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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

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O cara do meu time

Escrita porRay Dias
Revisada por Lelen

Capítulo Um • Eu só queria jogar bola!

  Era mais uma tarde desgastante de pós-treino, eu ainda tinha muita coisa a ser feita, mas a bonita da minha melhor amiga surtada, ocupava a minha cabeça com um falatório sem fim.
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  Ester e eu éramos opostos perfeitos e de alguma forma nos completávamos. Nós nunca deixamos de ser amigas, tampouco nos afastamos em nossa trajetória do jardim de infância até a fase adulta. Vivenciamos muito das “primeiras vezes” da vida uma da outra, e, como eu não tinha irmãs, Ester ocupava este posto. Era filha de outra mãe, mas minha irmã.
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  Na verdade, se tem algo que a Ester com certeza é — e sabe ser como ninguém —, é ser filha da mãe. E esta que aqui vos fala é uma perfeita trouxa quando se trata de negar qualquer coisa para a minha melhor amiga. Talvez, lá no fundo, nós duas sejamos tão iguais que é por tal feito que eu não negue as suas loucuras.
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  Eu já desconfiava que o mundo estivesse caindo quando na saída do vestiário, peguei o meu celular e várias notificações da Ester demonstravam seu desespero. Frederico estava parado perto do seu carro me aguardando na porta do clube, e eu o analisei dos pés à cabeça, de forma cautelosa. Qual a chance que aquele desespero da minha melhor amiga em me encontrar, tivesse algo relacionado ao seu noivo, impecavelmente vestido e sorridente ao telefone, que estava parado à minha frente?
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  — Fred! — chamei quando já estava me aproximando do carro.
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  — Liv! — O sorriso tão largo dele ao me notar, indicava que Fred não fazia a menor ideia de quão desesperada estava Ester. — Achei que o treino acabaria mais tarde hoje!
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  Nós nos aproximamos cumprimentando um ao outro com um abraço e beijo no rosto. Fred rapidamente abriu a porta de seu carro para que eu entrasse, puxou um saco de papel pardo com o pecado do mundo dentro dele, e me entregou com um sorriso ainda maior e sacana.
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  — Merda, Fred! O alfajor do Milano é sacanagem! Eu acabei de sair do treino! — Puxei aquela delícia coberta de chocolate com amêndoas e dei uma mordida monstruosa, enquanto entrávamos no carro.
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  — E eu trouxe milk-shake também! — Meu amigo apontou um copo grande do Bob's.
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  — Eu te odeio! — mencionei com uma risadinha. — Mas por que estes mimos? Não era bem o que eu esperava depois de te pedir esta carona.
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  — Nem venha! — Ele justificou risonho ao notar minha expressão de desconfiança: — Eu só fiz isso porque eu te amo!
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  Suspirei e estalei a língua desacreditada. Soltei a mochila do meu braço, jogando-a no banco de trás e me concentrei em mandar, pelo menos, meia hora de treino no lixo enquanto me derramava naquele chocolate pecaminoso.
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  — Você não vai contra argumentar? — Fred ergueu a sobrancelha, desconfiado.
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  — Eu preciso? Eu sei bem que até chegarmos à casa da Ester você vai me pedir alguma coisa.
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  — Eu vou mesmo. E agora! Porque se você negar eu tenho o caminho inteiro para te convencer.
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  — A resposta é não.
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  — Lívia! Não tire conclusões ainda! — falou em tom de quem implorava: — Você sabe que tem um ano que eu não passo um tempo sozinho, não sabe?
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  Frederico e Ester formavam um típico casal daquelas comédias americanas bem idiotas, sabe? Se conheceram no Ensino Médio e nunca mais desgrudaram. Eu assisti cada alto e baixo daquele namoro, até chegar ao estágio atual de noivos. Quando a Ester veio com aquela história de ter sido convidada para um encontro, pelo “delicinha do segundo ano”, nós ainda estávamos no primeiro. E o “delicinha” em questão era, na minha concepção, um pé no saco! Acontece que Fred era um popular provindo de uma família de posses, e eu tinha certo preconceito com ele. Fiz o que pude para evitar que fôssemos amigos, já que, se ele conseguisse me conquistar, conquistaria Ester de vez!
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  Já deu para notar que eu estava errada, não é? Fred é um dos poucos caras incríveis que existem no mundo! E bem... No final, ele ganhou a minha confiança, minha amizade, e de quebra levou Ester no pacote, já que ela sempre deixou claro que eu era mais adequada à decisões assertivas do que ela. Então, se eu dissesse que ele a merecia, não havia quem provasse o contrário.
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  Sempre achei arriscada e absurda esta confiança que a Ester nutria, na nossa adolescência, pelas minhas escolhas. Eu nem era assim tão sensata! Apenas tinha juízo a mais que ela. Tudo o que eu queria fazer sempre foi apenas jogar bola. Então ter um foco sobre algo, transparecia na cabeça doida da minha amiga que eu era mais adequada a “decisões assertivas”. Outro ponto peculiar da Ester é que ela era — e ainda é — metida a falar coisas que só ela entendia. Eu achava graça, confesso. Então, como é possível ver: o Fred se acostumou com a ideia de que, quando ele não conseguia convencer a Ester de alguma coisa, a cartada final era eu.
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  — Sozinho em que sentido? — Achei aquela afirmativa confusa, porque não é como se ele e Ester morassem juntos.
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  — Sozinho, Liv! Todos os programas entre a Teté e eu são de casal, inclusive nossas férias.
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  — Você quer uma vale-night, é isso?
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  Fred sorriu afirmativo quando eu constatei do que se tratava aquela carona. E enquanto eu lambia o meu polegar, ele complementou:
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  — É mais do que uma noite...
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  Frederico também era um problema às vezes, me esqueci de mencionar.
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  A voz dele saiu um pouco mais baixa e constrangida, porque ele tinha a total noção de que estava me pedindo algo muito difícil. Fiz certo mistério, me mantendo em silêncio e colocando o lixinho do meu lanche dentro do pacote de papel em que o mesmo veio.
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  — Frederico Aguiar! — falei incisiva imitando a Ester, o que o fez rir. — Sabe que eu não gosto de ficar entre vocês dois e suas loucuras!
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  — Liv, eu juro, é só um retiro!
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  — Retiro? Você quer viajar, é isso? Vai para o Himalaia meditar antes do casamento? Porque se for, convencê-la será fácil!
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  — Eu quero ir para um clube em que sou sócio com os meus amigos. É coisa como você diria: “da galerinha playboy”.
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  — Rá! — exclamei em deboche. — Você é descompensado ou o quê? Porra, Fred, vai você conversar com a Ester!
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  — Eu já tentei! — Meu amigo falava com tanta euforia que eu até pensaria que ele tentou de tudo.
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  — O que você disse para ela?
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  — Que eu queria tirar um tempo para viajar com meus amigos.
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  — Você é burro? — Belisquei o braço dele que segurava a marcha do carro.
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  — Ai, Lívia! — ele exclamou de volta: — Eu não estaria recorrendo a você se eu soubesse lidar cem por cento com a Ester!
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  — Você realmente... — suspirei e me ajeitei no banco do carona ficando quase de frente para ele — disse “tirar um tempo”?
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  — Sim, eu falei que queria um tempo sozinho com os caras, um tempo para fazer o que eu gostava, porque logo entraríamos na fase de preparar o casamento e seria difícil viver a minha vida e...
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  — Pelo amor de Deus, Fred! — gritei batendo nas minhas coxas que já estavam suficientemente doloridas por conta do treino. — Quando você conversou com ela?
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  — Eu tenho sondado o assunto há uma semana, mas só hoje que ela e eu tivemos esta conversa direta e...
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  — E é por isso que tem trezentas ligações dela, no meu telefone! — interrompi compreendendo tudo. — Fred! Eu te odeio, na boa! Eu te odeio!
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  — Minha nossa, mas o que eu fiz de errado, eu posso saber?
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  Tal como eu, Frederico se alterou com as dúvidas sobre o que eu dizia. Claramente ele andava desprovido de noção.
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  — Presta atenção no que você falou, cara! A Teté tem audição seletiva, e você sabe disso! Ela escuta o que quer e o que não deve! — Comecei a gesticular, um pouco mais calma, e inserindo aspas visíveis nas partes importantes, já que Fred era um pouco lerdo: — Dizer que “queria um tempo sozinho, pra fazer o que gostava e viver a sua vida” é praticamente dizer para ela que você está pensando em pular fora do barco!
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  — Em que momento eu falei isso?! — Fred exasperou-se como se eu estivesse colocando palavras na boca dele.
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  — Tantos anos namorando ela, e você não sabe ler as interpretações da Teté? — Esfreguei com cuidado os meus olhos e apontei-lhe um dedo, avisando: — Frederico, ela vai aprontar! Saiba disso! A Ester pode até concordar em você ir para a Cochinchina, mas ela vai fazer alguma coisa!
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  — Você não pode tá falando sério! — desdenhou, mas quando olhou para mim e vislumbrou a minha expressão de irritação e desaprovação, ele logo voltou atrás: — Ok, você sabe o que está falando.
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  — Na moral, você é um... Argh!
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  — Por que está com raiva de mim? Eu te trouxe Bob’s Milano!
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  — Porque você só me fode, Fred! — gritei. — Além de me fazer sair da dieta, você dá margem para a Ester inventar qualquer loucura e sempre sobra para mim!
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  — É só você não embarcar na onda dela! E depois... Que raios a Ester pode fazer se eu estiver longe? Se ela concordar como você diz, a única coisa que ela conseguirá fazer é alugar o seu ouvido! Teté não é nenhuma paranoica!
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  Havíamos parado em um sinal e eu o encarei, ou melhor, eu fuzilei a figura daquele homem com meu olhar matador.
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  — Preto, você não sabe um terço das coisas que a Ester já fez. E tenha em mente que a maioria envolvia a você!
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  — Liv, você está me assustando!
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  — Que ótimo, então!
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  Continuamos o percurso conversando sobre outras coisas e ouvindo as músicas do rádio.
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  — Bem, agora conta uma coisa aqui pro seu Pretinho...
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  — Meu nada! Da Ester! Ela me proibiu de te chamar de “meu pretinho” de novo, segundo ela é “preto” e só — expliquei rindo e Fred me olhou com expressão de dúvida e então completei, com um olhar de sabedoria: — E depois você diz que ela não é paranoica!
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  — O ciúme da Teté nunca fez sentido, mas agora essa... Olha, realmente, ela está pirando com a proximidade do casamento, né?
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  Apenas assenti, porque a verdade é que minha amiga era maluca pelo Fred ao ponto de achar que ia perdê-lo para sempre e colocar o Frederico em uma redoma de vidro. E eu já havia me cansado de dizer o quanto aquilo era tóxico para ela e para ele, mas o Fred meio que levava tanto na esportiva, que uma simples ida a um clube com os amigos àquela altura do campeonato tornava-se uma missão quase impossível.
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  Eu também já havia conversado com ele sobre impor os limites da privacidade para ela, contudo... Tem casal que só entende quando quer. O fato é que mesmo Ester marcando muito bem seu território em torno de Fred, a coisa andava pior nos últimos meses. E assim como ele, eu não poderia negar que aquela neura toda estava atrelada à ansiedade de que, em poucos meses, ela seria finalmente uma mulher casada.
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  — Espero que ela fique mais tranquila depois de casarmos... — ele confessou soltando um suspiro.
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  — Confio não, viu! — Estalei a língua desviando o olhar de deboche para a paisagem na minha janela, e então perguntei: — E então, Preto, o que eu tenho que te contar?
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  Lembrando do que havia dito, Fred me olhou receoso e silenciou. Parecia esperar minha atenção total e retomou quando eu parei de olhar para a paisagem da janela e o encarar.
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  — Você e o Juan não têm se falado?
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  — Ele te procurou?
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  — Não exatamente, mas... Ele me perguntou sobre você.
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  — Ai, cara, fala sério! — resmunguei. Já estava com minhas pernas cruzadas e sacudindo um dos meus pés em sinal de irritabilidade. — Fred, corte qualquer assunto com o Juan que seja ponte para ele chegar até mim!
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  — O que aconteceu, hein? Pô! Vocês terminam e nem falam com seus amigos!
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  — Eu sou sua amiga, o Juan não. Entenda: ele era agregado e espero não ser mais o elo entre vocês! Claro, isso se você não tiver se tornado mesmo amigo dele. Eu não quero mais saber dele, Fred!
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  — Tá bom! — Frederico entoou com uma tentativa de me acalmar e puxou minha mão para junto da sua, em um sincero conforto. — Não precisa ficar irritada por isso, eu não tenho muito em comum com ele. Eu lidava por você mesmo, mas... Eu só queria entender o que rolou. A Ester não quis me contar.
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  — Ele me fez escolher entre ele e o futebol. E eu sempre deixei muito claro que eu não deixaria de jogar!
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  — Que ideia torta foi essa? O cara ficava se gabando para lá e para cá de ser seu namorado e de como os treinos eram...
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  Quando Fred parou de falar e arregalou os olhos, entendi que o babaca do Juan andou falando muita merda por aí, mas já nem ligava. Eu não queria me estressar com aquilo.
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  — Não me interessa saber, Fred, na boa. Mas entre se gabar de ter uma namorada gostosa das coxas grossas e aceitar que eu sou jogadora de futebol, e que essa é a minha escolha de vida, existe um abismo! O Juan é posudo, sabe? Gosta de aparecer e achou que conseguiria às minhas custas quando o André estava arquitetando aquela parada de eu jogar para o Santos. Naquela época, me pediu em namoro, me apoiou e tudo, mas quando o lance babou, ele começou a falar que eu deveria focar na minha profissão de verdade. Que passar a vida em time de várzea não me levaria a lugar nenhum.
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  — Caô que ele disse isso?!
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  Fred se mostrou chocado e fulo da vida! Ele era um tanto protetor com os amigos e detestava gente preconceituosa.
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  — Cara! Isso é machismo, não é?
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  — É sim, e entre um monte de outros “ismos”, o Juan é um babaca.
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  — Na hora que eu vir o Juan, ele vai ouvir umas poucas e boas!
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  — Você não vai vê-lo de novo, é só ignorar.
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  Quando o Juan e eu nos conhecemos e começamos a ficar, encarei aquela relação como todas as minhas outras: sem apegos precipitados. Nunca me preocupei em estar sozinha, tampouco em engatar em romances longos quando estava com alguma pessoa. Eu só queria viver a minha vida em paz e dar uns amassos convenientes e gostosos. Por isso, eu sempre fui muito observadora com os meus parceiros, conseguia fazer uma leitura fiel da personalidade deles e mandá-los para escanteio se visse a cilada. Mas com o Juan, eu vi que era cilada e insisti.
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  Entrei em uma neura de: “Lívia, você está muito frígida com isso de não se apegar”, e decidi apostar para ver até onde ele iria. Juan nunca foi um cara desagradável também, ele sempre foi um carinha bonitão, gente boa com todo mundo, mas que gostava de aparecer. Mas, para mim, o homem hétero-padrão não vai muito longe disso, então, não fiquei neurótica em cair fora daquela ficada fixa.
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  Quando foi feita uma proposta do meu treinador André, de que eu poderia ir para o clube Santos por uns seis ou oito meses a fim de treinar em uma espécie de “peneira”, minha capacidade de discernir meus sentimentos ficou de lado. Eu foquei naquilo com todas as minhas forças! Era uma grande oportunidade de sair do Volta Redonda, para uma equipe profissional da série A, sendo inclusive em uma equipe de renome.
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  Ter Juan ao meu lado me apoiando, incentivando e dizendo o quanto eu conquistaria aquilo foi o canto da sereia! Lá no fundo, eu estranhava, mas na minha superfície eu queria que ele fosse realmente o tipo de homem que lutaria as minhas batalhas comigo, e sorrindo. No fim, a parada não deu certo! Entre as jogadoras dos clubes que pleiteavam aquela vaga na peneira, eu fiquei de fora e bastou para o Juan cansar de fingir que me apoiava. E eu, cansei de fingir que namorava.
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  Fred chegou à casa de Ester e eu deixei um beijo no rosto dele antes de sair, ouvindo-o me implorar para comprar a sua causa.
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  — Não prometo nada.
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  — Qual é, Liv! Eu sei que você me entende! Não tô fazendo nada de errado, poxa!
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  — Dirija com cuidado! — falei sorrindo escorada à porta do carona, já abaixada ao lado de fora.
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  — Você vai falar com ela?
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  Revirei os olhos e me afastei da janela do carro, toquei a campainha e, abaixando no portão à altura da visão de Fred, repeti:
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  — Não prometo nada, já disse! Que horas você volta?
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  — Você tem uma hora e meia para aproveitar que eu não estarei aí!
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  Ele respondeu-me e fez sinal de silêncio quando Ester surgiu na varanda a caminho do portão, já gritando em desespero por eu não a ter atendido em chamadas. A ruiva abriu o portão e passou por mim como uma ventania me bronqueando. E se apressou até o carro do noivo, deixando um beijo na boca dele pela janela do motorista, e já iniciando um tagarelar em cima de Fred que eu não escutei. Estava com pressa para entrar e evitar que aqueles dois me metessem em mais confusões.
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  Deixei minha mochila — a qual eu já tinha pegado no banco de trás do carro de Fred logo que eu desci — sobre a poltrona da sala e fui em direção à cozinha de Ester.
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  Apesar do lanche pós-treino, eu ainda estava com fome e com fome de algo salgado! Encontrei pizzas no congelador e dei de ombros, afinal Fred já havia destruído minha dieta mesmo!
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  — O Fred quer terminar comigo! Eu sei disso! Ele só pode ter outra!
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  Lá vinha ela, a minha melhor amiga complexada.
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  — Ele te ama! Você sabe disso! Se não te largou até hoje, ele não larga mais — desdenhei, preparando o forno e procurando as formas para colocar as pizzas.
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  — Que isso!? — Ester parou do meu lado de mãos na cintura, alarmada, ao olhar para o meu consumo de carboidratos. — Furando a sua santa dieta? Que merda aconteceu?
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  — Seu noivo me deu milk-shake do Bob’s e donuts do Milano, então transferi o dia do lixo para hoje.
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  Teté tem a mania de também cortar qualquer assunto e fazê-lo voltar ao foco dela, chamando as pessoas de forma urgente.
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  — Lívia! — gritou. — Você reparou se tinha alguém com ele na porta do clube?
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  — Ester, não viaja! Frederico não te trairia e nem é burro de fazer isso embaixo do seu nariz!
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  — Exatamente! É por isso que ele veio com um assunto esquisito!
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  Andava de um lado a outro com braços cruzados, maquinando coisas na própria cabeça, e eu, apoiada à pia da cozinha, apenas a observava com expressão de quem via uma causa perdida.
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  — Você é uma péssima amiga, aliás! O meu noivo me metendo chifres, tentando fugir do casamento e você nem para atender as minhas ligações!
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  — Eu estava…
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  — Treinando! Eu sei! — me interrompeu e debochou no meio de uma bronca: — Você só poderia estar em treino! Aposto que se eu te ligasse no meio de uma foda você atenderia, mas no treino… Imagina!
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  — Se nunca te atendi é porque sempre desliguei o telefone, já que você não consegue ficar um minuto sequer sem aporrinhar a minha vida, não é?
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  Respondi me direcionando até a geladeira para pegar alguma bebida, e já fui ceifando a loucura de Ester:
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  — E para de ser louca! O Fred só quer passar um tempo com os amigos dele.
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  — Então ele te contou?!
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  Não tive tempo de pegar um copo. Ester me arrastou pela mão com a caixa de suco, num solavanco só, em direção à sala.
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  Quando nos sentamos no sofá, contei para ela que Fred só queria um passeio entre os amigos, já que eles raramente se desgrudavam. A pirada custou a entender que naquele relacionamento, era ela quem mais tinha seu círculo de amigos presentes. E que muitas vezes o Fred deixava de curtir várias coisas para fazer os programas que Ester gostava.
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  Entre explicar a diferença entre privacidade e possessividade, eu convenci a minha amiga.
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  Depois de muito esforço, a convenci no limite do tempo de algumas horas que Fred falou que voltaria. Ela acabara de concordar que não teria problemas que ele fosse para o tal clube — que eu nem sabia o que era direito —, quando a porta da sala se abriu, revelando um Frederico cansado da reunião de trabalho daquele fim de tarde.
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  E não sei exatamente como meu radar não apitou com aquela aceitação de Ester… Foram três horas conversando, sim, mas acreditem: ainda assim, Ester foi convencida rápido demais por mim. Eu deveria saber que não ficaria só por aquilo mesmo.
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Lelen

Agora eu tô curiosa pra entender como que esse capítulo vai parar no que a sinopse mostrou kkkkkkkk
O QUE A ESTER VAI APRONTAR PRA METER A LIV NISSO??? 😂😂

Lica

*correndo pra ler a sinopse e entender o comentário hahahaha*

Lica

Eu ja tenho um fraco por peotagonistas engraçadinhos e descolados, esse é meu tipo hahaahha
Aguardando os demais caps 🤓

Liv
  Ester e eu éramos opostos perfeitos e de alguma forma nos completávamos. Nós nunca deixamos de ser amigas, tampouco nos…" Leia mais »

eu amo amizades assim <3

Liv
  Sempre achei arriscada e absurda esta confiança que a Ester nutria, na nossa adolescência, pelas minhas escolhas. Eu nem era…" Leia mais »

tô fora de resolver pepino dos outros hahahaha

Liv
  — Rá! — exclamei em deboche. — Você é descompensado ou o quê? Porra, Fred, vai você conversar com a…" Leia mais »

EXATAMENTE

Liv
  Apenas assenti, porque a verdade é que minha amiga era maluca pelo Fred ao ponto de achar que ia perdê-lo…" Leia mais »

falta uma terapia pra esse casal

Liv
  — Ele me fez escolher entre ele e o futebol. E eu sempre deixei muito claro que eu não deixaria…" Leia mais »

que idiota mds

Liv
  Quando o Juan e eu nos conhecemos e começamos a ficar, encarei aquela relação como todas as minhas outras: sem…" Leia mais »

eu pulo fora a qualquer sinal de cilada hahahaha

Liv

Já tô ansiosa para saber como vai ser o desenrolar da história, e eu amo os momentos raros em que encontro uma personagem com o meu nome hahahaha
Sinceramente, boa sorte pra Liv. A Ester conseguiu me estressar daqui da minha casa KKKKKKKK

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