Worldwide Girl


Escrita porKaroline Gomes
Revisada por Lelen


Prólogo

  Por que eu a escolhi? Eu não tenho a mínima ideia.
  Às vezes tenho intuições estranhas, e quando Kendall me disse para escolher na plateia quem seria a Worldwide Girl eu passei meus olhos pela multidão, pensando em escolher qualquer garota, mas quando meus olhos passaram por ela, ali, num cantinho mais afastado do palco, algo me disse que eu deveria chamá-la, e assim eu fiz, apontei para ela e logo os seguranças a buscaram, e eu agradeci minha ótima visão por tê-la encontrado no escuro, porque ela era realmente linda, e o sorriso contente que ela abriu quando nos viu ali era algo confortador, como se só aquilo bastasse para me livrar de todos os problemas, e enquanto eu a olhava se dirigindo para o centro do palco, todos os problemas realmente desapareceram. Em instantes, não havia mais multidão, nem mesmo os meninos estavam mais ali, era só ela.
  E eu sei que isso pode parecer bem gay. Confesso: sou um romântico muito besta. Mas ela realmente era linda, e algo nela me chamou bastante atenção.

  James começou cantando a música, e foi só então que eu voltei para o “mundo real”. As fãs na plateia acompanhavam nossas vozes, enquanto a garota no palco estava de cabeça baixa, apenas escutando enquanto nós cantávamos para ela. A música prosseguiu bem, até chegar ao meu último solo. Então, eu me aproximei da garota, levantei seu rosto até encarar bem seus olhos, e ela agora exibia um sorriso tímido, depois soltei seu queixo e peguei em uma de suas mãos, e cantei enquanto olhava bem em seus olhos.

  “Yes, I may meet a million pretty girls, that know my name, but don't you worry, cause you have my heart.”

  Pode parecer estranho, mas a música parecia ter sido feita para ela. Cantando para ela, a música fazia muito mais sentido do que com qualquer outra garota. E eu nem sei o porquê.   Aliás, olhando para o sorriso encantador que ela exibia no rosto, nada mais fazia sentido, nada mais importava, e acho que foi por isso que tomei coragem para beijá-la. Quando dei por mim, meus lábios já estavam colados nos dela. Larguei o microfone no chão, e envolvi uma de minhas mãos por sua cintura e com a outra segurei sua nuca, enquanto ela acariciava meu cabelo. Eu podia ouvir a multidão gritando, e os meninos cochichando entre si, certamente surpresos porque nunca imaginariam que eu faria isso. Nem eu mesmo imaginaria que teria coragem. Mas com aquela garota eu precisava fazer isso.

  E não me arrependi. O beijo era perfeito, doce, calmo, mas ao mesmo tempo, intenso, e, mesmo que pareça louco demais, apaixonado. Sim, loucura, porque como eu poderia me apaixonar por alguém que nem sei o nome? Aliás, eu deveria ter perguntado seu nome, mas estava tão perdido que nem me dei conta, mas disso eu precisava saber.
  Eu soltei o beijo, ainda segurando em sua nuca e encarei a expressão da garota, que, igual à de todos os outros, estava surpresa. Quer dizer, não surpresa eu diria, estava mais para admirada, encantada e tão feliz quanto eu, pois suas bochechas estavam coradas e ela exibia um sorriso bobo no rosto.
  Mas sua expressão mudou de repente. Não era mais admirada, agora era assustada, até arrependida. E sem poder fazer nada, vi ela sair de perto de mim e correr para a saída do palco, enquanto eu continuava estático, observando os garotos, que alternavam entre rir, e me repreenderem. Mas eu não ligava. Eu tinha acabado de ter a experiência mais louca da minha vida com uma garota que eu nem ao menos sei o nome. E o pior, eu a perdi.
  Eu perdi minha Worldwide Girl. E eu nem sei quem ela realmente é.

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