Oitavo Capítulo
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Quando %Alessia% finalmente se afastou, limpou as lágrimas de forma apressada com as costas da mão. Seus olhos ainda estavam vermelhos, e havia uma vulnerabilidade que ela tentava, sem muito sucesso, esconder.
— Eu... preciso de um banho, — ela disse, a voz quase um sussurro. Sem me encarar, virou-se e caminhou em direção ao corredor que levava ao banheiro.
Fiquei parado, observando-a desaparecer pela porta, ouvindo o som da água começar a correr. E então, o silêncio voltou a preencher a sala.
Me sentei no sofá novamente, passando as mãos pelos cabelos e deixando escapar um suspiro pesado. Eu tinha achado que o beijo significava algo, que talvez fosse o começo de uma reconexão, mas agora... agora tudo parecia mais confuso do que nunca.
A casa estava quieta, mas minha mente era um caos. As palavras dela ecoavam, misturando-se às minhas próprias dúvidas e arrependimentos. "Por que você tinha que estragar tudo?" Eu não sabia como responder a isso. A verdade era que eu sempre estraguei tudo. Sempre me achava capaz de consertar o que quer que fosse, mas, com %Alessia%, parecia impossível.
Olhei ao redor. A decoração de Natal dela era simples, mas bonita, como ela. Havia pequenas luzes penduradas ao redor das janelas, piscando suavemente, e uma árvore pequena, decorada com cuidado. Ela sempre gostou de Natal, sempre colocou um pedaço dela em cada detalhe.
E eu, como sempre, me sentia deslocado nesse mundo que ela criava. Um mundo onde eu nunca soube se tinha um lugar.
Suspirei novamente, encostando a cabeça no encosto do sofá. Talvez ela estivesse certa. Talvez eu nunca devesse ter aparecido. Talvez eu nunca merecesse o amor que ela me deu, tão generoso, tão cheio de esperança.
Mas o que eu deveria fazer agora? Apenas ir embora? Apenas aceitar que eu tinha perdido ela para sempre?
Fechei os olhos, tentando ignorar a dor crescente no peito, mas era inútil. Eu sabia que, não importa o quanto tentasse, não poderia forçar %Alessia% a me aceitar de volta. Eu podia desmanchar tudo o que fomos, mas nunca seria capaz de refazer o que ela sentia por mim.
Enquanto o som da água continuava ao fundo, fiquei ali, sozinho com meus pensamentos e a certeza de que, pela primeira vez, eu não tinha ideia de como seguir em frente.
O som da TV preenchia a sala, mas eu não estava prestando atenção no que passava. Minhas mãos estavam cruzadas no colo, e o peso do silêncio, apenas quebrado pelas vozes distantes no aparelho, parecia me consumir.
Depois de algum tempo, ouvi passos suaves vindo do corredor. Virei a cabeça e a vi surgir, vestindo uma roupa quente, com os cabelos ainda úmidos do banho. Ela parecia tão frágil e, ao mesmo tempo, tão forte naquele instante, como se carregasse o peso de todo o passado entre nós nos ombros.
Antes que eu pudesse dizer algo, ela caminhou até o sofá e, sem cerimônia, se ajeitou ao meu lado, encostando-se no meu peito. A surpresa me deixou imóvel por um segundo, mas, instintivamente, envolvi-a com os braços, puxando-a para mais perto.
O cheiro fresco do sabonete misturado com o calor do corpo dela me trouxe uma paz inesperada, algo que eu não sentia há muito tempo. Por um momento, fechei os olhos, apenas sentindo a presença dela ali, tão próxima.
— Feliz Natal, %Lee% %Chan%, — ela murmurou, a voz baixa e tranquila.
Um pequeno sorriso escapou, apesar de tudo.
— Feliz Natal, %Alessia%.
Ficamos em silêncio por alguns minutos, apenas aproveitando aquele momento que parecia roubado de uma realidade que não nos pertencia mais. Mas, como sempre, %Alessia% quebrou o silêncio, trazendo-me de volta ao chão.
— Não estamos voltando, ok? — ela disse, com um tom firme, mas sem mágoa. — É só o Natal amolecendo meu coração.
Aquelas palavras me atingiram, mas, ao mesmo tempo, havia algo reconfortante em sua honestidade. Apenas assenti, embora ela não pudesse ver.
Ela se acomodou ainda mais contra mim, e eu fechei os olhos, soltando um longo suspiro. Eu sabia que, quando a noite terminasse, tudo voltaria ao normal, como ela havia dito. Mas, por enquanto, eu me permitiria aproveitar aquele pequeno milagre de Natal.
E assim ficamos, em um silêncio confortável, enquanto o mundo lá fora seguia seu curso.
Fim