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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Dark Shadow

Escrita porLi Santos
Editada por Lelen

Capítulo 3 • Amizade

Tempo estimado de leitura: 31 minutos

  Ao chegarem na porta da enfermaria, %Keigo% põe %Ali% no chão por um instante apenas para abrir a porta e a carrega novamente, entrando no local e a colocando em uma das camas.
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  — Não tem enfermeiras aqui? — questiona %Ali%, intrigada porque o local está vazio.
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  — Hoje não, normalmente ninguém se machuca no primeiro dia — responde ele num tom divertido, enquanto procura a maleta de remédios. %Ali% o observa. — Achei! — comemora ele segurando a grande maleta de remédios. — Consegue tirar o tênis sozinha?
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  — Acho que sim. — Ela desamarra o tênis, enquanto %Keigo% prepara o remédio e as ataduras. — Você sabe fazer isso?
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  — Claro que sei! Está duvidando do seu senpai? — Ele a encara de maneira sugestiva.
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  — Nã-Não, Murakami-senpai, desculpe! — Apressa-se ela e curva o tronco levemente.
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  — Daijoubu ne! E, por favor, me chame de %Keigo%, está bem? — diz ele e retira uma bolsinha de remédio para dores musculares, que é muito usado pelos alunos que são atletas e por aqueles que têm algum tipo de torção ou dor no dia-a-dia. — Ainda não tirou o tênis? — pergunta retoricamente ao ver que ela ainda está com o par de tênis nos pés.
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  — Desculpa... — Ela mexe no tênis do pé esquerdo e faz o movimento para retirá-lo, porém logo recua as mãos.
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  — Deixe-me te ajudar, afinal, parte de sua dor é culpa minha.
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  %Ali% ergue o olhar à fala dele. Então, ele sabe que tem culpa dela estar sentindo dor? Hm, pelo menos isso, pensa ela. %Keigo% puxa o tênis dela com cuidado, o que faz a dor pela retirada ser menor. Não foi preciso retirar a meia dela para ver o inchaço do local, em volta do tornozelo dela está inchado, parecendo uma bola de beisebol. Com todo o cuidado do mundo, %Keigo% coloca a bolsinha apropriada e pede para %Ali% segurar sem apertar enquanto ele pega uma atadura para enrolar o local; dando voltas com a atadura, o jovem Murakami vai cobrindo o tornozelo dela e finaliza colocando um esparadrapo para que a ponta não escape.
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  — Prontinho. — Ele sorri e %Ali% começa a achar que ele não é tão idiota assim.
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  — Obrigada, Murakami-senpai — ela diz, baixinho.
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  — %Keigo%! Meu nome é %Keigo%, Yoshida-chan — repete ele.
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  — Me ensinaram que não é certo chamar pelo nome a não ser que seja um casal de namorados ou marido e mulher.
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  — Bom, não somos nenhum dos dois, mas eu estou te dando permissão para me chamar só pelo nome e, se quiser, podemos ser amigos, afinal. — Ele guarda a sobra das ataduras e remédio na maleta e volta a encarar a jovem. — Quer ajuda para descer?
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  — Hã? — diz ela, distraída.
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  Rindo, %Keigo% apoia o braço dela em seus ombros e a ajuda a descer da cama alta da enfermaria.
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  — Não pisa com esse pé — alerta ele ao ver que ela ia encostar o pé esquerdo no chão. — Vai ter que ficar um tempo de molho, Yoshida-chan — ele brinca e %Ali% sorri pela primeira vez.
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  E que sorriso meigo ela tem...
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  Recuperando-se do sorriso arrebatador de %Ali%, %Keigo% caminha com ela apoiada nos ombros pelo caminho de volta à sala de aula. Já está no fim da aula de educação física e todos terão mais duas aulas para finalizar o dia. Foi difícil descer as escadas, mas %Ali% não deixou que %Keigo% a carregasse novamente, receber olhares de todos por estar abraçada a %Keigo% já foi suficiente para ela. Aparentemente, %Keigo% é um dos alunos famosos da escola, certamente ele joga no time de vôlei e, pelo que %Ali% já pôde notar, é o queridinho dos professores.
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  Chegando à sala 319, %Keigo% entra com ela pela porta do fundo e ouvem mais murmúrios. Kohshi e Take acenam para ambos.
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  — Querem ajuda? — diz Kohshi, solícito.
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  — Não! — grita %Ali% atraindo mais olhares. — Me desculpe, Aikyo-san... — ela diz, envergonhada e bem baixinho. — O Murakami-senpai já está me ajudando.
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  — Tudo bem — Kohshi sorri.
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  %Keigo% acomoda %Ali% em sua carteira e ela nota que seu uniforme padrão está dentro de sua carteira, no compartimento da mesa, incluindo seu casaco de educação física.
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  — Meu uniforme... — ela diz, confusa.
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  — Foi o Kohshi quem trouxe — explica %Keigo% e %Ali% encara Kohshi no fundo da sala que lhe sorri. Ela faz um gesto de agradecimento com o tronco curvado. — Bom, se precisar de mim é só chamar. — %Keigo% já ia saindo quando sente seu braço ser segurado pela manga do uniforme.
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  — %Keigo%... — chama %Ali% e o jovem sorri de canto, os alunos ainda murmurando espantados. — Murakami-senpai — corrige ela.
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  — Oi.
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  — Obrigada... pela ajuda.
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  — Disponha, Yoshida-chan!
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  A jovem sente seu rosto queimar de vergonha, certamente está vermelha agora, ela se vira de frente, soltando o braço de %Keigo% e evita olhar para os lados. Não demora para que o professor de Educação Cívica entre na sala e inicie a aula. No meio da explicação, %Keigo% é chamado para ir à diretoria. Ninguém entende o motivo à princípio, mas era só para %Keigo% receber mais informações sobre sua nova tutorada na turma, %Ali%. As explicações demoram tanto que, quando sai da sala do diretor, já passava das 15h. Apressado, %Keigo% volta para a sala, já vazia e vê que suas coisas não estão mais ali. Certamente Kohshi ou Take levaram e o aguardavam na frente da escola. A teoria de %Keigo% é confirmada quando ele avista os irmãos parados ao lado de suas bicicletas e a figura de %Ali% apoiada na bicicleta de Take.
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  — Achei que fosse morar no escritório do diretor — brinca Take.
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  — Também achei — devolve %Keigo%, também brincando.
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  — Toma. — Take entrega a pasta e o casaco padrão para o amigo.
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  — Obrigado, Take — agradece e se vira para %Ali%, que o encara envergonhada. — Como está o pé?
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  — Doendo — responde e completa: — Eles me ajudaram a chegar aqui.
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  — Demorou, mas chegamos — Take volta a brincar.
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  — Take! — repreende Kohshi e %Ali% ri.
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  — A %Ali%-chan gostou. — Ele dá de ombros.
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  — Quanta intimidade, Take! Não seja tão você — diz Kohshi em tom bravo.
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  — Ela disse que podemos chamá-la assim — defende-se Take e Kohshi revira o olhar.
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  — Enfim, %Keigo%, vai para casa agora? — indaga Kohshi.
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  — Vou levar a mocinha aqui primeiro — ele aponta para %Ali%.
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  — Hã? Eu? — diz ela espantada e com o olhar surpreso. — Oh, Murakami-senpai, não precisa, eu vou de trem para casa.
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  — Com o pé assim? — questiona ele, rindo. — Nem pensar que eu vou deixar você ir para casa assim de trem. A culpa de estar neste estado é minha, me sinto na obrigação de te ajudar — ele diz e completa: — Eu te levo de bicicleta — determina.
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  — Mas... — %Ali% ia protestar, mas %Keigo% a interrompe.
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  — Me empresta a sua, Take? — pergunta ao amigo.
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  — Claro — responde o outro.
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  — Murakami-senpai, não precisa...
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  — Só porque me chamou de senpai de novo, irei te levar. Sobe aí — %Keigo% monta na bicicleta e pede para ela subir.
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  — %Keigo%... — ela se corrige na esperança dele desistir da ideia de levá-la para casa.
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  — Pode subir, %Ali%-chan — o rapaz diz e nota a vermelhidão no rosto dela ficar mais evidente.
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  — O %Keigo% não vai te derrubar, %Ali%, não se preocupe, ele é muito cuidadoso — diz Take já montado na garupa da bicicleta do irmão.
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  %Ali% assente com a cabeça e, vencida pela insistência dos meninos, sobe na garupa da bike onde %Keigo% está, tentando equilibrar-se.
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  — Segura em mim, se quiser — ele diz.
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  Tímida, ela não vê outra alternativa a não ser envolver os braços na cintura de %Keigo%, rapidamente ela sente o calor do corpo dele. Acolhedor.
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  Os irmãos Aikyo saem primeiro e, logo depois, %Keigo% e %Ali% partem com destino à casa dela. Ela o guia por todo o caminho que fica um pouco mais longo, já que ele pedala numa velocidade baixa para não os derrubar. Minutos depois, os dois chegam à porta da casa dos Yoshida e %Ali% salta da bicicleta.
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  — Obrigada pela carona, %Keigo%-senpai — diz ela e se curva levemente para agradecê-lo.
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  — Quando vai me chamar apenas de %Keigo%? — questiona ele ainda montado na bicicleta de Take e encarando a moça.
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  — Deveria estar acostumada, por ser brasileira, mas ainda sinto que não estou te respeitando o chamando apenas pelo nome — explica ela, ajeitando a pasta nas mãos. — Bom, obrigada pela carona, eu já vou entrar. — Ela já ia saindo, mas ele a interrompe.
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  — Espera — diz e %Ali% se vira para vê-lo. — Mais uma vez me perdoe pelo que aconteceu com o seu pé e eu espero que isso não interfira na nossa amizade, nos conhecemos hoje, mas quero criar uma relação amigável com você. — Ele tem um olhar sincero.
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  %Ali% sorri.
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  — Tudo bem, %Keigo%-senpai, nós podemos ser amigos, é claro — diz ela.
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  — Se vamos ser amigos, me chame só pelo meu nome. Já te dei permissão... — Volta a repetir e %Ali% desconversa.
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  — Preciso ir, com licença — a garota se despede e caminha devagar pelo caminho de pedras da casa dela.
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  %Keigo% a observa caminhar e, ao olhar para a porta da casa, ele vê que há uma mulher parada ali que ele julga ser a mãe de %Ali%. Assim que a moça entra na casa, %Keigo% arranca com a bicicleta rumo à sua casa, ele precisa descansar, pois mais tarde encontrará os amigos no parque.
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  Dentro da casa de %Ali%, a moça vai direto para seu quarto, sentindo o pé latejar e doer muito, ela só quer descansar. Porém, a visita de sua mãe interrompe momentaneamente o descanso dela.
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  — %Ali%-chan? — indaga Harumi, batendo na porta do quarto.
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  — Entra, mamãe — diz %Ali% já sentada na cama, uma das mãos no pé dolorido.
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  — Como foi o primeiro dia na escola nova? Fez novos amigos? — sonda ela e senta-se na cadeira da escrivaninha da filha.
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  — Acho que fiz — responde ela sem muita convicção se pode ou não chamar os rapazes de amigos. — Eu tenho um senpai agora — comenta sem jeito.
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  — Oh, qual o nome dele?
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  — %Keigo% Murakami — responde %Ali% sem jeito. Por algum motivo desconhecido o rosto dela está quente na altura das bochechas.
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  — Murakami-kun — repete Harumi. — E foi ele quem veio te trazer hoje? — a mãe faz a pergunta que teve vontade desde que viu %Keigo% trazendo a filha na garupa da bicicleta.
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  — Sim, a senhora viu, né?
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  — Vi sim — Harumi sorri.
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  — Mamãe...
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  — Oi, meu amor.
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  — Se alguém disse que eu posso chamá-lo apenas pelo nome, é desrespeitoso chamar?
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  — Hm... não, filha, se a pessoa disser que pode chamá-la apenas pelo nome, você deve chamá-la assim. Por que pergunta?
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  — O Murakami-senpai disse que eu podia chamar ele apenas de %Keigo%, mas...
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  — Ainda se sente desconfortável, não é?
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  — Sim.
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  — Não se preocupe, %Ali%-chan, se ele for um rapaz gentil, ele não irá se incomodar se você demorar um pouco mais em chamá-lo somente pelo nome — explica Harumi e completa: — Sabia que eu fui senpai do seu pai?
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  — Oh, sério? — indaga a moça, espantada.
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  — Sim. — Harumi tem um sorriso fofo no rosto ao se lembrar da época. — Ele era um aluno recém-chegado na minha turma, assim como você é agora. Meu sensei na época me designou para ser senpai dele e, no primeiro dia, eu já falei que ele podia me chamar de Harumi. Na verdade, eu sempre achei o seu pai bem bonito. — Ela ri ao fim da frase.
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  — Mamãe! Você deu em cima do papai? — %Ali% diz incrédula e rindo com uma das mãos na boca.
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  — Sim — revela a mulher. — Não tenho culpa dele ser fofo. — Harumi ri.
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  — O Murakami-senpai é fofo também — comenta %Ali% e recebe um olhar significativo da mãe. — Não disse que estou gostando dele, mamãe! Não me olhe assim!
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  — Eu não disse nada, %Ali%-chan — defende-se ela sorrindo. — Está com dor? Notei que está mancando.
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  — Ah, então... o Murakami-senpai é responsável por isso — revela %Ali%.
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  — Como assim?
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  %Ali% conta tudo que aconteceu, desde o trote de %Keigo% até a partida de vôlei em que piorou a torção no tornozelo.
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  — Oh, que confusão, filha! Seu primeiro dia foi movimentado! — diz a mulher. — Por que não nos contou da torção antes? Poderia ter piorado.
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  — Desculpe, eu achei que melhoraria, mas acabou piorando — a garota diz cabisbaixa e sentindo muita dor. — Está doendo muito.
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  — Vou cuidar de você, sua boba — diz a mulher e, antes de levantar-se para buscar remédio para a filha, ela diz: — Murakami-kun parece ser um bom rapaz, gostei dele.
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  Harumi deixa o quarto dela e vai até a cozinha buscar o kit de primeiros-socorros. Ainda em seu quarto, %Ali% tem um sorriso bobo no rosto que logo faz questão de desmanchar para que sua mãe não tire conclusões precipitadas de nada. Ela mesma não quer tirar conclusões precipitadas de nada...
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  Três dias depois...

  Já é de noite e %Ali% está ansiosa, pois seu padrinho virá visitá-los para jantar. Desde o seu primeiro dia de escola que a moça não o vê, ela está com saudades do abraço de Hayato. O abraço que a conforta sempre.
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  O jovem Tanaka já havia chegado e todos estão conversando na sala. O assunto? A adaptação de %Ali% e Fuyuki nas escolas novas.
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  — Então quer dizer que o Fuyu-kun está bem adaptado na escola nova? — comenta Hayato dando um gole em sua bebida em seguida.
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  — Sim, ele chega todos os dias cheio de novidades — diz Harumi sorridente e olha para o filho mais novo brincando sentado no tapete.
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  — Ele aluga nossos ouvidos com as histórias da escola — comenta %Ali% rindo.
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  — Oh, fico feliz que ele esteja se divertindo e aprendendo — diz Hayato e vira seu olhar para a afilhada. — E você, %Ali%-chan? Como vai na escola?
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  — Muito bem, padrinho — responde ela.
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  — Ela já tem um senpai, sabia, Hayato-kun? — diz Harumi, de repente, e o olhar assustado da filha recai sobre a mulher.
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  — Senpai homem? — indaga Hayato.
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  — Não me disse esse detalhe, filha... — diz Hiroki arqueando a sobrancelha.
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  — Por que seu senpai é um garoto? Quantos anos ele tem? Ele não te desrespeitou, não é? Sei muito bem o que pensam os garotos do ensino médio... — dispara Hayato a perguntar e %Ali% se irrita.
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  — Parem vocês dois, por favor! — diz a jovem, nervosa. — O %Keigo% não é desrespeitoso comigo...
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  — %Keigo%? Hm... — Agora é a vez de Hayato arquear a sobrancelha.
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  — Ele disse que eu posso chamá-lo assim — defende-se %Ali%.
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  — Hm... — Hayato volta a resmungar, encarando a afilhada.
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  — Pare, padrinho! — diz %Ali%, ficando mais nervosa.
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  — Parem com isso vocês dois — diz Harumi compadecendo-se da filha. — O Murakami-kun é um bom rapaz.
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  — Então você já o conhece? — indaga Hiroki, intrigado.
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  — Ele veio trazer a %Ali% aqui em casa outro dia.
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  — Ah, isso você também não me contou, filha... — O olhar do pai sobre a moça a faz estremecer.
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  — Pare de me olhar assim, papai, que coisa! — retruca ela.
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  — Esse garoto tem quantos anos, %Ali%? — indaga Hayato novamente.
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  — 16.
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  — Hm...
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  — Odeio quando o senhor fica monossílabo, padrinho — comenta ela, encarando o homem.
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  — Não precisa ficar nervosa, eu só me preocupo de você acabar, digamos, se distraindo demais na escola e se desviar dos estudos — explica ele.
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  — Padrinho! — %Ali% arregala o olhar. — Eu não vou me distrair dessa forma, por favor — assegura ela, ainda nervosa.
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  — Não digo que não possa... — Ele dá uma pausa e pigarreia. — Namorar... — Outro pigarro. — Mas, por favor, não se esqueça de estudar, está bem?
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  — Concordo com o seu padrinho, filha — diz Hiroki e a garota o encara.
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  O rosto de %Ali% ruboriza e ela apenas assente com a cabeça. Vendo que a filha está sem jeito com o assunto, Harumi muda de assunto e comenta sobre a nova receita que fez para o jantar e levanta-se para arrumar a mesa, chamando a filha para ajudá-la.
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  Após jantarem, %Ali% e o padrinho ficam conversando sobre assuntos aleatórios, enquanto brincam de um jogo de tabuleiro que eles gostam de jogar juntos.
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  — %Ali%-chan, você está realmente enxergando? — diz o homem no meio da partida.
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  — Sim... — ela diz apertando o olhar para focar melhor a imagem do cartão que tem nas mãos.
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  — Claramente você não está enxergando, sua boba. — Hayato solta uma risada curta e completa: — Hiroki, a %Ali%-chan, alguma vez, já foi ao oftalmologista? — indaga ele ao amigo.
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  — Parando para pensar... acho que nunca — diz Hiroki pensativo.
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  — Oh, verdade, né? — comenta Harumi.
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  — Eu estou enxergando levemente embaçado — admite %Ali% apertando os olhos para focar a imagem do cartão.
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  — Significa que seus olhos não estão focando direito a imagem, precisa usar óculos, minha querida — conclui o óbvio.
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  — Óculos? Ah... — lamenta %Ali%.
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  — Não se preocupe, filha, o Murakami-kun ainda vai gostar de você — diz Harumi rindo.
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  — Harumi!
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  — Harumi-chan, por favor... — Hiroki e Hayato dizem, respectivamente. %Ali% arregala o olhar.
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  — Mamãe!
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  — Estou brincando, filha — defende-se a mulher. — Amanhã mesmo iremos ao oftalmologista — determina ela.
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  — Odeio óculos — diz %Ali%, emburrada.
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  — Mas vai ter que usar, querida — Hayato aperta as bochechas da afilhada que tem um bico nos lábios.
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  Rindo, o padrinho de %Ali% oferece carona para levar a afilhada até o oftalmologista amanhã, antes da escola.
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[🎌]

  Alguns dias depois…

  Já está no terceiro tempo de aula e nenhum sinal de que %Ali% chegará à escola hoje. Ao fim da aula, todos saem para o intervalo. Kohshi, %Keigo% e Take estão sentados no banco da praça central do colégio, comendo seus lanches, quando avistam uma menina aproximando-se deles.
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  — Bom dia, rapazes — cumprimenta ela sorrindo.
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  Os três a encaram, espantados com o que veem.
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  — %Ali%-chan!!! — os três dizem ao mesmo tempo.
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  %Ali% está diferente. Não é nada com o uniforme dela que é o mesmo de sempre, nada com seus cabelos que ainda são longos e soltos com uma vasta franja em sua testa. O que está diferente nela são os óculos de grau que ela usa apoiados na ponte de seu nariz.
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  — Kawaii — comenta %Keigo% em voz alta demais para o gosto dele e pigarreia em seguida. — %Ali%-chan...
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  — Você está tão fofa, %Ali%! — diz Take levantando-se e apoiando o braço sobre os ombros dela que sorri sem jeito.
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  — Obrigada, Take — diz ela sem graça.
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  — Por isso você demorou para chegar — comenta Kohshi, aleatoriamente.
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  — Hai — afirma %Ali% e completa: — Fui buscar meus óculos e levá-los para o médico verificar.
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  — Agora você pode ver como somos bonitos de verdade — Take diz e faz %Ali% rir.
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  — Bobo — comenta ela. — Eu já sei disso.
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  — E que somos seus amigos mesmo que a gente só se conheça há pouco tempo — completa ele.
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  — Isso o Take também tem razão — diz %Keigo% pela primeira vez e %Ali% o encara.
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  — %Keigo% está concordando comigo? Você também ouviu isso, Kohshi? — brinca Take e ri.
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  — Milagres acontecem — Kohshi também brinca.
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  — Parem! — repreende %Keigo% sentindo as bochechas esquentarem. — Você está muito bonita, %Ali% — ele diz, carinhoso.
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  — Obrigada, %Keigo%!
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  Dessa vez são as bochechas de %Ali% que esquentam de vergonha. O sinal toca e indica o fim do intervalo. Os alunos voltam para suas salas e têm mais três aulas antes da última, que é mais uma reunião dos professores com os alunos para anunciar o Festival de Talentos que começará assim que eles retornarem das férias – que estão para iniciar. Nesse festival serão apresentados os talentos de todas as turmas para a escola, cada turma terá uma modalidade artística. As turmas 1-A e 1-B são responsáveis por apresentar uma peça teatral. O tema: Romeu e Julieta. Assim que o tema é anunciado, um burburinho de quem deve representar os personagens principais se inicia. O Romeu é unanimidade ser o %Keigo%. Já a Julieta... bom, essa personagem é disputada por, pelo menos, três garotas: Ayumi, Saori e Yumi, as mais populares da sala. Porém, o professor deles, Kirigaya-sensei, sabia que seria difícil, então ele mesmo escolhe a aluna que representará a Julieta. E essa escolha é o motivo dos olhares, alguns assustados, outros admirados, e uns até irritados, sobre %Ali%.
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  — Eu não queria ter sido escolhida — lamenta a garota enquanto anda a caminho da saída sobre a proteção dos amigos.
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  — %Ali%, você será uma Julieta perfeita, não se preocupe. — Take tenta animá-la.
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  — Sim, certamente você será uma excelente Julieta, %Ali%-chan — reforça Kohshi.
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  %Keigo% não diz nada, ele está pensativo desde que o professor anunciou %Ali% como sendo a Julieta. O rapaz está nervoso, pois a única cena que ele consegue pensar é a cena do beijo final do casal literário. Será que ele vai ter que beijar %Ali%? O rosto dele começa a esquentar e suas bochechas ficam vermelhas só em pensar nessa possibilidade quase real. O mais aterrorizante para ele é que toda a apresentação será vista por toda a escola e, ainda por cima, pelos pais dos alunos.
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  Ter sido Romeu no ano anterior, para %Keigo%, foi fácil, pois não tinha a pressão do ensino médio, mas, agora que ele está no 1° ano, parece que todo o peso que ronda essa fase da vida cai sobre ele de uma forma avassaladora. Ser adolescente no EM e beijar uma garota na frente de todos, mesmo que teatralmente, é demais para %Keigo%. Ele quer sair gritando por aí, mas tenta se controlar.
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  Agora %Keigo% e %Ali% caminham sozinhos até a estação de trem. Take e Kohshi foram para casa e %Keigo% resolve acompanhar a amiga até em casa. Normalmente, ela vai com seu irmão mais novo, mas hoje ele não foi à escola, pois está doente. Os jovens Yoshida e Murakami caminham calados durante todo o trajeto até a estação. Enquanto esperam o trem passar, %Keigo% resolve quebrar o silêncio constrangedor que se instaura entre eles.
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  — %Ali%... — inicia ele e sente o olhar dele recair assustado sobre ele.
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  — Hm... — resmunga a moça e volta a olhar para frente, na direção dos trilhos.
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  — Você será uma ótima Julieta — afirma ele, tardiamente e %Ali% volta a encará-lo.
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  — E você será um ótimo Romeu, %Keigo%... — diz ela sem jeito.
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  Ele sorri timidamente bem no momento em que o trem aponta na entrada dos trilhos. Assim que o veículo para na plataforma, %Ali% e %Keigo% embarcam junto com outras pessoas. O trem está lotado pelo horário, muitos estudantes estão voltando para suas casas, assim como muitos trabalhadores estão voltando de seus empregos. Não há lugares vazios para se sentarem, então %Ali% e %Keigo% estão em pé próximos à uma das portas de saída. Ambos estão conversando sobre coisas aleatórias da escola, %Ali% está com dificuldades em Língua Japonesa e o rapaz está dando algumas dicas para que ela consiga memorizar e aprender os kanjis. Distraída com a conversa, a jovem não percebe a aproximação de um homem desconhecido atrás dela, apenas ao senti-lo encostando em sua saia, ainda que de leve, ela se assusta e muda imediatamente a expressão.
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  — %Ali%? — diz %Keigo%. — Está tudo bem?
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  %Ali% apenas balança a cabeça ainda assustada e com os olhos arregalados ao encarar %Keigo%. Percebendo que ela não está confortável, ele olha para trás da jovem e nota o homem encostado nela. Ele faz sinal para que ela chegue mais para frente, afastando-se do homem. Ela faz o que %Keigo% sugere, mas o outro insiste e encosta novamente na saia dela, dessa vez mais incisivamente e dessa vez, %Keigo% vê a ação do assediador e se irrita, puxando %Ali% pelo braço para mais próximo ao próprio corpo.
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  — O que está fazendo, %Keigo%? — indaga ela, sussurrando.
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  — Prefere ficar perto dele? — devolve o rapaz referindo-se ao assediador que agora está encarando %Keigo% de canto de olho. — Não se preocupe, não tirarei minha mão daqui.
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  Ele repousa a mão direita sobre a cintura dela e a mantém ali. O balançar leve do trem e a movimentação intensa de pessoas entrando e saindo do vagão, faz com que os corpos de ambos fiquem muito próximos. O cheiro de %Keigo% está dopando a jovem e é realmente difícil para ela não pensar no cheiro dele e não o associar a outras coisas mais picantes. Não, ele é amigo dela, %Ali% se xinga mentalmente por pensar nele dessa forma além da amizade. Ela não sente mais raiva dele pelo trote idiota do primeiro dia de escola, mas também não é como se ela estivesse apaixonada. Não é isso. %Keigo% é um cara legal e vem ajudando-a bastante nessas semanas, se não fosse por ele, certamente ela não iria falar com ninguém na turma. Apenas isso.
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  %Ali% não sabe precisar qual sentimento a domina agora: se é o alívio por finalmente a estação dela ter chegado e eles terem descido ou se está triste por não estar mais tão perto de %Keigo%, que caminha ao lado dela.
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  — Quer ouvir música enquanto caminhamos? — questiona ele. Eles estão passando pela rua atrás da estação, ainda faltam algumas ruas para chegar na casa da jovem Yoshida.
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  — Sim — responde %Ali%.
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  — Espera, meus fones com fio embolaram — diz o rapaz enquanto pega os fones na mochila. %Ali% ajeita a própria mochila nas costas.
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  — Até aqui acontece isso? — indaga ela risonha.
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  — Por quê? — %Keigo% também ri. — Ainda não inventaram um fone com fio que não embole — conclui ele em tom óbvio.
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  — Precisam inventar! Ia vendar que nem água no Brasil — diz %Ali% e %Keigo% se espanta.
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  — Sério?
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  — Sim — ela ri da expressão abobalhada dele.
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  — É surpreendente você ser brasileira, falar tão bem japonês, mas ser péssima em Língua Japonesa — provoca ele risonho.
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  — Sou desu ne — “verdade, né?”, ela diz e também ri. — Lá no Brasil, papai e mamãe sempre falavam em português e japonês comigo e com meu irmão, mas a leitura era pouco praticada, confesso que mais por minha parte — ela responde sem jeito e pega um dos lados do fone que %Keigo% finalmente desembola e põe no ouvido.
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  — Hmmm a senhorita Yoshida não é tão nerd assim — ele volta a provocá-la e ri.
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  — Hey, nunca disse que era nerd, %Keigo%. — Ela dá uma leve empurrada no braço dele que sorri com o gesto.
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  %Ali% se sente bem ao lado de %Keigo%. Na verdade, ela se sente bem ao lado de %Keigo%, Take e Kohshi. Definitivamente, eles são as melhores coisas que poderiam lhe ter acontecido em sua chegada ao Japão da forma tensa que foi. E ela quer conhecer mais eles e fortalecer a amizade dos quatro.
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Lelen

Ai, o Keigo é fofinho <3
Foi meio abestado no começo, né, mas ok, vou perdoar por enquanto u.u
E AMEI a Harumi HAHAHHAHA muito boooom
Comentário aleatório: Acho Murakami um sobrenome bonito IHASIOHASOIHAS

Li Santos

Siiim, foi bem abestado em cair na provocação do Ren hahaha tadinha da pp que se ferrou nessa brincadeira.
Harumi melhor personagem! Ela vai aprontar algumas ainda e o Hiroki quase vai enfartar por causa disso hahahah
E Murakami é um sobrenome lindo mesmo *-*

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