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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Dark Shadow

Escrita porLi Santos
Editada por Lelen

Capítulo 11 • Decisão

Tempo estimado de leitura: 34 minutos

  Se a tensão que envolve o ambiente da sala da casa dos Yoshida fosse um bolo, certamente ele estaria rígido, como se tivesse passado do ponto no forno. Quase palpável, a inquietação toma conta do ambiente, todos se entreolham desconfiados uns dos outros. %Keigo% pensa se ele deveria realmente ter vindo justamente hoje que tanto o pai quanto o padrinho de %Ali% estão em casa. Talvez ele devesse ter esperado para dar apoio à ela pessoalmente quando se encontrassem na escola amanhã. Mas, por outro lado, ele não poderia esperar tanto tempo. O que houve foi grave e ela precisava dele, %Keigo% sabia disso. Mas, ver a reação do pai de %Ali% quando o viu ali o deixou com medo, apreensivo e muito temeroso com o futuro ao lado da namorada.
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  Todos entram na casa, a jovem Yoshida contrária à ordem do pai e fica ao lado de %Keigo%, que senta-se em uma poltrona, %Ali% sentada no apoio ao lado dele – mas logo o jovem Murakami a puxa para sentar-se colado a ele, espremidos no móvel. Harumi puxa o marido para que ele fique ao lado dela, mesmo emburrado e trêmulo de raiva, ele obedece. Hayato senta-se na outra poltrona e os irmãos Aikyo ficam perto dos amigos, aparentemente esquecidos.
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  Hayato toma a palavra para falar das providências que eles podem tomar contra a circulação do vídeo. Além da denúncia, que já havia sido feita nos perfil que publicaram e repostaram o vídeo, uma reclamação formal perante à escola já que o ocorrido foi lá. Os pais de %Ali% ouvem os conselhos do amigo, enquanto o casal tentava manter a calma. %Keigo% tinha uma das mãos nas costas de %Ali%, acariciando o local, e a outra afagando o dorso da mão dela. Nenhum dos dois conseguia se encarar, já que estavam atentos aos olhares repreendedores de Hiroki.
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  — Agora que já temos um assunto resolvido — diz o padrinho da jovem, tomando a atenção de todos para si. — Podemos resolver o outro… — o maldito olhar que %Ali% tanto odeia a observa agora.
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  — Creio que agora eu tenha que intervir, Hayato — interrompe Hiroki, limpando a garganta para falar.
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  — Nós, querido — corrige Harumi, apertando o braço dele e sorrindo com os olhos semicerrados.
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  — Sim, sim, nós — retifica. — Então, rapaz — ele encara %Keigo%, que ergue o corpo em reflexo —, não vai se apresentar formalmente? Não te deram educação…
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  — Hiroki! — Harumi chama a atenção do marido, batendo no braço dele em sinal de desaprovação. — %Keigo%-kun é um jovem muito educado! — defende a mulher.
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  — Mas até hoje ele não se apresentou a mim — retruca o homem, olhando para a esposa, e depois volta a encarar %Keigo%, que se levanta, %Ali% levanta junto.
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  — Me chamo %Keigo% Murakami, senhor — apresenta-se o jovem e curva o corpo em noventa graus. — Perdão pela falta de…
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  — O que quer com minha filha? Estão namorando? — pergunta Hiroki, diretamente. %Keigo% endireita o corpo e limpa a garganta antes de responder, mas %Ali% responde por ele.
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  — Sim, papai, estamos namorando — diz ela.
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  — E diz isso nessa naturalidade, %Ali% Yoshida? — retruca o homem, bravo. Ele ameaça levantar-se, mas é impedido por Harumi.
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  — Que mal há em namorar, papai? — Hiroki abre a boca, incrédulo.
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  — Mas que…
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  — É você quem ajuda a %Ali% a estudar, não é, Murakami? — interdiz Hayato, curioso.
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  — Sim, senhor — responde %Keigo%, nervoso. — A %Ali% tem evoluído bastante nos estudos e o sensei até elogiou ela por sua melhora — anuncia o jovem em tom de orgulho da namorada.
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  — %Keigo% é muito respeitoso, padrinho — diz %Ali%, de repente. %Keigo% engole em seco, Hayato encara a afilhada com o olhar acolhedor e Hiroki sente que terá um infarto a qualquer instante caso o assunto evolua.
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  — Está feliz com ele, querida? — pergunta o Tanaka.
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  — Muito — %Ali% sorri e se aninha segurando o braço de %Keigo%, encostando o rosto no ombro dele.
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  — Vejo ser recíproco, correto, %Keigo%? — Hayato estreita os olhos antes de perguntar a %Keigo% que volta a engolir em seco.
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  — Sim, senhor, a %Ali% me faz muito feliz — ele também sorri, apaixonado. — Eu amo a %Ali%…
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  — Esse moleque… — manifesta Hiroki, sendo contido pela esposa.
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  — Então não vejo motivo para não namorarem — afirma Hayato.
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  — Quem tem que achar algo sou eu, Hayato. Eu sou o pai dela! — brada o arquiteto, irritado com o amigo.
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  — Hiroki, por favor, não seja tão você apenas dessa vez, ok? — alfineta.
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  — Nossa filha está feliz, querido. Veja só… — pontua Harumi e, pela primeira vez, o patriarca da família Yoshida olha para a filha realmente prestando atenção na expressão feliz na face dela. — Eles realmente se gostam. Me lembram de nós quando jovens — diz ela, saudosa, sorrindo abobada para o marido, que corre seu olhar para ela.
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  — Harumi… — sussurra ele, vendo a esposa aninhar-se em seu braço assim como %Ali% fez minutos atrás com %Keigo%.
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  — Senhor Yoshida — a voz de %Keigo% chama a atenção dele, que o olha semicerrado. %Keigo% perdeu as contas de quantas vezes engoliu em seco apenas esta noite. — Gostaria da sua permissão para namorar oficialmente a sua filha — pede, educado.
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  Hiroki faz suspense e apenas encara o futuro genro, analisando-o. Irritado com a demora, Hayato brada:
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  — Por Deus, Hiroki, não temos a noite toda! — a bronca arranca uma risada abafada dos irmãos Aikyo que ainda estão ali, vendo tudo de camarote.
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  — Se isso não atrapalhar os estudos da %Ali%, tudo bem — anuncia Hiroki, finalmente. — Mas, não quero vocês dois sozinhos no quarto, entenderam? — os jovens assentem e pensam, simultaneamente, na noite em que passaram juntos em Kyoto, apenas os dois quando tiveram a primeira experiência sexual de suas vidas.
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  Com a permissão para namorarem consentida, %Keigo% e os irmãos se despedem de todos e deixam a casa. %Ali% acompanha os amigos até o lado de fora.
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  — Me desculpem pela cena de hoje, meu pai estava muito nervoso e… — inicia %Ali%, envergonhada.
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  — Não se preocupe, %Ali% — apressa-se Take, solidário, e fecha seu casaco.
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  — Entendemos a situação — ratifica Kohshi, pondo as luvas. Faz bastante frio hoje.
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  — %Kei%… eu, eu posso te falar algo, não vou demorar — diz e os irmãos entendem a deixa para deixarem o casal a sós. Ambos se afastam e vão retirar a fina camada de neve dos acentos das bicicletas.
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  — Não precisa se explicar, se é isso que irá fazer — alerta %Keigo%, já sozinho com %Ali%.
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  — O que dizem no vídeo não é totalmente mentira — o olhar de %Keigo% paralisa na expressão da namorada, ela não parece estar brincando.
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  — Como assim, %Ali%? — ele sente suas extremidades adormecerem e não é por conta do frio.
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  — Há alguns dias o Ren me enganou, me mandou um bilhete como se tivesse sido você e eu fui encontrar ele no terraço onde sempre ficamos — introduz. — Mas, quando cheguei lá, eu fui acuada por ele. Por algum motivo ele ficou sabendo que eu e você… que nós tivemos… — ela não consegue terminar a frase e %Keigo%  segura seus braços nas laterais.
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  — Ele não sabia, meu amor — esclarece. — Possivelmente ele apenas deduziu e te enganou para saber a verdade.
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  — Ah, droga…
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  — Não se sinta culpada — %Keigo% a acolhe, abraçando %Ali%. — Ele te fez mal? — pergunta, sem coragem de detalhar o que de fato quer saber.
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  — Tentou — é a única coisa que %Ali% consegue responder. Ela fica alguns segundos em silêncio. — Take me ajudou, apareceu no terraço e me salvou de…
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  — Vou agradecer a ele depois — %Keigo% a interrompe e dá um beijo no topo de sua cabeça. — Está gelada — constata, afastando-se da namorada. — Melhor você entrar e se aquecer — sugere, carinhoso.
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  — Quando chegar em casa, me avisa? — pede e %Keigo% sorri com o cuidado dela.
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  — Claro que aviso — responde e dá um beijo no nariz dela. — Nunca se esqueça que eu amo você, está bem?
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  %Ali% assente, tendo o rosto segurado por %Keigo% e os lábios beijados por ele. Um beijo demorado e gelado.
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  — %Ali%! — chama Hayato, interrompendo o beijo do casal, que se vira para a porta da casa onde o homem está parado com a expressão séria. — Está frio, melhor entrar — adverte. — Não consigo mais conter os ânimos do seu pai, em breve ele sairá e eu não conseguirei fazer nada para ajudar vocês — o homem sorri de canto, pela primeira vez em muitas horas, e aquilo faz %Ali% se emocionar.
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  — Obrigada, padrinho — agradece a jovem, despedindo-se definitivamente de %Keigo%.
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  Ela vê o namorado subir na bicicleta e partir junto com Kohshi e Take. Hayato a abraça e alarga o sorriso, confessando no ouvido da afilhada:
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  — Ele realmente gosta de você, não deixe seu pai estragar isso.
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[🎌]

  No final de semana seguinte, o casal Murakami-Yoshida sai pela primeira vez com o consentimento dos pais de %Ali%. Bom, pelo menos dos dois pais dela, já que a mãe da jovem sempre soube da relação da filha. A condição para que saíssem, dada por Hiroki, foi %Ali% levar o irmão caçula junto. Na mente dele, estando com o irmão, a jovem não fará nada inapropriado. Mal sabe ele sobre a viagem e a noite de amor que os dois tiveram há algumas semanas.
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  — Seu irmão está calado — comenta %Keigo% vendo Fuyuki andar um pouco afastado deles. Eles estão no Kuraki Park, famoso em Yokohama, o dia está ensolarado apesar do frio que faz. — Está chateado com algo?
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  — Na verdade — diz %Ali%, pensando se deve ou não falar —, papai disse a ele que não era para ser gentil com você.
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  — Hã? — pasma-se %Keigo%, surpreso. — Por que ele faria isso? — %Ali% fica envergonhada e segura uma mão na outra, brincando com os pompons de suas luvas.
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  — Ai, %Kei%, me perdoe — expõe %Ali%. — Meu pai é um homem muito desconfiado e…
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  — Hey — corta Murakami, educado, e segura uma das mãos da namorada, que o encara parando de andar —, a culpa não é sua. Consigo entender um pouco o seu pai e as atitudes dele, apesar de não concordar — alega.
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  — Fuyuki está chateado porque está confuso se deve ou não gostar de você — explica a jovem.
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  — Tem algo que eu possa fazer para consertar isso? — eles voltam a caminhar lentamente.
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  — Hmmm — %Ali% fica pensativa, observando o irmão andar à frente deles, e dá um sorriso. — Acho que sorvete é a solução — revela e %Keigo% a encara, confuso.
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  — Em pleno inverno?
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  — Sim — ela ri abertamente e completa: — Papai sempre impediu Fuyuki de comer sorvete no inverno, se der sorvete a ele hoje, talvez ele desmanche a cara emburrada — diz.
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  — E se ele ficar resfriado? Aí sim seu pai me odiará — teme %Keigo%.
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  — Ele não vai se resfriar, %Kei%. É bem difícil Fuyu ficar doente — comenta %Ali%, incentivando o namorado. — E eu também quero sorvete — completa, com um sorrisinho no rosto. %Keigo% ri.
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  — É um plano para você ganhar sorvete, não é, senhorita? — deduz, risonho.
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  Ambos riem e continuam a caminhar até uma barraquinha onde vende sorvete. Não são comuns durante o inverno, mas ainda assim têm algumas. Ao ver que %Keigo% está comprando sorvete, Fuyuki o admira. De fato, o garotinho gosta de seu cunhado, mas ficou confuso com o pedido contrário do pai.
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  Depois de ganhar um grande pote de sorvete de chocolate e se lambuzar inteiro com ele, Fuyuki está mais feliz ao lado de sua irmã e do seu cunhado. É um dia feliz de inverno para o garotinho.
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  Dias depois….

  É a primeira vez que %Ali% vai até a casa de %Keigo%.
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  Apesar de já namorarem há um tempo, ela nunca tinha ido até lá. %Keigo% já deu as mais variadas desculpas para %Ali% não ir até sua casa, desde dedetização até uma reforma que nunca acabava. Tudo isso para que a namorada não encontrasse seu tio. Definitivamente, o jovem não gosta de envolver o tio em sua vida.
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  Porém, dessa vez houve uma insistência por parte da sogra do rapaz, que pediu com gentileza para que ele e a filha estudassem na enorme casa dos Murakami, já que especificamente nesta tarde Harumi levaria seu filho Fuyuki para um passeio supervisionado da escola, ela precisava ir. Como Hiroki está trabalhando, ela assumiu o papel de acompanhante do filho.
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  — Ah, não… — sussurra %Keigo%, em lamento ao ver o carro parado em frente à porta da garagem.
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  %Ali% não presta atenção no lamento do namorado, pois está em conflito interno.
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  Quantas pessoas no Japão teriam poder aquisitivo para ter um carro desses? Quantas? Não poderia ser a mesma pessoa ou poderia? O coração da garota dispara batendo erroneamente. A grande Subaru WRT STI S207 branca parada ali na frente da garagem, a placa com uma sequência que %Ali% memorizou por conta do trauma, tudo batia, mas não poderia ser a mesma pessoa. Por Deus, ela acha que irá desmaiar a qualquer instante.
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  Ela resolve ignorar o pensamento e segue %Keigo% que caminha na frente, segurar a mão dele a deixa calma para prosseguir. Assim que entram na casa, os jovens são recepcionados por Yui que sorri ao ver a jovem Yoshida.
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  — Que bom que chegaram — diz a mulher, sorridente, e segura a mochila de %Keigo%, tirando-a de seu ombro.
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  — Yui-san — chama o jovem —, essa é %Ali% Yoshida, minha namorada — apresenta o rapaz, orgulhoso, e %Ali% curva-se brevemente para a senhora à sua frente.
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  — Prazer em conhecê-la, Yui-san — %Ali% fala, respeitosamente.
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  — O prazer é meio, querida — a mais velha segura a mochila de %Ali% também. — Estão com fome? Preparei alguns sanduíches e suco — oferece, solícita.
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  — Não sinto tanta fome agora — responde %Ali%, tímida.
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  — Eu também não — reforça %Keigo%. — Mais tarde comeremos, Yui-san.
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  — Hmmm, está bem, mas não passem tanto tempo estudando direto. Saibam fazer pausas, ok? — ela dá uma leve bronca, arrancando risadas dos jovens.
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  — Pode deixar, Yui-san!
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  A mulher se despede deles, deixando-os subir até o quarto de %Keigo%, mas, no caminho do longo corredor que leva ao quarto dele, encontram o tio do jovem. O corpo de %Ali% entra em pane.
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  — Achei que fosse sair com aqueles dois garotos — comenta o dono da voz, uma voz que %Ali% reconhece na hora.
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  — E eu achei que não te encontraria em casa a essa hora — rebate %Keigo%, ríspido. O jovem está tão incomodado com a presença do tio ali que nem percebe a tremidão de %Ali%.
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  — Quem é a graciosa jovem? — pergunta Hyakume, os olhos estreitos encarando-a. %Ali% paralisa ainda mais, agarrada a %Keigo%.
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  — Minha namorada — responde ao tio, sem tirar os olhos dele. — Com licença, temos que estudar.
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  — Prazer em conhecê-la, jovenzinha.
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  A expressão específica.
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  %Ali% é transportada para a cena de pesadelo que viveu quando acordada. O cenário ocorreu anos atrás, ela tinha por volta dos dez anos de idade, seu irmão tinha recém nascido e seus pais estavam apenas esperando ele crescer mais um pouco para retornarem ao Brasil. %Ali% gostava de morar em Yokohama, mesmo que temporariamente. Um dia, enquanto voltava do mercado na companhia de seu pai, ambos segurando algumas sacolas, a mente da garota pensou que em breve voltariam para o país onde nasceu. De repente, eles são cercados por homens desconhecidos. Os braços de Hiroki são agarrados e %Ali% tenta ajudá-lo, mesmo que o pai tenha gritado para ela correr. %Ali% também foi agarrada e erguida no ar por um dos homens. Todos vão parar em um beco próximo e a garota viu o pai apanhar, apanhar, apanhar… Flashes são passados na mente da jovem Yoshida: o pai gritando, ela gritando e chorando desesperada, o carro branco, a placa do carro, aquele olhar estreito…
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  %Ali% reconhece Hyakume.
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  Hyakume reconhece %Ali%.
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  Ambos cruzam os olhares e, num gesto de desespero, %Ali% solta a mão de %Keigo% e sai correndo dali, ouvindo apenas os chamados do namorado. Ela não pode voltar, não pode…
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  Ela chega em casa muito rápido.
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  %Ali% sobe as escadas até seu quarto tão depressa que nem repara que seu pai a grita, pedindo para que pare de correr pela casa. O homem tinha voltado mais cedo, estava com dor de cabeça que não passava, então foi liberado. Ele segue a filha até o quarto da garota, entrando pela porta e vendo-a jogada na cama, chorando.
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  — O que deu em você, %Ali%? — brada ele, irritado com o comportamento adverso dela. Parece que ele está vendo a mesma %Ali% de quando moravam no Rio de Janeiro. — Hein? O que aconteceu? Por que está chorando?
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  — Papai! — diz a jovem com urgência, levantando-se num pulo e agarrando o pescoço do pai. — Papai, eu vi ele… ele estava... papai… ahh, papai… eu não quero… — o desespero e angústia não deixam %Ali% formular frases inteiras.
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  — Acalma-se, filha, por favor — Hiroki muda sua postura ao vê-la fragilizada. Estranhamente ele sente o mesmo que sentiu na cama de hospital quando a filha lhe implorou para que fugissem para o Japão. Um nó fecha a garganta do arquiteto.
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  — O que está acontecendo? — pergunta Harumi, entrando no quarto, preocupada.
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  — %Ali% — chama Hiroki, afastando um pouco o corpo da filha para que se encarem. O rosto dela está vermelho, um pouco inchado e molhado de lágrimas —, o que houve?
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  — Eu o vi, papai — repete a garota, controlando-se.
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  — Ele quem, filha? — indaga Harumi, os olhos arregalados e o coração disparado pela adrenalina.
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  — Aquele homem, papai, aquele homem que quase… — ela puxa o ar com força antes de continuar —, que quase te matou quando o Fuyuki nasceu — Hiroki paralisa. Seu coração treme juntamente com seu corpo.
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  — Co-Como assim, filha? — gagueja Harumi também tremendo.
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  — Que homem, %Ali%? — reforça Hiroki, impotente.
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  — Quando o Fuyuki era apenas um bebê, ele tinha acabado de nascer, estávamos voltando do mercado quando…
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  — Por Deus! — o pai dela nem quis ouvir o restante, apenas a menção mais detalhada dos fatos já resgataram a lembrança em sua memória. Lembranças ruins de seu passado não tão distante. — Ele te fez mal? Ele te machucou? Não minta para mim, %Ali%! — o homem a sacode, nervoso, e só agora %Ali% percebe que não deveria ter contado nada, finalmente notando quem era o homem e de quem ele era parente.
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  — Não, papai, ele não me machucou — responde, a voz tremida.
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  — Onde você o viu, %Ali%? — Hiroki continua sacudindo a filha pelos ombros, os cabelos dela sendo projetados para frente, a vontade de chorar aumentando.
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  — Querido, acalme-se — implora Harumi, também nervosa. — Está assustando ela — a mulher segura o braço do marido.
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  — Eu estava… — hesita, pensando se deve realmente contar.
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  — Você não estava com o %Keigo%, querida? — ah, não, não era isso que ela ia falar. Mas a mãe de %Ali% disse primeiro, estragando a mentira que %Ali% formulava em sua mente.
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  — O que esse moleque tem a ver? — o olhar alucinado de Hiroki se volta para filha. — Não me diga que… não… — ele para e raciocina um pouco. — O sobrenome dele, como é mesmo?
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  — Murakami — Hiroki quase tem uma síncope.
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  — Eu não, por Deus, como não reparei antes?! — berra ele, afastando-se da filha e da esposa.
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  — O que, querido? — preocupa-se Harumi.
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  — Você vai se afastar desse moleque! — ele aponta o indicador para filha que está hiperventilando, sem saber o que dizer.
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  — Pa…
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  — Não quero saber, %Ali% Yoshida, você está proibida de ver aquele garoto, entendeu?? — ratifica, bravo.
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  — O que o %Keigo%-kun fez, Hiroki?
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  — O tio dele é Hyakume Murakami, simplesmente o homem mais influente e perigoso de Yokohama — diz o arquiteto, as palavras quase não saindo.
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  — Meu Deus! O mesmo homem que… — recorda-se Harumi, brevemente.
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  — Sim, o mesmo homem que comanda a Máfia Washi — “washi”, em japonês, significa “águia”. Harumi leva as mãos à boca, segurando o grito de terror entalado em sua garganta. — Eu sabia que não poderia confiar naquele garoto! Eu sabia! — Hiroki volta a gritar e segura o braço da filha com força.
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  — Hiroki…
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  — Você vai se afastar daquele moleque, entendeu? — diz, sério, e sacode o braço de %Ali%. — Entendeu?!
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  — Não faça isso, Hiroki — pede Harumi, voltando a segurar o marido, que dessa vez a ignora.
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  — Se me desobedecer, eu não respondo por mim, %Ali%.
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  %Ali% não diz nada, nem concorda nem discorda com o pai. Seus olhos encaram a feição brava do homem e deixam cair lágrimas de medo. Um temor de não ver mais %Keigo% junto com o temor dele já saber de todo o envolvimento do tio com sua família. Será que ele sabia de tudo e se aproximou dela propositalmente?
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  No dia seguinte…

  Não é um bom dia para estar no colégio.
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  %Ali% não quis acordar, queria apenas continuar dormindo e sonhando com %Keigo% deitado ao seu lado, ambos abraçados e quentinhos embaixo do edredom. Mas, a triste realidade quando levantou esta manhã a fez perceber que havia falado demais no dia anterior. Antes de sair de casa, Hiroki fez uma lista de regras de como a filha teria que se comportar diante da situação atual, para que ele não a tirasse da escola. Certamente Hyakume sabia da presença dos Yoshida em Yokohama e, obviamente, cobraria sua dívida milionária. A ideia imediatista era ir para outra cidade ou mudar novamente de país, mas Harumi fez o marido repensar e eles apenas iriam evitar entrar no radar daquele homem perigoso e, claro, juntar o dinheiro para o pagamento.
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  %Ali% passa a manhã inteira evitando falar ou sequer olhar para %Keigo%, por mais difícil que possa ser já que suas carteiras são próximas. Ela tinha chegado após o sinal tocar, levando bronca do sensei, apenas para não ter que interagir com o namorado ou com os amigos. Ela não sabe o que dizer, como encará-los depois dessa descoberta. O tio de %Keigo% é o chefe de uma máfia perigosa da cidade. A mais perigosa. Com o conhecimento de tal informação, a jovem Yoshida consegue ligar alguns fatos que ocorreram com ela recentemente: as perseguições e o tiro que atingiu o trem onde estava com %Keigo% a caminho de Kyoto. Então, aquele tiro não foi uma bala perdida. Era para ela aquele tiro. Será que queriam matá-la ou ferí-la para forçar seu pai a pagar a dívida?
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  %Ali% nem quer pensar nisso agora.
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  O sinal do intervalo para o almoço toca e, segundos antes, %Ali% já estava na porta pronta para sair antes de todos, logo ela se perde na multidão de estudantes. %Keigo% tenta achá-la com o olhar, mas a perde de vista.
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  %Ali% sobe até o terraço e aparentemente tranca a porta de saída, ficando com a chave para abri-la quando sentir vontade. Ela tinha conseguido a chave com um dos funcionários que cuidavam dos jardins do colégio. Escondido, claro. O vento que faz ali a acalma, bagunçando seus cabelos e fazendo-a sentir um leve arrepio de frio. Ela respira fundo, sentindo as lágrimas escorrerem. Como fará para continuar evitando %Keigo%? Não tinha como, ela teria que mudar de colégio e, mesmo assim, correria o sério risco de ele ir atrás dela em busca de explicações. Mas, afinal, o que ela poderia falar? Ela está com medo dele?
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  O barulho da porta do terraço se fechando assusta %Ali%.
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  %Keigo% corre na direção dela para abraçá-la, mas %Ali% se afasta ainda chorando.
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  — %Ali%… — ele ofega pela corrida que deu e tenta se aproximar novamente, ela volta a se afastar. — O que houve, meu amor? Por que está chorando? Fala comigo, por favor…
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  — É melhor não, %Keigo%… — ela diz com a mão estendida. — Eu…
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  — Me diz o que está havendo, %Ali%.
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  — Eu não quero que meu pai morra, eu tenho que ficar longe de você porque senão…
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  — Do que está falando, amor?! — %Keigo% a interrompe, confuso, e volta a se aproximar, conseguindo segurá-la pelos ombros. — Me explica, o que houve com seu pai? Ele está bem?
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  — Me diz que não sabia de nada, por favor? — uma súplica em forma de pergunta, os olhos da namorada marejados de lágrimas partes o coração de %Keigo%.
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  — Não sabia de quê, %Ali%? Me diz o que está acontecendo, meu amor, me diz… — ele a abraça, desesperado por uma resposta clara.
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  %Keigo% aperta o corpo de %Ali% contra o seu enquanto ela chora, o rosto enfiado no peito dele, as mãos apertando seus ombros. O choro dura alguns minutos, o sinal bate novamente, mas eles não ligam e prosseguem abraçados, até o momento em que %Ali% para de chorar e se afasta um pouco dele, mas sem sair do abraço do namorado.
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  — Eu não deveria estar com você — começa, a voz ainda embargada. — Papai vai me matar se souber…
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  — Me explica o que está acontecendo, minha querida — pede, carinhoso, acariciando o rosto dela.
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  — É uma longa história.
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  — Temos tempo — ele sorri e segura a mão dela, conduzindo-a até um dos armários de telefone, onde sentam-se na frente, voltando a se abraçar. — Conta — %Keigo% joga um dos braços sobre os ombros da namorada.
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  — Sinto tanta vergonha de contar isso — confessa, olhando para o chão. — Acho que nunca contei para ninguém, nem quando eu morava no Rio de Janeiro.
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  — Sobre o que?
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  — Papai é… bom, o meu pai costuma… — %Ali% procura palavras amenas para contar a verdade. — Ele costuma jogar — diz e %Keigo% mantém a expressão normal, o olhar fixo em %Ali% enquanto ela fala. — Mas, digamos que ele é um pouco descontrolado com isso — é o suficiente para %Keigo% entender.
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  — Compreendo — diz ele, simplesmente.
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  — Ele fez muitas dívidas ao longo dos anos e, bom, alguns credores o cobravam de maneira mais bruta — ela continua explicando e o Murakami começa a juntar informações mentalmente. — Uma vez — o olhar dela fica perdido —, eu tinha dez anos, estávamos eu e meu pai voltando do mercado aqui em Yokohama, foi na época que o Fuyuki nasceu — explica —, nós fomos cercados por homens que… eles bateram no papai, eu não pude ajudar, tive medo dele…
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  — Eu sinto muito, meu amor — o jovem a abraça, carinhoso e cuidadoso. Os neurônios dele trabalhando em uma terrível hipótese. — Eles machucaram você?
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  — Não — responde %Ali%, afastando o suficiente para olhar para %Keigo%. — Por sorte, apareceu um homem que acabou afugentando eles. Dias depois nós voltamos para o Brasil.
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  — Que bom que acabou bem — comemora ele, sorrindo.
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  — %Kei%… o seu tio, ele, ele, ele também estava lá naquele dia — o jovem arregala os olhos, surpreso.
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  — Como assim?
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  — Eu o reconheci e papai disse que ele é o chefe da máfia mais perigosa de Yokohama — a revelação choca %Keigo%.
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  — Máfia? Não, não pode ser, %Ali%, você deve ter se enganado. Meu tio não é… não, não pode ser — ele se agita, hiperventilando e %Ali% tenta acalmá-lo.
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  — %Kei%, por favor, acalme-se — implora %Ali%, preocupada.
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  — %Ali% — ele diz após concluir a hipótese na mente —, um daqueles homens, por acaso, era o mesmo que perseguiu você outro dia?
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  — Era — a garganta de %Keigo% se fecha, quase sufocando-o. — Conhece ele? — aquele olhar de medo que %Keigo% odeia ver no rosto da amada.
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  — Me perdoe por não contar, mas eu o conheço sim — %Ali% se afasta mais, os lábios tremendo ao dizer:
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  — Então sabia de tudo? — indaga, magoada. — Papai tinha razão ao dizer que você e seu tio armaram tudo para…
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  — Não! — ele a interrompe, voltando a se aproximar mais dela, e segura suas mãos sem tirar os olhos dos dela. — Eu apenas reconheci o Yanar-san pela descrição que você deu dele, mas eu nunca imaginaria que meu tio estaria envolvido nisso, envolvido em…
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  — Ele é chefe de uma máfia, %Keigo%! Como não sabia disso? — rebate %Ali%.
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  — Juro que eu não fazia ideia! — reforça. — Meu tio tem os negócios dele de jogos, mas eu não sabia que era tão profundo assim. Não sabia que era uma máfia, não, não consigo nem imaginar isso. Deve haver algo errado.
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  — E se não tiver, %Kei%? — ele a encara querendo chorar.
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  — Vou ter que pressionar o Yanar-san a me contar toda a verdade — diz, determinado. — Eu prometo a você, meu amor — ele beija as mãos dela —, eu vou descobrir o que está havendo e ficará tudo bem, ok?
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  — Papai não quer mais que eu veja você — revela a Yoshida, voltando a chorar. — Me desculpe pelo gelo hoje, %Kei%, eu não sabia como contar… não fique com raiva de mim…
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  — Está tudo bem, princesa — o jovem a puxa para si, abraçando-a com força. — Não estou bravo — ele engole em seco e beija a cabeça dela. — Hey — afastando-se um pouco, %Keigo% diz: —, vai ficar tudo bem, tá? Eu não vou me afastar de você.
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  — Papai nos matará se souber — %Ali% está visivelmente com medo de algo ruim ocorrer. — E seu tio, ele me reconheceu, eu tenho certeza.
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  — Sobre seu pai, nós vamos dar um jeito. Estudamos na mesma sala, daremos um jeito — ele exibe um sorriso tranquilizante que faz %Ali% relaxar momentaneamente. — E sobre o meu tio — prossegue o rapaz —, ele não se atreveria a machucar você.
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  — Aquele homem da cicatriz…
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  — Nem o Yanar-san! — apressa-se ele. — Ele pode ser fiel ao meu tio, mas ele não é uma pessoa fria, ele tem sentimentos e até me alertou que havia algum interesse do meu tio com sua família, mas não me disse o que era.
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  — Isso é uma loucura, %Kei% — %Ali% solta o ar pela boca com força. — Não sei se irei aguentar viver assim, é horrível ficar fugindo e eu tenho medo de encarar as coisas. É perigoso demais.
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  — Eu estou aqui com você, não precisa mais enfrentar isso sozinha, ok? — acontece um breve beijo, ambos com os lábios trêmulos. — Eu te amo, minha princesa.
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  — Eu te amo, %Kei%, te amo…
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  O casal ainda processa a quantidade absurda de informações que receberam nas últimas horas. A proibição de Hiroki não surte efeito. %Ali% e %Keigo% seguirão se vendo todos os dias e prometerão descobrir juntos o que está havendo para tentar resolver o problema.
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  Uma coisa é certa: eles irão resolver juntos.
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Lelen

Gente, coitado do Keigo, só tava lá no meio, todo inocente pensando que o tio só era esquisito e mal encarado, vai ver… Olha aí, nem em família dá pra confiar, te contar viu?
E viu, Akuma podia aparecer, eu deixo, o nome é bem sugestivo, já amo HAHAHAH

Li Santos

Keigo ta sempre numa montanha-russa entre alegria e decepção hahaha tadinho, o pobi sofre nessa fic.
E o Akuma tem esse nome Justamente por isso heheheeh Yanar e Hyakume tb

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