Capítulo 3 • Amizade X Amor
Algumas semanas se passam e %Take% está com o coração um pouco mais tranquilo. Ele vem cumprindo a promessa que fez a si mesmo de se dedicar ao trabalho para tentar esquecer-se um pouco do relacionamento entre %Li% e %Keigo%. Com esse afastamento, ele acabou se aproximando bastante da Harumi e até saíram juntos algumas vezes, saídas essas que terminaram em beijos muito quentes entre eles. O %Asakawa% anda tão ocupado com Harumi e o trabalho que mal tem tempo para sair com seus amigos, o que é um alívio para ele, pois sempre tem uma desculpa para dar quando é chamado para passeios no parque, cinema e boates. A última coisa que ele quer é ver %Keigo% e %Li% juntos.
Finalmente %Take% termina a última linha de código e salva o projeto novo no computador. Ele se espreguiça e fecha os olhos por um instante, sentindo o corpo estalar com seu gesto.
— Vamos almoçar, querido... — a voz sensual e sussurrante de Harumi diz ao pé do ouvido de %Take% e ele sorri abrindo os olhos em seguida.
— Olá — ele dá um selinho rápido nela.
— Vamos sair mais tarde? Tenho uma surpresa para você.
— Vamos sim — responde ele já imaginando qual seria a surpresa que ela tem para ele que, sinceramente, %Take% não está
tão interessado assim como imaginou que ficaria.
— %Take% — a voz de %Kohshi% invade o local e o rapaz olha para o irmão, virando-se um pouco na cadeira e se livrando do abraço de Harumi.
— Vai almoçar agora, %Kohshi%? — questiona ele.
— Vamos todos, então — anuncia %Take%. — Vai também, %Keigo%? — ele olha para o amigo que está se levantando de sua cadeira, ele o encara com o olhar assustado.
— Si-Sim — %Keigo% responde, parecendo nervoso e angustiado com algo. %Take% resolve ignorar.
Todos vão para o refeitório e logo se servem com a comida. Após sentarem-se na mesa e começarem a comer, eles engatam uma conversa animada. De repente, o nome de %Li% é citado aleatoriamente.
— Por falar nela... — inicia Harumi com o olhar curioso. — Ela não veio hoje, não é? — questiona a moça olhando para os amigos de %Li% que levantam o olhar para encará-la.
— Não — %Kohshi% responde e %Take% o olha surpreso. O rapaz anda tão focado em outras coisas que não reparou que a amiga não havia ido trabalhar. — Ela me disse que está em período menstrual — conclui ele e come mais um pouco de sua comida.
— Sério? — indaga %Take%, muito surpreso.
— Oh, esse período é terrível — comenta Harumi que está ao lado de %Take% mais uma vez agarrada ao braço dele.
— Ela não me disse nada... — %Take% diz para si mesmo, porém alto o suficiente para que todos escutem e o encarem espantados.
%Take% diz isso, pois, em todos esses anos de amizade, a %Li% sempre disse para os amigos quando estava em período menstrual. Eles costumavam ir até a casa dela, os três, e passavam a tarde com ela conversando, distraindo a moça da cólica que sentia que sempre foi muito forte e incômoda. O %Asakawa% mais novo sente-se um pouco magoado por não saber desse detalhe, mesmo sabendo que ela não lhe deve satisfações de nada.
— %Keigo%-kun... — diz Harumi, de repente, e chama a atenção de todos para si. — Você, como namorado dela, deveria ir lá fazer-lhe uma visita.
Todos os olhares agora se voltam para %Keigo% que fica rubro de vergonha.
— E-Eu? — diz ele apontando para si mesmo.
— E a %Li% tem outro namorado? — rebate Harumi, sarcástica, rindo em seguida.
— Harumi tem razão, cara — diz %Kohshi% e recebe o olhar do amigo. — %Li% é sua namorada e está precisando de apoio. Não é mais como se tivéssemos 15 anos e fôssemos visitar nossa amiga.
Ela é sua namorada agora... — lembra o rapaz e come mais um pouco de seu almoço de maneira despretensiosa.
— Eu acho que passarei lá mais tarde — diz %Keigo%, finalmente quebrando o silêncio.
— Acha? — comenta %Take% pela primeira vez após ter ficado pensativo. %Keigo% o encara.
— Eu tenho algumas coisas para fazer, mais tarde irei até a casa dela. Afinal, ela é minha namorada, né?
O olhar e a fala de %Keigo% foram mais para que %Take% se calasse e não se metesse na vida dele com a %Li%. Pelo menos é isso que %Take% entende ao receber o recado do amigo e resolve se calar, voltando a ficar pensativo. Os pensamentos dele só têm um alvo:
%Li%.
[💻]
São 14h e %Take% caminha apressado empurrando o carrinho de compras pelo mercado. Minutos atrás ele passou na sala de seu chefe de setor e solicitou o resto da tarde de folga, pois tem pouco trabalho para fazer, já que adiantou a maior parte dele. Como é um excelente funcionário e estava realmente com pouco trabalho, %Take% conseguiu sua folga. Aproveitando isso, ele resolve visitar sua amiga %Li%, quebrando toda a promessa que fez semanas atrás. A aproximação dela, tão intimamente, indo até o apartamento da moça certamente será difícil para %Take%, ele sabe disso, porém, não pode ignorar o fato de que ela possa estar precisando do colo do amigo. A visita de %Take% será como amigo e nada além disso. Como
amigo... ele repete essa frase na mente, como um mantra.
Ele sai do mercado com duas sacolas pesadas cheias de guloseimas e alguns artigos para aliviar o mal-estar que %Li% está sentindo, vide o histórico de períodos menstruais dela. Ele entra no carro e segue rumo ao apartamento da moça que não é longe dali. O caminho até ele é tão nostálgico, apesar de fazer mais ou menos um mês que o rapaz o fez pela última vez. O tempo que ficou longe de %Li% fez bem ao %Take%, ajudou o rapaz a colocar as ideias dele no lugar e, principalmente, seus sentimentos.
Enquanto aguarda %Li% abrir a porta, %Take% tenta equilibrar as sacolas pesadas nas pontas dos dedos. Segundos depois, o celular dele toca. Apoiando as sacolas no chão, ele pega o aparelho no bolso. É uma mensagem da %Li%.
14:22 %Take%? Você está aqui na porta ou eu tive uma alucinação por causa da dor?
14:22 HAHAHAHA
14:22 Sou eu sim, %Li%. Abre a porta. Estou aqui na frente. 😁
14:23 O que veio fazer aqui, seu bobo?
14:23 Não posso mais sumir por semanas e depois sentir vontade de ver a minha melhor amiga? 👀
14:23 HAHAHAHA IDIOTA
14:24 O código da porta é 0207, por favor, não repara a bagunça e não deixa o Kuruma fugir! 👀
14:24 Ele está tentando a semana inteira👀
%Take% sorri com a última frase escrita por ela e guarda o celular no bolso da calça novamente, carregando as sacolas em uma das mãos enquanto a outra digita o código no painel eletrônico da porta do apartamento de %Li%. Após destrancar a porta, entrar e voltar a trancá-la, %Take% é recepcionado por Kuruma, o gatinho laranja da %Li%, que logo se enrosca pelas pernas do rapaz. Ele adentra ao apartamento da amiga, que obviamente tem o cheiro dela em todo canto, e tenta não se afetar com isso.
— Onde você está, %Li%? — questiona ele andando até a sala após ter tirado os sapatos.
—
No quarto! — ela grita de volta e %Take% caminha até a cozinha, deixando as comidas que levou para %Li% em cima do balcão. Ao finalizar ele vai até o quarto dela.
— Oi — ele diz, um pouco tímido, e para na porta do quarto.
— Oi, né? Seu idiota... — briga ela e completa: — Entra logo, %Asakawa%.
— Está brava comigo? — indaga ele ao entrar no quarto, Kuruma o segue subindo na cama da dona que usa uma faixa na cabeça para prender os cabelos avermelhados, soltos, com orelhinhas de gato. %Take% acha que ela fica muito fofa com essa faixa.
— O que você acha? — devolve %Li% em tom ainda bravo — Aii... — ela geme e põe a mão na barriga por debaixo do edredom.
— Tomou remédio? — %Take% senta-se na ponta da cama ao lado de %Li%.
— Já, mas parece que hoje a dor está mais forte. O remédio não está dando conta — reclama ela e suspira.
— Vim ver como você está. Trouxe algumas coisas para comermos, mas antes vim aqui ver se está viva — diz ele em tom zombeteiro.
— Bobo — %Li% faz um biquinho com os lábios e %Take% ri.
— Fofa — ele diz sorrindo.
— Achei que tivesse muito trabalho hoje lá no
Back... — comenta ela, referindo-se ao setor de %Take% e surpresa em ver o amigo ali a essa hora.
— Não! — apressa-se ele. — Na verdade, estamos com pouco trabalho. Todos nós adiantamos a remessa que tínhamos para a semana e, devido a isso, eu pedi a tarde de folga — responde ele e %Li% sente a garganta dar um nó de repente, mudando a expressão. — O que foi? — pergunta %Take%, notando a mudança da amiga.
— É que o %Keigo% disse que... bom, ele disse que não poderia vir porque estava com muito trabalho para fazer... — o tom tristonho dela quase parte o coração de %Take% que, sinceramente, está com vontade de partir o queixo de %Keigo% ao meio.
— É... bom, ele deve estar com algum trabalho atrasado, né? — ela ri sem humor e evita encarar %Take%, ele sabe que ninguém em seu setor está com trabalho atrasado.
— Bom, vamos comer?! — ele diz, mudando de assunto para o bem dela e dele também que sente que a raiva está lhe consumindo.
%Li% apenas assente com a cabeça, ainda com um biquinho triste nos lábios, e a expressão ainda mais cabisbaixa. Suspirando, %Take% vai até a cozinha e prepara sanduíches para eles comerem, após tudo pronto, ele volta para o quarto com a bandeja cheia de comida.
—
Wow! Obrigada, %Take%! — agradece ela, animada.
— Tudo para ver você sorrindo — ele diz, abobado e se repreende mentalmente por ter falado nesse tom.
Os dois saboreiam os sanduíches enquanto conversam, como nos velhos tempos. %Take% até se esquece da raiva de %Keigo% que começava a lhe consumir anteriormente. Ele sabe que o amigo mentiu para %Li%, só não entende o motivo da mentira, mas logo descobrirá, a curiosidade que cresce nele é maior e não permitirá que ele fique sem perguntar à %Keigo% o que está havendo de verdade. %Take% pode suportar muita coisa calado, mas, uma coisa que ele
não tolera é que façam a %Li% de boba ou que a façam chorar.
— Sabe, %Take%, eu sinto sua falta — diz %Li% no meio da conversa. — Você está muito distante de mim.
— Fiquei magoada quando você sumiu da boate naquele dia e depois apareceu na empresa com o rosto todo arrebentado — comenta. — Poxa, %Take%, eu sou sua amiga há anos, gosto de estar ao seu lado. Você não gosta mais de mim? — ela questiona em tom magoado. %Take% sente a garganta apertar novamente.
— Claro que eu gosto de você, %Li% — responde ele, rapidamente.
“Até demais...”, ele pensa em lamento.
— Não parece... — ela fala com a voz manhosa e fecha os olhos com força, gemendo em seguida.
— Está doendo muito? — pergunta %Take% após %Li% se dobrar ao meio com as mãos na barriga.
— Uhum... — resmunga ela.
— Em breve o remédio fará efeito, não se agite muito — alerta ele que volta a sentar-se mais perto dela na cama.
De repente, %Li% puxa a mão de %Take% e a conduz por debaixo do edredom, embaixo da blusa dela.
— %Li%! — espanta-se ele com o olhar arregalado.
— Só um pouquinho... sua mão está tão quentinha...
Pede ela e %Take% não tem reação a não ser ajeitar a mão para melhor esquentar a barriga dela. Ele tenta ignorar o fato de sua mão estar muito próxima à virilha de %Li% e de que isso está, de alguma forma, excitando-o. Aos poucos, a expressão de dor que %Li% tem no rosto vai se esvaindo e dá lugar a uma de alívio.
A manha na voz dela faz %Take% sorrir de canto, os olhos fechados dela e a cara
fofa que ela está fazendo agora aquecem o coração do homem que começa a pensar em coisas que ele
não deveria, não agora. Coisas que ele prometeu a si mesmo que deixaria para lá, que esqueceria. Porém, quando está próximo assim da %Li%, não consegue evitar em pensar nelas, em pensar como seria sua vida se ele não se acovardasse e contasse com clareza para ela que a ama, que seu sentimento é real e forte demais para ser ignorado ou deixado no passado. Não é apenas um amor adolescente. Algo casual. Ele a ama de verdade e %Take% não quer mais seguir a promessa que fez a si mesmo.
Distraído em seus conflitos internos, ele sente o corpo ser puxado para frente.
— %Li%?! — ele diz, espantando e se apoia com sua mão livre no colchão, ao abrir os olhos ele vê o olhar dela o encarando tão perto.
— %Take%... — ela diz baixinho, seus olhos passeando pelos olhos dele.
%Li% tira sua outra mão debaixo do edredom e segura o rosto de %Take%, puxando-o para si e, num movimento delicado, ela o beija com carinho.
Fechando os olhos com força e se controlando para não se declarar ali mesmo, o homem se deixa levar pelo beijo de %Li%.
Que beijo acolhedor..., pensa %Li% anestesiada pelos lábios do amigo.
Convicto, %Take% toma uma decisão importante.
[💻]
Assim que o irmão atravessa a porta do apartamento, fechando-a em seguida e joga suas chaves em cima da mesinha que há à frente da porta, %Kohshi% tem a forte sensação de que ele aprontara algo somente em observar atentamente a expressão que ele faz agora.
— Que cara é essa? — questiona %Kohshi% assim que %Take% se senta no sofá, o mais velho estava caminhando de volta para a sala com uma tigela de sopa nas mãos que logo é apoiada por ele na mesinha de centro.
— A minha, ué — %Take% diz, simplesmente.
— Não... essa não é sua cara normal — %Kohshi% está muito desconfiado de que o irmão tenha feito algo errado, pois ele está com a mesma feição de quando brigava no colégio. — O que você aprontou? — conclui o pensamento.
— Nada — o mais novo solta uma risada abafada.
— E por que você está rindo? — ele estreita os olhos e bate nas pernas do irmão, aproximando-se mais dele.
— Não! Fala o que você aprontou, %Take%? — insiste %Kohshi%.
— Eu não fiz nada, juro — defende-se o mais novo.
— Tá!!! — vencido pela insistência do irmão, %Take% confessa: — Eu fui na casa da %Li% hoje à tarde.
— Ahh, por isso você sumiu da empresa. Como ela está?
— Bem... — %Take% abre um sorriso extremamente sugestivo que logo é percebido por %Kohshi%.
— Ah, não, o que aconteceu? — questiona ele, espantado.
— Eu e ela... bom, não foi culpa nossa, foi o momento... — ele hesita.
— %Take%! — %Kohshi% o apressa.
— Nós nos beijamos. Ela teve a iniciativa — %Kohshi% abre a boca e faz um barulho surpreso.
— Você e a %Li%?! Se beijaram de novo??? Ela ainda é namorada do %Keigo%, sabia?! — dispara o mais velho a perguntar.
— Cara, que loucura! — ele finalmente senta-se no outro sofá, de frente para o que %Take% está sentado e pega sua tigela de sopa. — E como foi?
— Foi ótimo — eles riem levemente, o sorriso de %Take% mais animado e feliz que o do irmão.
— Hmmm, mas eu não devo te incentivar com isso.
— %Kohshi%, foi você quem disse para eu lutar ou me esquecer dela — lembra ele.
— Sim, e foi antes do beijo — afirma %Take%.
— Sei... bom, não faça nada para acabar com o namoro deles — a grande preocupação de %Kohshi% é justamente essa: que o irmão troque os pés pelas mãos e faça realmente
de tudo para ficar com a %Li%.
— Eu não sou assim! — alerta o mais novo e completa: — Bom, talvez eu nem precise ir tão longe assim.
— %Keigo% mentiu para ela hoje.
— Sim... disse que estava atolado de trabalho.
— Vocês não tinham quase zerado a demanda do mês? — indaga %Kohshi%, confuso e levando mais uma colher cheia de sopa até sua boca.
— Sim, quase zeramos — confirma.
— Nossa cara, por que ele fez isso?
— Não sei, mas logo irei descobrir.
— %Take%, vai com calma... — ele volta a alertar.
— Eu estou calmo — responde %Take%, aparentemente tranquilo.
— Tenho medo dessa sua calmaria, irmão.
%Take% sorri e fica pensativo de repente. Não é a intenção dele “destruir” o namoro dos amigos, porém, ele não pode ficar omisso a certos fatos. Como por exemplo, o fato de %Keigo% ter mentido para %Li% ao dizer que estava com muito trabalho quando todos sabiam que não é verdade. Os pensamentos diversos do rapaz os fazem fechar os olhos por um instante para poder raciocinar direito. Seria tão errado comemorar que o namoro do seu melhor amigo pode estar por um fio de acabar? Bom, a mente dele está dividida entre “sim, é muito errado ficar, de certa forma, satisfeito com o possível fim do namoro”; e “não, nem é tão errado ficar feliz porque, afinal,
%Take% ama a %Li% e tudo que ele mais quer é ficar com ela”. Porém, se %Keigo% e %Li% realmente terminarem, algum dia, o que garante que %Li% ficará com %Take% após isso? Nada.
E é esse último argumento de sua razão que faz o rapaz pensar em uma possibilidade que a emoção não lhe deixara ver antes.
— Pensando bem aqui... — ele diz cortando o silêncio — Será que ela realmente quis me beijar?
— Como assim? — %Kohshi% leva à boca a última colherada de sopa, finalizando assim sua janta.
— Ela poderia estar fragilizada por causa do período menstrual dela... por isso me beijou.
— %Take%, ela pode realmente gostar de você e por isso te beijou — pontua %Kohshi%.
— Para de me iludir, %Kohshi% — ele solta um suspiro ansioso.
— Estou falando a verdade, seu idiota. Presta atenção... — inicia o mais velho e continua: — a relação dela com o %Keigo% está estremecida. Sabemos que ele tá mentindo para ela e sabemos que ela já sabe disso.
— Mas eles ainda namoram. Eu não vou criar expectativas.
— Você já criou, meu irmão — rebate %Kohshi% e solta uma risada abafada e em tom óbvio. — Dá para ver nos seus olhos e no sorriso idiota que você fez ao me contar do beijo.
Ambos riem abertamente. Não há como esconder essas coisas de %Kohshi%, %Take% até tenta, mas o irmão sempre percebe quando ele está mentindo ou escondendo algo. É inevitável e quase impossível para ele não demonstrar que ama a amiga. Está tão nítido que ele teme que até a própria %Li% já tenha notado e o esteja ignorando ou, de certa forma, o evitando por isso. %Take% não quer pensar nessa possibilidade, seu único objetivo agora é focar em conquistar a %Li% ou, pelo menos, confessar devidamente o seu amor por ela. Mas, para isso, ele terá que rever certa companhia em sua vida:
Harumi.[💻]
O dia seguinte veio e a %Li% ainda não retornara ao trabalho, sua licença menstrual vai até amanhã, então %Take% ainda se sente na obrigação de ir vê-la mais tarde. Mas, antes de ir visitar sua amiga ou amor da sua vida, ele se sente ainda mais na obrigação de saber o motivo de %Keigo% ter mentido para ela. O rapaz aguarda durante todo o expediente, na hora do almoço ele mal toca em sua comida, o que gera grande curiosidade por parte de Harumi e de %Kohshi% que sabem que ele é bastante comilão e dificilmente recusa comida ou deixa de comer.
Após o almoço, todos retornam aos seus setores e, durante o restante da tarde, %Take% alterna seu olhar entre %Keigo% e um ponto qualquer no chão próximo a ele. Se não fosse pelo óbvio fato de %Li% ser namorada de %Keigo%, %Take% não estaria sentindo, no fundo de seu interior, um leve arrependimento de seu ato da tarde passada. A ansiedade por saber o porquê da farsa de %Keigo% está consumindo o %Asakawa% nesse momento. Sua vontade é de arrastar %Keigo% até o canto do escritório e forçá-lo a confessar a verdade.
Ao fim do expediente, todos decidem ir a um bar para um
happy hour no meio da semana, já que hoje é quarta-feira. %Kohshi% havia ligado para Aimi para que ela os encontrasse no bar também, assim que a moça chega, cumprimenta o namorado e senta-se ao lado dele, logo o homem pede uma bebida para ela e prosseguem com a conversa. %Take%, até agora, não emitiu nenhuma palavra, ele apenas lança olhares raivosos para %Keigo% que, assim como nas outras vezes, nota as encaradas do amigo.
— Há algo errado, %Take%? — pergunta %Keigo%, no meio da conversa, todos já levemente alcoolizados. O outro o encara.
— Você quem vai me dizer — lança ele, bebericando sua cerveja.
— Você me encarou o dia inteiro, creio que seja
você a ter algo a me dizer — eles estão um de frente para o outro na grande mesa escolhida para acomodar todos.
— Eu não tenho
nada para te dizer, já você, ah, você tem
muito a explicar — provoca %Take%.
— %Take%, por favor... — pede %Kohshi%, sentindo que o irmão pode perder o controle a qualquer minuto.
— %Kohshi%, controle seu irmão porque ele é um idiota.
— Ah, eu sou um idiota? — %Take% levanta-se da cadeira e %Keigo% o segue, %Kohshi% faz o mesmo.
— Para, %Take%, por favor... — %Kohshi% volta a pedir pondo uma das mãos no peito do irmão.
— O que você quer de mim, %Asakawa%? — diz %Keigo%, irritado. A discussão começa a chamar a atenção das pessoas ao redor.
— Quero que você pare de ser tão
cínico e conte a verdade — insiste ele.
— Mas de que verdade você tanto fala?
— Por que você mentiu para sua namorada hoje? — indaga %Take%, finalmente revelando o motivo de sua irritação. %Keigo% engole em seco.
— Não sei do que está falando...
— Não seja cínico, %Keigo%! — grita %Take%.
— Ok, já chega! — grita %Kohshi%, puxando o irmão para trás. — Vocês dois, reunião agora! — ele aponta para o irmão e para %Keigo% e sai da mesa puxando o irmão consigo para longe dali.
%Kohshi% vai arrastando %Take% para fora do bar e, ao chegar do lado de fora, observa que %Keigo% os seguia. O %Asakawa% mais velho solta a jaqueta do mais novo que consegue respirar livremente sem a pressão exercida anteriormente pelo irmão. O peito dele infla de raiva sentida pelo amigo que agora está encarando os dois aguardando por um posicionamento, qualquer que seja.
— Agora que estamos só nós três — começa %Kohshi%, recompondo-se. — Você pode explicar,
%Keigo%, o motivo de ter mentido para a %Li% — a menção da mentira faz %Keigo% se remexer no próprio eixo, incomodado com a descoberta. — Estou esperando a explicação — reforça.
— Fala de uma vez, cara, e não minta para gente — diz %Take% em tom raivoso.
— %Take%, para — pede %Kohshi%, mas é ignorado já que a postura de %Take% continua firme e irritadiça.
— Eu não sei explicar, tá legal?! — dispara %Keigo% e balança a cabeça negativamente.
— Cara, a gente se conhece desde a infância — inicia %Kohshi% novamente. — Sabe que pode nos contar qualquer coisa, %Keigo%.
— %Kohshi%, eu juro que nem eu sei direito o que estou sentindo.
— Sabe pelo menos o que
não está sentindo? — indaga %Take%.
—
Acho que sim... — ele diz, inseguro.
— Meu Deus, %Keigo%, alguma coisa você tem que saber.
— Espera, do que vocês estão falando? — questiona %Kohshi%, confuso com a conversa paralela deles. — O que você não sabe estar sentindo, %Keigo%? A %Li% tem a ver com isso?
— Tem — responde ele, simplesmente e solta um suspiro longo. — Ela...
— Você não tem certeza se gosta dela, não é? — lança %Take% e recebe o olhar de surpresa imediato de ambos.
— O quê? — %Kohshi% diz, espantado e volta seu olhar para %Keigo%. — Cara, como assim?
— Ele não sabe se ama a %Li% de verdade — %Take% responde pelo amigo, em tom de amargura, ainda encarando-o com muita raiva. A vontade crescente de quebrar o nariz dele é grande.
— Isso é verdade, %Keigo%?
— É... eu não sei... — ele suspira, frustrado. — Eu não sei se realmente amo a %Li%, não o suficiente para namorar com ela.
— Eu vou matar você!!! — %Take% segura %Keigo% pela camisa e %Kohshi% aparta o princípio de briga.
— Chega! Chega!!! — o mais velho diz energicamente.
Segundos depois, enquanto tenta se controlar, %Take% ouve a pergunta quase sussurrante de %Keigo%.
— Você vai contar para ela? — o olhar do %Asakawa% volta a recair sobre o outro.
— Eu não tenho coragem... — ele responde, com sinceridade. Realmente ele não saberia nem como começar essa conversa, por mais que isso o beneficiasse.
— Mas, você vai — enfatiza. — Seja homem e conte para ela ou eu vou te dar uma surra inesquecível nem que isso acabe com a minha amizade com a %Li%, porque sei que ela me odiaria — a raiva excessiva do %Asakawa% faz sua voz tremer enquanto fala, faz também suas mãos suarem e ele sente o descontrole voltar, soltando a respiração profundamente para aliviar a tensão.
— Eu não sei como dizer isso...
— Se a %Li% derramar
uma lágrima por sua causa, eu mato você — ameaça %Take%, novamente.
— Calma, %Take% — diz %Kohshi%, quebrando o próprio silêncio.
— Eu entendi — responde %Keigo%, sem jeito. — Não vou fazê-la sofrer.
As palavras proferidas não convencem %Take%. Envergonhado, o rapaz retorna à mesa, deixando os irmãos à sós. %Kohshi% não culpa %Take% por sentir tanta raiva e querer socar a cara do amigo, ele mesmo sente essa vontade, porém não tem mais coragem de fazer isso, pois acaba, de certa forma, entendendo %Keigo%. Por outro lado, ele sente muito em ver o irmão se consumir em amor e raiva, amor e amizade. O dilema no coração do mais novo é grande e %Kohshi% tem uma leve impressão disso. Ele quis saber como ajudar, mas, o que lhe resta de fato, é apoiar o irmão e orientá-lo da melhor forma para que ele não se perca e não acabe com a amizade que tem com %Keigo% e com a %Li% também.
Sentindo que não há mais clima para nada, %Take% resolve ir embora sem nem se despedir de ninguém.