Quarto Capítulo
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A chuva não tinha parado, e o vento cortava como facas enquanto %Alessia% caminhava apressada em direção ao metrô. Eu a segui, sem me importar com os olhares curiosos ou com os pés encharcados que escorregavam na calçada molhada.
— %Alessia%, espera! — gritei, minha voz abafada pelo barulho dos carros e da tempestade.
Ela não diminuiu o passo, mas o ombro dela ficou tenso, como se cada palavra minha fosse um peso a mais que ela não queria carregar.
— Não há mais nada para dizer, — ela disparou por cima do ombro, sem sequer me olhar.
— Não é verdade! — Acelerei o passo, tentando alcançá-la. — Por favor, me deixa explicar!
— Explicar o quê, exatamente? — Ela parou de repente, me obrigando a quase tropeçar para evitar esbarrar nela. %Alessia% se virou, os olhos brilhando, mas não de lágrimas. Era raiva. — Explicar como você destruiu tudo o que construímos? Ou como você sempre me fazia dizer coisas que eu não queria? Coisas que me machucavam?
Engoli em seco, mas não consegui responder. Ela aproveitou o silêncio para continuar:
— Você sempre teve esse poder sobre mim, sabia? Me fazia acreditar em promessas que nunca seriam cumpridas. Me fazia dizer que estava tudo bem quando não estava. E eu... eu deixava.
— %Alessia%, eu sei que errei, — comecei, minha voz mais baixa. — Mas eu nunca quis que fosse assim. Eu só...
— Você só o quê? — Ela deu um passo à frente, os olhos fixos nos meus. — Sempre soube que eu te amava o suficiente para tentar consertar o que você quebrava. Sempre soube que eu ficaria, não importa o quanto você me empurrasse para longe.
Ela passou a mão pelos cabelos molhados, respirando fundo como se tentasse manter o controle.
— Eu fiz de tudo por você, — ela continuou, o tom agora mais calmo, mas ainda afiado. — Eu tentei tanto nos manter inteiros, mesmo quando parecia que você fazia questão de nos despedaçar. Mas sabe o que eu percebi?
Eu não queria ouvir. Não queria que ela dissesse, mas sabia que precisava.
— Eu não posso continuar remendando algo que você não se importa em quebrar.
— Isso não é verdade! — exclamei, a voz mais alta do que eu pretendia. — Eu me importo. Sempre me importei!
Ela riu, mas foi um som frio, vazio.
— Se você realmente se importasse, não teríamos chegado a esse ponto.
Ela começou a se virar, mas estendi a mão, segurando seu braço.
— Eu posso mudar, %Alessia%. — Minha voz tremeu. — Me dá uma chance. Eu posso consertar isso.
Ela se desvencilhou do meu toque, os olhos brilhando com algo que parecia ser mais dor do que raiva agora.
— Você sempre acha que pode consertar as coisas quando está prestes a me perder, — ela murmurou. — Mas eu não posso mais viver esperando por algo que nunca vai acontecer.
Ela deu mais um passo para trás, afastando-se.
— Você pode fazer o que quiser, — ela disse, a voz quase se perdendo no barulho da chuva. — Pode criar um mundo com seus sonhos quebrados, pode até tentar consertar os seus erros, mas eu não vou voltar.
E com isso, ela se virou e desapareceu entre as pessoas que entravam no metrô. Eu fiquei ali, parado, com a chuva escorrendo pelo rosto e a sensação esmagadora de que, pela primeira vez, ela realmente tinha ido embora.
⚠️⚠️⚠️
“Calling all day, tryna make things right
Just to fuck it all up when I see you tonight
Since you told me, hit the road
I've been running on empty
If anything I know, it's how to ruin a happy ending”