legalmente ele é seu filho. O homem fez questão de adotá-lo como filho e cuidar do patrimônio dele até que atinja a maioridade – daqui há três anos.
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  Sendo o atual chefe da Washi, Yanar fez mudanças significativas na instituição.
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  A primeira delas definiu a vida da família Yoshida. A milionária dívida de Hiroki foi perdoada. Bem, não totalmente perdoada, mas foi cobrado um valor justo que o pai de %Ali% conseguiu pagar oferecendo serviços de arquitetura à máfia. Mesmo com a dívida quitada, Hiroki segue trabalhando eventualmente quando Yanar precisa de seus serviços de arquiteto.
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  Outra mudança feita pelo novo chefe foi a maneira de atuação da Washi. Antes o modo de cobrança das dívidas dos apostadores era a mais sádica e torturante possível, porém, isso foi abdicado nesta nova gestão. Claro que isso não agradou a todos os membros que, em sua maioria, continuam na Washi mesmo contrariados. A outra parte se bandeou para outras cidades em busca de algum propósito na vida do crime.
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  Por falar em crime… quando descobriram que o tio de %Keigo% era da máfia, tanto Ren e seus amigos quanto Ayumi e suas amigas simplesmente deixaram o casal Murakami-Yoshida em paz. Com medo, as amigas de Ayumi mudaram de colégio e a líder delas continuou na Escola Secundária de Yokohama, porém fingindo a inexistência de %Ali% e %Keigo%.
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  O casal está completando mais de um ano juntos. Neste momento eles estão na cidade de Kagawa, participando do Hydrangea Festival. É verão no país e, mesmo estando bastante quente, o casal segue suportando dentro da roupa típica que usam. O kimono usado por %Ali% era azul, assim como a maioria das hydrangeas que tinham pelo local. Seus cabelos estão presos em um coque, dois palitinhos enfeitados cruzados em sua cabeça, prendendo o coque. Ela nunca gostou de maquiagem, mas a ocasião a fez usar. Sua mãe a maquiou de maneira discreta, mas ainda assim está bastante bonita. %Keigo% usa um kimono preto com calças cinzas e um cordão amarrado na cintura. Os cabelos, que sempre cobriam seus olhos, hoje estão jogados para trás.
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  Todos os amigos estão em Kagawa hoje para apreciar o festival das hydrangeas que são flores, normalmente nas cores azul claro e rosa, algumas ficam na cor lilás, muito bonitas. Os casais Take e Saki – que demoraram para assumir o namoro, mas hoje fazem questão de mostrar a todos – e Kohshi e Aimi também estão com roupas típicas.
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  Os três casais caminham pelo jardim florido. É a primeira vez de %Ali% em um festival assim e o olhar dela não esconde sua admiração. Caminhando um pouco atrás dela está %Keigo%, os braços cruzados atrás de seu corpo e o olhar admirado em sua namorada. As memórias que tem com %Ali% são as melhores. Desde que a conheceu, no topo daquela escada, que ele gostou dela mesmo ela o tendo chamado de “japonês idiota”. Mesmo que ela o tenha odiado à princípio, %Keigo% gostou dela. E vem gostando dela mais e mais.
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  A voz suave dela o chamando, desperta o jovem de seus devaneios. Ele caminha até a namorada, passando por seus amigos. %Ali% lhe faz uma pergunta, mas %Keigo% ignora o fato, a agarrando pela cintura e virando-a para si.
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  — %Kei%…
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  %Keigo% a beija com doçura e com todo o amor que seu coração cultiva por este lindo ser a sua frente. Envergonhada por ser beijada na frente dos amigos, %Ali% se encolhe nos braços de %Keigo%, pondo as mãos sobre os ombros dele. O Murakami pega a flor que %Ali% tem nas mãos e a prende na lateral de sua cabeça e sorri.
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  — Fica linda em você — comenta, sussurrando. %Ali% retribui o sorriso. — Tudo fica lindo em você.
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  Ele volta a beijá-la, completamente apaixonado, e é retribuído.
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  A jovem Yoshida tirou toda a sombra que havia na vida do jovem Murakami, transformando-a em luz para que brilhasse por conta própria. O reverso também é verdadeiro. E agora, a vida deles é apenas luz e amor.
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  O mais lindo amor.
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Fim

  Nota: DARK SHADOW chega ao fim hoje! Nossa, fiquei dois anos planejando essa história e quatro meses escrevendo sem parar (planejamento é tudo, amo). O final foi inevitável e veio aí, mas veio do jeitinho que imaginei. Extremamente fofo assim como é nosso casalzinho principal #TeamYoshidaMurakamiEVER
  É isso, agradeço imensamente a você que leu e, principalmente, ao Keigo (vocalista da FLOW) que me inspirou nessa linda ideia.
  Comentem, se puderem. Agradeço imensamente.

  Espero que tenham gostado! 

  Beijoss 💕 

  Curiosidade: O que acontece no início da história, sobre a queda da pp na escada, foi um sonho que eu tive que envolvia um boy também. O restante veio do nada mesmo conforme eu ia escrevendo hahahaha 

Capítulo 15
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Lelen

VEIO AÍ, Ô DEUS!
Amei o final do Yanar <3
Akuma… Acho que eu esperava um pouco mais de você, mas ok porque colaborou com o final feliz, amém. E o tiozin… Não podia me importar menos com ele HAHAHHA
Achei ofensivo o que ele fez por poder e dinheiro, ao invés do destino que teve, podiam manter ele vivo e torturado (ahem, eu sou toda trabalhada nos filmes de terror e em algumas temporadas de Game of Thrones, tenho muitas ideias de destinos piores que a morte HOIASDHAOSIBDOI), eu não me importaria e ainda ia dizer “bem feito” (ai, que horror NPAOSDNAPSODNASPD)
GRAZADEUS, o final foi feliz, os casais ficaram juntos, os problemas foram resolvidos, as famílias se juntaram (amei Yanar e Kei <3) E O BEM VENCEU. OREMOS.
Já tô com saudade de DS, faz o quê? D:

Li Santos

VEIO AIIII
Olha eu tb queria um final melgor pro Akuma, algo mais digno pra ele, maaaas como o Yanar virou o chefe e ele é bonzinho aí ficou esse final mesmo hahaha senão ele se igualaria ao falecido (aliás, ele ja tava preparado pra morrer desde que criei ele)
Yanar e Kei sendo uma família foi tudo pra mim 😭😭😭🩷🩷 chorei horrores escrevendo essa parte hahaha

La casalzinhos felizes, tudo tb.
Tb to com sdds de DS ja? Como lidaremos? :((( 😭🩷

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