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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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As Esposas de Ló e Jó (Livro 1)

Escrita porJosie
Revisada por Lelen

Capítulo 1 • A Juventude de %Adana% — Parte I

  A vida em Ur da Caldeia nunca foi tão diferente. As ruas que para %Adana% tinham uma cor tão bonita, agora pareciam vazias. Ela tinha apenas quatorze anos, idade que dentre tantas pessoas que viviam muito, devia-se aproveitar a infância.
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  A cidade de Ur se estendia, com ela, as ruas tinham cores coloridas, mercadores gritavam oferendas a deusa Inana e as mulheres teciam vestidos de linho e seus maridos vendiam. As crianças brincavam em casas de barro ou nas ruas com bonecos de argila. Os soldados marchavam fazendo rondas, o belo Zigurate se fazia presente. Vasos de cerâmica ou argabaça se mostravam, trazendo o cheiro de especiarias. Para %Adana% tudo isso vinha sem vida. A garotinha de 14 anos observava a rica cidade cheia de vida, enquanto ela mesma não tinha vida. A morte de seu pai havia lhe corroído a alma. Nem as crianças da vizinha Iracides ou Dona Conceição pareciam alegra-la.
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  O sol já se manifestava, mostrando que começava a raiar. Sua casa colorida e meio dourada, com grandes tapeçarias aos poucos ganhavam luz, mas a vida da pequena %Adana% obtinha um contraste duro. A mãe saía para comprar especiarias no mercado da cidade, enquanto ela permanecia em casa.
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  No dia anterior, sua mãe havia comemorado seus 68 anos. Dona Maria havia a tido já em idade avançada, por isto seu pai morrera cedo. Os portões vermelhos de sua enorme casa se destacavam. %Adana% olhou uma última vez para sua sala ornamental, antes de olhar para o doce aroma de bolo que sua mãe fez no dia anterior. Pegou algo e começou a experimentar o bolo, o mesmo tinha um cheiro delicioso. Começou a experimentar, sentindo sua textura, saboreando com pequenas mordidas. Lá fora crianças brincavam entre si. Uma delas era Abrão, filho de Terá. Ele devia ter por volta de 10 anos. Seu irmão, Harã, era um adolescente de 17 anos, três anos mais velho que ela. Harã estava comprometido com Tohwait, uma jovem egípcia. Mas %Adana% não podia negar a beleza de Harã. Conforme comia seu bolo, %Adana% conseguia ouvir vozes nas ruas. Os jovens adolescentes da cidade, provavelmente falando mais uma vez o quão estranha ela era. Falando da morte de seu pai, algo que a entristecia. Ou talvez dizendo que mesmo frequentando o templo, ela era horrorosa. %Adana% apertou as mãos em punho ao ouvir isso, mas disfarçou com um sorriso forçado. Ninguém além dela mesma precisava saber de sua dor.
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  — Aquela é a filha do seu Donshi? — perguntou uma adolescente a seu pai enquanto passava pela rua. — Papai diz que ela está amaldiçoada.
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  — Se eu pudesse quebrar a maldição, matava ela — disse outro menino com olhar sonhador.
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  — Crianças, o que é isso? — repreendeu a mãe, mas sem conseguir conter uma risada.
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  %Adana% apenas ouvia tudo tristemente. Mesmo morando em Ur, ela não se sentia em casa. Ouvia os vizinhos cochichando sobre ela. Naqueles dias, um novo rei foi coroado em Ur da Caldeia. Era um jovem homem chamado Ibbi Sin. Ibbi Sin tinha uma esposa, a rainha Enlila. Mas ambos ainda não tinham filhos. Diziam que a rainha era estéril. Mas isso devia ser falatório. %Adana% começou a fazer alguns serviços domésticos e logo chegou o meio-dia. A mãe voltava e com ela trazia uma segunda presença. A tia Tarshia. Dona Tarshia era uma mulher de cabelos negros presos, pele branca e sorriso de quem já viu muita coisa. Entretanto, %Adana% não se sentia à vontade com a tia. A mesma não gostava dos costumes de Ur, por ser uma hebreia. Mas apesar de tudo, %Adana% respeitava a tia. A cidade de Ur agora trabalhava erguendo seus monumentos. A vida em Ur seguia normalmente, pessoas nascendo, pessoas morrendo e os nós emaranhados da vida caldeia continuava. Ao longe dava para ouvir o som de espadas, bestas e lanças de soldados caçando animais. %Adana% pôde ver que havia uma comoção na cidade. Provavelmente alguma caça.
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  — Como vai, sobrinha? — perguntou Dona Tarshia e %Adana% fez um leve cumprimento. — Vim fazer o pão do dia — disse.
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  %Adana% assentiu. A tia começou a preparar os ingredientes. Preparou uma tigela de pano e começou com a ajuda da irmã a fazer o pão. Elas ficaram fazendo o pão por horas, colocando os ingredientes um por um na tigela. Quando terminaram, começaram a mexer na tigela. %Adana% pôde sentir o cheiro de pão fresco que mãe e tia fizeram. O doce aroma cheirava bem.
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  — Como está o primo? — perguntou %Adana% tentando puxar assunto educadamente com a tia.
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  — Está bem. Manre está crescendo — respondeu ela com o primeiro sorriso genuíno.
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  %Adana% sorriu de volta.
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  O cheiro aromático e perfeito do pão insistia. As pessoas da rua podiam sentir o quente cheiro. O cotidiano seguia.  Agora Dona Tarshia sai rumo a sua própria casa, no leste de Ur.
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  — Se comportou bem hoje — elogiou a mãe.
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  %Adana% sorriu levemente. Um sorriso triste ao lembrar-se da perda do pai. Às duas da tarde, o som de vendedores anunciando a festa da cidade se manifestava. A festa da colheita. Famosa. Era naquela festa que as pessoas colhiam os grãos para quando a colheita terminasse pudessem ter bons frutos. Pessoas de todas as tribos vinham para as colheitas. E assim o dia prosseguia. O dia agora se transformou em semanas... Naqueles dias, a segunda esposa de Tera, a prima de Dona Amthelai deu à luz uma menina, Sarai. Abrão olhou para a bebê encantado. Como um bebê como a pequena Sarai podia ser tão bela. Notícias chegavam de que a rainha Enlila esperava seu primeiro herdeiro também. Um herdeiro ao trono de Ur. No dia seguinte, ainda com seus 14 anos, o sol raiava quando %Adana% acordou. Um novo dia se iniciava...
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  — Mãe, posso ir com a senhora ao mercado central hoje? — pediu %Adana%. — Por favor!
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  — Tudo bem, mas não quero te ver saindo correndo como no mês passado.
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  — Prometo — jurou %Adana%.
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  Mãe e filha se prepararam para sair de casa...
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