Sétimo Capítulo
Tempo estimado de leitura: 22 minutos
Acordei com o som de passos apressados vindo do andar de baixo. Pisquei algumas vezes, tentando ajustar meus olhos à luz do quarto, enquanto um peso invisível ainda parecia me prender à cama. Eu tinha dormido mais do que pretendia, mas isso não mudou em nada o cansaço que sentia.
Levantei-me devagar e desci as escadas, onde encontrei meus pais na sala, se arrumando para o jantar na igreja. Minha mãe ajeitava o casaco enquanto meu pai buscava algo nos bolsos. Eles pareciam animados, como sempre ficavam nesta época do ano.
— Ah, %Dino%, você acordou — minha mãe disse ao me notar. — Ainda dá tempo de se arrumar e ir com a gente.
— Não, mãe. — Balancei a cabeça, cruzando os braços. — Eu não vou.
Ela parou o que estava fazendo e me olhou daquele jeito típico dela, como se soubesse exatamente o que se passava na minha cabeça, mesmo que eu tentasse esconder.
— Tudo bem. — Ela se aproximou, acariciando meu rosto com a mão quente. — Até meia-noite estaremos de volta. Não quero que você passe o Natal sozinho.
Suspirei, desviando o olhar.
— Eu vou ficar bem, mãe. Sabe que eu nunca liguei para o Natal.
Ela sorriu, mas havia uma tristeza nos olhos dela que me fez sentir ainda pior.
— Eu sei que o Natal nunca foi sua data favorita... mas também sei que não é só isso. — Sua mão permaneceu no meu rosto, a voz baixa, quase como um segredo. — Não precisa dizer nada, %Dino%. Sei que você não está bem por causa da %Alessia%.
Aquela frase me atingiu mais forte do que eu esperava. Eu abri a boca para responder, mas acabei apenas murmurando:
— Obrigado, mãe. Mas não precisa se preocupar.
Ela assentiu, dando um tapinha leve no meu ombro antes de voltar para o pai.
Alguns minutos depois, os acompanhei até a porta. Ficaram mais um tempo me incentivando a pensar melhor e ir à igreja, mas insisti que não iria. Eles partiram com um último sorriso, e eu fiquei parado na entrada, sentindo o vento frio bater no rosto.
Olhei para a rua coberta de neve e pensei que talvez uma caminhada fosse o que eu precisava. A decoração natalina iluminava as casas ao redor, enchendo o ar de uma alegria que eu não sentia.
Dei alguns passos para fora, mas antes que pudesse ir longe, ouvi vozes familiares. Virei-me a tempo de ver os pais da %Alessia% saindo da casa ao lado, vestidos com casacos pesados e prontos para o jantar.
%Alessia% estava na porta, encostada no batente como se mal tivesse forças para ficar de pé. Ela parecia abatida, com o rosto pálido e o olhar cansado, mas ainda assim... ela era ela. Meu coração disparou como se fosse a primeira vez que a via.
Nossos olhos se encontraram por um instante que pareceu uma eternidade. Ela não sorriu, não falou nada. Apenas me olhou, e eu não consegui decifrar o que aquele olhar significava.
Antes que eu pudesse reagir, os pais dela chamaram por ela. %Alessia% se virou lentamente, o rosto ainda pálido e os olhos baixos, como se estivesse em outro mundo. Notei que ela não vestia o mesmo casaco pesado que os pais, apenas um moletom confortável e meias grossas, o que deixava claro que ela não iria com eles.
Ela trocou algumas palavras rápidas com os dois, provavelmente algo sobre ficar em casa para descansar. Eles assentiram, preocupados, mas não insistiram. Depois de um abraço breve nos pais, %Alessia% deu meia-volta e começou a caminhar de volta para a entrada de casa.
Meu coração disparou, e por um instante pensei em chamá-la, mas as palavras morreram antes de alcançarem minha garganta. Ela não olhou para trás, não hesitou nem por um segundo. Simplesmente entrou e fechou a porta.
Fiquei parado na calçada, o ar frio queimando meus pulmões, enquanto tentava processar o que acabara de acontecer. Ela estava ali, tão perto, mas ao mesmo tempo tão inalcançável. Por mais que eu tentasse me convencer de que era melhor assim, de que ela merecia o espaço e o tempo que precisava, tudo em mim gritava para cruzar aquela distância e bater na porta dela.
Mas eu não fiz nada. Apenas fiquei ali, assistindo à casa silenciosa, enquanto o vazio dentro de mim parecia crescer ainda mais. Por mais que eu tentasse negar, era impossível fugir da verdade:
eu ainda a queria. Mais do que tudo. E talvez nunca tivesse parado de querer.
Fiquei mais alguns minutos ali fora, mesmo com o frio cortante. Olhei ao redor, observando as luzes piscando nas casas vizinhas e os flocos de neve caindo suavemente. O silêncio era quase reconfortante, como se o mundo tivesse parado por um instante.
Abaixei-me, peguei um punhado de neve e a moldei entre as mãos, sentindo o frio atravessar os dedos. Sem pensar muito, comecei a juntar mais neve, empilhando-a até formar uma base.
Eu não fazia um boneco de neve desde criança. Era algo bobo, mas no momento parecia melhor do que ficar preso aos próprios pensamentos. Fiz o corpo, a cabeça e até improvisava detalhes quando a porta atrás de mim se abriu de repente.
Ouvi o som familiar de passos leves na madeira da varanda. Antes que pudesse me virar, a voz dela cortou o silêncio:
— Vai passar o Natal sozinho, %Lee% %Chan%?
Meu corpo travou por um segundo ao ouvir meu nome sair da boca dela. Virei-me devagar, e lá estava ela, encostada no batente da porta, com os braços cruzados e uma expressão cansada, mas curiosa.
Ela parecia mais frágil de perto, o rosto ainda pálido, mas os olhos estavam fixos em mim, esperando uma resposta. Eu não sabia o que dizer. As palavras se embolaram na minha mente enquanto eu tentava pensar em algo que não soasse tão ridículo quanto brincar com neve sozinho na frente da casa dela.
— Eu... — comecei, soltando o ar de forma pesada. — Acho que não tenho muitas opções este ano.
Ela arqueou uma sobrancelha, como se ponderasse minha resposta.
— Não é muito divertido, sabe. Ficar sozinho.
— Também não é muito divertido ser evitado o tempo todo — retruquei antes de conseguir me segurar.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Ela suspirou, olhando para o boneco de neve inacabado, antes de voltar os olhos para mim.
— Talvez você tenha razão. — A voz dela era baixa, mas firme. — Mas algumas coisas precisam de tempo.
Eu assenti, mesmo que as palavras dela me deixassem com um nó no peito. Não sabia o que ela queria dizer exatamente, mas só o fato de termos trocado algumas palavras já parecia um pequeno milagre de Natal.
Ela não esperou pela minha resposta. Depois de dizer o que tinha para dizer, voltou para dentro, fechando a porta atrás de si. Fiquei ali parado por um instante, olhando para onde ela estava, tentando decifrar o que realmente queria dizer com aquilo.
Suspirei e voltei minha atenção para o boneco de neve. Talvez terminar o que eu havia começado me ajudasse a organizar os pensamentos. Ajustei a cabeça do boneco, alisei a superfície da neve e improvisei os olhos com duas pedras que encontrei no chão.
O tempo passou devagar, cada movimento meu acompanhado por uma onda de frustração. As palavras dela ecoavam na minha cabeça, e eu me perguntava se deveria ter dito algo mais. Mas o quê? Toda vez que tentava me aproximar, parecia só piorar as coisas.
Estava tão perdido nesses pensamentos que quase não percebi quando a porta se abriu novamente. O som repentino me fez olhar para cima, e lá estava ela de novo, mas dessa vez com uma expressão completamente diferente.
— Você é sempre assim tão burro ou só está se superando hoje? — ela disparou, os braços cruzados e os olhos brilhando de irritação.
Fiquei boquiaberto, incapaz de formular uma resposta.
— Como assim? — perguntei, confuso, enquanto ela descia os poucos degraus da varanda, parando a alguns passos de mim.
— Eu saio aqui fora, falo com você, dou a deixa perfeita para que você faça alguma coisa... qualquer coisa! E você simplesmente volta a brincar com a neve, como se nada tivesse acontecido! — A voz dela subiu um pouco, mas ainda assim soava rouca, como se o esforço para falar a estivesse desgastando ainda mais. — Sério, %Lee% %Chan%, é tão difícil assim perceber quando alguém precisa de ajuda?
Foi como se um balde de água fria tivesse sido jogado em mim. Eu me senti estúpido, completamente cego para algo tão óbvio. Ela estava doente, sozinha em casa, e eu, idiota como sempre, achava que deveria manter distância em vez de fazer algo por ela.
— %Alessia%, eu... — comecei, mas as palavras falharam.
Ela balançou a cabeça, exasperada, mas sua expressão suavizou ligeiramente.
— Entra logo, antes que pegue um resfriado também — disse, virando-se de volta para a porta sem esperar minha resposta.
Fiquei ali por um momento, sentindo o peso do meu erro, antes de finalmente tomar uma decisão. Peguei o cachecol que estava no pescoço do boneco de neve e o enrolei no meu próprio, seguindo-a para dentro da casa.
Assim que entrei na casa dela, fui imediatamente envolvido por uma onda de nostalgia. Tudo parecia estar exatamente como eu lembrava, como se o tempo tivesse parado ali dentro.
A sala ainda tinha aquele sofá antigo, com o estofado floral que já tinha visto dias melhores, mas que %Alessia% sempre dizia ser o mais confortável do mundo. As paredes estavam decoradas com os mesmos porta-retratos de sempre: fotos da infância dela, dos pais em viagens e até um retrato em grupo tirado em um Natal de anos atrás, com ela usando um suéter vermelho ridiculamente exagerado.
O cheiro também era o mesmo — uma mistura reconfortante de canela, pinho e algo doce, como biscoitos recém-assados. Era como se a casa tivesse uma alma própria, carregada de memórias e momentos que eu não conseguia evitar revisitar mentalmente.
Havia pequenos detalhes que me arrancaram um sorriso involuntário, como a árvore de Natal no canto, decorada com os mesmos enfeites caseiros que %Alessia% dizia nunca trocar porque tinham "história". O boneco de neve feito de meias ainda estava sobre o aparador, com um cachecol improvisado que ela mesma havia tricotado quando era adolescente.
Tudo ali parecia imutável, exceto talvez por mim. Eu me sentia um estranho agora, como se não pertencesse mais àquele espaço que um dia me acolheu tão naturalmente.
%Alessia% me observava discretamente do outro lado da sala, e eu sabia que ela estava avaliando cada um dos meus movimentos, tentando entender o que se passava pela minha cabeça.
— Acho que nada aqui muda, não é? — comentei, mais para mim mesmo do que para ela, minha voz baixa, quase reverente.
Ela deu de ombros, mas havia um pequeno sorriso em seus lábios, cansado, mas genuíno.
— Algumas coisas não precisam mudar.
Eu concordei silenciosamente, sentindo um aperto no peito. Era verdade. Algumas coisas não precisavam mudar, mas outras... outras precisavam desesperadamente. E eu me perguntava se já não era tarde demais para isso.
%Alessia% pigarreou levemente, chamando minha atenção enquanto eu ainda observava os detalhes da sala, perdido em pensamentos. Quando olhei para ela, ela estava encostada na moldura da porta da cozinha, os braços cruzados, mas o olhar um pouco mais suave do que antes.
— %Dino%... — começou, usando o apelido como se testasse sua familiaridade comigo depois de tanto tempo. — Você sabe cozinhar, ou ainda sobrevive à base de comida pronta?
Dei um sorriso discreto, entendendo que era uma tentativa de quebrar a tensão entre nós.
— Digamos que eu evoluí. Acho que consigo ir além do macarrão instantâneo agora.
Ela balançou a cabeça, soltando um suspiro quase divertido, mas logo ficou séria novamente.
— Estou exausta, e, para ser sincera, não tenho energia para preparar algo decente para o Natal... mas pensei que talvez... — Ela hesitou por um momento, como se ponderasse se deveria ou não continuar. — Talvez a gente possa improvisar algo simples. Só para nós dois.
Eu pisquei, surpreso. Não esperava que ela quisesse passar mais tempo comigo, ainda mais assim, tão... íntimo. Mas havia algo em sua expressão que me fez perceber que ela estava tão solitária quanto eu.
— Claro, %Alessia% — respondi, tentando soar mais confiante do que realmente me sentia. — Só me diga o que tem na geladeira, e eu dou um jeito.
Ela riu baixinho, mas era um riso abafado, quase imperceptível, como se até mesmo isso a cansasse.
— Não espero milagres, só algo que não me faça arrepender depois.
— Sem pressão, então, — brinquei, seguindo-a até a cozinha.
Quando entramos, o ambiente estava tão acolhedor quanto o resto da casa, mesmo com a simplicidade. Eu abri a geladeira enquanto ela se apoiava no balcão, observando silenciosamente.
— Certo, temos ovos, queijo, um pouco de presunto e... — fiz uma pausa dramática, segurando um pote de creme de leite. — Acho que podemos fazer uma omelete digna de Natal.
Ela arqueou uma sobrancelha, como se desafiasse minha proposta.
— Digna de Natal? Parece mais um café da manhã tardio.
— Depende do toque especial que a gente der, — retruquei, pegando os ingredientes e colocando-os sobre o balcão.
%Alessia% me observava com um misto de curiosidade e ceticismo enquanto eu começava a organizar tudo. Talvez esse momento, por mais simples que fosse, pudesse ser o começo de algo novo. Um pequeno passo para reparar os estragos que eu havia causado.
Enquanto eu separava os ingredientes, %Alessia% permaneceu apoiada no balcão, me observando em silêncio. O ambiente estava tranquilo, apenas o som baixo do vento lá fora e o estalido suave de um relógio antigo na parede preenchiam o espaço.
— Você parece bem confortável na cozinha — ela comentou, a voz baixa, mas com um tom que carregava um leve toque de provocação.
— Você ficaria surpresa, — respondi com um sorriso de canto, enquanto quebrava os ovos em uma tigela. — Eu aprendi a me virar, sabia?
— Ainda parece estranho te ver assim. — Ela puxou uma cadeira e se sentou, me observando enquanto eu batia os ovos. — A última vez que te vi cozinhando, você quase incendiou uma panela de pipoca.
— Um incidente isolado, — retruquei, rindo baixinho. — E você também não era exatamente a chef mais habilidosa.
— Ei, minhas panquecas eram ótimas! — Ela ergueu a voz, fingindo indignação, mas logo sorriu, e por um momento, senti que estávamos voltando àquela leveza que costumávamos ter.
Preparei a frigideira e comecei a cozinhar a omelete enquanto %Alessia% continuava a me observar, às vezes dando instruções desnecessárias, outras vezes rindo quando eu fazia algo de um jeito diferente do que ela estava acostumada.
— Preciso admitir, — ela disse finalmente, com um sorriso no rosto. — Não é tão ruim te ver assim.
— Assim como? — perguntei, virando a omelete com cuidado.
— Mais... calmo. Talvez mais maduro. — Ela hesitou, como se ponderasse se deveria ter dito aquilo. — Parece que você mudou.
Aquelas palavras me atingiram de forma inesperada. Pareciam carregadas de algo além do momento, algo que ela queria dizer, mas não dizia diretamente.
— Eu mudei, %Alessia%, — respondi, sem tirar os olhos da frigideira. — Ou pelo menos estou tentando.
Ela não respondeu de imediato, e o silêncio que se seguiu foi pesado, mas não desconfortável. Quando finalmente terminei, servi as omeletes em dois pratos e os coloquei sobre a mesa.
— Pronto. — Apontei para os pratos. — Pode não ser um banquete, mas espero que valha a pena.
Ela olhou para o prato, depois para mim, e balançou a cabeça com um sorriso suave.
— Só de não precisar me levantar da cadeira, já valeu.
Sentamos juntos à mesa, e enquanto comíamos, o clima parecia ainda mais leve. Por um breve instante, me permiti imaginar que talvez, só talvez, houvesse uma chance de reconstruir algo entre nós. Não agora, não tudo de uma vez, mas aos poucos, começando por momentos simples como aquele.
Quando terminei, olhei para ela, que ainda comia devagar. Seu rosto parecia menos abatido, mas havia algo em seu olhar que me deixou inquieto — uma mistura de exaustão e algo mais profundo, algo que eu não conseguia decifrar.
— %Alessia%, — comecei, hesitante. — Obrigado por me deixar fazer isso. Por estar aqui.
Ela parou, deixando o garfo sobre o prato, e me encarou por um momento antes de responder.
— Não torne isso maior do que é, %Dino%. — Sua voz era gentil, mas firme. — Foi só uma refeição.
Assenti lentamente, engolindo em seco. Mesmo assim, não pude deixar de pensar que, para mim, aquilo significava muito mais.
Depois que terminamos de comer, %Alessia% sugeriu que nos sentássemos no sofá para "descansar um pouco". Assenti, embora sentisse que a proximidade poderia trazer à tona tudo o que eu tinha reprimido até então.
O silêncio entre nós era palpável, quase desconfortável. Eu podia ouvir o som do relógio na parede e o barulho distante do vento lá fora. %Alessia% cruzou as pernas, olhando para frente, mas sem realmente focar em nada. Eu, por outro lado, não conseguia tirar os olhos dela.
— %Alessia%... — comecei, hesitando.
Ela virou o rosto para mim, arqueando as sobrancelhas, mas sem dizer nada. Tomei aquilo como um sinal para continuar.
— Eu sei que estraguei tudo entre nós. E sei que talvez seja tarde demais para tentar consertar qualquer coisa, mas... — Parei, respirando fundo. — Eu ainda te amo. Sempre amei.
Por um momento, o silêncio se estendeu entre nós como uma corda prestes a arrebentar. %Alessia% não disse nada, mas sua expressão mudou. Havia algo nos olhos dela, uma mistura de surpresa, dor e talvez... saudade. Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ela se aproximou lentamente.
E então aconteceu. O beijo não foi apressado, nem impulsivo. Foi lento, carregado de tudo o que tínhamos segurado por tanto tempo. Era como se, por um instante, o mundo tivesse parado, e nada mais existisse além de nós dois.
Quando nos separamos, ambos estávamos ofegantes. %Alessia% olhou para mim, e antes que eu pudesse decifrar sua expressão, ela se levantou de repente, como se tivesse sido atingida por uma onda de realidade.
— %Alessia%? — Levantei-me também, preocupado.
— Por que você tinha que estragar tudo? — Ela gritou, a voz tremendo de raiva e dor. — Por que você simplesmente não pode me deixar em paz?
— Eu... — Comecei, mas antes que pudesse dizer mais alguma coisa, ela me empurrou com força, fazendo-me dar um passo para trás.
— Você sempre faz isso, %Dino%! Sempre! — Ela começou a desferir tapas contra meu peito, as palavras saindo em meio a soluços. — Por que agora? Por que justo agora, quando eu finalmente estava tentando seguir em frente?
Eu a segurei pelos pulsos, não com força, mas o suficiente para interromper seus movimentos.
— %Alessia%, por favor... — Minha voz saiu quase como um sussurro. — Eu não estou aqui para te machucar. Eu só...
Ela tentou se soltar, mas depois de alguns segundos, desistiu. Seus ombros caíram, e ela começou a chorar. Sem pensar, a puxei para um abraço. Ela resistiu no início, mas logo se entregou, escondendo o rosto contra meu peito.
— Eu não sei o que fazer com isso, %Dino%... — Ela murmurou, a voz abafada pelas lágrimas. — Eu não sei mais como lidar com você, comigo... com tudo isso.
Eu a segurei com força, sentindo meu próprio coração apertado.
— Eu também não sei, — confessei. — Mas quero tentar. Quero consertar o que estraguei, %Alessia%. Se você me deixar…
Ela não respondeu de imediato, mas o simples fato de não me empurrar de novo já parecia um pequeno milagre. Enquanto ficávamos ali, abraçados, percebi que talvez aquele fosse o primeiro passo. Mesmo que incerto, era um começo.
⚠️⚠️⚠️
"I can unmake all we were made to be
But I can't make you come back to me"