Capítulo Três
A luz suave do abajur iluminava o quarto do hotel, enquanto %Yeosang% se sentava na cadeira perto da janela, observando a cidade de Seul lá fora. Ele ainda estava vestido com o terno, a gravata apertada no pescoço e a sensação de irritação queimando dentro dele. Já era de madrugada, e, apesar de o evento ter terminado horas atrás, sua mente não conseguia encontrar paz.
Ele pegou seu celular da mesa de cabeceira e abriu o artigo de %Mirae%. Como sempre, ela era implacável em suas palavras, analisando cada atleta com a precisão de uma crítica que só ela sabia fazer. Mas havia algo diferente naquela cobertura. Ela havia sido, aparentemente, imparcial com a maioria dos atletas, destacando suas conquistas e falhas com um equilíbrio que ele nunca imaginaria que ela tivesse. No entanto, ao chegar a sua parte, %Yeosang% percebeu que havia algo desconcertante.
Havia uma linha ali, uma única linha que o fez parar de ler por um momento, o coração batendo mais forte.
"%Yeosang%, embora seu desempenho tenha sido abaixo das expectativas, a determinação que ele demonstrou durante a competição foi inegável, e seu discurso após a premiação mostra uma força que poucos possuem." Foi o primeiro elogio genuíno que ele viu dela. Ele leu aquela frase várias vezes, tentando entender o que isso significava. Não sabia se se sentia mais irritado por ela finalmente encontrar algo positivo para escrever ou por ela ainda ter deixado claro que ele estava longe de ser perfeito, mesmo com o elogio.
A raiva tomou conta dele mais uma vez. Ele fechou o celular com força e se levantou da cadeira, começando a caminhar pelo quarto, tentando controlar a frustração. Ele sentia como se tudo o que fazia fosse ser analisado sob a lente crítica dela, e, por mais que ele tentasse se manter impassível, aquilo estava começando a afetá-lo de uma maneira que ele não gostava.
Foi então que houve uma batida na porta. Ele bufou, irritado, achando que seria um dos outros atletas tentando encontrar algo para fazer ou conversar sobre a noite. Mas, ao abrir a porta, encontrou seu treinador ali, com um olhar preocupado, mas também uma expressão de quem já sabia que isso era algo que ele precisaria lidar.
— %Yeosang%, posso entrar? — perguntou o treinador, já empurrando a porta, sem esperar a resposta.
%Yeosang% não se moveu. Seus olhos estavam fixos no treinador, agora respirando pesadamente.
— O que foi? — ele respondeu, a raiva transparecendo em sua voz.
O treinador entrou e fechou a porta atrás de si, olhando para %Yeosang% com um semblante sério, mas calmo.
— Eu sei o que aconteceu — o treinador começou. — Você ainda está se sentindo pressionado com a cobertura, né?
%Yeosang% olhou para ele, ainda sem dizer nada. Ele não sabia o que responder. Como poderia explicar que o que mais o incomodava não era a pressão, mas o fato de %Mirae% ter, mais uma vez, mexido com sua cabeça?
— Eu só não aguento mais — ele disse, finalmente, a frustração transbordando. — Eu tento fazer o meu melhor, e parece que ela nunca vai reconhecer o suficiente. Ela só sabe criticar, só sabe jogar minhas falhas na minha cara, e eu… eu não suporto mais isso!
O treinador suspirou e se aproximou dele, colocando a mão em seu ombro, tentando acalmá-lo.
— Eu entendo, mas você precisa aprender a controlar isso, %Yeosang%. Você sabe que, no fim das contas, ela faz isso para provocar. Você só precisa se concentrar no que importa, não nas palavras dela.
Mas %Yeosang% não conseguia parar de pensar nela, nas críticas, nos elogios que quase não pareciam reais. Ele se afastou abruptamente do treinador.
— Não, eu não consigo. Isso está me consumindo, entende? — Ele olhou para o treinador com os olhos brilhando de raiva. — Eu preciso falar com ela, resolver isso de uma vez por todas.
O treinador pareceu hesitar, mas sabia que não poderia impedir %Yeosang%. Ele pegou o celular do bolso e, com um suspiro, disse:
— Se você acha que isso vai te ajudar, tudo bem. Mas não se esqueça de que as palavras podem cortar muito mais fundo do que você imagina. Aqui está o contato dela — o treinador entregou o número de %Mirae%.
%Yeosang% pegou o papel com o contato e olhou para o treinador com um olhar de gratidão misturado com frustração.
— Agora, por favor, me deixe sozinho — ele pediu, sua voz firme.
O treinador hesitou por um momento, mas, vendo o quanto ele estava alterado, deu-lhe um breve aceno de cabeça e saiu do quarto.
Quando a porta se fechou atrás dele, %Yeosang% ficou sozinho no quarto, ainda com o celular nas mãos. Ele olhou para a tela por um momento, o peso da decisão sobre ele. Finalmente, ele suspirou e começou a desfazer os nós da gravata. A irritação cresceu ainda mais quando ele a retirou e a jogou sobre a cama com um gesto brusco. Ele não aguentava mais estar naquele estado de tensão. O que mais ele tinha a perder?
Ele pegou o celular e, sem hesitar, discou o número de %Mirae%. O telefone tocou uma vez, depois duas, até que finalmente a voz dela soou do outro lado.
“%Mirae%, é o %Yeosang%” — ele disse, com uma raiva que não podia mais esconder —
“Eu topo a entrevista. Mas tem que ser agora, nesse instante, ou nunca mais.” Houve uma pausa do outro lado da linha, e ele podia sentir a surpresa dela, mas também o desafio. Ela provavelmente sabia que ele cederia, mas não da maneira como ele agora estava fazendo. Ele estava sendo impessoal, direto, e isso parecia a única maneira de lidar com ela.
“Se você quer que seja agora, então será agora” — ela respondeu, com a voz já mais firme, como se soubesse que esse seria o momento decisivo para ambos.
%Yeosang% soltou o ar que estava prendendo, como se, ao finalmente tomar a decisão, ele tivesse também liberado parte de sua raiva. Mas sabia que aquilo estava apenas começando.
🏹🏹🏹
%Yeosang% estava de pé, parado diante da porta do quarto do hotel, sentindo o peso da decisão pesar ainda mais agora que ele realmente estava prestes a enfrentar %Mirae%. Quando ele girou a maçaneta e abriu a porta, lá estava ela.
%Mirae% estava parada no corredor, ainda vestida com o elegante vestido de gala, o brilho do tecido refletindo a luz suave do corredor. A taça de champanhe em sua mão reluziu, o líquido dourado dançando dentro do copo como se estivesse ali apenas para aumentar a ironia da situação. Ela parecia calma, mas havia um brilho de diversão em seus olhos que não passou despercebido por %Yeosang%.
Ela levantou uma sobrancelha e, com um sorriso desafiador, disse:
— Não foi convidado para o
after party? — a provocação em sua voz era clara, a atitude dela de quem estava se divertindo com a situação.
%Yeosang% a olhou por um momento, seus olhos frios, mas seu sorriso escondendo algo mais, algo que ele não queria admitir. Ele cruzou os braços e respondeu com um tom igualmente cortante:
— Pelo visto você ficou procurando por mim... Sua obsessão está mais séria do que eu imaginei.
Ela não se moveu, apenas observou-o com aquele sorriso afiado. Ela sabia exatamente como mexer com ele, como provocar as reações que ela queria ver. %Mirae% deu um passo em sua direção, ainda segurando a taça de champanhe, e o olhar entre os dois ficou mais intenso. A tensão era palpável, como se cada palavra que trocassem fosse uma batalha que ambos sabiam que não poderiam evitar.
— Obsessão, é? — ela disse, com a taça erguida, girando o copo enquanto olhava para ele, como se estivesse saboreando cada palavra — Você realmente acredita nisso, %Yeosang%? Ou é só uma desculpa para não admitir que você está começando a se interessar por essa conversa?
Ele balançou a cabeça levemente, como se estivesse lutando contra a vontade de ceder à provocação dela. Ela estava sempre assim, desafiadora, afiada, como uma lâmina que sabia exatamente onde cortar.
— Eu não sou você, %Mirae%. Não fico por aí procurando motivos para me envolver em mais confusão — respondeu, sua voz grave e controlada, mas com uma tensão crescente.
Ela deu um passo à frente, agora bem próxima, e ele podia sentir o perfume dela, doce e enigmático. Aquela proximidade, essa troca de palavras afiadas, estava começando a mexer com ele de um jeito que ele não conseguia controlar. Ela sorriu, sem perder o olhar desafiador.
— Não sei se é confusão ou se você está começando a perceber que esse jogo é mais interessante do que você pensava — ela provocou, sem se intimidar. — Eu estava esperando você, na verdade. Sabia que, no final, não iria resistir.
%Yeosang% a olhou por um momento, sem saber se estava irritado ou se a provocação dela estava realmente começando a mexer com ele. Ele havia dito que toparia a entrevista, mas agora, ao vê-la ali, com seu sorriso desafiador e aquela confiança que exalava, ele se questionou sobre o que exatamente ele queria daquilo.
Ele respirou fundo e, finalmente, disse:
— Vamos entrar. Você não vai conseguir nada de mim em pé aí fora.
Com um movimento brusco, ele abriu a porta mais um pouco, dando espaço para ela entrar. %Mirae% sorriu, como se já soubesse que ele cederia, e passou por ele com a elegância que sempre demonstrava. Ela não precisava dizer nada. O jogo estava sendo jogado, e ele sabia disso.
%Yeosang% fechou a porta atrás dela, ainda observando como ela se movimentava pelo quarto. Ele estava irritado, mas algo na forma como ela o desafiava fazia a raiva se misturar com uma atração que ele não queria admitir.
%Mirae% olhou ao redor do quarto, a taça de champanhe ainda em sua mão, e depois se voltou para ele, com um sorriso de quem tinha exatamente o que queria.
— Então, você me convidou para essa entrevista — ela disse, os olhos brilhando com a expectativa. — Vamos ver se você vai mesmo falar tudo o que eu quero ouvir.
%Yeosang% ainda estava em pé, imóvel, mas agora a tensão entre os dois era ainda mais forte. Ele sabia que não havia mais volta. O jogo tinha começado, e não havia como parar.
— Fale rápido, porque isso vai durar pouco — ele respondeu, seu tom agora mais baixo, mas com uma intensidade que fazia o ar no quarto parecer mais denso.
%Mirae% se aproximou, mais uma vez com aquele sorriso provocador, sabendo exatamente o que fazer para deixar as coisas ainda mais complicadas. O que aconteceria agora, ela sabia, estava além das palavras de uma entrevista.