Ray Dias
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Sem curiosidades para essa história no momento!

Without You

Capítulo 01

Aqui estou, você pode me sentir? Meu coração que tem estado oculto estará ao seu lado, no caso de você se sentir magoado…

Março.

  Três meses haviam se passado desde que descobriu que estava mesmo morto.
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  Em janeiro, junto do Dr. , médico que acompanhou de perto o drama de seu noivo, que, enquanto paciente do hospital central de Seoul foi transferido a mando da própria família e afastado de sua noiva; , a noiva, conseguiu pistas de seu paradeiro. Infelizmente, as pistas confirmaram que não chegou sequer a sair do hospital de Seoul, uma vez que, dali ele foi ao necrotério e as informações eram mantidas em sigilo a mando dos pais dele.
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  Ocorre que, quando o senhor e a senhora , descobriram que a noiva de seu filho, era uma ex-garota de programa, todas as informações do paciente, seu estado de saúde, sua morte, o translado de seu corpo para um velório… Tudo foi mantido no mais completo e absoluto silêncio. Como pais do paciente, eles poderiam manter aquele sigilo sem quaisquer problemas, de acordo com a política do hospital. Entretanto, não compreendia a tamanha frieza dos ex-sogros. Apesar de seu passado condenável, e tudo o que ela e viveram antes? Não era possível que os pais dele fossem tão preconceituosos ou tão contra o casamento deles, ao ponto de aproveitar a oportunidade perfeita para afastá-la e de modo tão vil.
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  Mesmo depois de visitar o hospital particular Seran Korea, graças aos esforços de , e descobrirem que o paciente que foi transferido para lá em urgência para receber um transplante não era , e sim, Masasaki, relutou em acreditar. Passou pelos estágios do luto: primeiro, ela entrou em desespero, caindo  em choro compulsivo. Depois, veio o choque. passou três dias sem sair da cama, sem comer e sem falar. Em terceiro, a negação. Ela não aceitou a notícia facilmente, como já era esperado por seus amigos e ao sair da cama, agia como se ainda fosse descobrir uma outra verdade. Disse aos melhores amigos que voltaria no hospital Seran, e falaria ela mesma com os médicos, pois na certa, se confundiu. Após a negação, veio a revolta. queria ouvir da própria boca dos ex-sogros que os mesmos haviam enterrado o próprio filho. Por isso, ela telefonou diversas outras vezes para seus sogros, que assim como fizeram no início de toda a situação, desapareceram completamente.
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  Após o único telefonema que a senhora atendera, deixando subtendido para que falecera, os pais do seu noivo desaparecido não atendiam mais a nenhuma chamada e o número passou a constar como inexistente. Foi ali que percebeu que precisaria desistir.
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  Ela passou a seguir os meses de janeiro, fevereiro dentro desses estágios da dor. Mas, na primeira semana de março, o mês em que agora estava, sua cabeça parecia mais calma, mais conformada e começava a se preparar para o retorno às atividades. A boutique em que trabalhava tirou o mês de janeiro e fevereiro para um pequena reforma, o que deu a ela uma coincidência feliz de descanso. Mas logo ela voltaria a trabalhar, e em uma das tardes que organizava sua bolsa, notou que sua bolsa favorita estava com um cheiro de bolor. Aproveitou para esticá-la no Sol daquela manhã deixando-a aberta na espreguiçadeira da sacada de seu quarto. Naquele momento, ela aspirou profundamente a brisa matutina e observou a rua de seu bairro. De longe, avistou correndo de volta à sua casa, como se acabasse sua rotina de cooper. E só então ela se lembrou do beijo aleatório que o médico lhe dera, quando, em pleno surto, ele tentou desviar o foco da mulher fazendo-a sair do pânico para a surpresa. Ela ainda não sabia o que pensar a respeito da atitude do vizinho, mas por causa daquele beijo, ela não tivera coragem de falar com ele de novo.
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  Quando abriu a porta da casa dele e entrou, sentiu-se estranha por evitá-lo. Não havia contado para nenhum de seus melhores amigos sobre aquilo. , como o melhor amigo protetor que vinha sendo, talvez ficasse com raiva do médico e iria tirar satisfações?
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   havia beijado-a meses antes no calor da emoção de consolá-la pela notícia, e nos dias seguintes ao beijo ocorrido entre e , sua melhor amiga Hyun insistia em entender o que havia acontecido para o Dr. sair tão cabisbaixo da casa naquele dia e consequentemente eles não se verem mais. Mas, manteve-se indiferente como se nada tivesse acontecido. Será que sua amiga também acharia errado o que fizera? Ou estava só pensando demais naquilo tudo?
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   decidiu contar para Hyun sobre o beijo, e a amiga ficou alarmada. Eram coisas demais para a cabeça das duas:
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  1º – O noivo e amor de infância de é internado em um hospital às vésperas de seu casamento;
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  2º – Ainda no hospital, os sogros de descobrem o passado tenebroso dela então, eles expulsam do hospital e a proíbem de ver o noivo;
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  3º – A família de desaparece junto com ele;
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  4º – Depois de meses procurando notícias do noivo, com a ajuda de , finalmente descobre que está morto;
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  5º – beija na mesma noite e os dois passam a se evitar.
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  Eram de fato, acontecimentos demais para qualquer mente, imagine a mente fragilizada de . Hyun tranquilizava a amiga:
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  — Pelo menos, agora você não tem mais que lidar com o , unnie*. Por mais que o motivo fosse … E o mesmo sabendo que ele é nosso vizinho… Não precisa continuar nutrindo alguma relação com ele se não quiser.
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  *Unni: pronome usado de uma moça mais nova para uma moça mais velha, amigas, irmãs…

  — Eu não me importo com isso, Hyun… Na verdade, só estou me sentindo talvez, um pouco culpada. Um beijo bobo não deveria ser motivo para evitar o , afinal, ele me ajudou bastante. Se sabemos a verdade é porque ele se arriscou para me dar alguma reposta, então… Acho que estou sendo imatura com ele. Como eu disse, esbarrar com ele ou não, não me importa. O pior é lidar com a morte de . Eu nem pude dizer adeus…
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   sentiu um choro sem emoção com aquelas lágrimas que não sentimos rolar, surgindo sobre a voz embargada e recebeu o abraço da melhor amiga como conforto. Os dias foram seguindo lentos e mórbidos como havia se acostumado nos últimos meses.
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  — Unnie… O já está voltando das férias? — Hyun perguntou a ela a fim de mudar o assunto.
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  — Sim, na sexta-feira! Mal posso esperar para vê-lo.
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  — Aigo… Você vivia dizendo ao telefone pra ele que não precisava se preocupar em voltar logo! — Hyun beliscou a amiga que só então soltou um riso travesso ao dizer:
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  — não tirava férias há anos! Ele merecia esses meses todos de descanso, e também, precisava aproveitar a promoção do trabalho dele. Não seria eu a chorona sem noção que faria o amigo voltar, mas, é claro que eu me acostumei a tê-lo mais perto de mim nos últimos tempos.
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  — Engraçado… — Hyun comentou como quem não queria dizer nada, mas queria saber tudo: — Eu achava que ele fosse um ex-namoradinho seu quando estava em Paris. Mas, você era sempre entediante falando pouco das suas relações.
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  — Eu não tinha relações. Não dessa forma. — comentou duramente relembrando seu passado como garota de luxo.
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  — É, eu sei… Mesmo assim, eu queria acreditar nisso. Que o tal “” fosse seu peguete. Mas aí depois de conhecê-lo e de ver vocês dois juntos, acho que na verdade, ele sempre sentiu um amor unilateral por você!
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  — Ai Hyun! — gritou afastando a amiga — Nada a ver! O é o meu melhor amigo! É como o irmão que eu nunca tive!
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  Hyun começou a rir e murmurou dando de ombros.
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  — Bem, isso é o que eu acho…
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  — Ai nossa, você só pensa besteira! Vamos, levante-se daí e me ajude a pensar em que roupas devo vestir para esta semana de trabalho! A senhora Tomoyo, a dona da boutique que eu trabalho, me deu várias peças da loja para vestir quando estiver trabalhando.
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  — Por quê? — A amiga sorriu encantada, mas também desconfiada — É parte do trabalho?
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  — Sim, ela disse que eu sou muito bonita e fico muito elegante com o que visto, então usar as roupas da loja seria um bom marketing.
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  — Nossa! Que generosa! E inteligente!
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  As duas foram escolher os looks da semana e não tocaram mais em assunto algum sobre ou .
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••••

  Dias depois, estava no kombini* com , que havia retornado da viagem de férias. Ele havia descoberto tudo sobre , através de Hyun e parte dos fatos através de , quando ainda viajava. também omitiu ao melhor amigo sobre o beijo ocorrido com o médico, mas ele soubera. Foi Hyun quem contou para ele. , sabendo da situação de recente luto, fazia o possível para distrair e cuidar de . Ele sabia que aquela situação depressiva teria um tempo e deveria logo desaparecer. Por pior que fosse a verdade, era ainda melhor do que a dúvida que todos viviam pela omissão da família .
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  *Kombini: tipo de loja de conveniências.

  — A senhora Na-Young foi até a loja ontem. – disse de repente.
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   focou a atenção de seu celular para a feição da amiga à sua frente.
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  — Ela me viu bem vestida e disse que as portas da casa estariam abertas.
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  — E você mandou aquela bruxa montar na vassoura e seguir voando, não é?
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  — A questão não é essa, . A senhora Tomoyo perguntou-me de onde eu conhecia ela.
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  — E você contou a verdade?
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  — Não. Disse que não a conhecia. Mas, com certeza a ahjumma* está com o pé atrás comigo agora.
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  — Não se preocupe com isso, .
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  *Ahjumma: “Senhora”, “tia”.

   observou a reação de , notou sua fala preocupada e até entendia o medo dele. O amigo a olhava de um modo analítico, e respirou fundo abaixando a cabeça num breve silêncio entre eles até que decidiu dizer para a amiga, algo que não faria mal lembrar:
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  — Eu evito tocar o nome dele, . Mas, sinto que é necessário lembrá-la, que te resgatou disso. Não caia na lábia de falsa felicidade daquela mulher novamente. Pela memória de .
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   deixou uma lágrima de culpa escorrer em seus olhos. E lamentou por tê-la feito pensar nele. A mulher não ligou, na verdade, compreendia . Depois de comerem, eles levantaram-se juntos para sair dali e seguir o combinado de ir ao cinema assistir algum filme.
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  — Onde está a Hyun? — perguntou, curioso por ainda não tê-la visto desde que voltou de sua viagem.
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  — Ela arrumou um novo namorado. – respondeu sorrindo ao falar na amiga.
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  — Uwa*!
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  — Está surpreso?
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  — Um pouco.
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  — Por quê? A Hyun é bonita, inteligente e muito interessante. Não ficaria sozinha por muito tempo.
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  — Eu apenas não achei que ela fosse assim.
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  — Assim como?
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  — Ligada a relações.
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  — Como assim, ? Ela era noiva! –  riu confusa e curiosa pela reação do amigo.
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  — Eu só não esperava.
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   o analisou durante alguns passos.
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  — Oppa*… Acaso está com ciúme da Hyun?
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  — Mwo*? O que está a dizer, sua babo*!
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  — Tudo bem, acalme-se… Eu só tive a impressão.
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  — Não me interesso nem um pouco em sua amiguinha, .
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   sorriu travessa e entrelaçou o braço ao braço de antes de entrarem no cinema.
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  *Oppa: pronome utilizado de uma mulher mais nova para um homem mais velho, que pode também se referir a relação de irmãos ou namorados.
  *Uwa: “Nossa!”, “Uau!”, exclamação de surpresa.
  *Mwo: “O quê?”.
  *Babo: idiota, tonto, bobo.

Capítulo 02

  Durante toda a manhã as coisas estavam estranhas na loja. sentia-se observada desde o dia em que a senhora Na-Young pisara ali. Entretanto, os burburinhos estavam maiores naquele exato dia de trabalho. Ela arrumava algumas peças em cabides para expor nas araras, quando a senhora Tomoyo, se aproximou ao fim daquele expediente e disse para ela:
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  — , por favor, me acompanhe.
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   seguiu-a obediente e discreta.
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  — Preciso que seja sincera comigo, .
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  — Claro, ahjumma.
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  — Você conhece aquela mulher, a senhora Na-Young?
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   ponderou.
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  — Sim, senhora.
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  — Por que mentiu sobre isso?
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  — Eu a conheci há muitos anos e tomei alguns passos errados na minha vida. Menti porque não tenho mais nada a ver com a senhora Na-Young ou com a antiga que eu fui. Tudo aquilo é uma parte do meu passado que eu me empenho em apagar.
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  A senhora Tomoyo observou cautelosamente a mulher à sua frente.
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  — Você é a funcionária favorita das clientes, sabia? Elas apreciam o seu atendimento, a sua sutileza e seu bom gosto. Te veem como um modelo de mulher elegante e refinada. E desde que você passou a vestir a nossa marca, as vendas aumentaram.
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  — Sei disso senhora, por isso prezo pela discrição de fatos que possam atrapalhar.
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  — Eu não quero demitir você . Mas, burburinhos tem sido ditos a seu respeito. Então, o que você sugere que eu faça?
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  — Não sei, senhora. Mas sei que fará a escolha certa.
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  A senhora Tomoyo analisou com cautela e um olhar direto ao rosto e expressões da sua melhor funcionária. não abaixou a cabeça, a olhva por igual. Com respeito, mas por igual. Tal atitude demonstrava que ela não fazia nada de errado e estava certa de que o passado era passado.
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  — Preciso pensar em como lidar com esta situação. Eu vou afastá-la por algumas semanas. Acabamos de reinaugurar a loja, prefiro que não haja fofocas maldosas por aqui, nem sobre a loja, e nem sobre você. Aproveite este tempo para pensar .
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  — Pensar?
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  — Pense no que levou você à tais escolhas e atente-se ao que poderia levá-la de volta ao seu passado. É bom que se você quer manter esse passado distante, saiba reconhecer as tentações que podem surgir. Pode ir por hoje, obrigada.
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   assentiu encarando o olhar indecifrável da mais velha. Aquilo era um conselho ou uma praga? Ao deixar a loja, não hesitou em pegar um táxi, mesmo que o metrô fosse mais rápido.
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  Caminhava lenta pela rua de sua casa, havia chegado mais tarde do que o habitual devido à escolha em voltar de táxi. Cabisbaixa, percebeu um carro passar lento na rua ao seu lado e ao ver de quem se tratava desviou o olhar. O carro chegou antes dela ao seu destino, estacionou na própria garagem e quando seguiu até a porta de sua própria casa, olhou para . Ele ergueu uma mão em aceno para ela, e a mulher pensava se responderia. Ao se dar conta de que ser educada não seria um crime ou entendido da forma errada, ela ergueu a mão em cumprimento para ele também. Ambos sorriram fraco um para o outro e entraram em suas respectivas residências.
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   não contou a Hyun e muito menos a o que aconteceu na loja. Ela escondeu a situação, e aceitou sair para encontrar , algumas noites depois, pois, ele estava estressado no trabalho. Como era uma espécie de ritual ou tradição entre os dois amigos, pediu que ela fosse com ele ao mesmo bar de sempre, onde poderia beber em silêncio e esvaziar a mente. Ela concordou, mas quando ele mencionou buscá-la na loja, disse que não era preciso. Inventou uma desculpa em ter saído mais cedo e que estava próxima ao lugar. Não queria que logo ele, que a ajudou a conseguir aquele trabalho, soubesse que por pouco estaria prestes a perder o emprego. Quando chegou atrasada, estranhou a incoerência entre a fala da amiga e o tempo para chegar ali, e indagou curioso:
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  — Como chega atrasada se disse que estava por perto?
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  Novamente, mentiu.
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  — Precisei passar em outro lugar antes. Desculpe o atraso.
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  Ela percorreu os olhos por toda a extensão do lugar.
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  — Tem certeza que não há problema de bebermos aqui, ? – O amigo perguntou analisando a amiga que observava ao lugar com um pouco de culpa.
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  — Não é aqui o seu refúgio?
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  — Sim. Mas aqui foi a sua perdição. Não quero te causar dor.
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  Ela encarou a maneira natural como pronunciou aquilo e arqueou as sobrancelhas. Certamente ele não teve intenção de ser rude, mas a verdade dita caiu como um tapa na face de .
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  — E salvação também. Acaso esqueceu de que foi aqui onde reencontrei ?
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  — Se você ficar depressiva, eu juro que te carrego daqui para uma balada! — ameaçou dando de ombros ao notar que não só o ambiente era propício àquilo, quanto o fato de ela decidir tocar no nome do ex.
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   sorriu para que virava seu soju* de modo desesperado. Ela notou que o amigo estava realmente estressado.
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  *Soju: bebida alcoólica típica da Coréia.

  — O que aconteceu ? Dá para notar sem muito esforço que você está muito incomodado com algo.
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  — Acho que estou amando.
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  Ele disse simplesmente, sem qualquer preparo, suspense ou delicadeza. Afirmou como quem pede “com licença”. Ela arregalou os olhos surpresa e deixou o queixo cair.
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  — Mworago*?
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  — Não ria de mim!
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  — Quem é ela?
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  — Não vou lhe dizer.
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  — Aigo*! Primeiro Hyun, agora você… – ria admirada, com a cabeça apoiada nas mãos a olhar o amigo: — Espera… É a Hyun, não é?
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  — Não. Não é ela. Pare.
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  — Então quem é?
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  — Aish*! Não quero falar quem é a maldita causa da minha insônia.
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  — Como isso aconteceu?
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  — Não sei! Não faço ideia de quando começou, mas quando dei por mim, estava sofrendo.
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  *Mworago: “O que você disse?”
  *Aigo: “Meu Deus!”, “Céus!”.
  *Aish: interjeição de descontentamento, irritação.

   riu contida pelo drama do amigo. Ele pediu licença para ir ao banheiro e deixou a mulher ali no balcão pensativa sobre o que acabara de ouvir. Naquele mmomento, a senhora Na-Young se aproximou.
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  — … Está ainda mais bonita, honi*.
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  — Olá senhora Na-Young. Como vai?
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  — Como sempre… Nada muda muito por aqui. E você? Não convidou a senhora Na, aqui, ao seu casamento.
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  — Não houve casamento. Ele faleceu.
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  A mais velha lamentou e serviu para a mais nova um drinque que sempre pedia ali.
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  *Honi: querido/querida (como “honey” no inglês).

  — Eu lamento, honi. Mas não cometa besteiras. Agora você está onde deveria estar. Aproveite as oportunidades que a loja de roupa lhe trouxer. Agarre-as. Seja independente e feliz. Não quero vê-la aqui de novo, a não ser que venha para beber com seus amigos, de verdade.
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  Piscou para sorrindo e deixou a mulher ali pensativa. A senhora Na-Young nunca havia forçado nenhuma de suas moças a trabalhar para ela, ela estava ali e as interessadas que vinham. sabia que no fundo, pelo menos com ela, a senhora Na torcia para que arrumasse um emprego mais digno.
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   retornou perguntando para ela o que a dona do estabelecimento queria, pois, havia notado as duas conversando.
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  — Dizer para eu não cometer besteiras.
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   encarou , confuso, a amiga puxou o próprio drinque para um brinde, e correspondeu.
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Capítulo 03

Aqui estou, você consegue me ouvir? O pequeno tremor em meu coração. Provavelmente é amor, eu penso em você. Sempre te amarei em meu coração. Você sabia? (…)

  Hyun, em janeiro, se mudara da casa de onde havia passado os meses desde seu retorno de Paris, para um apartamento próprio. E tudo caminhava bem para a melhor amiga de . Hyun avisou que algumas coisas haviam ficado no quarto de hóspedes de . Em uma manhã de primavera, pensava se iria até a loja conversar com a senhora Tomoyo sobre o que ela havia decidido a respeito de sua situação, mesmo o prazo não tendo passado; quando a campainha se fez ouvir. Era Hyun que parecia visivelmente apressada, quase, desesperada.
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  — Desculpe vir sem avisar unnie, mas eu deixei uma caixa com documentos importantes aqui.
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  — Claro, suba. Pode pegar amiga.
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  Hyun subiu em disparada deixando curiosa. Ela seguiu até a cozinha para pegar um copo de água e ao ouvir os passos da amiga retornando do corredor superior, se adiantou até a sala.
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  — Unnie, não está vestida para o trabalho?
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  Sem dar-se conta de que era para estar no trabalho, inventou uma desculpa:
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  — Ganhei folga extra hoje.
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  — Oh! Que bom.
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  — Me deixe te ajudar com isso! — direcionou-se à escada com braços estendidos para tirar a caixa das mãos de Hyun, mas a outra puxou a caixa para si novamente.
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   olhou-a confusa e Hyun, na tentativa de sair imediatamente dali tropeçou na escada. segurou a amiga, e a caixa foi ao chão deixando todos os papéis de carta e um pequeno diário cair. Hyun soltou-se da mão da amiga e com a face assustada apressou-se a reunir todos os papéis. imediatamente pegou o diário aberto e pôs-se a folheá-lo. Inúmeras fotos de desde a sua infância, declarações de amor em letras infantis, corações e desenhos adolescentes. Hyun percebendo a inércia da amiga olhou para trás e arregalou os olhos ao perceber que encarava-a com os olhos cheios de lágrima.
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  — Era o ? — ela apenas perguntou.
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  — Unnie…
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  — Foi por causa do que o Jacques desistiu de se casar com você?
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  — … São apenas coisas de criança!
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  — Então por que você as escondeu? Por que nunca me contou?
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  — , por favor, não entenda mal…
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  — Hyun! Você ainda amava o ?
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  O olhar aflito da amiga ao chão, com aquelas inúmeras cartas em mãos respondiam a pergunta de .
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  — O que são estas cartas?
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  — São só cartas que trocamos enquanto eu estava na França.
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  — sabia dos seus sentimentos?
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  — Ele sempre soube, mas ele não dava atenção! Ele nunca correspondeu, ! Para ele eu sempre fui uma irmãzinha! — Com a voz mais calma, um tanto emocionada e se erguendo desajeitada do chão, Hyun pediu: — Por favor, não pense nada errado unnie
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   sabia que não adiantaria nada sofrer por aquilo. estava morto. Entretanto, algo em seu coração a fazia sentir-se traída. Ela encarou Hyun com mágoa, enquanto a amiga chorava silenciosa de cabeça baixa.
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  — Você escondeu isso de mim! Vocês dois!
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   abriu a porta de sua casa e jogou longe o diário, em seguida gritou para que Hyun saísse dali. Sem discutir, Hyun pegou suas coisas e saiu chorando de cabeça baixa. Abaixou-se e pegou o diário no meio do gramado em frente à casa. encarou a amiga a sair chorosa.
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   passeava com seu cachorro quando viu a cena. Ele estava parado na calçada observando o ocorrido e quando mencionou caminhar até , ela entrou e bateu a porta. não atendeu nenhuma das ligações de Hyun e não retornou à loja para falar com a senhora Tomoyo. Apenas levantou-se ao escurecer, arrumou-se e foi ao bar da senhora Na-Young.
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  Quando a mulher mais velha a viu ali, serviu a ela um drinque e tornou a repetir:
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  — Não retorne. Fique onde está, .
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  — Não pretendo voltar a trabalhar para a senhora. – respondeu convicta.
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  — Não precisa trabalhar para mim para voltar à sua vida infeliz de antes.
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  A senhora Na-Young saiu de perto da mais jovem, e deixou o local adentrando para uma sala privativa. O garçom do bar, reconheceu e puxou assunto, e de novo, ela admitiu a ele que jamais voltaria a trabalhar para a senhora Na-Young.
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   bebeu um drinque, dois, três, ao ponto de voltar para a casa aos tropeços. Seu coração doía tamanho o ódio. Sentia-se traída por Hyun. E também por que nunca lhe contou sobre os sentimentos de sua melhor amiga. Ela nem sabia se estava certa em julgar e nutrir aquele ódio momentâneo, apenas o sentia. E como aprendeu durante sua vida: emoções não devem ser reprimidas.
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  Caminhava trôpega pelas ruas quando notou que vagarosamente um carro a seguia. Olhou para o lado e viu o vidro baixar lentamente. Continuou caminhando sem parar, e o carro prosseguiu. Ela parou mais uma vez, para encarar o automóvel que também estacionou revelando uma face conhecida:
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  — Senhor Hoon?
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  — Entre, .
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  A porta do carro abriu e a mulher hesitou um tempo, mas entrou.
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••••

  Recordava-se por flashes da conversa com Hoon em seu carro: ele indagando sobre o tal homem que ela amava, perguntando o que havia acontecido com ela, se havia se casado finalmente; ela respondendo que ele a deixou; ele perguntando o que ela pretendia fazer, e ela convicta dizendo que não trabalharia mais para a senhora Na-Young. E enfim, numa última recordação que a fez abrir os olhos, o senhor Hoon dizendo-lhe: “Seja minha outra vez, ”.
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   ergueu-se da cama assustada e notou-se nua. A cama ao seu lado vazia, e o apartamento que já conhecia. Apoiou a cabeça entre as próprias mãos, e pôs-se a chorar. Desta vez o dinheiro não estava exposto em lugar algum do quarto. Havia bebido demais e dormido de graça com outro homem. Com seu ex-cliente fixo. Pelo menos sentia-se menos suja por não receber por aquilo. Tentou repuxar em sua mente se havia sido sem consentimento, mas Hoon nunca a tratara daquele jeito. Ele era diferente da maioria, mesmo quando a pagava e ela não queria, ele nunca a forçou. E naquela noite não foi diferente. Ela fez o que queria fazer, por mais que seu desejo bêbado, fosse detestável.
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  Saiu do quarto após o banho, enrolada em um roupão e para a sua surpresa o senhor Hoon estava sentado à mesa de café da manhã lendo um jornal.
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  — Bom dia. — Ele disse observando a expressão confusa dela, com um sorriso plácido.
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  — Bom dia. Não vai sair?
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  — Ah, vou sim, minha querida. Minha esposa está no hospital me aguardando.
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  — O que houve com ela? — perguntou confusa sentando-se à mesa.
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  — Nasceu o nosso primogênito!
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  Ele deu a notícia com um sorriso esplendoroso em sua face. E sentiu faltar-lhe chão abaixo dos pés. Piscou incrédula. Hoon era um homem pouco mais velho que ela, muito bonito e charmoso. Tinha uma empresa que só lhe dava altos lucros. E agora uma família. Quando a procurava, ele dizia que a falta de um filho havia tornado seu casamento algo de fachada. Mas, agora a notícia comprovou que alguns homens simplesmente não tem caráter.
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  — Eu preciso ir. — Ela falou envergonhada e enojada de estar ali, e quando mencionou levantar, ele a impediu:
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  — Espere. Eu aguardei você acordar porque precisamos definir o que faremos. Você quer voltar a ser como antes?
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  — Eu me lembro de dizer que não trabalho mais com isso, Hoon. Esta noite foi um erro, um momento de insanidade.
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  — Tudo bem. Mas, já que não pago a senhora Na-Young, e nem a você, como a faço ficar?
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  Ela encarou o homem extremamente confusa. E ele adiantou as explicações ao notar a confusão de :
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  — Eu disse que gostava de você, mas você preferiu seguir com o homem que a abandonou.
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  Ela sabia que não havia sido abandonada, mas não devia explicações ao Hoon.
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  — Quero você de volta . Como minha namorada.
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  — O que está dizendo!? Você é um homem casado!
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  — Isso nunca significou nada para nós. Me deixe te amar, . Me deixe cuidar de você! Você sabe que com você sempre foi diferente! Eu realmente tenho carinho, admiração e amor por você. Meu desejo é que se torne minha mulher um dia.
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  Ela estava bamba sob as pernas. Não sabia se por ressaca física ou moral. E não falava nada, apenas encarava o olhar sedutor do homem à sua frente. E não percebeu quando a mão dele pousou em suas costas puxando-a para perto e beijando . Ela aceitou o beijo, mas não por sentir o mesmo, apenas de modo involuntário, e se afastou antes que o ósculo se estendesse mais.
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  — Deixe seu novo número. — Ele esticou o próprio celular para ela, mas ela negou.
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  — Não estou interessada, senhor Hoon.
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  — Eu vou conseguir encontrar você… Não tem problema.
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  — Não estou interessada! — Ela bradou, e o homem a olhou com deboche e saiu do apartamento.
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   vestiu suas roupas e saiu imediatamente dali.
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  Após alguns dias, a senhora Tomoyo pediu que retornasse à loja. E ela agradeceu aos céus, já estava difícil inventar desculpas à sobre suas “saídas” mais cedo do expediente. Precisaria agradecer Hyun também, por causa da briga entre elas, estava se empenhando em fazê-la perdoar a amiga e nem lembrava dos horários estranhos de .
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  Na loja, a senhora Tomoyo ofereceu a não mais um cargo de vendedora, mas sim, de modelo da marca. Ela estava confusa, mas a mais velha esclareceu que assim ela poderia usufruir da imagem positiva que impunha sob a marca, sua elegância, bom gosto e beleza. E não teriam que se preocupar caso uma cliente não aceitasse ser atendida por ela devido aos burburinhos das demais funcionárias da loja. Tomoyo também esclareceu que a proposta não veio do céu, muito pelo contrário. Ela já planejava uma assessoria de marketing para a loja, que  a aconselhou em investir numa imagem física, em campanhas de moda e publicidade. Porém, ao invés de contratarem uma modelo profissional, por que não inserir uma nova modelo no mercado? Por que não criar uma modelo própria de sua marca, com um storytelling de uma mulher comum, resiliente e que construía sua carreira por ela mesma? receberia um salário um pouco maior, porém, ainda menos do que um cachê profissional. Seria agenciada e aprenderia o necessário, desde que assinasse exclusividade à Tomoyo.
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  — Senhora… O que a faz pensar que o meu passado não virá à tona com muito mais força, caso eu estampe outdoors da marca?
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  — Mas o impacto não tenderia a ser negativo. Pelo menos não para a minha assinatura. É claro que você estará se expondo, mas não creio que isso abriria uma cratera sob seus pés. Uma história triste pode ser a virada de um sucesso, . Com toda a assessoria de marketing que estou contratando, não vejo nenhum problema se o seu passado vier à tona. Não vamos explorar isso, portanto, sejamos cautelosas em manter tudo quieto, sim?
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  Ela analisou o discurso da senhora Tomoyo e sua expressão paciente. Não é que a mulher fosse ruim, apenas pensou primeiramente em si e, em sua marca. E depois, o que teria a perder? Além é claro da possibilidade de escancarar a sua vida? Talvez assim, o efeito das decepções à sua volta a atingissem menos, emocionalmente. Ela aceitou.
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   não surpreendeu-se com a proposta repentina recebida, ele sempre dissera à o quanto ela tinha “porte” de artista. E imaginou que os horários flexíveis com que Tomoyo liberava deviam-se ao futuro que ela já articulava para a mulher. passou um mês preparando-se com a tal agência de modelos. Vez ou outra, enquanto saía de casa avistava indo ou voltando de seus plantões. Não se falavam como antes, mas eram educados. Quando o seu primeiro ensaio fotográfico foi estampado num outdoor comercial da cidade, e fizeram festa. Eles estavam sentados em uma mesa de bar, a música agitada denunciando a alegria do local. conversava animada com , até Hyun aproximar-se da mesa.
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Capítulo 04

  — O que ela faz aqui? — perguntou olhando brava para .
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  — Eu posso ter comentado que estaríamos aqui hoje… — ele disse indiferente.
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  — Francamente, ! — revirou os olhos sem encarar Hyun que direcionou a ela em uma voz manhosa e olhar tristonho o pedido:
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  — Por favor, unnie. Eu só quero me explicar.
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   olhou para Hyun com raiva, mas ao ver o arrependimento no olhar da quase “ex” melhor amiga sentiu que estava sendo imatura. levantou-se e saiu da mesa com a desculpa de perceber uma mulher que o paquerava. Hyun sentou-se onde antes ele estava.
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  — … Eu fui apaixonada desde criança por e ele nunca percebia. Quando você chegou à escola, ele se apaixonou por você assim que te viu. E eu soube que havia perdido minha chance. Mas, na adolescência, depois que vocês terminaram eu tive coragem de dizer a ele o que sentia. Não era como se eu esperasse que ele ficasse comigo, eu apenas queria me livrar daquilo. Me livrar de guardar aquele segredo e quem sabe, colocando a verdade para fora, eu poderia superar meu sentimento por ele. Lógico, eu não vou ser hipócrita em negar que, quando contei, ainda tive uma centelha de esperança de que ao saber, pudesse considerar algo… Mas, logo que falei como eu me sentia para ele, o confessou que por mais que doesse não estar ao seu lado, era a ti que o coração dele pertencia. E desde então, nunca mais falamos sobre os meus sentimentos.
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   escutou a tudo olhando friamente no fundo dos olhos de Hyun, e não demorou nem um minuto para responder à versão da história dela, com o que já estava engasgado em sua garganta desde o dia que descobriu o segredo da outra:
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  — O que me magoou não foi o fato de você ter sido apaixonada por ele, mas de ter me escondido. E ele também! Não vê que isso faz parecer que algo proibido estivesse acontecendo?
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  — Eu sei. Mas, eu não achava que fosse algo necessário uma vez que confessei ao e fui rejeitada.
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  — Se você realmente não achasse um segredo desnecessário não teria feito esforço em esconder de mim.
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  — Eu agi daquele jeito, , porque agora que … — Hyun hesitou.
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  — Morreu. Pode falar que ele morreu. Não é como se eu tivesse me esquecido. — declarou duramente.
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  — Eu não queria lhe fazer sofrer por algo tão infantil… — disse Hyun envergonhada com o olhar baixo.
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   viu o semblante perdido da amiga, como alguém que estivesse em culpa e raiva de si ao mesmo tempo, e precisava admitir: talvez, sua reação contra Hyun tenha sido exagerada. Ela sentia falta da amiga, e Hyun sempre esteve do lado dela em todas as circunstâncias. Não adiantaria alimentar aquela mágoa da amiga, ainda mais, naquele momento em que o amigo e amor de infância das duas, estava morto.
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  — Eu só farei uma pergunta Hyun e espero que você seja sincera.
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  Hyun encarou-a em expectativa.
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  — Você ainda sentia este amor por quando ele e eu planejamos o casamento?
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  — Não. Já havia me conformado com a rejeição dele há anos, . Eu transformei o meu amor por ele, em um respeito fraternal. Ele realmente sempre foi um amigo e eu passei a entender isso.
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  — Não está mentindo?
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  — Juro que não! Eu fiquei muito feliz por vocês! Fui para França logo que ele me disse que seus sentimentos por você não mudariam, você deve se lembrar… Na época em que nós três nos separamos por causa da faculdade e vocês haviam terminado, eu surgi de repente com aquela ideia de fazer um intercâmbio, lembra?— apenas acenou com a cabeça enquanto Hyun continuou: — Me recuperei deste amor platônico, mas confesso que tinha medo de como seria se um dia você descobrisse o que eu senti por ele, já que, claramente não havia lhe contado. Nós dois nunca tocamos no assunto, era como se ele preferisse fingir que não aconteceu, e eu… Eu sei aceitar quando perco, . No momento que vocês reataram eu respeitei a felicidade de ambos e me empenhei em ser feliz com você também, como a grande amiga que eu sempre tive em você. Guardei todas as cartas, talvez porque queria aguardar o momento que me apaixonaria verdadeiramente por outra pessoa ao ponto, daquelas serem apenas cartas de criança.
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   encarava o olhar tristonho de Hyun e decidiu que nada adiantaria perder mais uma pessoa importante em sua vida. Suspirou pesadamente e falou:
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  — Então… Já que está sendo sincera e não tem mais segredos entre nós…
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  — Eu juro que não tem, unnie! — Hyun pediu com as mãos entrelaçadas às de sobre a mesa.
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  — Então, me diga… Como está o seu namoro? Quando irei conhecer o felizardo?
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  Hyun iluminou-se com a fala da amiga e sorriu agradecida. Apertou a mão dela e as duas se abraçaram. Aquela era a forma de dizer que havia perdoado. não tinha ido ao encontro de nenhuma paquera. Estava sentado ao balcão do bar, a fim de dar às duas privacidade, e sorria observando as amigas abraçadas. Hyun olhou na direção dele e sorriu agradecida. Ele mencionou sair dali quando uma mulher o parou. olhou para trás, após Hyun indicá-la o lugar em que ele estava. Notou o cenho franzido e confuso de com aquela mulher à sua frente, e observou cautelosa ao amigo.
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  — Quem é aquela? — perguntou Hyun.
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  — Não faço ideia. Eu acho.
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   encarava silencioso à mulher, e quando mencionou falar algo outro homem se aproximou pondo a mão às costas dela. E sentiu um embargo em sua garganta ao ver que o homem era o Senhor Hoon. disfarçou o olhar na direção da mulher e saiu de encontro à e Hyun.
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  — Quem era aquela senhora, ? Vocês dois pareciam surpresos. — perguntou Hyun, curiosa, logo que ele sentou-se com elas de novo.
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  Tanto ele quanto mantinham-se calados. Ele, estático por ter encontrado aquela mulher, e ela por medo do senhor Hoon a reconhecer. Até que recordou-se de algo que o amigo dissera há pouco tempo e o encarou surpresa:
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  — É ela, ? A mulher por quem está apaixonado?
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  — Como? — Hyun perguntou confusa.
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  — Estava, . Ela não é uma boa pessoa para mim.
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  — Aquele com ela, é o marido dela? — perguntou, um tanto chocada. 
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  — Sim. Como percebeu que ela era casada? Não é possível que fosse tão óbvio e apenas esse idiota aqui foi enganado. — respondeu amargurado bebendo seu drinque.
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   o encarou vagamente. E ele entendeu. Provavelmente, o marido, era um ex-cliente de . Ele sentiu um ódio ainda mais forte em sua garganta. E Hyun nada entendia. Os três decidiram que não comemorariam o novo trabalho de ali. Ao se encaminhar à saída, cruzou olhares com Hoon. Ele sorriu discreto para ela, e a mulher saiu rapidamente puxando Hyun.
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  Os três amigos seguiram para a praça do parque ecológico. Eles sempre estavam por aquela região do centro, e tornava-se ainda mais um lugar comum visto que andavam pela noite ali, rindo e conversando como um programa normal quando a intenção era comemorar com bebedeiras. Nenhum deles sentia falta do clima agitado.
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  — Quer que eu deixe você em casa?
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   perguntou para Hyun, após terem acompanhado ela até o ponto de táxi no fim da noite. Ela negou a carona de , mas aceitou. No carro à caminho de sua casa, ela não pôde evitar as perguntas dele:
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  — Ele era seu cliente, não é ?
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  — Sim. Era o principal. Aquele que…  — falou envergonhada.
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  — Te enchia de presentes e exibia como a namorada perfeita dele. — bufou ao recorda-se das vezes em que comentava do cliente VIP, sem mencionar sua identidade.
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  — Ele mesmo. — afirmou envergonhada.
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  — Que mundo estranho. Quem diria que um dia eu me apaixonaria pela esposa do homem que lhe deu um mundo de conforto enquanto traía a mulher.
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  — É… — As palavras faziam embargo na garganta de .
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  — Eles tem uma filha.
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  — Verdade? — perguntou recordando-se de ter ouvido aquilo através de Hoon.
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  — Tem um pouco mais de um mês.
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  — … — respirou ela profundamente, antes de perguntar, retomando o controle de seu emocional: — Afinal, como a conheceu?
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  — Nós nos esbarramos na rua. Clichê, não? Eu a ajudei a pegar suas coisas e dali conversamos em um café, trocamos telefones, e nos encontramos com frequência até ela contar que estava grávida. Perguntei se era casada e ela mentiu. Mentiu por bastante tempo… Até confessei meus sentimentos e ela me correspondeu. Mas, um dia quando estávamos juntos o celular dela tocou e eu vi a chamada. Era ele. O nome dele indicando que ela era casada, e que havia mentido para mim. Depois daquilo, eu decidi que não queria ser amante de ninguém, mesmo que a amasse. Fiquei ferido com a mentira dela. Então, nós não nos vimos mais, e quando me dei conta, estava apaixonado por ela…
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  — Você descobriu que estava apaixonado então, na noite que bebemos no clube. — constatou.
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  — E após algumas noites em que ela deu à luz ao bebê.
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  — Como soube do parto dela?
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  — . Ele estava de plantão no hospital.
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  — O quê? O que o tem a ver com isso? Digo… Que relação ele…
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   estava muito confusa.
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  — O que o sabe sobre vocês? — perguntou surpresa pela forma como o médico parecia estar entrelaçado às linhas dos destinos dela e seu amigo.
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  — Um pouco depois que o desapareceu eu retornei ao hospital sozinho, para conseguir informações com . Conversava com ele quando a vi sair na recepção. O médico que a acompanhava veio até , pelo visto ela tinha uma gravidez arriscada e como cardiologista ele acompanhava o caso. Não nos falamos, mas eu fiquei bastante abalado. Desabafei com o naquele dia, foi assim que ele soube da minha situação. Mas, depois que brigamos, não nos vimos mais, Kyara e eu.
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  — Kyara é o nome dela?
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   acenou afirmativo. E sentiu-se mal por perceber que passara anos ao lado de Hoon, enquanto ele traía a mulher que ela mal sabia o nome.
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  — Parece que o tem o dom de ouvir os desabafos alheios. — Ela constatou disfarçando.
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  — E ninguém para escutar os dele.
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   encarou confusa a face de .
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  — E por que ele te contaria sobre o nascimento da filha dela?
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  — Por que naquela noite eu telefonei para ele, e como não podia atender, disse que estava entrando no parto de Kyara.
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  — Ah…
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   pensava sobre tudo aquilo. Como tantas linhas podiam se cruzar daquela forma? estacionou à frente da casa dela, e o carro de passou ao lado do dele. Os dois observaram dirigir até sua garagem, pensativos.
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  — .
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  — Hm?
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  — Eu sei sobre o beijo.
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  — O quê? — Ela olhou assustada para .
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  — Ele deve gostar de você, realmente.
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  — Não acredito que ele contou isso a você!
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  Ela ficou extremamente nervosa com aquilo, e analisou a amiga de um modo curioso. Resolveu não contar a verdade.
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  — Parece que ele tem alguém para desabafar pelo visto! — Ela falou brava para e fez menção a sair do carro, mas o amigo a impediu:
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  — Não foi culpa dele. Por que ficou nervosa?
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  — Boa noite , e obrigada pela carona.
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  — ! — segurou mais uma vez o punho dela a impedindo de sair: — Só pra esclarecer, eu nunca te julgaria por ter beijado o também, caso você tivesse me contado. Não há motivo pra se envergonhar disso, ok? Só aconteceu, você não tem que se sentir culpada por nada…
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  — Ok… — suspirou mais calma, grata pelo cuidado e compreensão do amigo: — Desculpa, eu não quis ser grosseira com você… Bem, me deixa ir, vai.
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  — Nos vemos depois. Se cuide, maluquinha. — comentou sorrindo e beijando a mão da amiga, depois soltando-a.
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  Ela desceu do carro e sorria travesso observando a amiga parada na calçada. Partiu com o carro, e olhou na direção da casa de . Ele já tinha a visto, e estava parado observando-a ao lado do próprio carro. Os dois ficaram ali sem ação, até se por a caminhar na direção dela. abaixou a cabeça envergonhada. Era um pouco tarde para dar as costas, e seria muito mal educado. caminhava cauteloso atravessando a rua. Ela o olhou novamente, e notou a figura cansada e receosa dele, com sua bolsa atravessada no tronco. Alguns botões de sua camisa social amarrotada, abertos. O jaleco em um dos braços. Ela colocou alguns fios de cabelo atrás da orelha, e segurou sua bolsa com os braços à frente do corpo, como uma adolescente tímida. Ele parou à uma razoável distância dela e sorriu.
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   sentiu que o olhar dele havia deixado-a corada, o que não era comum.
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  — Boa noite, senhorita . — Ele disse.
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  — Boa noite… — Ela pensou sobre como chamá-lo. Não havia gostado de vê-lo direcionar-se a ela tão formalmente. — .
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  — Eu vi a sua foto num outdoor, hoje.
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  — Ah! Sim… — Ela sorriu sem graça — Eu estou iniciando uma carreira de modelo.
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  — Fico feliz por você. Estava realmente chamativo o anúncio.
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   enrugou a testa como quem procurava saber se aquilo era positivo ou negativo. Ele notou a confusão e riu pelo nariz.
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  — Eu quis dizer que estava lindo.
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  — Ah sim… Obrigada. Chamar atenção para a marca é o meu trabalho, que bom que deu certo…
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  — Como você tem passado?
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  — Bem. E você?
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  O silêncio acomodou-se entre eles. E engoliu sua saliva de modo nervoso.
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  —
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  Ela o encarou atenta ao modo informal como ele chamou-a e se aproximou alguns passos dela.
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  — Eu queria me desculpar, realmente. Eu não deveria ter feito aquilo em um momento de fragilidade seu.
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  — Esqueça isso, . Foi um momento frágil para ambos.
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  — Eu não posso esquecer. Me desculpe.
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   o olhou desconcertada e pensava em uma desculpa para sair de perto dele, mas agiu primeiro, ele coçou a nuca e falou antes dela:
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  — Só não quero que fique um clima estranho entre nós. Podemos ser amigos, ?
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  — Cla-claro…
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  — Ótimo! Obrigado por essa chance! Bem… — De novo ele sorriu sem jeito, e tirando a mão da nuca, despediu-se: — Eu vou para casa, tive um dia cheio. Saiba que se precisar de algo, pode me procurar, huh?
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   sorriu afastando a nuvem de vergonha entre eles, e endireitou a cabeça olhando nos olhos de . Ela apenas afirmou com um sorriso mais amplo.
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  E ele viu que o sorriso que almejava um dia descobrir na face dela, ainda não havia surgido.
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  — Parabéns pelo trabalho, mais uma vez.
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  — Obrigada. Boa noite, .
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  — Boa noite, .
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  Algo na forma como ele disse o sobrenome dela, a deixara estranha. afastava-se e então, ela notou que estava parada ali por tempo demais.
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Capítulo 05

   entrou na agência de modelos, e não acreditou quando deparou-se com a figura do senhor Hoon ao lado de seu consultor Cho Nam-Bin. Cho observou a mulher que acabara de chegar e sorriu fazendo com que Hoon direcionasse o olhar na mesma direção. manteve-se inerte até ser chamada para perto. Hoon lhe sorria discreto com o olhar sempre sedutor sobre ela.
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  — . Este é o senhor Hoon. Ele é o dono do lugar onde o nosso desfile será feito. E fez questão de acompanhar-nos pessoalmente.
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  — Prazer. — A mulher respondeu fingindo não o conhecer.
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  — O prazer é todo meu. — ele pegou a mão dela e beijou-a.
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  — Senhor Hoon? Presidente da Events & Associates? — perguntou ao seu consultor, Cho, como se quisesse realmente confirmar que aquilo não estava acontecendo.
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  — Conhece meus negócios? — Hoon perguntou entrando na farsa.
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  — Ouvi falar… — Ela respondeu falsamente, e controlando sua raiva, sorriu pequeno  tentando entender como seu novo trabalho caiu nas mãos logo, daquele presidente: — Me desculpem, mas a MT terá condições de pagar por um desfile da alta costura em um do espaços da Events?
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  — Certamente a Modé Tomoyo, ainda é peixe pequeno se comparada aos grandes nomes do mercado. — Cho respondeu cuidadoso ao Hoon, justificando-se pela pergunta indiscreta de e olhou-a com certa restrição.
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  — Eu sei disso e por isso resolvi patrocinar a Tomoyo.
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  — Patrocinar? — estava confusa.
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  — Eu sei que a Tomoyo é uma estilista com muito potencial, afinal, ela trabalhou com os melhores antes de abrir seu atêlie, a Modé Tomoyo. E vejo que a senhorita é uma forte aposta de imagem. Sem dúvidas, estamos rodeados de muitos talentos…
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  Após deixar a fala cheia de segundas intenções no ar, Hoon foi encaminhado à uma sala com Cho, e seguiu outra direção para se preparar para as fotos que faria naquela tarde.
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  Cho acompanharia Hoon até outro local, por isso apareceram ambos no meio do ensaio de , a mulher ao vê-lo ali distanciou-se dos holofotes e seguiu até a maquiadora. Cho caminhou até ela informando que ao final do ensaio ela poderia ir, pois, fariam sua reunião em outro momento. Ela assentiu enquanto encarava o olhar de cobiça de Hoon sobre si.
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   saiu da estação de metrô e caminhou até o mercado próximo à sua casa, pensando sobre as coisas que estavam lhe acontecendo nos últimos tempos. Imaginou que talvez fosse hora de ir ao templo e oferecer orações à alma de . Por mais que não acreditasse na morte dele, sabia que ficar aguardando o dia em que seus sogros lhe diriam a verdade não aconteceria. Eles desapareceram, abandonaram-a sem qualquer respeito pela história que ela viveu ao lado de . Mal sabia ela, como o noivo foi enterrado, ou qual cerimônia fúnebre optaram. Será que sabiam que desejava ser cremado após doar todos os órgãos que fossem possíveis?
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   sacudiu a cabeça de um lado ao outro, a fim de afastar as lembranças e a dor. Entrou no mercado que estava vazio e fez as compras que necessitava, com a mente focada em Hoon. O que ele estaria tramando em aproximar-se de Tomoyo daquela forma? Certamente não era difícil imaginar. Ele disse que encontraria . Como ela sairia daquela situação, que começava a amedrontá-la? E Kyara… Será que desejou apenas se vingar do marido e traí-lo também, ou ela tinha sentimentos reais e sinceros por ? bufou triste pelo amigo, enquanto caminhava ao caixa. merecia alguém que lhe amasse verdadeiramente. Sempre implicou com ele, chamando-o de “Don Juan barato”, mas a verdade é que era um homem admirável. queria tanto que o amigo se apaixonasse e fosse feliz ao lado de uma pessoa que o desse valor. E agora ele estava apaixonado, por uma mulher que não poderia ter.
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  — Dinheiro ou cartão? — A atendente de caixa perguntou despertando de seus pensamentos.
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  — Oh, desculpe. Dinheiro.
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  Ela estendeu o valor pedido, e após receber o troco ajudou a moça a empacotar as compras. Pensava em como o amor pregava peças. Se viu lembrando do beijo com e dando-se conta daquilo, ela bateu levemente no topo de sua cabeça e a sacudia.
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  — Não, não, não, ! — falava para si.
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  A atendente de caixa, assustada, a olhou inquisitiva.
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  — A senhora está bem?
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  — Sim, obrigada.
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   pegou os pacotes de compra, atrapalhada e envergonhada. Saiu rapidamente do mercado tamanha a vergonha que ficou. Não sabia se por seus pensamentos, ou por suas ações estranhas perante a funcionária do estabelecimento. Empurrou a porta de vidro do pequeno mercado do bairro com as próprias costas e ao sair ajeitou os sacos de compra a fim de enxergar o caminho.
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  Não sabia como ele surgiu, mas o cachorro agitado passou-lhe entre as pernas jogando-a no chão e espalhando as suas compras para todo lado.
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  — Kito! Kito!
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  Uma voz masculina gritou e em seguida retirou o animal que lambia a face, de cima de :
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  — Me desculpe, me desculpe senhorita! Deixe-me ajudar.
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  O homem tirou o animal de cima dela, prendendo a coleira novamente à guia que ele segurava. Quando se levantou e encarou o homem aturdido, ela não podia acreditar.
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  — ?
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  Ele encarou ela e olhou para o cachorro como se pedisse explicações do que ele estava fazendo.
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  — ! — O médico sorriu e ajudou a se levantar do chão.
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   limpava suas roupas, e pediu-lhe para segurar a guia do canino, e ela o fez receosa. recolheu as compras dela caídas ao chão.
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  — Me desculpe! Eu me abaixei para apertar a guia à coleira quando ele se soltou.
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  — Tudo bem, ele só queria brincar.
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  Ela encarou o animal que balançava o rabo animado. E voltou a olhar para . Aquela camiseta branca suada e colada ao corpo dele lhe parecia muito errado. E ainda mais errado, era ela olhando-o daquele jeito. E como não havia notado o corpo atlético dele, antes?
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  — Eu não sabia que você tinha um cachorro.
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  — Sério? Eu me lembro de passar por você enquanto corria com ele algumas vezes. — respondeu sem cerimônia.
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  — Ah… É… Eu não reparei.
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   ergueu-se com as sacolas em seus braços.
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  — Posso te acompanhar? — ele perguntou.
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  — Si-sim.
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  — Ótimo. Eu carrego as compras para você, se não se importar de segurar a guia do dele. — disse risonho.
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  Os dois puseram-se a caminhar e o cachorro nem parecia mais tão apressado, como no momento que a derrubou.
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  — Qual o nome dele?
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  — Kito. Você não tem nenhum animal de estimação, não é?
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  — Tenho um peixe. Mas, eu queria um lago de carpas.
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  — Carpas são ótimos peixes para se ter em casa.
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  — É… ia construir um lago em nossa casa… — Ela falou amena recordando-se e sentiu-se pesado com o assunto.
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  — Sobre isso… Como se sente, ?
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  — Acho que cada dia eu aceito um pouco mais.
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  — É gradativo mesmo. Fico tranquilo por perceber que apesar de tudo, você está seguindo.
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  — Não é como se houvesse outra forma, não é?
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  — É.
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  Eles caminharam entre olhares, sorrisos discretos e pouco diálogo até a casa dela. perguntou se gostaria de fazer companhia a ele num jantar. Ela sentiu-se desconfortável com a proposta e notando a interpretação que poderia ter sobre aquilo, ele tratou de se explicar:
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  — Podemos sair. Não quero que pense mal. É apenas um momento entre amigos.
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  Ela sorriu e concordou. Despediram-se e ela foi guardar as compras, em seguida se arrumou. apareceu no horário marcado e perguntou a ela onde gostaria de ir. não queria que aquilo parecesse algo que não era, então ela sugeriu um karaokê. Eles foram, comeram, beberam, cantaram, riram bastante e no final da noite deixou-a na porta de sua casa. Ele beijou a testa de num claro respeito e ela sorriu despedindo-se e agradecendo.
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  Aquele programa se estendeu outras vezes, em algumas com a presença de e Hyun, outras apenas entre eles. nem recordava-se mais do beijo ou da vergonha que sentiu por . Ao invés disso, a cabeça de estava ocupada por outras preocupações. Fora convidada a um jantar de negócios com Hoon, Cho, Tomoyo, alguns representantes das partes interessadas e Kyara.
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  Durante o jantar, ela não conseguia encarar a esposa de Hoon. E nem sentir-se confortável. Estava há uma hora sentada à mesa interpretando. Kyara a analisava vez ou outra, não por desconfiar das relações antigas entre e Hoon, mas pelos elogios que a mulher recebia de todos à mesa. Ao final da noite, todos despediram-se e antes que fosse embora, Hoon a cumprimentou com dois beijos no rosto e sussurrou em seu ouvido:
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  — Esteja na senhora Na, amanhã. Horário de sempre. Se não aparecer, Tomoyo não vai perdoá-la.
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   engoliu seco.
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  No dia seguinte ela fez exatamente o que Hoon pediu.
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  Lá estava ela, deslumbrante encarando-se no espelho. Como um dejavú. Sentiu o passado lhe surgir às memórias.
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  Quando a senhora Na-Young viu a mulher entrando no estabelecimento, olhou-a com decepção e indicou a mesa onde um homem a esperava. Hoon levantou-se sorridente e indicou que ela sentasse.
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  — Está maravilhosa, .
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  — Eu vim apenas para dizer que pare.
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  — Parar com o quê?
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  — Com esta ideia fixa em mim.
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  Ele bebeu um gole de seu drinque olhando-a desentendido.
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  — Você é uma mulher livre, . Pode fazer o que quiser, eu nem tanto. Tenho esposa e filha. Por que eu teria uma ideia fixa em você? Sou muito ocupado.
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  — O que quer, afinal?
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  — Com todas as minhas ocupações eu preciso me distrair às vezes. E a única que foi capaz de fazer isso tão bem por tanto tempo, foi você.
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  — Já disse que não me prostituo mais, senhor Hoon.
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  — Eu sei! — Ele falou orgulhoso — Agora você é uma modelo! E as portas podem se abrir para você e para a senhora Tomoyo, . Basta passar mais uma noite comigo.
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  — Uma noite? — Ela ponderou — Está dizendo que me deixará em paz depois?
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  — Se for o que você quiser.
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  Ela olhou-o em dúvida.
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  — Veja, … Logo você será uma figura mais pública. E eu não poderei me arriscar. Eu realmente gosto de você, . Mas, você não quis acreditar quando eu lhe disse. E não acredita agora, não é?
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  — Por quê isso tudo, Hoon?
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  — Eu não pude me despedir.
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  — Recentemente você e eu… — Ela parou de falar deixando subentendido sobre a noite recente de recaída que tivera.
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  — Sim. A paternidade faz o homem mudar, e por mais que eu não tenha nenhum amor por Kyara e nem ela por mim… Eu tenho uma filha e quero cuidar bem dela. Mas você foi e ainda é a minha paixão . E eu preciso ao menos, dizer adeus. Prometo deixar você em paz e não atrapalhar a sua carreira se fizer a minha última vontade.
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  — E se eu não fizer?
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  — Veja… Eu estou tentando ser gentil aqui, .
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  Ela abaixou o olhar, e silenciou afirmativa. Hoon sorriu e levantou-se da cadeira, estendeu a mão para que saiu do lugar de cabeça baixa. A senhora Na-Young lamentou pelo que ela fazia.
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  Dali, os dois encaminharam-se para o mesmo restaurante de sempre. A garçonete que os reconheceu sorriu largamente ao vê-los. E sentia um enjoo lhe tomar o estômago por se pegar num cenário tão conhecido, e tão sujo. Quando o vinho foi servido aos dois, ela colocou a mão em sua taça, mas outra mão lhe puxou o punho de forma agressiva. Hoon levantou-se da mesa encarando o homem à frente dela, surpreso.
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  — O que pensa que está fazendo, ?
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  — ?
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  — Quem é ele ? — Hoon perguntou preocupado com a cena que se formava.
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  — Cretino! Gosta de humilhar as mulheres, desta forma? — enraivecido, direcionou aquelas ofensas ao empresário, e voltando-se para perguntou rude: — ! Eu lhe fiz uma pergunta!
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  — Ele… — A mulher levantou-se e não conseguiu responder.
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   puxou-a para trás de si ainda segurando sua mão. Hoon encarou os dois à sua frente.
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  — É ele o homem que tirou você de mim? — Hoon perguntou encarando de modo agressivo.
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  — Grave bem o meu rosto! Porque se você se aproximar novamente dela, este será o último rosto que você verá, senhor Hoon. — falou ameaçador.
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  O médico conhecia bem o rosto do homem cuja paciente mostrara uma foto momentos antes de dar a luz à sua filha.
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   saiu dali puxando para fora do lugar. Eles caminharam até o local onde o carro dele estava estacionado e soltou a mão dela. Agitado, andava de um lado ao outro bagunçando os cabelos. Respirou fundo, e após acalmar-se minimamente ele encarou . Ela estava parada, assustada olhando diretamente para ele. Não havia lágrimas em sua face, nem vergonha, mas confusão.
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  — Como me encontrou? — Ela perguntou.
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  — Te vi entrando no bar da senhora Na-Young. E fiquei imaginando porque voltaria para aquele lugar depois de tudo o que me contou! Então lembrei que ali você reencontrou , não foi isso que me contou? E também lembrei que ali você encontrava os seus clientes. Ou estou enganado?
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   continuava o olhando inexpressiva.
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  — Pensei: “talvez ela esteja ali apenas para beber com ”. Mas, achei prudente esperar um pouco e ver se sairia com . E então você saiu, acompanhada daquele cretino que deixou a esposa sozinha, num trabalho de parto cheio de riscos para ela e para o bebê! De repente minha mente se fez clara: “onde este cretino estava, na noite em que eu fazia de tudo para a filha dele vir ao mundo deixando a mãe em segurança?”.
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  — Por quê está aqui ? — perguntou confusa, como se não tivesse escutado nada que ele disse antes.
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  — O que você estava fazendo com ele, ? — ignorou a pergunta anterior.
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  — Ele me perseguia. Prometeu me deixar em paz depois de hoje.
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  — E você acreditou? ! O que houve com a promessa feita à ? Como pôde ferí-lo desta forma? Ele se orgulharia disso? Você se orgulha disso?
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   pareceu retomar a consciência do que fazia, e desesperadamente arrependida começou a chorar. encostou-se no próprio carro, passou a mão sobre os cabelos, cansado, e encarou a mulher ao seu lado. estava apoiada ao carro com uma das mãos, e com a outra tampava a boca num choro doloroso. aproximou-se dela e a abraçou.
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  — Está doendo, . Dói não tê-lo aqui para me proteger de mim. Dói não ser capaz de fazer as escolhas certas. Dói viver sem ele. Dói…
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  — Shiii… — interrompeu-a no intuito de que ela parasse de falar — Você não está sozinha, . E você é capaz de seguir com sua vida, você é uma boa pessoa, . Uma pessoa boa a quem coisas ruins aconteceram.
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  — Minha sogra tinha razão, . Ela estava certa em me odiar…
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   puxava a camisa de como na primeira vez que ele lhe acolheu em seus braços.
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  — Não diga bobagens. — Ele pegou o rosto dela entre suas mãos e a fez encarar seus olhos: — Vamos esquecer isso, tudo bem? Vamos para casa.
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   apenas assentiu e seguiu para dentro do carro de .
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  Durante o percurso eles não falaram nada. E quando encarou sua casa, com as luzes apagadas, a memória de a levou até acendendo a luz da sala, e olhando-a ler um livro na varanda, pela janela.
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  — Não quero ficar aqui. — Ela falou baixo dentro do carro, enquanto aguardava por alguma reação dela.
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  — O que quer dizer? — Ele perguntou confuso.
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   virou o rosto para ele, a face vermelha de choro:
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  — Ele está em todo lugar desta casa, .
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  Ele concordou afirmativo e dirigiu um pouco mais à frente, estacionando em sua própria garagem. Eles desceram do carro, e assim que abriu a porta para ela entrar, Kito pulou na mulher.
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  — Ei Kito! — Ela falou calma, abaixando-se para acariciar o canino.
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   observou a cena e assim que entraram ele indicou a ela que ficasse à vontade em sua casa enquanto ele tomaria banho. Ao retornar, havia adormecido no sofá. Ele jogou a toalha que usava para secar os cabelos, em uma poltrona e pegou-a no colo. Subiu as escadas e se aconchegou mais em seu corpo.
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   sentiu o coração apertar. Ele deitou-a em sua própria cama, e ficou observando-a dormir durante um tempo até que o próprio sono veio.
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Capítulo 06

“Você que está um passo atrás de mim, me abraça. Eu estou sonhando em estar com você…”

  O sol que batia em seus rostos foi o culpado pelo despertar ao mesmo tempo. abriu os olhos revelando a figura de ao lado, também abrindo os olhos. Os dois encaravam-se confusos, e envergonhados. Ele adormeceu sem notar, com a cabeça apoiada na beira da cama, e o corpo desajeitado no chão. Suas costas doíam e ao notar aquele incômodo muscular, ele pigarreou baixo e levantou-se. que o observava em dúvida, sentou-se à cama no mesmo momento em que ele levantou. Ela observou o lugar em que estava e a cama em que havia deitado.
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  — Bom dia, .
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  — Bom dia, .
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  Eles continuaram confusos com a situação.
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  — Você adormeceu no sofá ontem, então eu te trouxe para o meu quarto.
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  — Ah… — Ela encarou dos pés a cabeça.
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  Ele ainda estava vestido com a roupa da noite anterior, o que a deixou mais tranquila por perceber que ele provavelmente adormeceu de qualquer jeito quando a trouxe.
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  — Obrigada . Eu já vou indo, não quero incomodar mais.
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   se levantou enquanto o homem à sua frente coçava a nuca, nervoso.
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  — Não! — Ele disse tentando parecer tranquilo, mas percebeu que ele estava nervoso: — Não está incomodando. Vamos descer? Tomar café pelo menos?
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  — Tudo bem.
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   sorriu e tomou frente à porta do quarto, e o encarava pelas costas, um pouco tímida. Quando abriu a porta o susto foi tão grande, que não conteve um grito. Kito pulou imediatamente sobre ele, como se estivesse se preparando para o momento que a porta abrisse, e foi ao chão junto com . , do susto com as mãos à boca passou ao riso com as mãos no rosto.
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   afastava o cão que tentava a todo custo, lamber sua face.
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  — Kito, não! Não!
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   abaixou-se para ajudar a chamar a atenção do cão para outra coisa. Ela acariciou o canino, que ao notá-la abanava o rabo animado. Ela estalou os dedos o chamando e saindo do quarto com o cachorro a seguindo. expirou pesadamente, e levantou-se ainda sentindo as costas.
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  Desceram as escadas, e não conseguiu se livrar da animação canina, ela corria em volta do sofá, a fim de que o cachorro animado não pulasse mais sobre ela. riu ao ver a cena. Todas as manhãs, ele corria com o cachorro, antes de dar sua hora de trabalho e certamente era aquilo que Kito queria. direcionou-se à tigela de comida de Kito recordando-se que não deu tempo de colocar uma última porção para o canino antes de dormir. Ou seja, o cachorro estava faminto. Ele serviu a tigela e a sacudiu o chamando:
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  — Kito!
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  O cão veio imediatamente, fazendo arfar em alívio.
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  — Coma sua ração garoto, e desculpe por ter te esquecido ontem. — Ele sussurrou para o animal acariciando seu pêlo.
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   aproximou-se da cozinha no momento em que lavava as mãos.
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  — Ele é animado né?
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  — Eu faço cooper matinal com ele, então, ele sempre tem muita energia neste horário.
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  — Ah! Um cão atleta!
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  — Há um banheiro no andar de cima, segunda porta ao lado do meu quarto.
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  — Obrigada, eu vou lavar o rosto.
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  — Se quiser, tem escovas de dente novas na primeira gaveta.
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   acenou afirmativa e subiu. Ela observou o banheiro grande, com uma hidromassagem também grande e imaginou se teria tempo de “curtir” todos os confortos daquela casa também grande. Abriu a primeira gaveta, e pegou uma escova de dente, procurou a pasta e enquanto escovava os dentes pensava na noite anterior. Lembrou-se das reações de ao tirá-la da mesa do senhor Hoon. Ele não estava apenas decepcionado… Havia revolta no olhar dele. Ao terminar sua higiene, ela depositou a escova recém-aberta no porta-escovas dele. Deixaria ali no banheiro, ou levaria consigo para casa? De qualquer forma, não seria elegante descer com a escova em mãos e tomar café à mesa com ela.
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   havia acabado de ligar a cafeteira, e preparava o tamagoyaki*. Olhou para Kito, o cão que terminara de comer estava deitado com olhos fechados sobre as patas. sorriu pelo animal travesso.
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  *Tamagoyaki: receita asiática de omelete.

   desceu as escadas e sentindo o cheiro vindo da cozinha ela sorriu animada:
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  — Tamagoyaki?
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  — Sim. Você gosta?
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  — Eu adoro!
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  Eles sorriram.
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  — Você sabe cozinhar? — perguntou.
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  — Não é como se eu tivesse muito tempo para treinar meus dotes culinários, mas eu sempre faço a minha comida, inclusive para levar ao hospital. A vida de médico já é pouco saudável, principalmente ao sono, então pelo menos com a minha alimentação eu tento ser mais atencioso.
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  — Está certo.
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  — Eu vou lavar o meu rosto, tudo bem? Pode terminar aqui?
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   fez que sim, e subiu apressado. Ao descer de volta à sala, a campainha tocou e , estranhando aquele fato incomum foi em direção à porta. terminou de preparar os tamagoyakis, na opinião dela quantidade a mais do que o necessário para duas pessoas, e sorrateiramente observava da cozinha a movimentação na sala. Quando abriu a porta, uma mulher muito parecida com ele e muito bonita entrou com uma criança.
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  — Shyo? Você não chegaria amanhã?
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  — Oi, . Bom dia! Como vai? — Ela falou abrançando-o de volta — Eu precisei antecipar a vinda, desculpe.
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  — Remarcaram a entrevista?
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  — Exatamente! — A mulher olhou para a criança e bronqueou: — Não vai cumprimentar seu tio, Sagwa?
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   sorriu para a menina e abaixou-se recebendo o abraço e cumprimento respeitoso da criança. Shyo correu os olhos pela casa de e ao avistar a cozinha, caminhou-se até lá, deixando suas coisas pelo sofá.
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  — Sua casa é maravilhosa, ! A mamãe estava certa sobre seu bom gosto! E…
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  Shyo deparou-se com encostada à pia e com braços cruzados e sem graça calou-se.
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  — Você deveria ter me visitado muito antes, não é? — respondeu se aproximando com a criança no colo.
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  Ele viu a irmã reagindo estranhamente à presença de , e sorriu. curvou-se sorridente em cumprimento, e Shyo correspondeu ainda calada. sorriu e tratou de apresentá-las:
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  — Shyo está é , uma amiga e vizinha. , estas são a minha irmã mais velha, Shyo e minha sobrinha Sagwa.
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  — É um prazer conhecê-las.
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  — O prazer é meu… — Shyo disse sem graça analisando a figura de e : — Bem! Eu não posso demorar, -zinho!
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  — Não vai tomar café? Que horas é a entrevista?
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  — Eu tenho que estar lá às dez!
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  — Suba, tome um banho e desça para tomar café. Depois eu me arrumo e te levo.
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  — Ótimo! Sagwa, tome café com seu tio, certo? E comporte-se! Mamãe já volta.
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  Ela beijou a testa da filha, e pedindo licença à saiu.
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  — Vamos comer? — perguntou para Sagwa e .
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  Elas assentiram. serviu a garota, em seguida serviu a si. E sorriu para ela, animado.
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  — Lembro de ter dito que sua família morava longe. Sua irmã está de mudança? — perguntou curiosa.
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  — Sim. Uma longa história, que eu te conto depois, pode ser? — Ele falou apontando a presença da sobrinha, discretamente com a cabeça.
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  — Entendo… Bem, se eu puder ajudar em alguma coisa, contem comigo.
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  — Obrigado, ! — sorriu e os dois ficaram se encarando contemplativos, até que Sagwa chamou-lhes a atenção.
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  — Quero mais, tio .
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  Ele serviu a menina e sorriu para ela, enquanto a garota olhava-a envergonhada. Shyo chegou apressada e sentou-se à mesa com eles. Ela era bem agitada. Contrária ao que era sempre objetivo e tranquilo. Ela serviu-se, e o irmão subiu para arrumar-se deixando as mulheres a sós.
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  — Então você é vizinha do ? — Shyo perguntou curiosa à .
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  — Sim. Moro há três casas daqui. Do outro lado da rua.
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  — Ah sim… Fico feliz que ele tenha amizades na vizinhança. Mamãe e eu nos preocupamos muito com o isolamento dele em virtude do trabalho.
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   limitou-se a sorrir e ficou ali conversando aleatoriedades com Shyo, até o momento em que desceu as escadas arrumado.
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  — Pronto! Me livrei daquele cheiro de hospital. — Ele disse para a sobrinha sorridente.
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  — Estava o puro do éter, realmente. — A irmã falou em implicância — Você pode ficar com a Sagwa hoje? Eu não consegui te avisar, então…
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  — Posso sim, amanhã que não vou poder. Havia pensado em pagar para a olhar, se isso for possível pra você, … É claro! — O médico comentou encarando a amiga.
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  — Ah! Não precisam me pagar, imagine! Eu fico com a Sagwa amanhã, com prazer. Eu não tenho nenhum ensaio.
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  — Ensaio? — Shyo perguntou analisando a mulher.
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  — é modelo de uma grife da região.
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  — Ah! Uma modelo Sagwa! Olha só!
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  A menina animou-se e sorriu.
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  — Eu quero ser modelo quando crescer!
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  — Nossa, então eu vou te dar algumas dicas amanhã! Podemos brincar de modelo, o que acha?
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  A garota ficou ainda mais animada. E enquanto as duas conversavam Shyo olhou para e sussurrou se era seguro deixar Sagwa com ela. E ele respondeu tranquilamente: “eu não deixaria se não fosse”.
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   pediu para ficar com Sagwa até ele levar à irmã dele para a tal entrevista. A vizinha aceitou e levou Sagwa até a casa dela, pois precisava tirar aquela roupa chamativa do dia anterior e enquanto as duas atravessavam a rua, Shyo comentava com dentro do carro observando a mulher com sua filha:
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  — Esta garota… O que há entre vocês -zinho?
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  — Ela é uma amiga.
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  — Tem certeza? Porque ao que me parece, ela dormiu na sua casa…
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  — Sim, e o que tem?
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  — Ela estava vestida de “ontem”.
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  — É, ela estava em uma festa e eu me encontrei com ela na volta do meu plantão, então dei uma carona pra… Espera! Shyo, eu não tenho que te dar explicações de nada.
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   concluiu irritado enquanto sua irmã sorria.
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  — Só quero o melhor pra você. Acha que ela merece seu amor?
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  — Amor? Do que você está falando?
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  — Então é só um caso esporádico? — Shyo levou as mãos à boca e alarmada falou: — Mamãe não vai gostar de saber disso!
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  — Não tem caso nenhum, babo.
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  — Tudo bem… Então, certifique-se se ela é a mulher ideal para você antes de declarar o que sente.
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  — Shyo…
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  — Está nos seus olhos . Eles brilham para ela. E foi nítido que você adorou que eu conhecesse a moça.
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  — Shyo… Ela estava noiva até alguns meses, e perdeu o noivo que era meu paciente por uma patologia cardíaca.
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  — Oh… Nossa, , quando vai descomplicar seus relacionamentos?
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  — Aish… Você é impossível!!
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  — Então vocês se conheceram por causa desse noivo dela?
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  — Sim.
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  Shyo suspirou tristonha. Pareceu-lhe que o irmão havia entrado numa daquelas enrascadas do amor que não há como prever. Assim como ela.
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••••

  Enquanto entravam na casa, sorriu para Sagwa que tímida sentou-se ao sofá.
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  — Sagwa, eu tenho que tomar um banho rápido. Você pode ficar sozinha alguns instantes?
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  — Sim.
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  — Hm… Gosta de doramas?
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  — Meu favorito é Strong Girl Bong Soong.
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  — Ei! Este dorama é muito legal! Eu tenho Plano Viki aqui em casa, é só escolher pela televisão.
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   ligou o aparelho mostrando à menina como mexer nos controles.
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  — Qual o seu favorito?
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  — Nossa… Eu gosto de tantos, mas com certeza Descendants os The Sun vem em primeiro e Hello My Tweenties, em segundo!
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  Elas sorriram uma para outra e quando virou-se de costas para a menina, Sagwa lançou uma pergunta que lhe incomodava desde que viu a mulher na casa do tio:
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  — Você é namorada do tio ?
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   virou-se sem graça e respondeu calma:
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  — Não. Sou só uma amiga.
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  A menina acenou afirmativo silenciosamente e pensativa. disse que não demoraria e foi ao banho.
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  Ao retornar, tocou a campainha da casa de e tanto ela quanto  sua sobrinha assistiam a um dorama e sorriam como duas adolescentes entre uma piadinha e outra. Ele observou surpreso àquela cena e foi até a pré-adolescente. Sentou-se no sofá da sala de e abraçou a menina que contava eufórica as muitas coisas em comum que descobriu ter, com a vizinha.
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  — Fico feliz, princesa! Então amanhã vocês terão um dia e tanto!
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  — Sim, tio ! Eu já vi que vamos nos divertir muito não é ?
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  — Claro! Podemos pensar numa lista de coisas que você queira fazer aqui.
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  — Ela é muito legal, tio ! Eu aprovo ela ser sua namorada!
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   e se olharam surpresos e, constrangidos, sorriram leve enquanto a sobrinha os olhava disfarçadamente.
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  — Bem… Gostaria de almoçar conosco, ?
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  — Ah , eu adoraria, mas eu tenho que ir para a Modé. Daqui algumas semanas é o desfile.
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  — Você vai desfilar?! — A menina pulou do sofá com os olhos brilhando.
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  — Sim. Se você e sua mãe puderem ir, eu posso arranjar ingressos.
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  — Ah mas nós vamos com certeza! Eu vou convencer a mamãe!
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  Os três riram e logo despediram-se. agradeceu pela gentileza e cada um seguiu seu dia com seus planos.
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  No dia seguinte, surgiu cedo à porta de . Ele terminava de abotoar o colarinho da blusa, quando Sagwa abriu a porta tomando um suco de caixinha.
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  — Bom dia, unnie!
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  — Bom dia Sagwa. Ajudou o seu tio com o café da manhã?
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  — Aham. Enquanto ele corria com o Kito pela vizinhança.
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   sorriu acariciando o cachorro alegre.
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  — Obrigado por vir . — surgiu apressado — Você tem total liberdade para ficar aqui em casa, ou na sua com ela…
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  — Tudo bem , obrigada.
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  — Desculpe a correria, eu tenho que ir…
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  Ele terminou de abotoar o relógio em seu punho e lhe estendeu a mala médica dele. O rapaz beijou a testa da vizinha e abraçou a sobrinha e saiu apressado.
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  — Ele não está pronto para ter filhos. — disse Sagwa ao lado de , ambas na porta paradas observando o carro dele se afastando.
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  As duas se olharam e concordaram rindo.
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  — Sua mãe?
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  — Foi trabalhar! Ela conseguiu o emprego!
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  — Uwa! Que ótimo!
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  — Sabe o que significa? Que nós vamos morar aqui agora.
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  — Sério? Com seu tio?
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  — Não… Mamãe deve arrumar algum lugar para nós.
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  — Vai ser bom estar perto do seu tio, não é?
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  — É… Mas, pra isso eu estou longe do meu pai. — A garota deixou o sorriso em seu rosto morrer.
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  — Eu não sei o que houve, mas, se quiser conversar sobre isso saiba que pode contar comigo viu?
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  — Obrigada unnie. Mas, eu quero mesmo é terminar aquele episódio de ontem!
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  — Você não assistiu sem mim?
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  — Não teria a mesma graça!
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  Elas riram e correram à tevê, com Kito se embolando entre as duas no sofá. e Sagwa passaram o dia se conhecendo melhor. A garota era bastante tímida, mas conseguiu se abrir com e conversaram sobre muitas coisas. Andaram de bicicleta, tomaram sorvete, almoçaram, ensinou algumas coisas que havia aprendido sobre o universo das modelos para Sagwa. Depois elas foram até o parque da cidade, e enquanto Sagwa corria com Kito, encarava o lago plácido. Lembrou-se de : “o rio sempre toma seu curso”. Ficou reflexiva sobre aquilo por alguns instantes, e não conteve uma lágrima fina que escorreu o canto dos seus olhos. Olhava fixamente para um ponto do outro lado do lago, e foi então que teve a impressão de vê-lo. Levantou-se rápida e caminhou na direção do leito do lago, Sagwa ao notar o comportamento estranho da mulher, a chamou. olhou para a menina e quando voltou a olhar do outro lado do lago não havia ninguém perto da árvore de sombra grandiosa.
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  — O que foi? — Sagwa aproximou-se com Kito.
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  — Nada… Eu achei ter visto alguém.
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  — Não tem ninguém do outro lado do lago, unnie. Você está bem?
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  — Sim… Sim, eu estou.
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  Ela sorriu para a menina e as duas saíram dali. olhou para trás algumas vezes e uma angústia reverberou em seu peito.
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  Elas também passaram no mercado e compraram ingredientes para fazer um bolo de comemoração ao emprego de Shyo. A mãe da menina retornaria por volta das dez horas da noite, e o tio às oito. Então, as duas teriam bastante tempo para fazer o bolo. Começaram cedo, por volta das três da tarde. Sagwa foi tomar banho às seis, e preparou pipoca para elas assistirem a um filme.
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   abriu a porta da sala estranhando o silêncio, e as luzes acesas. “Elas devem estar no andar de cima”, ele pensou. Caminhou calmo, desabotoando parte da camisa, e deixando sua maleta médica em uma das poltronas quando se deparou com a cena mais fofa que já havia visto: Sagwa e adormecidas no sofá. O controle da TV sob a mão de que abraçada à criança afagava os cabelos de sua sobrinha. Ela adormeceu fazendo cafuné na menina que lhe abraçava a cintura.
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   deixou um sorriso escapar e aproximou-se abaixando-se para admirá-las. Apertou os olhos num sorriso contente quando contemplou a serenidade do rosto de sua sobrinha. E seu sorriso esmoreceu, com os olhos tornando-se globos de dúvida e desejo ao contemplar o rosto da mulher à sua frente. Umedeceu os lábios, e pouco a pouco aproximou-se dos lábios de . Como se tivesse sido pego em um flagrante, ele levantou-se rápido afastando-se e dando as costas. Respirava ofegante com a mão à nuca, e virou-se confuso para encarar a mulher novamente.
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   abriu os olhos naquele exato momento e ao perceber que havia dormido na sala de , e se deparando com ele com uma expressão urgente e confusa, ela analisou a situação melhor. Sagwa remexeu-se em seus braços, e ele fez sinal para que não se mexesse. Pegou a menina no colo, e após dar uma última encarada demorada aos olhos de levou a sobrinha para seu quarto.
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   observava silenciosa as reações de , e levantou-se também o acompanhando até o andar de cima. Precisaria de sua bolsa para ir para casa e que havia deixado no quarto de hóspedes onde a menina se hospedava com a mãe. Quando saiu pela porta do referido quarto, colocava Sagwa na cama e ela ficou observando ele cuidando da criança. Não evitou sorrir quando ele beijou a testa da menina, e pegou um boneco velho e colocou perto da sobrinha. Devia ter algo entre eles naquele ato.
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   saiu do quarto deparando-se com olhando-o do batente da porta. Ele sorriu para ela, mais calmo e fechou a porta. O médico mantinha o sorriso como se esperasse a vizinha dizer algo, o encarava imobilizada e com o olhar mais profundo que ele já havia visto e ao notar que ela não diria nada, abriu a boca para falar. Mas a mulher deu passos em sua direção e aproximou-se demais. Levou um dos dedos aos lábios dele, e encarou-os. Depois suas respirações tornaram-se ofegantes e levou a mão ao rosto de aproximando-se mais… Ele permaneceu quieto. Ela aproximou mais o rosto, sem desgrudar seus olhos dos dele. Ele continuou quieto. E quando os olhos dela se fecharam, agiu rápido: cessou distância entre as bocas, e puxou-a delicadamente pela cintura, mantendo entre seus braços. O beijo aprofundou-se assim como o abraço de em seu corpo, e ele também segurou-a mais firme com uma mão na cintura e outra na nuca. A mulher jogou seu corpo na direção do corpo dele, e deu passos para trás até sentir a parede atrás de si.
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  Bem como quem iniciara aquele momento, fora que parou também. Ela afastou-se aos poucos sem olhar nos olhos de . Eles respiravam descompassados recuperando o fôlego.
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  — Eu já vou indo… — Ela falou ajeitando a bolsa em seu corpo.
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  — Tudo bem…  — Ele respondeu tímido, pigarreando.
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  Ela desceu as escadas e demorou um pouco para seguí-la. Sem aguardar que ele abrisse a porta para ela, saiu rápida da casa, mas parou para refletir o que havia feito no gramado em frente à casa dele. observou a porta da sala fechada, local por onde sua vizinha havia acabado de sair, e bufou confuso. Deu as costas à porta sacudindo seus cabelos de modo ansioso. Outra vez a porta se abriu revelando uma apressada e decidida que tirava a bolsa jogando-a num canto qualquer e surpreendendo com outro beijo. Ela lançou-se sobre ele, e o rapaz automaticamente a tomou em seus braços. Eles se beijavam com desejo, com intimidade e certa cautela.
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  — … — segurou a face dela a encarando.
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  — Eu não sei o que isso significa. Mas, eu precisava fazer isso… Me desculpe, .
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  — Não, não peça desculpas.
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  O silêncio foi novamente interrompido por um beijo que partiu dele. encostou o corpo de na parte de trás do sofá, e à medida que as carícias tornaram-se intensas, ele parou imediatamente o que fazia.
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  — Talvez seja melhor…
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  — Eu ir embora! — Ela afirmou sem dúvidas e tão ofegante quanto ele.
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  — É. Isso… Não é que eu não queira, só que…
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  — Tudo bem . Eu também acho que por hoje deu… — Ela interrompeu-o novamente ajeitando suas roupas.
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   sorriu cúmplice para ele, e correspondeu o sorriso enquanto estendia a bolsa dela à mulher. Abriu a porta da casa e despediu-se num aceno discreto de cabeça.
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   fechou a porta ainda mais eufórico que antes, e subiu as escadas desabotoando sua camisa por completo. Entrou no banheiro do corredor superior extremamente confuso e feliz.
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  “Por hoje deu…”
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  O pequeno trecho dito por não saiu de sua cabeça. E ele ficou pensativo sobre o que aquilo poderia significar. Entrou em seu quarto para pegar roupas limpas, após sair do banho enrolado em seu robe, fazendo o mínimo de barulho possível naquele andar para não acordar Sagwa.
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  Aquela noite ele dormiu após ter conversado brevemente com sua irmã, sobre o que ela faria agora que tinha conseguido o trabalho. Na verdade, dormir foi algo custoso depois do que ocorreu.
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  Do outro lado da rua, quando chegou em casa, sorria animada e mordia os próprios lábios enquanto se direcionava ao banho. Ela não se permitia sentir algo daquela forma, desde . E imediatamente o sorriso em sua face deu lugar ao choro. O que ela fazia era certo? Estava sentindo-se mal, como se estivesse traindo novamente.
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  “Não é que eu não queira…”
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  A frase dita por ecoava em sua cabeça, e ela lembrava-se do olhar dele quando se encontraram no corredor. Respirou fundo e após sacudir a cabeça para afastar aqueles pensamentos, ela apagou a luz do abajurforçando-se a dormir. Tarefa que não foi fácil.
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Capítulo 07

  — Você tem todo direito de se permitir amar de novo, .
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   comentou com olhos arregalados, quase cuspindo o suco que bebia:
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  — Que amar o quê, ! Eu nem sei por quê fiz aquilo!
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  Os dois estavam conversando sobre o que aconteceu entre a modelo e o médico no dia anterior.
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  — tem sido um bom companheiro para você.
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  — … Eu estou tão confusa… Eu tive a impressão de ver no lago ontem, e tem essa história com o senhor Hoon… Ele…
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  — Espera… — soltou o seu copo de café sobre a mesa, a interrompendo com surpresa e curiosidade: — O marido de Kyara? O que mais ele fez além de estar te procurando de novo?
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  — Ele me chantageou para ficar com ele, e o viu nós dois no restaurante… O resto já te contei: o desafiou, depois discutimos e quando fui ver estava dormindo na casa dele…
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  — E se tornando a babá da sobrinha e, a beijoqueira do tio. — brincou com a amiga que fez uma careta para ele, em seguida falou mais sério referindo-se à esposa do empresário Hoon: — Aish… Ela não merece aquele homem.
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  — Você deveria sair com alguém. Pra te ajudar a esquecê-la sabe? — comentou sentindo a revolta em sua garganta, por seu melhor amigo estar vivendo aquela decepção.
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  — Você está se ouvindo? — respondeu para ela com uma sobrancelha arqueada, pois, há tempos e há alguns minutos ele dizia o mesmo para ela. Dar o mesmo conselho a ele, era irônico por parte de .
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   revirou os olhos e levou às mãos a cabeça como se sentisse uma enxaqueca absurda. Aquilo era frustração. Límpida e clara, pois, por mais que sua mente pensasse uma coisa e sua língua dissesse outra, ainda tinha no meio de tudo isso um coração. Um coração que se culpava por querer bater mais forte por um homem que não fosse .
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  — Bem. A conta é sua. — Ela falou se levantando da mesa deixando boquiaberto.
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  — Uwa! Onde você vai?
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  — Para casa. Durante nossa conversa eu decidi que hoje eu vou eliminar… — deixou a frase sem final.
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  — Eliminar? — E a encorajou.
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  — Vou jogar fora os preparativos do casamento.
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   sabia que aquela decisão era um fardo para ela. Ele e Hyun foram responsáveis por organizar todos os preparativos do casamento da amiga, guardar em caixas e esconder, porque mesmo após várias tentativas não conseguiu. E agora, ela dizia que iria “jogar tudo fora”. Era o tipo de situação que por mais força de vontade que ela demonstrasse, sentia que deveria estar preparado para ampará-la.
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  — Eu vou com você.
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  — Não precisa, .
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  — Eu vou. — Ele sorriu amigável e saiu em direção ao caixa para pagar a conta.
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••••

   remexia na caixa de convites, enquanto tinha acabado de pegar um papel em suas mãos. Ele olhou para a amiga com piedade, afinal, era um desperdício jogar fora todos aqueles lindos convites. Ele e Hyun já tinham os seus guardados, como lembrança daquele casal que foi interrompido tão abruptamente. Encarou por uma segunda vez e viu a lágrima escorrer por sua face pálida. Respirou fundo e se aproximou dela segurando em seus ombros a fim de consolar do que seja lá o que ela encontrou e lhe fazia emocionada.
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  — São os votos dele,
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  — Você já tinha os encontrado? — Ele perguntou surpreso.
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  — Nunca tive coragem de ler. Até agora. — Ela encarou o amigo e o abraçou profundamente.
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   fechou os olhos a confortando e em sua mente veio a memória daquele dia.
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•• Flashback ••

  — . Você poderia me fazer um favor?
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  — Mas é claro, o que houve?
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   havia acabado de escrever seus votos e desceu as escadas ao encontro do melhor amigo de sua noiva, e recentemente, dele também. estava em compras com a sogra e havia chegado há pouco tempo. pediu que ele aguardasse um momento enquanto ia até o quarto, então terminou de fechar o envelope com o papel escrito à mão e desceu as escadas. que mastigava o sanduíche despreocupado vendo TV, largou imediatamente o prato ao notar o semblante sério de .
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  — Eu escrevi meus votos de casamento e…
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  — Uwa! Já entendi! — se animava e ria dando tapinhas em como um adolescente imaturo — Você quer a minha opinião!
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  — Ah… Babo! Não, quero dizer… Sim, também. Mas, o favor que te peço é que guarde-os com você.
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  — não vai procurá-los, ela quer ser surpreendida no altar. — respondeu convencido chacoalhando as mãos.
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  — Eu sei… É para o caso de… Se acontecer algo comigo, eu quero que você entregue a ela depois.
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  — Aish… Que conversa mórbida é essa? Por acaso está pensando em desistir?
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  — Claro que não! Mas… Nunca se sabe…
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  — Está acontecendo algo, ? — O amigo perguntou mais sério.
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  Outra fisgada foi sentida no peito de e ele sabia o que aquilo significava. Respirou fundo tentando esconder o sintoma de dor.
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  — Ei, você está bem? — arqueou as sobrancelhas perguntando mais sério e próximo.
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  — Tem razão! É uma bobagem te pedir isso! Nada vai acontecer. Mas, saiba que eu os guardarei na minha caixa secreta.
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   falou olhando para o chão e subiu novamente ao quarto. Discretamente levou a mão ao peito o pressionando. não havia entendido nada, mas não conseguia explicar a preocupação que apontou em sua mente. A porta da sala se abriu revelando uma estonteantemente alegre, mas que, implicante, reclamava do amigo já estar novamente em sua sala devorando sua comida.
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•• Fim do Flashback ••

  Ele soltou-se do abraço com e pegou o papel das mãos dela.
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  — Você leu tudo?
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  — Sim.
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  — E… Eu posso?
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   acenou afirmativa e logo foi guiada por a sentar-se de frente para ele no chão do sótão. Os olhos atentos e marejados de devoravam cada letra do papel. Eram lindas palavras, mas aquilo não poderia ser chamado de “votos de casamento”. Aquilo era uma despedida. já havia contado as vezes que suspirou pesadamente naquele dia, mas quando encarou a amiga em sua frente lhe estendendo o papel, o olhar vazio dela, o ansiava a dizer:
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  — Sei que tem sentido nos últimos dias que traiu a confiança de onde quer que ele esteja, por causa do que houve com Hoon. E sei que continua se culpando por traí-lo. Mas, perceba que ele já sabia de tudo… Ele te tirou do fundo do poço, te amou, e desejou uma vida ao seu lado para que você fosse feliz, . E mesmo acreditando no tempo curto que teria contigo, ele continuou se preocupando quando pediu para que você continuasse em frente. Não acha que ele realmente quer que você seja amada novamente?
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  — Ele não podia ter me escondido isso…
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  — … Ele realmente escondeu algo grave, mas… O que você faria? Sabendo que sua saúde estava frágil, você diria isso para ele às vésperas de se casarem?
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  — No fim ele condenou os dois ao sofrimento, ! Não poder me despedir dele, foi muito cruel . Eu não pude dizer adeus e ele se foi sozinho.
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  — Talvez tudo que ele não quisesse era partir com a lembrança do seu rosto encharcado por ele.
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   respirou fundo e se levantou de súbito. Secou as lágrimas que inundavam sua face maquiada e dobrou aquele papel carinhosamente. Antes que pudesse guardá-lo e falar algo mais, a campainha se fez ouvir.
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  Os dois desceram deixando de lado a tarefa por um tempo. caminhou à cozinha, pois sentia muita sede e foi atender a porta. Ao abrí-la sentiu os pés falharem. Ela e não haviam se encontrado desde a noite anterior.
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  — Boa tarde, ! Tudo bem?
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  — … Sim, e… — Olhou para o semblante sério de e o atento de Sagwa atrás dele — E vocês?
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  — Preciso novamente de um favor. Sagwa ainda não foi matriculada em uma escola integral e apesar de eu estar em casa, tive um chamado de urgência. Será que você poderia ficar com ela?
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  — Claro! Claro. O que houve?
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   estendeu a mão para a menina de doze anos que pegou a sua abraçando-lhe animada enquanto aguardava explicações de . havia terminado de beber água e retornava à sala sem ser visto ou ver quem estava ali.
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  — É com a filha de uma paciente. Eu não sei se deveria te dizer isso, mas, a filha daquele homem… A bebê de Kyara, entrou em parada cardíaca… Mas eu realmente tenho que ir agora, obrigado! Mais tarde eu passo aqui, tudo bem? — Kim saiu falando apressado e acenando discreto.
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  — Ele nem falou para eu me comportar. — Sagwa comentou preocupada.
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  — É realmente urgente… Venha.
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   levou a menina para dentro e quando viu ali, Sagwa avermelhou-se e encarou o chão.
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  — Quem é essa princesa?
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  — , esta é a Sagwa. Sobrinha do .
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  — Uwa! Gosto muito do seu tio Sagwa! Você está bem?
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   se abaixou para falar melhor com a garota, e foi à cozinha preparar lanches, bastante pensativa sobre o que havia acabado de dizer. Não demorou para Sagwa assistir aos doramas deixando com toda a atenção voltada para . Ele aproximou-se da amiga que terminava de compor a bandeja de lanche.
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  — De quem o falava? Ouvi algo como uma emergência…
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   olhou para o amigo cautelosa, e sorriu.
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  — Pode terminar de guardar as caixas no sótão enquanto eu levo os lanches para a Sagwa?
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  Ele percebeu o desvio proposital de assunto, mas fez o que a amiga pediu. Ela serviu a garota que estava sentindo-se bastante confortável e foi ao encontro de . No corredor, ele tinha caixas de lixo em suas mãos, mas foi impedido de descer.
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  — O que houve ? — perguntou soltando as caixas no chão.
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  — O bebê da Kyara e do Hoon. A filhinha deles entrou em parada cardíaca.
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   arregalou os olhos e indicou que sairia correndo, quando segurou seu punho.
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  — O que vai fazer, !?
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  — Eu não farei nenhuma besteira, não se preocupe! — falou ainda assustado e após beijar a testa de , saiu em disparada pela casa.
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  — Não vá até ela, ! Espera! — A amiga o chamou, mas ele não ligou, apenas desceu as escadas sem pensar muito.
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   mordia o lábio sem saber se deveria ter dito aquilo. Quando terminou de levar as caixas de lixo para fora, Sagwa pausou a novela que assistia, e ajoelhou-se no sofá observando a modelo, então a perguntou:
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  — Ele é seu namorado?
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  — O ? — falou surpresa com a menina que apenas lhe respondeu:
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  — É um ahjussi bem bonito. E então? É seu namorado?
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  — Sagwa… — pela primeira vez sorriu abertamente naquele dia — Não, ele não é, mas por que sempre me pergunta isso?
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  — Você tem um namorado?
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  — Não. E você não me respondeu.
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  — Seria legal que você fosse namorada do meu tio… Vocês combinam, eu gosto de você e ele te olha como eu olho para bolos de chocolate. Isso significa que ele gosta muito de você, eu acho.
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  A menina deu de ombros bebendo seu suco e retornando à exibição de sua novela. queria sorrir com o que ouviu, mas sentia-se incomodada demais por aquele sentimento. Então apenas juntou-se à garota no sofá.
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••••

No Hospital…

   corria pelos corredores à procura do semblante de Kyara. Ela provavelmente estaria com o marido, mas ele não se importou. Queria estar com ela para dizer que tudo ficaria bem. Uma enfermeira o parou ao vê-lo desesperado correndo, a fim de prestar alguma informação, cujo próprio fez questão de buscar com ela. E no momento em que ela o informou onde estava a mãe do bebê que entrou em parada cardíaca, se acalmou, engoliu seco a saliva espessa que se formara em sua boca e caminhou devagar até o lugar próximo ao indicado. Eles estavam na sala de espera da maternidade, aguardando resultados com o doutor.
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   adentrou à sala de espera com passos ainda duvidosos. Encontrou a mulher sentada com uma das mãos à testa, e uma espécie de artigo religioso na outra. Pouco a pouco se aproximou e sentou ao lado dela. Quando Kyara deu-se conta da presença de , ela assustou-se e os dois ficaram se encarando por um tempo, em silêncio e muitas dúvidas. Até que ela lançou-se aos braços dele, em um abraço apertado.
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  — O que faz aqui? — Ela perguntou em dúvida.
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  — Eu soube que… Sua filha.
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  — Como soube?
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  A expressão confusa da mulher o fazia pensar se deveria dizer a verdade.
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  — Eu conheço o Dr. Kim
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  — Estava com ele quando o chamei?
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  — Na verdade… Isso não importa agora. Como ela está?
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  — Myo está na sala cirúrgica desde que cheguei, ainda não tenho notícias. — A mulher mexia desesperadamente em suas mãos.
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  — Cadê o seu marido?
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  — Ele… Ele não virá.
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  — Como não!? — levantou-se nervoso: — Não é possível que este homem não esteja nem ao lado da própria filha!
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  —
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  A voz titubeante de Kyara o fizera se acalmar e, atento, ele a observou.
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  — Aquele dia no bar… — Kyara mencionou e o corpo de demonstrou o peso da indignação cedendo em seus ombros, preparando-se para a pergunta que imaginou que Kyara faria, e fez: — Era ela, não é?
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  — Como?
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  — A mulher que estava com você era a amante do meu marido, certo?
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  A expressão de tornou-se dura. Ele não sabia como dizer para Kyara que sim, era a mulher que seu marido fazia questão de atormentar.
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  — Ela não é amante dele. Não mais, há algum tempo. Ela conseguiu se livrar dele e se casar com outro. Infelizmente o noivo dela sofreu um acidente e, só soubemos de sua morte depois de alguns meses. Ela não pôde nem mesmo despedir-se. Nem eu. era meu amigo também.
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   sentou-se ao lado da mulher aflita e decidiu que explicá-la que era tão vítima do machismo do mundo quanto ela, fosse uma boa alternativa.
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  — Hoon ressurgiu há pouco na vida dela, quando a reencontrou tentando fazer com que o aceitasse de volta, mas ela não quer. Na verdade, prostituir-se não era uma escolha que ela gostaria de fazer, mas o fez por seus motivos.
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  — Como pode ser amigo dela? — A voz de Kyara era cheia de desgosto.
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  — Ela é apenas uma mulher de caráter com uma história ruim. Não a julgo pelas escolhas que fez, até porque eu estive com ela em seus momentos mais difíceis, então sei o que ela teve que enfrentar. O importante é que não queria ferir você ou ninguém, e tem tentado se livrar das ameaças de seu marido mesmo agora quando está tentando honestamente levar sua vida.
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  — Você é alguma espécie de… Cliente ou namorado dela?
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  A pergunta da mulher soou a ele como uma grande ofensa.
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  — Você tem coragem de perguntar uma coisa dessas?
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  — Você a defende muito. A vítima aqui sou eu.
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  — Ela é uma grande amiga, e se há alguma vítima aqui, sou eu. Ela pode ter cometido os erros dela, mas você também cometeu. Tanto quanto eu sempre fomos sinceros com as pessoas ao nosso redor.
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  — Se me julga assim, o que faz aqui então? — Kyara sentia-se enciumada por .
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  — Eu não deveria mesmo estar aqui, mas como agir diferente se me preocupo com você?  — Ela encarou-o confusa e emocionada — Eu me apaixonei por alguém proibida para mim.
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  —
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  — E o mais frustrante é saber que não ser amada por um homem de verdade é uma escolha sua.
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  Kyara sentia-se enjoada. Sua voz desapareceu ao ouvir as palavras duras e românticas de . Seu desejo era realmente abraçá-lo e largar tudo para ficar com ele. Mas, ela não poderia fazer aquilo. Não queria abrir mão de tantas coisas, assumir tantos riscos e viver algo que não sabia se era apenas uma paixão de momento. surgiu abrindo a porta da sala de espera e interrompendo o olhar entre os dois.
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  — O que faz aqui ?
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  — Olá acabou me contando e eu não pude…
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  — Você estava lá? — perguntou confuso.
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  — Estava com ela então? — Kyara falou novamente enciumada.
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  Os olhares dos homens presentes foram à direção da mulher e ela levantou-se para falar com . O médico tomou sua postura de trabalho acalmando a mãe da paciente. Informou que a cirurgia cardíaca da pequena Myo correu bem, e por isso ela poderia ir até o quarto acompanhar a filha até que ela fosse liberada.
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   não se espantou por não ver o pai da criança ali em um momento tão delicado, mas não conseguia deixar de sentir raiva daquele homem. Por aquela e muitas outras razões. Assim que Kyara deu-lhes as costas saindo sem ao menos se despedir ou agradecer , o aconselhou:
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  — . Talvez você devesse esquecer a Kyara… Ela não pretende se divorciar embora devesse.
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  — Eu sei. Mas, você conseguiria ficar longe da mulher que amasse?
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  — Certamente não.
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   refletiu sobre a frase de , e sua mente foi até . Embora não tivesse clareza de seus sentimentos pela , ele sabia o quanto ela mexia com ele. E talvez, aquilo fosse o início de um sentimento de necessidade em cuidar dela.
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  Ele e se puseram a voltar para a casa de quando o médico havia terminado de se trocar. Eles estacionaram em frente à casa de e estavam encostados nos seus respectivos carros conversando antes de irem até a residência da amiga.
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  — Foi uma cirurgia simples, mas complexa para Myo pela idade. Ela ainda é só um bebê… — respondia à pergunta de .
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  — Precisará transplante?
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  — Não. Pelo menos não por enquanto. Mas, … Você precisa fazer algo com este sentimento.
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  — me disse hoje cedo que seria bom eu sair com outra pessoa.
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  — Eu concordo com ela. Dar uma nova chance para você e para alguém é um bom caminho para esquecer outra pessoa…
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   avaliou a frase de , encarando a expressão dele. Havia similaridade na conversa tida com mais cedo.
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  — Engraçado. Você e ela estão me dizendo as mesmas coisas.
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  — Minha irmã está divorciada, embora eu não tenha certeza se ela está buscando conhecer outras pessoas no momento. — Ele falou risonho para .
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  — Eu agradeço, mas acho que preciso de um tempo.
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  — Entendo. Você sabe o que faz, sei que vai conseguir sair dessa.
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   se ajeitava para ir até a porta da casa, mas segurou seu braço chamando sua atenção. Então ele retornou a encostar-se ao carro atencioso ao novo amigo.
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  — Por que você e ela… — Ele apontou à casa da amiga — Dão os mesmos conselhos, mas não buscam fazer o mesmo por vocês?
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  — Bem, eu… Eu me acostumei a ser sozinho. Já a … — Ele olhou na direção da residência pensativo — Ela tem muitas questões ainda em torno da morte de . Não acho que ela queira conhecer alguém agora, e eu bem… Eu também não quero ir atrás de outra mulher.
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  — Aish… Você me entendeu . Não estou falando de vocês irem atrás de outras pessoas. Estou falando de encararem o fato de que há algo acontecendo entre vocês e assumirem isso.
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   permaneceu encarando , mudo, e sem saber como reagir.
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  — Ela me contou que te beijou ontem. E está confusa. Sente-se culpada por pensar em você enquanto mal pôde digerir a morte do .
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  — Ela… Você acha que ela está sentindo algo por mim?
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  A voz de soava insegurança e com uma pontinha de esperança e tocou o ombro do amigo, risonho, e piscou um olho para ele antes de se pôr a caminhar na direção da casa da amiga. seguiu-o e quando abriu a porta com o rosto sujo de chocolate, os dois se entreolharam confusos.
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  — Entrem! — Ela ordenou sorrindo.
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  — Sagwa? Está tudo bem? — adentrou procurando a menina e perguntando em tom de diversão.
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  — Olá sunbae ! A unnie e eu estamos apenas fazendo um bolo!
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   fechou a porta da casa assim que adentrou, ouvindo a voz da sobrinha ecoando pela cozinha da casa da vizinha. Eles se olharam sorrindo e aproximou-se pouco a pouco de . Ela, assustada, olhou para os lados e deu-se conta de que estavam sós. Ela caminhou alguns passos para trás e quando sua costa bateu na parede da entrada da sala, ela encarou que sorria travesso.
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  — Ou o bolo que está fazendo você e Sagwa? — Ele passou o polegar na marca de chocolate em sua bochecha mostrando-a a sujeira que estava em seu rosto e se afastou.
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   pôs-se a respirar novamente. Ela não tinha notado que prendera a respiração. lambeu o dedo indo até a cozinha, onde e Sagwa estavam falantes e risonhos terminando de confeitar o bolo com a calda de chocolate e totalmente alheios à interação provocante que ocorreu entre e .
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   observou a cena do amigo com sua sobrinha, pensando no que havia dito para há pouco a respeito de sua irmã estar solteira. juntou-se a eles na cozinha e ficou ao lado de também observando a cena à sua frente.
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  — Sunbae! — Sagwa reclamou quando viu passar o dedo numa parte confeitada e comer o chocolate.
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  — Te devo um sorvete por isso.
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  — Eu vou confeitar de novo, e se roubar outro dedinho de chocolate, estará me devendo dois sorvetes! — Ela falou responsável.
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   encarava a menina, risonho. E notou que fazia um tempo que não o via sorrir daquela forma.
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  — Vocês são bonitos juntos. — Sagwa falou chamando a atenção do tio e da vizinha.
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  — O que disse Sagwa? — indagou um tanto confuso pelo que a sobrinha queria dizer para ele.
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  — Eu falei com a unnie que vocês podiam namorar, tio . Vocês dois formam um casal bonito!
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   perdeu a fala e ruborizou, mas já havia se acostumado com as tentativas de Sagwa de juntá-la ao seu tio. encarou a amiga sorrindo, e piscou. Antes que ela dissesse qualquer coisa, a campainha tocou e ela foi até a porta. também encarou que estava com a mesma expressão de antes e demonstrava concordar com a sobrinha do amigo. Sagwa estava novamente concentrada no bolo e Shyo surgiu ao lado de com as mãos à cintura vendo a travessura da filha.
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  — Está dando trabalho para a , não é mocinha?
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  — Mamãe! — Ela saltou do banco e correu até a mãe abraçando-a.
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  — O que você fez hoje? — A mãe perguntou encarando o rosto animado da filha.
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  — A unnie me ensinou mais algumas dicas de modelagem, e também me ensinou à fazer esse bolo, e… — Olhou confusa para que completou a narrativa.
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  — Assistimos doramas!
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  — Verdade!
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  A menina voltou ao bolo e sua mãe agradeceu à vizinha do irmão com certa expressão de pesar.
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  — Está tudo bem Shyo? — perguntou ao cumprimentar a irmã.
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  — Só mais um dia procurando um apartamento…
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  — Não achou nada?
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  — Nada que dê para eu assumir um aluguel no momento. — Ela respondeu e atentou-se à presença de ali.
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  — Este é meu amigo, . E está é Shyo, irmã de . — falou ao notar a mulher olhando para ele sem que fossem apresentados.
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  Os dois recém-apresentados se cumprimentaram cordiais e encarou com um sorriso enviesado. O outro apenas sorriu sem graça na direção do médico e notou aquilo.
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  — Vamos, filha? — Shyo comentou, por fim.
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  — Mas mãe, o sunbae me deve um sorvete!
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  — Sagwa!
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  A mãe da menina ralhou e todos os outros responderam com risadas.
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  — Tudo bem, eu não vejo problemas em pagar a minha dívida agora. A menos que tenha algum problema para a senhora. — Ele falou na direção da mãe da menina.
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  — Apenas Shyo, por favor. “Senhora” é um pouco demais. Tudo bem… Vamos lá Sagwa. Você é mesmo muito inconveniente!
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  — Espera! — A menina falou enquanto já ia acompanhar à mãe para saída: — E o bolo!?
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  — Quer comer tudo o que vê pela frente também, menina? — Shyo sorriu impressionada.
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  — Que tal se jantarmos lá em casa? Assim, leva o bolo que vocês fizeram como sobremesa. — sugeriu.
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  — Ou podemos comer aqui! — Sagwa falou alto.
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  — Não acha que bagunçou muito a casa da minha amiga por hoje não? — perguntou surpreso à sobrinha.
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  — Gosto daqui, tio .
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  — Não tem problema… Vão. Eu vou subir para tomar um banho e preparo um jantar para nós. — falou, feliz por saber que a menina gostava da sua casa.
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  — Então eu te ajudo!
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  — Não precisa Shyo. Vá com a Sagwa e o . — respondeu simpática.
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   olhou para a amiga tentando ler em sua face se havia intenção de ficar a sós com , mas não conseguiu perceber nada, e parecia que Shyo tentava ler o mesmo. Os dois saíram da casa, acompanhados pela criança e foram a pé numa caminhada amigável até uma loja de conveniência do bairro. No caminho, Shyo e conversaram superficialmente sobre suas histórias, e também sobre o possível casal que havia ficado para trás.
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  — Eu posso ajudá-la com o jantar, se quiser.
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  — Não é preciso, . Deve estar cansado. Pode ir para sua casa se preparar. — falou enquanto guardava o bolo na geladeira.
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  — Eu faço questão.
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  Eles se olharam ainda sem jeito após a noite passada.
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  — E o bebê de Kyara? — Ela perguntou.
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  — Fiz uma cirurgia simples, embora complexa para Myo.
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  — O nome dela é Myo?
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  — Sim. E ela está fora de perigo por enquanto.
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  — Que bom.
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  Novamente recostou-se à bancada da cozinha, e encarava sem graça. Mordeu o lábio, confusa, e fugiu do olhar do homem.
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  — Acho que precisamos conversar sobre ontem, não é? — Ele proferiu pondo as mãos aos bolsos.
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  — É… Eu…
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  — Não peça desculpas. — Ele pediu antes que ela dissesse qualquer coisa — Eu sei que você está confusa. Eu também estou, mas gostaria que não atrapalhássemos nosso bom relacionamento de novo pelo o que aconteceu.
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  — Concordo. Eu gosto da sua amizade, .
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  A frase da mulher deixou-o nervoso. Algo em seu peito revirou ao ouvir que ela preferia sua amizade.
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  — Claro, mas… Também não posso lidar com a situação sem saber se… É só amizade o que você procura em nós, ?
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  — Eu, eu não sei… — Ela falou sussurrando.
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  — Quero que saiba que da minha parte, te desejo como mulher.
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  Os olhos dela foram de encontro aos dele, que estavam tão mais chamativos a ela.
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  — Mas, eu respeitarei seu tempo e suas escolhas, é claro.
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  Ele sorriu e ela acenou afirmativa. deu-lhe as costas em direção à sala de . A mulher encarou uma das caixas que estavam à mesa da copa e lembrando-se de mais cedo, do momento em que ela e o amigo limpavam o sótão. Relembrou da carta de votos do e caminhou apressada e ansiosa até , que já havia alcançado a porta da casa.
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  — !
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  Ela chamou o homem que se virou tranquilo para olhá-la. Aos poucos ela aproximou-se dele atenta e confusa.
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  — Eu acho que… Podemos deixar acontecer.
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  — Tem certeza? — Ele aproximou-se mais dela, olhando-a esperançoso em seus olhos.
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  — Tenho.
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  O silêncio constrangedor foi quebrado pelo leve abraço que fez surgir entre os dois. Beijou o topo da cabeça dela e sorriu saindo da casa da vizinha. levou as mãos à cabeça, de modo surpresa e risonha. Havia dado um grande passo desde muito tempo.
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Capítulo 08

“E te digo uma coisa: acredito em você, proteja-me. Meu coração nunca se machucará enquanto eu estiver com você…”

  Shyo e tornaram-se amigos aos poucos. Estavam cada vez mais próximos, mas sem qualquer interesse amoroso entre si, o que fazia com que acreditasse ainda mais que aquela possibilidade um dia, viria a dar certo. Shyo ainda buscava um apartamento ou casa para alugar e deixar seu irmão à vontade, embora o próprio dissesse que não via problema algum em tê-las ali.
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  Hyun também havia se simpatizado com Sagwa e Shyo, além de estar torcendo bastante pelo médico e sua amiga como um casal. Sabia que ambos eram pessoas merecedoras de muita felicidade. Seu namorado novo ainda não havia sido apresentado aos amigos, mas o modo como ela se mostrava feliz, fazia com que e , se sentissem mais seguros quanto àquele relacionamento da amiga.
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  No dia do desfile da Tomoyo, o qual havia convidado Sagwa, sua mãe e seu tio, além de seus amigos, estavam presentes também Kyara e Hoon. Lógico que ele estaria presente, mas o que espantou a todos que conheciam aquela história era a presença de sua esposa. Kyara soube quando viu na passarela que o marido estava ali com um propósito diferente de apenas fazer “bons negócios”. Seu bebê dormia tranquila em seus braços e evitou olhar à mulher e a criança, já que evitar Hoon não era difícil para ela. E mesmo com a presença de ali, o que estava intimidando à Kyara eram os olhares que, vez ou outra, deixavam escapar a ela. E por mais que sentisse que o homem tentava evitá-la, a presença da mulher ao lado dele sorrindo e conversando bastante e da criança ao outro lado ainda deixavam-na mais desconfortáveis.
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  — Ela está tão linda! — Hyun disse quando a amiga entrou pela quarta vez na passarela.
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  — Realmente… — disse com um sorriso bobo em sua face.
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  — Você está apaixonado por ela, não está? — Hyun perguntou de surpresa.
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  — Acho que… Me apaixonei pela desde o dia em que a vi pedindo para ajudá-la a ver o noivo. Me sinto um pouco sujo por isso, inclusive.
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  — Tenho certeza que o não pensaria em outro homem melhor para fazê-la feliz.
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  A frase de Hyun trouxe à uma tranquilidade que ele precisava e eles retornaram a atenção ao evento. Quando acabou o desfile, havia uma recepção no salão ao lado para os convidados. trocou sua roupa para a ocasião e estava ao lado de seu agente e de Tomoyo, quando Hoon pôs-se a aproximar com Kyara ao lado.
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   cutucou o braço de que estava disperso com as conversas de Sagwa, Shyo e Hyun. Assim que viu o homem direcionando-se à , ele mesmo pôs-se a ir de encontro à vizinha. Chegou antes que o empresário e entrelaçou seu braço à cintura de que lhe sorriu surpresa. Seu agente e a senhora Tomoyo olharam-nos curiosos.
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  — Seu namorado, ? — Tomoyo perguntou atenciosa.
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  — Bem… — encarou que, pelo olhar lhe passou uma confiança a qual ela não compreendia o motivo, e respondeu: — Podemos dizer que estamos neste caminho.
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  — Ora, ora… Alegro-me muito por ti, querida! — Tomoyo sorriu sincera, assim como o agente de .
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  Então Hoon aproximou-se com a esposa, chamando a atenção dos quatro presentes, e o sorriso de esmoreceu-se. Primeiro pela presença inadequada do empresário, e depois por perceber as intenções de em apenas defendê-la. Kyara sentia-se tão desconfortável quanto e evitava olhar a jovem mulher, concentrando-se apenas no bebê, assim como ficou desconfortável em notar que entre a ex-amante do seu marido e o médico de sua filha havia alguma ligação.
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  — Ora… Você não é o médico que atendeu à nossa pequena Myo? — Hoon perguntou diretamente ao após ter trocado palavras entre eles.
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  — Exatamente, espanta-me que me reconhece como o médico de sua filha, já que nunca o vi acompanhando as consultas, senhor Hoon.
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  Hoon encarou de forma arrogante e enfim, o reconheceu como o homem que impediu há alguns meses, que ele saísse novamente com .
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  — Como ela está Kyara? — perguntou para a mãe sobre o bebê.
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  — Graças a você, muito bem Dr. .
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  — É médico então? — O agente sorriu para de forma brincalhona — É uma mulher realmente de classe, .
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  Ela sentiu-se sem graça, e Kyara não se conteve.
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  — De classe? Tem certeza que a conhece?
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  Todos a olharam surpresos, menos que já esperava algo do tipo ao ver aquela família aproximando-se.
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  — De muita classe, embora seu passado não faça parecer. Tomoyo é uma mulher inteligente que reconhece quando, outra mulher inteligente precisa apenas de uma oportunidade. — Hoon respondeu à altura pela provocação de sua esposa.
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  Por mais que sua tentativa fosse defender sua ex-amante, aquilo tornou as coisas ainda mais desconfortáveis para , que sentiu a mão forte de apertar sua cintura e a raiva se estampar em sua face aos poucos.
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  — Bem, se me dão licença eu também tenho alguns convidados a cumprimentar.
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   manifestou-se e Tomoyo, que observava a situação estranha entre os presentes com muita curiosidade e maior discrição, ainda; a abraçou despedindo e agradecendo-a.
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   e retornaram aos seus amigos, e no caminho ela se desculpou com o médico.
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  — Desculpe por fazê-lo passar por tal constrangimento. — Ela o disse notando a sua expressão ainda irritada.
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  — Você não tem nada que pedir desculpas, é só que… Aquele homem me tira do sério.
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  — Não permita, não vale à pena.
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  — Eu quem tenho que me desculpar por chegar daquela forma e te constranger.
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  — Tudo bem… Eu não tinha entendido o gesto, mas achei que deveria ter dito aquilo, me desculpe se…
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  — Pode dizer para o mundo inteiro que sou seu namorado se quiser , mesmo que ainda não sejamos eu não me importarei.
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   falou acariciando o rosto de e lhe fazendo sorrir.
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  Hyun e Sagwa não paravam de comentar sobre as roupas elegantes das pessoas que por ali transitavam, e as observava risonho até que notou Shyo com a face mais alva do que o normal. Ela encarava seu celular com uma expressão de susto.
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  — Está tudo bem Shyo? — Ele falou discreto para que Sagwa não notasse.
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  — Preciso tomar um ar.
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  — Eu te acompanho.
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  Eles levantaram-se discretos. E embora animada, Sagwa notou-os, achou estranho, mas não se importou. Gostava de , e do fato de que ele e sua mãe estavam se tornando bons amigos.
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   e chegaram a tempo de ver os dois saírem pelo portão do salão em direção a uma sacada. Hyun esclareceu que não sabia o que havia ocorrido e não deu muito atenção aquilo. pensou que talvez, algo a mais estivesse acontecendo entre os dois. E Kyara do outro lado do lugar, também se atentou àquilo ficando ainda mais incomodada em estar ali. Ela sussurrou algo para Hoon que concordou e levantou-se, e os dois puseram-se a sair do ambiente.
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  — O que aconteceu? — falou tocando o ombro de Shyo e lhe oferecendo um copo de água que ele havia buscado.
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  — Acabo de ver uma foto do meu ex-marido assumindo uma relação com outra mulher.
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  — Aigoo… Isso certamente é de incomodar.
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  Ele falou sem ter muita noção do que deveria dizê-la.
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  — Não deveria ser. Não é como se eu ainda sentisse algo por ele. Quando se passa por uma traição, amar se torna mais difícil. Mas, me incomoda o fato de que a vida dele continua seguindo sem tantas mudanças enquanto eu… — Ela suspirou pesadamente — Tive que recomeçar do zero.
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  — Entendo.
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  — E me revolta ainda mais ele não ter falado sobre isso com Sagwa! Ao menos a preparado. Ela só está lidando bem com o divórcio porque viemos para cá e ela acabou conhecendo todos vocês. Isto foi importante para que ela se distraísse do assunto e restabelecesse seus sonhos.
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  — Sagwa é uma menina madura embora ainda seja criança, Shyo. Creio que ela lidará bem com a situação se for você a contar. Mas, eu entendo também que esta obrigação era do pai…
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  Ela olhou para , curiosa, e ele fechou sua expressão murmurando descontente.
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  — Aish… Certos homens não deveriam ser pais.
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  — Eu vi o homem ao qual você me disse no outro dia… Era aquele que se aproximou da no momento em que foi até ela, não é?
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  — Sim, ele é o marido da mulher por quem eu me apaixonei.
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  — De onde ele conhece a ?
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  — Na verdade… — disfarçou o assunto — Ele é patrocinador da estilista Tomoyo.
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  — Ah claro, trabalha para ele de certa forma, então.
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  — Não ela, mas a Tomoyo.
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  — E aquela mulher com ele, era ela, a Kyara?
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  — Sim.
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  — Ela é realmente uma linda mulher. Você tem um bom gosto, . — Shyo falou brincalhona arrancando um sorriso dele.
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  — Pena que ela não tenha.
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  — Realmente… Se ela soubesse que homem maravilhoso você é, não deixaria encantar-se somente pelo seu lindo rosto.
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   encarou Shyo com um sorriso surpreso e ela corou, rindo e disfarçando o elogio:
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  — Pode dizer que eu sou uma excelente amiga!
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   percebeu que ela havia ficado sem jeito, e resolveu retribuir verdadeiramente ao elogio sincero que ela lhe deu.
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  — E uma excelente e adorável mulher também.
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  Os dois se olharam agradecidos e sorriram. Quando notaram um par de olhos surpresos os encarando.
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  — Sagwa? — Ele perguntou confuso.
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  — Vocês estão namorando!? — A menina perguntou surpresa e assustada.
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  — Não filha. Que ideia é essa?
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  — Ah… Eu achei que sim…
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  Os dois observaram-se assustados e curiosos com o rosto triste da menina.
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  — Há algum problema Sagwa? — perguntou.
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  A menina estendeu o próprio celular mostrando a ele a foto que o pai dela havia postado há pouco em sua rede social. Era a mesma foto que Shyo viu. A mãe da menina pegou o telefone da mão de e encarou a filha com um embargo na garganta. Ao se deparar com a situação, interviu.
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  — Sabe que seu pai te ama muito, não é Sagwa? — Ele perguntou à menina.
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  — Não me importo com isso de verdade, sunbae. Mas… Ver que meu pai está feliz é tão injusto. Mamãe está lidando com tudo sozinha, e quando vi vocês dois rindo um com o outro, achei que pelo menos ela poderia voltar a ser feliz.
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   encarou à menina com certa admiração e a puxou para um abraço. A mãe da menina chorava silenciosa com uma das mãos na boca, surpresa e com pena da filha.
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  — Você é mesmo muito madura e especial, Sagwa. — Ele falou afagando o cabelo da menina e encarando o olhar da mãe dela em sua direção.
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••••

  Hyun surgiu no corredor do hospital apressada, acompanhada de . Kim estava na sala cirúrgica e não fazia ideia de que os dois estavam ali o aguardando. Assim como também não. A modelo da Tomoyo Modas estava em mais uma sessão de fotos e não havia atendido às ligações em seu celular por conta daquilo.
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  Quando saiu da ala cirúrgica, esticando as costas e exausto pelas três horas de muita tensão, dormia na cadeira de espera. Estranhando a presença do amigo ali, ele aproximou-se devagar e cutucou-o.
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  — Ah! Finalmente! — falou ao ser despertado pelo outro homem curioso à sua frente: — Como foi a cirurgia?
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  — Difícil, mas tudo ocorreu bem… Agora… O que faz aqui?
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  — ! — A voz de Hyun soou alta um pouco afastada no corredor.
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  A mulher apressou-se tendo cuidado em não derrubar o chá que trazia em mãos. Estendeu um copo para , e o outro que havia trazido para si, ela acabou entregando ao médico aparentemente exausto.
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  — Hyun. O que vocês dois fazem aqui? Aconteceu alguma coisa com a ?!
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  O olhar cansado desfez-se em espanto, em imaginar o motivo pelo qual estariam ali.
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  — Eu recebi um telefonema importante . — Hyun afirmou cautelosa.
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  O médico sentou-se na cadeira de espera ao lado de que bebia seu chá concentradamente. Hyun sentou-se ao lado do doutor, e pôs-se a falar o que estava acontecendo.
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••••

   despediu-se da equipe e pegou o celular em sua bolsa, finalmente. Ela estranhou as duas ligações desconhecidas que não foram atendidas e as retornou, assim também não sendo atendida. Reuniu suas coisas e foi em direção à sua casa. Caminhava tranquilamente pela calçada da rua, observando vitrines e sentindo a brisa fria do final de tarde. Pegou um táxi, logo depois de sair de uma pâtisserie com um embrulho de cupcakes. Assim que desceu do táxi, observou a casa do médico. Não havia sinal de movimentação ali. Ele estaria em plantão, e certamente, Shyo e Sagwa não haviam chegado.
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   adentrou sua casa, deixou o embrulho na geladeira e subiu aos seus aposentos, retornando meia hora depois com a toalha de banho enrolada à cabeça e vestida em sua camisola. Ligou a televisão escolhendo algum canal de dorama para assistir, e encaminhou-se à cozinha. Decidiu preparar uma torta rápida de frango com a massa que mais cedo havia deixado pronta. Recheou o tabuleiro e logo o levou ao forno. Preparou um chá e assim que ele estava pronto, estava deitada em seu sofá. O relógio marcava dezoito horas, e o dorama que passava na TV faziam-na dividir sua atenção entre o chá, as redes sociais, e o programa.
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  Ela rolava o dedo pela tela do smartphone percebendo as recentes publicações do instagram. Viu que postou mais uma vez uma fotografia com Sagwa e não pôde deixar de sorrir. Desde o dia do desfile, havia se aproximado mais da irmã e sobrinha de . Ele havia a contado o quão o divórcio havia deixado Shyo fragilizada, e que embora Sagwa estivesse lidando bem melhor do que o imaginado com aquela situação, a menina também sentia muito a falta do pai. Aparentemente, o pai de Sagwa não fazia muita questão de ser presente na vida da menina. torcia para que e Shyo ficassem juntos um dia, pois, era notória a sintonia entre eles, e já que Hyun e Don-Ho, seu namorado, estavam vivendo um lindo romance, não mais esperava fazer dos dois amigos um casal.
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  As coisas entre ela e o Dr. também estavam caminhando melhor do que ela poderia imaginar. não a pressionava a nada. Desde o dia do desfile, os dois haviam se aproximado mais. Saíram juntos algumas vezes, trocaram mais beijos e carinhos, no entanto, não rotulavam nada. Ainda havia um vazio estranho no peito de . Mesmo depois de todo aquele tempo, mesmo depois de ter se permitido viver um romance com outra pessoa, o fato de não ter se despedido ou até mesmo ter tido evidências contundentes da morte de ainda corroíam-na em culpa.
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  O cheiro do assado invadindo a sala foi o que a fez desgrudar os olhos da tela da televisão e caminhar até a cozinha. Enquanto colocava a travessa sobre a bancada, seu aparelho celular tocou e ela só notou quando ao se reaproximar do sofá, viu o brilho da tela se apagar. Ia a sua direção para ver quem estava a ligando, mas a campainha foi mais rápida. abriu a porta sem encarar o olho mágico e não esperava encontrar parado com o celular em uma mão, e a outra no bolso, distraído em pensamentos. Esperou o homem se pronunciar, mas quando o mesmo não se moveu nem um milímetro, ela o tocou, surpreendida pelo estado estático dele:
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  — ?
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  — ! — falou assustado despertando-se de seus pensamentos.
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  — Tudo bem? — Ela perguntou preocupada.
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  Os olhos do homem mapearam a face da mulher, e desceram por seu corpo desenhado sob a camisola.
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  — Tudo sim. Eu telefonei antes, mas…
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  — Entra. — Ela o interrompeu sorrindo e o puxando para dentro.
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  Ficaram se olhando risonhos por um tempo logo depois que ela fechou a porta. E foi ela quem se aproximou lentamente colando seus lábios timidamente.
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  — Achei que estaria em plantão.
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  — E estava, mas consegui que alguém me substituísse.
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  — Você não é disso… — Ela falou estranhando — O que aconteceu?
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  — Eu… Queria estar com você essa noite.
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  O olhar da mulher adquiriu um brilho de admiração e surpresa e facilmente um sorriso se estendeu em sua face. coçou a nuca e pigarreou demonstrando constrangimento. Os dois riram e logo o puxou para a cozinha. Serviu dois pedaços de torta em dois pratos.
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  — Hm… Cheguei numa boa hora.
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  — Chegou sim! Como estão as meninas? — Ela perguntou referindo-se à irmã e sobrinha dele.
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  — Saíram com o .
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  — Nossa… Eles estão mesmo próximos, não?
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  Caminharam até a sala e sentaram ao sofá um do lado do outro.
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  — e Shyo estão saindo juntos. Sagwa me contou escondido.
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  — Oh! Por que eles estão escondendo uma notícia boa dessa? — perguntou surpresa.
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  — Não faço ideia, mas a Sagwa e eu estamos nos divertindo com isso.
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  — Sagwa… Aposto que teve dedo dela para que isso acontecesse!
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   concordou sorrindo, saboreando a torta. Os dois ficaram ali comendo e desfrutando da presença um do outro, sem muita conversa apenas atentos à novela coreana que passava. Ao acabarem de comer foi quem se levantou retirando às louças e as lavando na cozinha. subiu até seu quarto, retirou a toalha da cabeça e ajeitou os cabelos devidamente. Encarou-se no espelho, preocupada com sua aparência. Ao dar-se conta daquilo, piscou algumas vezes, inerte. Estava a cada dia, mais e mais entregue às sensações da conquista entre ela e o médico. Ao se dar por satisfeita com a própria imagem sem maquiagem, pegou um edredom e desceu as escadas encontrando pensativo ao sofá, de braços cruzados.
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  Ele olhou a mulher à sua frente e não entendeu o que ela pretendia.
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  — Pode tirar os sapatos se quiser. Vou abrir o sofá para deitarmos.
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  — Como? — Ele perguntou confuso e um pouco ansioso.
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   apenas sorriu e ele retirou o tênis que calçava, ajudando-a a preparar o sofá com as almofadas. Os dois deitaram lado a lado e se cobriram. sorriu para ele aumentando um pouco o volume da televisão.
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  Era a primeira vez que os dois dividiam um sofá para assistir algo daquele jeito, e estava petrificado. Ansioso, nervoso, constrangido e até um pouco excitado pela situação. ao notar o desconforto dele, decidiu puxar algum assunto. Ela estava consciente do passo ao qual estava dando, e ela não queria fugir daquilo.
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  — Como foi o seu dia? — perguntou a ele.
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   respirou mais calmo e olhou-a, concentrado em mentalmente organizar os fatos do seu dia.
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  — Tive quatro cirurgias complexas hoje. Passei praticamente o dia na sala de operações. Mas, não acho que seja agradável falar sobre os procedimentos para você… — Eles riram concordando — E o seu dia, como foi?
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  — Bem, eu deixei a massa da torta preparada logo de manhã, e fiz ginástica no lago da cidade hoje bem cedo. Depois, tive uma sessão de fotos para uma campanha nova de um novo cliente. Almocei com a Tomoyo, e conversamos até o fim do horário de almoço. Depois fui para a agência para outra sessão de fotos, dessa vez para a marca dela. E no fim da tarde, encerrado o trabalho, eu comprei cupcakes e voltei para casa.
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  — Foi um dia tranquilo apesar das duas longas sessões?
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  — Sim. Pode-se dizer que sim. — Ela respondeu ponderando a pergunta.
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  — Não aconteceu nada de diferente? 
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  — Como assim?
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  — Não sei… — Ele respondeu dando de ombros despreocupado.
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  — Nada fora do comum.
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  Eles sorriram um para o outro, e olhou novamente para o programa de TV. Algo estava deixando curiosa.
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  — Tem alguma coisa te incomodando ?
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  — Por quê?
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  — Estou achando você um pouco tenso.
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  Ele ficou encarando o olhar da mulher, de modo apreensivo e ela notou aquilo.
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  — É porque… Porque nós estamos assim? — Ela perguntou tímida apontando a situação dos dois deitados.
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  — Ah… Não! Quer dizer… Não vou mentir. Estou me controlando para não agarrar você aqui…
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  O riso divertido tomou os lábios de ambos, e cautelosamente aproximou-se mais do corpo do médico que a observava atento. Passou seu braço pela cintura dele e recostou sua cabeça em seu peito. O coração de acelerou imediatamente, e com a mesma cautela que ela teve, ele a aconchegou em seus braços.
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  — Você pode me agarrar se quiser… — Ela falou brincalhona e ele riu.
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  —
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  — Sim? — perguntou direcionando o olhar a ele.
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  Os dois estavam bem próximos, e os olhares se completavam. não conseguiu conter-se. Beijou a mulher, com tamanha vontade e delicadeza a ponto de terminar o beijo arrependido do que faria.
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  — Eu te amo, . — Ele disse e a mulher não esperava ouvir aquilo, percebendo por sua expressão — Eu estou cada dia mais apaixonado por você, e estou morrendo de medo disso.
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   ajeitou-se melhor nos braços dele, erguendo um pouco seu corpo de frente para ele. Precisava olhar nos olhos de e ser cuidadosa ao que diria.
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  — Não precisa ter medo. Nós estamos indo muito bem… Estamos vivendo algo muito bom, confortável e…
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  — Não é isso .
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  A voz séria do homem, interrompendo a sua fala fizera preocupar-se um pouco. Ele ergueu-se também, recostando-se mais ao sofá e fazendo sentar-se por completo a encará-lo.
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  — Estou com medo do que tenho para te contar.
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  — O que houve?
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  — Hyun e o estiveram no hospital hoje, ao final da tarde. Ela me contou que a mãe de telefonou e disse que… Ela disse que precisa encontrar Hyun.
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  — Como assim? Por que Hyun não me falou nada?
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  — Ela não faz ideia do que seja, mas estranhou muito e pediu para que eu e a ajudássemos a pensar no que fazer. Sem falar que… Hyun acha que por nós dois estarmos juntos agora, eu deveria saber.
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  — Só você? Ela deveria me contar também! — falou um tanto alarmada e sentindo-se posta de lado pela amiga.
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  — Ela estava com medo de despertar algum tipo de sentimento em você que… Enfim. Eu só sei que ela queria ter total certeza sobre o assunto antes de te falar.
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  — Mas afinal, o que a senhora quer com ela? — A voz trêmula de denunciava o choro contido.
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  — Não sabemos.
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  — Eu vou ligar para a Hyun!
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  Antes que se levantasse, puxou seu punho fazendo-a observá-lo ansiosa.
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  — Ela foi para Busan* encontrar a sua… A senhora .
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  — Busan? Ela estava lá esse tempo todo?
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  *Cidade da Coreia do Sul, próxima à capital.

   estava abalada. Não conseguiu conter as lágrimas e puxou-a para um abraço apertado. Conteve a mulher acariciando seus cabelos. adormeceu sem perceber, nos braços do homem que agora chorava por medo de que, ao acordar, fosse até Busan. Medo de que o fantasma de estivesse mais próximo de retornar do que todos imaginavam. Medo de que, não tivesse tempo de se apaixonar por ele, por estar ocupada demais lidando mais uma vez com os sentimentos pelo ex-noivo. Medo de ter se apaixonado por uma mulher que não poderia ser sua.
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Capítulo 09

  Duas semanas haviam se passado desde que a senhora refez contato com a amiga de . E Hyun ainda não havia retornado de Busan, assim como não atendia as ligações de . Porém, a amiga precisou deixar muito clara a situação para e .
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   e conversavam na casa do médico.
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  — E agora, o que você vai fazer ? — perguntou ao médico que ainda estava em choque e preocupado.
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  — Eu não posso esconder dela que o noivo está vivo, .
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  — Tem certeza que deve ser você a contar? Eu posso fazer isso se preferir.
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  — Eu sei que você é amigo de a mais tempo do que eu, mas… Eu confessei a ela que a amo há duas semanas, no mesmo dia que Hyun viajou. E eu já estava morrendo de medo dela ir para Busan atrás da amiga quando soube, mas independente da sua vontade, porque… não escondeu nessas semanas que sua curiosidade gritava para ir atrás dos , mesmo assim, ela preferiu ficar e aguardar notícias. E eu vi que ela está se dedicando a nós dois, entende?
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  — Entendo. Então você acha que se você contar a ela, estará fortalecendo esse vínculo de novo relacionamento. É isso?
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  — Não acha que se eu não encarar essa situação, eu posso perder a de vez? Deixar que você conte a ela, e acompanhe a decisão dela e me isentar disso, pode ser um sinal de que estou me afastando e sinceramente … Eu não quero perdê-la.
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   e decidiram contar a verdade que Hyun estava escondendo da amiga. Embora estivessem felizes pela notícia da não morte de , estavam igualmente tristes, porque agora não sabiam que rumo o romance iria tomar.
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  — Eu estou dividido. Eu quero ver feliz, e sei o quanto vocês dois tem feito bem um ao outro. Sei o quanto você a ama, mas…
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  — É injusto com , dada a condição dele. — concluiu interrompendo a fala de
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  E naquele exato momento, Shyo adentrou a porta da casa de na companhia de Sagwa e . A menina ao avistar saiu correndo para abraçá-lo.
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  — Como você o abraça primeiro? Seu tio sou eu! — se fez de enciumado brincando com a sobrinha.
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  — É que… Ele é novidade né.
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  Os outros riram e aproximou-se feliz sorrindo abertamente para e para seu amigo. Shyo também cumprimentou o irmão e sentou-se ao lado de abraçando-o discretamente.
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  — Vocês acham que enganam a quem, hein? — perguntou ao perceber os dois tentando disfarçar.
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   sorriu e Shyo ruborizou, mas foi Sagwa quem embarcou na onda do tio jogando tudo no ventilador:
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  — Também acho! Já estou cansada de fingir que não sei que vocês estão namorando!
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  — Sagwa! — A mãe da menina interviu.
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  Ao notar que não estava escondendo mais nada de ninguém, Shyo sorriu envergonhada afundando o rosto nas mãos e a abraçou cuidadoso. A pré-adolescente subiu as escadas dizendo que iria conversar com as amigas no computador, e somente os adultos ficaram ali. A troca de olhares cautelosos entre e não passou despercebida pela .
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  — O que estão me escondendo?
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  Ela perguntou e Shyo não compreendeu, mas sem rodeios tomou à reposta.
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  — Você anda muito desconfiada não acha?
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  — E nos conhecemos há tempo demais para você achar que eu não tenho motivos de desconfiar de você, não acha?
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  — O que está acontecendo? — Shyo perguntou.
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  — Seu irmão e seu namorado querem dizer alguma coisa, e estão pensando se devem ou não. — Ela respondeu à amiga.
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  — Por que ele é o namorado dela, mas eu não sou o “seu” namorado? — perguntou fazendo drama com a frase recém-proferida de .
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  — Porque você não me pediu em namoro.
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  Então o foco que deveria ser um, tornou-se outro.
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  A irmã de começou a provocá-lo dizendo que ele deveria fazer o pedido, mas todo aquele momento que ele tanto aguardava só o fizera ter ainda mais medo. Ele estava tenso, estava tenso, e as duas mulheres estavam curiosas.
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  — Você só deixou as coisas mais difíceis para o , Shyo. — afirmou.
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   ergueu-se coçando a cabeça e pediu para conversar com a sós. Ela não entendia nada, mas encarou o melhor amigo sentado ao sofá na sua frente fazendo-a entender que era necessário. Então ela apenas seguiu até o quarto dele. Enquanto os dois subiam, contava toda a história para Shyo.
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  O médico abriu a porta do seu quarto esperando cavalheiramente que entrasse. Ela sentou-se na cama dele observando-o atenta. Ao se aproximar dela, pegou uma cadeira sentando-se à sua frente. Segurou firme às mãos da mulher e encarou os próprios pés, pensativo.
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  — Tem a ver com a família do , não é?
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  — Uhum. — Ele apenas murmurou.
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  — Hyun está me evitando, mas contou tudo a vocês, adivinhei?
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  Ele suspirou pesadamente concordando com a cabeça. Os olhos dela, urgentes por notícias eram como uma lança rasgando o peito de . Ele precisava contar para .
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  — Depois de ser transferido, passou por algumas outras intervenções cirúrgicas. Ele esteve em coma todo este tempo, .
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  — Então… Ele…
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   tentava formular frases, mas o choro que surgiu, de repente, desesperado em sua garganta a impedia. chorou também, por outros motivos, mas chorou. Abraçou a mulher assustada e sentou-se na cama junto a ela. Com em seus braços, como uma criança que acorda de um pesadelo, ele continuou dizendo a verdade.
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  — A senhora não quis e ainda não quer que você tenha contato com ele. Por não saber quando o filho acordaria, eles acharam melhor sumir sem dar notícias. Mantiveram esse segredo todo, mas agora que ele acordou…
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  — O quê!!? — interrompeu encarando-o surpresa e assustada.
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  — Sim, ele acordou. E ele ainda tem as memórias de antes de tudo… E…
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   respirou pesadamente se levantando e passando a mão pelos cabelos. Caminhou até a janela do próprio quarto de onde podia ver a casa de .
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  — A senhora recorreu à Hyun que acabou sendo uma alternativa melhor para eles em avisar e mediar essa situação do que procurar por você. Na verdade, ao que parece, ele acordou e queria te ver imediatamente, mas a família enrolou. Até que foi impossível para eles não envolverem alguém, então… Ela pediu que Hyun fosse até Busan que é onde ele está internado. Hyun contou para todo o acontecido, nesta semana e nos avisou que ele ainda quer ver você. Mas os pais dele não querem isso. Hyun não teve coragem de te dizer isso tudo e por essas semanas está tentando convencê-los a permitir que e você se vejam, parece que ele não pode ser contrariado e a própria Hyun optou por mentir que você estava viajando e só voltaria na semana que vem, assim ela teria um tempo de nos avisar e de preparar o pai deles para esse inevitável encontro.
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  Quando voltou o olhar para , percebeu a mulher totalmente fora de órbita. Ele aproximou-se preocupado, abaixou-se à altura do olhar dela e afagou seu rosto num carinho necessitado. Ela respirou profunda e enxugou as lágrimas, o encarando firmemente. sabia exatamente o que deveria fazer.
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  — Você quer vê-lo?
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  — … — Ela falou com voz embargada e pigarreou continuando: — Eles não têm direito de proibir que eu o veja mais. E eu quero e vou até ele. Eles me tiraram a chance de… Dar um conforto ao meu coração. Eles… Eles…
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  — Shiiiu… — sussurrou abraçando a mulher em seu choro incontido — Você deve fazer o que quiser .
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  — Você vai comigo?
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  E a pergunta o pegou de surpresa. Não imaginava que fosse querer que ele estivesse ao lado dela naquele momento. Na verdade, internamente se convencia de tê-la perdido.
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  — Eu acho que vocês precisam desse momento sozinhos. Eu não ficaria confortável em… Enfim, também tenho os meus plantões… Eu…
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   parou de falar, e o sorriso de demonstrava-o que ela compreendia.
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  — Não precisa justificar, . Eu te entendo.
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  — Se importa de chamar o ? Eu ficaria mais aliviado que você não estivesse indo sozinha, apesar de não ser eu a te acompanhar.
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  — Não, não… Imagina! sempre acompanhou as minhas tragédias de perto…  Será bom se ele puder ir comigo! — Ela falou compreensiva.
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  — Não é que eu não queira estar contigo, mas… Eu te amo . E eu não sei até onde tudo isso pode nos levar…
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  — Eu te entendo . É mesmo… Muito repentino!
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   levantou-se puxando para um abraço forte. Mentalmente estava se odiando. “Eu te entendo” não eram as palavras que ela desejava ter dito, mas compreendia de fato a situação do médico. Beijou-o como uma despedida. E logo depois de mais um abraço, ela saiu.
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••• Flashback de duas semanas atrás •••

  Hyun adentrou ao hospital regional de Busan, um tanto aturdida ainda com o fato de que iria encontrar a senhora ali. Não fazia ainda ideia da razão para terem a pedido que fosse até lá. Será que os pais de Goo estavam morrendo? E se fosse isso, para quê chamarem a ela?
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  — Senhoria Hyun? Pode me acompanhar, por favor? — A enfermeira que a atendeu na recepção se aproximou enquanto ela aguardava.
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  Foi direcionada a uma ala de espera, onde viu o casal de pé, apreensivos. “Eles estão ali fora? Então o que eu faço aqui?”
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  Assim que a enfermeira saiu deixando Hyun e o senhor e a senhora a sós, a mais nova proferiu:
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  — O que eu estou fazendo aqui se nenhum de vocês está internado?! — A voz dela não era nada amigável.
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  A mãe de , calada e envergonhada não falava com a mulher. Foi o pai dele quem manteve o diálogo:
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  — está vivo, e saiu de um coma de quase um ano e meio agora. Por isso te chamamos Hyun.
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  A amiga olhou para o porta do quarto 605, ao qual o pai do amigo apontou.
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  — Vi… Vi-vo? — Sentiu as lágrimas tomarem seus olhos e a garganta fechar, suspirou pesadamente e mordeu os lábios olhando ao casal com raiva: — Ahjussi, ahjumma! Quão cruéis vocês foram! Sempre soube como amiga íntima dessa família que vocês eram dotados de preconceito, mas… O que fizeram com a , comigo, e todas as pessoas que amam ao , foi… Estupidamente e odiosamente absurdo e cruel! Se ele nunca mais acordasse, nós saberíamos?
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  — Eu disse para ela que não era uma boa ideia… — O ahjussi comentou a respeito da esposa — Mas, não aprovamos a aproximação de com ele, e mesmo agora que acordou, não queremos que eles se aproximem. Essa é a chance do nosso filho reviver uma nova história.
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  — Por que apoiaram o namoro e noivado deles aquele tempo todo se fariam isso?
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  Hyun estava revoltada, a vontade que tinha era de agredir fisicamente aqueles dois senhores arrogantes.
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  — Porque ele a ama. E porque achamos que ela era uma vítima das tragédias que aconteceu, mas… Uma prostituta é o que ela escolheu ser, Hyun. E sinceramente, só te chamei aqui por que insiste em ver alguém! Não duvido que você seja como ela… Uma perdida. — A senhora falou em tom ofensivo.
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  Hyun deu uma passo pra avançar nela, mas retesou ao mesmo tempo que o marido entrou à frente da esposa.
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  — Perdida, vagabunda e desalmada, isso é o que a senhora é!
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  — Como ousa falar des… — O senhor começou a bronquear, mas foi interrompido pela mais nova que ergueu um dedo a ele ameaçando:
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  — Eu falo com ela como ela merece! Se dois velhos como vocês não entendem o básico de respeito e humanidade com as pessoas, eu não devo essa consideração a vocês também! Se eu lhes disse que a se matou por causa da sua mentira, vocês viverão em paz!?
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  O rosto do casal se alarmou.
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  — Ela… Se matou? — A ahjumma perguntou com o semblante de choque.
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  — Felizmente, ela tem amigos que a impediram de chegar a esse ponto. Mas não durma tranquila senhora, vocês por muito pouco não acabaram com a vida de uma pessoa devido a uma mentira! — Hyun comentou e se aproximou da porta do quarto, então, retesou novamente e voltou aos pais de : — Bem, ele está acordado, então posso entrar?
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  — Não, um momento. — O pai de falou de novo — Antes, gostaríamos de pedir a você que colaborasse conosco.
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  — Colaborar com vocês? — perguntou Hyun irônica.
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  — Dissemos a ele que a não quer vê-lo, que se mudou novamente e não temos notícias. E que havíamos perdido o contato com vocês depois de trazermos ele para cá. Depois de muita insistência dele, dissemos que tentaríamos encontrar você. Mas, queremos pedir que confirme a nossa versão da história. Do contrário, não podemos deixá-la vê-lo.
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  Hyun riu sarcástica.
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  — Como é que é? — Perguntou retoricamente e virou-se empoderada à maçaneta da porta. — Vamos ver quem não vai me deixar ver o meu melhor amigo!
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  E antes que os pais de Goo dissessem qualquer coisa, ela entrou no quarto se deparando com a surpreendente imagem do amigo, vivo. estava deitado na cama do hospital olhando para a janela tristonho, mas ao ver Hyun entrando eufórica, um largo sorriso se apoderou de sua face.
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Capítulo 10

  Hyun quase não acreditava que era o seu amigo ali naquela cama de hospital e vivo! Ela se apressou em fechar a porta do quarto e se aproximar dele o abraçando. parecia bem, parecia recuperado.
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  — Hyun! Eu senti tanto a sua falta!
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  — Você não tem ideia do quanto nós também, ! — Ela chorava.
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  — Pode me contar o que aconteceu? Eu não consigo acreditar que não quer mesmo me encontrar!
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  Hyun sentiu a raiva tornar-se pena diante de e seus tristes olhos. Ela olhou para a porta do quarto, e viu os pais dele encanrando-a pelo vidro da porta.
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  — … — A amiga começou — Você precisa saber que a verdade é que… Seus pais mentiram, e muito!
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  Depois que ela contou tudo para ele, ficou irado! Ele não podia se estressar, então logo que seus batimentos cardíacos subiram, a enfermeira entrou dando a ele um calmante. Aos poucos foi ficando mais lento e sedado. O senhor e a senhora discutiram com a mulher por tê-lo contado a verdade, mas Hyun não se arrependia.
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  No fim, ela ficou no hospital com o casal aguardando o momento que o amigo acordaria e quando aconteceu, quis conversar com os pais sozinho. Estavam os mais velhos parados diante da cama hospitalar do filho, preocupados. tinha lágrimas nos olhos, uma face expressa em decepção.
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  — Quando meus pais adoráveis se tornaram esse tipo de pessoa que mente e manipula a vida dos outros?
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  — Meu filho, nós fizemos o que foi melhor para seu bem, para sua saúde e sua reputação! — A mãe dele defendeu-se.
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  — Nada disso foi para meu bem! Foi para a sua reputação! Vocês tem vergonha da minha noiva ter um passado, vocês carregam preconceitos que estavam velados em falsos sorrisos a vida inteira! E eu me envegonho disso! Me envergonho do que fizeram e não sei se posso perdoá-los!
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  — , se acalme, você não está pensando direito meu filho! — O pai pediu em tom autoritário.
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  — Estou pensando muito bem! — gritou já aos prantos — Eu não posso impedir vocês de estarem comigo enquanto estou nessa condição, mas assim que eu me recuperar, quero que saibam que eu não tenho mais família!
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  As palavras duras dele, o choro decepcionado e a expressão de asco que lançava aos mais velhos, realmente assustou-lhes.
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  — Você não pode estar…
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  — Nunca mais! — interrompeu a mãe — Mesmo que eu morra desse coração doente que mais uma vez me tirou tantas coisas… Nunca mais eu quero vê-los! Se vocês realmente me amassem ou respeitassem, não teriam interferido na minha vida dessa forma enquanto eu estava inconsciente! Agora saiam, estou começando a me sentir nervoso e o médico pediu para eu me poupar…
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  O pai de atento aos monitores médicos assentiu, arrastou a mãe dele, estupefata com a atitude do filho para fora do quarto. Convencendo-a de que não era o momento adequado para terem aquela conversa, eles saíram do quarto e foram para a área externa do hospital.
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  Hyun assistiu a saída do casal em choque, e então, suspirou entrando no quarto do amigo de novo.
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  — Você vai ficar bem? — Hyun pediu.
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  — Pode pedir para vir me ver? — suplicou chorando.
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  Hyun de tudo, apenas não contou que a amiga estava em novo relacionamento.
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  — Eu posso pedir, mas… … Passou tanto tempo, sabe? Você precisa entender que a está um pouco diferente e…
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  — Ela tem outra pessoa, não é? — A pergunta do amigo soou como se uma criança descobrisse que Papai Noel não existe.
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  Hyun não conseguiu responder, e nem negar. Ela só abaixou a cabeça e aquilo bastou para ele entender.
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••• Uma semana depois •••

  Quando a amiga telefonou à outra dizendo que queria vê-la, já sabia de tudo. havia lhe contado e então, ela e seguiram a viagem até Busan.
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   chegou na porta do hospital, sentindo-se ofegante de tanta ansiedade. ao lado dela, apertou o ombro da amiga a fim de encorajá-la.
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  — Está pronta?
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  — Não faço ideia… — respondeu.
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  Entraram e se identificaram na entrada do hospital. segurava a mão da amiga, apertado. A enfermeira entregou os crachás de visitante para ambos, e pediu que eles a seguissem. Passo a passo rumo ao andar onde estava , o coração de acelerava mais e mais. Ela apertava a mão do amigo com nervosismo, sua mente pensando em , e ao mesmo tempo tentando imaginar como encontraria . Foi quando apertou os olhos dentro do elevador, olhando para o chão, na tentativa de tentar se recordar como estava o rosto do noivo pela última vez que o viu.
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  — ? — a chamou baixinho, tocando os ombros da amiga — Tudo bem?
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  Ela assentiu respirando fundo e apertando o lábio para segurar o choro. Mas sem olhar para a frente.
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  — Então vamos querida, a porta do elevador abriu.
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  E só então ela percebeu que estavam no andar do quarto.
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  O enorme corredor branco e iluminado, com alguns vasos de plantas ao longo de sua extensão, só não era mais assustador, porque viu ao longe, em pé, olhando para eles e cheia de expectativa, a figura de Hyun.
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  Ao seu lado, estava sorrindo confortante, e estendendo a mão para ela, e a enfermeira que os aguardava sair. Ela respirou de novo, e com as pernas bambas, mas apoiada em seu amigo, caminhou até Hyun. As amigas não falaram nada uma com a outra, apenas se abraçaram desesperadamente chorando.
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  — Ele… Ele está tão ansioso para te ver… — Hyun comentou no ouvido da amiga, baixinho.
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   sorriu abertamente, emocionada e ainda sem acreditar que iria vê-lo. A amiga a posicionou diante da porta do quarto, e a enfermeira puxou a maçaneta para o lado, devagar, dramatizando ainda mais a cena com a porta deslizando sobre os trilhos devagar. primeiro viu os pés esticados sob uma cama de hospital, o Sol iluminando o quarto todo e o leito paralelo a uma grande janela de vidro, com um homem meio deitado e meio sentado olhando para a vista ensolarada, onde as cortinas estavam abertas e esvoaçando. Os olhos de prescrutaram devagar e lentos como um filme em câmera lenta, dos pés até o rosto do homem que aos poucos virou-se para encará-la.
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  Nada acontecia de forma assim tão lenta, mas era como as mentes de e pareciam enxergar: o tempo corria quase ao contrário.
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  — … — Ele sibiliou sorrindo abertamente e seus olhos encheram de lágrimas grossas e pesadas, porém alegres.
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   quando encarou o rosto dele, os cabelos maiores do que da última vez que o viu, porém, bem penteados como alguém que se preparou para vê-la… A mulher não conseguiu evitar o soluço alto que escapou de sua garganta, caiu agachada sob os próprios pés, e abraçando os joelhos chorou copiosamente. Um choro desesperado, aliviado, um choro de liberdade.
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  — … — Hyun abaixou-se na porta ao lado da amiga ainda agachada aos prantos e a amparou em um abraço.
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   deu alguns passos para frente da porta a fim de olhar o que a deixara tão abalada, e quando viu chorando desesperado, mas sorrindo muito, sentiu a mesma falta de ar da amiga. Ele mordeu o indicador segurando o pranto, mas não conseguiu evitá-lo. Permitiu-se chorar também, com uma mão bagunçando o próprio cabelo e depois tampou o rosto pra esconder tantas outras lágrimas doídas.
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  — ! — falou, entrou apressado na frente das amigas e foi até o amigo e o abraçou.
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   chorava tal como eles, porém, agora, sentado na cama e abraçado em .
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  — Me ajude a ficar de pé? Eu quero ir até ela… — pediu ao amigo, que o ajudou.
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  Mal ficou em pé, levantou o rosto para olhar de novo para ele, e quando o viu calçando as pantufas com a ajuda de , ela apoiou-se em Hyun para levantar, e enxugou o rosto molhado.
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  Tomada pela coragem e saudade de um pouco mais de um ano afastados achando que ele havia morrido, ela correu até ele, deixando sua bolsa cair no caminho. ao vê-la correr para si, abriu os braços e mesmo um pouco fraco, não se conteve em suportar o peso do impacto que foi o abraço que a mulher deu nele. Os dois apertavam-se naquele abraço, como se fossem fundir-se para nunca mais soltar.
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  — Meu amor! Meu amor como eu senti a sua falta! — comentou chorando sentindo as lágrimas e o choro abafado de contra seu pescoço — Me perdoe! Me perdoe por não ter contado o que eu vivia… Me perdoe por não ter preparado você para isso e me perdoe por…
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  — Shiii…. — tocou o lábio dele com os dedos pedindo um silêncio que respeitou. Ela tocava o rosto dele esmiuçando cada pequeno traço novo que havia ali. — Você está vivo! É só isso que importa agora, … Você está aqui!
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  — Eu estou, meu amor. E ficarei pra sempre com você se assim quiser!
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  Ele comentou e e Hyun olharam um para o outro, meio preocupados, mas felizes pelo reencontro.
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  — Eu estou aqui meu amor, eu voltei pra você! — comentou como se tentasse convencê-la de que naõ era outra ilusão da mulher, e segurando o rosto ainda confuso de , ele não hesitou em puxar os lábios dela contra os seus.
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   e Hyun não quiseram ficar vendo o beijo, então, sairam do quarto deixando o casal a sós.
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  No mesmo instante que os lábios de e tocaram-se, em Seoul, que estava descendo no elevador do hospital, sentiu um aperto no peito. Um presságio que o sufocou e o tomou de um assalto tão grande que o médico começou a ter um colapso nervoso e não parava de chorar e sentir como se o coração infartasse.
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  — Doutor ? Doutor ! O que está sentindo?! — Uma das enfermeiras que estavam no elevador, agachou-se ao lado dele ao ver o médico abaixado com a mão no peito em um estado neurótico de choro. não respondia, apenas sentia o aperto subir pela garganta e as lágrimas virem incessantes por seus olhos, ele não tinha forças para sequer falar. A enfermeira ajudou a abrir a porta do elevador com força, logo que o mesmo chegou no andar que apertaram e pediu por ajuda: — Venham, o doutor não está sentindo-se bem!
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   estava sendo beijada por , e correspondia-o, no entanto, algo estava diferente. Os lábios dele não eram tão macios como antes, o cheiro dele apesar de ser o mesmo, não era tão confortante como antes. sentiu como se estivesse beijando um estranho e não, o homem com quem se casaria um dia.
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  — … — Ela sibilou entre os lábios desesperados de saudade dele.
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   se afastou dela, e embora estivesse muito feliz ele sentia como se algo estivesse mesmo diferente. Era ela, a sua diante de si. Os mesmos olhos, o mesmo cheiro, a mesma temperatura de pele, mas ainda assim… Algo mudou. acariciou o rosto dela e sentia como o dedo mindinho queimando e apertado como se estivesse com um anel muito justo nele.
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  — … Eu nem acredito que você está aqui, meu amor!
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  — , Deus sabe o quanto eu sonhei que este dia chegasse! Que eu descobrisse que você estava vivo e tudo não passou de pesadelo!
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  Os dois se abraçaram de novo, e ele acariciou os cabelos dela sorrindo calmo.
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  — Agora vai ficar tudo bem, jagi. Nós temos muito a conversar, eu imagino… Mas, por enquanto eu só quero ficar aqui, olhando para você…
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   sorriu feliz de estar com ele, e tentou caminhar de novo, mas ainda não tinha tanta força nas pernas.
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  — Volte pro leito, . — falou o amparando na quase queda — Você ainda precisa se recuperar totalmente. Ficou muito tempo sem mover as pernas, então, não tenha pressa sim? Nós vamos recuperar a sua saúde juntos!
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  — Você vai ficar comigo? — perguntou cheio de esperança, não só de que ela dissesse que o acompanharia no hospital, como também, que ficaria com ele como antes.
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  — Ahn, é claro . Eu vou acompanhar você durante essa recuperação, nem que eu tenha que entrar em guerra com seus pais!
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   notou que ela não mencionou ficar com ele além da recuperação, mas não confrontaria os fatos ali naquele momento em que ele estava tão feliz por estar com ela.
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  — Eu já sei de tudo o que eles te fizeram, meu amor… — comentou escorado na sua cama, preparando-se para subir e deitar de novo. — E eu sinto muito! Mas eu te garanto que eles nunca mais farão nada com você, e nem com a gente, ok?
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   acenou afirmativa e o ajudou a se apoiar na cama. estava arrumado como se realmente fosse receber uma grande visita, até mesmo sua calça era social.
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  — Você vestiu-se assim pra me encontrar? — Ela perguntou mudando o assunto e sorrindo.
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  — É lógico! Como eu poderia não receber o amor da minha vida de uma forma decente?
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  — Você… — embargou a voz e secou os olhos ainda úmidos de poucas lágrimas — Sente alguma dor?
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  — Bem, ainda dói um pouco no peito, mas é porque eles abriram muitas vezes… Não sei quem me doou este coração novo, mas era como se o coração não quisesse estar comigo… Depois de resistir contra ele duas vezes, meu corpo entrou em coma. E durante o coma, segundo os médicos, eu lutei bravamente para que o órgão se adaptasse. Mesmo bastante cicatrizados, os cortes, ainda dói um pouco quando me movo ou respiro, mas é normal eles dizem…
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  — Claro, você ficou muito tempo parado também! Imagino que a sua circulação sanguínea ainda não está com uma perfusão perfeita. E precisa iniciar uma fisioterapia cardiotorácica também, não é? É o padrão para cirurgias cardíacas.
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   sorriu surpreso e arqueou a sobrancelha divertido ao notar o quanto ela sabia de cirurgias cardíacas.
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  — Você andou estudando medicina?
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  — Como?
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  — Onde aprendeu a falar essas coisas? Você não conseguia nem fazer um curativo direito. Eu me lembro.
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  — Ah… — notou o quanto aprendeu com só de conversar e acompanhar a rotina dele — Ah, eu… Digamos que me interessei mais pelo assunto depois do que aconteceu.
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  — Você poderá me contar tudo. Eu quero saber tudo de você, meu amor! — falou beijando o rosto dela e dando espaço para ela deitar com ele em seu leito — Venha, quero ficar juntinho de você! E com certeza está cansada da viagem, não é?
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  — Sim, eu estou mesmo. — Ela sorriu e acariciou o rosto dele — Mas, também está e nós dois precisamos ver nossa estadia em um hotel. Então, eu quero resolver isso logo até mesmo para Hyun voltar a Seoul se ela quiser.
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  — Oh, claro. Entendo… — comentou um pouco frustrado. — Ah, o ! Eu fiquei feliz que ele veio com você! Vamos chamar os dois para dentro?
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  — Vamos sim! — comentou e foi abrir a porta do quarto de novo.
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  Do lado de fora, desde o momento em que os dois se beijavam, Hyun e conversavam sobre os pais de .
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  — Onde eles estão? — perguntou à amiga.
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  — os expulsou. Não quer eles por perto, e eu tenho ficado aqui como a principal acompanhante dele, mas não é como se o senhor e a senhora se mantivessem longe. Eles só não entram no quarto, ficam aqui me vigiando o tempo todo… Como se eu fosse sequestrar o filho deles!
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  — Coisa que eles fizeram aliás… Mas, e então, por que não os encontramos?
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  — A senhora , não queria cruzar com quando ela chegasse então… Eles estão, sei lá, dando uma volta no inferno espero.
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  — Hyun, o que vamos fazer hein? — perguntou apontando com a cabeça para dentro: — Eles… Digo… Uow, eu estou completamente perdido!
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  — Tempo ao tempo, . Acredito que a vai situar o das coisas com calma. E ela deve ficar por aqui, não é? Já foram ao hotel?
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  — Não. Não fomos, ela quis vir direto.
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  A porta se abriu revelando chamando os amigos para entrarem.
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  Os três se aproximaram de que sentia-se como uma criança na festa do pijama. Sentia-se muito mais feliz e seguro perto deles do que estava se sentindo desde que descobriu o que os pais fizeram.
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  — Vocês precisam ir ao hotel, não é? — Ele comentou depois de meia hora conversando com os amigos em torno de seu leito.
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  — Precisamos! — afirmou se levantando da cadeira que havia ali.
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  — Vão, eu fico aqui com ele. — Hyun comentou e os entregou um cartão — Estou hospedada nesse.
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  — Eu vou apenas fazer o check in e descansar um pouco e volto logo, ok? — comentou com os dois — E assim você volta para lá Hyun! Precisa descansar.
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  — Não sei se é uma boa você ficar sozinha aqui, unnie… — A amiga comentou sem preocupação de esconder que o problema seria os pais dele.
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  — Meus pais não farão nada! Não se preocupe Hyun, tem razão e você precisa descansar e até voltar para Seoul se quiser.
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  — Vamos então, depois discutimos quem cobrirá quem e em que turno. — mencionou e beijou a testa do amigo e apertou a mão dele.
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  — Cuida da minha . — pediu sorrindo ao amigo.
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  — Eu tenho feito isso, não se preocupe.
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  E depois que se despediram, sentiu um pensamento estranho em sua mente com a resposta de , mas só após ficar a sós com Hyun de novo ele teve coragem de perguntar. Mal a amiga virou-se para ele sorridente, e ouviu a pergunta desesperada dele:
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  — Me diz que não é com o que ela se envolveu!
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  — O quê? !
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  — Eles sempre foram muito próximos, e ele… Ele é uma ótima pessoa com ela e para ela e não é como se eu fosse ficar bravo com ele, afinal, vocês achavam que eu estava morto, mas isso vai dificultar para eu conquistar ela de novo.
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  — Reconquistar ela? Esse é o seu plano?
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  — Não é um bom plano?
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  — Hm.. — Hyun fugiu da resposta — Não sei de nada, . Acho que está muito cedo pra você preocupar-se com isso. Ainda tem que focar na sua recuperação.
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  — É ele ou não é, Hyun!?? — perguntou um pouco nervoso.
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  — Não. está namorando sim, mas não é com a ! E eu não vou falar mais nada sobre isso!
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  Hyun deu o veredito e começou a cortar uma maçã para o amigo comer.
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  Enquanto saiam do hospital caminhando para o estacionamento, e não diziam nada um para o outro. O amigo sabia que ela ainda estava processando tudo.
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  — Não pense muito à frente agora, . Um passo de cada vez, ok? — Ele comentou apertando o ombro da amiga em consolo.
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  Ela acentou afirmativa, e quando cruzou a entrada do hospital, deu de cara com o senhor e a senhora . Ela ficou estática de novo, assim como . O casal em sua frente também arregalou os olhos assustados.
  A senhora , no entanto, respirou e decidiu fingir que não viu ali, puxou o marido pela mão e passou ao lado da ex-nora como se ela fosse invisível. A raiva subiu à garganta de , que não se conteve. Soltou-se da mão de que segurava seu ombro, e virou-se para alcançar a mulher, pegando firme no punho da mais velha:
  — Ahjumma! — gritou e a senhora se virou, e então falou: — Sua maldita!
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  E desferiu um tapa no rosto da mais velha. E depois, deu outro, do outro lado do rosto. tentou a segurar, assim como o senhor tentou amparar a mais velha, mas puxou os cabelos da mulher e como um animal feroz, ela encostou a sua testa com a da senhora mais velha e ameaçou:
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  — Dois tapas e um puxão de cabelo são poucos para a desgraça que a senhora merece na sua vida! Mas eu não irei praguejar, porque quero esquecer tudo! E não quero que o seja atingido com mais um castigo na vida dele por sua culpa! Acho que a senhora deve saber muito bem que a saúde dele foi um castigo contra a senhora, porque certamente quem faz o que vocês fizeram, já chegaram a karmas muito piores! — esbravejou e cuspiu no rosto da ahjumma e do senhor , assim soltando-a e saindo brava.
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  Não deu sequer tempo de resposta. sorriu porque apesar da surpresa ofesiva e agressiva da amiga, ele sabia que o casal merecia cada palavra. Foi como ver a sua velha amiga , a velha e revoltada antes mesmo de encontrar . apressou-se até ela, mas quando a encontrou escorada no carro, com a cabeça apoaida no vidro da porta, chorando curvada, ele parou de sorrir. Pobre , quanta injustiça… Mesmo agora que seu antigo noivo estava vivo, era tão injusto que ela soubesse daquilo logo quando estava seguindo em frente…
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  — Hey, vamos… Não vai mais derramar nenhuma lágrima por causa deles! — a amparou abrindo o carro para ela entrar.
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  — Como eu vou fazer agora, ?! — falou alto, dolorosa e confusa — Como eu vou ferir o ?
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  — Ferir o ?
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  — Eu amo o , ! Como eu poderei abandonar o logo agora?!
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  A amiga chorava desesperada de novo. Quantos dilemas ainda caberiam na vida de ? Essa era a pergunta que se passava na mente do amigo que a abraçava tentando acalmá-la.
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Capítulo 11

••• Dois meses depois… •••

  Já fazia um mês desde que retornara. Dentre o período que passou no hospital com seu noivo em recuperação e o momento atual, algumas coisas aos poucos as coisas iam tomando rumos mais organizados na vida de todos ali.
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  Sagwa e o pai se encontraram algumas vezes e ela conheceu a madrasta, embora ainda estivesse ferida pelo abandono do pai naquele tempo, a garota decidiu que deveria dar uma chance de construírem uma nova relação. A mãe dela se orgulhou da resiliência da filha que muito a inspirava. E por falar em nova relação, Sagwa estava cada dia mais feliz por ter encontrado . O namorado da sua mãe era bonito, divertido, carinhoso com ela e muito atencioso. Shyo também estava se sentindo uma nova mulher. Ela conseguiu firmar-se num bom emprego e há uma semana havia mudado da casa do irmão para um apartamento pequeno, mas confortável o suficiente para ela e Sagwa.
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  Nos dias em que estiveram no hospital, havia decidido ficar em Busan com até que ele recebesse alta. Por isso, o amigo quando retornou de sua viagem, informou para que não viria por um tempo, mas que ela não queria perder o contato com ele. E a mulher de fato telefonou ao médico constantemente, mas ele não queria atendê-la. O médico sabia que o sentimento de sua amada poderia estar confuso, ou que talvez, ele a perderia para o amor verdadeiro e trágico que antes ela sentia, e tudo aquilo o fazia sentir-se amedrontado. Mal sabia ele que estava sentindo o mesmo medo de perdê-lo, por ser ele a desistir dela. Sabendo da situação do novo casal, Hyun aconselhou ao que conversasse com e ela conversaria com .
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  Assim, estava chegando a sua casa numa noite quando o surpreendeu na varanda. E deste dia em diante, muitas coisas saíram de órbita para retornar ao eixo da felicidade merecida na vida de , e .
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Flashback

  — Por que você está a evitando!? — falou com certa raiva por saber o quanto a indiferença de estava matando por dentro.
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  — Eu só estou dando o tempo que acho que ela precisa.
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  — Se ela quisesse esse tempo ela o pediria ! Você disse que a amava!
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  — E eu a amo! Foi ela que não disse se me amava ou não. Simplesmente não voltou mais, saiu de qualquer jeito e não retornou. Eu acho que não preciso ouvir claramente na voz da mulher que amo que ela decidiu ficar com o noivo dela!
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   não teve direito a resposta, pois, saiu de sua visão entrando em sua própria casa que escura estava e escura permaneceu. nem poderia dizer nada se quisesse, pois, não havia falado com ele sobre seus sentimentos. Apenas pediu ao amigo para implorar que a atendesse, já que ela estava confusa sobre os motivos do médico não mais corresponder a ela.
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   saiu dali e foi até o bar que antes ele bebia com sua amiga. Muitas memórias estavam presentes na sua cabeça, sobre os tempos antes de todo o ocorrido com . Enquanto virava um gole de sua bebida, seu celular informava Hyun ligando para ele.
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  — Alô?
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  — Onde você está? Preciso te mostrar uma coisa urgente!
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   deu as coordenadas do lugar para Hyun, que ao surgir eufórica mostrou a ele um grande desastre. Hoon havia entregado o passado de à imprensa. As principais mídias jornalísticas estavam noticiando que a recente modelo, com carreira promissora na Tomoyo Modas, se tratava de uma ex-prostituta.