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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Dark Shadow

Escrita porLi Santos
Editada por Lelen

Capítulo 6 • Sombras do passado

Tempo estimado de leitura: 27 minutos

  As férias terminaram e, com ela, o retorno das aulas veio.
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  %Ali% e seu irmão Fuyuki caminham calmamente pela via que os leva até a rua do colégio. Há muitas pessoas em volta, todas apressadas para chegar aos seus compromissos, mas %Ali% parece alheia a tudo isso. Seus pensamentos estão todos voltados a uma pessoa: %Keigo%. Mais precisamente ao beijo que deu nele durante o acampamento e às palavras ditas por ele. Ele disse em tom firme e claro que está apaixonado por ela, dizer para alguém, em japonês, “daisuki da” significa que você está literalmente se declarando, demonstrando seus sentimentos pela pessoa. E %Keigo% disse isso para %Ali%. Apenas em pensar na voz grave e gostosa de %Keigo% dizendo tais palavras, a jovem Yoshida começa a tremer e seu coração acelera numa felicidade tremenda.
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  Ao esbarrar com um desconhecido, %Ali% é trazida de volta ao mundo real, curvando-se respeitosamente e pedindo desculpas.
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  — Por favor, me perdoe, senhor! — ela diz, temerosa.
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  Quando retorna seu olhar ao homem, ela percebe algo estranho. Olhares indiferentes voltados a ela não são novidade para %Ali%, porém, há algo no olhar desse homem que a faz paralisar e passar tempo demais olhando para ele que segue seu caminho, inverso ao dela, ainda olhando eventualmente para trás.
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  — Nene… — chama Fuyuki, puxando o blazer da irmã.
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  — O-Oi, Fuyu. — A jovem olha para o mais novo, os olhos arregalados de susto.
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  — Vamos logo, não quero chegar atrasado — avisa ele com a voz manhosa.
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  %Ali% acena que sim com a cabeça e eles retomam a caminhada. O esbarrão no homem desconhecido faz a jovem ficar mais em alerta. De repente, ela percebe que não é paranoia de sua cabeça e que realmente há algo errado. Uma tenebrosa sensação de perigo a acomete, a mesma sensação que tinha quando estava no Brasil e homens iam atrás de seu pai por conta de suas dívidas com jogo. Ela olha para o outro lado da rua e vê um outro homem estranho observar os passos dela e do irmão. Com medo, %Ali% carrega Fuyuki, meio desengonçada, e acelera o passo para chegar mais rápido ao seu destino. Ela só atravessa a rua para deixar Fuyuki em sua escola quando chega na porta dela, após deixar o irmão em segurança, %Ali% retorna ao portão de sua escola e vê o mesmo homem estranho observando tudo do outro lado da rua. Apavorada, a jovem entra junto com os outros alunos, se perdendo entre eles.
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  A Yoshida praticamente corre até sua sala no terceiro andar e senta-se em sua carteira, a penúltima da fileira das janelas. Seus amigos ainda não haviam chegado e ela consegue se acalmar antes que isso aconteça. Quem será aquele homem, que era visivelmente japonês e esquisito, que estava seguindo ela? O que ele queria? Será que o inferno que era sua vida no Brasil, com todas as escapadas que tinha que fazer para fugir dos cobradores de seu pai, está de volta? Ela tenta controlar o choro, não saberia como explicar tal realidade aos amigos.
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  O “bom dia” super alegre dado por Kohshi faz %Ali% olhar para ele e os outros que adentram a sala pela porta traseira. Ela os cumprimenta de volta e retribui o sorriso meigo dado por %Keigo% que passa por ela para sentar em sua mesa deixando seu perfume no ar. O cheiro dele parece acalmá-la mais, a fazendo respirar profundamente, esquecendo parcialmente de sua aflição atual. O professor de Língua Japonesa entra e todos sentam-se em suas carteiras para o início da aula. Logo, outra aflição atinge %Ali% assim que o professor começa sua bronca em forma de discurso.
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  — … realmente estou muito desapontado com alguns de vocês — diz o professor enquanto é observado pelos alunos com olhares apavorados. — Sinceramente, eu não sei direito o que faço com vocês. Alguns eu já esperava pelas notas pífias do primeiro período — ele olha para determinados alunos que congelam ao receber tal olhar —, outros, foi uma grande decepção. — Os olhos dele correm novamente pela sala passando por outros alunos que têm reações diferentes. — Um exemplo é a senhorita Yoshida — seu nome ser mencionado pelo professor faz %Ali% quase cair de sua cadeira, se atrapalhando e levantando sem ser solicitada. Alguns alunos riem da reação exagerada dela. — Sente-se! — ordena o professor, ainda sério, e %Ali% volta a se sentar muito envergonhada. — Sua nota, senhorita, foi uma das piores da parcial do período, achei que a senhorita fosse se empenhar mais para se igualar aos seus colegas ou até mesmo superá-los.
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  O olhar severo dele mal deixa %Ali% tirar seus olhos de seu caderno em cima de sua carteira. Um pouco atrás dela, %Keigo% observa o sermão com uma vontade imensa de consolar %Ali%.
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  — Mas, em compensação, vejo que a senhorita é esforçada em outras matérias e nas atividades em classe que eu aplico. Pensando nisso, eu vou te dar uma chance, senhorita Yoshida. — %Ali% encara o professor com o coração acelerado. — Senhor Murakami — chama ele.
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  — Sim, senhor. — %Keigo% levanta-se, encarando o professor respeitosamente.
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  — O senhor será responsável por ajudar a senhorita Yoshida a estudar para as provas finais no final do período. Suas notas são as melhores da turma e vejo que já tem certa amizade com a jovem Yoshida.
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  — Tenho sim, senhor. — Em sua mente, vem o pensamento de que é mais que amizade a relação que ele tem com %Ali%, mas ele prefere guardá-lo para si. — Será um prazer ajudar a %Ali% — diz ele, olhando rapidamente para a amiga que sorri em agradecimento.
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  — Ótimo. Depois da aula vocês podem combinar essa ajuda, está bem?
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  %Keigo% e %Ali% concordam com um gesto de cabeça e o professor sorri, satisfeito. A aula começa e demora para terminar. %Ali% já sabia que tiraria uma nota ruim pelas revisões que fez em sua casa após a prova, só não sabia que seria tão baixa assim. O que a deixa alegre é a ideia de ter a ajuda direta de %Keigo%, que já a ajudava antes, mas agora será com mais frequência.
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  Após a aula, os dois combinam de já começarem a se ver fora do colégio para aulas particulares. %Keigo% sugere que comecem logo hoje, mas %Ali% prefere avisar aos pais primeiro antes de levar um rapaz até sua casa.
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  As horas se passam, o período do almoço está quase no fim e %Ali% está lavando suas mãos após usar o banheiro. Antes de deixar o local, a jovem Yoshida é barrada por três garotas que logo ela reconhece quem são.
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  — Ora, ora, se não é a brasileirinha — zomba Ayumi que é seguida por Saori e Yumi, cada uma de um lado de seus ombros.
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  — Ayumi-san…
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  — Não tem mais respeito por mim?! Não te dei permissão para me chamar pelo nome — briga a outra dando um leve empurrão em %Ali%.
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  — Não me lembro do seu sobrenome — devolve, dando de ombros.
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  — Que seja! — brada ela. — Eu sinto raiva dessa sua suposta inocência, sabia? — Ela dá passos curtos na direção de %Ali% que caminha devagar para trás.
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  — Me deixe em paz, Ayumi — diz %Ali%, irritando-se. — Eu não te fiz nada!
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  — Ah, não fez?! — Ayumi alcança %Ali% e a segura pela gravata, puxando-a para cima. — Você quer o que é meu! — brada ela, descontrolando-se.
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  — Não quero nada seu, sua doida! Do que está falando? — indaga %Ali%, confusa.
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  — O %Keigo%! — Ayumi empurra %Ali% com força, fazendo a jovem cair no chão encarando a outra assustada.
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  — %Keigo%?
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  — Ele é meu namorado, sabia? — Tal indagação faz %Ali% paralisar, ela não esperava por isso. %Keigo% tem namorada? Mas como? Ele não disse nada… — Fique longe dele, sua brasileirinha aproveitadora!
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  — Não fale assim comigo! — Ela levanta-se novamente, enfrentando a outra.
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  — Que audaciosa! — diz Yumi, espantada com a atitude de %Ali%.
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  — Não tem medo do que a Ayumi possa fazer com você por se envolver com o namorado dela? — provoca Saori, rindo.
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  — Sua quatro-olhos esquisita! — Yumi e Saori riem da zombaria, mas são interrompidas pelo grito irritado de Ayumi.
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  — Caladas! — Ela volta a encarar %Ali%, segurando novamente em sua gravata, erguendo-a para cima com força. %Ali% segura a mão de Ayumi. — Que tipo de relação tem com o %Keigo%?
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  — Ele é meu senpai e meu amigo… — responde %Ali%, mantendo seu olhar fixo na outra.
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  — Não interessa! Se afaste dele, ele é meu namorado! — Ayumi repete a ameaça. — Fique longe dele, aproveitadora! — Furiosa, Ayumi empurra %Ali% com mais força que antes e a jovem volta a cair no chão do banheiro.
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  — Ensina uma lição para ela, Ayumi — incentiva Yumi que é seguida por Saori.
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  — Ponha ela no devido lugar!
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  — É o que eu farei. — Ayumi ergue o olhar e vê um balde com água encostado no canto do banheiro. A jovem caminha até ele e o carrega. — Isso é por ter se atrevido a chegar perto do meu %Keigo%. — Ela derruba toda a água na cabeça de %Ali% que segura a respiração para não se afogar com o impacto.
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  — Pare! — grita ela, desesperada. — Ahhh, pare, Ayumi! — Ela agradece mentalmente por não estar com seu celular agora.
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  — Se eu te ver novamente perto dele, isso que fiz não será nada ao que te aguarda, Yoshida! — brada com raiva e joga o balde na direção do rosto de %Ali% que não consegue desviar a tempo. Seus óculos caem no chão e ela sente sua cabeça doer.
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  Nesse momento, uma voz invade o banheiro.
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  — Deixem a Yoshida-san em paz, suas invejosas! — grita a voz, enfrentando o trio que olha para ela com nojo.
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  — Aimi Inoue… — sibila Ayumi. — Sempre se metendo onde ninguém a chama.
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  — Saiam daqui, víboras! — ordena Aimi.
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  — Vamos, meninas, o banheiro ficou totalmente inabitável agora. — Ayumi ri do próprio comentário e deixa o banheiro, seguida por suas amigas.
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  — Você está bem, Yoshida-san?! — Aimi agacha, ficando na altura de %Ali% e a olha com certa pena.
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  — Sim, obrigada. — %Ali% curva o tronco levemente e agradece a ajuda.
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  — Sou Aimi Inoue, da turma A — apresenta-se ela com um sorriso amigável.
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  — Prazer em conhecê-la, Inoue-san.
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  — Prazer é meu. — Aimi sorri de volta e ajuda %Ali% a se levantar. — Venha, eu tenho um uniforme reserva. Posso te emprestar.
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  — Oh, obrigada! Muito obrigada, nem sei como agradecer direito!
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  — Não se preocupe, é um prazer ajudar.
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  As duas sorriem uma para a outra e %Ali% se olha rapidamente no espelho vendo sua situação: os cabelos molhados e bagunçados, grudados em seu rosto, seus óculos arranharam um pouco nas lentes e, no lugar onde o balde atingiu, exibe um machucado avermelhado. Aimi e %Ali% saem do banheiro e dão de cara com o trio de amigos: Kohshi, %Keigo% e Take.
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  — %Ali%, o que houve? — Espanta-se %Keigo% assim que a vê toda molhada.
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  — Eu acabei exagerando com a água — ela responde, sem jeito, e tenta esconder o rosto para que não vejam o machucado perto de seu olho.
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  — É, eu vou ajudá-la a se trocar — pronuncia-se Aimi e recebe o olhar curioso dos três.
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  — Oh, é a Aimi-chan — diz Take, sorridente.
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  — Aimi-chan? — sussurra Kohshi com o ar confuso.
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  — Da turma A — afirma o mais novo e Kohshi ergue ambas as sobrancelhas, surpreso por não se lembrar da fisionomia de Aimi, com quem estudou no ano passado em outra escola.
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  — Verdade, né? — diz %Keigo% e volta seu olhar para %Ali%. — Vamos esperar você no auditório, tá?
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  — Tudo bem.
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  — Vou guardar um lugar para você também, Aimi-chan — diz Take sorrindo para Aimi.
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  — Obrigada, Aikyo-san — agradece a jovem.
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  — Me chame de Take. — Seu sorriso se abre ainda mais e, por algum motivo, isso incomoda Kohshi.
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  — Vamos logo antes que não sobrem mais lugares para nenhum de nós — comenta Kohshi, ainda incomodado, e puxa o irmão pela manga da camisa, arrastando-o para longe.
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  %Keigo% sorri para %Ali% e segue os amigos. %Ali% e Aimi seguem o caminho inverso e a jovem Inoue se vira eventualmente, nos poucos segundos que dura o caminho, para olhar para Kohshi percebendo que ele faz o mesmo. “Ele é bem bonito, apesar de ser um pervertido”, ela pensa e espanta o pensamento em seguida, voltando a se concentrar em %Ali%. Ambas vão até o armário de Aimi, na entrada da escola, onde ela guarda um uniforme extra para emergências. Depois do evento de hoje no banheiro, %Ali% cogita fazer o mesmo. As duas chegam até o armário de limpeza onde %Ali% começa a se trocar e inicia-se uma conversa amigável.
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  — Inoue-san, mais uma vez obrigada pela ajuda — %Ali% diz novamente enquanto retira a blusa molhada.
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  — Não há de que, Yoshida-san. E, por favor, me chame de Aimi — pede a jovem sorridente.
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  — Então me chame de %Ali%. — Ela sorri de volta e ambas concordam com a cabeça. — Posso te fazer uma pergunta, Aimi?
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  — Claro — diz ela.
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  — A Ayumi e o %Keigo% já… eles já tiveram algum relacionamento ou ainda têm? — %Ali% sente-se envergonhada por estar perguntando isso e sente também enciumada e com raiva somente pela possibilidade de %Keigo% ainda namorar Ayumi e a ter enganado.
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  — O Murakami-san da sua turma? — indaga Aimi e %Ali% afirma com a cabeça. — Oh, não! Ela demonstrou gostar dele quando estávamos no fundamental, mas ele nunca deu bola para ela.
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  — Sério?
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  — Oh, sim — afirma Aimi enquanto %Ali% veste a blusa que ela emprestou. — Vocês são muito amigos, né?
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  — Sim. — Ela sente o rosto corar, involuntariamente. — Aimi…
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  — Hm?
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  — Por que me ajudou? Nem nos conhecemos direito e você foi tão amiga para mim — diz a jovem Yoshida colocando a gravata em volta de seu pescoço e começando o nó.
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  — Eu quis te ajudar porque eu sei o inferno que é ter a Ayumi no pé — diz a Inoue com certa raiva em seu tom de voz. — Ela consegue ser insuportável quando implica com alguém, digo por experiência própria.
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  — Ela já implicou com você? — indaga %Ali% concluindo o nó em sua gravata e ajeitando a mesma em seu pescoço.
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  — Já. Desde o ensino fundamental que ela vem me atormentando. Esse ano eu tive a sorte de cair em uma turma diferente da dela — explica a garota com alívio. — Quando eu vi a cena se repetir com você, o inferno de ter Ayumi e suas amigas atormentando sua vida, eu me senti na obrigação de te ajudar, %Ali%. Eu não podia ficar quieta — completa Aimi e %Ali% a encara com o olhar agradecido.
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  — Você é demais, Aimi, foi muito corajosa — elogia ela.
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  — Obrigada! — diz Aimi e completa: — Eu sempre quis falar com você antes, mas você sempre andou com os meninos e eu me sentia intimidada — confessa a jovem e %Ali% sorri.
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  — Ah, eles são bem legais — diz %Ali%. — Eu achava eles chatos antes de conhecê-los, mas vi que eles não são nada chatos.
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  — Ah, entendo. — Aimi sorri também. — Que bom que serviu a roupa.
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  — Sim! Perfeitamente! — Analisa %Ali% olhando para si mesma. — Hoje mesmo eu lavo e deve estar pronto amanhã ou talvez depois de amanhã, ok?
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  — Daijoubu ne! Fique tranquila, %Ali%, leve o tempo que precisar para me devolver — tranquiliza ela. — Vamos para o auditório juntas?
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  — Claro! Ah, você quer lanchar comigo e com os meninos após a aula? — convida ela. — Vamos à lanchonete que tem a três quadras daqui — explica enquanto saem do depósito indo na direção do auditório.
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  — Será que eles se importariam se eu fosse? — diz Aimi um pouco sem jeito.
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  — Claro que não! Eu apresento vocês após a palestra, ok?
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  — Tudo bem. — Ela sorri. — É porque acho que um dos Aikyo não gosta de mim, sabe?
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  — Qual?
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  — Acho que ele é o mais velho…
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  — Kohshi?
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  — Isso! Ele mesmo — afirma Aimi, ambas andam lado a lado já descendo as escadas. — Desde o fundamental que percebo os olhares emburrados dele para mim. Sem contar aquele boné sugestivo que ele usa por aí.
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  — Qual boné?
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  — Aquele que está escrito “instrutor de sexo” em inglês. Nossa, que pervertido! — Um arrepio percorre Aimi apenas em pensar nisso. %Ali% ri.
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  — Já disse para ele não usar esse boné na escola. Vão acabar denunciando ele por perversão qualquer dia desse — brinca a garota. — Mas sim, Kohshi me pareceu carrancudo quando o conheci, mas ele é um doce — revela %Ali%. — Vai gostar dele.
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  — O problema será ele gostar de mim. — Ambas riem e elas chegam até a saída do prédio.
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  — Não se preocupe, Kohshi é muito fofo, vai ver ele te olha assim porque não te conhece direito, né?
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  — É, talvez seja isso.
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  As mais novas amigas seguem o caminho até o auditório conversando mais um pouco. Ao chegarem lá o encontram lotado de alunos que foram assistir à palestra sobre meio-ambiente que faz parte da aula de Educação Cívica. Elas demoram alguns segundos para encontrarem os rapazes que guardaram lugar para as duas. Assim que os localizam, elas vão até eles e se acomodam nas cadeiras, a de %Ali% é ao lado da de %Keigo% e a de Aimi está entre Kohshi e Take. Mesmo levemente incomodada por estar perto de Kohshi, a jovem Inoue tenta prestar atenção no que o palestrante diz, já o Aikyo ignora a moça. Na ponta da fileira, %Ali% tenta esconder seu machucado de %Keigo% que o cobre com a mão. Sorte que o lugar que ele guardou é do lado oposto ao machucado dela.
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  Após a palestra, que toma os dois últimos horários, a turma é liberada. São quase 15h e todos deixam o auditório, retornando às salas para recolherem seus materiais. Sorte dos amigos que hoje não é dia deles arrumarem a escola. É costume que toda semana um dos alunos de cada turma fique responsável pela limpeza de suas respectivas salas e dos demais ambientes do colégio. Bom para os amigos que hoje não é esse dia premiado para eles. Os cinco deixam o colégio juntos e %Ali% cumpre o prometido, apresentando os rapazes a Aimi que logo é acolhida por %Keigo% e Take, já Kohshi ainda fica meio sem jeito perto dela, mas ainda assim a cumprimenta.
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  No caminho até a lanchonete, %Ali% acaba se distraindo de seu objetivo inicial que era esconder seu machucado.
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  — Meu Deus, %Ali%! — espanta-se Take e todos olham para ela. — O que foi isso no seu rosto?
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  — Hm? — Ela rapidamente cobre o machucado, mas %Keigo% já havia visto.
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  — Deixa eu ver melhor — pede ele, carinhoso, e ela abaixa as mãos devagar. — O que houve?
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  — É… eu… — gagueja a jovem sem saber o que dizer. Aimi tenta ajudá-la.
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  — Ela acabou caindo no banheiro e bateu a cabeça na pia, não foi, %Ali%? — instiga ela enquanto os olhares dos rapazes pendem de uma para a outra.
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  — Sim, eu… eu escorreguei e caí, acabei me machucando. Foi isso sim — afirma ela, ainda gaguejando, tentando convencer os amigos.
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  — Aimi, ainda não te conheço direito para dizer que está mentindo — inicia %Keigo% —, mas você, %Ali% — ele volta seu olhar para ela e repousa sua mão cuidadosamente sobre o machucado dela —, eu conheço e sei que está mentindo.
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  — %Kei%…
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  — O que aconteceu de verdade? — Ele repete a pergunta e %Ali% se rende à verdade.
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  — A Ayumi jogou água em mim — ela diz, baixinho e de cabeça baixa.
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  — Não entendi. — %Keigo% desce sua mão até o queixo de %Ali% e ergue seu rosto para que ela o encare. O olhar dele… é impossível mentir.
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  — A Ayumi jogou água em mim — repete %Ali% de maneira mais audível e ouve-se o espanto dos irmãos Aikyo.
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  — Que absurdo! — brada Take.
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  — Por que ela fez isso? — indaga Kohshi também indignado.
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  — Ela disse que eu deveria ficar longe de você, %Kei% — confessa ela, ainda encarando ele que mantém seu olhar firmemente nos olhos de %Ali%. — Disse que vocês são namorados.
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  — Isso é mentira! — apressa-se %Keigo% controlando seus ânimos em seguida. — Ela não podia ter feito isso… olha o seu rosto, %Ali%…
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  — O balde caiu no meu rosto…
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  — Foi a Ayumi quem jogou! — corrige Aimi e recebe o olhar espantado de Kohshi.
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  — Sério?
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  — Sim — confirma ela, em lamento, e o olhar de %Keigo% cintila querendo derramar lágrimas de raiva.
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  — Passou algum remédio? — ele faz a pergunta diretamente para %Ali%.
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  — Não, não me lembrei…
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  — Venha, vamos na farmácia. — Ele puxa %Ali% pelo braço e começa a caminhar firmemente na mesma direção da lanchonete, os outros os seguem.
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  — Espera, %Kei%… espera — pede %Ali% e %Keigo% para de andar, olhando para ela.
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  — Sim?
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  — Vamos comer primeiro, estou com fome — diz %Ali% e ele solta uma risada abafada.
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  — Primeiro vamos cuidar desse machucado, está inchado, %Ali% — alerta o jovem.
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  — Nós fazemos o seu pedido, %Ali%. Sabemos o que gosta de comer — diz Take chamando a atenção dela.
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  — É, enquanto isso você e %Keigo% vão à farmácia e cuidem desse machucado. Realmente está inchado, pode piorar se não cuidar logo — reforça Kohshi.
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  — Eles têm razão, %Ali% — diz Aimi e %Ali% percorre seu olhar por todos eles.
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  — Está bem. — Ela se dá por vencida e os dois atravessam a rua para irem à farmácia.
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  — Sua birrenta… — %Keigo% sussurra para %Ali% que abre a boca em protesto, mas recebe um beijo em sua bochecha. — Eu vou cuidar de você — ele diz com a voz mansa e sorri para ela.
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  %Ali% não diz nada e eles entram na farmácia. Após comprar algumas gazes, remédio e esparadrapo, %Keigo% começa a fazer o curativo dela no banco da praça que fica no meio desse quarteirão. É uma praça pequena, nem tem parquinho para as crianças de tão pequena que é. Com cuidado, Murakami limpa em volta do ferimento e depois aplica um pouco de remédio para que não infeccione. Em seguida ele coloca a gaze dobrada em cima do local.
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  — Segura para mim — pede ele e %Ali% segura a gaze enquanto ele corta alguns pedaços de esparadrapo. Devagar, ele aplica os pedacinhos nos quatro cantos da gaze e usa um pedaço maior para atravessá-lo. — Prontinho, senhorita — avisa ele, sorrindo.
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  — Obrigada, %Kei% — diz ela, sem jeito.
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  — Não dê ouvidos ao que a Ayumi disse, está bem? — inicia ele. — Nós nunca tivemos nada, é tudo coisa da imaginação dela. Confesso que ela se declarou para mim, ainda no fundamental, mas eu a rejeitei porque eu nunca gostei dela e de suas atitudes com os outros alunos. Ela é mesquinha e perversa…
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  — Percebi.
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  — Sinto muito que tenha passado por isso. — Ele leva sua mão ao rosto dela e acaricia o local, fazendo %Ali% fechar momentaneamente os olhos.
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  — Que bom que não mentiu para mim — ela diz voltando a abrir os olhos.
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  — Nunca mentiria para você. — Ele sorri de maneira fofa e aproxima o rosto de %Ali%, beijando-a com suavidade. — Eu gosto de você, minha querida.
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  O jovem Murakami volta a beijar %Ali% com doçura. O beijo o anima, o fazendo apertar a cintura dela, erguendo os corpos pela excitação do ato, mas logo ele mesmo interrompe tudo com medo de faltar com o respeito. %Keigo% não é o tipo de rapaz que força nada, ele deseja %Ali%, inegável, mas ele quer que seja uma primeira vez inesquecível para ambos. Óbvio que ele, apesar de não ter experiência própria, já leu bastante sobre o assunto e sabe que, normalmente, as primeiras transas de uma pessoa podem não atingir as expectativas positivas depositadas. Mesmo assim, %Keigo% deseja que a dele com %Ali% seja incrível para os dois e ele não medirá esforços para isso.
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  Mas, nesse instante, enquanto caminha ao lado de %Ali% até a lanchonete onde os amigos os esperam, ele está pensando no que a Ayumi fez. A raiva que sentiu ao ouvir o ato repugnante dela faz o sangue do jovem ferver. O que ele poderia fazer para que isso não se repetisse? De imediato, um pensamento ruim passa pela mente do rapaz. Não, ele não poderia chegar tão longe apenas para evitar que %Ali% recebesse outro ato parecido. Ou poderia? Hm, enquanto caminha ele amadurece a ideia inicial e chega a uma menos trágica. Então, ele pega o celular em seu bolso e manda uma mensagem para um conhecido. O teor da mensagem: parar a Ayumi.
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Lelen

Ó, achei ofensivo e desnecessário o que o professor aí fez. Se ia dar uma chance PRA QUE EXPOR OS ALUNO? Já odiei u.u
A Ayumi já ganhou minha cara de nojinho, parabéns 😀
E eu tô com medo do que o Keigo vai aprontar pra “parar” a sem noção HOASHAPOSAHSP

Li Santos

AHAHAHAHA oh, mulher, esse professor tem dessas. É novo, meio “paizão” dos alunos, mas gosta de dar essas broncas.
Ayumi: o ranço da semana.
O Kei vai aprontar? Imagina, ele é quietinho ^-^

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