Back to Me


Escrita porBetiza
Editada por Lelen

Quinto Capítulo

O dia começou com o som irritante da chuva batendo na janela, mas o que realmente me incomodava era o silêncio. O tipo de silêncio que %Alessia% deixava quando decidia que não me daria mais atenção.
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  Eu liguei para ela. E liguei de novo. O telefone chamou até cair na caixa postal. Então tentei outra vez. E outra.
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  Nada.
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  Era como se cada ligação sem resposta fosse uma nova confirmação do que eu já sabia, mas ainda não queria aceitar: ela estava me ignorando, e eu provavelmente merecia isso.
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  No trabalho, eu estava ali de corpo, mas minha mente permanecia presa a %Alessia%. Meus colegas faziam perguntas, e eu respondia com um aceno de cabeça ou um murmúrio qualquer. Nada que exigisse muito raciocínio.
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  Entre uma tarefa e outra, eu checava o telefone, esperando alguma notificação. Um “oi”, uma mensagem, qualquer coisa. Mas o silêncio seguia me esmagando.
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  Tentei concentrar-me, mas até as coisas mais simples pareciam insuportavelmente complicadas. Papeis se acumulavam na minha mesa, e eu apenas empurrava de um lado para o outro, sem resolver nada. A cada pausa, o telefone voltava à minha mão, mas a tela continuava vazia.
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  Quando finalmente voltei para casa, o cansaço me abateu. Meu corpo parecia pesado, mas minha mente ainda estava inquieta, repleta de cenas dela que eu não conseguia apagar. Joguei-me na cama, os pensamentos me perseguindo até o sono.
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  E foi lá que ela me encontrou de novo.
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  No sonho, ela estava rindo. O som suave e familiar, como música. Nós estávamos juntos, mas era uma lembrança distorcida, um amontoado de momentos felizes que agora pareciam tão distantes. Ela estava perto, mas eu não conseguia alcançá-la, como se algo invisível nos mantivesse separados.
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  Acordei com o peito apertado e o quarto mergulhado em penumbra. O relógio marcava pouco depois das nove da noite.
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  Levantei-me, indo direto para o chuveiro. A água quente escorria pelo meu corpo, mas não fazia nada para aliviar o peso na minha mente. Saí ainda molhado, prendendo a toalha ao redor da cintura, e me joguei no sofá, o celular já na mão.
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  Foi aí que vi.
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  Uma notificação nas redes sociais. Uma amiga dela havia postado stories: %Alessia%, com um sorriso que me doeu mais do que qualquer insulto que ela pudesse me lançar. Ela estava no bar. A localização marcada.
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  Meu coração disparou.
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  Eu sabia que era uma má ideia. Sabia que, se eu aparecesse, provavelmente estragaria tudo mais uma vez. Mas a ideia de ficar parado, de não fazer nada enquanto ela estava tão perto, era insuportável.
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  Levantei-me rapidamente, trocando de roupa com mãos trêmulas. Não sabia exatamente o que ia dizer ou fazer, mas naquele momento, só uma coisa importava: eu precisava vê-la.
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  Peguei as chaves e saí porta afora, com a imagem dela ainda fresca na minha mente e uma determinação que beirava o desespero.
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  O bar estava lotado, um caos de vozes, música alta e luzes piscando. Mesmo assim, meus olhos encontraram %Alessia% facilmente. Ela estava no balcão, rindo de algo que o cara ao lado dela dizia. Ele estava inclinado para mais perto do que eu conseguia suportar, como se estivesse à vontade demais.
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  A cena fez meu sangue ferver, mas ao mesmo tempo, um medo frio percorreu meu corpo. E se eu realmente a tivesse perdido?
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  Não pensei duas vezes antes de atravessar o espaço entre nós.
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  — %Alessia%. — Chamei-a com firmeza, minha voz cortando o som ambiente.
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  Ela levantou os olhos para mim, surpresa por um momento, mas logo sua expressão se fechou.
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  — O que você está fazendo aqui? — perguntou, a voz baixa, mas carregada de irritação.
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  O cara ao lado dela olhou de mim para ela, desconfiado.
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  — Quem é ele? — Ele perguntou, claramente desconfortável.
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  Antes que %Alessia% pudesse responder, eu disparei:
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  — Eu sou o cara que está tentando consertar as coisas. Podemos conversar?
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  Ela suspirou, parecendo cansada.
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  — Isso não é hora, nem lugar, — respondeu, voltando sua atenção para o homem. — Desculpa, mas acho que minha noite acabou.
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  — Tem certeza? — Ele insistiu, parecendo querer se certificar.
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  — Tenho, — ela disse, claramente tentando encerrar a conversa.
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  O rapaz deu de ombros, claramente desconfortável com a tensão no ar, e saiu sem dizer mais nada. Assim que ele desapareceu na multidão, %Alessia% levantou-se, pegou sua bolsa e saiu em direção à porta.
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  Eu a segui, incapaz de simplesmente deixá-la ir.
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  — %Alessia%, espera. — Minha voz soava quase desesperada, e eu sabia disso.
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  Ela parou no meio da calçada, virando-se para mim com os olhos faiscando.
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  — O que você quer de mim %Dino%? — perguntou, cruzando os braços.
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  — Quero uma chance, só uma. Quero explicar tudo, consertar o que eu estraguei. — As palavras saíram apressadas, quase tropeçando umas nas outras.
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  — Você já teve chances demais. — Ela balançou a cabeça. — Eu cansei de esperar, de ouvir promessas que nunca se concretizam.
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  — Eu sei, — murmurei, dando um passo à frente. — Sei que estraguei tudo, mas, %Alessia%, eu não consigo desistir de você.
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  Ela ficou em silêncio por um momento, os olhos avaliando meu rosto. Algo no jeito como me olhava parecia menos frio, mas ainda havia uma barreira ali, difícil de atravessar.
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  — Por que agora? — perguntou, sua voz mais suave, mas ainda carregada de mágoa.
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  Eu não tinha uma resposta perfeita, então fui honesto:
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  — Porque só agora eu percebi o quanto você significa para mim.
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  Ela abriu a boca para responder, mas as palavras não vieram. Antes que pudesse se afastar de novo, eu dei mais um passo à frente, reduzindo a distância entre nós.
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  — Por favor, só me diz que ainda sente alguma coisa, — pedi, minha voz quase quebrando.
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  Por um instante, parecia que ela ia embora. Mas então, como se algo dentro dela cedesse, ela me puxou pela gola da camisa e me beijou.
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  Foi intenso, desesperado, carregado de todas as emoções que nós dois vínhamos acumulando. Por um momento, nada mais importava além do toque dos seus lábios nos meus.
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  Quando ela finalmente se afastou, respirávamos ofegantes.
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  — Isso não muda nada, — ela disse, mas sua voz estava fraca, quase um sussurro.
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  — Talvez não, — respondi, segurando seu rosto entre minhas mãos. — Mas ainda assim, você me beijou.
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  Ela balançou a cabeça, parecendo frustrada consigo mesma.
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  — Você me tira do sério, — murmurou antes de se virar e começar a andar.
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  Eu a deixei ir, desta vez sem tentar segui-la. Fiquei ali parado, a sensação do beijo ainda ardendo nos meus lábios, enquanto o som dos seus passos se perdia na distância.
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⚠️⚠️⚠️

“And I remember when you still needed me
Don't know how I let it go so easily
Now, I'm the cloud to your sunny days
Reason you run away
Don’t know how I keep making the same mistakes
Maybe I never deserved you anyway”

Quinto Capítulo
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