Segundo Capítulo
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A caminhada de volta para casa foi longa. Ou talvez não fosse. Eu não sabia dizer, o tempo parecia distorcido na minha mente, assim como todas as lembranças que vinham à tona, me atingindo como um soco no estômago.
Ela costumava me ligar o dia todo. Quando brigávamos, era sempre assim. O celular vibrava incessantemente, e eu olhava para a tela, vendo o nome dela aparecer repetidamente. Uma parte de mim sabia que eu deveria atender. Que eu deveria ter atendido.
"Ela vai me perdoar," eu dizia para mim mesmo. Sempre dizia. E ela sempre perdoava.
Naquele tempo, eu achava que as coisas eram simples. Que o amor dela por mim era inabalável. Que eu podia errar, e ela estaria ali, esperando com os braços abertos. Eu puxava minha sorte como uma corda frágil, testando até onde poderia ir antes que ela se rompesse.
Me lembro de uma vez, sentado no sofá da sala, enquanto o telefone vibrava na mesa de centro. Eram onze da noite. A décima segunda ligação dela no dia. Eu apenas olhei para o aparelho, suspirei e o virei para baixo, ignorando o som.
“Ela está exagerando,” eu disse a mim mesmo. Uma desculpa patética para a minha própria covardia.
Agora, parado na porta do meu apartamento vazio, percebia o quanto fui idiota. Tudo o que ela queria era falar, resolver as coisas. Era tão simples. Ela me dava tudo, até o que eu não merecia. E eu? Eu dava silêncio.
Fechei a porta atrás de mim e larguei as chaves na mesa. O eco do metal contra a madeira parecia gritar pela casa vazia. Sempre tive a cabeça nas nuvens, como se nada disso fosse importante o suficiente para eu levar a sério.
Só agora, quando já não tinha mais o que levar a sério, entendia o que havia perdido.
Joguei-me no sofá, passando as mãos pelo rosto. Ainda podia ouvir a voz dela na minha cabeça, mesmo que há dias ela não dissesse uma palavra para mim.
“Você nem tenta,” ela disse na última vez que brigamos.
“Eu faço tudo, e você só espera que eu esteja aqui. Para sempre.” Na hora, eu tinha revirado os olhos, como se fosse um drama exagerado. Agora, sentado no escuro, as palavras dela eram tudo o que eu conseguia ouvir.
Eu a tomei como garantida. Tomei o amor dela, a paciência dela, os esforços dela como algo garantido. E agora? Agora, tudo o que eu tinha era arrependimento.
Peguei o celular. Nenhuma notificação. Nenhuma ligação perdida dela. Pela primeira vez, ela não tentou.
E eu finalmente entendi o que era perdê-la.
⚠️⚠️⚠️
“I remember thinking, I don't need you
But then time passed by and it's so untrue
Now, I'm thе rain over your parade
Reason you'rе over me
Yeah, I always keep making the same mistakes
Maybe I never deserved you anyways”