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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Dark Shadow

Escrita porLi Santos
Editada por Lelen

Capítulo 2 • Saber enxergar

Tempo estimado de leitura: 25 minutos

  Os cinco jovens estão agachados atrás da estrutura onde estão estacionadas as bicicletas de todos. A grande e famosa Escola Secundária de Yokohama é a mais respeitada da região e de lá saem os melhores alunos. Mas, como em toda escola, há sempre os baderneiros.
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  — Por que não vamos embora, hein? — diz um dos jovens que ainda estão escondidos, pois não deveriam estar na escola hoje. — Se nos pegarem aqui, seremos expulsos.
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  — Não seja estraga prazeres, Aikyo — diz um deles com desdém.
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  — Não fale assim com o meu irmão, Ren — defende o mais novo.
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  Ren Kobayashi é o dito mal encarado da escola. Ao seu lado, tão mal encarado quanto, está Katsuo Matsumoto. Atrás deles, os irmãos Aikyo: Kohshi, o mais velho, e Take, o mais novo dez meses. O último jovem é o alvo da travessura que será executada em breve. Na verdade, ele perdeu uma aposta.
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  — Eu posso fazer isso outro dia e de outra forma, Ren — diz ele tentando fugir de ter que fazer o que lhe foi pedido.
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  — Não seja covarde, Murakami! — brada Ren impaciente.
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  %Keigo% Murakami tem 16 anos assim como os outros e não tem a menor vontade de pregar uma peça em algum dos novatos da escola.
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  — Eu não sou covarde — sibila %Keigo%, irritado.
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  — %Keigo%, vamos embora — reforça Kohshi que é o mais centrado de todos.
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  — Cala a boca, Aikyo — repete Ren, furioso.
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  — Já disse para não falar assim com o meu irmão! — Take dá um chute nas pernas de Ren que se vira furioso pronto para socar a cara do outro.
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  — Hey, hey, chega! — %Keigo% acalma os ânimos de todos. — Chega! Cansei, eu já volto — ele se levanta e ajeita a roupa.
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  — Espero que já tenha um alvo — diz Ren divertido.
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  — Vou encontrar no caminho.
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  Dito isso, %Keigo% sai por detrás do bicicletário da escola e anda sorrateiramente até o prédio principal. Como está de roupas normais, é facilmente confundido com um dos muitos candidatos que entram no prédio para fazer a prova de admissão. Como é conhecido pelos funcionários por ser do time de futebol e clube de música, %Keigo% resolve ir para um dos seus locais favoritos e secretos e esperar o fim do exame.
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  A vista do terraço sempre acalmou o garoto quando ele precisou respirar e esquecer-se de algum empecilho. Ou até mesmo quando o jovem precisou pensar em uma solução para algum problema, tipo agora.
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  A aposta que %Keigo% perdeu consiste no perdedor ter que pregar uma peça em alguém da escolha do vencedor. Ren venceu. A escolha do jovem baderneiro foi simples: dar um susto em um novato. Porém, o método de susto não foi aprovado pelo %Keigo%. Ren quer que %Keigo% derrube alguém, provocando um acidente. %Keigo% jamais faria isso. Realmente não é do feitio do jovem.
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  O sinal sonoro o distrai e o traz de volta à realidade. %Keigo% sabe que Ren não o deixará em paz enquanto ele não cumprir a maldita aposta. Frustrado, %Keigo% desce as escadas de volta ao andar principal, mas algo lhe chama a atenção. Escondendo-se na parede e olhando pela fresta que lhe sobra, ele vê uma das novatas com um papel em mãos que, de longe, lhe parece ser um mapa, talvez do prédio onde estão. Decidido a acabar logo com essa “obrigação” da aposta, %Keigo% se prepara e desce as escadas devagar. A jovem está de cabeça baixa e não presta atenção em mais nada ao seu redor.
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  %Keigo% apenas dará um susto nela e irá embora. Talvez até ajude a garota a chegar no andar debaixo e depois fingir para Ren que fez algum acidente acontecer. Quando %Keigo% chega no topo dos degraus a jovem vinha subindo no meio da escada.
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  — AAAHHH!!! — grita %Keigo%.
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  A garota levanta o rosto assustada e joga o corpo para trás, desequilibrando-se. Vendo a tragédia se desenrolar, %Keigo% tenta se apressar para ajudá-la, mas é tarde demais. %Keigo% vê o pé dela torcer e o corpo da garota cair escada abaixo, parando no primeiro degrau.
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  — Você está bem? — pergunta ele, assustado e se agacha ao lado dela.
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  — Me deixe! Isso foi culpa sua! — a garota leva a mão ao tornozelo esquerdo e choraminga com dor.
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  — Me deixa te ajudar… — ele tenta ver o tornozelo dela, mas recebe um tapa na mão.
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  — Não! Me deixe, ai… — ao tentar levantar-se, ela quase cai de novo.
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  — Vai acabar piorando a torção, não seja teimosa.
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  — Já disse que não quero sua ajuda. Japonês idiota — essa última frase é dita em outro idioma que %Keigo% sabia ser o português, só não entende o que foi dito.
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  — O que você disse? — pergunta ele um pouco indignado. Pelo tom usado por ela, ele tem certeza do que é um xingamento.
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  — Não importa. Já comecei bem nessa merda! — ela volta a falar português enquanto junta suas coisas e sai mancando até a outra escada.
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  — Hey, espera… — %Keigo% se aproxima novamente. — Vai acabar rolando da outra escada — ele ri e segura a garota pelo braço, que é um pouco menor que ele, mas leva outro tapa no braço. — Para!
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  — Para você de me perseguir japonês idiota! Yah!
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  — Quer parar de falar em português!? — diz ele bravo.
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  — Não enche!!!
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  Dito isso, a jovem desce a escada, degrau por degrau, se segurando na parede e choramingando a cada passo dado. Irritado, %Keigo% passa por ela feito um furacão e quase a derruba somente com o vento que sua irritação produz. %Keigo% a ouve xingá-lo em português novamente, mas ignora.
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  Já do lado de fora do prédio, ele encontra os amigos reunidos na porta da escola, do lado de fora do portão.
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  — Demorou, hein! — reclama Katsuo assim que %Keigo% chega próximo a eles.
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  — Cumpriu a aposta, Murakami? — pergunta Ren sarcástico.
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  — Pela cara de bobo dele, creio que sim — comenta Katsuo.
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  — Kohshi, Take... — %Keigo% diz, simplesmente — Vamos embora — ele passa pelos dos amigos mais próximos a ele e os puxa pelas camisas.
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  — Nossa, não vai falar comigo, Murakami-kun? — Ren usa um falso tom de ofendido e ri em seguida.
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  — Não enche o meu saco, Ren! Cumpri a droga da aposta — diz ele rápido e sai junto com os amigos ainda os puxando pelas camisas.
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  Despedindo-se, %Keigo% arrasta Kohshi e Take para longe. Ele precisa desabafar, precisa sair dali e berrar, pois a raiva que sente o está consumindo. Nada melhor do que a companhia de Kohshi e Take para acalmar ele.
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  02/07 - Yokohama, Terça-feira, 7:10AM

  %Ali% ajeita uma última vez a sua gravata azul xadrez enquanto se olha no espelho. Enrola com os dedos as mechas de cabelo que deixou na frente, ao lado de sua franja habitual. O restante dos cabelos presos em um rabo de cavalo. Esse penteado, tão comum para %Ali%, não é muito do agrado de Hiroki pelo simples fato dele não querer que sua filhinha cresça. Ele lembra-se que, ainda ontem, a sua menininha usava marias-chiquinhas nos cabelos. Tão fofinha…
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  — Papai, o senhor está muito emotivo — comenta %Ali%, que já está na sala sendo amassada pelo abraço do pai.
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  — Minha garotinha no ensino médio! — diz ele emocionado.
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  — O senhor está pior que o padrinho — brinca ela.
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  — O Hayato? Jamais me compare à emoção excessiva do Hayato — ofende-se Hiroki e completa: — Ele é um chorão!
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  — Não é para tanto, Hiroki-kun — diz Harumi, rindo.
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  — Papai, o senhor está me bagunçando toda — reclama a jovem, sendo finalmente solta pelo pai. — Não é a primeira vez que eu vou para o EM, esqueceu que no Brasil eu fiz o início do 1° ano? — comenta ela, ajeitando o blazer.
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  — Não me esqueci, mas aqui no Japão tem matérias diferentes e cursos extras. Terá que se esforçar mais, minha filha.
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  — É, eu sei, papai. Irei me esforçar!
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  — Ganbatte ne!
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  — %Ali%-chan, você vai se atrasar! Seu padrinho não te levará hoje — avisa Harumi.
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  — Eu sei, mamãe, eu já vou — diz ela e pega sua pasta. — Dá um beijo no Fuyu-kun.
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  — hai, hai — “sim, sim”.
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  7:15AM

  %Ali% despede-se dos pais, pega sua pasta e sai de casa. Hiroki sairá às 8h, Harumi ficará em casa cuidando de Fuyuki que passou a noite com febre e não irá à escola hoje.
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  A jovem Yoshida passa pelo caminho de pedras e sai de sua casa, chegando à calçada ela respira fundo, tomando coragem e anda a caminho da estação de trem mais próxima que fica há 20 minutos dali. Da estação para o bairro de sua escola dá 15 minutos e mais 10 minutos de caminhada até a escola de fato. Ela chegará muito em cima da hora hoje.
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  Prometeu a si mesma que amanhã sairá mais cedo.
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[🎌]

  %Ali% caminha com dificuldades, mas apressada pelo pátio principal da Escola Secundária de Yokohama, enquanto confere no papel que recebeu ontem, após ser aprovada, o número sua sala e de seu armário e odiou mais uma vez aquele garoto idiota que lhe pregou uma peça. Ela está tão animada com o primeiro dia de aula que quase se esquece daquele japonês idiota.
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  O pé de %Ali% ainda dói, não quis contar aos pais o que houve e apenas colocou gelo no pé quando chegou em casa, mas ainda sente o tornozelo reclamar quando pisa no chão. Amaldiçoando aquele idiota que lhe assustou, %Ali% coloca os sapatos que devem ser usados no interior da escola, dando graças a Deus por eles serem abertos atrás, e caminha até sua sala.
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  Olhando as placas do térreo, logo ela descobre que não é ali sua sala. Confere novamente o papel: Sala 319, 1-B. Certamente, é no terceiro andar.
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  Voltando a amaldiçoá-lo, %Ali% sobe as escadas xingando baixinho aquele garoto e sentindo dores no tornozelo. Quando finalmente chega ao terceiro andar, %Ali% vai diretamente para a sala 319. Pelo caminho ainda há estudantes perdidos, então não se sente tão sozinha assim.
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  A placa no alto da grande sala de duas portas e janelas grandes indica que ali é a sala que ela ficará. %Ali% respira fundo e entra pela porta traseira, que já está aberta. Ela procura uma mesa que esteja vazia, mas aparentemente não tem nenhuma. Até que avista uma, a penúltima da fileira, bem no fundo.
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  — Com licença — diz ela, tímida, para um estudante que está sentado na mesa. As pessoas ao redor pararam para prestar atenção.
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  — O que quer, novata? — ele pergunta com rispidez. %Ali% sente o sangue esquentar, mas se controla.
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  — Esse lugar está livre?
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  — Está parecendo livre para você? — debocha ele e ri, arrancando risadas das pessoas ao redor.
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  — Não seja estúpido com ela, Ren — a voz de um outro aluno veio detrás dela — Sai daí e deixa ela sentar — ordena ele. O tal Ren revira o olhar e levanta da mesa.
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  — Sempre se intrometendo onde não te chamam, Murakami. Ainda vai se dar mal por isso — diz em tom de ameaça.
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  Sem nem se incomodar em olhar para o Ren ou para o Murakami, %Ali% senta-se na cadeira e acomoda sua pasta no suporte ao lado da mesa.
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  Segundos depois, o professor adentra à sala e todos se sentam. Quando ele dá o sinal todos começam a leitura obrigatória. %Ali% já havia sido orientada qual é a página onde pararam. Ela tem dificuldades em ler alguns kanjis, que é um dos sistemas de escrita japonês. Seus pais lhe ensinaram tudo que sabiam e até matricularam ela num curso de japonês no Brasil, mas não deu tempo de aprender muita coisa, pois logo tiveram que fugir de lá.
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  Após a leitura, todos guardam os livros e voltam sua atenção ao professor.
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  — Bom dia — diz o homem, que parece ser muito novo para ser um professor de ensino médio.
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  — Bom dia, Kirigaya-sensei — “sensei” é o jeito de se referir a um professor ou a alguém que lhe ensina algo. Todos dizem e %Ali% memoriza o nome do professor.
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  — Sejam bem-vindos a mais um período — ele tem um sorriso gentil e %Ali% jura ter ouvido algumas alunas suspirarem. Ela apenas revira o olhar. — Temos novos colegas, na verdade uma nova colega — como um imã, %Ali% atrai todos os olhares para ela que sente o rosto corar imediatamente. — Senhorita Yoshida, queira se apresentar, por favor. Daí mesmo — indica ele com um sorriso amigável.
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  %Ali% levanta-se, ainda sentindo dor no pé e agora sentindo uma imensa vergonha. Por um instante, ela pensa no pesadelo horrível que teve. Não gosta nem de se lembrar.
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  — Eu… me chamo… %Ali% Yoshida — ela diz, em pausas, e ouve risadas abafadas. — Prazer em conhecê-los — a segunda frase sai mais firme e ela curva o corpo em cumprimento.
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  — Bem-vinda, Yoshida-san — por respeito, e por não ter intimidade, todos se tratam pelo sobrenome junto com o sufixo “san” que pode ser traduzido como “senhor(a)”, em alguns casos.
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  — É verdade que veio do Brasil, senhorita Yoshida? — questiona Kirigaya e a turma começa um burburinho de cochichos — Silêncio! — ordena ele e todos se calam.
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  — Sim, sensei. Meu pai é filho de japoneses e minha mãe é nativa. Eu nasci no Brasil e meu irmão mais novo é natural daqui de Yokohama — explica ela.
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  — Oh, sugoi ne — “incrível, né” — Bom, sua nota no exame ontem foi uma das melhores, parabéns!
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  — Obrigada, sensei — agradece ela, curvando-se novamente.
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  — Eu designei, a pedido do diretor, um aluno para ajudar você, certo? — ele confere no papel que colocou em cima do suporte no meio do palanque da sala, em frente ao quadro. — Senhor Murakami, por favor — ele faz o sinal para que o aluno se levante.
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  — Sim, sensei — diz ele já de pé.
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  — Você será responsável por mostrar a escola para a senhorita Yoshida e ajudá-la no que precisar, conhece bem a função, né? — ele diz num tom de orgulho.
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  — Sim, sensei — %Keigo% sorri e se curva levemente.
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  %Ali% olha para o lado, curiosa para ver o rosto de seu senpai, o veterano, mas preferiu não ter tido essa curiosidade.
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  — Ele? — resmunga ela em português.
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  Então quer dizer que aquele japonês idiota que assustou ela ontem será seu senpai? O destino só pode estar brincando com ela, é isso. Só pode ser castigo divino ela ter que aturar justo ele como seu senpai para sempre! Bem, não durará para sempre, mas pelo menos enquanto durar o ensino médio, %Keigo% será o senpai dela e, por isso, ela deve respeito a ele.
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  “Será uma tortura…”, pensa a garota ainda encarando %Keigo% de canto.
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  O professor pede para ambos sentarem-se novamente e continua a dar os avisos. Após, inicia a aula de História, logo depois tem dois períodos seguidos de Matemática e mais um de Educação Cívica, tudo isso antes do almoço.
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  Na hora do almoço, %Ali% fica na sala para comer sua marmita preparada por sua mãe.
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  — Oi — diz %Keigo% ao se aproximar dela, ele está com Kohshi e Take ao seu lado.
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  — Oi, Murakami-senpai — %Keigo% nota o tom debochado dela e ri.
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  — Ainda está brava comigo? — os irmãos Aikyo se olham, confusos.
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  — Vocês se conhecem? — questiona Kohshi.
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  — Não! — diz %Ali%.
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  — Sim! — diz %Keigo%.
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  Ambos dizem ao mesmo tempo, os olhares cruzando-se soltando algumas faíscas.
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  — Se conhecem ou não? — Take já está rindo do constrangimento deles.
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  — Ela é a garota do trote — explica %Keigo%, ainda encarando %Ali%.
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  — Ah…
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  — E ele é o idiota que me fez cair da escada — comenta %Ali% com raiva. — E agora ele é meu senpai. Ótimo, esse japonês babaca vai ficar na minha cola — ela resmunga, em português, e %Keigo% revira o olhar.
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  — Não seja reclamona, Yoshida-chan — diz %Keigo%, rindo. — E pare de falar em português, por favor.
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  — Tanto faz… chato!
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  — Bom, depois vou te mostrar a escola.
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  — Ok, senpai — mais uma vez, %Ali% usa um tom pejorativo e isso começa a irritar %Keigo%.
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  Dando de ombros, %Keigo% se afasta e é seguido pelos amigos.
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  %Ali% conclui seu almoço e vai ao banheiro escovar os dentes, ao voltar para sala é barrada por dois alunos, já conhecidos por ela.
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  — Oi, novata brasileira — diz Ren com um sorriso maldoso.
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  — Com licença — diz %Ali% ainda cabisbaixa, mas com raiva.
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  — Vai ter que me dizer a senha para passar.
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  — Por favor, me deixe passar — %Ali% olha para a outra porta, pensando em entrar por ela, mas ela está fechada.
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  — Não é essa a senha, novata — ele zomba se aproximando dela, mas ouve uma voz no meio do corredor.
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  — Ren!!!
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  Grita %Keigo% e os olhares dos alunos das outras salas se voltam para ele, que vinha caminhando com Kohshi e Take ao lado dele.
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  — Está tudo bem aqui, Yoshida-chan? — pergunta %Keigo% ao chegar mais perto deles.
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  — Sim… — o tom de voz usado por %Ali% não convence %Keigo%, que se põe na frente dela.
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  — Deixa ela passar — ele diz dirigindo-se ao Ren.
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  — Está muito defensor dos menos favorecidos, %Keigo%.
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  — Sai da frente, Ren — repete %Keigo%.
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  Antes que falasse mais alguma coisa, o professor de Ciências aparece para mandá-los entrar. Ren dá passagem e %Ali% passa, acuada, e vai para sua carteira. A mesa de %Keigo% fica na fileira ao lado, a última da fila. A mesa de Kohshi fica ao lado esquerdo da de %Keigo%, atrás de %Ali%, e a do Take fica à frente da mesa de %Keigo%.
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  Duas aulas depois e eles são liberados para a aula de Educação Física. %Keigo% acompanha %Ali% até o ginásio, junto com Kohshi e Take. Ele não nota, mas %Ali% disfarça bem o fato de seu pé ainda doer, mancando com discrição.
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  Ao chegar ao ginásio, %Ali% nota logo de cara a grandeza do lugar que abriga espaço para uma quadra de vôlei, uma de futsal e basquete no mesmo ambiente, há também uma arquibancada do lado direito à entrada onde tem cerca de dez fileiras de lugares. %Ali% fica encantada com a estrutura do lugar e quis que sua antiga escola no Brasil também tivesse isso.
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  %Keigo% mostra a ela onde fica o vestiário feminino e ela vai até lá se trocar para a aula. Foi uma tortura para ela colocar o tênis com o pé doendo como está agora, não aguentando e chorando um pouco. Após se recuperar em partes da dor, %Ali% volta para a área da quadra onde já vê os alunos de sua turma reunidos em volta do professor de educação física.
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  — ... alguém se candidata? — diz o professor e %Ali% não entende o contexto, por isso se mantém calada. Por ter demorado no vestiário, ela perde o início da fala do professor. — Ninguém? Não é possível, vamos lá turma!
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  — Chama a novata, sensei — %Ali% reconhece a voz de Ren e recua, mas logo é avistada pelo olhar do professor, sente os olhares dos outros alunos sobre ela também.
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  — Oh, você é a Yoshida-san, certo? — questiona o professor.
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  — Hai, sensei — responde ela, tímida e tensa.
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  — Você veio do Brasil certo? É um belo país — comenta ele.
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  — Arigatou gozaimasu, sensei — agradece ela.
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  — Yoshida-san, sabe praticar algum esporte? — indaga o professor com os braços cruzados sobre o peito.
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  — Sim, sensei. Joguei futebol e vôlei no Brasil, mas eu sou melhor no vôlei.
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  — Hm, sugoi, poderia nos mostrar, por favor?
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  %Ali% pega uma bola de vôlei no cesto de bolas e observa o professor mandar três alunos formarem duas duplas em quadra, um dos alunos faz dupla com ela. O professor a manda saca, a garota se posiciona no fundo de quadra e prepara o saque, prontamente ela o executa e a bola passa para o outro lado; ficando no fundo da quadra, %Ali% recepciona o ataque mandado pela dupla adversária com uma manchete, o que suaviza o passe; sua dupla faz o levantamento e %Ali% salta para atacar, marcando o ponto. Ouve-se os aplausos dos alunos.
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  — Pronto! — grita o professor, interrompendo a demonstração — Muito bem, Yoshida-san! Você é uma boa líbero! — elogia ele — Seu ataque teve pouca impulsão, teria que treinar mais para ser levantadora ou atacante.
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  — Obrigada, sensei. Eu joguei de líbero no Brasil.
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  — Ótimo! Será perfeito para o nosso time — ele sorri, satisfeito em finalmente ter achado uma líbero para seu time — Bom, vamos começar a aula. Duas voltas para aquecer! — ele aciona o apito e os alunos começam a correr em volta da quadra, em fila.
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  %Ali% sente muita dor, mal consegue colocar o pé no chão enquanto corre atrás de seus colegas. %Keigo% vem correndo um pouco mais atrás acompanhado de Kohshi e Take, o jovem já nota que %Ali% não está pisando direito no chão e recorda-se de imediato do acidente que ele mesmo causou no dia anterior. A volta de aquecimento termina e a aula começa de fato, com um treinamento de dois fundamentos de vôlei: saque e ataque. Segurando-se para não surtar de dor, a jovem Yoshida tenta executar os movimentos, mas sempre os faz abaixo do que sabe.
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  Durante o jogo que acontece agora, no final da aula, o professor coloca %Ali% para jogar de levantadora. Após uma jogada de contra-ataque de seu time, %Ali% salta e, na aterrissagem, ela pisa de mal jeito e torce o mesmo tornozelo que machucou ontem, cai na hora chorando de dor.
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  — AAAAA... — grita ela com a mão no tornozelo.
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  — Yoshida-san! — diz o professor e dois alunos que estão perto a ajudam.
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  — Yoshida-chan! — %Keigo% se aproxima ao sair do outro lado da quadra para ajudá-la.
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  — Afastem-se! Deixem-na respirar — alerta o professor, afastando os alunos. — %Keigo%, se afaste, por favor — o jovem é o único a se manter agachado ao lado dela.
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  — Eu posso ajudar, sensei. Sou o senpai dela, eu a levo para a enfermaria.
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  — Está bem, pode levá-la, por favor. Vá, vá rápido.
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  %Keigo% assente e tenta ajudar %Ali% a se levantar. Com sua tentativa frustrada, ele a carrega no colo causando murmúrios entre os alunos, principalmente as meninas. Sem se importar, o jovem Murakami leva ela para a enfermaria; ao andar pelos corredores externos do colégio, ambos recebem olhares espantados e ouvem mais murmúrios dos outros alunos. %Ali% está com tanta vergonha que não tira o rosto do ombro de %Keigo% e mantém seus braços envolvendo o pescoço dele, inevitavelmente ela respira seu cheiro. Ele está bastante cheiroso.
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