Terceiro Capítulo
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A chuva caía pesada, cada gota se misturando com a culpa que pesava em meus ombros. Eu estava parado na porta do prédio onde ela trabalhava, encharcado até os ossos, mas incapaz de sair dali. A cada minuto que passava, o vento gelado parecia zombar da minha insistência, mas eu não conseguia me mexer.
Quantas vezes eu já estive nessa posição? Não literalmente na chuva, mas esperando. Esperando que ela voltasse, esperando que ela perdoasse, esperando que ela fizesse por nós dois o que eu nunca tive coragem de fazer.
Dessa vez era diferente. Não havia mais garantias. Eu sabia disso. E mesmo assim, não consegui ficar longe.
As pessoas passavam por mim apressadas, protegidas por guarda-chuvas ou correndo para escapar da tempestade. Mas eu estava ali, fixo, os olhos grudados na porta de vidro do prédio, esperando que %Alessia% aparecesse.
Eu me lembrava do quanto fui estúpido. Do quanto a subestimei. Havia um tempo em que eu pensava não precisar dela, que minha vida seguiria igual, com ou sem sua presença. Mas o tempo passou e me provou o contrário. A cada dia sem ela, a cada noite em claro, percebi o quanto dependia do seu riso, da sua paciência, do seu jeito de me entender quando nem eu mesmo conseguia.
E agora, eu era a chuva que estragava o desfile dela. Eu era o motivo pelo qual ela havia seguido em frente, o peso que ela tinha deixado para trás.
Ela era boa demais para mim. Sempre foi. E eu, na minha arrogância, nunca acreditei que pudesse perdê-la. Talvez porque, no fundo, eu soubesse que não a merecia.
Os ponteiros do relógio giravam, mas eu não me movia. Não sabia se ela sairia por aquela porta, se sequer aceitaria falar comigo. Mas isso não importava. Eu precisava tentar. Pela primeira vez, precisava ser eu a lutar, mesmo que fosse tarde demais.
Quando a porta automática finalmente se abriu e ela surgiu, por um momento o tempo pareceu parar. %Alessia% estava com um casaco grosso, protegida da chuva, mas o olhar dela era frio, distante, como se me atravessasse sem me ver.
— O que você está fazendo aqui? — a voz dela cortou o som da chuva como uma lâmina.
Tentei responder, mas as palavras se engasgaram. Ela não parecia surpresa, apenas cansada. Como se eu fosse um fardo que ela já tinha decidido largar.
— Precisamos conversar, — foi tudo o que consegui dizer, a voz baixa, quase inaudível.
— Agora você quer conversar? — Ela soltou uma risada amarga, cruzando os braços. — Depois de tudo?
Eu não tinha resposta. Não tinha desculpas. Apenas estava ali, com a chuva caindo ao meu redor, esperando por uma chance que talvez nunca viesse.
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“I can make a world out of broken dreams
I can make you say things you don't mean
I can unmake all we were made to be
But I can't make you come back to me”