Amor em Quatro Sets


Escrita porBetiza
Editada por Lelen


Capítulo 4

  O céu ainda estava escuro quando voltaram para dentro do complexo esportivo. As luzes do corredor estavam apagadas, mas as do vestiário masculino permaneciam acesas. Era o único lugar que oferecia sombra, silêncio e um pouco de descanso. E talvez, sem que nenhum dos dois admitisse, privacidade.
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  %Haechan% entrou primeiro, mas não fechou a porta. Apenas olhou por cima do ombro e esperou que ela o seguisse.
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  %Brígida% hesitou, mas foi.
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  Dentro do vestiário, o eco das respirações parecia maior do que antes.
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  Ela se sentou em um dos bancos. Ele pegou uma toalha pequena da mochila e jogou sobre a nuca, ainda suado.
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  O silêncio, de novo, veio como uma onda.
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  — Quando você joga — ele começou, sem olhar pra ela — parece que está tentando vencer um fantasma.
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  Ela riu sem humor.
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  — Quem? — ele perguntou, virando-se de frente para ela, encostando-se nos armários de metal atrás de si.
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  %Brígida% demorou para responder. Depois sussurrou:
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  — Eu mesma.
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  Ele a observou por um tempo longo. Tinha algo no olhar dela que o desarmava completamente. A forma como ela segurava as emoções como quem segura uma raquete prestes a quebrar. Com força demais.
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  — Eu costumava jogar pra provar que era bom o suficiente — disse ele. — Agora eu jogo pra esquecer quem eu sou quando não tô com uma raquete na mão.
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  — E consegue?
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  — Às vezes. Mas você... você me distrai.
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  Ela o encarou, surpresa pela sinceridade.
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  — Achei que fosse eu quem te desafiava.
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  — Também. Mas nem todo desafio é sobre vencer — ele respondeu, dando um passo na direção dela.
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  %Brígida% mordeu o canto do lábio inferior, como se quisesse esconder um sorriso.
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  — Você flerta com frequência em vestiários?
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  — Só quando a garota acabou de me vencer num jogo psicológico sem que eu percebesse.
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  Ela soltou uma risada curta, nervosa. Os olhos dele a acompanhavam como se memorizassem cada detalhe.
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  %Brígida% se levantou devagar. Parou na frente dele.
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  %Haechan% não se mexeu. Só a olhava, esperando.
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  Ela ergueu a mão, ajeitou de leve a gola da camisa dele — um gesto sem motivo algum além de encurtar a distância. Ele abaixou um pouco o rosto. As testas quase se encostaram.
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  Dessa vez, nenhum dos dois desviou.
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  Foi rápido, foi intenso e foi inevitável…
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  Os lábios se encontraram como se já tivessem feito isso mil vezes — como se cada ponto jogado, cada segredo confessado, tivesse sido apenas uma desculpa para chegar ali.
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  O beijo não foi tímido. Foi um roubo. Um mergulho. Um alívio.
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  As mãos dela foram parar na nuca dele. As dele, na cintura dela. Sem pressa. Sem urgência. Mas com uma fome silenciosa.
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  Não houve hesitação. Nem choque.
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  A boca dele encaixou-se à dela com uma naturalidade quase absurda, como se os dois fossem feitos sob medida para aquele instante.
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  Começou devagar, como se ambos quisessem prolongar o momento o máximo.
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  Mas logo ganhou mais intensidade, mais urgência silenciosa — não porque possível, saboreando o toque, sentindo a textura, testando o ritmo.quisessem apressar, mas porque estavam presos demais naquele momento para manter qualquer controle.
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  As mãos dela subiram pela nuca dele, os dedos se enroscando no cabelo úmido, puxando-o para mais perto como se tivessem medo que ele desaparecesse.
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  As mãos dele repousaram na cintura dela primeiro, depois escorregaram com cuidado pelas costas, desenhando o contorno do corpo com os polegares, como se quisesse memorizar a sensação.
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  Ele a beijava com os olhos fechados e o coração exposto.
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  E ela se entregava com o corpo tenso e a alma trêmula.
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  O gosto da madrugada estava nos lábios deles — suor, ar frio, desejo guardado demais.
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  Quando os lábios finalmente se separaram, devagar, os olhos ainda permaneceram fechados por um segundo a mais, como se o mundo lá fora fosse menos real do que o que tinham acabado de viver.
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  As testas encostadas. As respirações descompassadas.
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  Era mais que um beijo.
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  Era o ponto final de tudo o que não teve nome entre eles.
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  E, ao mesmo tempo, o primeiro saque de tudo o que ainda estava por vir.
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🎾🎾🎾

  As testas ainda encostadas. As respirações desencontradas.
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  %Brígida% abriu os olhos primeiro, mas não recuou. Apenas sussurrou, com a voz falhando levemente:
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  — A gente não devia estar fazendo isso.
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  %Haechan% sorriu, ainda ofegante.
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  — Eu sei.
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  Ela mordeu o lábio inferior, como se quisesse impedir a si mesma de dizer o que vinha a seguir. Mas disse, mesmo assim:
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  — E por que não consigo parar?
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  Ele ergueu a mão, tocando com o polegar a pele do rosto dela, abaixo do olho.
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  — Porque você também tá cansada de fingir que não sente nada.
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  Ela fechou os olhos por um segundo com aquele toque, como se aquilo doesse e curasse ao mesmo tempo.
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  — E você? — ela perguntou, quase num fio de voz. — O que você sente?
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  Ele demorou para responder. Não por indecisão. Mas porque era difícil colocar em palavras.
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  — Que se eu te beijar de novo, não vai ser só mais um erro.
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  E então ele fez exatamente isso.
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  A beijou.
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  Mas não como antes.
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  Dessa vez, foi com mais intensidade.
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  Mais urgência.
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  Como se ele estivesse disposto a perder o juízo inteiro só para ter mais um minuto daquilo.
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  As mãos dele passaram pelas laterais do corpo dela, subindo pelas costelas, puxando-a pela cintura com firmeza. %Brígida% cedeu o corpo contra o dele com um suspiro abafado entre o beijo, os dedos agarrando a gola da camisa dele, apertando com força.
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  O calor entre os dois era tão forte que o vestiário, mesmo frio, parecia em combustão.
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  Os beijos desceram para o queixo dela. Depois para a linha do pescoço.
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  Ela arqueou o corpo involuntariamente, sentindo a boca dele explorar a pele com uma lentidão quase torturante.
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  — %Haechan%... — ela murmurou o nome dele, sem conseguir esconder o arrepio na voz.
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  — Me diz pra parar — ele sussurrou de volta, com os lábios roçando a clavícula dela. — Que eu paro agora.
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  Ela não disse nada. Só puxou o rosto dele de volta para o dela e o beijou de novo, com mais fome. Mais entrega.
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  Como quem finalmente aceitava cair.
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  Os corpos se encostaram sem nenhuma hesitação agora. As mãos dela exploravam as costas dele por baixo da camisa. As dele deslizavam pelos quadris dela, puxando-a mais perto, como se a distância entre os dois já fosse insuportável.
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  Ali, entre armários de metal e luzes frias, dois corpos deixavam de fugir.
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  Não havia mais raquetes. Nem segredos. Nem madrugada.
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  Só os dois. E um desejo que já não sabia mais esperar…
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  Com passos lentos, mas calculados, os dois caminharam juntos para dentro de um dos boxes.
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  Nenhum dos dois dizia nada.
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  Não precisava.
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  As mãos de %Haechan% continuavam na cintura dela, como se não quisessem deixá-la escapar. E %Brígida% mantinha os olhos fixos nos dele, como se quisesse ter certeza de que ele realmente estava ali — de que aquilo estava mesmo acontecendo.
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  O som do tênis contra o chão úmido, o eco abafado da respiração deles, a tensão pairando no ar como eletricidade antes da chuva. Tudo ali parecia carregado demais para ser casual.
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  Quando entraram no box, ele encostou a porta com o cotovelo, sem trancar. Não havia ninguém por perto — só eles, no fim da madrugada que agora parecia eterna.
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  Ela parou de frente para ele. A poucos centímetros. O peito ainda subindo e descendo com a respiração acelerada, o olhar fixo nos lábios dele. E quando falou, sua voz saiu em um sussurro rouco:
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  — Eu não sei o que isso significa.
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  %Haechan% tocou o rosto dela com as costas dos dedos, desceu até o pescoço, depois até a clavícula…
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  — A gente não precisa saber, não agora.
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  Ele a beijou outra vez, mais firme, mais profundo.
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  %Brígida% respondeu com a mesma intensidade. As mãos subiram pelo peito dele, sentindo os músculos contraídos sob o tecido. Os dedos deslizaram pela barra da camisa, puxando-a devagar, como quem testava os próprios limites.
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  Os corpos se encostavam com mais liberdade agora. As mãos exploravam. O calor aumentava.
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  Mas nada era apressado.
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  Era como se os dois tivessem esperado demais pra agora ter pressa.
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  Ela passou os dedos pela pele do abdômen dele quando a camisa finalmente subiu. Ele deslizou a ponta dos dedos pela base da blusa dela, os olhos pedindo permissão mesmo quando o corpo implorava por mais.
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  — Me mostra — ela murmurou, a voz baixa, firme. — Que não sou só eu sentindo isso tudo.
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  %Haechan% puxou a blusa dela com cuidado, expondo a pele quente, os olhos escurecendo com o desejo contido que agora já não cabia mais dentro dele.
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  E ali, naquele espaço apertado, onde tudo parecia proibido demais pra ser real... eles se perderam, lentamente, um no outro.
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  A blusa deslizou pelos braços dela com suavidade, como se aquele tecido fosse um limite simbólico sendo ultrapassado.
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  %Haechan% a olhou por inteiro — sem pressa, sem pressões — como se ver %Brígida% assim, tão próxima, tão real, fosse algo que ele precisasse guardar na memória.
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  Ela, por sua vez, sentiu o corpo arrepiar sob o olhar dele. Mas não era vergonha. Era uma entrega silenciosa, que vinha do fundo, da parte dela que não sabia ceder… até agora.
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  Os dedos de %Haechan% traçaram uma linha tênue da cintura dela até o centro das costas, e ele a puxou devagar, colando os corpos com uma delicadeza que contrastava com o desejo que tremia em suas mãos.
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  O segundo beijo foi mais profundo, mais necessitado. As bocas se encontravam entre suspiros e murmúrios abafados, as línguas se tocando como se soubessem exatamente onde doer e onde curar.
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  %Brígida% desceu as mãos pelas costas dele, arrastando as unhas com leveza, sentindo cada músculo reagir sob seu toque. %Haechan% apoiou uma das mãos na parede fria do box e a outra na coxa dela, puxando-a levemente para si. O toque foi firme, mas cuidadoso — como quem pede permissão, mesmo sem palavras.
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  Ela o guiou com as mãos até que ele a encostasse com o corpo inteiro contra a parede. O contraste da superfície fria nas costas e o calor dele à frente a fez arfar, os olhos fechados, os lábios entreabertos em um suspiro.
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  %Haechan% pressionou os lábios contra o pescoço dela, deixando beijos molhados e demorados que a faziam tremer por dentro. Desceu lentamente, explorando cada centímetro de pele como se tivesse todo o tempo do mundo.
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  As roupas foram caindo, peça por peça, num silêncio cúmplice.
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  E quando já não havia mais nada entre eles, a pele contra a pele trouxe uma nova dimensão ao momento: o real. O palpável. O inevitável.
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  Ele a segurou com as duas mãos firmes na cintura, os olhos mergulhados nos dela.
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  — Ainda não quer quer que eu pare? — sussurrou, com os lábios quase tocando os dela.
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  — Se você parar agora... — ela respondeu, a respiração entrecortada — eu juro que nunca vou te perdoar.
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  O que veio depois foi pura verdade.
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  Os corpos se encaixaram com uma naturalidade crua e íntima, como se tudo que haviam escondido atrás de raquetes, sarcasmo e silêncios estivesse finalmente sendo dito através do toque.
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  Ela se agarrou aos ombros dele quando sentiu o corpo ser preenchido, um gemido baixo escapando de seus lábios, abafado pelo pescoço dele. Ele a envolveu com força, os movimentos lentos no início, como se cada investida fosse uma pergunta respondida com a respiração dela acelerando.
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  A sincronia era absurda.
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  Não havia hesitação.
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  Não havia máscaras.
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  A cada estocada, a tensão se dissolvia. A cada suspiro, os segredos viravam pó.
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  Os nomes foram sussurrados como se fossem promessas. As mãos exploraram, apertaram, acariciaram — não com pressa, mas com fome.
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  E quando o ápice veio, foi ao mesmo tempo. Ela com a testa encostada ao ombro dele, os dedos fincados nas costas.  Ele enterrando o rosto na curva do pescoço dela, o corpo inteiro tremendo de prazer e alívio.
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  Ficaram ali por alguns segundos, ofegantes, sem se afastar. Como se o mundo tivesse finalmente desacelerado.
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  %Haechan% foi o primeiro a se mover. Beijou a têmpora dela com ternura, os dedos ainda acariciando suas costas nuas.
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  — Isso... — ele começou, sem conseguir terminar a frase.
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  %Brígida% abriu os olhos, o peito ainda subindo e descendo.
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  — Eu sei.
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  E, por agora, saber era suficiente.
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  Ainda dentro do box, o silêncio entre eles não era desconfortável. Era cheio.
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  Cheio de tudo o que tinham sentido. Do que tinham feito, do que ainda não sabiam como nomear…
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  %Haechan% se afastou devagar, os dedos ainda deslizando pela pele dela como se não quisessem perder o último contato. %Brígida% encostou a testa no ombro dele, os olhos fechados, sentindo o coração ainda batendo forte — não pelo esforço, mas pela presença dele. Pelo agora.
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  — Vem — ele disse, baixo, quase um convite.
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  Ela assentiu, e ele a guiou até os chuveiros. Um dos boxes ao lado tinha o registro exposto, sem porta. Ela não se importou. Pela primeira vez em muito tempo, não se importava com mais nada que não fosse ele ali.
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  %Haechan% abriu o chuveiro e testou a temperatura com a mão. Quando a água quente começou a cair, os dois entraram juntos, sem pressa.
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  Ele a puxou delicadamente para perto, as mãos apoiadas nas laterais do rosto dela, enquanto a água escorria entre os corpos ainda colados. Ela fechou os olhos, sentindo o calor da água e o toque suave dele como um casulo seguro.
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  — Você não é quebrada, %Brígida% — ele disse, de repente, a voz rouca, firme. — Você só tá cansada de ser forte o tempo todo.
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  Ela abriu os olhos:
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  — Eu não sei como ser de outro jeito.
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  — Eu também não sabia — ele confessou. — Até essa noite.
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  Ela sorriu de leve, mas havia algo úmido nos olhos — e não era só da água.
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  Encostou o rosto no peito dele, os braços escorregando pelas costas molhadas…
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  — Não sei o que isso vai ser, %Haechan%.
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  — Nem eu. — Ele passou os dedos pelos fios molhados dela. — Mas, pela primeira vez, eu quero descobrir.
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  Ficaram assim, sob o chuveiro, apenas sentindo a pele um do outro. Sem máscaras,  sem fama, sem plateia.
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  Apenas dois corpos cansados e duas almas encontrando algum tipo de alívio, mesmo que momentâneo.
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  Quando saíram do banho, ele envolveu ela em uma toalha com cuidado, beijando a ponta do ombro antes de puxá-la mais uma vez para perto.
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  — A gente vai fingir que isso não aconteceu quando o dia amanhecer? — ela perguntou, encostando a testa na dele.
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  — Não quero fingir mais nada — ele respondeu, simples. — Mas se você quiser, a gente pode fingir juntos.
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  Ela riu, baixa, tocando o rosto dele.
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  — Idiota.
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  — Mas posso ser seu idiota favorito?
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  Ela não respondeu com palavras.
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  Apenas se inclinou um pouco mais, encostando a ponta dos lábios no nariz dele, num beijo leve, silencioso, quase infantil — e por isso mesmo, tão íntimo.
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  Ficaram assim, abraçados sob a água quente, os corpos colados, as respirações se misturando.
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  O mundo podia esperar. A quadra, os holofotes, os jogos, os disfarces... tudo lá fora podia esperar.
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  Porque ali, naquele instante, entre os braços dele, ela não era %Brígida%, a tenista. E ele não era %Haechan%, o prodígio.
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  Eram só dois corações exaustos, finalmente em paz.
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  Ainda com o rosto encostado no peito dele, %Brígida% fechou os olhos por um instante.
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  A água escorria pelas costas, o calor do corpo dele contrastava com o frio que sentia por dentro há tanto tempo — e que, agora, parecia estar derretendo aos poucos.
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  Ela não sabia se aquilo era o começo de algo ou apenas um ponto fora da curva.
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  Mas pela primeira vez em muito tempo, não se sentia sozinha.
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  Ali, nos braços dele, entre respirações úmidas e corações ainda acelerados, ela pensou:
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  "Se for só isso, já valeu a pena."
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  E então, como quem se permite descansar de uma guerra, ela simplesmente ficou ali. Com ele. Debaixo da água, sem pressa de voltar.
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Capítulo 4
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