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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Blood & Crown

Escrita porPams
Revisada por Lelen

Parte 1 • Baile de Maskarins

Tempo estimado de leitura: 21 minutos

Reino de Cahir, século XVII

  Quem nunca se perguntou se há mundos que não conhecemos?
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  Ao norte da Europa Ocidental, escondida pelas altas montanhas e densa neblina, estava o reino de Cahir, regado de segredos obscuros, traições silenciosas e acordos ocultos. Sua característica marcante não se restringia apenas ao frio levado pelo vento cortante, mas das promessas quebradas e das conspirações sussurradas entre paredes de pedra fria que compunha sua arquitetura.
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  As florestas que cercavam o castelo eram espessas, quase vivas, como se guardassem em seus galhos retorcidos a memória das traições e pactos antigos, tecidos através do sacrifício de muitos antepassados, ora esquecidos. O silêncio ali não era sinônimo de paz — era uma espera inquieta, um prelúdio de tempestades que nunca tardavam a chegar. Neste reino onde o crepúsculo parecia durar para sempre, dois destinos estavam prestes a se entrelaçar, marcados pelo sangue e pela mentira, onde o amor e a atração poderiam ser a arma mais perigosa de todas.
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  Bem ao centro da clareira, estava uma dama com seu olhar fixo na lua que clareava o céu. Uma respiração serena, quase imperceptível, que mantinha seus batimentos estáveis e os músculos de seu corpo rígidos. Ela se preparava para a noite mais perigosa e arriscada de sua vida.
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  — Lembre-se, assassina, neste jogo, o verdadeiro poder é saber quando esconder o punhal... e quando usá-lo. — O sussurrar da voz de Lady Isolde despertou vossa atenção.
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  Uns instantes de silêncio, enquanto a mulher, com traços tão joviais quanto os seus, lhe rodeou até parar em sua frente.
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  — E quando confiar em quem nunca confia? — retrucou %Avery%, sabendo que estava diante da mulher menos confiável de todo o reino.
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  — Ah, essa é a pergunta que move reinos. — Uma risada rápida e um tom sarcástico. — E derruba reis.
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  Olhar firme, %Avery% não se intimidou pelo alto status social da mulher que ameaçou a sua família.
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  — Não se esqueça o propósito pelo qual está aqui esta noite, %Avery% Vhaloris — continuou a mulher, com seus cabelos acobreados levemente cacheados nas pontas cobrindo parte da máscara em seu rosto, erguendo a mão direita para lhe entregar o objeto.
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  — Não preciso disso. — Em recusa, %Avery% elevou a mão esquerda, mostrando que havia levado consigo a sua própria. — Se vou fazer isso, que seja em honra ao legado de minha família.
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  A máscara de %Avery% não era uma simples peça de adorno — era uma extensão de quem ela era, daquilo que carregava no sangue e em seu interior. Feita de ônix obsidiana polida, tão negra que refletia a luz como um espelho distorcido, ela cobria toda a parte superior do rosto, moldando-se perfeitamente às linhas afiadas de suas feições. Seu propósito não era apenas decorativo, possuía uma resistência, quase tão forte quanto aço temperado, capaz de suportar até cortes superficiais de lâminas menores. Seu desenho seguia traços alongados e elegantes, ao redor das bordas, filetes de prata antiga formavam símbolos arcanos esquecidos, por dentro, a máscara era forrada com couro macio, tornando-a confortável mesmo após horas, e suas laterais levemente curvadas para cima, lembrando as asas de um corvo em pleno voo — símbolo ancestral da Casa Vhaloris, uma família cuja história sempre foi entrelaçada com a morte, segredos e contratos de sangue. Quando ela surgia com aquela máscara, era como se a própria morte tivesse ganhado rosto. Para quem a via, nunca era só uma mulher — era um presságio. 
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  Um sussurro de que aquela poderia ser sua última noite.
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  — Como desejar, Vhaloris. — Assentiu lady Isolde ao jogar a máscara em sua mão sobre a grama e impulsionar seu corpo para se retirar. — Estarei te observando no baile.
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  O olhar de %Avery% acompanhou-a até que desapareceu de seu campo de visão.
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  — Talvez… Não seja apenas uma pessoa a sair sem vida no final desta noite — sussurrou para si, tendo em mente que uma pessoa não sai impune quando se ameaça as pessoas erradas.
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  Para muitos, parte da sua história era apenas uma lenda urbana, invenções dos antigos para explicar a aura sombria que rodeava os integrantes de sua família. Contudo, a Casa Vhaloris surgiu das fendas das montanhas rochosas e sombrias ao sul de Cahir, onde as neblinas são ainda mais densas e escondem segredos de tratados antigos. Reza a lenda, que seus antepassados foram forçados a um juramento de lealdade e submissão ao rei para proteger o reino, tornando-se guardiões das sombras e executores silenciosos da justiça. O que os tornou conhecidos pelas habilidades em batalhas físicas e manejo de instrumentos de guerra, além da forte resistência mental e psicológica. 
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  — Parece que está na hora do baile. — %Avery%, em sua feição séria, permitiu escapar um sorriso no canto do rosto. Sua mente focada e pronta para agir.
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  Sendo de uma família temida e respeitada, já tinha consciência de que seria evitada pela maioria dos presentes aristocratas da corte, pela famigerada reputação de assassinos que os Vhaloris tinham há séculos. E sendo a primogênita herdeira, %Avery% era vista como a personificação desse legado sombrio e letal, considerada uma sombra em forma de mulher, treinada para ser invisível e inquebrantável. Seu rosto logo foi coberto pela máscara, tornando-o tão enigmático quanto o próprio destino que ela carregava. 
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  Entre as paredes gélidas do castelo de Cahir, o silêncio foi quebrado pelo som de passos vibrantes, música e risos disfarçados. Era noite de Maskarins — o baile das máscaras, o evento mais importante do ano, onde identidades se perdiam e verdades eram tão frágeis quanto os fios de prata que decoravam os rostos ocultos. Luzes de velas tremulavam nas paredes de pedra, refletindo nas máscaras ornamentadas dos nobres, sons abafados de alaúdes preenchendo o ar do grande salão, juntamente com som dos violinos. Mesclavam-se ao tilintar de taças e aos sussurros carregados de intenções ocultas, tecidos luxuosos deslizavam sobre o mármore negro, e todo o aroma do ambiente era apresentado pelos perfumes doces que persistiam em mascarar o cheiro mais forte daquela celebração. 
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  O cheiro do perigo.
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  Sob lustres de cristal negro, a passos suaves e cautelosos como se estivesse pisando em plumas, %Avery% moveu-se entre os casais que dançavam ao centro, como se o salão inteiro fosse um tabuleiro e ela, a peça mais letal. Seu vestido de veludo preto ondulava como fumaça, e cada passo sendo calculado, medido e preciso. Seu olhar procurava uma pessoa em especial, não se importando com os olhares curiosos e temerosos que começaram a se voltar para sua direção. 
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  — Aí está quem tanto procuro — sussurrou ao parar exatamente no centro.
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  Aos que dançavam próximo, apenas se afastaram, deixando-a em um imenso espaço vazio. 
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  Bem ao canto, próximo a passagem para o jardim leste, estava ele. 
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  Alto, imponente, cercado de nobres que simulavam apoiá-lo e de inimigos que fingiam respeitá-lo. %Alaric% Grimwald, conhecido como o herdeiro que se recusava a cair. Um lobo vestido em trajes de príncipe em busca de sua coroa, camuflado entre risos falsos e cortesias envenenadas. Sua máscara, de prata fosca e traços austeros, não escondia a rigidez do maxilar, nem o olhar afiado que atravessava a multidão como uma lâmina pronta para separar aliados de traidores. Ele sabia quem ela era, ambos já haviam cruzado seus caminhos inúmeras vezes ao longo dos anos, afinal, oficialmente, os Vhaloris ainda serviam a coroa. 
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  E sempre que seus olhares se encontravam, o mundo ao redor silenciava. 
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  Apenas os dois existiam.
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  Ele não desviava. Ela não recuava.
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  Com a segurança de quem nunca teme, %Alaric% atravessou o salão, cortando o espaço entre eles como se ninguém mais importasse. Seus passos eram firmes, seu olhar, lâmina pura — dois mundos destinados a colidir. Ao parar diante dela, a máscara que ocultava metade de seu rosto, não fora capaz de esconder o vislumbre de sorriso que surgiu — frio, perigoso, intrigante.
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  — Não deveria estar morta? — questionou num tom firme, porém, baixo o suficiente para que não fosse alcançado por ouvidos alheios. 
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  — E você, futuro rei, já não deveria estar seguro em seu trono? — retrucou ela, tocando em sua ferida. — Mas aqui estamos, ambos à beira do abismo.
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  — Diga-me, %Avery%... quem está mentindo mais sobre sua real condição? — indagou, mantendo seu olhar fixo nela.
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  — Talvez sejamos ambos — respondeu, devolvendo o tom seguro e confiante.
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  Ela o conhecia o suficiente para saber que sua condição era pior.
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  O bastardo que provou ser o Príncipe Herdeiro de Veyrden, vindo da linhagem direta do grande fundador de Cahir, não tinha aliados satisfatórios para reclamar o trono, menos ainda, direito suficiente para desafiar o herdeiro atual, Severin Grimwald. A Casa Grimwald iniciou juntamente com o reino, entre disputas territoriais, acordos emblemáticos e alianças perigosas. Uma família conhecida por sua disciplina rígida, fria e calculista, se tornando um sinônimo de honra e poder militar, com uma reputação imponente. E %Alaric%, mesmo não tendo o sangue direto do rei Darian, também carregava o peso dessa linhagem e a promessa de que recuperaria o trono.
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  — O que a traz ao castelo após tantos boatos de vossa família ter sucumbido às chamas que dizimaram vossa propriedade? — indagou ele, apenas naquele momento notando que não havia música, apenas o barulho dos murmúrios de todos do ambiente, sendo acompanhados por seus olhares curiosos.
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  Um ardor passou pela garganta de %Avery%, fazendo-a mover seu olhar com discrição para Lady Isolde, que a observava ao longe. Uma fração de segundos em que seus pensamentos a transportaram para a noite fatídica de terror e agonia. Uma memória que jamais se apagaria e alimentava seu sentimento de vingança.
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  — Assim como todos, estou aqui para dançar — respondeu, em sua forma natural.
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  — Sabe… — a voz dele permaneceu baixa, profunda, com o tom que pode se comparar tanto como uma ameaça quanto uma promessa — é curioso como as sombras decidem dançar sob a luz, principalmente em noites como esta.
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  Era um fato que apenas em eventos relevantes como o Baile de Maskarins, algum membro da família Vhaloris se permitia ser visto em sociedade. Afinal, sua reputação era cada vez mais mantida por suas tradições de reclusão e discrição.
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  %Avery% ergueu levemente o queixo, seus olhos brilhando por trás da máscara.
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  — É curioso… — retrucou, com suavidade cortante — como alguns cavalheiros esquecem que nem toda criatura que surge das sombras está ali para ser admirada.
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  O silêncio que se seguiu não foi desconforto. Foi tensão. Fios invisíveis se esticavam, frágeis, prestes a romper — ou a entrelaça-los para sempre.
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  %Alaric% estendeu a mão, sem desviar o olhar. 
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  — Já que está aqui para isso, permita-me ser o primeiro? — O sorriso dele tornou-se mais visível, com um toque quase cruel. — Afinal… É noite de tragédia, não é mesmo?
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  %Avery% desviou seu olhar para a mão estendida. 
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  Ela deveria recusá-lo? 
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  Talvez.
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  Entretanto, havia algo naqueles olhos — algo que não era apenas desafio, era reconhecimento de oponente. Como predadores que, ao se olharem, entendem que podem tanto se devorar quanto caçar juntos.
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  Ela deslizou sua mão na dele, fria como a lâmina da adaga que escondia na coxa.
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  — É uma honra para mim, alteza — sussurrou, deixando escapar um sorriso de canto perceptível a ele. — Uma trégua, até que o sangue decida quem vence.
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  E, sob as máscaras, a dança começou.
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  Duas peças no tabuleiro. 
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  Dois mentirosos. 
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  Dois destinos selados.
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  Ao sinal de %Alaric%, os músicos iniciam mais uma vez, e aos poucos, o vasto espaço do salão novamente foi preenchido pelos casais que giravam ao redor deles, porém, aquelas pessoas que fingiam naturalidade diante da presença de uma Vhaloris, eram quase irrelevantes aos dois. As notas dos violinos foram meros sussurros, juntamente com as conversas paralelas nos cantos do lugar e os cochichos daqueles que rodopiavam próximos. 
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  Logo mais, uma presença fora percebida por todos os convidados.
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  Vossa alteza, o atual príncipe herdeiro, Severin, adentrou o salão já sendo reverenciado por todos, fazendo a música parar mais uma vez. Com o parar da dança pelas circunstâncias, %Alaric% engoliu seco a presença de seu rival, então forçou-se a se inclinar para reverenciá-lo o mais sutilmente que conseguira. Todavia, a dama nebulosa que ainda segurava sua mão, manteve-se rígida e fria no olhar.
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  — Curioso termos a presença de uma Vhalois. — A voz grossa e altiva de Severin ecoou pelo espaço.
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  Alto, de postura impecável, media cada movimento como parte de uma encenação cuidadosamente coreografada. Seus cabelos loiro-acinzentados eram complementados pela pele muito clara, quase pálida, e refletia a vida de quem nunca precisou se expor aos rigores do mundo real, sempre protegido pelos muros da corte e das intrigas. E o fato de não sujar as mãos de sangue, não significava uma falta de força física, pelo contrário, suas habilidades em combate eram invejadas até mesmo pelos cavaleiros reais.  
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  Contudo, Severin era a lâmina que nunca via o campo de batalha. 
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  Sua luta era definida com palavras, sorrisos e veneno. Mestre da persuasão, estrategista brilhante, sempre cinco passos à frente de seus inimigos — ou aliados, que, para ele, eram apenas peças temporárias. E o peão da vez era ninguém menos que Lady Isolde, a marquesa de Velmoria, cuja ambição pelo poder a fez acreditar em promessas falsas de casamento por parte do falso herdeiro. 
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  — Alteza — cumprimentou %Avery% sem mover um músculo para saudar o futuro rei.
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  — A fama de desrespeito precede vossa família — comentou Severin, fazendo sua superioridade se sobressair.
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  — A Casa Vhaloris apenas se curva ao rei — continuou ela, aumentando os murmúrios pelo salão. — E não vejo tal coroa em vossa cabeça.
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  Um soar áspero e ríspido.
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  Para Severin, ela era uma variável instável. Um erro de cálculo que, se não fosse bem controlado... poderia vir a ser sua ruína.
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  — Logo verá, tenha certeza — assegurou ele, confiante, desviando o olhar para %Alaric%, que também o encarava.
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  As notícias da piora da saúde do rei Darian já haviam percorrido todo o reino.
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  Uma tensão palpável se instalou entre eles, o olhar afiado de %Avery%. Sua fúria interna sendo controlada pela razão que, contudo, não a impedia de constatar que a perseguição à sua família partia dele, e não de Lady Isolde. E certamente o incêndio provocado tinha as ordens ocultas do falso príncipe. Engolindo seco a raiva que parecia querer explodir sua garganta, inconscientemente apertou as mãos de %Alaric%, fazendo-o notar sua luta pelo autocontrole.
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  — Todos sabemos que o Baile de Maskarins sempre teve a presença dos Vhaloris, afinal, foram eles que deram início a este evento. — %Alaric% finalmente adentrou a conversa com a finalidade de transmitir serenidade a ela. — A verdadeira surpresa está em vossa presença, não estavas a zelar pelo rei?
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  — Uma ocasião tão específica como esta noite faz-se necessário a presença da família real. — E mais uma vez seu tom superior, em uma sutil indireta a %Alaric%, pois não havia sangue de Darian em suas veias.
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  — Vossa alteza… — A voz sinuosa de Isolde soou atrás do homem. — Estamos deveras jubilosos com vossa presença. Que tal uma dança com vossa noiva?
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  O olhar enigmático da Lady era tudo o que Severin precisava naquele momento, como se conseguisse desvendá-lo em segundos para obter apenas uma informação. 
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  O real motivo da presença de %Avery% no baile.
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  — Vamos à dança, milady. — Severin, voltando-se para ela, acenou com o olhar para os músicos.
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  E novamente o soar dos violinos teve seu trabalho de abafar os cochichos e murmúrios pelo salão. De um toque extravagante e entusiasmado, para uma melodia suave e doce, que se fazia necessário uma proximidade maior entre os casais presentes.
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  — O que realmente fazes aqui? — %Alaric% puxou-a com firmeza, mantendo o toque sutil. Seu tom carregava aquele equilíbrio perfeito entre charme e provocação. — Sabemos das lendas sobre os membros de vossa família? Os dizeres de que até a morte teme pronunciar o sobrenome Vhaloris.
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  %Avery% deslizou a mão livre pelo ombro dele, os dedos percorrendo o tecido fino como quem mede a distância entre o toque e o golpe.
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  — E, ainda assim… Aqui está vossa alteza, dançando comigo. — Sua voz baixa, agora em um tom aveludado, deixando palavra envolta em um veneno doce. — Não pareces temer a morte tanto quanto deveria.
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  %Alaric%, em um sorriso nebuloso, inclinou-se levemente, aproximando os lábios de forma perigosa ao ouvido dela.
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  — Talvez… — uma risada baixa e sarcástica — porque aprendi que a morte, às vezes, tem olhos belos demais para se temer.
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  O olhar dela não vacilou, embora um músculo de sua mandíbula tivesse se contraído. A mão de %Alaric% apertou sua cintura, puxando-a meio passo mais próxima, fazendo-a notar uma leve brisa passando por seu corpo, arrepiando os pelos de sua nuca.
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  — Diga-me — continuou ele, deixando soar seu habitual tom rouco —, está aqui para me matar... ou para me salvar?
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  Ela inclinou levemente a cabeça, o sorriso oculto pela máscara, mas perceptível na curvatura dos lábios. A respiração serena, o controle de seus sentimentos obscuros e a recusa em deixar que seu coração acelerasse pelo calor do momento.
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  — Quem disse que uma coisa exclui a outra? — murmurou. — Talvez eu ainda não tenha decidido qual opção.
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  Eles giraram no salão, deslizando como sombras entre os nobres mascarados que, inconscientes, continuavam sua própria dança de intrigas, enquanto tentavam os observar nas entrelinhas.
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  — Ou talvez… — %Alaric% respirou fundo, os olhos cravados nos dela. — Saiba que, se me matar, perde algo mais valioso que qualquer contrato.
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  — Confiança? Poder? — rebateu %Avery%, arqueando uma sobrancelha. — Nada é tão mais valioso que minha família.
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  Ela deixou soar como um desabafo, sabendo que em algum momento ele entenderia o recado. %Alaric% inclinou-se mais, sem se importar em que ambiente estavam e não estarem sozinhos, até que os lábios roçaram levemente a linha da mandíbula exposta pela máscara.
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  — Vingança — sussurrou, com a voz carregada daquele tipo de perigo que não vem da lâmina, mas do desejo.
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  %Avery% respirou fundo, e por um instante — apenas um instante — o controle escapou pelo canto dos seus lábios, porém, ela sorriu. Um sorriso lento, afiado, que poderia tanto preceder um beijo... quanto um golpe certeiro.
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  — Cuidado, herdeiro de Veyrden. — Seus olhos brilharam como vidro negro sob a luz trêmula das velas. — Algumas danças terminam em sangue.
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  Naquela noite, ela tinha um objetivo. 
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  Uma missão. 
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  Matar o herdeiro bastardo, que curiosamente a tinha convidado para dançar.
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You can call me monster.
  - Monster / EXO

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