Uma Nova Chance para Amar


Escrita porZsadist Xcor
Revisada por Lelen

Capítulo único

Tempo estimado de leitura: 30 minutos

  Trajando jeans, coturno e camisa branca de botões sem mangas, Richard aguardava o namorado a duas quadras de distância do estádio de basquete.
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  Ansioso, verificava as horas, temeroso em se atrasar para a partida. Buscava não pensar sobre como se comportaria ou reagiria durante o encontro depois de tomar conhecimento de maneira abrupta, para não dizer dolorosa, acerca da vida do namorado — se é que era prudente chama-lo assim.
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  Se passaram dois anos desde o início do relacionamento. Para seu azar, não se acostumou a viver às escondidas, sempre em último plano. Sempre... Como se fosse párea no universo de Ralph.
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  Richard erro do qual Ralph jamais seria corajoso de admitir por optar em manter o casamento de fachada ao invés de admitir a sua verdadeira identidade como homossexual era a união estável com uma figura feminina que não imaginava a incontestável natureza do marido.
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  Advindo de família conservadora, Ralph, de quarenta anos, esclareceu como não se divorciaria da esposa quando as lágrimas de Richard desceram pelos olhos semanas atrás perante a realidade do casamento.
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  A culpa que o corroía era implacável.
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  Se questionava como Ralph escondeu a verdade por tanto tempo, a revelando porque se deparou com ele no mercado dando adorável selinho na esposa com os filhos ao redor — e é claro que as três crianças nasceram com evidentes características físicas do pai.
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  Portanto, ali estava Richard, sentindo o turbilhão de emoções densas o suficiente para surgirem sintomas físicos, como o embrulho no estômago e o peito dolorido.
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  Desprezava a posição oficial de amante, que o obrigava a dividir a pessoa por quem se apaixonara com a esposa — mesmo que a pessoa em questão não tivesse nenhuma inclinação para a fidelidade por razões óbvias e nem amasse ou sequer desejasse a cônjuge.
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  A vida não era justa.
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  Se fosse, não se contentaria com aquele relacionamento distorcido — afinal, foi o mais próximo que alcançou de um namoro aos vinte e sete anos de idade.
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  Se esforçou a sorrir por avistá-lo atravessando a rua, buscando deixar os pensamentos no recôndito mais profundo do cérebro.
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  — Oi, amor. — Ralph lhe deu um abraço apressado. — Desculpa pela demora. Estava ocupado.
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  Se questionou se deveria aceitar tão pouco, visto como o outro evitava demonstrações afetivas em público. Raras eram as ocasiões quando as manifestava — e quando aconteciam eram assim, apressadas.
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  Com o tempo compreendeu o significado da frase tão típica da parte do mais velho.
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  “Amor, me perdoe, mas estava cumprindo com os meus deveres sociais de esposo com excelência perante a minha família, então não arranjei tempo pra você. Quem sabe da próxima vez não chego mais cedo por encontrar a desculpa perfeita para me retirar do aniversário da minha filha mais nova.”
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  Se a finada mãe estivesse viva, sem dúvida levaria uma surra por ela provar na pele a dor de ser traída dentro do casamento.
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  Olha aí a história se repetindo, não é?
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  — Não, Ralph. Tudo bem.
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  Notou o rápido franzir de cenho mediante a pronúncia do nome.
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  Desde a descoberta da união estável, não conseguia chama-lo de maneira carinhosa como antes.
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  — Trouxe os ingressos? — Richard ergueu as sobrancelhas na tentativa de parecer animado enquanto ajeitava os cabelos ondulados.
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  — Claro. Vamos.
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  No caminho mantiveram distância segura, como se fossem amigos.
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  Se tivesse sorte, Ralph permitiria ele deitar a cabeça no ombro pelos indivíduos prestarem atenção no jogo.
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  Edward tranquilizava os amigos com o telefone nas mãos.
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  — Cara, vamos entrar — clamava o loiro.
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  — Daqui a pouco essa merda começa e a gente vai continuar aqui fora. — Anthony comia a pipoca no balde.
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  — O Oscar está perto — se dirigiu a eles. — Estacionou o carro.
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  — Já não era sem tempo! — Finn tomava o gole de cerveja na latinha. — Bom, pelo menos o estamos tirando de dentro de casa. O coitado está numa melancolia do caralho desde a separação.
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  — E eu não sei? Sabe quanto tempo passei com ele no telefone essa noite o ouvindo chorar as pitangas? Sério, dormi na ligação. Cheguei morto de cansado do trabalho. Dá um desconto — ralhou por receber o olhar recriminatório de Finn. — Acordei assustado com o pobre coitado xingando o ex porque é difícil achar alguém com o tamanho daquele pau.
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  — Filho da puta. — Imprecou Edward rindo da situação. — Por que...
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  Não perceberam que ele se calou de súbito devido a conversa amena.
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  A atenção foi dirigida para um ponto em específico onde o rapaz de cabelos ondulados em curioso tom cobre passava na companhia do mais velho cujos fios claros denunciavam a maturidade.
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  O reconheceu de imediato, agradecendo pela capacidade de reprimir o suspiro no momento correto para os amigos não notarem a mudança sutil nele.
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  Embora tivessem feito faculdade juntos, os caminhos dele e de Richard se desencontraram devido às peripécias do destino, as respectivas vidas tomando rumos distintos.
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  Foram bons amigos na época.
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  Encontrou nele alguém leal, divertido, franco e carinhoso, cujo coração ansiava pelo enlace amoroso com quem carregasse tanto afeto quanto ele para entregar.
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  Apenas se arrependia de não declarar os sentimentos para além da amizade por covardia. Era evidente como o rapaz declinava de suas discretas demonstrações amorosas, então compreendeu o recado e seguiu em frente resignado com a rejeição ao invés de se revoltar.
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  Olha como as coisas são. Só o ver no intervalo de vários anos foi o suficiente para o coração disparar contra o peito e a saudade aflorar ao ponto de desejar segurar a mão dele novamente.
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  Como queria ter sido corajoso na época ou insistido um pouco mais. Richard era a personificação de tudo o que buscava quando pensava em um parceiro de vida. Se criticava por desistir com tamanha facilidade. Afinal, a vida não lhe proporcionou outras figuras que almejassem a solidez no relacionamento. Talvez, caso insistisse um pouco mais, compartilhassem da alegria e da segurança de estarem nos braços um do outro.
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  O arrependimento foi instantâneo, assim como a percepção de que o rapaz também não parecia feliz. Detectou certo pesar no semblante. O sorriso não alcançava os olhos, sem mencionar o esforço em demonstrar satisfação quando, sem dúvida, não era a forma que se sentia naquele momento.
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  A série de reflexões perpassou na mente por cinco segundos — o tempo exato em que Richard preencheu o campo de visão antes de desaparecer por entre a multidão.
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  Engoliu em seco, fechando contundente as pálpebras para se recompor. Enfim, se virou para o grupo de amigos se inteirando do diálogo ameno.
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  Não imaginava que o destino tinha novos planos para si, lhe entregando a possibilidade de reparar o erro do passado.
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  A partida foi eletrizante.
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  Richard perdeu as contas de quantas vezes comemorou entusiasmado quando a bola atravessava a cesta marcando pontos.
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  Durante a partida até esqueceu da desaventurança, focado nos jogadores correndo pela quadra imersos na adrenalina proporcionada pelo esporte.
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  Infelizmente, assim como sempre acontece, a realidade se fez presente de forma amarga.
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  Na ligeira pausa, a câmera focou em si e em Ralph. Por ver a imagem refletida no telão — Richard com a cabeça deitada no ombro do namorado de mãos cruzadas nas dele — o mais velho se separou em ato brusco, o deixando sem reação e em postura acuada.
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  Embora não concordasse com a cena humilhante cujo protagonista era Richard, Ralph se manteve congelado. Não queria ser reconhecido ou visto em comportamento meigo com alguém do sexo masculino. Tenso pela proporção que a imagem deles transmitida no aparelho poderia causar, a musculatura se retesara. A cabeça baixa foi totalmente voltada pro lado oposto em virtude da covardia de fitar quem amava, o peito apertado em reprovação da própria atitude.
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  Ou melhor, se conformou em suportar o episódio de humilhação pública na torcida para aquilo finalizar o mais rápido possível.
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  O constrangimento de Richard era palpável, aumentando no decorrer dos segundos. O coração batendo rápido contra a caixa torácica servia para potencializar os sentimentos indigestos, assim como o rubor denunciava a vergonha da situação onde foi desprezado como se fosse uma doença infecciosa da qual o mais velho deveria tomar cuidado para não se contaminar.
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  Não imaginava como Ralph reagiria de maneira impiedosa — para não dizer cruel.
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  Naquele tempo foi arrebatado por impactante epifania.
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  Não era de seu desejo prosseguir em posição tão desfavorável. Caso pretendesse permanecer dentro do relacionamento, jamais o teria por inteiro. A ideia de dividi-lo com outros já era amarga o suficiente, entretanto, embora não amasse Kate, ela teria o marido por inteiro. O exibiria para o mundo, contaria as histórias engraçadas do casal nas reuniões familiares e usufruiria da companhia masculina quando estivessem cercados dos amigos e dos colegas de trabalho. Iriam a comemorações, festejariam as próprias datas importantes — como a de casamento — e dormiriam juntos todas as noites — afinal, assim como o esposo exemplar que era, não passava as noites fora de casa.
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  Assombrado pelas terríveis expectativas futuras, arfou pela impossibilidade de existir no mundo de Ralph. A assimilação dos fatos doeu, sim, mas não o destruiu. Ao contrário. Através da dor, emergiu a presunção imprescindível para se retirar de contextos desfavoráveis em ato decidido.
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  Já estava preparado para ir embora em genuína derrota com o nariz empinado, incapaz de sustentar o constrangimento por mais tempo. Afinal, a câmera continuava reproduzindo a imagem deles — e a tensão na plateia era pujante por compreenderem em parte o que se passava entre eles.
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  Não imaginava como o campo de ação sofreria interferência.
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  Após longos segundos do episódio vergonhoso, alguém segurou suas bochechas com ambas as palmas. Por instantes assimilou que o toque inesperado era familiar, o achando carregado de gentileza apesar de haver aprazível firmeza no gesto. Sem cerimônia, a cabeça foi girada para o lado direito e uma boca quente se encaixou perfeitamente na sua.
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  Richard não raciocinou. Ao longe escutava as pessoas ovacionando a atitude do desconhecido, mas não se importava com os aplausos e nem com os encorajamentos. Gostou mais do beijo do que poderia imaginar. Fechou os olhos de maneira automática objetivando se entregar àquele momento incomum.
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  Não houve resistência da parte de Richard pela entrega do outro ser louvável, testemunhando a cada movimento da boca o quão presente estava no momento. Não havia desculpas esfarrapadas, vergonha de trocar carícias e nem o medo constante de serem flagrados por conhecidos de Ralph — ou, Deus os livrasse, os parentes caso os visse passeando.
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  Adorou o sabor do beijo. Ao contrário de quando partilhava dessas trocas com o namorado, o homem misterioso não parecia se envergonhar. Não hesitou em transmitir carinho ao longo do ósculo nos segundos tão delicados, deslizando a língua para dentro da boca de Richard e explorando a área morosamente enquanto enterrava as falanges nos cabelos de tonalidade cobre.
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  Quando o homem tomou a iniciativa de se afastar após finalizar com o adorável selinho demorado, Richard permaneceu de olhos fechados ainda sob o efeito da química inegável que os envolveu capaz de silenciar todos os sons ao redor.
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  — Adorei te reencontrar, Rick.
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  Perplexo, ergueu as pálpebras por reconhecer a voz aveludada.
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  A centímetros de distância, Edward o admirava com sorriso travesso, aprovando a combinação deles no encaixe surpreendente através das íris brilhantes e das pupilas dilatadas no centro dos olhos verdes.
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  Graças a falta de reação pelo outro pestanejar com o queixo caído em ar aturdido, murmurou em preocupação:
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  — Tudo bem?
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  Levou instantes para o cérebro registrar a inquisição, achando curiosa a tonalidade carregada de afeto.
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  — Sim. — Deu um toque na covinha alheia localizada no queixo. — Agora estou bem, sim. Adorei a sua forma de receber velhos amigos, inclusive.
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  Apreciando a provocação, Edward, guiado pelas emoções sem ressalvas, arrastou os lábios até a orelha sem ignorar como Richard respirou fundo inalando o perfume na pele exposta do pescoço.
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  — Essa recepção só é destinada apenas para quem sinto saudade.
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  O vendo assentir, Edward se ajeitou no lugar prolongando o contato corporal pelas digitais deslizarem por onde estava ao alcance. Por fim, se inclinou para beijar os cabelos cobres e se acomodou, captando a aprovação dos amigos.
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  — Precisava disso?
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  A repreenda de Ralph era gélida, o tom cortante quebrando o encanto.
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  Retornando para a realidade onde assistia à partida de basquete na companhia do namorado na desconfortável posição de amante fixo, se virou para o mais velho em expressão irônica.
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  — Não vejo motivos para o mau humor. Eu te flagrei beijando a sua esposa na companhia dos filhos, então agora estamos quites, benzinho. — Jamais a fronte seria banhada com tamanho atrevimento.
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  Falou despretensioso, passando o polegar no canto da boca como se para degustar dos últimos vestígios do delicioso beijo, em exibição implícita de como repetiria o ato caso surgisse a oportunidade. Em seguida, abriu sorriso cínico cujo brilho não atingiu as íris azuis.
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  Em outro cenário se classificaria como mesquinho. A falta de argumentos para rebater a mensagem lhe despertou plena satisfação velada, demonstrada através dos globos a arrogância, visto como saiu por cima ao invés de engolir a humilhação calado.
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  Ao longo da partida, se concentrou em não virar para trás, contando os minutos restantes para se retirar por sentir o peso do olhar de Edward sobre si.
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  De maneira inconsciente, evitou o contato corporal com Ralph, apesar dele buscar por si — talvez prevendo como a relação tinha prazo de validade por se abster enquanto outro tomava a atitude correta para com Richard.
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  Torcia para o dia finalizar o mais rápido possível por não almejar permanecer na presença do namorado.
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  Aguardava Ralph na esquina de onde se encontraram. Graças ao início do entardecer, observava a pele dele a dez metros de distância tomar aspecto dourado pela exposição à luz solar.
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  Agora não havia razão para esconder com quem conversava no celular ou para quem eram as mensagens enviadas, então se viu no direito de murmurar o nome do filho ao se afastar para o diálogo.
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  Se questionou quais abraços eram os mais calorosos — quando abraçava a esposa ou quando abraçada Richard.
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  — Esse mundo é muito pequeno.
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  O sobressalto lhe tirou dos devaneios, se virando de imediato por reconhecer a voz rouca.
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  — Nunca pensei te encontrar de novo após tantos anos, Rick.
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  Sorridente, Edward enlaçou o corpo por, talvez, tempo demais, em gesto carregado de afeto. Durante os segundos harmoniosos o rapaz foi tomado pelo calor da pele firme, constatando novamente como não havia embaraço por parte do velho amigo na demonstração de ternura.
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  Pela posição não viu como o semblante de Edward relaxou, as pálpebras fechando para degustar cada sensação proporcionada pelo momento — tanto as sensoriais quanto as emocionais. Arrastou a ponta do nariz até o vão entre o ombro e o pescoço, inalando o cheiro natural da derme crua. Não reprimiu a vontade de mordiscar de forma tênue a área sem deixar marca nela.
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  Para não lhe dar tempo de raciocinar acerca da atitude íntima em demasia, se separou — não sem visualizar a epiderme arrepiada pela ousadia.
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  — Como andam as coisas contigo?
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  O interesse de Edward em si era genuíno.
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  Assim como se lembrava, uma das características marcantes era a preferência por diálogos e relações mais profundas.
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  Graças a natureza franca, o traço de personalidade não mudou.
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  — Bem, num geral.
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  Pigarreou para firmar a voz falha, visivelmente afetado pela conduta irreverente da qual gostou mais do que deveria — e o fato de como derreteu naquele breve instante nos braços alheios era prova suficiente da comoção.
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  Em ar divertido beirando ao estado de decifrar intrigante segredo, Edward crispou os lábios e os cantos caíram por ínfimo átimo, o brilho no olhar denunciando como decodificou a reação corporal.
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  — Estou trabalhando com enfermagem — prosseguiu, aliviado pelo tom voltar ao normal. — Adoro meu trabalho, mas chego morto dos plantões. Prefiro passar as horas a seguir dormindo.
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  — Não tiro a razão — comentou tirando um cisco imaginário dos cabelos cobres em pretexto para apreciar a textura. — Sou cirurgião cardíaco, então sei bem como é o ritmo de hospital.
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  A transformação foi rápida. De súbito as íris se intensificaram, fitando Richard num misto de curiosidade e desvelo.
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  — Sobre o trabalho eu já imaginava — prosseguiu dando um passo para frente, ambos os peitorais quase se encostando. — Sempre gostou da área de saúde. Eu gostaria de saber sobre você. Como você está? A vida tem sido gentil contigo?
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  Se manteve calado por alguns segundos, perdido nos globos expressivos que pareciam ler a sua alma.
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  Edward matou rápido a charada — ou melhor, compreendeu que o outro não era nenhum exemplo de felicidade verdadeira. Apenas não sabia há quanto tempo estava naquela condição incômoda e nem qual era o motivo disso.
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  Detestava não poder postar as fotos de casal, agirem como amigos quando saíam e ter tão pouco tempo pra aproveitar escondido e isolado os momentos legais proporcionados pelo relacionamento.
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  Engoliu em seco e cruzou os braços. Encolhendo os ombros, pareceu frágil, enfim expressando a vulnerabilidade sem optar pela falsa dissimulação. Abaixou a cabeça em postura tensa, refletindo até onde seria prudente atualiza-lo sobre sua vida cujo único cenário destoante era tudo o que Ralph representava.
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  — Me responda uma pergunta primeiro.
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  — Claro.
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  Ergueu a cabeça sustentando o contato visual. Vasculhou qualquer mínimo sinal de desinteresse ou que a personalidade mudara ao longo dos anos de forma negativa. Descobriu que não.
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  — Por que me beijou na arquibancada?
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  — Porque, meu caro, eu não iria permitir que passasse por constrangimentos. — Sem cerimônia, encaixou a palma na lateral do pescoço de Richard. — E também porque eu nunca fui indiferente a você.
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  — Não sentiu vergonha ou...
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  — Vergonha de quê? — Franziu o cenho em incompreensão.
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  — De mim ou de sermos gays.
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  — E por que caralhos eu teria vergonha de você ou de quem somos?
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  Não houve irritação na réplica. Soou perplexo, como se o assunto fosse fora de cogitação por se aceitar plenamente como homem homossexual.
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  Pela inexperiência na parte afetiva, buscava justificativas para a conduta do amante.
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  Richard soltou uma risadinha sem humor, enfim dimensionando as atitudes de Ralph para consigo.
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  — Respondendo a sua pergunta, Ed, estou tranquilo. Só cometi um puta erro por ignorância. — Olhou de soslaio em indicação inconsciente para o futuro ex-namorado, que os observava ao longe com o telefone na orelha. — Mas ainda hoje irei consertar isso.
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  — Se puder resolver logo, agradeço. Vou com os meus amigos pra um bar novo onde minha prima está nos aguardando em comemoração à promoção no trabalho. Vem conosco. Ainda não fui com eles porque vim falar contigo primeiro.
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  — Eu vou, sim. Me espera? É rapidinho.
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  — Claro. Estamos ali. — Apontou para a barraquinha de cachorro-quente onde Finn comprava água.
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  — Já encontro vocês.
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  Tomado de expectativas positivas, Edward não reprimiu o desejo e lhe roubou rápido selinho inesperado. Caminhando para trás, avisou antes de se virar em feição alegre:
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  — Gostei demais do sabor dos seus lábios para não querer repetir.
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  Adorou ver como o rosto de Richard se iluminou com o comentário, o largo sorriso radiante em aprovação.
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  Ralph retornou em sua direção apressado.
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  Se viu o selinho, não demonstrou.
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  — Está com fome, amor? Vamos naquele restaurante italiano... — Estendeu a mão para segurar a do outro.
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  — Não. — Decidido, se desvencilhou do toque e cruzou as destras nas costas.
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  — Está sem fome? Podemos ir pra sua casa...
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  — Ralph, não — proferiu impassível. — Não vou pra nenhum lugar contigo porque não vejo sentido de levarmos essa relação adiante.
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  — Está terminando comigo?
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  — Sim.
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  — É sério isso? Amor, eu te amo. Eu sei que você me ama. Até ontem tudo estava bem entre nós...
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  — Estava bem pra você — o interrompeu. — Tudo é muito confortável pra você. Pra mim não é. Não sabe como morro de culpa pela sua postura. Você é casado. Tem um casamento nas costas e nem sequer teve a decência de me falar quando começamos a sair. Me recuso a dividir a pessoa que amo com outro. Ou melhor, outra. Pra você é tudo fácil. Não precisa desistir de nada e nem adianta mentir pra mim dizendo que vai. Permanecerá dentro desse casamento fadado ao fracasso por pura covardia.
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  — Eu não sou covarde.
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  — Então por que não se separa, banca quem é pra sua família e vive de acordo com o seu próprio modelo de vida?
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  — Amor não desaparece da noite pro dia — rebateu pela falta de argumentos. — Se eu fiz algo de errado, vamos conversar. Eu consigo melhorar.
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  — Ok. Largará a sua esposa, se assumirá socialmente e vai me declarar publicamente como seu namorado?
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  O silêncio sepulcral acompanhou o endurecimento da feição do mais velho, incapaz de retrucar as exigências.
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  — Foi o que pensei, Ralph. — Deu de ombros sem se abalar.
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  Com o diálogo finalizado, passou pelo ex em direção a Edward, que acompanhava sério a cena de longe.
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  Era óbvio como estava atento para a possibilidade de precisar interferir caso Ralph não aceitasse o término.
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  — Querido, espera. — Segurou o braço o impelindo a se virar. — Eu amo você — murmurou com os olhos marejados. — Eu juro, sempre te amei. Não o quero fora da minha vida.
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  — Eu sei. Nunca duvidei dos seus sentimentos. Mas eu mereço muito mais do que você tem a oferecer pra mim.
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  Saboreando o amargor do coração partido, Ralph acompanhou o homem por quem se apaixonara sair na companhia do desconhecido que lhe beijou na arquibancada, o peito doendo por assimilar o contraste entre ambos — ao contrário de Ralph, não tinha impedimentos para caminhar lado a lado com Richard pela rua e o braço enlaçando a cintura do rapaz era demonstração clara de que não negava a própria essência.
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  Ao lado de Edward e cercado pelos amigos dele, Richard experimentou a tranquilidade que o futuro lhe guardava.
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  A noite festiva no bar com karaokê foi ótima. Dialogou, riu e lanchou em perfeita comunhão com todos — em especial o velho amigo, de quem descobriu apreciar as gentilezas e o afeto transmitido em pequenos gestos como olhares, toques, implicâncias e sorrisos.
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  De imediato os presentes descobriram quem era o objeto de interesse de Edward — principalmente por ter colocado a perna sobre a do rapaz, em clara demonstração de como se sentia confortável na presença dele.
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  Foi levado para casa no carro de Edward. Sentado no banco da frente na escura rua deserta, dialogava com o motorista em conversa amena ainda envolto na energia da reunião agradável.
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  — O mais difícil, meu bem, é encontrar alguém legal — retrucou Richard aos risos.
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  — Nem sempre — rebateu Edward desligando os faróis. — Você ficou sozinho porque quis na época da faculdade. A oportunidade estava na sua frente o tempo todo.
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  Não esperava soar tão sincero.
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  Após alguns segundos do silêncio necessário para Richard assimilar as palavras, disse esperançoso:
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  — Gostei muito de te reencontrar. Nos veremos de novo, Edward?
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  — Aí depende — murmurou, a atmosfera mudando em prelúdio ao que se referia.
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  — Do quê?
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  — Vai aproveitar a oportunidade que está na sua frente pela segunda vez ou dispensa-la de novo?
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  Não havia exigências.
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  Era apenas uma pessoa querendo a verdade acerca do que ambos poderiam usufruir juntos no decorrer dos anos.
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  Se recordando das vivências de quando eram estudantes, Richard lembrou que por diversas vezes pensou como imaginava Edward no papel do namorado ideal.
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  Os dois combinavam, compartilhando de peculiar harmonia. Um cuidava do outro, um enviava mensagens pro outro de bom dia e boa noite, um se lembrava do outro ao comprar mimos dos quais o par gostaria de receber — mesmo que fossem simples como brigadeiros ou doces para dividirem.
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  Embora naquela época se classificassem como amigos, não agiam exatamente como apenas amigos. Agora, enxergando o cenário mais distante e com mais amadurecimento pelo avançar da idade, compreendia o temor de colocar a amizade a perder ao tentar avançar com a relação.
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  Movido pelas novas impressões, pelo atencioso tratamento para consigo e pela certeza do que queria para a sua vida, saiu do banco em direção a Edward. Se acomodou no colo alheio, cabendo perfeitamente tanto no espaço apertado quanto no quadril alheio.
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  Pela proximidade, detectaram as reações corporais — os corações acelerados contra o peito, a sombra de sorrisos querendo desenhar nos cantos dos lábios e o conforto da posição que lhes trazia a sensação de aconchego.
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  Inclusive, seria a preferida deles ao longo dos anos, a aproveitando quando estivessem enlouquecidos pela lasciva enquanto Richard o abraçava em meio a gemidos mútuos ou quando apenas quisessem aproveitar dos afagos castos.
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  — Dessa vez vou aproveitar, sim — disse fitando os globos cujo verde era similar ao castanho naquela escuridão, sentindo as palmas ásperas repousarem nas ancas. — Ou melhor... — embalou o rosto com as palmas — já estou aproveitando.
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  Finalizou em meigo beijo.
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  Três anos depois se casariam na cerimônia onde postariam as fotos nas redes sociais.
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  Ralph, por sua vez, passaria tempo demais acompanhando a vida de Richard nas redes sociais em pura amargura, desejando ser ele ali ao invés de Edward.
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