Ready to run

Escrito por Liv | Revisado por Lelen

Tamanho da fonte: |


Capítulo 1 — mudança

  2012.
  Seo observava o céu pela janela do avião, sem se importar quando pousariam ou se passariam por alguma turbulência. Sua mente viajava pelas lembranças do que havia deixado para trás, e o seu coração se entristecia por ter que abrir mão das coisas que ele mais amava — por mais que, bem lá no fundo, sabia que precisava seguir em frente e para isso, tinha que se mudar. Mudanças não são fáceis e muitas vezes são desconfortáveis, mas, para o garoto, um misto de sentimentos tomava conta de si, e ao mesmo tempo que se sentia inquieto e assustado, algo parecia dizer que era o certo a se fazer, e esse pensamento o acalmava, como se o envolvesse em um abraço quentinho. Ele não sabia o que esperar de Los Angeles além do que via nas suas férias — que duravam um mês —, porém, esperava que pudesse fugir de tudo aquilo que deixou em Seul, e também desejava que a cidade só trouxesse coisas boas para si, o permitindo viver uma nova etapa da sua vida sem preocupações e tristezas.

🎨

  — Essa será a nossa nova casa. O seu quarto continua no segundo andar do jeitinho que você deixou, e você terá uma semana para se adaptar à vizinhança até o início das aulas, tudo bem?
  Seo Donghae ofereceu um sorriso para o filho, recebendo um aceno positivo de volta. O mais velho ainda estava preocupado com o garoto, mas em sua mente só havia espaço para pensamentos positivos, apesar de recentemente ter passado por diversas mudanças em sua vida pessoal e profissional. Por mais turbulento que tenha sido os últimos meses, Donghae precisava continuar com a cabeça erguida não só para si, mas para conseguir cuidar de e prestar todo o apoio necessário para o seu filho, que também sofreu com todos os recentes acontecimentos. O homem olhou para o garoto com um aperto no coração, desejando aos céus que a mudança de ares lhe fizesse bem, afinal, a cena de chorando em seus braços e pedindo para ir embora ainda martelava em sua mente, e o mais velho só queria que seu filho pudesse ser feliz. No entanto, Donghae sabia que não tinha como controlar tudo, e mesmo preocupado, ele respeitaria todos os limites do mais novo e estaria ali caso precisasse do seu apoio.
  — Vou subir — anunciou ao pé da escada, com a sua mochila nas costas. — Depois desço para o jantar.
  Seu pai concordou, e assim que ele sumiu do seu campo de visão, prosseguiu para o andar de cima, indo direto para o seu quarto.
  O cômodo continuava o mesmo, e o cheiro de erva doce parecia estar mais forte do que nunca, e agora ele não sabia se havia sido algo que seu pai planejou ou uma visita rápida do espírito de sua mãe. O menino apenas sorriu fraco e se jogou na cama, ignorando a mochila cheia incomodando as suas costas; estar nessa casa trazia muitas lembranças de quando era criança e de quando sua mãe e sua avó ainda estavam ao seu lado. Boa parte das suas férias eram passadas em Los Angeles, especialmente por sua avó, Kang Da-hyun, ser uma artista que odiava ficar presa à Seul, mas que tinha certas limitações por culpa da família do seu avô paterno, que era um tanto conservadora e tradicional. As viagens para a cidade dos sonhos eram sempre animadas, divertidas e libertadoras, e Da-hyun aproveitava a oportunidade para expor as suas pinturas, já que acontecia uma feira de artes durante a época. não sabia se essa feira ainda existia, mas estava curioso para descobrir e, quem sabe, expor algum trabalho seu, visto que ele amava tanto pintar quanto sua avó. Um sorriso brotou em seus lábios em meio às lágrimas que rolavam por suas bochechas coradas, e por mais que estivesse incerto do seu futuro e com o coração machucado, algo dentro de si dizia que tudo ficaria bem. E assim, embalado em sentimentos melancólicos e pela brisa fresca que entrava pela janela, o garoto adormeceu.

🎨

   acordou um pouco perdido, sem saber quanto tempo havia durado o seu cochilo. Ele espiou pela janela e o finzinho da tarde havia chegado e o sol estava quase se pondo, o que o fez se levantar e ir ao encontro de seu pai, que estava na sala assistindo um filme. O mais novo se sentou ao lado do outro e deitou a cabeça no seu ombro, suspirando alto; Donghae encarou o filho e soltou um riso baixinho, achando adorável a forma como sempre ia até ele após acordar de seu cochilo com a feição emburrada. Uma das coisas que o menino mais gostava era de dormir, e quando era acordado ou acordava do nada, ele costumava ficar emburrado por um tempinho.
  — Fiquei sabendo que vai ter uma pequena queima de fogos naquela pracinha — Donghae comentou despretensiosamente, olhando para a TV.
  — Ah, sim — respondeu sem muita animação.
  — E que tem cavaletes de pintura para quem quiser usar disponíveis...
  O homem não precisou falar mais nada para que seu filho desse um pulo do sofá e corresse para o andar de cima, voltando vinte minutos depois de banho tomado e com sua bolsa de pintura no ombro, visivelmente afobado. Seo suspirou e sorriu, indo na cozinha e pegando uma bolsinha de marmita, que logo entregou pra .
  — Aquela senhorinha dos gatos ainda é a nossa vizinha e estará lá, aparentemente o neto dela está aqui para visitar. Se precisar de algo, é só falar com ela, certo? Não volte tarde, querido.
  — Obrigado, appa! — O menino abraçou o pai rapidamente.
  — E se lembre: ter companhia para comer torna as refeições mais divertidas!
   deu um tchauzinho para o outro, sentindo o coração quentinho. Todo o cuidado de Donghae não passava despercebido, e o mais novo ficava feliz de ter um pai tão incrível como ele, que sempre estava ao seu lado o apoiando.
  Não demorou mais do que dez minutos para o garoto avistar a aglomeração na pracinha, e uma sensação boa tomou conta de todo o seu corpo. Fazia tempo que não via metade da sua vizinhança, e estar de volta trazia inúmeras memórias do passado, e felizmente, todas eram maravilhosas, e bastou que uma pessoa o reconhecesse para que as demais viessem em sua direção para cumprimentá-lo.
  — , querido! — Vivian, a senhorinha que seu pai havia falado, segurou o seu rosto com delicadeza, sorrindo. — Você está enorme! Espero que esteja bem.
  — E a senhora continua belíssima!
  — Isso se chama genética — pausou — e produtos caros, querido. Bom, acredito que todos terão um tempinho pra falar com você, mas eu queria aproveitar e te apresentar ao meu neto. Só me deixe achá-lo... ei, ! Vem cá!
  Seo tentou descobrir quem era o tal “”, mas com a quantidade de pessoas à sua volta, ficou meio difícil de saber quem era quem, principalmente quando apareceu quatro garotos na sua frente, aparentando ter a mesma idade que a sua.
  — , gostaria que conhecesse o , o nosso mais novo vizinho! , esse é o , meu neto.
  — Prazer, ! Espero que possamos ser amigos.
  Era como se todas as palavras do mundo tivessem sumido assim que apertou a mão do menino, e quando os seus olhares cruzaram novamente, Seo sentiu todo o seu corpo reagir, sem compreender muito bem o que estava causando a sua inquietação. A interação que era para durar apenas alguns segundos, parecia estar durando muito mais, como se estivessem em câmera lenta e debaixo de um holofote que só iluminava os dois; sorriu e não aparentava estar incomodado com o longo aperto de mão, e se viu completamente perdido no sorriso do garoto, o deixando ainda mais confuso. Aos poucos Seo lembrava que tinha outras pessoas à sua volta, e assim que terminou de se apresentar rapidamente para e seus amigos, ele quase que correu para onde estavam os cavaletes, sentindo o seu coração acelerar.
  — Por que estou me sentindo assim? — sussurrou para si mesmo, ajeitando o seu material para começar a pintar. — Não é como se eu já tivesse esquecido o Seungcheol...
  — O que você está resmungando aí, ? — surgiu atrás de , espiando os seus pincéis. — Oh, que conjunto legal! O meu foi minha vó que me deu, olha.
  — Uau! — ficou maravilhado com a qualidade das cerdas, tão macias e outras tão firmes. — Você também gosta de pintar?
  — Sim, vim hoje por causa dos cavaletes! — Se acomodou ao lado dele, ajeitando a sua tela. — E por curiosidade para saber quem é o meu mais novo vizinho.
  — Ah, somos dois, então! — Apesar da última fala de ter sido em um tom mais baixo, Seo conseguiu escutar perfeitamente independente de todo o falatório na praça. — Também vim quando soube que ia poder fazer pintura ao ar livre...
  — Eu entendi. — Riu. — Vamos começar?

🎨

  Quase duas horas se passaram e os meninos estavam prestes a finalizar suas respectivas pinturas, e Seo não continha a sua curiosidade, espiando toda hora a arte do vizinho, a achando tão linda por mais que não conseguisse passar mais de cinco segundos a admirando, afinal, precisava terminar a sua antes da queima de fogos que aconteceria em breve. voltou a atenção para a sua tela e ficou feliz com o resultado; ele decidiu reproduzir a cena à sua frente, então incluiu vários moradores, o céu estrelado e a pracinha; já optou por se representar na pintura — na opinião de Seo —, utilizando o mesmo cenário e focando bastante nos mínimos detalhes, como nas estrelas e nas árvores, diferente de .
  — Acho que com esse vento todo elas vão secar mais rápido do que pensamos. — alongou os braços e deu uma olhada à sua volta, vendo o trabalho das outras pessoas. — O pessoal aqui é bem talentoso.
  — Né? Minha avó adorava vir pra cá por causa disso, essa vizinhança era conhecida por ser bem artística e aqui ela conseguia se expressar. — Sorriu.
  — Quando estou aqui me sinto desse jeito. — Desviou o olhar para o aglomerado de pessoas que aguardavam a queima de fogos. — Livre e feliz.
   não respondeu, no entanto, desde que soube que se mudaria para Los Angeles, ele ficava pensando se conseguiria ser quem era verdadeiramente ao deixar Seul e todos os acontecimentos ruins para trás, e se questionava se a sua liberdade seria apenas igual à de sua avó, momentânea. O adolescente queria poder gritar aos quatro ventos que queria viver da forma que quisesse, que nada e nem ninguém o impediria de se expressar ou de ir atrás do seu sonho, e que ele poderia sim amar livremente, sem medo dos julgamentos alheios.
   queria ser livre.
  E feliz.
  — Também quero isso... — falou baixinho ao encarar o chão.
  — E o que te impede?
  Na mesma hora, a queima de fogos começou, e tudo pareceu perder a importância, já que a única coisa que conseguia focar era o cenário tão bonito que se formava no céu. A mistura de cores e de formatos prendeu totalmente a sua atenção, e a sensação de leveza que sentiu ao deixar de lado os seus pensamentos era incrível, e assim que o seu olhar cruzou com o de , sorriu sinceramente, extremamente feliz de estar ali naquele momento.
  — Vem, vamos assistir os fogos de mais perto! — estendeu a sua mão e Seo logo aceitou, a apertando firme. Eles passaram por meio da multidão e encontraram um local bem na frente, onde continuaram de mãos dadas enquanto assistiam ao show. não sabia o motivo, mas algo lhe dizia que ele estava no lugar certo, na hora certa, e o menino começava a cogitar que talvez tudo aquilo que desejou para a mudança, talvez se tornasse realidade.


  N/A: eu falei que íamos ver mais do e do seu noivo misterioso 👀
  Esse é o primeiro capítulo da história do e do , e posso adiantar que nessa só teremos amor e sucesso (talvez um draminha?) 🥳
  Desde que eu comecei a escrever “Can you hold my hand?”, eu pensei em trazer uma história do , e finalmente consegui! Terá menções aos personagens da fic do Scoups, então se quiserem dar uma olhadinha na outra fic, fiquem à vontade 💜
  Espero que tenham gostado!
  Até a próxima <3

Capítulo 2 — uma pintura para você

  Seo encarou o céu pela janela e levantou da cama disposto, torcendo para que o início da semana fosse tão incrível quanto desejava. Ao chegar em casa após a queima de fogos, o garoto sentia como se estivesse nas nuvens, e por mais que não quisesse confessar, parte disso era por causa do seu mais novo amigo, , que lhe fez companhia tanto lá na praça quanto na volta — e claro, Vivian estava junto.
   sempre teve um círculo pequeno de amigos próximos, por mais que não tivesse problemas em ser comunicativo com o restante da sua turma; contando com ele, o seu grupo tinha cinco integrantes, e desde que se entendiam por gente eles estavam juntos, então, com a mudança, Seo achava que só conseguiria fazer amigos quando as aulas começassem, apesar de não querer que ninguém tomasse o lugar deles. Quando conversou com seu pai sobre isso, o mais velho disse que ninguém tomaria o lugar de ninguém, e que se quisesse e permitisse, todos teriam o seu lugar especial no coração do menino, e isso fez com que Seo percebesse que estava tudo bem se abrir e fazer novas amizades. Portanto, ao ser apresentado para , se sentiu confortável com o pensamento de ter um novo amigo, mesmo que tentasse ignorar a sensação estranha que lhe causava. O seu último relacionamento acabou de maneira abrupta e que partiu o seu coração, e o menino se perguntava se era certo tentar entender a tal sensação que o seu mais novo amigo causava, no entanto, antes que pudesse se perder nesses pensamentos, seu pai o chamou do pé da escada:
  — , você tem visita!
   respondeu que já ia, mas estava extremamente confuso com a visita repentina. Era o seu segundo dia em Los Angeles e as únicas pessoas com quem tinha um certo contato eram Vivian e , mas a avó do amigo disse que eles tinham planos para hoje, o que fez a sua curiosidade crescer ainda mais. Ele deu uma última olhada no espelho e sorriu, percebendo que sua feição estava melhor do que ontem, mais... alegre.
  — Quem é? — questionou ao seu pai assim que começou a descer as escadas.
  — Acho melhor você ver com os seus próprios olhos, filho. — O mais velho sorriu, desviando o olhar para a visita.
  — Aish, pra que tanto suspense... — chegou no fim da escada e logo encarou a porta aberta, sem acreditar na visão à sua frente. — Mimi?
  — My love!
   recebeu a garota de braços abertos, que não demorou para pular em si, visivelmente feliz por poder vê-lo. Mia O’Brien era a irmã mais velha de Kayla — sua melhor amiga que morava em Seul —, que decidiu morar com sua mãe em Los Angeles enquanto o seu pai e irmã moravam na Coreia do Sul. Por mais que tenha ficado mais tempo em LA, Mia sempre visitava a família e o amigo nas suas férias assim como Seo fazia, e eles viviam grudados sempre que se viam — o que fazia as pessoas pensarem que ambos engatariam em um relacionamento quando crescessem. Vê-la depois de tanto tempo o fazia ficar animado, e finalmente poderia matar as saudades da amiga, no entanto, uma outra pessoa surgiu na porta, parecendo se divertir com a cena.
  — ?! — ainda estava nos braços de Mia ao perceber quem era a segunda visita, e a aparição do outro o deixou um tanto surpreso, algo que não passou despercebido por O’Brien.
  — Bom dia, . — Ele tentou conter a risada por causa da situação. — Quando essa aí disse que um amigo viria pra vizinhança, não imaginava que era você.
  — Vocês se conhecem? — Seo olhou pros dois com uma interrogação estampada em seu rosto, completamente perdido.
  — Infelizmente. — Mia rolou os olhos, apertando as bochechas do garoto. — Esse aí é o meu melhor amigo que às vezes lembra que eu existo e vem me visitar... que nem você.
  — Tudo bem, me desculpa! — não aguentava mais sentir as suas bochechas serem puxadas de um lado para o outro.
  — Bom, viemos aqui te chamar para irmos à praia! Tio, o pode ir com a gente? Tia Vivian está no quiosque de sempre.
  — A escolha é dele, pequena Mia. — Donghae riu.
  — Aposto que você vai gostar, . — estava encostado na porta com uma feição tranquila.
  — Vou só me trocar — avisou ao subir as escadas correndo, retornando em menos de cinco minutos. — Até mais tarde, pai!
  — Cuidado, crianças. Não se esqueçam de passar o protetor!
  Os três se despediram do homem e começaram a andar em direção ao mar, que ficava cerca de quinze minutos da vizinhança que moravam. Durante o trajeto, O’Brien segurou a mão dos dois, fazendo eles correrem até avistarem a praia, e não é preciso dizer que o trio pisou na areia ofegante, já que nenhum deles fazia parte do clube de atletismo e preferiam pintar do que se exercitar.
  — Olha, vamos curtir bastante! As aulas voltam semana que vem, e eu quero criar várias memórias com os meus melhores amigos!
  — Você diz isso, mas marcou um encontro com a Amy aqui e... ai, ai! Larga a minha orelha, sua doida! — caiu na gargalhada ao ver a cara de enquanto estendia as toalhas que Mia havia levado.
  — Para de estragar as minhas novidades, eu que tenho que contar pro meu amor, tá? — A garota bufou e foi ajudar Seo a arrumar as coisas.
  — Tá, e quem é Amy? — olhou sugestivo pra amiga, que logo ficou com as bochechas coradas.
  — A gente estuda na mesma sala desde o ano passado, e começamos a sair tem um mês. Demos nosso primeiro beijo no último encontro. — Mia parecia estar toda apaixonada, e ficava feliz pela amiga. — Bom, quando ela chegar eu apresento vocês! Agora vamos aproveitar esse mar!

🎨

  — É, ela largou a gente mesmo.
   suspirou ao ver a amiga mais afastada, brincando na água com Amy, que chegou um pouco depois deles. Os quatro conversaram por um tempinho até as meninas decidirem ir mergulhar, e desde então, havia se passado uma hora que e estavam na companhia um do outro, jogando conversa fora. Seo adorava o mar e possuía várias memórias boas com ele de fundo, tanto com seus pais, sua avó e os seus amigos de Seul, talvez fosse por isso que acabou se perdendo nos seus pensamentos e foi embalado por uma brisa um tanto melancólica; ele sentia falta desses momentos, sentia falta de estar no seu mundinho onde tudo era maravilhoso e todos se protegiam. Mas, quando a paz foi interrompida, se viu em uma situação em que queria correr. Correr para o mais longe que conseguisse, até suas pernas não aguentarem mais. queria correr, e correu.
  Só que ele não estava pronto para isso, e talvez fosse essa a razão pela qual o seu interior se remexia por completo com o pensamento de estar dando início a algo novo.
  — Aqui, pra você. — lhe entregou uma casquinha de sorvete de chocolate, trazendo o garoto para a realidade.
  — Ah, obrigado. — Seo sorriu sem graça.
  — É o segundo dia que nos conhecemos, e você parece estar sempre em outro mundo.
  — Desculpa.
  — Pelo quê? — encarou o mar e fechou os olhos, sorrindo. — Acho que faz parte do seu charme, mas não sei o motivo que faz você parecer estar tão triste.
  O menino ficou quieto, apenas saboreando o seu sorvete que já estava a derreter. Ele não queria se abrir com ou com Mia, principalmente por acreditar que era melhor deixar o passado para trás, no entanto, mesmo em dois dias, se sentia à vontade com o garoto, e isso causava um certo medo em si.
  — Eu sei que tenho um charme — comentou um tanto convencido, ignorando a última parte da fala do outro.
  — É, deu pra notar.
   se viu preso na cena à sua frente, especialmente nos olhos do rapaz; parecia uma pintura, e queria muito memorizar todos os detalhes para que pudesse gravá-los em uma tela, desde o cabelo molhado e bagunçado do garoto até os seus pés que estavam cobertos de areia, com o mar de fundo.
  O sol ia se pondo bem lentamente, entregando uma paisagem tão linda que transformava tudo em algo mágico, e Seo, embalado por todo o cenário, levou a sua mão para a testa do amigo, afastando o cabelo dele que insistia em ficar na altura dos seus olhos. Os dois não disseram nada, apenas ficaram admirando um ao outro em silêncio, como se quisessem manter esse momento somente para eles. desceu os seus dedos para a bochecha de , dedilhando a sua pele calmamente, reparando em todos os mínimos detalhes do rosto do menino, e quando colocou a sua própria mão sobre a dele, voltou à realidade, contudo, permaneceu da mesma forma, tentando entender o que estava sentindo.
  — Sua mão é macia — comentou sem quebrar o contato visual. — Mas ainda dá pra sentir os calos por causa dos pincéis.
  — Ei, não tem calo nenhum, olha! — não percebeu, mas havia chegado perto o suficiente de para provar o seu ponto.
  — É, talvez você esteja certo. — Só agora reparou o quão perto eles estavam. Perigosamente perto.
  — Ei, ! Pare de estressar o meu amor!
  Seo suspirou aliviado ao ver Mia e Amy vindo na direção dos dois, sendo salvo a tempo. Sua cabeça estava confusa em relação a tudo, então o garoto precisava pensar no que aconteceu no último mês e nesses dois dias, e para isso, tinha que voltar para casa, e felizmente a avó de também chegou, pronta para acompanhar todos os adolescentes.

🎨

  — A vida não é fácil.
   suspirou pela milésima vez, soltando o pincel em algum canto da sua escrivaninha. A sua mais nova obra estava perfeita, mas havia algo que o estava incomodando, e ele não fazia a mínima do que podia ser. Dois dias se passaram desde a ida à praia, e desde então, ele trocava apenas mensagens com Mia, Amy — ele e a garota se deram bem logo de cara — e , mas com esse, o contato era um pouco mais devagar. ainda se via preso em um labirinto de sentimentos, em uma montanha-russa que parecia que tinha ficado empacada na subida, e o jovem não sabia muito bem como agir.
  — Gostaria de compartilhar o motivo da vida não ser fácil?
  Seu pai apareceu na porta do seu quarto trajado com o seu avental, o que anunciava que a janta ainda não estava pronta. se sentou na cama, aguardando que o mais velho se juntasse a si, no entanto, Donghae continuou em pé, observando a mais nova arte do seu filho.
  — Você tem ignorado o seu amigo por dois dias, mas fez uma pintura dele. — O homem riu, vendo que ficou com as bochechas coradas.
  — Como você sabe?
  — Você tem suspirado a cada meia hora quando estamos juntos ao olhar o celular, e toda vez que Mia e vem bater na porta, você finge estar dormindo ou se tranca no banheiro. Sabe quantas vezes eu tive que dizer que você não estava se sentindo bem nesses últimos dias?
  — Desculpa. — O mais novo colocou um travesseiro no rosto, querendo se esconder.
  — Não é pra mim que você deveria pedir desculpas. E sinceramente, não precisa, se não quiser. Mas que tal tentar ser mais honesto com os seus amigos, e principalmente, com você mesmo?
  — Pai, você sempre soube que a mamãe era o amor da sua vida? — A pergunta repentina não pegou o mais velho de surpresa, mas fez com que ele entendesse melhor a situação do filho.
  — Eu tive certeza quando ela quase quebrou a mesinha de centro da casa do seu avô. — Donghae sorriu. — Tínhamos combinado de vir pra cá nas nossas férias juntamente da sua avó, mas minha família era contra, então, como uma pessoa normal faria, Rin simplesmente disse que se tentassem impedir, ela quebraria a casa inteira, começando pela mesa de centro que era passada de geração em geração. Nunca vi os meus avós e o meu pai com tanto medo de alguém. — Ele caiu na gargalhada, lembrando do acontecimento como se tivesse ocorrido ontem. — Nós não éramos casados e nem tínhamos o apoio da minha família, apenas da sua vó, e se antes eu já sabia que queria casar com Rin, depois disso, eu tive a comprovação de que ela seria a mulher da minha vida.
  — Quando a mamãe queria, ela movia montanhas. — sentiu o seu coração ficar quentinho com a história sobre Rin. — Você era o amor da vida dela?
  — Movia mesmo, e sobre a sua pergunta: eu era um dos seus amores. — Donghae se sentou ao lado do filho. — Rin nunca gostou muito de como romantizam essa ideia de somente uma única pessoa ser o amor da sua vida, já que, para ela, uma mulher é livre apesar da nossa sociedade, a vida é muito curta para nos prendermos a um só amor e depositarmos isso só no âmbito romântico. Antes dela me conhecer, o seu amor era voltado à arte, e depois, ela o dividiu comigo; quando você estava na barriga dela, você também era o amor da vida dela; as melhores amigas dela também eram os seus amores, do mesmo modo que o quadro e o prato favorito da sua mãe possuíam um espaço especial em seu coração. Portanto, Rin acreditava que o amor da sua vida não precisava de fato ser uma pessoa, mas podia ser algo que você sempre amou e adorou.
  — Oh, então ela era o seu próprio amor?
  — Com toda a certeza. Sua mãe se amava demais, sendo sempre confiante e decidida. — Donghae ajeitou os óculos que insistiam em deslizar pelo seu nariz. — Bom, seu pai aqui não quer mais alugar o seu tempo, mas se meus achismos estiverem certos, alguém está com o coração confuso, não é mesmo? — A reação surpresa de foi a confirmação da sua pergunta. — Você é novo, querido. E terá diversas situações que se encontrará assim: confuso e perdido. Não é porque você terminou um relacionamento que não pode dar início a outro.
  — Não parece justo... — Suspirou.
  — , não é errado outra pessoa ocupar um espaço em seu coração, seja uma amizade ou um namoro. As pessoas vêm e vão, e não é porque você não está mais junto de alguém que esse alguém perdeu a importância pra você, certo? Essa pessoa continuará no seu coração, mas ocupando um outro espaço, não acha? Você não precisa se forçar a tentar algo novo para esquecer o passado, mas não deixe de aproveitar as novidades por medo. Aposto que, assim como eu, ele gostaria de te ver feliz. E quem sabe ele também não está se sentindo desse mesmo jeito após ter conhecido alguém que possa ser um dos amores da vida dele? Bom, o timer está tocando, preciso ver como está a janta!
  O garoto se jogou na cama raciocinando o que o pai havia acabado de dizer, e mais uma vez, ele se sentia grato por ter nascido em uma família tão compreensiva e amável. Essa conversa o fez se sentir mais leve e a culpa foi se esvaindo, de forma que ele tomou coragem para mandar uma mensagem para seu ex, perguntando como tudo estava. O último mês havia sido cheio de mudanças bruscas e uma correria sem fim, onde se viu completamente perdido e com saudades de tudo, por mais que soubesse que precisava de uma mudança.

  “Oi, !
  Espero que tenha chegado bem em Los Angeles. A vida aqui por Seul continua a mesma, por mais que não seja totalmente a mesma sem você por aqui. As férias estão quase acabando, e em breve você vai iniciar o seu primeiro ano, né? Posso adiantar que não é nem um pouco fácil, Matteo insiste que eu passe as respostas pra ele hahaha
  Nós quatro sentimos a sua falta, e temos mais uma integrante no nosso grupo! O nome dela é Leylin, e nos conhecemos no mirante. Nunca imaginei que alguém fosse ao mesmo lugar que eu!
  Então... sei que tudo aconteceu muito rápido, e espero que você não se sinta culpado por algo que não foi sua culpa. Espero que a sua arte toque o coração das pessoas como tocou o meu, e que o meu melhor amigo possa ser feliz sem medo.
  Eu também quero ser feliz e guardar todas as memórias que compartilhamos juntos!
  Ah, e nada de ficar chorando porque terminamos! Já tivemos tempo o suficiente para chorar, né? Eu chorei bastante hahaha
  Seja feliz, !”

  Apesar do último mês ter sido uma loucura, o término havia sido um pouco antes dos demais iniciarem a vida no ensino médio lá em Seul, e ainda se martirizava por tudo o que tinha acontecido até agora. Por conta da mudança que estava programada para início de agosto, e seu pai foram morar com seu avô por meados de maio, e como a cidade do homem era bem longe, ele não conseguiria manter contato direto com os amigos, o fazendo remoer muito mais todos os acontecimentos e os seus sentimentos. Para piorar, a cobrança do seu avô para que não seguisse os passos de sua mãe e avó era sufocante, o que o fazia ignorar tudo a sua volta e se concentrar em apenas sair dali; com a mudança feita e a aparição de em sua vida, tudo relacionado a Scoups veio à tona, o deixando em um labirinto extremamente confuso. Agora, depois de ler essa mensagem, se sentiu extremamente aliviado, percebendo que estava tudo bem em seguir em frente e que ele não precisava ficar preso ao passado dessa forma.
  Decidido, Seo se levantou da cama e limpou as lágrimas, pegando a tela que mal teve tempo de secar e correu para fora da casa, indo imediatamente para a da sua vizinha, que o atendeu com um sorriso no rosto:
  — Ao que devo a honra? — Vivian estava com uma touca no cabelo e uma máscara no rosto, e se sentiu um pouco culpado por ter atrapalhado a mulher.
  — Queria saber se o está. — Coçou a nuca, um tanto sem jeito.
  — Ele foi pra praça tem um tempinho, querido. Poderia fazer o favor de trazer ele de volta?
  — Claro! — respondeu prontamente e saiu correndo em direção ao local, sem ao menos esperar uma resposta da sua vizinha.
  — Ah, a juventude! — Vivian suspirou, observando o garoto correr pela rua. — Parece que a magia do verão ainda não acabou para alguns, não é mesmo?

🎨

   encontrou concentrado na sua pintura, e ficou um tempinho ali, observando a forma como o menino conduzia o pincel. Era tão legal ver o modo como cada pessoa pintava, as técnicas usadas, as escolhas das cores, que Seo poderia ficar a noite inteira assistindo o amigo fazer a sua arte. Mas, como tinha um propósito, ele respirou fundo, chamando o outro em seguida:
  — ! — o olhou por cima do ombro, dando um sorriso ao ver quem era.
  — Ao que devo a honra, ? — Se virou para o garoto assim que colocou o pincel no cavalete.
  — Você falou que nem a sua avó. — Riu.
  — Ela basicamente me criou, aí acabei pegando algumas falas dela. — esticou a mão na direção de , fazendo um sinal para que ele se aproximasse.
  — Então... eu fiz. Pra você.
   entregou a tela incerto se o amigo iria gostar, e o fato de ter ficado em silêncio por um minuto inteiro fez com que o menino ficasse ainda mais nervoso.
  — Queria pedir desculpas por ter te ignorado nesses dois dias. — Olhou para o chão. — Sabe, é que antes de vir pra cá, aconteceram algumas coisas, e ter te conhecido me deixou confuso e... não é culpa sua, tá? É só que...
  — Obrigado pela pintura, ela é linda!
   interrompeu o garoto e o abraçou apertado, verdadeiramente feliz com o presente. ficou sem palavras, e se antes sua cabeça estava cheia, agora ela estava leve, como se todas aquelas preocupações e frases pela metade tivessem ido embora no momento em que se viu nos braços do outro. Um abraço quentinho e acolhedor, sob o céu estrelado e com a companhia de uma brisa fresquinha que embalava os dois em um cenário tão lindo e mágico.
   deitou a sua cabeça no ombro do amigo com um pequeno sorriso no rosto, fechando os olhos ao sentir o cheiro de tinta que havia respingado na roupa de . Ele não se importava de manchar a sua roupa, tampouco ficaria triste se a tinta não saísse ao lavá-la; o que importava mesmo era que, pela primeira vez nos últimos meses, a calmaria após a tempestade havia chegado.

CONTINUA...

  N/A: eu amo eles 🥺😭
  A Mia surgiu só nessa fic mesmo, e ela e a Kayla (Can you hold my hand?) são iguaizinhas 😂 talvez ela apareça na fic da irmã, veremos futuramente hehehehe
  A ida à praia foi TUDO. Amo que os casais tão se formando, e os quatro são adoráveis 🥺🥰
  Veio aí um pouco mais sobre o passado do e as confusões do seu coração, mas papai Donghae veio para dar um help e mostrar ao filho que estava tudo bem!
  E esse final do capítulo, gente? Eles são muito fofinhos 🥹
  Espero que tenham gostado!
  Até a próxima <3

Capítulo 3 — start of something new

  Os últimos dias foram tranquilos, e logo o final de semana chegou, o que causava um sentimento conflitante no quarteto que não queria que as aulas começassem, principalmente em , que havia escutado uma conversa de Vivian e Donghae falando sobre ter que voltar para a casa de seus pais na segunda-feira bem cedo. Essa notícia não o deixou nem um pouco feliz, ainda mais quando os dois compartilharam um momento tão bonito que o fez acreditar que eles poderiam dar início a algo novo, no entanto, deveria ter imaginado que o amigo só estava passando as férias na casa da avó, e que se ele não lhe contou que iria embora até agora, deveria ter um motivo. Apesar de tentar ser compreensivo, Seo estava o dia inteiro com a cara emburrada e suspirando pelos cantos, o que chamou a atenção de seu pai, que percebeu que o filho estava inquieto.
  — Querido, você poderia fazer um favor pra mim? — O mais velho surgiu no quarto do filho trajado com um avental, já que o hobby do homem era testar vários tipos de receitas enquanto não estava atuando como programador. — Acabei de assar alguns biscoitos, e prometi a Vivian que daria para ela a primeira remessa.
  — Tudo bem. — Colocou o pincel de lado, tirando o seu avental e se levantando.
  — Você não pensa que vai assim, né? Tem tinta até no seu cabelo. — Donghae riu. — Toma um banho primeiro e depois você vai lá. Deixei dinheiro na mesinha de entrada pra caso você queira sair com seus amigos, sabe, aproveitar essa tarde de domingo ensolarada.
   apenas assentiu e seguiu para o banheiro, terminando de se arrumar meia hora depois. Ele pegou o pote com os biscoitinhos amanteigados e se despediu do pai, guardando o dinheiro na sua bolsa; não sabia se queria sair com os amigos, no entanto, não faria desfeita da boa vontade de Donghae, afinal, ele poderia comprar novos pincéis no dia seguinte e não precisaria gastar do seu próprio dinheiro.
  Ao chegar na casa da vizinha, teve que esperar um pouco para a porta ser aberta, e para a sua surpresa, quem o recebeu foi Mia, que não demorou muito para pular nos braços do amigo.
  — My love! — disse ao apertá-lo em meio ao abraço. — Por que demorou tanto? Só faltava você.
  — Como assim? — A encarou completamente confuso.
  — Você esqueceu de avisar o , né? — surgiu na sala aos risos por conta do esquecimento da amiga, e assim que a garota largou Seo, se aproximou e o abraçou demoradamente também.
  — Larga ele. — O’Brien cruzou os braços com uma feição nada amigável.
  — Não. — rolou os olhos rindo mais ainda, fazendo questão de colar sua bochecha na de . — Ele é meu.
  — Ele é nosso. — Amy, que até então havia apenas cumprimentado com um tchauzinho, se envolveu na situação.
  — Eu tenho algo a dizer nessa situação?
  — Não! — os três falaram juntos, e Seo não conteve a risada, achando uma graça o trio agir dessa forma.
  — Tudo bem, mas o que a Mia esqueceu de me avisar? — perguntou quando os amigos o soltaram.
  — Que iremos assistir o pôr do sol na praia! — a própria o respondeu entusiasmada, indo pegar a bolsa no sofá.
  — Seu pai ficou de te avisar, querido. E muito obrigada pela entrega. — Vivian apareceu na sala e logo percebeu que Donghae não havia feito a sua parte assim como O’Brien. — Eu pedi pra ele falar com você por imaginar que uma certa jovenzinha esqueceria.
  — Minha fama não está as das melhoras, aish. — Mia coçou a nuca aos risos, parando perto da porta. — Bom, já que o chegou, estamos de saída, tia!
  — Vão com cuidado, crianças.
   nem teve tempo de reagir ou falar algo, já que Amy o puxou pela mão, entrelaçando seu braço no dele. Aparentemente, a menina queria algumas dicas de pintura para fazer uma surpresa para Mia, e Seo não conseguiu conter a animação, engatando alegremente na conversa com a amiga. Mais afastados, O’Brien e observavam os dois com sorrisos bobos, felizes pelo pequeno grupo que formaram nessas férias, mas, com o início das aulas, Mia ficava um pouco apreensiva.
  — Não sei o que o te falou, mas acho que você deveria saber que ele teve um namorado. — Soltou o ar pesadamente. — E que o namoro acabou por culpa de uma idiota e um desentendimento que ela criou, e por mais que nenhum dos dois tenha tido culpa, sofreu bastante. Não me importo se ele vai me odiar por estar te contando isso, mas quero que saiba que ele é o meu melhor amigo, e eu não vou suportar vê-lo sofrer de novo.
  — Acho que se alguém vai sofrer nessa história, será eu. — o olhou de relance, sentindo o seu coração apertar. — Pode ficar tranquila que não está nos meus planos enfrentar a sua fúria. Ainda mais quando você faz judô.
  — Que bom que estamos entendidos. — Sorriu, também entrelaçando o braço no amigo. — Você também é o meu melhor amigo, e se alguém te machucar, vou te defender.
  — Acho que nós quatro encontramos um porto seguro, né?
  — Sim, e fico feliz com isso. — Mia encarou com um olhar carinhoso. — Se não fossem vocês, eu estaria perdida.
  — Se vocês não se apressarem, vamos perder a hora! — Amy gritou, correndo juntamente de Seo para chegarem logo na praia.
  — Alcançaremos vocês logo! — O’Brien respondeu, voltando sua atenção para .
  — É, eu também estaria perdido. — A amiga apertou sua mão em sinal de conforto e lhe ofereceu um sorriso, e ambos deram início à corrida em seguida.

🎨

  A noite caía suavemente enquanto as ondas quebravam na beira do mar, molhando os pés dos jovens que brincavam uns com os outros. O pôr do sol havia sido lindo e inspirador, e mal via a hora de poder eterniza-lo em uma de suas telas. Passar esse tempo com os amigos o fez esquecer um pouco a sua ansiedade, mas quanto mais se aproximava o horário de irem embora, mais nervoso ele ficava, apesar de não conseguir perguntar diretamente ao amigo se ele realmente iria para longe. Ele ponderou inúmeras vezes se deveria ou não sanar sua dúvida, ou se devia demonstrar sua indignação por não ter sido comunicado previamente sobre sua partida, porém, sabia que isso era uma decisão de , e ele respeitaria isso.
  Depois de acompanharem as meninas para suas respectivas casas, os meninos pararam na pracinha onde se conheceram, indo diretamente para o balanço, onde sentaram e começaram a conversar sobre pinturas. Era incrível como eles podiam ficar horas e horas batendo papo e nenhum deles ficava cansado, além do assunto render bastante. Os dois adoravam a companhia um do outro, e se pudessem, passariam o restante da noite dessa forma, todavia, no dia seguinte as aulas iniciariam e ambos precisavam voltar para suas casas. A caminhada foi silenciosa e tranquila para , já para , sua mente não ficava quieta por um segundo sequer, e ele ainda se encontrava na indecisão de mais cedo, até que parou na sua frente, e Seo percebeu que eles haviam chegado.
  — Poderia fechar os olhos e estender a sua mão? — não entendeu muito bem o motivo, mas fez como lhe foi pedido. — Pronto, pode abrir.
   encarou a pequena caixinha na sua palma com curiosidade, trocando olhares rápidos entre ela e , que apenas o observava com um sorrisinho nos lábios. O rapaz não sabia o que esperar, entretanto, ao abrir a caixinha, viu que havia um brinco com um pingente de pincel, e a sua primeira reação foi pôr o acessório no furo da sua orelha, sorrindo abertamente para o amigo.
  — Ele é lindo, obrigado — agradeceu ao olhá-lo.
  — Agora estamos combinando. — tirou o seu do bolso, também colocando o brinco e o mostrando para . — Eu pensei em te dar um cordão ou pulseira, mas desde que nos conhecemos, eu nunca te vi usando algum acessório que não fosse brincos.
  — Nossa, você percebeu até isso... — Desviou o olhar para o chão, desconcertado.
  — Não é difícil reparar nos gostos dos nossos amigos, né? — sentiu o coração apertar com a possibilidade de ter sido jogado na friendzone, mas quando se aproximou ainda mais dele, ficou perdido. — Não importa a distância, esse brinco é a prova de que estaremos juntos... — abaixou o tom de voz, falando perto da orelha de Seo: — E que você é meu.
   possuía plena certeza de que o seu rosto estava completamente vermelho, além de todo o seu corpo ter reagido à fala do garoto; sua mente havia travado uma nova batalha mental, e mais uma vez, ele se via extremamente perdido. não conseguia dizer se aquilo era verdade ou um sonho, talvez o seu despertador fosse tocar daqui cinco minutos, mas, o surpreendendo mais uma vez, segurou o seu rosto com carinho, selando seus lábios de maneira doce e sutil, fazendo com que Seo perdesse completamente os sentidos.
  Se ele já estava confuso antes, agora estava mais ainda.
  Mas, se fosse um sonho, não queria acordar.
  — E-eu preciso ir — disse ao se afastar, ainda atônito. — Boa viagem e boa noite, .
  — Bons sonhos, .
  E com um sorriso bobo nos lábios, ficou assistindo o amigo se distanciar, achando ele adorável.


  N/A: eles são tão fofinhossssss 🥺🥹🥰
  Eu amo a Mia kkkkkkkkk ela e a Kayla tem a mesma energia. E o pobi do Minho, se já estava confuso e perdido, imagina agora depois do beijinho deles 😂
  O divo na manhã seguinte debatendo se é melhor perguntar do que ficar na dúvida, mas, será que dará tempo pra perguntar o motivo do Namjoon não ter falado nada ou de se despedir? 👀
  E o presente do Joon hehehehehe
  Espero que tenham gostado!
  Até a próxima <3

Capítulo 4 — eu gosto de você

   estava anestesiado.
  Ele nunca pensou que ouviria aquelas palavras da boca de , tampouco achava que eles dariam um beijo, mas ao levar seus dedos ao seu lábio inferior, ele sentiu o seu interior todo se mexer inquietamente e as memórias da noite anterior passavam na sua cabeça como um filme. A sensação que Seo tinha era a de estar nas nuvens e tudo parecia mágico, até o garoto relembrar que, por ter ficado sem reação, não conseguiu falar nada a mais para o amigo, e mesmo que soubesse que foi pego de surpresa, ele não conseguia não se sentir chateado.
  Além de querer dar um tapa em .
   esqueceu do seu nervosismo com o primeiro dia de aula, já que passou todo o caminho xingando mentalmente enquanto escutava Mia tagarelando sobre os seus colegas do ano passado. Ele queria contar para a amiga tudo o que aconteceu, mas ela estava tão animada com o início das aulas que o rapaz não queria atrapalhá-la, apesar de prometer a si mesmo que contaria a ela quando fossem para casa. suspirou alto, tentando entender o motivo de ter agido daquele jeito sabendo que iria embora; talvez, aquele fosse um presente de despedida, porém, Seo preferia que o amigo o tivesse avisado sobre sua ida antes de receber o maravilhoso presente — e o deixar desejando por mais. Quando percebeu, ele e Mia estavam se encaminhando para o ginásio onde seria a cerimônia de abertura, e Seo apenas se deixou levar pela amiga, já que estava tão distraído para focar em qualquer coisa.

🎨

  — Achei que a diretora nunca terminaria aquele discurso, minha cabeça tá doendo até agora.
  Mia se jogou em um dos bancos do pátio do colégio, sendo acompanhada de que lhe entregou um refrigerante de uva. Ele deitou a cabeça no ombro da amiga e suspirou, olhando para os outros estudantes sem muito interesse; ao contrário do que imaginou, a única coisa que eles fizeram foi participar da longa cerimônia de abertura, portanto, ainda não sabiam em qual turma ficariam ou tinham tido muito contato com os seus possíveis colegas de classe. O’Brien lhe mostrou o restante da escola e no meio do caminho cumprimentava alguns amigos, os apresentando por alto para , que apenas sorria para os demais.
  — Eu gostei dela. — Deu de ombros. — Só achei que o discurso dela e dos professores foi muito demorado.
  — A diretora Sabrina é bem legal, mas sempre faz a abertura parecer que tem dez horas. — Mia bebericou sua bebida, sentindo que o gás do refrigerante a ajudou a ficar mais motivada. — Gostou da escola?
  — Sim, já quero usar a sala de artes. — Ambos riram.
  — E eu o laboratório. — O’Brien sorriu travessa. — Mas me fala...
  — Hum?
  — Qual é a dessa cara de quem tá chateado?
   mordeu o lábio inferior, sabendo que não conseguia esconder nada da amiga. Ele ainda ponderava se devia falar agora ou mais tarde sobre o que aconteceu com , no entanto, uma forte brisa bateu contra seus rostos, fazendo com que as folhas das árvores caíssem e o seu olhar as seguisse; quando percebeu, encarava um grupo de alunos que conversavam animadamente, e logo a sua atenção foi direcionada a uma única pessoa que ele achou que não veria mais. O menino piscou algumas vezes para ter certeza de que não estava sonhando, entretanto, não havia dúvidas de que vinha em sua direção, e Seo se levantou abruptamente, mais confuso do que já estava.
  — Como sempre atrasado, impressionante. — Mia rolou os olhos, recebendo um abraço apertado até demais.
  — É o meu charme, você sabe. — riu, soltando a amiga e recebendo resmungos de volta.
  — My love deve estar todo perdido. — O’Brien empurrou de leve, entrelaçando o braço no de . — Esse idiota nunca participa da cerimônia de abertura, só aparece para saber qual sala ficou.
  — Ah, sim... — Seo coçou a nuca, sem saber como se sentir. Ele não queria ter que encarar agora, apesar de ter muito o que falar, sua cabeça ainda estava um tanto confusa.
  — Eu não ganho um abraço? — sorriu ao abrir os braços para , que por sua vez ficou parado.
  — Não — Mia respondeu como se fosse óbvio, dando um olhar reprovador para o amigo. — , pode jogar as latinhas no lixo? Já te encontro. — O menino assentiu, dando um tchauzinho para . O’Brien esperou que o amigo se afastasse para se virar pro outro, que claramente não entendia o que estava acontecendo. — Olha, não sei o que você fez, mas o está a manhã inteira suspirando pelos cantos. Ele não consegue esconder suas emoções muito bem.
  — Será que foi por eu ter beijado ele? — Mia arregalou os olhos com a informação, e tudo pareceu fazer sentido.
  — Você disse ao que nós quatro estudaríamos na mesma escola? — O garoto negou. — Não sei o que você falou antes de beijá-lo, mas ele deve ter escutado sua avó e o tio Donghae falando sobre você ir “embora”, então é meio óbvio que não esperava te ver mais.
  — Merda... — mordeu o lábio ao compreender a situação, anotando mentalmente que precisava ser mais direto com .
  — Deixa tia Vivian escutar você falando palavrão.
  — Você é a mais boca suja entre nós quatro.
  — E a mais inteligente. — Deu de ombros. — Na volta pra casa, eu vou passar na Amy. Vê se ajeita as coisas entre vocês, viu? Vou dar um toque no também, vocês dois precisam melhorar essa comunicação.
  A amiga nem deu tempo de responder, pois saiu correndo para poder encontrar , deixando sozinho e se perguntando se ela tinha quinze ou trinta anos por conta de sua maturidade.

🎨

  A volta para casa só não havia sido silenciosa por causa de Mia, que tagarelava sobre os seus colegas de classe para . Não foi muita surpresa saber que os quatro caíram na mesma turma, e Seo apenas se limitou a dar um sorrisinho a quando descobriram isso, já que desde que se esbarraram, o evitava um pouco. não culpava o amigo por isso, mas queria que ele conversasse consigo e se sentisse confortável em lhe fazer perguntas, por isso, decidiu que, assim que deixassem Mia na casa de Amy, o chamaria para um lugar.
  — Tchau, meninos! — O’Brien acenou para eles, sussurrando em seguida: — Até mais, bobos apaixonados.
  — Ela disse alguma coisa? — se virou para , que o olhou também curioso.
  — Acho que sim, mas não entendi muito bem. — Riu.
  — Você precisa ir pra casa agora? — perguntou esperançoso.
  — Hum... — Desviou a sua atenção para a rua, observando os carros que passavam. — Não?
  — Quer ir comigo em um lugar? — Era perceptível o quão animado e nervoso ele estava, e Seo não conseguiria negar o convite nem se tentasse.
  — Claro. — Sorriu pequeno, pondo as mãos nos bolsos da calça.
  Para a surpresa de , a caminhada não havia sido chata ou cansativa, visto que eles engataram em um assunto sobre marcas de tintas, e todo aquele clima estranho ia se esvaindo com as brisas de outono que balançavam seus cabelos. Depois de trinta minutos, eles haviam chegado no destino final, e ficou feliz ao ver a reação do amigo, se sentindo um pouco mais aliviado.
  Os olhos de brilhavam ao ver o parque de diversões, ainda mais ao reparar no quão grande era a roda gigante — a sua atração favorita. O garoto encarou todo sorridente, esquecendo um pouco toda a sua preocupação de mais cedo; fazia um bom tempo que Seo não ia em um parque, e a lembrança da sua última ida não tinha sido a das melhores, já que, no mesmo dia, seu avô causou uma cena ao saber que o neto seguia os passos iguais da sua falecida esposa. , percebendo que o amigo estava alheio, segurou na sua mão com delicadeza, o trazendo de volta para a realidade.
  — Tudo bem continuarmos assim? — Levantou suas mãos entrelaçadas. — O parque está cheio e não quero que a gente se perca um do outro.
  — Sim — sorriu mais uma vez —, mesmo que a gente se perca, nos encontraremos com a ajuda dos nossos amuletos, né?
  Tanto quanto ficaram com as bochechas completamente vermelhas, ambos sem graça com a pequena interação. Até momentos antes, os dois não tinham reparado nos brincos por estarem extremamente focados em como iniciarem a conversa sobre seus sentimentos, porém, com a fala de Seo, os amigos perceberam que eles estavam desde cedo com os brincos combinando, e isso fez com que o interior deles ficasse inquieto.
  — Qual brinquedo deveríamos ir primeiro? — deu uma olhada rápida no parque, mudando de assunto.
  — Você gosta de montanha-russa?
  — Sim, e você?
  — Também — disse ao guiá-lo para a fila do brinquedo. — Já temos a nossa primeira atração!
  Independente do clima um tanto estranho que havia retornado, os jovens tentavam se distrair e aproveitar ao máximo os ingressos que possuía.

🎨

  A vista do alto da roda gigante era linda, e adorava o céu de outono. O pôr do sol estava em um tom alaranjado belíssimo, e Seo queria guardar cada detalhe desse momento para poder pintá-lo mais tarde; admirava a bela vista, composta pelo cenário externo e pelo seu , que parecia ter saído diretamente de um quadro de algum pintor famoso. O passeio pelo parque havia sido perfeito, e como combinado, eles deixaram a roda gigante para o final, para descansarem e acompanharem o sol se pondo. ainda estava levemente nervoso, mas ter passado esse tempo com o fez relaxar um pouco, além de perceber que não tinha motivos para ficar apreensivo, afinal, desde o dia um, o fazia se sentir confortável em conversar com ele sobre qualquer coisa.
  — — o chamou —, desculpa por não ter dito que iria pra mesma escola que você. Mia me falou que você deve ter escutado minha avó e seu pai conversando sobre eu ir “embora”, mas quem ia embora eram os meus pais, e não eu. E eu ter dito tudo aquilo ao te dar o seu presente deve ter te causado mais confusão ainda. Quando algo te incomodar ou você estiver em dúvida, pode me perguntar, tá? Eu não iria embora sem me despedir de você.
  — Desculpa, . — Os olhos de estavam marejados e suas bochechas vermelhas. — É que tenho um pouco de dificuldade em falar o que eu sinto, e achei que não tivesse direito em “exigir” algo de você... a gente se conhece há pouco tempo, e você não é obrigado a me falar nada, mas a gente compartilhou um momento tão bonito na praia que eu fiquei chateado por pensar que eu estava gostando de você sozinho — falou tudo rápido demais, recuperando o fôlego logo em seguida. — Eu gosto de você, . Me desculpa por ter tirado conclusões precipitadas.
  — Não precisa chorar, senão eu também choro. — As lágrimas desciam pelas bochechas de ambos, e segurou as mãos do amigo. — Eu gosto de você, . Desde o primeiro dia que a gente se conheceu.
   o olhou e se aproximou, abrindo um lindo sorriso apaixonado antes de tocar o rosto de com a ponta de seus dedos, como se quisesse memorizar cada detalhe assim como o pôr do sol; se inclinou para a frente, deslizando sua mão para a nuca do amigo, trazendo o seu rosto para o encontro do seu, e logo seus lábios se tocaram, fazendo com que seus corpos reagissem com o toque de suas bocas. O beijo era um tanto atrapalhado no início, mas aos poucos os dois iam encontrando o seu próprio ritmo, aproveitando cada segundo daquele momento. Ao se separarem, eles colaram as testas e sorriram, conseguindo ouvir as batidas de seus corações; não havia dúvidas de que ambos estavam verdadeiramente felizes com as declarações, e, para selar esse momento, respirou fundo e fez um pedido:
  — Você quer namorar comigo?
  — É claro que quero, !


  N/A: eu falei que essa história seria pura fofura hihihi
  Aqui os desentendimentos duram pouco, e já teve até pedido de namoro 🥺🤏🏻
  Queria dizer que eles são FOFOS DEMAIS! No próximo capítulo teremos mais fofura, então, não deixem de conferir!

Até a próxima <3


Comentários da autora