Capítulo Dois
O tapete vermelho estava impecável, refletindo as luzes cintilantes do salão onde os atletas de elite se reuniam para uma cerimônia de premiação anual. %Yeosang%, em seu terno escuro e bem ajustado, se destacava entre os outros, mas seus olhos estavam fixos em algo – ou melhor, em alguém.
%Mirae% estava ali, com seu vestido de gala e sua postura impassível, ajustando a câmera de seu celular para capturar os momentos mais importantes do evento. Ela estava lá para cobrir a cerimônia, mas %Yeosang% sabia que, mais cedo ou mais tarde, ela se aproximaria dele para uma entrevista. E, por mais que ele tentasse evitar, já sentia a tensão no ar.
O evento estava em seu auge, com o público aplaudindo os discursos e o anfitrião chamando os próximos vencedores ao palco. %Yeosang% sorria mecanicamente para as câmeras, mas seus pensamentos estavam longe. Ele sabia que %Mirae% estava por ali, pronta para caçar suas falhas, pronta para apontar qualquer deslize que ele pudesse cometer naquela noite.
Quando o anfitrião anunciou que a próxima categoria seria para os
"Atletas de Maior Destaque do Ano", %Yeosang% sentiu seu coração acelerar. Ele sabia que estava entre os indicados. No entanto, o que ele não esperava era que, ao se virar para se preparar, encontrasse os olhos de %Mirae% diretamente em sua direção, como se ela estivesse esperando por algo.
Ela se aproximou com um sorriso profissional, mas havia algo nos seus olhos que sugeria mais do que isso. Talvez fosse o desafio em sua expressão, ou talvez fosse algo mais sutil – algo que %Yeosang% não conseguia decifrar.
— %Yeosang%, sempre é um prazer vê-lo. Você está incrível hoje à noite — disse ela, a voz suave, mas com aquele tom afiado de jornalista que nunca deixava escapar uma oportunidade. Ela estava segurando o microfone com a mesma confiança que usava quando a crítica caía sobre ele, mas dessa vez era diferente. Ela estava ali, frente a frente com ele, esperando que ele dissesse algo.
— Obrigado, %Mirae% — ele respondeu com um sorriso forçado, tentando não deixar transparecer a tensão. — Eu realmente não estava esperando por isso — ele gesticulou para o palco, como se fosse o único lugar onde sua atenção estivesse de verdade. Mas seus olhos ainda estavam nela.
%Mirae% não desviou o olhar, observando-o com uma atenção crítica, mas, ao mesmo tempo, havia algo em seu olhar que o fazia questionar se ela sabia que ele estava, na verdade, em conflito. Sabia o que ele sentia. Ou talvez estivesse apenas projetando suas próprias inseguranças nela.
— Você sempre foi tão sério, %Yeosang%. Nunca perde o foco, mesmo quando está no meio da tempestade — ela disse, sorrindo de canto, a expressão dele agora se tornando mais fechada. — Eu me pergunto… como você lida com toda a pressão?
Ele olhou para ela, os olhos estreitando ligeiramente. Não era apenas uma pergunta comum. Era um lembrete. Um lembrete de todas as expectativas que ele carregava, mas também um lembrete do próprio peso que ela carregava. Ela sabia o que ele sentia, sabia que ele estava sob pressão constante. Talvez, por isso, essa pergunta fosse mais pessoal do que ele queria admitir.
— Eu simplesmente sigo em frente — respondeu, tentando manter a serenidade. — No final, é só um trabalho. E todos nós temos algo em que confiar.
Ela riu, sem perder o olhar penetrante.
— Não tem medo de falhar, então?
A pergunta foi direta e profunda, como um golpe certeiro. %Yeosang% se afastou ligeiramente, forçando um sorriso. Ele sabia que ela estava jogando com seus nervos. E, embora a frustração estivesse ali, ele não podia negar que, de alguma forma, o prazer da tensão também estava presente.
Antes que pudesse responder, o nome dele foi chamado no palco. %Mirae% fez um gesto sutil com a mão, como um convite para que ele a seguisse.
— Vamos, o grande momento — ela disse, a provocação escondida em sua voz.
Ele respirou fundo e seguiu para o palco, mas enquanto caminhava, não pôde deixar de perceber que, apesar de tudo, ela estava se tornando mais do que apenas uma jornalista para ele. Ela estava se tornando uma presença inevitável em sua vida.
🏹🏹🏹
%Yeosang% subiu ao palco, sentindo o olhar de todos os presentes se fixarem sobre ele. A tensão no ar era palpável, mas ele estava acostumado. Levou um instante para se acomodar ao microfone, e o público fez um silêncio respeitoso, esperando seu discurso. Ele sentiu o peso das expectativas sobre os ombros, como sempre sentia, mas naquele momento, algo em sua mente o distraiu. O som das câmeras sendo ligadas, o foco das lentes ajustando-se — ele sabia que %Mirae% assim como outros jornalistas estava ali, filmando cada palavra, esperando a mínima falha para capturá-la.
Ele olhou para a plateia e respirou fundo. Não era a primeira vez que recebia um prêmio, mas toda vez parecia a mesma: um reconhecimento pelo seu esforço, mas também uma lembrança de que sempre havia mais a conquistar. Mais a provar. Mais a dar.
— Gostaria de agradecer à minha família, aos meus treinadores, e a todos que acreditaram em mim — disse %Yeosang%, a voz firme, mas com um toque de sinceridade. — Mas, principalmente, quero agradecer a mim mesmo por não desistir. Todos os dias, os desafios são grandes, e muitos tentam me fazer acreditar que não sou capaz. Mas estou aqui hoje, e isso significa que minha jornada ainda não acabou.
Ele fez uma pausa, os olhos varrendo a sala. Tentou se concentrar, mas sabia que ela estava ali. A sensação de ser observado por %Mirae%, por sua câmera, fazia sua mente vacilar por um momento. Mas ele não podia se dar ao luxo de se perder em seus pensamentos. Ele se forçou a continuar, sentindo os olhos de todos fixos nele, inclusive os dela.
— A todos que me criticam, eu também agradeço. Porque é através das críticas que podemos crescer. Eu aprendi muito com elas, e sei que, sem elas, talvez eu não tivesse chegado até aqui. O que nos define não são as vitórias, mas a maneira como nos levantamos após cada falha — ele disse, o olhar mais intenso agora.
%Mirae% estava atrás da câmera, assistindo atentamente, como se cada palavra tivesse um peso extra. Ela sentia a frustração nas entrelinhas do discurso dele, uma frustração que ela mesma conhecia bem. Era quase irônico, de certa forma. Ela sabia que a pressão o esmagava, e que aquelas palavras, por mais de superação que parecessem, eram também uma maneira dele tentar lidar com ela.
O público aplaudiu, mas para %Yeosang%, aquele aplauso parecia vazio, quase distante. Ele agradeceu com um sorriso profissional, mas sentiu que não havia alcançado o que realmente queria: o reconhecimento completo de si mesmo. De que sua luta estava no caminho certo. De que ele era mais do que as expectativas que os outros tinham sobre ele.
Quando ele terminou o discurso e se afastou do microfone, sentiu um peso extra, não só pelo prêmio, mas pela sensação de que mais uma vez ele se via à mercê das expectativas. Ele olhou rapidamente para %Mirae%, que ainda estava com a câmera ligada, capturando cada reação sua, como se estivesse esperando algo mais, um deslize, uma fraqueza que ela pudesse usar.
Mas, ao invés disso, ela apenas a observava, sem uma expressão clara. Havia algo nela, talvez um reconhecimento silencioso, que %Yeosang% não conseguia entender. Algo que fazia com que ele se sentisse mais vulnerável do que gostaria.
Ele respirou fundo e se virou para os outros vencedores, sentindo que mais uma vez estava cumprindo um papel. Mas, quando seus olhos se encontraram com os de %Mirae%, ele percebeu que, apesar da crítica implacável e da pressão de sempre, algo nela também o desafiava de uma maneira que ele não poderia ignorar.
%Yeosang% desceu do palco com o prêmio nas mãos, o metal pesado brilhando sob as luzes do salão. Ele sorriu para os fotógrafos, posando como o profissional que sempre fora, mas a sensação de cansaço era visível em seus olhos. O prêmio era uma conquista, mas também mais um lembrete de que o que ele havia alcançado nunca seria suficiente para a pressão que sentia.
Antes que pudesse se afastar completamente, uma fila de jornalistas e câmeras se formou à sua frente. Ele sabia que isso era parte do trabalho, mas não podia negar o desconforto de estar sob os holofotes mais uma vez. Cada pergunta parecia um eco das críticas, mas ele ainda era capaz de manter o sorriso.
— %Yeosang%, como se sente ao ganhar esse prêmio? — perguntou uma jornalista, segurando o microfone na sua direção.
— Sinto-me grato, mas sei que o trabalho não acaba aqui — respondeu ele, seu tom calmo, quase impessoal. — Cada vitória me lembra que tenho que continuar superando os meus próprios limites.
— Você acha que sua performance este ano foi a melhor de todas? — outra voz questionou, com um olhar atento.
%Yeosang% hesitou por um momento, mas logo respondeu, com o sorriso treinado.
— Sempre há espaço para melhorar. Não estou satisfeito, mas é um bom começo.
Enquanto ele continuava a responder perguntas e posava para mais fotos, ele sentiu uma presença familiar. Era %Mirae%. Ela estava ali, com a câmera a tiracolo e o microfone pronto, aguardando sua vez. Ela já o observava há algum tempo, sua postura imperturbável como sempre. Ele sabia que a entrevista dela seria diferente das demais.
Quando os outros jornalistas se dispersaram, %Mirae% finalmente se aproximou. Ela estava calma, mas a tensão entre eles ainda estava no ar, como uma linha invisível puxando-os para uma conversa que, inevitavelmente, seria desconfortável.
— %Yeosang%, você parece distante. Será que o prêmio não é suficiente para te satisfazer? — perguntou ela, com aquela expressão inquisitiva que ele já conhecia bem.
Ele não respondeu de imediato, seu olhar permanecendo em sua mão, ainda segurando o prêmio. Por um momento, ele se perguntou se deveria continuar a conversa ou se daria apenas respostas cortantes e se afastaria.
— O prêmio é importante, mas não é sobre isso — respondeu ele, tentando evitar que sua frustração transparecesse. — São as expectativas que sempre pesam. E, sim, é um fardo, mas é algo que eu escolhi carregar.
%Mirae% fez uma anotação rápida em seu caderno e, em seguida, deu um passo à frente.
— Sempre tão sério, não é? Mas isso não é exatamente uma surpresa — ela disse, com um sorriso que ele não sabia como interpretar. — E quanto à pressão? Como você lida com ela? Como alguém que está sempre no topo, nunca tem tempo para respirar. Não tem medo de cair?
Ele olhou diretamente para ela, sem desviar o olhar.
— Todos têm medo de cair, %Mirae%. Mas é isso que nos mantém em movimento. No fim das contas, só os fracos ficam parados.
Ela o observou por um segundo, sua expressão mais suave do que ele esperava.
— E se eu dissesse que quero uma exclusiva? — ela perguntou de repente, sua voz mais baixa, mas com um toque de desafio. — Uma entrevista mais… pessoal, sem as respostas ensaiadas. Você teria coragem de me dar isso?
O pedido o pegou de surpresa. Ele não sabia se ela estava sendo sincera ou apenas jogando com ele, mas a intensidade do olhar dela fez com que ele pensasse por um momento. Ela sabia exatamente o que estava fazendo. E talvez ele também soubesse.
— Não tenho nada a esconder, mas... — %Yeosang% começou, hesitando, antes de continuar. — Não é o momento certo para uma entrevista como essa, %Mirae%. E você sabe disso.
%Mirae% sorriu, um sorriso de quem sabia exatamente o que estava fazendo, como se esperasse essa resposta. Ela não estava ali apenas para coletar informações ou fazer uma entrevista convencional; ela estava jogando um jogo que ele ainda não entendia completamente.
— Você realmente acha que isso vai acabar por aqui? — ela provocou, o olhar afiado como uma lâmina. Ela deu um passo à frente, mais próxima, como se quisesse que ele sentisse a pressão das suas palavras. — Achou que me impediria com esse discurso ensaiado? Não estou procurando a versão limpa, %Yeosang%. Eu quero a versão real.
O tom dela agora era mais baixo, mais íntimo, como se estivesse sussurrando algo pessoal, algo que não poderia ser dito diante das câmeras e dos outros jornalistas. Ele sentiu a provocação crescer, uma tensão elétrica no ar.
Ele olhou para ela, a raiva se misturando com algo mais confuso, algo que ele não queria admitir. Ele tentou manter a compostura, mas algo nela, naquela insistência, o fazia questionar se ele realmente queria resistir. Ele sabia o que ela queria dele: algo que não poderia ser dito em público. Mas ele também sabia que não seria fácil dar a ela essa satisfação.
— Não aqui — ele disse, agora com uma firmeza maior, mas a voz ainda carregada de um toque de frustração. — Mas, se você insiste... podemos conversar em outro lugar. Quando for o momento certo.
%Mirae% o observou por um segundo, como se estivesse avaliando se ele estava realmente cederendo ou se estava apenas tentando ganhar tempo. Ela deu um sorriso de canto, a provocação ainda evidente em seus olhos.
— Então, a gente espera... mas, quando você estiver pronto para falar, você sabe onde me encontrar — ela disse, com um tom que parecia menos um pedido e mais uma ameaça sutil, como se já soubesse que, em algum ponto, ele não resistiria.
Ela se afastou então, mas não antes de lançar mais um olhar direto para ele, como se estivesse observando o impacto das suas palavras, sabendo que, por mais que ele tentasse resistir, algo dentro dele a queria ouvir.
%Yeosang% permaneceu em silêncio, observando-a se afastar. Ele sentiu a tensão entre eles crescer, um fio invisível puxando-os para um confronto que ele não sabia se estava pronto para enfrentar. %Mirae% não era apenas uma jornalista. Ela era um enigma, algo que o desafiava e o atraía ao mesmo tempo. E, por mais que ele tentasse negar, ele sabia que ela tinha o poder de tirar dele o que ele não queria dar. Mas não naquele momento. Não ali.
Ele se virou para os outros convidados, o prêmio ainda em suas mãos, mas o pensamento de uma futura conversa com %Mirae% não o deixava em paz. Ele não sabia o que ela queria realmente, mas algo dentro dele dizia que essa não seria a última vez que ele se veria frente a frente com ela.