Worldwide Girl


Escrita porKaroline Gomes
Revisada por Lelen


Capítulo 01

  Sete horas antes...
  Sinceramente, eu nunca me acostumei com a fissura das fãs. Não, não estou reclamando, longe disso. Mas é que ainda é estranho ver tantas garotas gritando, até chorando só porque simplesmente me viram. Mas por outro lado, é bom. É bom ver alguém feliz só porque te viu, é bom ver alguém rindo escutando uma música sua, é bom fazer uma garota feliz só de tirar uma simples foto com ela.
  É, ser famoso pode assustar, mas tem grandes vantagens que compensam.

  Enfim, eu e os caras tínhamos acabado de sair de uma rádio junto com outros artistas, demos uma entrevista sobre o festival que estava acontecendo e que nós participaríamos hoje.   O H2O Music Festival era um festival com três dias de festa sem folga. Eu já havia participado uma vez, não como artista, mas como telespectador dos shows, e posso dizer que era algo incrível. Haviam barracas armadas para acampar espalhadas por todo o L. A. State Historic Park, onde o festival acontecia todo verão, mas as barracas não eram necessárias, durante os três dias as pessoas mal paravam para nada, durante dias, noites e madrugadas artistas e DJ’s se apresentavam no festival, e esse ano, seriamos nós quem iriamos fechar o festival. E acho que eu era quem estava mais animado pra isso.

  – Logan, será que dá pra parar de falar desse bendito festival? – James me repreendeu não tirando os olhos da direção, já que estávamos no carro indo em direção ao apartamento que dividíamos. – Porra, já vamos tocar nele hoje de noite, já basta.
  – Desculpe, mas é que eu estou ansioso, não posso mais ficar feliz por um show? – Eu disse olhando para James, já que estava sentado na frente.
  – Pera aí, vocês não vão brigar por causa disso, né. – Carlos disse. – Ânimo James, vamos fazer nossa estreia em um grande festival, Logan tem o direito de estar feliz.
  – Mas ainda assim é irritante. – Kendall se manifestou mexendo em seu celular. – Aliás, quando que o Logan não é irritante?
  – Nossa, obrigado pela consideração. – Eu disse, fazendo todos rirem. – Mas eu estou mesmo ansioso, é a primeira que tocamos no festival, como disse Carlos, tenho motivos para estar feliz.
  – Será que é mesmo pela nossa estreia no festival ou porque a Demi vai estar lá? – James disse, estacionando o carro, enquanto os meninos desciam rindo de mim.
  – Ah não, de novo essa história não, já deu, né galera. – Eu disse entrando em casa, e me jogando no sofá.

  Os meninos insistiam em dizer que tinha algo com a Lovato só porque estudamos juntos e éramos amigos. Aliás, não só eles, sempre que saímos juntos para um passeio a imprensa dava um jeito de inventar que estávamos juntos. Não que eu não quisesse, afinal, a Demi é linda, mas ela é minha amiga, e além do mais, não queria alguém como ela. Não estou dizendo que ela é feia ou algo assim, mas acho que não conseguiria namorá-la.
  – Já deu nada, aposto como todo esse nosso esforço vai valer a pena, e um dia vamos ver você e ela, juntinhos. – Carlos disse de trás do sofá imitando beijar alguém, e eu joguei uma almofada nele.
  – Não, garanto que não. – Eu me levantei, indo a cozinha pegar um copo d’água.
  – Claro que não, o Logan é só meu! – Kendall disse enquanto eu voltava e os meninos riram.
  – Que bom que estão de tão bom humor. – Josh, nosso agente, disse entrando no apartamento enquanto eu voltava à sala.
  – Ótimo humor, não é mesmo James? – Eu disse olhando para James que estava sentado (lê-se: esparramado) na poltrona.
  – Claro que sim. – Ele deu um sorriso. – Woo hoo!
  – Então, aproveitem toda essa animação e vamos ensaiar, temos que arrasar nesse festival. – Josh disse.
  – Por que mesmo esse festival é tão importante? – James disse levantando-se e seguindo para a porta.
  – Porque é nossa estreia. – Carlos disse o seguindo.
  – Sem falar que é o festival mais importante do verão de L. A. – Kendall disse.
  – Mas por que tanta desanimação, hein James? Alegria cara, hoje é uma grande noite. – Eu disse bagunçando os cabelos dele.
  – Eu sei, mas é que algo me diz que esse não será um simples show de festival. – James disse nos olhando. – Algo vai acontecer hoje à noite.
  – Oh, Madame James está tendo uma visão. – Kendall disse rodeando James. – Será que a vidente não pode me dizer também os números premiados da loteria?
  – Estou falando sério. – James disse apontando para nós.
  – Desencana cara, até porque as intuições estranhas são tarefa para o Logan, esqueceu? – Carlos disse.
  – E eu não estou sentindo nada. – Eu levantei minhas mãos e os outros dois olharam para James, que estava de braços cruzados perto da porta.
  – Tá vendo, fica tranquilo cara, nada de ruim vai acontecer. – Kendall disse.
  – Assim espero. – James rebateu suspirando, e eu também o fiz. Também estava sentindo algo sobre essa noite, como se não fosse mesmo ser normal nem igual a nenhum dos nossos outros shows em festivais, mas achei que era excesso de expectativa, afinal eu estava mesmo ansioso para esse festival.
  Eu realmente espero que seja só isso.
  – Meninos, venham logo, não temos o dia inteiro. – Josh gritou do lado de fora.
  – Estamos indo chefinho! – Eu respondi, saindo de casa junto com os meninos.
  Entramos novamente no carro, e partimos em direção ao estúdio, ensaiar algumas músicas antes de hoje à noite. E pelo o que vi, passaríamos a tarde inteira no estúdio.

  

...

  Como previsto, havíamos passado a tarde inteira ensaiando, só saímos do estúdio por volta de seis e meia da tarde e fomos direto para o local do festival, que como eu disse, estava lotado de barracas e as pessoas agora dançavam ao som de um DJ. Nós fomos para os camarins armados que haviam atrás do palco para nós arrumarmos para o show. O DJ parou de tocar apenas uma hora depois, ou seja, sete e meia da noite, e nós agora estávamos na plataforma que ainda estava abaixada, nos preparando para subir enquanto cantávamos Elevate.
  – É agora! – Disse para mim mesmo quando ouvi a banda tocar o toque da música tão conhecida por todos nós.
  A plataforma subiu enquanto cantávamos, e assim que subiu, eu pude ver a plateia acompanhado nossa música, nossas vozes, e aquilo me fez entender o porquê de toda a minha animação e expectativa para o festival. Eu tinha esquecido o quanto era bom cantar em um evento como aquele.
  Depois de Elevate, cantamos Music Sounds Better, mas foi somente em Windows Down que fizemos o chão quase tremer com a animação das pessoas, que apesar de ser muita, aposto que não era tanto quanto a minha e dos outros caras.

  Cantamos mais umas duas músicas, até chegar a hora de encerrar o festival, e a música de encerramento não poderia ser outra: Worldwide. E para isso, precisávamos de uma Worldwide Girl, foi quando Kendall falou ao microfone.
  – Bem galera, pra encerrar o festival nós... – Kendall foi interrompido pela plateia.
  – AHHHHH! – A plateia disse em desaprovação, e nós demos um meio sorriso.
  – É pessoal, nós também não queríamos ir. – Kendall disse fazendo biquinho, o que me fez apertar seu rosto. – Oh Logan, eu sei que você me ama, mas que tal usar esse amor pra uma pequena tarefa? – Kendall disse sugestivo, e eu estreitei os olhos.
  – Que tarefa? – Perguntei.
  – Para cantar Worldwide, nós vamos precisar de uma Worldwide Girl, obviamente, então que tal você escolhê-la? – Kendall disse, fazendo as meninas da plateia gritarem. – Vamos, escolha, é sua chance de fazer uma garota feliz.
  – Ok, então vamos lá. – Eu disse e as meninas vibraram ainda mais.
  Eu me aproximei da plateia e apontei meu dedo para a multidão, passando ele por todo o ar, pensando em quem escolheria. Poderia ser qualquer uma, afinal. Ou melhor, não podia. Eu virei um pouco mais e aumentei meu campo de visão, podendo ver no canto mais escuro embaixo do palco uma garota, me olhando aflita, mas ainda assim rindo ternamente. Foi aí que tive certeza de quem seria a Worldwide Girl da noite.
  – Que tal você? – Eu disse apontando para ela, que me olhou surpresa, então fiz um gesto com as mãos, e logo vi os seguranças a levando para o palco.
  Assim que ela subiu, pude ver o quanto estava tímida, acanhada, mas ainda assim sorria, o belo sorriso parecia estampado em seu rosto e certamente não sairia tão cedo, pelo menos não enquanto ela estivesse no palco. Ela andou um pouco mais adiante, abraçou os garotos, e a mim também, e finalmente começamos a cantar.

  Ela não tirava os olhos do chão enquanto cantávamos, mas ainda assim podia ouvir sua voz baixa cantando junto com a gente, e só podia ouvir seu sussurro no meio de toda aquela multidão que gritava por estar tão perto dela, e isso me provocava estranhas reações.
  Quando cantava o refrão, eu me arrepiava. Olhando para ela, a música tinha vida, parece que tinha sido escrita única e exclusivamente para ela, porque se encaixava perfeitamente, e mesmo que ela olhasse para o chão e ainda estivesse acanhada, eu percebia que estava feliz por estar perto de nós. Ainda bem, porque eu também estava por tê-la escolhido.   A música estava perto do fim, Carlos cantava seu último solo, e quando finalmente chegou ao meu, eu cheguei perto da garota e levantei seu rosto até seus olhos ficarem da altura dos meus, depois soltei seu queixo e peguei em uma de suas mãos, e encarando seu rosto, comecei a cantar a música para ela.
  – Yes, I may meet a million pretty girls, that know my name, but don't you worry, cause you have my heart.
  Ela sorriu enquanto eu cantava. Sorriu de uma maneira que eu nunca havia visto. Sorriu de maneira que fez meu coração bater em um ritmo rápido demais, eu diria, mas mesmo assim, me fez feliz, me deixou calmo, me deixou em transe, como se nada mais houvesse ali, apenas eu e a desconhecida de sorriso único. Eu fiquei fora de mim, acho que por isso fiz o que nunca devia.

  Larguei meu microfone no chão, segurei a nuca da estranha com uma mão e com a outra segurei por sua cintura, e a puxei até colar nossos corpos, e lhe beijar da maneira como eu sempre quis beijar alguém, mas por alguma razão não conseguia. Mas com ela tudo parecia tão fácil, tão espontâneo.
  A multidão gritava. O telão certamente reproduzia a cena do beijo. Os caras cochichavam entre si. O mundo tomou forma ao meu redor. E mesmo assim eu não queria soltá-la. Nunca. Mas tive, e assim que o fiz, pude ver que o sorriso encantador ainda continuava ali, ainda mais especial, mais feliz. Seus olhos brilhavam, suas bochechas estavam coradas. E eu também fui levado a rir.
  Mas de repente, a alegria se foi. A expressão da garota agora era de arrependimento. Ela se afastou de mim, pôs a mão sobre a boca e correu para trás do palco. Eu me virei para a plateia, que gritava ainda mais depois do ocorrido, e os meninos também se mantinham calados assim como eu.
  Aliás, eu estava surpreso, confuso. Afinal de contas, o que eu havia acabado de fazer? E por que eu havia feito isso?
  Eu não sabia, e o que eu mais precisava agora era pensar. Sem nem dar ouvidos as reclamações dos garotos, eu fui corri para descer do palco. Saí pelo camarim, passei pela parte das barracas, e já podia ouvir alguns comentários sobre o que havia acontecido. Olhei para o palco e pude ouvir os garotos se despedindo da multidão ainda sem ter o que dizer, apenas disseram “Boa noite”, e as luzes se apagaram. Eu corri até chegar à avenida e chamei um taxi, porque nós havíamos vindo juntos, e se voltasse com eles, as perguntas seriam muitas e eu certamente não saberia respondê-las, então era melhor ficar sozinho por um tempo.
  – Logan, espera! – Ouvi a voz de Carlos e me virei, encontrando três garotos exaustos de correr. – Será que dá pra explicar o que foi aquilo?
  – Eu não sei, nem eu sei o que fiz, e não me perguntem. – Eu disse já abrindo a porta do taxi. – Vou para a casa, amanhã a gente conversa.

  Entrei no taxi, dei o endereço, e este partiu, chegando em seu destino em apenas meia-hora, e eu agradeci pelo transito de L.A. estar, milagrosamente, sem congestionamento. Paguei o taxi, e corri para entrar em casa, fechando a porta assim que entrei. Fui direto para o meu quarto, e sem nem mesmo acender a luz, me joguei na cama da maneira que estava e encarei o teto, que mais parecia um telão e reproduzia perfeitamente a cena do que acabara de acontecer. Ou talvez fosse somente minha cabeça confusa reproduzindo a cena.
  E repetindo.
  E repetindo.
  Dezenas de vezes até eu finalmente pegar no sono.
  Mas eu tinha uma certeza.
  Eu ia descobrir quem era essa Worldwide Girl!

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